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21 de julho de 2011

Orações pelos sacerdotes

ORAÇÃO PELO CLERO



Deixai, ó Jesus, que em vosso Coração eucarístico depositemos nossas mais ardentes preces pelo nosso clero, e sede propício aos nosso pedidos. Multiplicai as vocações sacerdotais na nossa pátria: atraí ao vosso altar os filhos do nosso Brasil; chamai-os com instância ao vosso ministério. Conservai na perfeita fidelidade ao vosso serviço aqueles a quem já chamastes; afervorai-os, purificai-os, santificai-os e não permitais que se afastem do espírito da vossa Igreja.



Não consintais, ó Jesus, nós vos suplicamos, que debaixo do céu brasileiro sejam, por mãos indignas, profanados os vossos mistérios de amor. Também vos pedimos com instância: deixai que a misericórdia do vosso Coração vença a vossa justiça divina por aqueles que se recusaram à honra da vocação sacerdotal ou desertaram das fileiras sagradas.



Atendei, ó Jesus, a esta nossa insistente oração, vo-lo pedimos por vossa Mãe, Maria Santíssima, Rainha dos sacerdotes. Ó Maria, a vosso Coração confiamos o nosso clero; guiai-o, guardai-o, protegei-o, salvai-o.



ORAÇÃO PARA PEDIR VOCAÇÕES



Senhor, dai-nos padres — padres santos — e tornai-nos dóceis aos seus ensinamentos!

(repete-se depois de cada uma das seguintes invocações)



1. Para que o vosso santo nome seja santificado em nossa paróquia, em nossas famílias, em nosso Brasil! (Senhor, dai-nos padres...)

2. Para que o vosso reino venha a nós, aos nossos corações e ao coração dos nossos filhos!

3. Para oferecer cada dia sobre o vosso altar o santo sacrifício, redenção dos nossos pecados, alívio para os nossos defuntos!

4. Para absolver os nossos pecados e restituir a vida às nossas almas e a paz aos nossos corações!

5. Para alimentar com a Eucaristia nossas almas, cansadas das lutas na vida!

6. Para que tenhamos o conforto dos vossos divinos sacramentos durante a nossa vida e, sobretudo, na hora da nossa morte!

7. Para ensinar às nossas crianças a vos conhecer, amar e servir!

8. Para ensinar aos nossos jovens seus deveres seus deveres para consigo mesmo, para com seus pais e sua Pátria!

9. Para ensinar às nossas donzelas a guardar a modéstia, a honra, e fazer delas valorosas mães cristãs!

10. Para ensinar-nos o amor uns aos outros!

11. Para ensinar-nos a todos o cumprimento corajoso do nosso dever e os meios de merecer a vida eterna!

12. Para pregar-nos a verdadeira justiça e caridade!

13. Para acalmar os ódios sociais e trabalhar para a união dos corações!

14. Para atrair as vossas bênçãos sobre nossas casas, nossas terras e nossos bens!

15. Para que um dia possamos todos nos encontrar na mansão dos eleitos!

16. Coração sacratíssimo de Jesus que, para testemunhar-nos o vosso amor infinito, instituístes o sacerdócio católico, a fim de permanecer entre nós pelo ministério dos padres: Dai-nos padres — padres santos — e tornai-nos dóceis aos seus ensinamentos!



ORAÇÃO PARA MARIA, RAINHA DO CLERO



Ó Maria, augusta Rainha do clero, vós que fostes dada por Mãe a São João no dia seguinte à sua ordenação sacerdotal; vós que presidistes a oração unânime e perseverante dos apóstolos e dos discípulos no dia de Pentecostes; dignai-vos orar conosco pelos sucessores dos apóstolos, pelo Papa, pelos Bispos, pelos Padres, a fim de que essa santa falange aumente cada vez mais e que, a exemplo do vosso divino Filho Jesus, trabalhe eficazmente para sustentar os fracos, consolar os aflitos, converter os pecadores e estender sobre a terra o reino de Deus, que vive por todos os séculos dos séculos. Assim seja.



Ó Maria, Rainha do clero, rogai por nós.



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Manual da Paróquia. Rio de Janeiro, Vozes, 5ª. edição, 1950, p. 248-250. Compilado por Mons. Leovigildo Franca.





Leia mais em: Blog Mulher Católica

As 7 excelências da batina - Pe. Cel. Jaime Tovar Patrón

As 7 excelências da batina




1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE
Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.


2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO
Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos. Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento. As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.


3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS
O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.


4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS
A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade. Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais. Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros. Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.


5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS
O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?


6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR
A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja. Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.


7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO DA IGREJA
Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.


O autor: Padre Jaime Tovar Patrón, coronel capelão, ocupou importantes responsabilidades no Vicariato Castrense. Oriundo de Extremadura, Espanha, foi grande orador sacro. Autor do livro Los curas de la Cruzada, autêntica enciclopédia dos heróicos sacerdote que desenvolveram seu trabalho pastoral entre os combatentes da gloriosa Cruzada de 1936. É, ademais, uma história do sacerdócio castrense. Faleceu em janeiro de 2004.



 - Código de Direito Canônico (1983): Livro II, I Parte, Título III, Capítulo III:

Cân. 284 Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais.

Cân. 285 § 1. Os clérigos se abstenham completamente de tudo o que não convém ao seu estado, de acordo com as prescrições do direito particular.

§ 2. Os clérigos evitem tudo o que, embora não inconveniente, é, no entanto, impróprio ao estado clerical.

- Convém recordar: muitos sacerdotes e religiosos mártires pagaram com seu sangue o ódio à fé e à Igreja desencadeado nas terríveis perseguições religiosas dos últimos séculos. Muitos foram assassinados simplesmente por vestirem a batina. O sacerdote que veste a batina é para todos um modelo de coerência com os ideais que professa, à vez que honra o cargo que ocupa na sociedade cristã. 

Se bem é certo que o hábito não faz o monge, também é certo que o monge veste hábito e o veste com honra. Que podemos pensar do militar que despreza seu uniforme? O mesmo que do vigário que despreza sua batina!

(Traduzido por Luís Augusto Rodrigues Domingues)

Fonte: Associação Cultural Montfort

3 de fevereiro de 2011

Do poder sacerdotal



Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que faz um sacerdote;

Quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem São Miguel, nem São Gabriel, nem São Rafael, nem um dos principais daqueles que venceram Lúcifer pode fazer o que faz um sacerdote;

Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na Última Ceia, realizou um milagre maior que a Criação do universo com todos os seus esplendores, ou seja, o de converter o pão e o vinho em Seu Corpo e Seu Sangue para alimentar o mundo, e que este portento, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, pode repeti-lo cada dia o sacerdote;

Quando se pensa em outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e o que liga no fundo de seu humilde confessionário, Deus, obrigado por sua própria palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante desliga Deus;

Quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um rei, mais que um militar, um banqueiro, um médico, que um professor, porque ele pode substituir a todos e nenhum deles pode substituí-lo;

Quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar tem uma dignidade infinitamente maior que um rei; e não é nem um símbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, mas o próprio Cristo que está ali repetindo o maior milagre de Deus;

Quando se pensa tudo isto…

Compreende-se o afã que, em tempos antigos, cada família ansiava para que de seu seio brotasse, como uma vara de nardo, uma vocação sacerdotal;

Compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes, o que se refletia nas suas leis;

Compreende-se que se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho é como se renunciassem a um título de nobreza incomparável;

Compreende-se que um seminário ou um noviciado é mais que uma igreja, uma escola e um hospital;

Compreende-se que dar para custear os estudos dum jovem seminarista ou noviço é aplanar o caminho pelo qual chegará ao altar um homem que durante meia hora cada dia será muito mais que todas as dignidades da terra e que todos os santos do céu, pois será o próprio Cristo, sacrificando Seu Corpo e Seu Sangue, para alimentar o mundo.

(Sim Sim Não Não, no. 64 – abril de 1998)

5 de janeiro de 2011

Do celibato sacerdotal - Pe. Anthelmo Goud


A lei sobre a continência dos clérigos não é menos antiga; remonta aos tempos apostólicos. Desde o princípio, a Igreja não admitia nas ordens sagradas senão aqueles que não eram casados, ou que o sendo, tinham cessado de viver com suas mulheres. Este é um fato atestado por S. Jerônimo (Epístola 30a. contra Jovinianum), Santo Epifânio (Heresia 50), pelo Concílio de Elvira, celebrado no ano 305, pelo Papa S. Sirício (Labbe, Tom. 2. col.1019), pelo Concílio de Espanha, no ano 390, etc. Este Concílio baseia-se no ensino dos Apóstolos e da antiguidade: Ut quod Apostoli docuerunt, et ipso servavit antiquitas, nos quoque custodiamus – O que os Apóstolos ensinaram e a antiguidade conservou deles, nós também guardamos. (Can.2). Desde então a mesma lei foi confirmada pelos Papas e pelos Concílios da África, da Espanha e das Gálias. Basta citar estas palavras de S. Leão, o Grande: "Nec sub-diaconis quidem connubium carnale conceditur: ut et qui habent, sint tanquam non habentes; et qui non habent, permaneant singulares. – Nem aos sub-diáconos seja concedido o casamento: de modo que os que possuem vivam como se não possuíssem, e os que não possuem permaneçam celibatários. (Epístola 12).

No decurso dos tempos, as Igrejas do Oriente apartaram-se insensivelmente do rigor da disciplina primitiva. Contudo os Gregos não permitem o casamento depois da ordenação nem sequer aos sub-diáconos; e os Bispos ordenados depois de casados, devem separar-se de suas mulheres e viverem como celibatários (cf. Tournely, Sur le sacr. de l'ordre).

Quanto à Igreja latina, ficou constantemente fiel à antiga disciplina, renovando de tempos em tempos certos regulamentos e mesmo ajuntando-lhes novos para prevenir os abusos e abrigar seus ministros contra os perigos e até contra as suspeitas desonrosas.

Era da mais alta conveniência que os ministros de Jesus Cristo fizessem profissão do celibato. "Sendo os clérigos chamados a um alto grau de santidade, diz o Cardeal Gousset, a Igreja impõe-lhes a obrigação de viver na continência; não os admite ao sub-diaconato senão enquanto prometem solenemente guardar a castidade". Esta obrigação é grave, e a Igreja não tem dispensado senão raríssimamente, aqueles que a contraíram, e sempre com grande pesar; e os que obtiveram esta dispensa não puderam mais subir no altar nem exercer as funções santas. Seria um crime, um sacrilégio, da parte de um clérigo ligado pelas ordens sagradas, a tentativa de se casar. Seu casamento seria ferido de nulidade, e não poderia atrair sobre si senão as maldições do céu e da terra: "Si quis dixerit clericos in sacris ordinibus constitutos, posse matrimonium contrahere, contractumque validum esse, non obstante lege ecclesiastica, vel voto... anathema sit" - Se alguém disser que os clérigos constituídos em ordens sacras e os Regulares que professam solenemente castidade, podem contrair válidamente matrimônio, não obstante a lei eclesiástica ou o voto, e que o contrário disto outra coisa não é senão condenar o Matrimônio; e que podem contrair Matrimônio todos os que não sentem ter o dom da castidade, ainda que o tenham prometido - seja excomungado (Conc. Trid. sess. 24. can.9).

Padre Anthelmo Goud, 1879. - Maravilhas do Credo Católico: Exposição abreviada e lógica dos dogmas e dos mistérios da teologia católica

Fonte: Capela Nossa Senhora da Conceição

3 de janeiro de 2011

O que é um padre? - Pe. José Emílio Baeteman, C.M.

O que é um padre?

Pe. José Emílio Baeteman, C.M.
(1880-1938)

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Sem dúvida é um homem como nós, porém um homem obrigado, pela vocação, a viver num plano superior, a tender à perfeição, mesmo à santidade; um homem condenado a viver só, sem família, a fim de ter o coração livre e sempre pronto à todas as dedicações; um homem que segundo a palavra do P. Chevrier, é "feito para ser comido"; um homem que não se pertence, mas que pertence a todos.

Como Cristo ele está na terra "para servir" . E que servidão a sua! Dia e noite ele está à disposição dos que necessitam do seu ministério; passará horas a fio nisso... quantos padres têm perdido a saúde em conseqüência de estágios prolongados no confessionário!

Em particular nas vésperas das festas, ás vezes eles entrarão ali ás seis horas da manhã para saírem já noite fechada! Em certos momentos, o seu pobre corpo não pode mais, a cabeça estala; mas eles têm de permanecer no seu posto. Estão ali "para servir". Ali ouvem confissões pertubadoras, ficam ligados a elas por um segredo terrível, a ponto de deverem morrer antes que revelarem o que ouviram.

E, se uma epidemia estender suas devastações sobre o país, eles serão sempre os primeiros, e por dever, a ir à cabeceira dos doentes, ainda quando tivessem com isso de contrair o contágio e a morte. Devem "servir"!

No campo, é uma solidão esmagadora e, às vezes, a pobreza extrema... Nas cidades, o padre é "moído", da manhã à noite, pelos ofícios, pelos catecismos, pelos doentes, pelas visitas obrigatórias, pelos patronatos, etc... E quantos que, á noite, ainda são obrigados a ocupar-se de círculos de estudos, de sessões a preparar, e o mais; expostos ainda a levantar-se se, durante a noite, os chamarem à cabeceira de um moribundo!

Na realidade, quando olhada sem "parti-pris", a vida do padre é simplesmente heróica.

O que os inimigos exprobram sobretudo, não é o bem que ele faz, é vê-lo teimar em viver na cruz, como seu Mestre, condenando-lhes assim os costumes dissolutos! A ele, como a Cristo, eles bradam:

"Desce da tua cruz!"

Então talvez eles lhe perdoassem, se o vissem tornar-se como um deles. Mas o eleito de Deus obstinar-se-á na sua vida rude, crucificado, solitário; jamais descerá da sua cruz, jamais renunciará ao seu papel de Cristo. Por isto, será sempre perseguido pelas injúrias, pelos sarcarmos, pelos escárnios e pelo ódio.

Os jornais de 1937 noticiaram que, na Espanha, 50% dos padres haviam sido fuzilados, torturados, trucidados; em certas regiões a proporção foi até 90%.

... Um missionário da China, voltando à França depois de haver por milagre escapado a horríveis perigos, ao descer do navio, em Marselha, arrastava o seu pobre corpo gasto, amortecido. Uns operários passam por junto dele, e um deles, apontando-o aos outros, exclama:

"Quando será que se jogará na água esse lepra?"

Por que esse grito de ódio?
Era um padre!

... A nossa batina designar-nos-á sempre aos punhais dos sicários e às balas dos desordeiros!

(Excertos do livro: Mais perto de Ti, meu Cristo - 1956 - Pe. José Emílio Baeteman, C.M.)

Fonte: A grande guerra.

17 de julho de 2009

Advertência aos Sacerdotes

Santa Catarina de Sena

Carta No. 24 - ao cura Biringhieri Arzochi (A um sacerdote pouco exemplar)

"Sede, sede aquela flor perfumada que deveis ser; espargi o bom odor (2Cor2,15) na doce presença de Deus. Sabeis que a flor, conservada durante muito tempo na água, não exala perfume, mas fedor. A mim parece, pai, que vós e os demais sacerdotes deveis ser assim uma flor. Mas também essa flor, imersa nas águas iníquas e putrefatas dos pecados e misérias do mundo, não exala perfume, mas fedor. Oh, como é mísero e infeliz quem é posto na santa Igreja como flor, responsável pelos seus súditos! Vós sabeis que Deus os quer límpidos e puros. Infeliz de mim, infeliz de mim, venerável pai! É o contrário que acontece. Comportam-se de tal maneira, que não apenas são fétidos, mas também arruínam todos aqueles que deles se avizinham.
Acordai e não continueis dormindo! Já dormimos bastante, mortos para a graça. Não nos resta mais tempo, soou a hora da sentença, estamos condenados à morte."

O Diálogo - Palavras do Pai Eterno ditadas pela santa no momento mesmo dos êxtases.

"Volto a falar novamente dos clérigos e ministros da Igreja. Quero lamentar-me contigo sobre outros defeitos, dos quais ainda não falei. São aqueles vícios, que uma vez te mostrei na figura de colunas: a impureza, o orgulho e a ganância. Com eles, vendem até a graça do Espírito Santo! São vícios interdependentes e têm uma base comum, o egoísmo. Tais colunas, enquanto permanecem de pé, sem serem derrubadas pelas virtudes, tornam a pessoa obstinada nos demais pecados. Como disse antes, todos os pecados nascem do egoísmo; o mais grave é o orgulho, que destrói a caridade. O orgulho conduz ainda a pessoa à impureza e à ganância. São esses os três laços que ligam os ministros maus ao demônio."

28.1 - A impureza

"Filha querida! Já tratei um pouco sobre a maneira como os clérigos mancham o corpo e o espírito na impureza. Para que conheças melhor a minha Misericórdia s sintas maior compaixão por esses infelizes, quero acrescentar quanto segue. Há ministros tão endemoniados que, além de não respeitarem a eucaristia e desprezarem a dignidade que lhes dei, fora de si se apaixonam por determinada pessoa, e, não conseguindo realizar seus desejos, recorrem à magia. Usam então o alimento da eucaristia como instrumento para concretizar seus pensamentos desonestos e más intenções. Relativamente aos fiéis, que deveriam pastorear e alimentar quanto ao corpo e quanto à alma, apenas os atormentam de diversos modos. Mas não vou me ocupar disso; não quero que sofras em demasia. Como te mostrarei numa visão, os fiéis são abandonados a caminhar sem rumo, desorientados, fazendo o que não querem. Se tentam resistir, sofrem terrivelmente na própria carne. Pois bem, qual a causa de tudo isso e de outros males que conheces e que não é preciso recordar, senão a vida desonesta dos clérigos? Ó Filha querida! atiram lama à minha carne que foi elevada acima dos anjos pela união em Cristo da natureza humana com a divina! Ó homem abominável e infeliz! Não homem, mas animal, que entregas às meretrizes teu corpo, por mim ungido e consagrado, e que fazes coisas ainda piores! No madeiro da cruz, meu Filho, sofrendo, curou a ferida de Adão herdada por ti e por todos os homens. Com seu sangue,Ele medicou pecados impuros e desonestos! O bom Pastor lavou as ovelhas no seu sangue e tu manchas as ovelhas que são tão puras, tudo fazes para atirá-las à lama. Deverias ser um espelho de honestidade e és um espelho de impureza. Fazes justamente o contrário daquilo que realizou o meu Filho, pois orienta para o mal os seus membros. Permiti que os olhos de Cristo fossem vendados para iluminar os teus, e tu, com olhares impuros, atiras fechas envenenadas contra a tua própria alma e contra o coração das pessoas a quem olhas. Deixei que Ele bebesse fel e vinagre e tu, qual animal desnorteado, saboreias alimentos delicados, tratando o estômago como a um "deus". Sobre tua língua passam palavras desonestas e vazias, quando- por meio dela- devias alertar o próximo, anunciar minha palavra e recitar o Ofício Divino com os lábios e o coração; vejo-te a jurar e imprecar como um desequilibrado, até blasfemando contra mim; permiti que as mãos do meu Filho fossem algemadas para libertar-te, a ti e a todos os homens, dos laços do pecado; e tu usas as mãos ungidas e consagradas em vista da distribuição da Eucaristia, para toques indecorosos; todas as ações, nas quais usas as mãos, estão corrompidas e orientadas para o mal! Ó infeliz! E dizer que eu te pusera em tão alta dignidade para servir a mim e à humanidade! Foram os pés de Cristo transpassados pelos cravos, deles fazendo eu um degrau para que chegasses a contemplar os segredos do seu Coração. Transformei seu Coração numa dispensa, onde todos podeis experimentar o amor inefável que vos dedico; ali encontras o sangue, por ti derramado como purificação dos pecados, mas tu fazes do teu coração um templo para o diabo. Tua afetividade, simbolizada nos pés, só me oferece maldade, uma vez que te conduz unicamente a lugares de pecado. Assim: ofendes-me com todo o corpo. Fazes exatamente o contrário do que fez Jesus, bem naquele ponto em que tu e os demais homens deveriam imitá-lo. À semelhança de instrumentos musicais, teus sentidos emitem sons desafinados, uma vez que as três faculdades da alma se "reuniram" em torno do demônio, em vez de o fazerem no meu ser. Tua memória deveria estar cheia com a lembrança dos meus favores, no entanto só contém desonestidades e muitos outros males; quanto à inteligência, era teu dever fixá-la mediante a fé em Cristo crucificado, de quem és, ministro, mas vaidosamente lhe deste por objeto os prazeres, a procura de altas posições sociais, a riqueza mundana; tua vontade haveria de repousar diretamente em mim, mas tu a fizeste amar as criaturas e teu próprio corpo. Tens mais amor aos animais do que por mim. Prova disso é a tua impaciência quando te privo de algo, e teu desagrado ante o próximo ao julgares que te prejudicou em alguma coisa. Quando o acusas, revelas que já perdeste o amor por mim e por ele. Ó infeliz ministro, és sacerdote do meu grande amor! A ti foi confiado o fogo sagrado que é minha caridade divina, o abandonas por afeições desordenadas! Nem mesmo podes suportar, em nome dela, um pequeno prejuízo que te cause alguém."

(28.6.4 - Visão de Catarina sobre a impureza)
Virtudes sacerdotais


"Filha querida, disse tais coisas para que melhor compreendas a dignidade dos meus ministros e chores com mais amargor os seus pecados. Se os ministros meditassem sobre a própria dignidade, não viveriam em pecado mortal, não manchariam sua alma. Se eles não me ofendessem, se não pecassem contra a própria dignidade, se não entregassem até o corpo para ser queimado, mesmo assim não me agradeceriam suficientemente pelo dom que receberam. Neste mundo é impossível uma dignidade maior. São ungidos meus, meus cristos, postos por mim na função de ministros, flores perfumadas na hierarquia da santa Igreja. Nem os anjos possuem dignidade igual a esta concedida aos homens, na pessoa dos sacerdotes.
Coloquei-os como anjos na terra, e como tais devem viver. De todos os homens exijo pureza e amor; todos devem amar-me e amar o próximo; todos devem socorrer o irmão naquilo que lhes for possível com orações e obras de caridade, assim como já disse em outro lugar, ao tratar desse assunto. Mas dos meus ministros peço pureza maior, maior amor por mim e pelos homens. Que distribuam o corpo e sangue do meu Filho com grande desejo da salvação da humanidade, para glória do meu nome. Da mesma forma como eles querem limpo o cálice usado no sacrifício eucarístico, também eu quero que sejam puros os seus corações, suas almas, seus pensamentos. Igualmente seus corpos - instrumentos da alma - hão de ser possuídos em perfeita pureza. Não quero que se envolvam na lama da luxúria, nem que se mostrem inflados de orgulho na procura de cargos prelatícios ou cheios de rancor por si mesmos e pelos outros. A insatisfação pessoal costuma manifestar-se sobre os outros; quando impacientes, os ministros terminarão dando maus exemplos, não se preocuparão em livrar os homens das mãos do demônio, não se dedicarão com esforço ao ministério do corpo e sangue do meu Filho, não distribuirão a luz da eucaristia na forma explicada.
Filha querida, compreendes quanto o pecado contra a natureza me desagrada em qualquer pessoa; mas entenderás também que muito mais me desgosta quando é praticado por aqueles que escolhi para a vida de continência. Uns abandonaram o mundo e se fizeram religiosos; outros são diocesanos. Entre eles acham-se os ministros. Jamais entenderás como tal vício, cometido por eles, ofende-me muito mais do que quando feito pelos leigos em geral e pelos leigos consagrados. Os ministros são lâmpadas colocadas sobre o candelabro e devem iluminar pelo ministério eucarístico, pela virtude, pelo bom exemplo. Mas de fato espalham a escuridão. Vivem na escuridão. Por causa de sua soberba e impureza, nada entendem das Escrituras, a não ser em sua veste exterior, literária.

15 de julho de 2009

Dignidade do Sacerdote - São João Crisóstomo

São João Crisóstomo

"Porque se alguém procurasse considerar o que é um homem ainda envolto na carne e no sangue, ter o poder de se aproximar daquela feliz e imortal natureza, veria então quão grande é a honra que a graça do Espírito Santo concedeu aos sacerdotes. Pois por meio desses se exercem essas coisas e outras também nada inferiores, que dizem respeito à nossa dignidade e a nossa salvação.
A eles que habitam nessa terra e fazem nela sua morada, foi dado o encargo de administrar as coisas celestiais e receberam um poder que Deus não concedeu nem mesmo aos anjos e arcanjos, pois não foram a esses que foi dito: "Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no Céu e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no Céu" (Mt18,18). Os que dominam nesse mundo possuem também o poder de atar, porém somente os corpos; mas a atadura de que falamos, diz respeito à própria alma e penetra os Céus; e as coisas que aqui na terra, o fazem os sacerdotes, Deus as ratifica lá nos Céus confirmando a sentença de seus servos.
Afinal o que mais lhes foi dado, senão todo o poder celestial? "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo. 20,23). Que poder maior do que esse alguém poderia receber? O Pai entregou ao Filho todo o poder, porém vejo que todo esse poder o Filho colocou nas mãos dos sacerdotes. É como se já tivessem sido trasladados aos Céus e erguendo-se sobre a natureza humana, livres de nossas paixões, tivessem sido elevados a tão grande poder.
Imagine se um rei proporcionasse tal honra a um de seus súditos, o qual por sua vontade encarcerasse, ou pelo contrário, livrasse das prisões a quem bem entendesse, será que esse não seria visto como um fortunado e respeitado por todos? E aquele que recebeu de Deus um poder infinitamente maior, mais precioso ao Céu do que à terra, mais precioso à alma do que ao corpo, será que para alguns tal honra possa parecer algo tão insignificante que não mereça consideração ou que se possa depreciar o benefício? Longe de nós tal loucura!
De fato, seria sem dúvida uma grande loucura depreciar uma dignidade tão grande, sem a qual não podemos obter nem a salvação, nem os bens que nos foram propostos, porque ninguém pode entrar no Reino dos Céus se não for regenerado pela água e pelo espírito (Jo. 3,5). E aquele que não come a carne do Senhor e não bebe seu sangue, está excluído da vida eterna. Nenhuma dessas coisas se faz pelas mãos de qualquer outro,senão por aquelas santas mãos do sacerdote. Como poderá pois alguém, sem o auxílio desses, escapar do fogo do Inferno ou chegar à conquista das coroas que lhes estão reservadas?
Esses pois são a quem foram confiados os partos espirituais e encomendados os filhos que nascem pelo Batismo. Através desses, nos revestimos de Cristo e nos unimos ao Filho de Deus tornando-nos membros daquela bem-aventurada Cabeça, de forma que para nós, com justiça eles devem ser respeitados não apenas mais do que os poderosos e reis, mas até mesmo mais do que nossos próprios pais, porque esses nos geraram pelo sangue e pela vontade da carne, enquanto os sacerdotes são os autores do nosso nascimento para Deus, para aquela ditosa geração da verdadeira liberdade e da adoção de filhos segundo a graça."

Fonte:
http://www.capela.org.br/Celibato/crisostomo.htm

13 de julho de 2009

Oração pelas Vocações Sacerdotais e pela Santificação do Clero

Oração pelas Vocaçõe Sacerdotais e pela Santificação do Clero

Benigníssimo Jesus que dissestes: "Pedi ao dono da seara que mande operários para o seu campo", instantemente Vos pedimos que multipliqueis as vocações sacerdotais. Ó Senhor da divina seara das almas, escolhei, designai, atraí com força e suavidade para o vosso sacerdócio obreiros evangélicos indissoluvelmente unidos ao vosso Vigário na terra, o Papa, dotados de alma forte e fé inabalável, que tenham o coração a transbordar de amor por Vós a fim de que por seu ministério, seja Deus glorificado e as almas sejam salvas.
Ó Jesus, Sacerdote eterno, dai à vossa Igreja sacerdotes piedosos, zelosos e santos, que a vosso exemplo sejam adoradores perfeitos do Pai que está no Céu. E se entre aqueles que chamastes alguns existem que se desviaram ou se tornaram indignos de sua vocação, chamai-os e acolhei-os novamente, Senhor, reparando com a abundância eficaz de vossa graça as faltas cometidas, a fim de que não haja na pátria brasileira mãos indignas que profanem os vossos mistérios de amor. Nós Vo-lo pedimos por intermédio de Maria Santíssima, nossa e vossa Mãe e Rainha do Clero. Assim seja.

Pai Nosso - Ave Maria - Glória ao Pai.

30 de janeiro de 2009

PADRE

O que é um padre?
(Padre J.Baeteman)

Sem dúvida é um homem como nós, porém um homem obrigado, pela vocação, a viver num plano superior, a tender à perfeição, mesmo à santidade; um homem condenado a viver só, sem família, a fim de ter o coração livre e sempre pronto à todas as dedicações; um homem que segundo a palavra do P. Chevrier, é "feito para ser comido"; um homem que não se pertence, mas que pertence a todos.

Como Cristo ele está na terra "para servir". E que servidão a sua! Dia e noite ele está à disposição dos que necessitam do seu ministério; passará horas a fio nisso... quantos padres têm perdido a saúde em conseqüência de estágios prolongados no confessionário! Em particular nas vésperas das festas, ás vezes eles entrarão ali ás seis horas da manhã para saírem já noite fechada! Em certos momentos, o seu pobre corpo não pode mais, a cabeça estala; mas eles têm de permanecer no seu posto. Estão ali "para servir". Ali ouvem confissões perturbadoras, ficam ligados a elas por um segredo terrível, a ponto de deverem morrer antes que revelarem o que ouviram. E, se uma epidemia estender suas devastações sobre o país, eles serão sempre os primeiros, e por dever, a ir à cabeceira dos doentes, ainda quando tivessem com isso de contrair o contágio e a morte. Devem "servir"!

No campo, é uma solidão esmagadora e, às vezes, a pobreza extrema... Nas cidades, o padre é "moído", da manhã à noite, pelos ofícios, pelos catecismos, pelos doentes, pelas visitas obrigatórias, pelos patronatos, etc...

E quantos que, á noite, ainda são obrigados a ocupar-se de círculos de estudos, de sessões a preparar, e o mais; expostos ainda a levantar-se se, durante a noite, os chamarem à cabeceira de um moribundo!

Na realidade, quando olhada sem "parti-pris", a vida do padre é simplesmente heróica.

O que os inimigos exprobram, sobretudo, não é o bem que ele faz, é vê-lo teimar em viver na cruz, como seu Mestre, condenando-lhes assim os costumes dissolutos! A ele, como a Cristo, eles bradam: "Desce da tua cruz!" Então talvez eles lhe perdoassem, se o vissem tornar-se como um deles. Mas o eleito de Deus obstinar-se-á na sua vida rude, crucificado, solitário; jamais descerá da sua cruz, jamais renunciará ao seu papel de Cristo. Por isto, será sempre perseguido pelas injúrias, pelos sarcasmos, pelos escárnios e pelo ódio.

Os jornais de 1937 noticiaram que, na Espanha, 50% dos padres haviam sido fuzilados, torturados, trucidados; em certas regiões a proporção foi até 90%.

...Um missionário da China, voltando à França depois de haver por milagre escapado a horríveis perigos, ao descer do navio, em Marselha, arrastava o seu pobre corpo gasto, amortecido. Uns operários passam por junto dele, e um deles, apontando-o aos outros, exclama: "Quando será que se jogará na água esse lepra?" Por que esse grito de ódio? Era um padre!

... A nossa batina designar-nos-á sempre aos punhais dos sicários e às balas dos desordeiros!
(Padre Baeteman - Mais perto de Ti, meu Cristo - pág. 249 a 252)