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8 de abril de 2014

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

Pensamentos Consoladores nas Provas da Vida Interior, nas Enfermidades da Alma e do Corpo, etc


1/26 -  Máximas para perseverar na piedade entre as aflições.

Para viver com devoção constante basta fixar no espírito máximas salutares. A primeira que deveis considerar é a de São Paulo: "Tudo sucede para o bem dos que amam a Deus". E, na verdade, visto que Deus pode e sabe tirar o bem do mal, por quem fará isto, senão pelos que se lhe entregam sem reserva? Sim; os próprios pecados de que Deus nos livra por sua bondade, torna-os a Providência úteis aos que lhe pertencem. Daví, se não tivesse pecado, não se encheria de tanta humildade; e Madalena não teria amado tanto o Salvador, se lhe não tivesse perdoado tantos pecados, e Ele, não lhes perdoaria se ela os não cometera. Vede este grande artista de misericórdia; converte as nossas misérias em graças e do veneno das nossas iniquidades extrai a triaga que há de salvar a nossa alma. Dizei-me pois o que não fará Ele das nossas angústias, trabalhos e perseguições de que somos vítimas? Se vos acontecer algum desastre, assegurai a vossa alma, se ama a Deus, de que tudo se converterá em bem. E  embora não vejais os meios pelos quais o bem deve vir, não duvideis da sua chegada. Se Deus vos lança nos olhos a lama da ignomínia, é para vos dar boa vista e tornar-vos um espetáculo honroso. Se Deus vos derruba como a São Paulo é para vos levantar com glória. A segunda máxima é a que Deus é o vosso Pai, senão não vos mandaria dizer: "Padre Nosso, que estais nos céus". E que temereis vós, sendo filho de tal Pai, sem a Providência do qual não cairá um só cabelo da vossa cabeça? É estranhar que, sendo filho de tal Pai tenhamos outros cuidados que não sejam amá-lo e servi-lo? Tendo o cuidado que Ele quer que tenhais em vossa pessoa e família, e nada mais, e vereis como cuida de vós, "Pensa em mim disse Ele a Santa Catarina de Sena, e eu pensarei em ti", Padre Eterno, disse o sábio, a vossa Providência tudo governa. Não previnais os sucessos desta vida por apreensão, mas priveni-os por uma perfeita esperança de que a medida que aconteçam, Deus, a quem pertenceis vos livrará e vos assistirá em todas as ocasiões; e onde não puderdes caminhar, Ele vos conduzirá. Que temereis estando com Deus que tantas vezes vos tem afirmado que, "para os que o amam, tudo se lhes tornará feliz?" A verdadeira serva de Deus não cuida do dia de amanhã: faz fielmente hoje o que deseja, e amanhã, e sempre. É assim que nos convém unir a nossa vontade a vontade de Deus e ao seu agrado. "Não cuideis do dia de amanhã, dizendo: Que comeremos? nem: De que nos vestiremos? nem: De que viveremos? Vosso Pai celeste sabe do que careceis; procurai primeiramente o reino de Deus e tudo se vos dará". Isto entende-se tanto espiritual, como do temporal. Ficai em paz; riscai da imaginação o que vos possa inquietar e dizei muitas vezes a Nosso Senhor: Ó Deus! sois meu Deus e me confiarei em vós; assistir-me-eis e sereis meu refúgio, e nada temerei, porque não só estais comigo, mas vós em mim e eu em vós. A terceira máxima que deveis repetir é a que Nosso Senhor ensinou aos Apóstolos: Que vos tem faltado? vede: Nosso Senhor enviara os apóstolos sem dinheiro, sem bordão, sem calçado, sem alforge, com uma só túnica, e depois disse-lhes: "Quando vos enviei assim faltou-vos alguma coisa?" e eles lhes responderam: "Não". Ora pois; quando tivestes aflições, mesmo no tempo em que não tinhas tanta confiança em Deus, morrestes na angústia? Não. Porque não vos animais pois nas outras adversidades? Deus não vos abandonou até hoje; como o fará agora que cada vez quereis ser mais seu? Não vos lembreis do mal que acontecerá, porque pode ser que não venha, e se vier, Deus vos fortificará. Manda a São Pedro que caminhe sobre as águas, e São Pedro, em vista do vento e do temporal, temeu e o temor o submergiu e pediu auxílio ao seu Mestre, que lhe disse: "Homem de pequena fé, porque duvidaste?" E, estendendo-lhe a mão, o segurou. Se Deus vos faz caminhar sobre as ondas da adversidade, não duvideis nem vos assusteis; Deus esta convosco; tende coragem e sereis livres. A quarta máxima é a da eternidade. Pouco me importa onde estou nestes momentos passageiros, contanto que esteja eternamente na glória de Deus. Caminhamos para a eternidade; quase que temos nela um dos pés; sendo ela feliz, que importa sejamos infelizes nestes momentos passageiros? É impossível que, sabendo como as tribulações destes três ou quatro dias operam consolações eternas, não queiramos suportá-las? A quinta máxima é a do Apóstolo: "Nunca me sucedeu glorificar-me senão na cruz do meu Jesus". Colocai no vosso coração Jesus Cristo crucificado, e todas as cruzes do mundo vos parecerão rosas. Os que se ferem com os espinhos da coroa de Nosso Senhor, nosso chefe, não sentem os outros espinhos.Tenho notado que as pombas choram e regozijam-se da mesma forma e cantam sempre no mesmo tom, tanto os cânticos de alegria como os de tristeza:  é sempre o mesmo arrulhar. É nesta santa igualdade de espírito que é preciso ter; não digo igualdade de inclinação e de gênio, mas de espírito; porque isto não diz respeito à parte inferior da alma, que é a que causa as inquietações e mudanças, quando a parte superior não cumpre o seu dever, tornando-se senhora, e não descobre os seus inimigos, tomando conhecimento dos ímpetos e assaltos que lhe dão a parte inferior, que nascem dos nossos sentidos, inclinações e paixões, para a guerrear e sujeitar as suas leis. Demais, digo que é preciso estar sempre firme e resoluto na parte superior do nosso espírito e manter-mo-nos em uma perfeita igualdade nos sucessos favoráveis ou adversos, na tribulação ou na consolação. O Santo Jó nos fornece um exemplo a este respeito: porque sempre cantou no mesmo tom quando Deus lhe multiplicava os bens, lhe dava filhos e lhe concedia tudo o que nesta vida podia desejar. Então dizia ele: "Seja bendito o nome do Senhor!"  Era um cântico de amor que entoava sempre. Mas vede-o reduzido à maior aflição, que faz? Entoa o seu cântico de lamentação no mesmo tom em que cantava no tempo da alegria: "Recebemos os bens da mão de Deus, porque não recebemos os males? O Senhor tinha-me dado os filhos e os bens; o mesmo Senhor nos tirou; seja sempre louvado o seu nome!" Não tinha outro cântico em todos os tempos, senão este: "Seja bendito o nome do Senhor". Oh! esta alma  santa assemelhava-se à pomba, que sempre canta no mesmo tom! Faça-mo-lo nós assim, e recebamos sempre os bens, os males, as consolações, as aflições, da mão do Senhor, cantando sempre o mesmo amabilíssimo cântico:  "Seja bendito o nome do Senhor!" Não façamos como os que choram quando lhes falta a consolação e cantam quando ela volta; no que se parecem com certos animais que estão tristes e furiosos quando o tempo esta sombrio e chuvoso, e não cessam de saltar quando esta bom e sereno.

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