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15 de abril de 2014

Preparação para a Morte

CONSIDERAÇÃO XXIV

Do juízo particular
Omnes nos manifestari oportet ante tribunal C-hristi. Porque é necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo (2Cor 5,10).

PONTO I

Consideremos o comparecimento do réu, a acusação, o exame e a sentença deste juízo. Primeiramente, quanto ao comparecimento da alma perante o juiz, dizem comumente os teólogos que o juízo particular se efetua no mesmo instante em que o homem expira, que no próprio lugar onde a alma se separa do corpo é julgada por Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual não delega seu poder, mas vem ele mesmo julgar esta causa. “Na hora que não cuidais, virá o Filho do homem” (Lc 12,40).
“Virá com amor para os fiéis — disse Santo Agostinho — e com terror para os ímpios”. Qual não será o espanto daquele que, vendo pela primeira vez o seu Redentor, vir também a indignação divina! “Quem poderá subsistir ante a face de sua indignação?” (Na 1,6) Meditando nisto, o Padre Luís de la Puente estremecia de tal modo, que a cela em que se achava tremia com ele. O venerável Padre Juvenal Ancina se converteu ao ouvir cantar o Dies irae, porque, considerando o terror que se apodera da alma quando se apresentar em juízo, resolveu deixar o mundo, o que efetivamente fez. A indignação do juiz será prenúncio de eterna condenação (Pr 16,14); e fará sofrer mais as almas que as próprias penas do inferno, segundo afirma São Bernardo.
Têm-se visto criminosos banhados em copioso suor frio na presença dos juízes terrestres. Pison, em traje de réu, comparecendo no senado, sentiu tamanha confusão e vergonha, que ali mesmo se deu a morte. Que aflição profunda sente um filho ou um bom vassalo quando vê seu pai ou seu amo grave-mente indignado!... Mágoa muito maior sentirá a alma quando vir indignado a Jesus Cristo, a quem desprezou! (Jo 19,37). Irritado e implacável, então, se lhe apresentará esse Cordeiro divino, que foi no mundo tão paciente e amoroso, e a alma, sem esperança, clamará aos montes que caiam sobre ela e a ocultem à indignação de Deus (Ap 6,16). Falando do juízo, disse São Lucas: “Então verão o Filho do homem” (Lc 21,27). Ver o seu juiz em forma humana aumentará a dor dos pecadores; porque a presença daquele Homem, que morreu para salvá-los, lhes recordará vivamente a ingratidão com que o ofenderam.
Depois da gloriosa Ascensão do Senhor, os anjos disseram aos discípulos: “Este Jesus que, separando-se de vós, foi arrebatado ao céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o céu” (At 1,11). Virá, pois, o Salvador a julgar-nos, ostentando aquelas mesmas chagas sagradas que tinha quando deixou a terra. “Grande alegria para os que contemplam, grande te-mor para os que esperam” — Exclama Ruperto.
Essas benditas chagas consolarão os justos e in-fundirão terror aos pecadores.
Quando José disse a seus irmãos: “Eu sou José, a quem vendestes”, ficaram eles — diz a Escritura — sem fala e imóveis de terror (Gn 45,3). Que responderá o pecador a Jesus Cristo? Acaso, terá coragem de lhe pedir misericórdia, quando antes dera prova do muito que desprezou essa mesma clemência? Que fará, pois — interroga Santo Agostinho — para onde fugirá quando vir o juiz indignado, por baixo o inferno aberto, a um lado os pecadores que o acusam, ao outro o demônio, disposto a executar a sentença, e dentro de si mesmo a consciência que remorde e castiga?

AFETOS E SÚPLICAS

Ó meu Jesus! assim quero sempre chamar-vos, pois vosso nome me consola e anima, recordando-me que sois meu Salvador e que morrestes para me salvar. Aqui me tendes aos vossos pés, reconheço que sou réu de tantos infernos quantas vezes vos o-fendi mortalmente.
Não mereço perdão, mas vós morrestes para me perdoar... Recordare, Jesu pie, quod sum causa tuae viae. Perdoai-me, ó Jesus, agora, antes de virdes a julgar-me. Então, não me será dado pedir-vos clemência; agora posso implorá-la e a espero. Então, atemorizar-me-ão as vossas chagas; agora me infundem esperança. Amantíssimo Redentor meu, arre-pendo-me sobretudo de ter ofendido a vossa Bonda-de infinita. Proponho aceitar qualquer trabalho, qual-quer tribulação, antes que perder vossa graça, por-que vos amo de todo o coração. Tende misericórdia de mim. Miserere mei, Deus, secundum magnam mi-sericordiam tuam...
Ó Maria, Mãe de misericórdia e Advogada dos pecadores, alcançai-me profunda dor dos meus pecados, o perdão deles e a perseverança no divino amor. Amo-vos, minha Rainha, e em vós confio.

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