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30 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XVII

Parte 9/9

Duas grandes e admiráveis pinturas históricas ornam a grande escadaria do Novo Museu de Berlim: obras primas de Kaulbach.
Uma destas pinturas representa a destruição de Jerusalém. Sob um aspecto terrificante, vemos a ruína do povo judeu, outrora eleito, mas que se afastou de Deus. O templo de Jerusalém esta em chamas, anjos tendo nas mãos espadas flamejantes indicando que executam um castigo divino. À direita, pode-se ver, à frente das legiões, Tito, o general romano vitorioso; à esquerda num plano atrás, os antigos chefes do povo judeu se retiram, com uma cólera impotente. No centro do quadro, no primeiro plano o Sumo Sacerdote que quer embeber sua espada no coração, mas sua esposa e seus filhos suplicam-no matá-los antes... O horror, o desespero, a ruína irremediável ressaltam de todo este quadro.
Mas o segundo quadro fala-nos todo, de outra coisa. Vemos aí uma família cristã. Ela se salva com dois animais, da cidade em ruínas; sobre um dos animais assenta-se a mãe com dois filhinhos apertados ao coração, e atrás, às suas costas, assenta-se um outro filho; mas sobre o outro animal não há senão crianças. Adiante, caminha uma outra criança, ou melhor um jovem, que canta um salmo, olhos levantados para o céu. Atrás deles, o pai que também parece cantar. Acima do grupo, pairam os anjos, anjos da fé, da esperança e da caridade, mas não têm espadas flamejantes em suas mãos ; a família em fuga leva com segurança, a força e entusiasmo, um cálice donde irradia o Santo Sacramento.
E para que a lição seja ainda mais completa, para que possamos de algum modo dizer que este quadro monumental foi feito para ilustrar nosso tema de pregação, apresenta-se ainda um outro episódio: três judeus esmagados sob o peso da justiça divina, crianças mal vestidas, e com gestos de súplica, lançam-se diante da família cristã que foge: levai-nos convosco, não nos deixeis perecer. E com olhar sorridente e amável, uma das crianças cristãs lhe faz sinal com a cabeça.
E é, pois, neste gesto amável da criança que repousa toda a nossa confiança. Pois quem não sentiria a significação para nós deste quadro? Quem não veria que, para a família que resiste às leis de Deus haverá a cólera do juízo de Deus? Quem não ouviria o fragor com que se desmoronam as muralhas, outrora tão sólidas do santuário familiar, e como se sepultam com elas todos os valores, as virtudes, a felicidade e a civilização que o homem criara na terra.
Se a humanidade quiser escapar ao juízo divino, não há senão um meio; antes de tudo, é preciso que as famílias cristãs se libertem dos sofismas, da frivolidade moral, das frases vãs e das águas lodosas, é preciso que elas retornem ao ideal familiar e que elas irradiem no mundo inteiro a força de uma elevação moral. 
Hoje, mais do que nunca, precisamos de famílias cristãs pois se existe ainda um meio de salvação para o mundo que cambaleia é a família cristã ideal que o fornecerá.
A família donde nascerão moças de alma pura e moços de olhos brilhantes como estrele.
A família donde se irradiarão o contentamento, a harmonia e felicidade.
A família que será a nova base, a célula e estrutura de uma vida humana melhor.
A família que rejuvenescerá e purificará a humanidade que se arrasta para a ruína.
Senhor, eis a nossa última prece: defendei, salvaguardai, fortificai e abençoai a família cristã. Amém. 


28 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XVII



Parte 8/9


C - Mas quando se constata, dolorosamente, que dificilmente há um estado moderno, cuja legislação não seja, mais ou menos, contrária à instituição do casamento, sente-se o quanto se deve agradecer à Igreja Católica o ter sempre mantido e manter até hoje ainda o casamento cristão contra o divórcio.
a - Quantos, contudo, não lhe predisseram que isto seria sua perda! Sua perda, se ela continuasse a mostrar "um rigorismo atrasado" nesta questão e se ela não se tornasse "mais indulgente e tolerante" quanto a estas correntes modernas. Não. A Igreja Católica não pode ser tolerante, onde a indulgência seria correr para o abismo e para a ruína. Ela tem a santa obrigação de manter a família à altura do ideal onde o Criador a colocou desde a sua origem, e onde - após uma aberração milenária - Nosso Senhor Jesus Cristo, não só a colocou, mas ainda a pôs entre os sacramentos.
Não sabemos qual a sorte reservada ao Ocidente civilizado e à  Igreja de Cristo que aí se encontra. Mas é certo que a sorte da Europa depende do modo pelo qual ela conseguir edificar em si mesma, a nova civilização cristã, porque a antiga não mais existe, desapareceu. É certo que não se pode modificar esta nova civilização cristã enquanto não se conseguir elevar, às alturas do cristianismo, a sua base, a família cristã.
Não são somente os padres, mas também os fiéis que devem trabalhar, para edificar, consolidar, embelezar o corpo místico de Cristo. "Que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igualmente cuidado um dos outros", escreve São Paulo (1 Cor 12, 25). Só teremos, na Igreja, uma primavera de vida nova, quando não só os bispos e os padres, mas também todo o corpo e cada membro do corpo construam o templo de Deus. Se o casamento se torna cristão, se a família se cristianiza, se os pais e os filhos se cristianização, então a Igreja de Cristo, se rejuvenescerá, tornar-se-á cada vez mais bela.
b - Hoje o mundo cambaleia ao redor de nós, como um gigante ébrio. Quase acreditamos que o mal e a revolução sangrenta se preparam para inundar o  mundo, como novos rios de sangue no tempo de Noé. Mas, se assim for, e se realmente se chegar à destruição de tudo quanto o espírito humano criou de belo e grande durante os séculos, mesmo então entre o desencadear das vagas espumantes, a nova arca de Noé, a Igreja Católica, continuará a flutuar sã e salva, e levará com ela a segunda família de Noé que conseguiu salvar de novo a humanidade em ruínas: a família robusta, pura, ideal. Não serão as conferências que salvarão o mundo, nem as máquinas, nem as associações, nem os sindicatos, mas sim os pais e as mães. Os pais com seus braços robustos, e as mães com o seu coração ardente, os pais com o seu trabalho, e as mães com as suas mãos ativas, os pais e as mães: o ideal da família católica.
A humanidade, hoje, já vê, alarmada, que a família esta no declive, e que um perigo mortal ameaça todos os valores da civilização. Biologistas, políticos e pedagogos, procuram, tremendo, uma saída. Milhares de projetos e planos jorram da humanidade. Mas não há outros meios para tirar a família da crise, senão o retorno às leis divinas e naturais que foram abandonadas, o retorno ao ideal cristão do casamento. O penhor mais seguro de um novo milenário para a nossa nação, o melhor eugenismo, o racismo mais seguro, é a lei do evangelho: Salvai o santo ideal do matrimônio, e salvareis a Pátria.

26 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XVII


Parte 7/9


B - É impossível não se ver, após um exame profundo de todas essas coisas, quão funesta foi para a humanidade a instituição do divórcio contra a vontade de Deus. Foi um flagelo que minou e abalou a moralidade pública, arruinou suas bases, e na questão mais importante abriu de par em par as portas às paixões humanas, aos prazeres, e aos caprichos humanos contra as leis de Deus. Mas a vantagem da comunidade humana esta acima dos interesses e vantagens particulares; por causa de interesses particulares; não se podem enfraquecer os princípios que servem os interesses de toda a comunidade. Atenuando-os como fizera a humanidade permitindo o divórcio, abre-se diante de si um abismo do qual não se pode sair.
Não constatamos desde já o terrível e continuo aumento dos divórcios? Outrora era apenas em casos muito graves que se pensava em divórcios: aos poucos o número de causas do divórcio aumentou cada vez mais, ao ponto que hoje se quer suprimir a própria instituição do casamento. Em suma, não se deve admirar disto. É simplesmente a lógica que levou o homem até lá: Quando se deixa rasgar o vestido, ninguém mais pode usá-lo.
Mas sabemos que entre as paredes do santuário familiar cresce e se desenvolve o futuro da nação. Sabemos bem que o mais belo programa social permanece em palavrório vazio, se o primeiro cuidado não for com a família. Sabemos bem que o que é mais necessário ao país em nossos dias é reforçar a família, e garantir a sua felicidade e sua harmonia. Ao contrário, a decadência da família significa sempre uma perda de valores morais irreparáveis, e o povo, entre o qual se decompôs, terminou seu papel na história.

24 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XVII


III - QUAIS SÃO OS INTERESSES INERENTES AO REFORÇO DA FAMÍLIA?


Parte 6/9

Quantas opiniões não circulam hoje a respeito da reforma do casamento. No entanto vimo-lo claramente, não há senão um caminho a seguir para esta reforma: recolocar o casamento inteiramente sobre a base de Cristo, salvar a sua indissolubilidade e sua pureza; é disto que depende o futuro da humanidade.
A - Se o Estado não pode passar sem a família, não é menos verdade que o Estado é incapaz, por suas próprias forças, de criar estas bases morais que garantem a força da família. 
a - Não há, com efeito um só Estado no mundo, que veja com alegria a decomposição do casamento de seus súditos. Cada um sabe, pela experiência, quais as consequências do divórcio para os interesses bem compreendidos da nação. Cada Estado gostaria, em seu território, que os santuários da família fossem sólidos... Verificou-se, porém, que sem o auxílio da religião, aos maiores esforços, sucederá o que sucedeu a semelhantes esforços do imperador Augusto.
b - Na época de Augusto, entre os romanos, o número de divórcios elevou-se muito. Ele promulgou, pois,  sobre esta questão duas leis severas: 
Um no ano quarto, a "Lex Iulia", outra no ano nono, a "Lex Papia". Por essas leis instituía ele prêmios para os casamentos, e de outra parte apenas contra os que não se casavam, ou casando-se, não tinham filhos.
E qual o resultado? Nulo. De nada serviu tudo isto. Por que? A história nos responde: O próprio Augusto, que trouxera essas leis severas, era divorciado, dando assim o testemunho berrante de que as leis civis são insuficientes por si mesmas, quando para o seu êxito há necessidade de apelar para a consciência dos cidadãos.
Compreende-se, agora, que trabalho abençoado realizou o cristianismo, elevando o matrimônio à dignidade de sacramento. Na árvore da redenção o primeiro fruto foi a criação do ideal cristão do casamento; e foi este um fato histórico pelo qual o cristianismo sobre as ruínas do mundo antigo lançou as bases do desenvolvimento da civilização cristã.

22 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XVII


Parte 5/9


B - Mas, dirão alguns, é razoável que a Igreja, hoje, ainda faça brilhar esta imagem ideal do casamento quando deveria Ela ver bem quanto a realidade é muito outra? Quando deveria ver a que distancia medonha do ideal da Igreja está a fria realidade ? 
a - De fato ninguém sofre mais que a Igreja de Cristo o grande abismo que se estende, no domínio do casamento, entre o ideal cristão e a triste realidade. E não se pode sequer tirar um iota a este ideal cristão. Pois há valores e consequências absolutas, a propósito das quais não se pode nem resgatar, nem tergiversar, mesmo que ninguém os observe no mundo inteiro.
Vou repetir uma comparação tantas vezes citada. suponhamos que por uma causa qualquer todos os pêndulos do mundo se desconcertem, e andem mal, ter-se-ia por isso o direito de retificar o sol, e colocar sua marcha de acordo com a dos pêndulos? Não seria, porventura, mais necessário, nesta circunstâncias, ter o sol como ponto de mira, a fim de que haja ao menos um ponto seguro, pelo qual se regulariam os pêndulos, se um dia eles caminhassem novamente?
Depois do pecado do primeiro homem o ideal nunca existiu na terra, a realidade sempre esteve longe do ideal. Mas enquanto viver e brilhar acima de nós a imagem do ideal a vida será mais suportável. Cairá ela, porém, na ruína definitiva e se tornará intolerável, se o perdermos.
b - Compreendemos, agora, por que a Igreja Católica novamente luta de modo sobre-humano em favor do ideal cristão que se realiza perfeitamente na indissolubilidade do casamento. Compreendemos por que ela considera como pupila dos olhos a pureza da vida conjugal, que ela guarda, defende, e fortifica com uma solicitude toda particular. Eis por que na família ela defende a fonte secreta, onde se renova constantemente a raça humana, e de onde surgem sem cessar novos membros para o corpo místico de Cristo. Se a família desaparecesse da terra, que terrível queda aniquilaria a sua lembrança, se a Igreja de Cristo não se pusesse ao lado dela com suas palavras diretrizes, seu amor cheio de solicitude, e muitas vezes também com seu braço vingativo e ameaçador.
Não há talvez questão que mais tenha atraído ataques à Igreja, do que a do casamento, por causa de sua atitude intransigente. Por causa desta atitude, muitos deles se afastaram da Igreja loucamente, ou de modo revoltante. Tempo virá em que toda a humanidade será reconhecida à Igreja, por ter mantido, com uma coragem inabalável, a indissolubilidade e unidade do casamento. Porque se é a verdade que a civilização é o resultado da vida familiar, e que se pode saudar a família como o último degrau da civilização, então se vê claramente o quanto ela deve ao cristianismo pelo que ele fez e faz ainda em defesa da família.
Não seria compreensível que na crise atual da família a nossa legislação civil adotasse as diretrizes de nossa Igreja milenária, que tem tanto valor a respeito da célula fundamental da vida social, para a consolidação da vida familiar do que qualquer outra questão?

20 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XVII


II - NÃO SE TEM O DIREITO DE 'REFORMAR' O CASAMENTO


Parte 4/9

"A reforma do casamento". Será necessário e permitido "reformar" o casamento?
Os espíritos superficiais poderiam facilmente responder com um "Sim" a esta questão. Pois, como dizem eles, se tudo evolui ao redor de nós se vivemos em condições de vida e condições econômicas inteiramente diferentes das de outrora, é preciso também adaptar o casamento a esta nova "situação". Tal é o raciocínio de muitos de nossos contemporâneos. Que lhes responderemos?
A - Em primeiro lugar, ninguém quer negar o progresso imenso que a humanidade realizou no decurso último século, no domínio da ciência e da técnica.
a - Realmente as descobertas extraordinárias sucederam-se no último século. A técnica colocou ao nosso serviço métodos e forças sempre mais novas, tornando a vida humana mais fácil, mais bela, mais salubre e mais longa. Não é para admirar que estas invenções tenham transformado inteiramente não só o aspecto da terra, mas, também, as ideias da humanidade fascinada, ensoberbecida e conquistada por elas, ela acredita que não há mais segredos.
Contudo, ainda há. Há, hoje ainda, uma multidão de mistérios ao redor de nós, e entre estes mistérios levanta-se sempre diante de nós como de sob um véu o maior de todos os mistérios: o mistério da vida. A ciência e a técnica humana são capazes de uma multidão de coisas, e contudo permanecem impotentes ante o mistério da vida; hoje ainda não se chegou e certamente não se chegara a criar a vida, mesmo sob a forma mais elementar.
b - O foco da vida humana permanece, pois, ao abrigo das grandes transformações exteriores atuais, permanece aquilo que era: a família. Não é permitido tocar com mãos ineptas esta fonte de vida.
A vida familiar deve permanecer até o fim a fonte em que a humanidade de quando em vez se rejuvenesce. A família deve ser até o fim a porta pela qual entra para a vida a nova geração humana, a fim de tomar o lugar vazio deixado por aquela que desceu ao túmulo. A família deve ser até o fim o santuário onde brotam as mais belas virtudes: amor, devotamento e ardor ao trabalho. A família deve ser até o fim a célula sobre a qual esta edificada a humanidade, a coluna sobre a qual se eleva a civilização.
não é, pois, necessário "reformar" o matrimônio, no sentido da opinião originada da sede atual de prazeres: "o casamento de camaradagem", o "casamento de weekend", e não sei que outros termos. Não, não há necessidade. É preciso, porém, salvar, fortificar, restaurar o "velho casamento" que foi a base de todo o desenvolvimento de nossa civilização, e que a Igreja de Cristo não cessará nunca de defender, salvaguardar e exigir.

18 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth,

Conferência XVII


Parte 3/9

B - Mas veio Cristo, o Filho de Deus. Veio não só para resgatar o homem do pecado, mas também, para restituir ao matrimônio a sua forma primitiva que Deus lhe dera, a princípio no paraíso terrestre, e elevar mesmo à dignidade de sacramento a união conjugal. Também ele o proclamou formalmente: "Que o homem não separe o que Deus uniu" (Mc 10, 9).
Ensinou também que a união e a fidelidade conjugal deviam ser absolutas e sem reservas, de modo que não se pode tocá-la nem sequer em pensamento: "Eu vos digo que quem olhar uma mulher cobiçando-a já pecou com ela em seu coração" (Mt 5, 28).
Eis o ideal do casamento para todos que querem ser verdadeiros discípulos de Cristo.
Mas o que Cristo proclamou e exigiu tão categoricamente, alguém teria um momento qualquer o direito de querer "reformá-lo"?
C - Devemos, pois, confessar abertamente esta verdade, que não foi o homem quem inventou o casamento, mas sim que ele foi estabelecido pelo Criador da natureza humana, Deus. Devemos confessar que no casamento, já em épocas anteriores ao cristianismo, havia traços sobrenaturais: sua instituição divina; mas que o casamento cristão tornou-se alguma coisa mais: um sacramento.
Mas, se é assim, se o casamento é por sua natureza uma "res sacra', uma "coisa santa", se o próprio casamento cristão é um "sacramentum", um "sacramento", é claro que o homem não pode mudar suas leis fundamentais; é claro que sua essência não depende da vontade do homem, e que o homem na questão do matrimônio não pode reivindicar para si mesmo autonomia, "poder legislativo".
Mas, após isto, é claro que o caos atual e a funesta situação atual que justamente reinam nesta questão tem por causa os ataques audaciosos das paixões humanas contra as leis eternas do casamento e a extirpação de suas raízes vivificantes. Extirpação que consiste em arrancá-los do solo divino, e querer "reformar" o casamento segundo as exigências da natureza humana sensual.

16 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XVII


O IDEAL CRISTÃO DO CASAMENTO


Parte 2/9

A - Nas primeiras instruções dessas séries vimos que já o primeiro matrimônio fora mais que uma união puramente natural do primeiro homem com a primeira mulher. Pois lemos, nas primeiras páginas das Sagradas Escrituras, que a santa vontade do Criador arrancou essas relações naturais fora do quadro da natureza pura, e colocou-as em uma altura sobrenatural. É o que proclamam todas as primeiras páginas da Bíblia. Deus criou-os "macho e fêmea". É Deus os abençoou, e lhes disse: Sede fecundos, e multiplicai-vos e enchei a terra e submetei-a (Gn 1, 27-28).
Não se podem ler essas linhas sem emoção. Quando Deus muniu de uma força e de uma missão criadora, o primeiro homem e a primeira mulher, "Ele os abençoou". Está, pois, perfeitamente claro, que Ele não só fez descer uma bênção especial sobre o primeiro casamento, como também, pela vontade divina, este casamento foi de um só homem com uma só mulher.
O primeiro casamento na sua forma primitiva, foi certamente um casamento monogâmico. Foi após o pecado original que o homem se afastou da vontade divina, que nele a matéria superou a alma, e que a dolorosa aberração da poligamia e da poliandria apareceu nos caminhos da história.

12 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVII

O CASAMENTO CRISTÃO

Parte 1/9

Nesta introdução, com a qual terminarei esta série de instruções sobre a família cristã, quereria realizar uma tríplice tarefa.
I - Primeiramente desejava resumir brevemente as ideias expressas nas primeiras instruções sobre o ideal cristão do casamento: sobre a união indissolúvel, até a morte, de um só homem e de uma só mulher, como a Igreja Católica, conforme o mandamento muito claro de Nosso Senhor Jesus Cristo, sempre compreendeu e compreende ainda hoje o casamento.
II - Em seguida mostrarei novamente a cegueira daqueles que com belas palavras querem "reformar" o casamento.
III - Não é de uma reforma do casamento que o mundo tem necessidade. É o que veremos na terceira parte de nosso resumo. Nem de novas espécies de casamento. Mas, ao contrário, os imensos interesses nacionais e religiosos pedem reforçarmos a antiga vida de família, o retorno à sua pureza e ao seu ideal primitivo; ao casamento cristão casto e indissolúvel.

4 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 10/10


E agora que chegamos ao fim dessa instrução, e que estamos diante de numerosas conclusões que a boa educação exige dos pais, que consideramos inúmeros sacrifícios, e a paciência, a renúncia que ela pede aos pais, até que estes filhos, esses fracos seres, se tornem moços e moças bem educados para a sociedade, para a nação, e para a Igreja, eu digo, se examinarmos isso profundamente, que é impossível não se despertarem em nós os sentimentos de respeito e de reconhecimento aos pais que educam seus filhos com amor e devotamento.
Não vos surpreendais se meu coração se sente apertado por esse pensamento; pois eu também conheço uma dessas mães de família, que se enviuvou na idade de trinta e um anos, com cinco filhos, dos quais o maior tinha nove anos.
Essa jovem viúva não se deixou vencer pela dificuldade da vida. Quem poderia contar os inúmeros cuidados, angústias, sacrifícios, esforços que durante anos e dezenas de anos essa mãe suportou até que seus cinco filhos crescessem?!
Mas eles cresceram.
E após 16 anos vós ouvis um desses filhos falar-vos do alto desta cátedra.
E se pelas minhas instruções um ou outro dos meus ouvintes tiver dado um só passo para Deus, peço-lhe de todo o coração, em sinal de reconhecimento, ajoelhar-se comigo e dizer uma Ave-Maria por esta mãe que já está morta; para a minha mãe, de inesquecível e abençoada memória. Amém,

2 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 9/10


Felizes dos pais que com uma afeição reta, compreensiva, delicada, sabem garantir, nestas épocas difíceis, a confiança absoluta de seus filhos!
b - É justamente por isso que os bons pais controlam cuidadosamente o circulo de amigos de seus filhos. Sabeis, pais, quais são os amigos de vossos filhos? Onde vão se divertir habitualmente e quais suas reuniões? De que falam entre si?
Não tenho tempo de me preocupar com isso? Prestai atenção. Então para vós se aplica o severo juízo de São Paulo: "Se alguém não se preocupa com os seus, e principalmente dos de sua casa, renegou sua fé, e é pior que um infiel" (1 Tim 5, 8).
Cito novamente Santo Agostinho.
"Eu me precipitava na minha perda, a tal ponto cego que, entre os companheiros de minha idade, eu tinha vergonha de minha inferioridade de vergonha: porque eu os ouvia se gloriarem de sua vilania e tanto mais quanto mais infames eles eram; eu gostaria de fazer como eles, não só pelo prazer, mas também por glória ... Por temor de repreensão eu me tornava ainda mais vicioso, e na falta de crime real, que me igualasse com os mais corruptos, eu fingia ter feito o que não fizera; tinha medo de aparecer tanto mais desprezível quanto eu era inocente, tanto mais vil quanto era casto" (Confissões 2, c. 3).
E o tempo obriga-me a concluir esta instrução, e todavia teria ainda tantas coisas a dizer! Contudo há uma que eu não posso calar. Uma coisa que eu deveria lembrar em primeiro lugar, porque é a base de toda a educação, e dá força a todo o meio de educação. É a educação religiosa.
Coisa curiosa, há pais que temem, sobretudo, que os filhos caiam numa devoção exagerada.
Pergunto a uma dessas mães de família.
- Senhora, quereis que vosso filho, crescendo, se corrompa e se torne um jovem leviano?
- De nenhum modo. Qual a mãe que o quereria? Só não quero que ele se torne um beato...
- Um beato? Que quereis dizer com isso.
- Bem. Que ele não tenha uma piedade exagerada...
- Mas considerai um pouco como essas duas palavras parecem extravagantes, uma ao lado da outra: " Piedade exagerada"! Pois compreenderia se me dissésseis: "Não quero que meu filho seja um gatuno". Sim, isto teria um sentido. Não quero que ele se torne um velhaco ... Mas "uma piedade exagerada". Que temeis desse lado?
- Que ele se torne um pouco simples, concentrado, hipócrita.
- Ah! isso é outra coisa. Tendes plena razão. Mas, dizei-me, quem pretende ser isto piedade? A condição preliminar, a base e o motor de uma boa educação é a religião que vive da fé em Deus, e que se desenvolve sob os olhos de Deus. A religião não é pois alguma coisa puramente exterior. Não consiste em ir à Igreja aos domingos, e deixar, durante a semana as leis da religião com os trajes domingueiros. A religião não consiste simplesmente nas orações e nos jejuns, isso também dela faz parte: mas consiste no apego profundo a Deus, que penetra toda a nossa vida, todos os nossos planos, todas as nossas ações, nossos descansos, e nosso trabalho, nossas alegrias, nossos sofrimentos. Mas não se pode duvidar que a atmosfera religiosa, que se espalha sobre toda a vida de família, é o melhor fator de desenvolvimento para as mais belas virtudes na alma da criança.

31 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 8/10


D - É preciso mencionar um dever importante dos pais: educar seus filhos na moralidade.
a - Duas são as graves obrigações dos pais, neste ponto: instruí-los e vigiá-los.
Que é preciso ensinar-lhes? Os grandes desígnios de Deus, o plano sublime que atesta sua tocante confiança no homem, quando chegar o momento.
E como vigiá-los? Uma atmosfera de alta moralidade deve reinar na família e nada deve aí existir que fira o melhor escudo da alma jovem, a sua pureza.
Muitos compreendem esta última obrigação e consequentemente agem; muitos, porém, recuam sempre mais ante a primeira. "É uma tarefa difícil e delicada", dizem. Sei que deveria dizer alguma coisa, mas não encontro palavras para dizê-lo.
Primeiramente, não vejo por que isto seria tarefa tão delicada para os pais, compenetrados de um santo respeito ao pensamento divino, e que refletem eles mesmos, com piedosa gravidade, no santo poder criador que Deus concebeu ao homem. Estes pais acharão o tom e as expressões convenientes.
Mas, mesmo se este trabalho fosse difícil, não teria o direito de subtrair-se a ele, quando se consideram os danos espirituais irreparáveis, que o silêncio dos pais produz nos filhos em idade de crescimento.
Com efeito, não é preciso mostrar que se guarda silêncio a este respeito diante dos filhos já crescidos, a questão está liquidada. Pois as reuniões mundanas, a rua, o teatro, o cinema, o jornal, o romance, as vitrines, os cartazes não ficam mudos ... todos falam, mas em um tom e de um modo que irremediavelmente os arrastam ao pecado.
Se dependesse de mim faria com que todos os pais lessem os capítulos das "Confissões" de Santo Agostinho onde ele descreve com uma força comovedora seus terríveis combates de jovem contra os pecados dos sentidos. É verdade que então ele ainda não era cristão, mas infelizmente quantos jovens cristãos poderiam escrever outro tanto!
"Onde estava eu, Senhor? e como, neste exílio, estava longe das delícias de vossa casa no 16º ano de minha carne, escreve ele, quando tomou o cetro sobre mim, e com uma completa submissão de minha parte - o frenesi da voluptuosidade. Os meus não cuidavam senão de me verem fazer belos discursos e a persuadir pela arte da palavra" (Livro II, cap. 2). Neste 16º ano, a falta de recursos dos meus obrigou-me a suspender meu trabalho. Livre de toda a escola, morava com meus pais. Foi, então, que os espinhos das paixões se levantaram em cima da minha cabeça, sem que mão alguma daí os pudesse arrancar (Livro II, cap. 3).
Pais, não esqueçais que se um dia vossos filhos tiverem necessidade de alguém, a quem possam dirigir-se com uma completa confiança e diante de quem não tenham segredo algum, será justamente na sua juventude. Feliz do filho que nestes anos puder se dirigir a seus pais com absoluta confiança!

29 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Conferência XVI


Parte 7/10


C - Ao lado da obediência e do respeito à autoridade, é preciso dar grande importância à franqueza absoluta do filho. Que alegria para os pais se podem confiar em cada palavra do filho! A franqueza é a base da educação do caráter, e ao contrário nada se tem a fazer com um filho mentiroso.
a - E aqui, preciso indicar de modo especial dois defeitos na educação. Primeiramente a severidade injustificada dos pais pode habituar o filho à mentira. Sim, tem-se o direito de punir, como já disse, a má vontade, mas não a falta de jeito, as travessuras e outras criancices. Nem sobretudo a franqueza. Se o filho confessa francamente a sua falta, é preciso falar à sua consciência, adverti-lo, mas não se tem o direito de o punir pela sua sinceridade.
b - Outro defeito que se apresenta é quando os próprios pais pecam contra a verdade. 
Uma filha diz a sua mãe: Mamãe, estão pedindo, na escola, para as crianças pobres. Posso também dar alguma coisa?
A mãe responde-lhe: Tu não darás nada. Dirás à Irmã que também somos pobres.
Na manhã seguinte diz novamente a filha: Mamãe, a Irmã disse para eu não tomar lições de dança, e não esbanjar o dinheiro de nossos pais.
A mãe responde: Dirás à Irmã que temos o suficiente para pagar as lições. Isto não a interessa.
E a mãe ficará muitíssimo admirada, quando um dia a filha mentir não só à Irmã, mas também a ela?

27 de julho de 2016

Casamento e Família. - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 6/10


B - A segunda virtude, após a obediência e proveniente dela, é o respeito à autoridade. 
Não há vida comum sem respeito à autoridade; ao contrário, harmonizar o amor paterno com a necessária autoridade é uma das tarefas mais difíceis, ainda que indispensáveis, da educação. Sim os pais devem amar seu filho, mas o filho deve corresponder a este amor com um respeito, uma obediência incondicional.
a - E não é só no ambiente estreito da família que a obediência e o respeito tem seu valor, mas são também indispensáveis para a civilização humana toda inteira. A civilização consiste em acolher as descobertas das gerações antigas, edificando sobre elas, e prosseguindo sua obra. Mas para isto é necessário o respeito à autoridade. Se a vida familiar ensinar o respeito à autoridade, serve ao mesmo tempo aos valores universais da civilização.
Se uma geração recusa o respeito à autoridade e aos valores do passado, ela soçobra na revolução. Compreende-se assim por que os revolucionários se dedicam com predileção a destruir a família: com a família desaparece ao mesmo tempo o respeito à autoridade, e o terreno se torna favorável para os perpétuos tumultos.
b - Mas naturalmente, se os pais querem que seus filhos tenham o respeito à autoridade, é preciso recordar que eles mesmos não devem destruir esta autoridade diante de seus filhos.
Os antigos compreenderam melhor que nós como assegurar a autoridade dos educadores e mestres. Filipe, rei da Macedônia, proibira seu filho, o futuro Alexandre Magno, de se assentar quando seu preceptor falasse com ele. E o imperador Teodósio, tendo um dia encontrado seus dois filhos assentados, enquanto seu preceptor Arsênio estava de pé, ordenou-lhes ficar de pé enquanto o mestre se assentaria.
E hoje? Como é diferente! Com que leviandade muitos pais querem razões e discutem, prejudicando o respeito à autoridade!
Se o filho leva más notas, naturalmente a "falta é do mestre".
Escutai o que escreve a este respeito um pedagogo muito experimentado.
Ordinariamente é a mãe que recebe o boletim. Em seu primeiro impulso repreende severamente o filho. Mas a primeira coisa que faz a criança, menino ou menina, - é lançar tudo sobre o professor.
- Mamãe, sabia muito bem minha lição, mas não de cor.
- Mamãe, sabia minha lição, mas o professor pediu-me coisas que não estavam no livro.
- Mamãe, o professor enganou-se, tomou-me pelo meu vizinho.
- Mamãe, é o professor de alemão que me pegou. E sabe, ele é um judeu...
- Mamãe, não era o meu professor habitual, e sim um substituto que não gosta de mim.
- Mamãe, não te zangues, eu brinquei muito, mereci a má nota, mas eu te prometo que me esforçarei, até o fim do semestre. Interroga-me todas as noites...
Depois, e sempre a mesma conclusão: "Mamãe, assine o boletim para que o papai não o perceba.
E 50% das vezes a mãe nada diz ao pai. Quando lhe diz, as mais das vezes desculpa o filho, ataca o professor ou a professora, na família, na sociedade e em toda a parte (Journal des Parents, nº de dezembro, 1924). 

25 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 5/10


Considerai, enfim, a advertência da Sagrada Escritura: "Acaricia o teu filho, e ele te fará tremer... Não lhe dê toda a liberdade na juventude, e não feches os olhos às loucuras" (Ecli 30, 9-11).
Mas se o filho se obstina, e não escuta a voz da sabedoria, então lembrai-vos do provérbio: "Os navios e as crianças são governados por detrás" e ainda deste outro provérbio: "A pancada infligida a propósito é muitas vezes mais eficaz para o filho que uma centena de sermões"; e enfim este terceiro provérbio: "É melhor que o filho na juventude chore por causa dos pais do que os pais chorarem por causa dos filhos, quando eles crescerem".
Justamente nesta questão, a Sagrada Escritura não é tão sentimental como certos métodos pedagógicos atuais. Como a Sagrada Escritura sabe que a estultícia é inerente ao coração da criança (Prov 22, 15), ela diz claramente aos pais: "Aquele que ama seu filho não lhe poupa a vara" (Ecli 30, 1). O cavalo indômito torna-se intratável; o filho entregue a si mesmo torna-se insolente" (Ecli 30, 8); "Aquele que poupa a vara odeia o seu filho; se lhe bates com a vara livrarás sua alma da região dos mortos" (Prov 23, 13-14). "A vara e a correção dão a sabedoria, mas o filho abandonado aos seus caprichos envergonha a sua mãe" (Prov 29, 15).

23 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


QUE EDUCAÇÃO SE DEVE DAR AOS FILHOS?


Parte 4/10


Não é menos importante saber quais são as virtudes que particularmente se devem ensinar aos filhos.
A - Primeiramente, mencionarei a obediência absoluta. "Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, porque isto é justo" (Ef 6, 1), tal é a advertência dirigida por São Paulo aos filhos. Logo depois, contudo, ele fala nestes termos aos pais de família: "E vós, pais, não exaspereis vossos filhos, mas educai-os formando-os, instruindo-os no Senhor" (Ef 6, 4).
a - Educar os filhos formando-os, isto é, habituá-los a obedecer sem nada dizer, acostumá-los à modéstia e à renúncia. Outrora, era natural que em toda a família os filhos obedecessem com presteza às ordens de seus pais.
Mas este princípio de educação foi abandonado, quando apareceu a moda do filho único, e os pais, então, começaram a obedecer a todos os caprichos deste pequeno tirano muito animado. Pois, é preciso reconhecer, ou bem o filho obedece ou bem ele manda; ou bem ele toma a palavra, ou bem se lhe dá a palavra.
Escutai somente um caso típico de um filho excessivamente animado.
Um destes filhos únicos chora, uma noite no pátio, junto ao poço, e batendo com o pé grita à sua preceptora: "Dai-me. Eu a quero".
Ante aquele barulho, a mãe abre a janela e pergunta: "Senhorita, que contraria o pequeno? Dai-lhe!"
"Mas, senhora, ainda mesmo que Ladislau sapateasse até amanhã cedo, eu não poderia dar-lhe". Esperai um pouco, e eu mesma vou fazê-lo", grita a senhora precipitando-se para junto de seu marido.
O marido corre à preceptora: "De que se trata? Por que não dais à criança o que ela pede? Minha mulher o ordena. Tomai cuidado, podeis partir no próximo mês".
A pobre jovem responde suavemente: "Que o senhor lhe dê, se puder. A lua brilha na superfície da água, e Ladislau bate o pé, pedindo que eu a tire da água, e lhe dê".
Que ser infeliz não será, quando crescer, um filho assim abominavelmente animado!
b - Mas que é preciso fazer se realmente o filho sapateia, chora, joga-se por terra, quando se lhe recusa alguma coisa?
Não é preciso dar-lhe o que pede mesmo neste caso. É preciso que se lhe ensine que, apesar da riqueza dos pais, há coisas no mundo às quais é preciso renunciar.
"Mas fico com pena do pobrezinho, quando ele chora tão aflito. É penoso contrariá-lo".
Se não olhais para o seu futuro, então é difícil contrariá-lo. Considerai, porém, que Herodes não soube recusar o pedido da jovem Herodíades, e mandou por sua causa matar São João Batista.
Considerai as palavras de Santo Agostinho: "Odeia o que ama de maneira má, e ama aquele que odeia bem".

21 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 3/10


C - Em compensação a experiência quotidiana fornece-nos incessantemente exemplos da influência feliz da atitude dos pais na formação de seus filhos. Bastará talvez recordar os pais da pequena Teresa de Lisieux. Quando se lê, na vida desses dois esposos respeitáveis, como eles cuidavam seriamente de seus deveres conjugais, quando se lê, nas cartas da mãe de Santa Teresa do Menino Jesus, o seu amor generoso e sua submissão à vontade de Deus, exclama-se involuntariamente: "Sim, desse matrimônio devia nascer uma santa".
"Mas, como se pode hoje ser tão idealista? Hoje os tempos estão mudados. Hoje, temos atrás de nós a grande guerra, e ela tudo destruiu".
Assim se expressam alguns. Mas que sofisma! Atrás dos pais da pequena Teresa, havia também a guerra de 1870 e seus males. E pôr um filho no mundo, sempre foi um sofrimento, sempre foi um sacrifício em todos os tempos, em todas as épocas. E a aceitação desses sacrifícios depende da fé que os pais tiveram em Deus, e de seu amor por Ele.
Infeliz o pobre filho cujos pais perderam a piedade! Infeliz do pobre filho cujos pais não tem religião! Os olhos dos filhos são muito vivos e vêem tudo; aos dez anos, esta ainda escandalizado com a descrença dos pais; aos quinze, já se habituou, e aos vinte encontra nela uma desculpa para a sua vida de incredulidade e leviandade moral.
Pais, não o esqueçais nunca: A primeira tarefa do educador é o seu próprio exemplo. E somente educareis convenientemente vossos filhos, se fordes irrepreensíveis.

19 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI 


O EXEMPLO DOS PAIS


Parte 2/10


A - Os jovens dançam conforme a melodia que cantarem os pais, diz com muita exatidão um provérbio germânico. As palavras boas ou más ouvidas pelos filhos não são apenas palavras que voam. O exemplo em casa dos pais sempre permanece. E o que vale a mais bela exortação ou mais grave advertência nos lábios do pai, que por sua conduta destrói o que verbalmente exige de seus filhos?
A Virgem Maria e São José não disseram ao Menino Jesus: "vá ao Templo", mas sim "vamos ao Templo". Infelizmente é um fato bastante triste o de que, em nossos dias, muitos pais proíbem seus filhos de blasfemar, quando eles mesmos blasfemam tranquilamente ou então proíbem-lhes mentir, mentindo eles mesmos.
E se admiram se lhes acontece como na história do caranguejo e seu filho.
O velho caranguejo repreendia uma ocasião o seu filho.
- Não convém que caminhes sempre recuando. Caminha, pois, para a frente.
- Fá-lo-ei de boa vontade, quando te vir caminhando também para diante.
B - Infelizmente, os pais, em sua leviandade, muitas vezes, não vêem como eles corrompem seus filhos pelos maus exemplos. Talvez não haja má intenção, mas apenas falta de reflexão.
Um pai de família surpreendera seu  filho a roubar.
- Meu filho, não deves roubar, porque Deus não pode ser enganado. Ele vê tudo.
- Vê tudo? - responde o filho. - Então, é lamentável isto, porque Ele viu que o papai entrou embriagado, ontem, à noite.
Certamente Ele tinha visto. Mas o pai podia responder alguma coisa a isto?
Os catequistas e os mestres mais zelosos fazem, muitas vezes, a triste experiência de que todos os seus esforços se tornam inúteis pelos exemplos opostos, vistos em casa.
Em uma escola primária os alunos escutam a lição. O professor recorda entre outras coisas que ao comer não é conveniente tocar no saleiro, mas que se deve tomar o sal com a ponta da faca.
- Vós já ouvistes dizer isto muitas vezes em vossa casa, não é? Apesar disto pegais no saleiro, eu o sei.
- Oh! - diz um pequenino - papai também toca o sal com os dedos.
E agora eu adjuro solenemente os pais a não tomarem o sal com os dedos...
Mas para que as mulheres recebam com seus maridos uma pequena lição, recordarei o caso de uma educadora que repreendia a uma menina: "Mas, menina, não tens vergonha de vir à escola com um vestido tão curto?"
A pequena banhada em lágrimas respondeu-lhe: "Senhora, eu acordei tarde e precisei vestir-me apressadamente, e ... sem notar ... pus o vestido da mamãe ..."

17 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


A FAMÍLIA NUMEROSA II


Parte 1/10


Foi talvez um pouco original o desejo com o qual terminei a minha instrução anterior. Não é costume terminar o sermão com um brinde: "Deus, abençoe as boas e devotadas mães de famílias".
É verdade. Mas aquele que reflete no devotamento contínuo que os bons pais são obrigados a manifestar aos seus filhos; aquele que conhece o trabalho árduo a que se impõe o pai de família para subvencionar as despesas materiais decorrentes da educação dos filhos; aquele que vê todos os cuidados, lágrimas e noites de insônia por que passa a mãe de família na educação do filho, julgo que não achará tão estranho que na fronte dos pais, ciosos de seus deveres, perceba eu o brilho de uma coroa sobrenatural.
Que seja sempre maior o número desses pais educadores ideais. Possam eles cumprir sempre com mais frutos a sua pesada missão de educadores. Eis a finalidade da presente instrução.
A educação frutuosa dos filhos coloca, sem dúvida, os pais diante de grandes deveres. Cumprirão, porém, mais facilmente esses deveres: 
1 - Se eles souberem que o primeiro fator de educação é o próprio exemplo.
2 - Se souberem quais as virtudes que devem ensinar em primeiro lugar a seus filhos.
É a discussão destas duas questões que consagrarei a presente instrução.

15 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XV


Parte 7/7


E agora que vou terminar esta instrução, na qual tratei do amor paterno e materno tão devotado, tão generoso até o sacrifício, vem-me à mente uma lembrança de guerra, que se desenrolou há vinte poucos anos, e que eu nunca poderia esquecer.
Era primavera de 1915. Nossas tropas após a tomada de Gorlice avançavam rapidamente na Galícia enfim libertada, e a ambulância de campanha, à qual eu estava adido, mal podia seguir o exército. Um dia, trouxeram um jovem que recebera uma bala na cabeça: Teria vinte anos, e era de origem polonesa ou rutena. A bala atravessara-lhe a cabeça sem matá-lo, mas ele perdera a consciência. Durante alguns dias ficou entre nós, sem recuperar os sentidos e seu jovem e robusto organismo lutava contra a morte. Permaneci ao seu lado a fim de poder confessá-lo, se recobrasse a consciência. Mas esta não vinha sequer um minuto. Seus lábios se moviam incessantemente, noite e dia, e durante dias, deste corpo inconsciente, saíram incansavelmente essas duas palavras: "Tatyinko, maminko... tatyinko, maminko..." papai, mamãe! Finalmente, o pobre jovem morreu!
Era terrível ouvir durante dias essas duas palavras.
Mas atualmente...
Atualmente, pergunto a mim mesmo: Quais eram o papai e mamãe deste infeliz jovem? Que doce imagem deveriam despertar naquele cérebro atingido por uma bala, e desprovido de conhecimentos! Como deveriam ser bons para que o filho, no meio do sofrimento dos últimos dias, pudesse encontrar no seu nome tal doçura, repetindo   estas duas palavras: "Tatyinko, maminko".
A esses bons pais o meu último pensamento.
Que Deus abençoe o devotamento das boas mães de família. Amém.