30 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XII


Parte 3/8


B - A mesa da família apóia-se, pois, em primeiro lugar sobre o princípio de autoridade.
a - É o princípio que São Paulo formula claramente quando dá em sua epístola aos Efésios a seguinte ordem: "As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja" (Ef 5, 22 - 23).
Naturalmente ouvindo esta prescrição de São Paulo dirão, talvez, as mulheres:
"O Cristianismo não reconhece, pois, que a mulher é igual ao homem? Não é atraso exigir hoje que a mulher obedeça a seu marido? E o marido não abusa deste poder?"
"De fato, é preciso reconhecer que realmente há homens que pela sua conduta e modo de pensar são indignos de chefiar uma família. Reconhecemos também que o marido pode abusar de sua autoridade. E contudo esta exigência do cristianismo não é humilhante para a mulher. Pelo contrário, ela garante a felicidade familiar, e é o que veremos, se compreendermos bem o que não significa a obediência da mulher e o que ela significa na realidade".
b - Primeiramente ela não significa que a mulher tenha menos valor, menos direito e menos dignidade que seu marido, Não se trata naturalmente disto.
Não significa ainda mais que a mulher deva realizar todos os caprichos e todos os desejos de seu marido, mesmo aqueles que não podem ser satisfeitos sem humilhação para a mulher ou sem pecado.
Enfim, não significa que o marido tenha o direito de tratar sua mulher como uma criança menor, privada de uso de razão, de tiranizá-la, brutalizá-la e fazê-la sofrer.
Não se trata disto.

29 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 100

O CARNAVAL E OS SANTOS

S. Francisco de Sales dizia ser o carnaval o tempo de suas dores e aflições, e naqueles dias fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.
S. Vicente Ferrer dizia que o carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.
O Servo de Deus João de Foligno dava ao carnaval o nome ,de vindima do diabo.
S. Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! que tempo diabólico!”
S. Carlos Borromeu jamais podia compreender como cristãos tenham podido conservar este perniciosíssimo costume do paganismo.

28 de abril de 2016

Conferência XII


I - A MESA DA FAMÍLIA.


Parte 2/8


A - Creio não ser necessário explicar de um modo especial que, mencionando a mesa da família como primeiro móvel indispensável, penso particularmente em todos os problemas da vida comum dos esposos.
A mesa da família não significa, pois, somente o móvel ao redor do qual se reúne com amor toda a família, e onde o pai assenta-se ao entrar, fatigado do seu trabalho. Significa ainda mais a comunhão das almas, a perfeita harmonia, a união de corações, base indispensável de um casamento feliz, e que repousam sobre duas colunas: autoridade e amor. Porque, realmente, a felicidade familiar exige a conveniente união da autoridade e do amor.
A família não é uma associação, nem uma sociedade por ações, nem um sindicato, mas um organismo vivo. Ora, a vida de um organismo tem leis que não se podem modificar. Pode-se fortificar o organismo, favorecer seu desenvolvimento, facilitar seu trabalho, mas tudo com uma única condição: não se tocar nas bases sobre as quais esta construída toda a sua vida.
Uma destas leis fundamentais é, por exemplo, no casamento, a inseparabilidade dos esposos, a indissolubilidade do laço conjugal, como já dissemos anteriormente. O que pode ser anulado não é o casamento.
Mas para que a vida conjugal corra sem empecilhos, para que floresçam nela a felicidade e todas as alegrias que o próprio ideal cristão do casamento encerra em si, torna-se necessária a realização de uma outra lei fundamental. Ei-la: é a boa ordem e a distribuição do trabalho entre os membros da família, ou em outros termos, o conveniente emprego da autoridade e do amor.

27 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 99

COMO MORRERAM ALGUNS HERESIARCAS

Ario, que fez tão grande dano à Igreja com seus erros, enquanto passava triunfante pelas ruas de Constantinopla, foi atacado de improviso mal-estar e imediatamente perdeu a vida do modo mais horrendo.
Lutero, celebrado autor do protestantismo, morreu entre dores atrozes após uma vergonhosa indigestão.
Calvino, outro heresiarca, contemporâneo de Lutero, morreu chamando os demônios, amaldiçoando a si próprio, enquanto de suas chagas escorria pus. Finalmente, para nomear só estes, eis como terminou Voltaire a sua vida depravada. Na última hora pediu com insistência um padre para confessar-se; mas os amigos (melhor diríamos os inimigos) que o rodeavam não permitiram que o padre se aproximasse daquele infeliz, que, desesperado, expirou entre dores atrozes.
Assim tratou o grande Rei do Céu e da terra todos aqueles que, além de não ouvirem os seus ministros, ainda se tornaram seus perseguidores.

26 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XII


O CASAMENTO FELIZ


Parte 1/8


Nas últimas instruções falamos tanto de casamento infeliz e das famílias infelizes, que já é tempo de falarmos enfim da felicidade no casamento e das famílias felizes.
Felicidade familiar! exclamarão talvez com voz cansada muitas vitimas de tristes decepções. - A felicidade familiar! Sim, eu também tive este sonho, quando me ajoelhei com minha noiva, ao pé do altar iluminado e sobre nossas mãos enlaçadas desceu a benção do sacerdote. O órgão tocava melodiosamente, o altar estava ornado de flores, a vida se nos apresentava cheia de promessas. E hoje? Que resta hoje de tudo isto? Que sucedeu, na realidade, de todas estas esperanças?
É verdade... E no entanto vou tratar do casamento feliz. E eu perguntarei a vós que vos lamenteis tão amargamente, dizei-me - não sereis vós, de algum modo, culpados se poucas de vossas esperanças se realizaram? Não pensastes que, cansando-vos, encontraríeis a felicidade já preparada? Ninguém, contudo, a recebe assim. Vós recebestes, apenas, a possibilidade. Recebestes uma tarefa que vós mesmos deveríeis resolver. A infelicidade, porém, é que vós mesmos não trabalhastes para que o vosso casamento fosse feliz. A infelicidade é que pensastes ser coisa pronta aquilo que devíeis realizar à custa de vossa ativa colaboração. A infelicidade é que não mobiliastes bem o vosso lar.
- Não compreendi bem, respondereis talvez. Como não mobiliei bem a minha casa? Cada móvel foi executado sobre os planos do melhor entalhador.
- Sim, eu creio. Mas há em vosso lar três móveis, que são, propriamente falando, indispensáveis à felicidade familiar?
- Três móveis? Estou realmente curioso para saber quais são estes três móveis.
- Será justamente do que trataremos nesta instrução. Recomendam-se, não é?, aos jovens casados as casas onde poderão adquirir seu mobiliário. Vou agora recomendar três peças de mobília, três móveis de uma virtude maravilhosa. Por pobre que sejais, podeis obtê-los, e se os possuirdes a vossa vida familiar será feliz. Ao contrário, porém, por rico que sejais, se faltam esses três móveis em vosso lar, vosso casamento não poderá ser feliz.
Quais, pois, esses três móveis, sem os quais não há família feliz?
A mesa da família, o crucifixo e o berço. Falaremos agora dos dois primeiros. Ao terceiro consagraremos duas instruções especiais.

25 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 98

NÃO SE DEVE ADIAR A VOCAÇÃO

Um jovem, sentindo-se chamado por Deus à vida de perfeição, resolverá tomar o hábito religioso e entrar num convento. Passado algum tempo, pôs-se a dizer consigo (certamente tentado pelo demônio): Sou muito moço ainda, tenho saúde, sou robusto e teria de passar a vida fora do mundo e a fazer continuas penitências?( Não; vou deixar isso para mais tarde; a morte está longe, não virá tão cedo!
E ficou no mundo... Mas, quanto durou sua vida?
Quatro meses apenas... e, morrendo, o infeliz não conseguía ter paz nem sossego.

24 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XI


Parte 8/8


Sim, nossa alma freme, quando vemos os dramas horrorosos que o divórcio espalha sobre a humanidade. De outro lado, porém, apresentam-se aos nossos olhos os casamentos felizes, em que, hoje, vivem muitos esposos, e sobre os quais hoje ainda se elevam a civilização e a sociedade humana.
Graças a Deus há ainda hoje casamentos felizes. Casamentos em que os pais e filhos, todos crentes, vivem unidos, no temor de Deus, no amor recíproco, e no espírito de sacrifício. Há esposos que sabem se sacrificar, que, com alma generosa, sabem "levar o fardo um dos outros" (Gál 6, 2), que após dezenas de anos passados juntos, não só chegaram à semelhança espiritual, mas apresentam em sua velhice, sobre seus semblantes, uma semelhança de traços. Há muitos destes, muitos mais mesmo, do que pensa o mundo frívolo, que observam a fidelidade e o juramento sagrado, feito ao pé do altar. Trabalham juntos, juntos descansam e lutam, e juntos alcançam a vitória.
E quando um deles chega à última hora, por amarga que seja a separação, ela não é sem esperança. Creio que é bem verdadeira a frase que li a propósito de um desses esposos. No momento da morte, toma em suas mãos ardentes as mãos de sua esposa, e olhando-a longamente, diz-lhe essas palavras: "Agradeço a Deus de te haver dado a mim".
Deve agradecer e render graças a Deus quem d'Ele recebeu um esposo ou uma esposa ideal.
E agora peço aos que receberem de Deus a grande graça de um matrimônio feliz que rezem muito, a fim de que os outros também obtenham o mesmo favor, e que sobre a base do santuário pacífico e feliz da família se possa edificar, sobre a terra, uma vida humana mais feliz e bela, e que a família feliz e unida se encontre um dia na felicidade eterna do céu. Amém.

23 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 97

OS TRÊS CORAÇÕES

S. Bento Labre (que passou a vida como mendigo e morreu em Roma em 1783), visitando uma vez um doente, ensinou-lhe quais as ofertas que agradam a Deus.
Disse o Santo: “Seria preciso possuir três corações para oferecer-lhe num só coração. O primeiro todo fogo por Deus, isto é, cheio de amor para com ele; o segundo todo de carne, isto é, cheio de compaixão para com o próximo e inclinado à oração frequente; o terceiro todo de bronze para conosco, isto é, forte contra as paixões (mormente contra a sensualidade) e inclinado a castigar o próprio corpo com a mortificação”.
Estes três, corações são a melhor oferta que cada um de nós pode fazer a Jesus.

22 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XI


Parte 7/8


C - Citarei ainda outro caso? Há ainda os mais dolorosos. Há casos em que as pessoas não só se entregam à cólera, mas levantam suspeitas sem razão. Emitem levianamente juízos superficiais sobre a maneira de agir da Igreja. esbravejam, acusam, e quando se lhes explica a questão emudecem.
Um dia, um homem, todo fora de si, encontra-se comigo, e sufocando de indignação acaba por proferir:
- É inaudito. A Igreja também toma partido pelos ricos. Ontem, casou-se um de meus colegas, um jovem riquíssimo, em tal paróquia. Pois bem, sua esposa já é casada. Que significa isto? Os ricos têm direito a tudo. Só os pobres que não o têm.
Mal tenho tempo de dizer uma palavra.
- É que seu primeiro marido faleceu!
- Nada, não morreu. Eu o conheço pessoalmente. É um alto funcionário. Eu mesmo assisti ao seu casamento.
- Então... como, presentemente, não vos posso responder, estudarei o caso.
Fiz pesquisas. E que resultou? Isto: realmente houvera o primeiro casamento, mas, desde o primeiro instante fora inválido. A jovem, com efeito, não queria desposar o moço. Durante dois anos, defendera-se com todas as suas forças. Finalmente sua mãe a despedira e ameaçara de morte. A resistência da pobre moça se quebrara, e ela apresentara-se ante o altar, e pronunciara o seu "Sim", mas contra a sua vontade. Ela não queria dar seu consentimento. E nunca pensara nisto. Naturalmente um tal casamento não pode ser válido. Assim mesmo neste caso a expressão "a Igreja anulou seu casamento" é inexato, porque um casamento válido e consumado não pode ser anulado, mas a Igreja só constatou que o casamento não existia, mesmo realizadas as cerimônias. Ambas as partes estão livres, portanto, e podem contrair matrimônio.
Deixemos agora estes tristes exemplos. Foi preciso mostrarmos nesta instrução estas dolorosas tragédias. Terminaremos sob estas impressões acabrunhadoras e desesperadoras?
Em absoluto.

21 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 96

MEU FILHO É MAIS QUE EU

O conde De Bonald, grande sociólogo, polemista e dentista católico, depois que seu filho foi ordenado sacerdote, sempre se descobria para dirigir-lhe a palavra. A alguém que lhe perguntou por que assim procedia, uma vez que o padre era seu filho, respondeu:
— É meu dever proceder desse modo, pois meu filho, desde que foi sagrado ministro de Deus, é mais, muito mais do que eu.
Esse seu filho foi mais tarde arcebispo e cardeal de Lião.

20 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XI


Parte 6/8


B - Infelizmente há os que desertam. Há os que não observam o mandamento formal de Deus, e contratam um novo casamento, enquanto o outro cônjuge ainda vive. 
a - Sabeis o que daí resulta? Uma conversa como esta:
- O que faz a Igreja Católica é inaudito. Fui me confessar e não recebi absolvição. Jesus Cristo não ensinou esta crueldade. Ele perdoou mesmo a mulher adúltera... Onde se encontra entre nós a caridade cristã?
Assim esbravejava diante de mim, indignada, uma senhora, que dificilmente me deixava dizer uma palavra.
- Mas, senhora, a recusa da absolvição é um termo tão horrível, uma pena tão dolorosa que nenhum confessor a aplica, sem uma extrema necessidade. Se vos foi realmente recusada a absolvição, houve para isto um motivo muito sério.
- Um motivo? Acusei-me de ter um segundo marido.
- Bem! Vede como fizestes mal, indignando-vos contra o vosso confessor. Não encontrareis no mundo inteiro um confessor que vos possa dar a absolvição.
- Por que? Se eu confesso meus pecados? Será que Cristo não perdoou a mulher adúltera?
- É a segunda vez que invocais este exemplo. Se lerdes, todavia, esta história na Sagrada Escritura, vereis que este caso não fala em vosso favor. Não sabeis o que disse Nosso Senhor, absolvendo-a? "Ide, e não pequeis mais" (Jo 8, 2). Eis a condição de absolvição: Não pequeis mais. É verdade, caístes, fostes fraca, mas, agora, não o fareis mais? Vós, porém, senhora, não podeis prometê-lo, e é justamente por isto que não podeis receber a absolvição. De nenhum padre nem do próprio Cristo. Porque viveis com um homem que, segundo Nosso Senhor Jesus Cristo, não é vosso esposo, e viver com ele, juntos, como se fosseis casados, constitui um continuo pecado, grave. E agora julgai vós mesma se merece absolvição aquele que diz: Muitas vezes cometi o pecado, e eu peço perdão disto, ainda que queira continuar a viver assim...
- Mas como sabeis que, segundo Nosso Senhor Jesus Cristo, ele não é meu marido?
- Como? Pelo próprio Cristo. Concentrai-vos um pouco, abri o evangelho de São João, no capitulo IV, e lereis aí a conversação que o Salvador teve, junto ao poço de Jacob, com a Samaritana, que estava com o seu sexto marido. "Jesus lhe diz: ide, chamai vosso marido, e vinde aqui. A mulher responde: Eu não tenho marido. Jesus diz: Tendes razão em dizer que não tendes marido, porque tivestes cinco maridos, e aquele que tendes agora não é vosso; nisto dissestes a verdade" (Jo 4, 16 - 18).
Parece que esta senhora compreende sua falta. Olha em silêncio, e depois pergunta docemente:
- Mas, então, que fazer? Devo eu deixar meu segundo marido?
- Vede, agora, achastes a única solução.
Não, isso não pode ser, respondeu ela, indignada. Vivemos juntos há dez anos. Isso não pode ser. Mas eu quereria confessar-me. Não há de fato outro meio?
- Não há, senhora.
- Que crueldade! É uma lei tão severa e tão dura, que trará a ruína da religião católica. E eu também vou deixar o catolicismo por causa disto.
- Ides renegar a fé por isto? Em suma, a religião católica não é a verdadeira, porque prega estritamente o mandamento de Cristo? Não será esta uma atitude semelhante a um pequeno aluno que, diante da severidade de seu mestre, declara: agora não acredito mais que dois e dois são quatro. É bem verdade, muitos sofrem por causa deste princípio, mas que um princípio seja severo e difícil, não é isto que importa.
- Não é isto? Que é então?
- É se o princípio é verdadeiro e justo. Se sua observância é um mandamento de Deus. Se é um fundamento necessário da vida humana. Se os interesses superiores da vida humana, o bem comum o exigem, como o pedaço de pão, como a respiração. E se assim for, e assim é para a indissolubilidade do matrimônio, é preciso sustentá-lo observá-lo, ainda que este princípio para alguns seja fonte de sofrimento e dramas.
A senhora levanta-se com um ar teimoso, sai, e de fato deixa a religião católica. Nossa Igreja a vê partir com o coração apertado, como Nosso Senhor viu afastarem-se os discípulos incrédulos (Jo 6, 67), mas ela não pode cortar uma só palavra da lei, como Cristo não cortou uma letra de suas palavras.


19 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 95

CRISTO RESSUSCITOU

Em 1918, fui testemunha de um fato estupendo que me impressionou. Por ocasião da Páscoa, os bolchevistas de Petrogrado organizaram a sua propaganda ateísta. Spitzberg, o mais hábil e enérgico dos oradores comunistas, expunha com muita ênfase as provas da impossibilidade da Ressurreição de Jesus Cristo.
Para se compreender melhor o que se deu então, é preciso saber que, durante a semana da Páscoa, os russos tem o costume de saudar-se, dizendo: “Cristo ressuscitou!”, ao que o outro responde: “Ressuscitou verdadeiramente!”
É um uso antigo, geral, comovente.
Spitzberg, o orador comunista, falava com vivacidade, fazia-se de espirituoso e alcançava sucesso. Interrompiam-lhe o discurso risadas e aplausos. Suas últimas palavras foram acolhidas com uma salva de palmas.
Então, no fundo da sala, ergueu-se um venerando sacerdote, com uma cruz de ouro sobre o peito. Dirigindo-se ao presidente da assembléia, disse:
— Peço licença para responder ao orador.
— Sim, responde o outro mal-humorado; mas sede breve, cidadão, pois dou-vos apenas cinco minutos.
— Obrigado! gastarei menos de cinco minutos.
Subiu à tribuna, fez o sinal da cruz, beijou com devoção sua cruz de ouro, fez uma profunda inclinação ao auditório e pronunciou com voz clara e firme a saudação: “Cristo ressuscitou!”
“Ressuscitou verdadeiramente!”, respondeu em coro a assembléia, isto é, aqueles mesmos que acabavam de ouvir e aplaudir o orador do ateísmo.
O prelado abençoou a multidão, fez inclinação profunda, desceu da tribuna e saiu. Ninguém ousou molestá-lo.
O efeito, porém, do discurso de Spitzberg estava irremediavelmente abalado.
Sejamos também nós cristãos corajosos, pois é assim que se deve responder à impiedade.

18 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XI


Parte 5/8

A - Uma mulher de quarenta anos assentou-se diante de mim, em meu escritório. Quando começa a falar, ainda não chora, mas luta contra a sua grande dor. Logo, porém, sua voz se torna velada, sua aflição torna-se cada vez mais acentuada, e por fim todas as suas palavras são entrecortadas de soluços:
- Somos casados há vinte anos, ambos bons católicos, durante muito tempo fomos à confissão e à comunhão. Tenho quatro filhos, o primeiro com dezesseis anos, e o mais jovem com seis anos. Durante dezessete anos, levei com meu marido uma vida de felicidade. Mas há três anos, uma jovem, a caixa de nossa casa comercial, veio colocar-se no meio, e daí por diante meu marido mudou completamente. Tornou-se brutal, nervoso, abandona sua família, mal esta em casa à noite...
E eu suporto isto tudo há anos. Não por mim, mas por meus filhos. Choro e sofro em silêncio. Mas agora não posso mais. Esses últimos dias descobri tudo, e ele me confessou tudo. Estava, é verdade, muito comovido, e me fez promessas, mas esta acabado. Eu não posso mais com isso, vou divorciar-me.
E a pobre senhora chora amargamente.
a - De fato, quem ousaria afirmar que ela não é uma pobre mulher? quem ousaria duvidar que pesada cruz amarga a sua existência? E agora, eu lhe vou dizer que não se divorcie. Posso dizer, contudo, que lhe vou aconselhar talvez o maior sacrifício que Deus possa esperar de uma criatura humana sobre a terra. Mas é preciso que eu a persuada, pois não há melhor solução.
- Então, senhora... vós quereis vos separar de vosso marido... É verdade que nestas circunstâncias dolorosas a Igreja permite a separação, isto é, desliga-vos do juramento que fizestes, por ocasião de vosso casamento, de permanecer junto de vosso esposo durante toda a vida. A igreja pode autorizar-vos a deixar vosso marido, mas, naturalmente, não é possível novo casamento.
- Ah! não penso nisto. Estou satisfeita com um. Por que hei de tomar novo marido?
- Mas refleti bem nas consequências de vosso gesto. Pensai primeiramente em vossa alma. Neste momento sentis e não pensais que seja de outro modo que podereis guardar a castidade à qual vos obrigará esta separação. Mas que enorme domínio de vós isto exigirá! quantos discursos tolos precisareis ouvir: "sois ainda jovem e levais uma vida tão triste". Podereis sempre resistir a estes assaltos?
- Irei me confessar e comungar, muitas vezes. Sim, creio que tudo irá bem.
- É verdade. Vossa alma, para vós, estará em ordem. Mas pensais também no que acontecerá ao vosso marido?
- O que acontecerá? Ele já me abandonou, e já caiu.
- Sim. Mas se lhe perdoardes e tudo esquecerdes - oh como isto é difícil! - ele poderá ainda levantar-se. Se, ao contrário, vos separardes dele agora, o deixais no abismo do qual talvez não mais possa sair. Dissestes que vosso marido, outrora, era piedoso. Pode-se, pois, ainda esperar. É verdade ele tropeçou, mas se agora ele vos pede perdão...
- Mas, dizei-me, Monsenhor, pode-se esquecer semelhante coisa?
 - Não é esta a questão. Não se consegue sempre apagar uma lembrança e governar os sentimentos. Mas a intenção. A vontade. O gesto de perdão. A reconciliação com quem se arrepende. E eu ainda não falei da pesada responsabilidade que assumis por uma separação: a sorte de vossos filhos.
- Eu também sinto muito. Se tudo suportei até aqui, foi por causa de meus filhos.
- E continuareis a fazê-lo. Porque não quereis que estes infelizes se tornem órfãos, vivendo sem pai e sem mãe. Não podeis querer que seu jovem ideal se desmorone como um castelo de cartas. Não podeis querer a horrorosa tragédia por que passam os filhos, cujos pais se separam, e que consequentemente arruínam estas almas.
b - Compreendo que alguns, talvez, quereriam intervir em favor desta mulher. Intervir perguntando: 
- por que uma pessoa tão infeliz e inocente não se pode casar de novo? Na primeira vez ela não foi feliz, não foi bem sucedida. Por que não se casaria novamente? Será que ela não tem direito à felicidade?
Quantas vezes não se houve este brado de indignação. E aqueles que assim falam não percebem, talvez, quanto esta linguagem não é cristã. Sim, o cristão quer também ser feliz, mas só conforme a vontade de Deus e não contra ela. Ora, nesta questão, como em todas as outras, a vontade divina corresponde justamente aos interesses da sociedade, do bem comum da .humanidade. Mas o interesse da humanidade e a conservação do bem comum se sobrepõem à felicidade particular e mesmo aos sofrimentos individuais.
"Que me importa este interesse geral"? dirão alguns amargamente. Eu não cuido senão do meu próprio interesse."
Não , mil vezes não! Quando estoura a guerra, todo mundo é enviado para a frente, porque o interesse da pátria o exige. "Que me importa o interesse da pátria? Fugirei". Será que alguém poderá falar assim?
Existirá um direito maior para dizer - que me importa o bem geral, fugirei da frente da vida familiar?


17 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 94

NÃO SE IMPACIENTOU

Filipe II, rei da Espanha, passara várias horas da noite a escrever longa e importante carta ao Papa.
Apenas a tinha concluído, passou-a ao seu secretário para que a timbrasse e metesse na sobrecarta. O secretário, que não estava bem acordado, em vez do timbre, entornou sobre a carta um tinteiro de tinta.
Quando notou o que fizera, ficou horrorizado. O rei, porém, não se impacientou e, como se nada acontecerá, disse: “Dê-me outro papel de carta, que a escreverei de novo”.
A mesma calma e admirável paciência manifestou o mesmo rei Filipe no dia de sua coroação.
Um soldado da guarda, talvez por ser bastante desajeitado, quebrou três lampadários que estavam ao lado do trono real. Todo o óleo caiu sobre as vestes preciosas do rei e da rainha. O soberano, no entanto, com rosto alegre, exclamou: “Isto é um bom augúrio de que sob o meu reinado haverá a unção da paz e a abundância de todo o bem”.

16 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth

Conferência XI

II - CONSEQUÊNCIAS FUNESTAS DO DIVÓRCIO.

Parte 4/8

Todo o homem capaz de lançar um olhar bastante profundo no caos incomensurável, e na miséria moral a que arrasta inevitavelmente o divórcio, compreende quanta razão tem a nossa religião, para lutar com todas as suas forças contra o divórcio.
Não quero aqui apresentar considerações teóricas. É a triste realidade, é a vida mesma que vai falar. Não há sermão que possa mostrar tanto as maldições do divórcio, como as duas cenas tomadas ao vício que eu quero lembrar aos meus ouvintes. 


15 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 93

O CRUCIFIXO DO PROFESSOR DA UNIVERS1DADE

Não faz muitos anos, após uma lição teórico-prática na Policlínica de Nápoles, um grupo de estudantes de medicina estacionara a prosear em frente ao quarto de um dos mais notáveis assistentes do professor Durante. O jovem doutor, ao entrar no quarto, deixara a porta aberta e, logo, alguns estudantes, lançando um olhar curioso para o interior, viram à cabeceira do leito do professor um grande Crucifixo.
Alguns deles, imbuídos de preconceitos, riram-se e perguntaram ao professor: como podia ele, um sábio, tolerar aquela Imagem à cabeceira do leito. O jovem doutor, com semblante carregado, respondeu:
— Não tolero coisa alguma; o Crucifixo está ali porque eu o quero e ali o coloquei com minhas próprias mãos. Se isso faz rir aos néscios, ali ao lado colocarei também a imagem de Nossa Senhora. Meus amigos, estudai e sede mais inteligentes. Adeus!
A esta bem acertada lição os estudantes emudeceram e retiraram-se corridos.
O professor, homem de convicções e de coragem, é um exemplo digno de imitação.

14 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XI


Parte 3/8

B - "Contudo a Igreja deveria mostrar-se indulgente. Não vivemos mais na Idade Média, mas no século do rádio, do avião, e da eletricidade. A Igreja não sabe desta multidão de dramas que se originam do fato de não permitir ela o divórcio?"
a - Sim, conhece-os. E como ela se compadece disto! Como ela se compadece destes homens que compreenderam séria e conscienciosamente a grande questão do casamento, e não são responsáveis se desposaram uma boneca frívola, leviana e dissipadora. Como ela se compadece destas mulheres que se apresentaram com todo idealismo de uma alma pura diante do altar de seu casamento, e encontraram, em lugar de cavalheiro ideal sonhado em seu quarto de jovem, um marido grosseiro, brutal e insuportável. Como poderia a Igreja não se compadecer dos sofrimentos destes inocentes! Como não veria ela todas estas rixas, discórdias e amarguras que nascem, quando são obrigados à vida comum, dois seres que gostariam mais de se dizerem imediatamente um eterno adeus!
Ninguém diga, pois, que a Igreja ignora o heroísmo sobre humano exigido pela indissolubilidade do casamento; sabe que há casamentos infelizes, onde guardar a fidelidade até a morte equivale a um verdadeiro martírio.
b - Mas por que, então, não se abranda esta severidade aparentemente exagerada? 
É porque ela nada pode modificar no mandamento formal de Cristo. E é também porque vós não vedes senão um lado da questão, enquanto que ela vê igualmente o outro. Vedes só os numerosos sofrimentos que a indissolubilidade pode causar. Mas a Igreja vê também os valores indispensáveis que dependem desta mesma indissolubilidade. Ela vê que atualmente milhares e milhares de pessoas sofrem por causa da indissolubilidade, e seria não milhares de homens mas a humanidade inteira que se arruinaria, se fosse possível o divórcio.
Até quando manterá, pois, a indissolubilidade do casamento? Enquanto houver homens sobre a terra. Homens que devam executar a vontade de Deus: " O homem não separe o que Deus uniu" (Mt 11, 6).
E se por causa disto perde ela sempre mais fiéis? Mesmo assim. E se com isto ela perde novos países, como perdera outrora a Inglaterra? Ainda mesmo assim. Porque ela pode tudo sacrificar, menos uma coisa: O mandamento de Cristo.

13 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 92

SUBLIME ESPETÁCULO

Quando o Papa Inocêncio II, após o Concilio de Clermont (1131), se preparava para regressar a Roma, julgou não dever abandonar, a França sem dar uma prova de sua gratidão a S. Bernardo, visitando com toda a sua comitiva o mosteiro de Claraval.
Ali não lhe foram feitos, como em outras abadias, presentes de cavalos, mulas e ricas equipagens; mas a simplicidade toda angélica bem como a terna caridade com que foi recebido agradaram bem mais ao virtuoso Pontífice.
Os monges foram-lhe ao encontro pobremente vestidos, levando á frente uma cruz de madeira tosca e cantando hinos que exprimiam a compunção de que estavam penetrados.
Toda a corte pontifícia ficou edificada com a gravidade e o porte angélico daqueles servos de Deus.
Lágrimas de comoção corriam dos olhos de todos os prelados.
Os religiosos, entretanto, aos quais se dirigiam todos os olhares, conservavam os olhos baixos e nada os fez perder o recolhimento. Os visitantes, entrando na igreja e percorrendo o mosteiro, encontraram por toda parte a imagem da pobreza e mudas lições de eximias virtudes.
No refeitório, à hora da refeição, foram servidos legumes e pão preto; havia apenas alguns peixes, e dos mais comuns, para o Papa.
Os prelados, contemplando com os olhos da fé aquela pobreza, recordaram-se bem das palavras de Cristo Senhor Nosso: “Bem-aventurados os pobres de espirito, porque deles é o reino do céu”. Eis, diziam, os pobres que o Altíssimo se compraz de enriquecer de seus dons. Não é, porventura, este abade o grande Bernardo que faz os Papas, aterra os príncipes soberbos, levanta os povos, rege os concílios e os impérios?
“Ecce sic benedicetur homo qui timet Dominum”.

12 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 91

PIO VII E O ALFAIATE

Napoleão I mandara encarcerar o Papa Pio VII em Savona (1809), perto de Gênova. Os soldados da guarda não tinham nenhuma atenção para com o augusto Pontífice, chegando a faltar-lhe até o indispensável.
O venerando ancião, não tendo sequer uma veste decente, pois sua batina branca estava muito rôta, pediu-lhes mandassem um alfaiate para a remendar. Mandaram, pois, ao cárcere um alfaiate, o qual, vendo a mísera veste do Papa, ficou muito comovido. E, para que os habitantes da cidade se interessassem pela triste sorte do Pontífice, levou consigo aquela batina veneranda. Cada um dos cidadãos queria possuir um fragmento daquela sotaina, como lembrança do Papa. Com as esmolas arrecadadas, pode o alfaiate confeccionar uma esplêndida veste que levou a Pio VII juntamente com o dinheiro que sobrou. O Papa aceitou, agradecido, a batina, mas ordenou que o dinheiro fosse distribuído aos pobres.
Os bons católicos, em todos os tempos, oferecem de boa vontade o seu auxilio para as múltiplas necessidades do Sumo Pontífice.

Sermão para o Domingo in Albis Pe Daniel Pinheiro IBP

[Sermão] A paz interior e a paz na sociedade


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Caros católicos, três vezes no Evangelho de hoje Nosso Senhor Jesus Cristo deseja a paz aos seus discípulos. Ele o faz, então, insistentemente após a sua Ressurreição. A paz é a tranquilidade na ordem, na boa definição de Santo Agostinho. A verdadeira paz apenas pode existir na ordem, e quando essa ordem é tranquilamente possuída. A ordem é a disposição de todas as coisas em vista de uma finalidade, de um objetivo. Na ordem, cada coisa ocupa o seu devido lugar e coopera para que todas possam atingir o objetivo comum. A verdadeira ordem apenas pode existir quando as coisas estão dispostas em vista de Deus, pois Deus é a finalidade de tudo. Todas as coisas foram criadas para dar glória a Deus, para manifestar as suas perfeições. Em particular, nós, homens, fomos criados para conhecer, amar e servir a Deus. A verdadeira ordem é necessariamente uma ordem que conduz a Deus, uma ordem em que as coisas estão dispostas de tal forma que cooperem para nos mostrar as perfeições de Deus e que cooperem para que possamos conhecer a doutrina católica, para que possamos amar e servir a Deus. A verdadeira ordem é uma ordem que conduz não para qualquer divindade ou religiosidade, mas que conduz os homens para o Deus verdadeiro e único, Uno e Trino, para Nosso Senhor Jesus Cristo, para a Igreja que Ele fundou, que é a Igreja Católica Apostólica Romana, fora da qual não há salvação. A verdadeira ordem pode existir apenas quando são respeitadas as leis de Deus, seja a lei natural seja a Revelação. A primeira coisa para haver paz é, portanto, a ordem, a ordem que dirige a Deus. Todas as criaturas, todo nosso ser, todos os elementos da sociedade devem, então, estar ordenados a Deus, se queremos a verdadeira paz. Até conseguirmos essa ordenação a Deus, que é o primeiro elemento da paz, teremos que combater muito. Em seguida, o outro elemento da verdadeira paz é a tranquilidade, quer dizer, que essa ordenação completa a Deus possa ser observada com certa serenidade. Todavia, a paz perfeita, virá apenas no céu. Aqui na terra, a nossa paz estará sempre aliada ao combate para garantir a ordem, para garantir a ordenação de nossa alma e da sociedade para Deus contra os inimigos de Deus.
Vivemos um período um pouco conturbado no mundo e, particularmente, em nossa pátria. A paz está, verdadeiramente, ausente. Ausente porque poucas são as coisas que estão orientadas para Deus e poucas são as coisas que nos orientam para Deus. Os conflitos em todos os âmbitos são inúmeros. A discórdia floresce. Claramente, não há paz porque não há ordem nem tranquilidade. E a falta de paz vai gerando ainda mais dificuldades. O abismo chama o abismo. O homem, porém, tem um desejo natural pela paz. Muitas vezes a compreende erradamente, de modo distinto do que falamos. Muitas vezes, o homem quer uma paz que é simples ausência de combate, de luta, de arma. Uma paz meramente sentimental, em que as pessoas vivem juntas. E, para alcançar essa paz, o homem iguala a verdade e a mentira, o pecado e o vício, o bem e o mal. Vamos viver em paz, todas as religiões são boas, dizem. Vamos viver em paz, cada um faz o que quer, desde que não prejudique a liberdade do outro, ouvimos constantemente. Vamos viver em paz, cada um pode pensar o que quiser, desde que não queira impor a sua verdade ao outro, falam. Essa paz, evidentemente, é uma falsa paz. É uma paz na desordem, na mentira, no erro. É a paz de uma falsa tranquilidade que, na verdade, gera tanta discórdia e tanta desunião. É a paz do mundo, mundana. É a paz do homem. É a paz do liberalismo e do relativismo. Que desembocará em conflitos sérios. É paz que não conduz para Deus, para a verdade, para a vida eterna. A verdadeira paz, como falamos, supõe a orientação de tudo a Deus, supões a verdade, supõe também a verdadeira religião, que é a Católica. A verdadeira paz não pode colocar em pé de igualdade a mentira e a verdade, o pecado e o vício, o bem e o mal, a verdadeira religião e aquelas que foram inventadas pelos homens ou pelo demônio. A verdadeira paz é uma paz baseada na verdade. O fundamento da verdadeira paz é a submissão a Deus.
Se queremos restabelecer a paz em nossa sociedade, será preciso restabelecê-la sobre a verdadeira ordem, isto é, sobre a orientação de tudo a Deus. Todavia, a paz exterior decorre necessariamente da paz interior (ver Pio XII, Homilia de Páscoa, 9 de abril de 1939). A paz interior que não é uma paz ingênua ou um estado zen, como dizem. A paz interior é a ordenação de toda a nossa alma e de todo o nosso ser a Nosso Senhor Jesus Cristo. A paz interior decorre da fé católica e da observância dos mandamentos de Cristo, pois com a fé e a prática dos mandamentos, ordenamos, orientamos o nosso ser a Cristo. Devemos guerrear por essa paz interior, que é a união com Deus. E devemos guerrear para defendê-la e guardá-la.
A paz exterior, a paz de uma sociedade e de uma nação, decorre da paz interior de seus membros. Não nos iludamos. Não há outro caminho. Apenas teremos a paz na sociedade, quer dizer, uma sociedade ordenada a Deus com tranquilidade quando muitos de seus membros estiverem ordenados a Deus. A paz na sociedade não encontra seu primeiro fundamento na política, ainda mais quando essa política se faz desconsiderando a verdadeira religião, quando se realiza fazendo abstração da verdade revelada. A paz encontra seu primeiro fundamento na verdadeira religião, que é a Católica. A ação política de um católico jamais pode prescindir disso. A ação política de um católico nunca pode cooperar com um erro para combater outro. Cooperar com um erro para combater outro apenas gerará outros erros. Não se pode cooperar nem com um erro menor para combater um maior. Os fins não justificam os meios. O demônio e a maçonaria jogam constantemente com isso, com direita e esquerda, com progressista e conservador, com socialista e liberal, com revolucionário e reacionário. São criados falsos dilemas, como se fôssemos obrigados a aderir a um ou a outro. E os católicos são, infelizmente, facilmente enganados. Alguns, opondo-se ao comunismo, pintam, por exemplo, a ditadura militar como um ideal quase perfeito. Esquecem-se de que a ditadura militar aprovou, por exemplo, o divórcio no Brasil e estatizou uma quantidade imensa de empresas. Muitas vezes, combatemos um erro sem perceber que estamos aderindo a outro erro, e que, assim, as coisas pouco mudarão, no fundo. O católico deve se pautar pela verdade, pela verdade natural e pela doutrina de Cristo. Nada mais. A sua ação na sociedade deve se basear nisso: na verdade, na religião, na virtude. São Pio X dizia ao católicos que queriam mais ativamente participar da política “… será preciso inculcar e seguir na prática os princípios elevados, que regram a consciência de todo verdadeiro católico: ele deve se lembrar, antes de tudo, de ser em toda circunstância católico e de se mostrar verdadeiramente católico, assumindo e exercendo cargos públicos com a firme e constante resolução de promover, na medida em que puder, o bem social e econômico da pátria e particularmente do povo, conforme os princípios da civilização claramente cristã, e de defender ao mesmo tempo os interesses supremos da Igreja, que são os da religião e da justiça.” (Il fermo proposito).
(Instrução do Santo Ofício 20.12.1949) Um católico pode se unir com um não católico para defender os princípios fundamentais da lei natural ou da religião cristã contra os inimigos de Deus ou para postular coisas corretas na ordem social e econômica. Todavia, nessa união, como é evidente, os católicos não podem aprovar ou conceder nada que esteja em conflito com a revelação divina ou com a doutrina da Igreja, mesmo nas questões sociais ou econômicas. É o que sempre ensinou a Igreja.
A ação política de um católico deve ser baseada solidamente na verdade natural e na verdade revelada. A paz na sociedade não virá de uma ação meramente política nem simplesmente de um sistema político ou de uma forma de governo. A volta a uma forma de governo do passado não resolve nada propriamente falando. O que é preciso, em primeiro lugar, é de uma política, e de um governo que leve em consideração as leis de Deus.
Três vezes Nosso Senhor ressuscitado deseja a paz no Evangelho de hoje. Se queremos a verdadeira paz, caros católicos, devemos ter a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado. Devemos buscar primeiramente a paz interior, a paz da nossa alma. Em seguida, a paz na sociedade, que só pode ser baseada na verdade, na virtude, na submissão a Deus.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

11 de abril de 2016

Missa Tridentina - Padre Renato IBP


Tesouro de Exemplos - Parte 90

PARA O SANTO PADRE

Na época em que a Igreja foi injustamente espoliada dos Estados Pontifícios, algumas nobres damas de Viena promoveram uma coleta do óbulo de São Pedro à porta da igreja de Santo Estevão. A coisa não agradou a certo senhor anticlerical, o qual quis aproveitar-se da ocasião para desabafar seu ódio mesquinho contra a religião e os seus ministros. Passando diante de uma senhora que segurava a salva do óbulo, recusou-se acintosamente a dar-lhe qualquer esmola e, ao invés, voltando-se para uma pobre que mendigava ali ao lado, tirou do bolso uma nota de cem cruzeiros e entregou-lhe, dizendo bem alto: “Isto é para você; prefiro os verdadeiros pobres aos que comem e bebem lautamente e passeiam em carros de luxo”.
A velha pobre ficou por alguns instantes embaraçada; mas, logo, criando coragem, depositou aqueta nota na bandeja de uma das damas, dizendo:
“Para o Santo Padre!” e desapareceu dali, enquanto o anticlerical também se retirava envergonhado.
Presenciara a cena o conde Chambord, o qual, admirado do gesto daquela pobre, mandou chamá-la e deu-lhe mil cruzeiros com suas mais cordiais congratulações. Isso foi uma verdadeira benção para a pobre que morava numa choça e tinha vários filhos a sustentar.
Este episódio ensina-nos como devemos amar o Vigário de Cristo e socorrê-lo em suas precisões.

10 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 89

VIVA O PAPA!

Há tempos, numa vila da diocese de Milão, realizou-se a benção da bandeira de um Círculo de Jovens Católicos.
A vila estava então dominada pelos vermelhos, sempre velhacos e prepotentes. Os jovens católicos, desafiando as iras do inimigo, saíram da igreja com o seu estandarte erguido e ali, na mesma praça, onde até então ressoara o grito dos anticlericais, fizeram ecoar o grito dos amigos do Vigário de Cristo: Viva o Papa!
Foram agredidos. Defenderam-se galhardamente, mas um deles recebeu uma punhalada na garganta.
Conduzido á farmácia, o farmacêutico, antes de fazer o curativo, disse-lhe: “Durante alguns dias não poderá falar; se tiver algo a dizer, diga-o agora”.
O jovem não hesitou um instante e gritou, quanto lhe permitiram as forças: “Viva o Papa!”

9 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 88

BOM PARA O CÉU

O piedoso bispo Mons. Tissot gozava na Índia de uma bem merecida fama de santidade, zelo e bondade. Ele próprio contou o seguinte episódio.
Um dia, por ocasião de uma entrevista com certo governador, este lhe disse:
— Monsenhor, Vós e vossos colaboradores sois para mim um enigma.
— E por. que, mylord? indagou o Bispo missionário.
— Vede, Monsenhor, disse o inglês: Nós recebemos do governo gordos subsídios e das Sociedades Protestantes enormes somas para a nossa propaganda protestante; os nossos ministros e catequistas ocupam posições invejáveis, as nossas diaconisas são abastadas... e entretanto conseguimos bem pouco! Fazemos alguns prosélitos em tempo de carestia ou de processos: terminada a prova, voltam ao paganismo. Vós, missionários católicos, ao contrário, sois pobres, não tendes tais meios, e, no entanto, as vossas obras prosperara.
— Exatamente, mylord. E é porque nós temos um segredo.
— Um segredo?! Confiai-me esse segredo.
— Com muito prazer. É o seguinte: Dou aos meus Missionários e ás Irmãs de caridade uma veste pobre, um leito duro, arroz de terceira qualidade... Faço-os levantar-se de madrugada, deitar-se tarde, trabalhar quase sem descanso...
O governador interrompe-o:
— E, todavia, Monsenhor, todos perseveram e morrem em seu posto; ao passo que os nossos ministros e as nossas diaconisas não querem demorar-se aqui e estão sempre a pedir, para regressar á pátria.
— Ah! é verdade, sr. governador; mas, como já vos disse, tenho um segredo. Dou aos meus uma letra de banco, assim redigida: “Bom para ser recebido no Céu”. Eis, mylord, o que nós, bispos, fazemos e o que vós não podeis fazer..

8 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 87

AS MULHERES SÃO CURIOSAS?

Papírio Pretextato, quando menino de doze anos, foi com o pai ao Senado. Tratou-se ali, provavelmente, de algum assunto importante, porque a sessão se prolongou por muito tempo. Voltaram para casa fora de horas. A mãe de Papírio, intrigadíssima e curiosa, chamou o filho à parte e:
— Vem cá, filho, dize-me: De que é que trataram hoje no Senado?
O pequeno, temendo o rigor excessivo com que, em Roma, se guardavam os segredos do Senado, recusa-se a dizê-lo. Isso, porém, aumentou mais ainda a curiosidade da mãe. Ela instava, e ele calava-se. Afinal, em vista dos pedidos, das caricias e ameaças, o menino fingiu aceder, e disse-lhe ao ouvido, baixinho:
— Mãe, vou contar-lhe o que foi, mas a senhora há de guardar rigoroso segredo.
— Pois sim, filhinho; eu me calarei, prometo, dize-me então o que foi?
— Foi o seguinte: Houve entre os Senadores uma grande controvérsia. Discutiram longamente se seria mais conveniente um marido ter duas ou três mulheres ou se, ao contrário, uma mulher ter dois ou três maridos.
— Está visto!... e que. é que resolveram?
— Não ficou resolvido nada; houve muita discussão e o assunto ficou para ser resolvido amanhá, por votação secreta.
— Bem, filhinho, não tenhas medo; saberei guardar segredo, como sempre.
Durante a tarde e à noite a azáfama dos criados foi enorme: Criados saem e criados voltam; recados vão e recados chegam a todas as principais damas de Roma.
“Olhe, D. Fulana, venho comunicar-lhe sob rigoroso segredo que, amanhá, o Senado tratará do seguinte assunto, que já está para ser votado... É absolutamente necessário que nos reunamos todas e vamos ao Senado defender os nossos direitos. Entendida?”...
No dia seguinte, estando os Senadores reunidos e entre eles Papírio com seu pai, de repente entra um batalhão de senhoras, que, sem mais preâmbulos e em altas vozes, expõem e defendem com energia que é mais conveniente que cada esposa tenha dois ou três maridos, e não o contrário...
Os Senadores estavam atônitos.
— Que é isto? — diziam, olhando uns para os outros. — Estas mulheres enlouqueceram? Que significa isto?
Então Papírio, aproveitando um instante de silêncio, contou-lhes o que se passara com ele no dia anterior e como ele, para guardar segredo e livrar-se das insistências de sua mãe, forjara aquela história. Ela, portanto, traindo o segredo, teria pausado todo aquele alvoroço.
Os Senadores riram-se a bandeiras despregadas; e as damas, bastante envergonhadas, abandonaram o recinto.

7 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 86

POR QUE AS TRIBULAÇÕES?

Certa vez um lavrador, que fizera más colheitas, queixava-se, dizendo: Se Deus deixasse a mim o governo do tempo, tudo iria melhor; porque, está-se vendo, Ele não entende muito do cultivo da terra.
Deus quis mostrar-lhe quanto estava enganado, e disse:
— Por este ano eu te concedo o governo do tempo; terás tudo que pedires.
O ingênuo lavrador quase enlouqueceu de alegria, e disse:
Agora, quero sol! E veio o sol.
Mais tarde disse:
Venha a chuva! E choveu quanto ele quis.
E ia pedindo: de novo sol; de novo chuva. E assim durante o ano inteiro. A rosa crescia, crescia... que dava gosto vê-la.
Agora, sim, pode ver Deus como se governa, — dizia o lavrador com uma pontinha de orgulho.
Chegou o tempo da colheita. As espigas eram grandes, gordas, uma beleza!... Mas colhe uma, colhe outra, colhe um montão e — que desgraça! todas as espigas estavam chochas, sem nenhum grão, tudo palha.
Dali a pouco vem Nosso Senhor ver a colheita e pergunta ao lavrador:
— Então, que tal a colheita?
— Muito má, Senhor! Muita palha e pouco grão!
— Mas não governastes tu o tempo? Não se fez tudo como desejavas?
— Sim, tudo... sempre pedi chuva... pedi sol...
— Pois é, e nunca pediste vento e tempestade, neve e gelo, e tudo que purifica o ar e torna resistentes as raízes... e por isso não há colheita!
Também na vida espiritual sem mau tempo não se faz boa colheita. Pedis alegria, riquezas, saúde, bem-estar... As raízes das virtudes não penetram em terra firme e não podem produzir frutos. Sem dor, mortificação, tribulações, não ajuntareis méritos para o céu. É preciso aceitar o que Deus enviar.

6 de abril de 2016

Domingo in Albis primeiro depois da Páscoa

Prezados Leitores, Salve Maria!

No último domingo, fomos agraciados com mais uma belíssima cerimônia no Rito Tridentino. A missa foi celebrada pelo Padre Tomás Parras (IBP - Brasília), Diacono José Zucchi (IBP - França) e o Subdiacono Marcos Mattke (IBP - França).

Domingo in Albis

Primeiro depois da Páscoa

Estação em S. Pancrácio

1ª classe - Paramentos brancos

Domingo Quasimodo, Domingo In albis, Domingo de Pascoela - três nomes por que é conhecido este domingo. O primeiro, em virtude do introito; o segundo, por alusão às vestes brancas dos neófitos; o terceiro, porque este dia oitavo da Ressurreição é uma Páscoa em ponto pequeno.
Os neófitos conservaram, toda a semana, as vestes brancas do batismo. Depuseram-nas ontem, mas a Igreja exorta-os a prolongar, em suas almas, a festa da Páscoa, permanecendo fiéis à graça, de que foram enriquecidos (coleta). A celebração pascal deve significar também para nós uma renovação da vida de batizados; e é por essa razão que a Igreja se dirige, instantemente, não só aos que acabam de entrar na milícia cristã, mas também a nós.
Não estamos sós, nem privados de amparo na vida, que abraçamos. A Igreja robustece-nos a fé, alimenta-nos as almas "com o leite puro de sua doutrina", com o pão da Eucaristia; faz de nós testemunhos da Ressurreição de Jesus Cristo e da vitória, que alcançou sobre o mundo perverso.
A estação deste domingo é em S. Pancrácio, para honrar a memória deste jovem cristão, que levou a fidelidade às suas convicções ao ponto de as selar com o seu sangue.

5 de abril de 2016

Sábado in Albis

Prezados Leitores, Salve Maria!

Sábado in Albis

Estação em S. João de Latrão

1ª classe - Paramentos brancos

'Aos sair da pia batismal, os neófitos haviam recebido vestes brancas, símbolo da regeneração de suas almas, que S. Paulo comentou em termos impressionantes: "Vós todos, que fostes batizados em Cristo, revestiste-vos de Cristo." Neste dia depois da celebração da missa, depunham os neófitos essas vestes brancas, e daí o nome: sábado in albis.
Todavia, depor as vestes brancas não podia significar abandono da vida de santidade, que encetaram no batismo: "Conservai em vossos corações e brancura resplandecente, que vos foi conferida", pregava S. Agostinho. Na epístola, S. Pedro exalta a magnifica nobreza dos batizados, povo santo, sacerdócio real, templo de pedras vivas, que Deus escolheu para proclamar, no fim dos tempos, as suas misericórdias. Mostrem-se os cristãos dignos dessa nobreza, da graça insigne, que Deus lhes fez, convidando-os a trocar as trevas pela admirável luz do seu Reino."


3 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 85

O PAI DA MENTIRA

Vejam só a que ponto chega a ousadia do capeta. Um dia, estava o bispo São Martinho rezando em sua cela. O espirito das trevas apresentou-se-lhe revestido de vestes luminosas, com uma coroa de ouro na cabeça, e aparentando uns modos tão celestiais que teria enganado a qualquer cristão. Por duas vezes disse que era Jesus Cristo; mas, como a humildade é o meio mais eficaz de se descobrirem as artimanhas do capeta, o qual é todo orgulho, Martinho não tardou a reconhecer naquela figura pomposa o diabo em pessoa. Dirigiu-lhe, pois, estas palavras:
O Senhor Jesus, que é todo humildade, não disse que viria vestido de púrpura, nem coroado com diadema de ouro; por isso jamais considerarei como Jesus Cristo quem não. apresentar os símbolos do Salvador padecente e não trouxer no corpo os sinais da Paixão.
Ouvindo essas palavras o velhaco, o mentiroso, o enganador desapareceu, deixando após si um mau cheiro de enxofre insuportável.

2 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 84

O NÓ GÓRDIO

O célebre capitão Alexandre Magno (+ 323 a. C.), numa de suas guerras, chegou a Górdio, cidade da Frigia, onde se encontrava, numa torre, o assim chamado nó górdio. O famoso nó era muito complicado, e jamais alguém o conseguira desatar, Alexandre, porém, desatou-o sem a mínima dificuldade. De que modo? Com um simples golpe de espada partiu o nó pelo meio.
É assim que devemos fazer para livrar-nos das ocasiões do pecado: cortar imediatamente e sem hesitação os vínculos pecaminosos.

1 de abril de 2016

Sermão para o 1º Domingo da Paixão


[Sermão] O sofrimento: segredo da vida cristã



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Nós entramos nesse domingo no Tempo da Paixão, que são essas duas últimas semanas da Quaresma. A Igreja quer colocar diante de nós a paixão de Nosso Senhor Jesus, para que nos concentremos realmente naquilo que é o centro da obra da redenção. Na paixão e morte de Cristo, vemos todos os seus sofrimentos, vemos Nosso Senhor suando sangue em sua agonia, batido, flagelado, coroado de espinhos, zombado, carregando a cruz, pregado na cruz, abandonado por quase todos os discípulos. Mas sabemos que o principal motivo de seus sofrimentos são os pecados. Em particular, os nossos pecados, os pecados daqueles que confessam que Cristo é homem e Deus, que fazem profissão de segui-lo, mas o ofendem. Nosso Senhor sofreu pelos nossos pecados para nos salvar. Sendo completamente inocente, Ele quis sofrer para nos salvar. Quis sofrer para reparar à Santíssima Trindade pelos nossos pecados e para nos demonstrar toda a sua caridade infinita para conosco, a fim de que pudéssemos responder com semelhante caridade. Nosso Senhor sofreu mais do que qualquer homem e mais do que todos os homens juntos. Nós mal podemos começar a imaginar a profundidade e a intensidade dos sofrimentos de Nosso Senhor, sobretudo os sofrimentos de sua alma, ao contemplar o desprezo com que tantas vezes respondemos ao seu amor. O seu sofrimento ao ver que respondemos ao seu amor com nossos pecados, ofendendo-O. Nosso Senhor, sendo Deus e homem, sendo a própria santidade, sem mancha alguma, sofreu imensamente.

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