31 de dezembro de 2017

As Mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 22

22. A CRISTIANIZAÇÃO DA SOCIEDADE

Após três séculos de lutas pela sua sobrevivência, em que Nosso Senhor permitiu as maiores provações que mais a solidificariam, a Igreja pôde respirar tranquila e refletir nas palavras do seu Fundador: "Tende confiança, eu venci o mundo".
Sem dúvida, a vitória viera com Constantino, que deu aos súditos liberdade de culto, protegeu os cristãos, os admitiu na Côrte e mandou erguer por toda parte belas Igrejas e Basílicas, na consagração do cristianismo.
A sociedade romana entrava em sua decadência e cedia lugar à sociedade cristã, cujos costumes puros e sadios iriam dignificar a pessoa humana. Era a evidência dos valores do homem,sobrenaturalizados pela doutrina cristã.
As virtudes que poderiam se encontrar no mundo pagão são reavivadas e reanimadas pelo cristianismo, espiritualmente valorizadas, ao lado de muitas outras até então desconhecidas e que tinham a sua base na humildade, que inclina o homem a se estimar em seu justo valor e a buscar o abatimento e o desprezo. E a Igreja soube preparar a renovação que teve em vista, fundando instituições que correspondessem às exigências do homem "novo", e procurando impregnar de princípios a sociedade pagã na qual ia exercendo a sua influência.
E no plano social, a Igreja, consagrada pelas grandes e magistrais Encíclicas dos Papas, como a última de João XXIII, "Mater et Magistra", fez valer sempre a sua autoridade, e desde os primeiros séculos a encontramos na luta pela justiça e pela equidade, afastando a miséria, e exigindo o mínimo de conforto necessário à dignidade humana.
Documentos dos Santos Padres alardeiam esta preocupação da Igreja, e as Cartas do Papa Clemente, segundo sucessor de Pedro, e a Didaqué mostram este cuidado para com a missão da caridade. "Há um motivo, exclama Santo Ambrósio, que nos deve impelir a todos para a caridade; é a piedade para com a miséria alheia e o desejo de a aliviar, na medida e até acima de nossas forças".
Os Papas dos três primeiros séculos foram solícitos na caridade e no socorro aos miseráveis, e no século IV a ação social da Igreja se faz presente de modo admirável, socorrendo os povos, instituindo nas grandes cidades, como Roma e Alexandria, as suas obras de assistência, como hospitais, asilos de órfãos e velhos.
Os escravos eram tratados com mansidão e postos em liberdade. "Entre nós, diz Lactâncio, ninguém estabelece diferença entre senhores e escravos".
O papel da mulher é dignificado no mundo e foi a Igreja que a engrandeceu perante a sociedade e a colocou no justo e digno lugar que ainda hoje ocupa, como a guardiã das mais nobres virtudes. A virtude da virgindade foi exaltada, e o casamento, santificado pela união dos esposos num amor mútuo, e indissolúvel, como o próprio Cristo ama a sua Igreja.
Lançados os princípios, os costumes da sociedade forçosamente se renovariam. Erguem-se os Bispos contra os jogos que no mundo pagão, ao invés de distrair os espíritos, eram motivos de chacinas e crimes, e em breve eles vão desaparecer. A sociedade pagã viciada comprazia-se diante dos divertimentos da arena e do anfiteatro, espetáculos monstruosos e desumanos, verdadeiras aberrações para uma sociedade civilizada. Manifesta a Igreja a sua indignação contra tudo isto, condenando estes divertimentos nocivos e criminosos.
O Igreja lutou contra eles e conseguiu o seu triunfo total. Vitória que veio aos poucos, concretizando-se quando decisiva se tornou no mundo a influência da Igreja, que renovou as bases humanas e dignificou os seus verdadeiros valores. Juliano, o apóstata, tudo fizera para restituir Roma ao paganismo. Fôra impotente diante da firmeza do cristianismo, cujo princípios construíram o seu esplendor.
No meio da glória de suas conquistas, ferido mortalmente em uma batalha, na sua raiva contra Cristo, recolhe Juliano o sangue que lhe escorria da ferida e lançando-o como desafio ao céu, brada: "Tu venceste, Galileu"! Com a sua morte o paganismo chegava ao seu final.
Surgiu Teodósio, um dos melhores Príncipes que regeram o Império Romano. A verdadeira Roma era já a Roma cristianizada, transformada pelo Evangelho de Cristo. Príncipe cristão, tinha por conselheiros a Santo Ambrósio, o grande bispo do Milão, e a Dâmaso, o mais notável Papa do século.
Em 380, promulga em Tessalonica o edito que torna o cristianismo religião oficial do Estado. "Todos os povos devem aderir à fé transmitida aos romanos pelo Apóstolo Pedro, que professam o Pontífice Romano Dâmaso, e o bispo Pedro de Alexandria, isto é, reconhecer a Santíssima Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Sinto". "Todos os povos do Império devem aderir à fé cristã", O cristianismo conquistou a sociedade cuja renovação vinha preparando desde a sua origem.
O Império chegava à sua decadência, fruto dos desmandos de muitos de seus Imperadores, e evitá-la já era impossível. Fora minada a sua cidadela pelo luxo e sede do gozo, e agora se destrói a antiga civilização romana esmagada pela invasão dos bárbaros.
Roma, a Rainha do Império, perdeu a sua soberania absoluta, viu quebrado o cetro de seu poder temporal, mas conquistou um império mais glorioso e mais nobre: o império sobre as almas, tornando-se o centro do catolicismo.
Fecham-se para a Igreja as primeiras páginas de um livro glorioso que ela escreveu com a fé de seus primeiros cristãos, com o heroísmo de seus mártires, com a sabedoria e inteligência de seus escritores: " A Igreja Primitiva".
Estava cumprida a sua primeira grande missão, misteriosamente ajudada por um poder sobrenatural."
A Igreja continuará a escrever novas páginas, na obra maravilhosa de 20 séculos de existência. São as mais belas páginas de amor cristão e santidade, que se opõem à falsidade, ao ateísmo, ao absurdo de uma volta ao paganismo, páginas gloriosas da divindade da Igreja, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, que com ela estará todos os dias, até à consumação dos séculos: "Usque ad consummationem saeculi"!

30 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 430

VALE UM MILHÃO!

Aquele rapaz, ótimo congregado mariano, estava para ficar noivo. Por medida de prudência, depois de ter rezado e consultado os pais, foi aconselhar-se com o pároco. Querendo anotar as qualidades da moça, o padre tomou uma folha de papel e um lápis.
— Ela tem um dote apreciável, é rica — disse o rapaz.
0 vigário escreveu um 0 (zero).
— e é também muito bela.
Outro zero.
— Além disso, sabe piano e pintura.
Terceiro zero.
— Dá para boa dona de casa.
Quarto zero.
— A família dela é respeitável.
Quinto zero.
— Finalmente, possui diploma.
Sexto zero.
— Ah! senhor padre, esquecia-me de dizer que é excelente cristã.
Agora, colocando à esquerda daqueles zeros o algarismo 1 e mostrando o papel ao rapaz, disse:
— Vai, vai tranquilo e casa-te com ela, porque vale 1.000.000 (um milhão)!
Riquezas, dotes, nobreza, se faltar a religião, valem tanto como zero. Ser religiosa, eis a primeira e principal qualidade apreciável da mulher.

29 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 429

PREFIRO RENUNCIAR AS FÉRIAS

Era num dos países da Europa, devastados pela última Grande Guerra. Chegaram as férias escolares, e ali estava um pobre estudante, fraco, pálido, subalimentado.
Pessoas caridosas, compadecidas do estudante, ofereceram-se para arranjar-lhe, num antigo e confortável castelo, um descanso de dois meses. Ótimas férias, certamente. O estudante pediu algum tempo para refletir. Depois de pensar bem, deu a seguinte resposta: “Fico-lhes muito penhorado, mas não posso aceitar a oferta; o castelo está a duas horas distante, da igreja. Antes quero renunciar às férias do que à santa missa diária!”

28 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 428

REZAVAM O ROSÁRIO TODO

Foi durante a guerra. Um soldado recebeu ferimentos e foi conduzido ao hospital. Uma irmã de caridade, ao polir, o uniforme do militar, encontrou na algibeira um mistério (dezena) do que fora antes um terço.
— Parece que o seu rosário também participou do combate?
— Sim, irmã; e a senhora quer saber como foi?
— Perfeitamente; gostaria de saber como ele perdeu os outros quatro colegas.
— Escute, irmã; nós éramos cinco e estávamos na trincheira, esperando o comando de assalto. Eu rezava no meu terço, quando um dos companheiros gritou:
— Camarada, dê-me uma dezena do seu rosário!
— Tirei um mistério e dei-lhe. Logo, os outros três me fizeram o mesmo pedido e, então, cada um de nós tinha a sua dezena e, por ela, rezava os quinze mistérios do rosário. Um dos meus colegas, atingido por uma bala inimiga, tombou apertando na mão o mistério do terço. Os outros continuaram rezando; mas, agora, já devem ter terminado o seu rosário neste mundo. Deus queira que se tenha verificado já o que todos pedíamos no 14º e no 15º mistério, isto é, a graça de sermos, recebidos no céu e coroados na glória.
Verdadeiros heróis estimam e amam o rosário.

27 de dezembro de 2017

As mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 21

21. CONSTANTINO E A VITÓRIA DO CRISTIANISMO

Constantino, jovem príncipe, filho do Augusto Constâncio Clero, já se tornara conhecido pelo seu garbo e valentia, grangeando a afeição e estima de Diocleciano. Proclamado Augusto pelas legiões da Bretanha, após a morte de seu pai, Constantino teve que desbaratar os exércitos daqueles que pleiteavam o título de Imperador.
Enquanto Licínio, que no Oriente substituíra o perverso Galério, liqüidava o exército de Maximino, Constantino marchava para derrubar o usurpador Maxêncio, que estava senhor de Roma. Isto aconteceu em 312, após um encontro entre Constantino e Licínio.
Seguindo os passos de seus pais, Constantino se mostrava favorável aos cristãos e aguardava oportunidade para lhes conceder a liberdade de culto, quando um fato milagroso veio apressar o seu desejo.
Ao aproximar-se do rio Tibre, no avanço contra as tropas de Maxêncio, divisou no céu uma luminosa cruz e em caracteres brilhantes as palavras: "In hoc signo vinces - por este sinal vencerás". Historiadores como Eusébio e Lactâncio nos trazem alguns esclarecimentos que são de grande importância para o julgamento da posteridade. Eusébio declara formalmente que na luta contra Maxêncio, "Constantino invocou a Cristo e lhe ficou devendo a vitória". Continua a sua versão, afirmando que Constantino, no momento da luta, apelou para o Deus dos cristãos e em pleno dia viu no céu uma cruz luminosa com estas palavras: "'Com este sinal vencerás". Depois, Cristo lhe apareceu, mostrando-lhe a sua cruz e ordenando ao Imperador que fizesse uma insígnia que a representasse.
Lactêncio se refere a um êxtase que teve Constantino pouco antes da batalha, durante a qual recebeu de Cristo ordem para colocar sobre o escudo de suas tropas um sinal formado pelas duas letras gregas CH e R, o monograma que se encontra nas moedas e inscrições constantinianas.
A frente dos exércitos de Constantino apareceu desde este momento o Lábaro, estandarte em forma de cruz. O monograma de Cristo e a cruz fulguravam nos capacetes de seus soldados. gravou-se luta renhida e Constantino derrotou o seu opositor que se afogou nas águas do Tibre.
Como triunfador, Constantino entra em Roma sob o delírio e aclamações de todos, especialmente dos cristãos que saudavam jubilosos e reconhecidos uma nova era de paz e tranqüilidade após três séculos de perseguições e opressões cruentas.
Pouco depois em Milão, de acordo com Licínio, promulgou o famoso Edito de Milão que concedia a liberdade absoluta dos cultos e restituía à Igreja todos os bens que lhe foram confiscados durante as perseguições. Dava-lhe o direito de ser ajudada a reconstruir e reerguer as suas ruínas.
Era o início de uma era auspiciosa para a Igreja, que alicerçada no heroísmo de seus mártires e na fidelidade de seus membros, iria ressurgir gloriosa, mostrando ao mundo o valor e força com que vencera as perseguições.
O Edito de Milão era o triunfo oficial do cristianismo. A igualdade de condições entre o cristianismo e o paganismo, outra cousa não era senão o reconhecimento do Império de que se enganara ao tentar destruir a Igreja, e significava o declínio das antigas crendices do paganismo e a ascensão definitiva do cristianismo.
Os cristãos sabiam que não poderiam ser superiores a Cristo que afirmou: "O discípulo não é mais que o mestre."
Se Cristo foi perseguido, também eles seriam alvo de ódio e de opressões. O drama do Calvário fora antes o início de uma luta constante que se desenvolveria nos séculos, cujo desfecho seria o triunfo de Cristo.
Assim, a Igreja, fortalecida pelas palavras de Jesus - "nada temais, eu venci o mundo", aparecia gloriosa após as lutas e perseguições, desdobrando, orgulhosa, perante a posteridade, os nomes gloriosos ele seus mártires, cujo sangue profusamente derramado fora na verdade semente abençoada de cristãos.
A Constantino, sem dúvida, a Igreja deve a consolidação de suas posições e o seu fortalecimento que a tornou inexpugnável diante cias outras lutas que se seguiram.
Os historiadores cristãos traçam os maiores encômios e elogios à figura de Constantino que, não obstante admirar e proteger muito os cristãos, e tudo fazer para extinguir o paganismo, teve que suportá-lo num Império onde os cristãos ainda eram a minoria, e destruir de vez o paganismo lhe teria sido muito difícil.
Não poderia a história deixar de mencionar também os desmandos praticados pelo grande Imperador e que no entanto vivia em uma época em que a vida humana tinha valor relativo: Deste modo, ainda
um pouco submisso às tendências pagãs, torturou os seus adversários vencidos, mandou estrangular a Licínio, seu cunhado e aliado, com quem se desentendeu, e não poupou à sua fúria violenta o seu próprio filho Crispo e sua esposa Fausta.
Constantino procurou estabelecer uma política cristã, reconhecendo a sua missão de representante de Deus, e afastando do Imperador o título "divino", usurpado pelos seus predecessores.
Uma grande transformação se operou no Império pela ação salvadora do Imperador Constantino. Ao lado do único poder universal que era o Império Romano, o reconhecimento de um só Deus verdadeiro. Era a doutrina cristã que se espalhava, afastando os ódios de entre os povos, e levando a paz ao mundo. A doutrina cristã do amor foi substituindo 0 ódio do paganismo. A humanidade começava a se cristianizar. Privilégios se concederam à Igreja e ao Clero. Editos se promulgaram condenando os suplícios, reorganizando a família, dando melhoria de condição aos escravos.
Leis morais foram assinadas, para que a sociedade fosse construída no respeito e na dignidade. É a sociedade pagã que cedia o lugar à sociedade cristã.
O domingo e as grandes festas litúrgicas - Páscoa, Natal, Pentecostes - são colocadas no calendário, aos poucos abafando as tradicionais festas pagãs. Por toda parte no Império se erguem as Igrejas cristãs e se constroem as famosas basílicas constantinianas para o culto do verdadeiro Deus. As divindades pagãs e os velhos deuses desaparecem e em seus lugares surgem as imagens dos santos.
O princípio de unidade e de ordem, que centralizava a política de Constantino, será perfeitamente encontrado no cristianismo que fazia da unidade a sua perfeição, e da ordem a firmeza de sua disciplina pela hierarquia da Igreja. Os cristãos já eram, aceitos como funcionários públicos e os princípios evangélicos eram colocados em prática sob a proteção do Império.
Estas e muitas e grandes vantagens usufruídas pela Igreja na grande transformação que Constantino realizou, tornando um Império pagão em um Império cristão.
Mas a Igreja que saíra vitoriosa das perseguições, onde a fé e o heroísmo de seus mártires foram postos à prova, iria reiniciar um nova luta: a pouca fé, a ignorância e fraqueza de muitos daqueles convertidos que estavam longe de representar os que tombaram corajosa e galhardamente na arena das opressões. Os domínios temporal e espiritual acabaram se confundindo, e a Igreja, que gozava de ilimitada proteção do Estado, deveria se submeter às muitas intromissões do poder temporal. Dificilmente poderia ser posta em prática, nestas circunstâncias, a grande sabedoria do preceito de Cristo: "Dai a César o que for de César e a Deus o que for de Deus."
Foram estas dificuldades que levaram Renan a exclamar, embora com exagero: "O cristianismo soçobrou na vitória."
Jacques Zeiller, historiador católico, foi mais sereno ao referir-se à situação: "Apenas libertada da opressão, a Igreja ia conhecer uma prova talvez mais terrível ainda que a hostilidade: a proteção tão facilmente onerosa do Estado." Felizmente, a gravidade da situação que ia tomando proporções de caráter prejudicial aos interesses da própria doutrina cristã do amor, foi pressentida por inteligentes e
serenas figuras da Igreja, que se opuseram anos mais tarde aos excessos de influência oficial.
Foi o início dos sérios conflitos entre a Igreja e os poderes temporais, conflitos que se salientaram séculos depois na Idade Média.
Em 330 Constantino iniciou a construção da nova Roma, mais no centro do Império, na margem europeia do Bósforo, a cidade do esplendor e do fausto que a voz popular chamou Constantinopla, em homenagem ao seu fundador, cidade resplandecente do ouro e do mármore, protegida pelas mais fortes muralhas do mundo.
A Igreja que se estabelecera na antiga capital preferiu aí permanecer, mesmo para que mais facilmente se afastasse da sujeição do poder temporal, tornando-se independente.
"Qualquer mão oculta”, disse Joseph de Maistre, “expulsava os imperadores da Cidade Eterna, para a dar ao Chefe da Igreja Universal”.
Constantino já havia dividido todo Império entre os seus filhos e sobrinhos e pressentira a sua morte, atacado por incurável doença.
Fez-se transportar para a sua modesta casa de campo perto de Nicomedia, sempre acompanhado do Bispo Eusébio. Foi aí que pediu o batismo, cousa que jamais o fizera, não obstante sua afeição para com o cristianismo. Prevalecia na época a ideia de se diferir o batismo para o momento da morte, quando então se teria a garantia absoluta do perdão de todos os pecados e crimes e a certeza de salvação. Talvez Constantino se deixasse levar por estas tendências da época.
Despindo-se das púrpuras imperiais e com a veste branca dos neófitos fez-se cristão, recebendo o batismo, no leito de morte. Pôde exclamar com emoção: "Chegou o dia de que eu tinha sede há muito
tempo, a hora da salvação que eu esperava de Deus; neste dia sou verdadeiramente feliz!"
Morreu Constantino no dia 22 de maio, festa de Pentecostes.
A Igreja preza a sua memória e a história perdoa os seus erros e os seus crimes, pois Constantino fez com que sobre o mundo brilhasse a cruz que não foi apenas o símbolo de sua vitória às margens do Tibre, mas que em seu Império resplandeceu no coração da Roma pagã para a vitória decisiva do cristianismo no mundo!

26 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 427

MARIAZELL E O IMPERADOR LEOPOLDO I

Mariazell é um dos mais célebres santuários marianos da Áustria. Sabe-se que o imperador alemão Leopoldo I tinha grande devoção por este santuário. Toda vez que tinha em mãos algum negócio extraordinário, peregrinava a Mariazell; e é comovente reler as intenções que ia recomendar a Nossa Senhora. Assim, por exemplo, fez uma romaria para pedir que a Virgem Santíssima o preservasse de pecado mortal e lhe desse a bênção para o seu futuro consórcio com Maria Teresa de Espanha. Enviuvando, foi de novo a Mariazell, em 1676, para pedir a Mãe de Deus lhe deparasse outra esposa piedosa e verdadeiramente cristã. Em 1679, levando consigo valiosos presentes, lá foi de novo para agradecer, a esposa Eleonora e o príncipe herdeiro, que o céu lhe enviara. Em 1693 foi recomendar a Nossa Senhora a sua expedição militar à Hungria, pedindo também a graça de uma boa morte. Esta última ele a alcançou em 1705; e é interessante saber como morreu este servo de Maria. Depois de receber os santos Sacramentos, despediu-se da esposa, abençoou os filhos e, tomando com as duas mãos o célebre Crucifixo de Fernando II, pronunciou estas significativas palavras: “De vós, Senhor, recebi o cetro e a coroa; com alegria deposito-os de novo aos vossos pés”. E acrescentou: “Está consumado. Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito!” e assim expirou o imperial peregrino de Mariazell.

25 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 426

CURADO POR SANTA BERNADETE

Mons. Lemaitre, arcebispo de Cartago, contou ao representante do “Echo de Paris” como fora milagrosamente curado pela intercessão de Santa Bernadete. A cura do arcebispo foi um dos milagres oficialmente reconhecidos pela Igreja para a canonização da Bem-aventurada.
Monsenhor contraíra, quando missionário no Sudão, uma grave enfermidade que o levara à beira do túmulo. Teve de submeter-se a perigosas operações.
“Assim, diz o arcebispo, vivia eu há doze anos alimentando-me com certa massa extraída da água, e sem sal nenhum, de sorte que os intestinos começaram por não funcionar mais. Os médicos comunicaram-me, outrossim, que de um momento para outro poderia sobrevir uma perfuração, que dentro de 48 horas me levaria à sepultura”.
Apesar disso, a 3 de outubro de 1925, o arcebispo quis tomar parte na trasladação da beata Bernadete. “Eu não senti nada — diz ele — absolutamente nada. Apenas notei que, depois de uma, duas, très horas, meu incomodo não aparecia. Chegada a noite, dormi como uma criança. Passados dois dias, todos os órgãos retomaram novamente as suas funções: “Eu estava curado!”
O arcebispo declarou, finalmente, que, em Túnis, Santa Bernadete tem operado grandes milagres.

24 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 425

E COM A CRUZ... A MINHA FELICIDADE

Um dia fui visitar a Eugênio M... um homem moço ainda, preso e condenado a quatro anos de cadeia. Fazia pouco que sua velha mãe falecera e ele estava muito abatido.
— Senhor Padre, minha esposa e minha mãe eram muito boas. Agora me abandonaram. Foi assim: Minha esposa separou-se de mim, porque eu a maltratei demais. Os filhos, ela os levou consigo, para que não fossem educados sem religião. E minha velha mãe acaba de morrer, talvez por minha causa. Senhor Padre, agora é que eu compreendo quanto sou misero.
Depois olha para mim cheio de tristeza e acrescenta:
— E eu era feliz. Mas, um dia, quando cheguei em casa, após uma reunião de homens ímpios, eu fiz a Cruz em pedaços ... e com a Cruz a minha felicidade.
Eugênio M. fez hoje a sua páscoa. Na sua cela está pendurada uma singela Cruz de madeira...
A esposa dele escrevi que lhe perdoasse, como Deus lhe havia perdoado. Com mão trêmula ela respondeu: “Perdoo”

23 de dezembro de 2017

Sermão para o 2º Domingo do Advento – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] São João Batista, modelo do advento e a virilidade verdadeira e necessária (2ª versão)


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
“Eis que eu envio meu anjo diante de ti, o qual preparará o teu caminho.”
Como já falamos em outra oportunidadea Igreja nos dá como exemplo no tempo do Advento o profeta Isaías – modelo de oração e súplica -, São João Batista – modelo de penitência – e Nossa Senhora – modelo de humildade.
Hoje, consideremos um pouco mais e melhor o precursor, São João Batista, a partir das palavras do Salvador no Evangelho. Antes de tudo, porém, devemos deixar claro que São João Batista envia seus discípulos para perguntar a Jesus se Ele é o Messias não porque ele mesmo duvidasse, mas ele envia seus discípulos demasiadamente apegados à sua pessoa para que pessoalmente comprovem que Jesus Cristo é, de fato, o Messias. Não podia aquele, cuja missão dada por Deus era a de anunciar o Messias desde o ventre da sua mãe, confundir-se e ter dúvidas em momento tão importante. É por caridade para com os seus discípulos que João Batista os manda fazer essa pergunta a Jesus. E Nosso Senhor responde com clareza, mostrando que cumpre todas as profecias relativas ao Messias. O Messias vai fazer os cegos verem, os coxos andarem, os leprosos serem limpos, os surdos ouvirem, os mortos ressuscitarem e os pobres (de espírito) serem evangelizados. Nosso Senhor Jesus Cristo não faz outra coisa, literalmente, mas também espiritualmente. Ele cura a cegueira com a luz da Verdade, que é Ele mesmo. Ele cura os coxos, dando força para as almas poderem andar na vida espiritual com a sua graça. Ele limpa os leprosos perdoando os pecados dos arrependidos. E assim por diante. Nosso Senhor provou por todos os meios que é o Messias, o Salvador prometido. Provou por todos os meios que é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Provou cumprindo as profecias messiânicas anunciadas em todo o Antigo Testamento. Provou pelos milagres que operou. Provou pela celestial doutrina que ensinou e pela vida perfeita que levou nesse mundo.
Voltemos, porém, à figura do precursor. Nosso Senhor diz que João Batista não é uma cana agitada pelo vento. E, de fato, o precursor não muda segundo as conveniências, mas é estável na fé e no cumprimento da sua missão. A cana agitada pelo vento vai de um lado para o outro, conforme a direção do vento. Ela se contorce e se submete ao vento. São João Batista, ao contrário, permanece fiel. Por vaidade, ele poderia ter dito que era o Messias quando os chefes dos fariseus e os chefes dos sacerdotes perguntam para ele se ele era o Messias. Ele poderia ter cedido ao pensamento e à insistência de alguns de seus discípulos que tinham inveja do Evangelho de Jesus Cristo. Ele poderia ter mudado suas palavras e sua doutrina diante da prisão e de sua condenação à morte por Herodes. São João Batista resistiu ao orgulho, à vaidade, ao respeito humano e ao medo da morte. Continuou inteiramente fiel. Não como uma cana agitada pelo vento, inconstante, mas firme como um cedro do Líbano. Assim devemos ser, caros católicos, se quisermos que nasça e que permaneça em nossa alma Jesus Cristo. Devemos permanecer firmes na fé católica, que recebemos de Cristo e que nos é transmitida pela Igreja sem alterações. Não devemos ceder às pressões do mundo, aos ventos do mundo, que sopram violentamente tentando quebrar a nossa alma, levando-a ao pecado, como quebra as árvores. Não devemos ser levados na mesma direção que o mundo, mas devemos levar o mundo para a Santíssima Trindade, para a Igreja. Não devemos ceder aos diversos lobbies da cultura de morte contra a família, em favor do aborto, das uniões homossexuais. São João batista foi decapitado por ter defendido a indissolubilidade do casamento, denunciando o adultério de Herodes. Não devemos ceder um só jota na doutrina católica e na sua moral. Na época de Nosso Senhor, ninguém se interessava em ir ver no deserto uma cana agitada pelo vento. Hoje, ninguém vai se interessar por Nosso Senhor Jesus Cristo, se os membros da Igreja são como uma cana agitada pelos ventos da mentalidade moderna. Se os pastores da Igreja seguem o mundo, ninguém se interessará por ela, pois ninguém procurará uma cana agitada pelo vento. Se, ao contrário, os pastores da Igreja permanecem firmes, as pessoas buscarão a Igreja e voltarão a ela como o filho pródigo. Também na nossa vida cotidiana devemos ser estáveis, firmes, para não cedermos aos ventos do mundo, da vaidade, do respeito humano, do medo. São João Batista não é uma cana agitada pelo vento.
São João Batista é um homem vestido de roupas delicadas? Tampouco, diz Nosso Senhor. Essa imagem das roupas delicadas significa as três concupiscências: da carne, dos olhos e da soberba. São João Batista não se entregava à intemperança no comer ou contra a castidade (concupiscência da carne), à cobiça (concupiscência dos olhos) ou ao orgulho (concupiscência da soberba). Era um homem mortificado, penitente. Desapegado das coisas desse mundo, preocupava-se unicamente em anunciar o Messias, em preparar os caminhos para a vinda dEle e para a vida pública de Cristo. Utilizava as coisas desse mundo somente em vista de Cristo. São João Batista, humilde, sabia exatamente o seu lugar, a sua Missão: não é ele o Messias, não é ele o esposo. Ele é o precursor e o amigo do esposo. Ele sabe que deve diminuir para que Jesus Cristo possa crescer. São João Batista não usava roupas delicadas. Isso serve também de lição para os homens, pessoas do sexo masculino, de nosso tempo. Muito se fala, com razão, do feminismo, que destrói a feminilidade e a verdadeira dignidade da mulher, que é de ser mãe, de educar os filhos. Fala-se menos do fato de que também a masculinidade é bem atacada. A mulher se masculiniza e o homem se feminiliza. Já não ocupa o lugar que lhe é devido no seio da família, de chefe de família, que deve governar para o bem da esposa e dos filhos. O homem se tornou, hoje, efeminado, tendo cada vez menos domínio sobre suas paixões. Vemos bem concretamente e na prática a perda da virilidade em muitos dos rapazes de nossos dias: dominados pelos sentimentos, preocupados em demasia com as roupas, preocupados em se ornar (brincos, anéis, pulseiras, colares), preocupados em excesso com a aparência (cabelo, unha…), preocupados em chamar a atenção, escravos de filmes, músicas e livros que tiram a força da alma, fala delicada, afetação nos gestos, nos comportamentos. E isso muitas vezes dentro da Igreja, pois se confunde religião com sentimentalismo. A religião e a devoção não são um sentimentalismo, não são algo açucarado. Como nos diz o Salmo 30, 25: Viriliter age. Age virilmente. É preciso retomar também a virilidade dos homens na sociedade, além da feminilidade das mulheres. Virilidade que não se confunde com rudeza nem grosseria e ainda menos com a satisfação de más inclinações.  A verdadeira virilidade existe quando o homem domina as suas paixões, guia-se pela razão iluminada pela fé, trata as pessoas com justiça e com urbanidade/educação, veste-se em conformidade com seu estado, sem exageros. Ela existe quando o homem exerce o seu papel na sociedade e na família, em vista do bem de sua esposa – que é sua companheira de vida – e de seus filhos. Cumprir bem os deveres de estado. Eis um dos segredos e dos aspectos essenciais da santificação e que é tão negligenciado. Cumprir os deveres de seu estado de vida, como pai de família, como esposo, como trabalhador. Como São João Batista, o homem não deve se vestir com roupas delicadas, que significam a falta da virtuosa virilidade.
Nosso Senhor diz também que São João Batista é mais que um profeta. Ele é um anjo que prepara o caminho para o Messias. De fato, São João Batista não é um simples profeta, mas aquele que prepara imediatamente a pregação do Evangelho. Sendo assim, deve ser mais semelhante a um anjo que a um profeta. Um anjo pela fé profunda que lhe invade a inteligência, dando-lhe um conhecimento de Cristo semelhante ao conhecimento que os anjos têm dEle no céu. Um anjo pela firmeza com que combate o demônio e a mentira, em particular na defesa que faz da santidade do matrimônio. Um anjo pelo desapego dos bens desse mundo, usando-os sempre para melhor servir a Deus. Um anjo pelo desprezo de uma vida mundana. Um anjo pela sua pureza, adquirida e conservada com orações, com mortificações, com a fuga das ocasiões de pecado. Os pecados contra a pureza que são um indício também de um homem efeminado. Muitas vezes se pensa que viril é aquele que comete pecados contra a castidade. Mas não. O que comete esses pecados deixa-se levar pelas suas paixões. Não tem domínio sobre si mesmo. O viril tem domínio sobre si, sobre suas paixões. Ele consegue, com a graça de Deus, ordenar tudo a Deus.
Eis, então, São João Batista, que deve nos servir de exemplo e a quem devemos recorrer para nos prepararmos bem para um Santo Natal. Procurem fazer uma boa confissão em preparação para o Natal.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

22 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 424

A CARIDADE DE SÃO GERALDO

São Geraldo, estando de viagem a serviço de seu convento, bateu à porta de uma casa, pedindo um pedaço de pão. Apareceu uma senhora tão pobre que, por toda riqueza, apenas tinha um punhado de farinha que acabara de receber de esmola.
— Não tenho nada — diz ela — nem um pedaço de pão.
— Como? Não tens nada? — replicou Geraldo. — Então a caixa não está cheia de pão?
— Está vazia... vazia como a palma da minha mão...
— Oh! não pode ser! Eu sei que está cheia.
A vista daquela insistência do santo Irmão, que falava com tanta segurança, a mulher foi, abriu a caixa e qual não foi o seu espanto, encontrando-a cheia de belíssimos pães.
O Santo operara aquele milagre para socorrer a pobre senhora. Geraldo amava sinceramente os pobres.

21 de dezembro de 2017

Sermão para o Primeiro Domingo do Advento – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Advento: Tempo de confiança em Deus


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
“Excita, quǽsumus, Dómine, poténtiam tuam, et veni.” Manifestai, Senhor, nós vos pedimos, a Vossa potência e vinde.
O tempo do Advento, caros católicos, é o tempo em que lembramos a esperança da vinda do Messias. A esperança que tinham os patriarcas e profetas. A vinda do Messias, a encarnação do Verbo, manifesta de modo perfeito a infinita onipotência de Deus e a Sua infinita misericórdia a um só tempo. O poder de Deus capaz, então, de encarnar-se, fazer-se homem pela Sua misericórdia, fazer isso para a nossa salvação. E baseados na onipotência de Deus e na Sua misericórdia é que podemos fazer Cristo nascer em nossa alma, ou fazer que seja mais profunda a presença de Cristo em nossa alma nesse tempo do Advento.
O tempo do Advento, caros católicos, é tempo de esperança, é tempo de confiança em Deus. O motivo formal da esperança é, de um lado, a onipotência de Deus – Deus tem o poder, Ele pode nos ajudar – e por outro lado, a Sua misericórdia – Ele quer nos ajudar. Podemos esperar e confiar infinitamente nAquele que é onipotente, nAquele que é infinitamente misericordioso.
Devemos, então, considerar as palavras do introito, que dão o tom não só para essa Missa do Primeiro Domingo do Advento, mas para todo o tempo do Advento. Devemos entranhar em nossa alma a disposição que é expressa no introito, nas primeiras palavras da Missa de hoje. “Ad te levávi animam meam.” A Vós, Deus, elevei a minha alma. Devemos ordenar inteiramente a nossa alma, o nosso ser a Deus. Devemos nos elevar inteiramente a Ele. E, fazendo isso, poderemos, então, confiar em Deus. “In te confido.” Em Vós, Deus, confio inteiramente. Porque Deus é onipotente e misericordioso, porque as palavras Dele não passam, como Ele mesmo diz no evangelho de hoje. Posso confiar nAquele que manifestou a Sua onipotência e a Sua misericórdia desse modo estupendo que é a Encarnação. Em Vós, meu Deus, confio inteiramente. “Non erubéscam.” Não me envergonharei. Não tenho vergonha se ando com Deus, se ando na luz. Por que deveria eu me envergonhar se assim caminho na presença de Deus e unido a Ele? Não devo envergonhar-me de nada e de ninguém, absolutamente, mas preocupar-me com a união com Deus. “Neque irrídeant me inimíce mei.” Nem zombarão de mim, os inimigos de minha alma. A carne, o mundo e o demônio, que querem me levar ao pecado. Não zombarão de mim, certamente, no dia do juízo, quando será dado o prêmio pela vida de virtude que procurei aqui praticar. Se zombam de nós aqui na terra, ou se zombam de mim aqui na terra, logo mudarão e admirarão ou perseguirão seriamente, se eu persevero na virtude. A zombaria não vai durar muito tempo. “Univérsi, qui te exspéctant, non confundéntur.” Todos os que esperam em Vós, não serão confundidos. Salvar-se-ão todos os que esperam em Deus, buscando realmente apoiar-se nEle, buscando sinceramente a salvação. Não serão confundidos no dia do juízo, mas encontrarão o justo juízo de Deus. “Vias tuas, demónstra mihi: et semitas tuas édoce me.” Mostrai-nos, os vossos caminhos, ensinai-nos os vossos atalhos. O caminho de Deus é um caminho de luz e não de sono ou de trevas. Como nos diz São Paulo, precisamente na epístola “… hora est jam nos de somno súrgere”. É já a hora de surgirmos (levantarmos), de nos despertar do sono. Despertar de nossa preguiça, de nossa lentidão, para servir a Deus. Despertar das trevas, para andar na luz. Lembrar que estamos sempre na presença de Deus, caros católicos, sempre na luz. Devemos, então, deixar as obras das trevas, para caminhar durante o dia, como nos diz São Paulo. A luz do dia colocará às claras todas as nossas obras. Essa luz do dia é a ciência divina, que conhece tudo, que manifestará tudo para nossa própria alma no dia do nosso juízo particular, e essa luz que é a ciência divina que manifestará tudo a todos no dia do juízo universal, no dia do juízo final.
Devemos, então, caros católicos, baseados na onipotência divina e na Sua misericórdia, procurar alcançar nesse tempo do Advento, uma das graças que é própria desse tempo: a confiança em Deus. Tenhamos essa confiança, como tiveram os patriarcas e os profetas. Confiaram na vinda do Messias, prepararam essa vinda. Devemos nós confiar de igual maneira nas promessas de Deus, que diz que quer a nossa salvação, que diz que nos dá aquilo que pedimos bem pela oração e quando nos dispomos seriamente a viver bem. Peçamos e iremos receber de Deus aquilo que necessitamos para a nossa salvação. Elevemos a nossa alma a Deus e assim poderemos confiar nEle plenamente. Não nos envergonharemos e nem zombarão de nós os nossos inimigos, nem seremos confundidos aqui nessa vida e no momento do juízo. Preparemos, então, sempre a habitação para Cristo em nossa alma, para que possamos imitá-lO em tudo.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

20 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 423

QUERO SALVAR A MINHA ALMA

Era no sexto século da era cristã. No monte das Oliveiras, perto de Jerusalém, um moço elegantemente vestido conservava os olhos fixos num quadro que tinha diante de si. Aquele quadro representava as penas do inferno, os tormentos dos condenados. Uma sensação de horror passava por todo o corpo daquele jovem nobre e molemente educado. Reunindo todas as forças, tentava voltar as costas aquela cena horrível, quando uma veneranda senhora — que o observava com atenção e lera em seu rosto a salutar impressão produzida pelo quadro — aproximou-se e descreveu-lhe ao Vivo as penas reservadas aos pecadores impenitentes.
— Depressa, filho, salva a tua alma!
— Sim, quero salvá-la — disse o jovem comovido; — mas que devo fazer?
— Se queres salvar a tua alma, vive na oração, no jejum, na continência!
E eis que aquele moço, mole e delicado, se viu de repente envolvido nos mais sérios pensamentos. Uma completa revolução se efetuara em seu coração e, dirigindo-se incontinente a um convento situado perto de Gaza, tremendo bateu à porta e pediu humildemente que o recebessem na comunidade. O abade, à vista daquele jovem, delicado e elegantemente vestido, teve lá suas dúvidas sobre a vocação do mesmo. Não se trataria de uma exaltação passageira? Julgou mais prudente diferir a admissão, mas confiou o moço ao monge Doroteu, o mais pio dos religiosos, para que o examinasse com cuidado. Doroteu fez ao jovem diversas perguntas, mas a resposta era invariavelmente:
— Quero salvar a minha alma; este é o meu único desejo.
Doroteu levou ao abade a resposta e aconselhou-o a não diferir por mais tempo a aceitação do postulante. Admitido entre os religiosos, aquele jovem serviu de edificado a todos por sua vida exemplaríssima. Cinco anos apenas foram suficientes para completar a sua carreira e ter a morte dos justos.
esse jovem, ao qual a consideração das penas do inferno levara a vida religiosa, é conhecido no catálogo dos santos com o nome de São Dositeu.

19 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 422

LA HARPE E A IMITAÇÃO DE CRISTO

Como tantos outros, também La Harpe, um dos mais brilhantes escritores da Revoluto Francesa, fora lacrado no cárcere e esperava o dia de ser guilhotinado. Na mesma prisão achava-se uma jovem marquesa, alma profundamente religiosa. O filósofo ficou encantado com o semblante modesto, doce e resignado da extraordinária prisioneira e perguntou-lhe como conseguira aquela serenidade, aquela quase alegria na véspera de subir ao patíbulo.
A nobre senhora tomou um livrinho, e, entregando-o ao poeta, disse-lhe: “Tomai e lede”. Era o livro, do qual se diz que é o mais belo de quantos tem sido escritos pelos homens e que vem logo depois do Evangelho; era o livro que nunca se abre, mesmo ao acaso, sem tirar dele algum proveito e conforto, e nunca se lê sem se tornar, melhor: era a “Imitação de Cristo”.
La Harpe, o filósofo, abriu o volumezinho mais por curiosidade do que por motivo religioso. A primeira coisa que leu foi: "Começai por estabelecer a paz em vós e, em seguida, podereis procurá-la aos outros. O homem pacífico presta maiores serviços do que aquele que faz sábio o homem. Quanto melhor se sabe sofrer, tanto mais se sabe gozar”.
Essas reflexões abalaram profundamente o ânimo do cético; começou a pensar e orar e pouco depois fazia sua confissão a um sacerdote, chorando e soluçando. Quando saiu do cárcere, levava consigo a paz do coração e, de inimigo que era da religião, tornou-se um apologista da mesma. Os últimos dias de sua vida foram purificados, abençoados e consolados com as verdadeiras alegrias do genuíno fervor religioso.

18 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 421

SÃO JOSÉ DE CUPERTINO E AS OVELHAS

1. O Santo estava um dia a rezar a ladainha da SS. Virgem e não vendo em torno de si, pelas encostas do monte, senão grupos de ovelhas, sem pastor, gritou-lhes:
— Vinde, ovelhinhas de Deus, vinde louvar a Mãe do vosso e meu Senhor.
E começou a entoar as ladainhas lauretanas. As ovelhas não só se aproximaram da santa capelinha, diante da qual se encontrava o Santo, mas a cada invocação a Maria, respondiam na sua natural linguagem com comovente piedade.
2. Uma tempestade matara quase todas as ovelhas de uma vila. Os pastores correram a pedir socorro ao Santo, que, tocando em cada uma das queridas mortas, dizia-lhes: — Levanta- te, em nome de Deus! Levantaram-se todas, menos uma que caiu de novo. São José, com voz mais enérgica e imperiosa, repete: — Levanta-te, te digo, e fica em pé! A ovelha desta vez obedeceu prontamente.

17 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 420

COMO EVITAVA A ESTIMA DOS HOMENS

1. São José de Cupertino evitava quanto podia a estima do mundo. Quando por ordem do superior devia barbear-se, costumava dizer: — Vamos lavar, vamos polir este jumento.
2. Referindo-se o Santo à sua próxima morte, dizia: — O burrinho começa a subir a montanha... Dalí a alguns dias: — O burrinho chegou ao meio da montanha... Próximo da morte, não cessava de sorrir e repetir: — O burrinho chegou ao alto da montanha, já não pode mover-se e está para deixar a pele...

16 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 419

PARA SER SEMELHANTE A ELE

Nosso Senhor apareceu um dia a Santa Margarida Alacoque, tendo numa das mãos o quadro da vida feliz: paz interior, consolações espirituais, saúde perfeita, aplausos e estima das criaturas, enfim, pleno gozo de tudo que possa agradar a natureza; e na outra mão sustentava o quadro da vida atribulada: toda Sorte de humilhações, desprezos, contradições, enfim, continuo sofrer no corpo e na alma. Nosso Senhor disse a Santa:
— Escolha, minha filha!
E Santa Margarida respondeu:
— Senhor, vós só me bastais, escolho o que vós escolherdes. para mim. Fazei o que mais vos agradar...
O Senhor insistiu com ela para que escolhesse; ela, porém, respondeu com as mesmas palavras.
Disse-lhe, então, Jesus que ela escolhera, como Maria Madalena, a melhor parte, a que jamais lhe será tirada. E, entregando-lhe o quadro da vida de sofrimentos, acrescentou:
— Isto é o que escolhi para ti; isto é o que mais me convém para realizar os meus desígnios e tornar-te semelhante a mim.
A santa, osculando a mão do Mestre, recebeu e apertou ao coração aquele quadro da vida que a havia de levar a tão alta santidade.

15 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 418

NÃO QUERO CASAR-ME!

Conta-se que uma noiva, nobre de família e mais nobre de sentimentos, estando já diante do altar, corajosamente recusou seu consentimento ao matrimônio.
E qual foi a causa dessa recusa? No dia do casamento, ao descer a noiva da carruagem diante da igreja, a cauda do vestido nupcial enroscou-se no carro, produzindo-se um rasgão bastante lamentável. Vendo isso, o noivo proferiu uma blasfêmia detestável. Pálida de espanto e indignada, a noiva teve a coragem de fazer ao blasfemador uma leve censura. Ao que ele prontamente respondeu:
— Desculpe-me; é o hábito...
Era o hábito... um blasfemador, portanto, e ela não o sabia. No breve trajeto da porta da igreja ao altar, a piedosa donzela dirigiu a Deus uma prece, tomou uma resolução... Quando o pároco lhe dirigiu a pergunta: — A sra. quer receber a Fulano por seu marido?... Ela respondeu alto e claramente: — Não, senhor!
Surpresa geral... murmúrio...
O pároco repetiu a pergunta. A resposta foi a mesma.
Aflitos, interrogam .a noiva... querem saber, a causa.
Ela responde: — Com um blasfemador não me casarei!...
Dois meses mais tarde, a corajosa donzela, entrando para o convento, achava seu verdadeiro esposo — Jesus Cristo!

14 de dezembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 417

RESPONDEU BEM

Luisa Broots, famosa artista americana, escreveu ao conhecido escritor inglês Bernardo Shaw, propondo-lhe casamento. Qual a razão que ela apresentava? Esta: — Para poderem ter — dela, que era formosa, e dele, que era um grande talento — filhos maravilhosos, esplêndidos e talentosos! Qual foi a resposta de Shaw? Esta:
— Sinto ver-me obrigado a recusar a vossa gentil proposta. Não quisera correr, o risco de ter filhos feios como eu e sem juízo como vós!

13 de dezembro de 2017

As Mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 20

20. A MISSA NOS PRIMEIROS TEMPOS.

A Eucaristia desde os primeiros dias da Igreja foi de suma importância para os cristãos e centro de todos os seus cultos. A reunião litúrgica, que nos descrevem os Atos dos Apóstolos, era a celebração da Santíssima Eucaristia. São cerimônias simples a princípio, que renovam a última ceia, como o Divino Mestre recomendara aos Apóstolos: "Fazei isto em memória de mim:"
Aos poucos estas cerimônias eucarísticas, a união dos fiéis com Cristo pela comunhão, recebem maiores solenidades, especialmente na sua preparação que consiste em preces e súplicas. Textos sublimes do Antigo Testamento, como as preces dos Salmos, são incluídos nas cerimônias eucarísticas, bem como passagens da vida de Nosso Senhor e que se encontram nos Evangelhos.
A estas celebrações se deu o nome de Missa. Nos tempos mais antigos em que o grego era língua oficial dos cristãos, estas cerimônias se chamavam Eucaristia, e às vêzes eulogia, que significa bênção. O nome que prevaleceu nas épocas posteriores foi o de "Missa".
Estudando os antigos escritos dos Padres da Igreja, e vendo as pinturas das catacumbas, podemos ter uma idéia do que consistia a missa nos primeiros tempos cristãos, no fim do século II ou início do século III.
Estas cerimônias eram celebradas em casas particulares, onde se reuniam os fiéis; muitas destas casas eram doadas às comunidades que as transformavam em Igrejas. Estas se tornavam cada vez mais vastas, pois aumentava sempre o número dos fiéis. As igrejas surgiram numerosas, pois durante as perseguições decretos foram assinados pelos Imperadores, para que elas fôssem destruídas.
Muitas vezes as missas eram celebradas nas catacumbas,especialmente quando violentas eram as perseguições, e lá se refugiavam os fiéis. Também na comemoração de um mártir, nos dias de sua festa, os sacrifícios eucarísticos eram celebrados em seu louvor diante de seu túmulo.
Com maiores solenidades eram celebradas as missas de domingo,quase sempre à meia noite, terminando ao despontar da alvorada.
Ainda hoje se celebram missas à meia noite, como no Natal,relembrando as antigas tradições.
A Missa, como ainda hoje, se dividia em duas grandes partes. A primeira podiam assistir os catecúmenos, aquêles que se preparavam para o batismo. O celebrante se conservava voltado para o povo, saudando-o várias vêzes, durante a cerimônia. As orações ao pé do altar não existiam, e o Introito somente apareceu no século IV, com os cânticos de salmos, enquanto o celebrante se dirigia ao altar. A Missa dos Catecúmenos era de orações e de instrução. Pedia-se a Deus pelos catecúmenos, para que suas preces fôssem acolhidas e êles instruídos na doutrina e nos mandamentos do Senhor; pedia-se pelos recém batizados, pelos doentes, escravos, pelos mártires que aguardavam o suplício. A
estas súplicas feitas pelo diácono, os fiéis respondiam com as palavras gregas que ainda conservamos na missa: Kyrie eleison!
Senhor, tende compaixão de nós!
O celebrante, logo depois, recitava a oração da missa na súplica geral por todos, que no final respondiam: "Amém".
Colocado em lugar mais elevado o leitor lia para todos trechos do Antigo Testamento, passagens das Epístolas de S. Paulo, e de outros apóstolos, dos Padres da Igreja, dos Atos dos Apóstolos, ou narrativas dos mártires.
A leitura do Evangelho era feita por um diácono e os fiéis de pé e atentamente a escutavam. Terminada a leitura, o celebrante fazia os comentários sobre o trecho lido, ou escolhia um pregador para fazer a homilia.
Assim termina a Missa dos Catecúmenos, que reproduz, por assim dizer, a liturgia das sinagogas. O Credo que era recitado apenas nas profusões de fé ou em alguma outra circunstância, só mais tarde é introduzido na missa.
A segunda parte é a Missa dos Fiéis; os catecúmenos se retiravam era Igreja. A liturgia atual da missa conserva quase todas as cerimônias antigas na preparação e realização do augusto sacrifício.
Na missa cios fiéis encontram-se as três partes essenciais do sacrifício: o ofertório, a consagração e a comunhão.
Antes do ofertório, os fiéis levavam até o altar a matéria do sacrifício: o pão e o vinho. O simbolismo sublime desta cerimônia, em que os fiéis depositam no cibório a hóstia para a sua comunhão, é, como se vê, costume antigo na Igreja, revivido hoje nas Procissões do Ofertório, já comuns em muitos lugares.
Os antigos fiéis, além do pão e vinho para a consagração, ofereciam esmolas para os pobres, viúvas e para as obras de caridade. Os diáconos separavam as ofertas, depositando o vinho e o pão sobre o altar.
Pelas orações chamadas secretas, o sacerdote, como ainda hoje, pedia ao Senhor que em troca dos dons terrenos, concedesse ao povo os dons do Céu.
Aproximando-se o momento mais solene de toda a cerimônia, o celebrante convidava os fiéis à piedade e ao fervor: "Corações ao alto!” "Temo-los no Senhor!” “Dêmos graças a Deus.” “Isto é digno e justo!" "Verdadeiramente”, continuava o sacerdote, “é digno e justo que vos rendamos graças, ó Senhor, Santo, Pai Todo Poderoso e Eterno". O prefácio é um cântico de triunfo e de glória, é um convite à união com as hierarquias dos anjos, para bendizer e louvar a Deus. Termina pelo Sanctus, que é um hino celestial: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos. Os céus e a terra estão cheios da vossa glória. Hosana no alto dos céus. Bendito seja o que vem em nome do Senhor. Hosana no alto dos céus". É um cântico sublime que os bem-aventurados cantam no céu, como descreve São João, na visão do Apocalipse.
Pinturas nas catacumbas nos mostram o sacerdote com as mãos estendidas sôbre o pão e o vinho para tomar posse sobre a vítima,pronunciando depois as palavras solenes da Consagração, exatamente as mesmas proferidas por Cristo na última ceia.
A Última parte é a comunhão. O sacerdote, como fez Cristo, parte o pão: é a fração do pão, com que também se designava a missa outrora. A Didaqué nos fala da prece da unidade, que se pronunciava então: "Assim como este pão estava, nos seus elementos, disperso pelas colinas e se encontra agora reunido, permiti, Senhor, que a nossa Igreja se reúna desde as extremidades ela torra..."
A comunhão era dada sob as duas espécies do pão e do vinho. O sacerdote oficiante dava aos fiéis a hóstia sagrada, pronunciando as palavras: Coreus Christi. E o fiel respondia: Amém! O diácono trazia o cálice que contém o precioso sangue: Sanguis Christi calix vitae, e comungante bebia um pouco.
A última prece era o agradecimento a Deus pelas graças e benefícios, pela comunhão recebida. "Ite, missa est!"
Prostrados os fiéis recebiam a bênção do celebrante, e a Missa chegava ao seu final.
Assim se celebravam nos primeiros tempos as santas missas, sacrifício único da Nova Lei em que Jesus Cristo, pelo ministério do sacerdote, se oferece e se imola no altar sob as espécies do pão e do vinho, para reconhecer o supremo domínio de Deus e nos serem aplicados os méritos de sua paixão e morte de cruz.
Na assistência piedosa à santa missa, e na participação ativa dela,encontravam os primeiros cristãos a força que os animava à santidade de vida e ao martírio. Possuíam Cristo em suas almas e nada seria capaz de os perturbar.
A Missa que hoje se celebra é essencialmente a mesma dos primeiros tempos do cristianismo: Renovação do Sacrifício do Calvário. E a liturgia atual conserva as antigas cerimônias, tão ricas em seus simbolismos.
Desde a origem da Igreja incessantemente se renova sobre os nossos altares o sacrifício de Cristo, em todas as épocas, do Oriente ao Ocidente, do nascer ao pôr do sol, santificando as almas e espalhando para toda a humanidade os frutos abundantes de vida e salvação do Sacrifício do Cordeiro de nossa Redenção.

12 de dezembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Desposada


Parte 8/8

Que belas são todas estas cenas! Com que gosto terminaríamos aqui, se não fosse necessário condenar um abuso e uma profanação.
O espírito pagão invade tudo, e uma das coisas santas que mais corrompeu, foi precisamente o casamento. Deixemos bem assente que há casamentos autenticamente cristãos; para eles o nosso maior elogio, pois tem o mérito de ir contra a corrente moderna.
Alguns casamentos são uma hipocrisia, porque o vestido branco da noiva, e o ramo de flores brancas que leva na mão, são símbolo de uma pureza imaculada, e essa pureza ficou sepultada entre o lodo das relações.
Hipocrisia, porque toda a cerimônia está cheia de orações pedindo a bênção dos filhos, quando eles levam no coração ideias criminosas para os evitar.
Alguns casamentos são alarde de uma riqueza loucamente desbaratada, que Jesus Cristo não pode abençoar; porque é um insulto a tantos pobres que estão sofrendo miséria.
Alguns casamentos são um espetáculo profano, e mais que profano, escandaloso, pelos vestidos indecorosos das mulheres: os das convidadas piores que os da noiva. Vestidos que na Igreja se procuram encobrir um pouco e que nas salas de baile se exibem com toda a insolência e procacidade.
Porque se profanaram tanto as cerimônias do matrimônio, nalgumas nações retira-se o Santíssimo da Igreja. Que matrimônio pode haver, se Jesus Cristo tem de se retirar no momento de se celebrar?
Se Jesus Cristo é quem tem de o abençoar e o tiram dali, porque não pode estar presente; quem abençoara esse matrimônio? Ainda que não se chegue a isso, procura-se celebrar o matrimônio de tarde, com o que se suprime a missa nupcial, fonte de bênçãos, e ainda por cima fica por diante toda a noite mais propícia do que o dia para ocultar toda a classe de excessos.
Jesus Cristo quis estar presente no banquete das bodas de Caná e em espírito quer estar presente nos banquetes das bodas de todos os cristãos.
Mas ... poderá estar presente neles?
Poderá estar entre a nudez das mulheres? Poderá estar entre as conversas e ditos grosseiros dos homens e das mulheres? Poderá estar entre as mulheres que fumam, bebem e se embriagam?
Poderá estar durante o baile, resumo de toda o atrevimento, rebaixado ainda pela nudez, pelo álcool, e pela natureza das danças, alguma francamente obscenas? Termina tudo a altas horas da noite, com um aluvião de pecados e de escândalos.
Não é possível serem felizes os casamentos começados sob tais auspícios.
A sociedade está chagada de catástrofes matrimoniais.
Investigai como foram as bodas desses casamentos.
À medida que se vão profanando as santas cerimônias do matrimônio, vão-se multiplicando os desastres matrimoniais.
Jovem que aspiras a casar, medita um pouco nisto.
Se queres um lar feliz, começa por celebrar uma boda cristã.
Que a tua boda seja semelhante a boda da Virgem Maria e o teu lar será feliz como o seu.

11 de dezembro de 2017

As Mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 19

19. AS CATACUMBAS ROMANAS

Símbolo indestrutível da vida dos cristãos nos primeiros tempos, as catacumbas romanas se estendem pela Roma subterrânea, através de imensas galerias que atestam a grande fidelidade da Igreja primitiva.
Perseguida sobre a terra, impedida de oferecer a Deus o santo sacrifício à luz do sol, a cristandade se colocou sob a terra, desceu à profunda cidade subterrânea, escondendo-se de seus algozes tiranos e entregando-se à vida recolhida de oração.
Designavam as catacumbas, primeiramente, o cemitério subterrâneo situado sob a Via Ápia junto à Basílica de São Sebastião. Por existir perto daí uma depressão do terreno, este cemitério se chamou catacumba do grego kaia, perto de, e kimbos, cavidade. O mesmo nome se estendeu depois a todos os cemitérios subterrâneos de Roma.
Já no Egito e na Fenícia há muito se construíram os cemitérios subterrâneos e em outras partes encontram-se também vestígios de semelhantes necrópoles.
São as catacumbas de Roma as mais importantes, as mais gigantescas do mundo e dentre as mais antigas encontram-se as de Comodila, na Via Ostiense, onde repousou o corpo de São Paulo, as de Santa Priscila, Santa Domitila, São Clemente e São Sebastião.
Durante as perseguições, os cristãos se reuniam nas catacumbas para praticar seus cultos. Aí se fazia também a catequese, e à sombra dos milhares de mártires que sacrificaram sua vida por Cristo, os cristãos hauriam a força e resistência para suportarem as perseguições e o martírio.
Flávia Domitila, a sobrinha de Vespasiano, que se tornou cristã, mandou cavar em terrenos de sua propriedade uma sepultura para membros de sua família, que eram cristãos.
Ao lado, mandou cavar galerias funerárias para os cristãos que pertenciam às classes mais humildes. E foi assim que se multiplicaram estas necrópoles subterrâneas ao longo das estradas romanas, e que se alargavam sempre mais com o crescimento constante da Igreja.
Em alguns pontos estes corredores chegam a ter cinco andares e os mais fundos têm mais de vinte metros de profundidade. As catacumbas se estendem mais ou menos ao longo de 1200 quilômetros de comprimento.
São lugares maravilhosos, onde não sabemos o que mais admirar: se a constância dos cristãos que aí recolhidos vivia ma sua fé, se a imensidade destes cemitérios, com as suas salas vastas, ou se as grandes decorações e pinturas, que a arte cristã primitiva aí gravou, retratando cenas do Antigo Testamento, ou então as mais belas passagens do Evangelho de Cristo.
As numerosíssimas inscrições que se encontram nas catacumbas apresentam grande importância histórica, porque revelam documentos sobre a vida e fé dos primeiros cristãos, confirmando que os dogmas da Igreja primitiva eram substancialmente os mesmos da Igreja atual. Além disto, as numerosas pinturas nos permitem estudar a singeleza da arte cristã primitiva.
O fato dos cristãos terem descido às catacumbas, para honrarem os santos mártires, celebrarem os seus sagrados mistérios, e aí encontrarem um abrigo que os garantiria em meio às perseguições, não nos permite concluir que nos primeiros tempos este era o seu único "modus vivendi".
Se assim o fosse, como poderíamos explicar o seu crescimento, não apenas na própria sociedade romana, como também sua progressiva difusão por todo o Império?
E Tertuliano, o grande escritor eclesiástico, desfaz qualquer dúvida, quando afirma: "Nós, os cristãos, não vivemos à margem do mundo.
Frequentamos o Foro, os balneários, as oficinas, as lojas, os mercados, as praças públicas. Somos marinheiros, soldados, agricultores e negociantes".
Na Carta a Diogneto, afirma-se que "os cristãos não se diferenciam das demais pessoas, nem pelas vestes, habitação, nem pelos alimentos."
Mas apesar de tudo isto, as dificuldades eram inevitáveis entre os cristãos e a sociedade pagã, e aumentavam sempre, dada a influência cada vez maior da nova doutrina.
E foi assim que os cristãos começaram com suas reuniões clandestinas, favorecidos pela lei romana que respeitava como sagradas as propriedades onde dormiam os mortos.
As catacumbas tornaram-se em nossos tempos centro de curiosidade e de visitas de todos aqueles que vão à cidade eterna.
Através dos ambulacros podem-se observar os grandes nichos que se cavaram ao longo das paredes. Aí estiveram os corpos dos mártires do cristianismo, e de respeito e veneração cobrimos estes lugares santificados pela presença dos heróis da fé cristã.
Assim são as catacumbas, "verdadeiras cidades da noite e da morte", no dizer de Daniel-Rops, terra santa que nos lembra o frescor da caridade e fidelidade de nossos primeiros irmãos cristãos.
Aí se encontram as mais belas inscrições que foram gravadas pelo sangue dos mártires do cristianismo ! Os seus nomes permaneceram sobre um pedaço de argila ou em pedras, como verdadeiros símbolos de uma época de fé e fortaleza, para a admiração da posteridade.
São as catacumbas a imagem da Igreja primitiva, onde se conservam as mais belas relíquias do cristianismo.
Relíquias dos corpos dos santos mártires, relíquias da pujança e vitalidade do cristianismo que surgiu glorioso das catacumbas romanas para conquistar o mundo.

10 de dezembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Desposada


Parte 7/8

Depois, a missa nupcial. Até os pagãos sentiram a necessidade de enriquecer as cerimônias nupciais com algum sacrifício aos seus deuses.
A Igreja quer que o matrimônio de seus filhos seja seguido do grande sacrifício da missa.
A missa pelos esposos é um conjunto belíssimo de passagens do Antigo e do Novo Testamento, relacionadas com o matrimônio.
É famosa a carta de São Paulo, em que compara a união dos esposos com a que tem Jesus Cristo com a sua Igreja. 
O Evangelho, em que Jesus Cristo proclama a indissolubilidade do matrimônio. Salmos, em que se descreve a grandeza e a fecundidade do matrimônio.
Orações, em que se pede para os esposos união inviolável, prole numerosa, vida longa e depois a vida eterna. Se os esposos recebem a comunhão, e a recebem dignamente, os seus corações ficam unidos com uma união mais intima; ficam fundidos num só, na fornalha ardente do coração de Jesus Cristo.
Terminada a missa, a esposa leva um ramo de flores brancas, símbolo da pureza que conservou com a ajuda da Santíssima Virgem; por isso dirige-se ao seu altar, para entregar-lhe aquele ramo de açucenas, e a Virgem põe-lhe nas mãos outro ramo de rosas vermelhas, símbolo de amor: amor ao esposo e aos filhos; rosas que terão alguns espinhos.

9 de dezembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Desposada


Parte 6/8

Depois do consentimento matrimonial, que constitui e essência do matrimônio, a Igreja ajuntou algumas cerimônias símbolos de realidades. Uma dessas cerimônias é a bênção das arras. Treze moedas que o sacerdote benze e entrega ao esposo para que ele por sua vez as deposite nas mãos da esposa. A entrega dessas moedas é símbolo do dinheiro, fruto do seu trabalho, que o marido dará depois à esposa para ajudar à administração da casa. É simbolo também da união dos bens materiais que há de existir entre os esposos. Depois benzem-se as alianças. O sacerdote põe-na ao esposo, e o esposo põe-na na esposa.
As alianças simbolizam as uniões dos corações. A aliança é o sinal exterior e público, que diz a todos: Esta pessoa é casada, e portanto não pode dispor de si livremente, pois pertence a outro. Diz isto em primeiro lugar ao próprio que a traz.
Quando chega a tentação, o anel com o seu fulgor grita: "Não entregues o teu coração, não sejas traidor, não sejas perjuro". 
O anel também é um escudo defensor. Está a dizer ao tentador: "Vai procurar outra, esta pessoa é casada".
O mal de hoje é que nem os tentadores nem as tentadoras se detêm perante os fulgores de um anel nupcial. O mal é que os esposos não se importam de ostentar o anel enquanto ele flerta com uma e ela faz o mesmo com outro. Os que abafam a voz da consciência mais facilmente abafam a do anel.
O sacerdote toma pela mão os esposos e leva-os até ao altar. Pelo caminho entoa um salmo, que se pode chamar o hino dos esposos. 
"Tua esposa será como a videira fecunda ao lado da tua casa.
Teus filhos como rebentos de oliveira à volta da tua mesa.
Assim será abençoado o homem que teme o Senhor".
Para certos matrimônios, estas orações são um sarcasmo.
Os filhos, uma bênção de Deus ...
Alguns dirão em seu coração: "cala-te, sacerdote, cala-te; não queremos semelhantes bênçãos".


8 de dezembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Desposada.


Parte 5/8

Mais que um retrato da Virgem viste uma película dos seus esponsais.
A seguir, outra película: a do teu casamento, se Deus quiser que te cases; ou a de outros casamentos para que se forme em ti o critério cristão.
Chegou o momento emocionante, a aspiração suprema da tua vida: vais vestir-te para ires à igreja casar-te.
Jovem, quem quer que sejas, chama a Santíssima Virgem, para que te acompanhe enquanto te preparas e te diga se há alguma coisa que a desgoste. Sais de casa. Esperam-te com curiosidade a porta da igreja. És a heroína da festa, a figura da atualidade. Para ti são todos os olhares e comentários: uns de louvor, outros de crítica, outros de inveja.
Aos acordes de uma marcha nupcial, caminhas sobre o chão tapetado. Vais devagar ... devagar, para que todos te vejam bem.
Vais devagar ... são uns momentos tão felizes que querias não terminassem nunca ... mas caminhas.
Vais caminhando sobre um tapete de flores ... Se fosse assim todo o caminho de casada que terás de percorrer!
Os padrinhos apresentam-se ao sacerdote, revestido de uma capa branca de asperges. Ali estão as testemunhas, os convidados, todos de pé.
Jovem, esquece o teu vestido, esquece tudo o que te rodeia e põe toda a tua atenção nas palavras que o sacerdote em nome de Jesus Cristo vos vai dirigir. Devias tê-las lido e meditado antes muitas vezes. Ouve, e procura entender o que vais fazer. O sacerdote fala-te do matrimônio, sacramento de instituição divina, pelo qual Jesus Cristo te dará as graças de que necessitas para cumprires os teus deveres. Esses deveres são tantos, e tão difíceis, que bem necessitarás dessas graças. Fala-te do fim do matrimônio. Não te casas para te libertares da tutela dos pais, e para que o teu marido te passeie pelos lugares de diversão. Casa-te, ouve-o bem, para criar filhos para o céu. É o fim principal do matrimônio. Todos os filhos que Deus quiser dar-te. Se não queres filhos, se o seu peso te vai ser insuportável, ainda estás a tempo, volta para tua casa.
Casai-vos para vos ajudardes a suportar o peso da vida, não para tornar a vida mais pesada.
Casai-vos para acalmar licitamente a concupiscência; não para a excitar mais. O sacerdote vos diz que grande pecado é o adultério.
antigamente castigava-se com a morte do culpado; agora e sempre com a morte da alma e com o inferno eternamente.
Esposa, fixa bem o que te vai dizer agora o sacerdote, porque o tens de recordar muitas vezes. Vós, a esposa, deveis estar sujeita ao vosso marido, em tudo. A mulher obedeça e seja atenciosa com o seu marido; o marido para ter paz ceda muitas vezes do seu direito e autoridade. Tu, obedeces por obrigação. Teu marido, cede do seu direito para bem da paz. Se se cumprisse isto, quantos matrimônios seriam mais felizes!
De novo se dirige a ti o sacerdote: "Não cuides excessivamente dos adornos do corpo; cuida mais da formosura da alma". Segue o conselho e suprimirás outra fonte de desgostos. Avisa-te por fim da conta que terás de dar a Deus de ti, de teus filhos e de toda a família. Cumpre tudo bem, pois isto será provavelmente a causa da tua condenação. Não poderás alegar a desculpa de que não te avisaram.
Termina a exortação, e chegou o momento decisivo de que vai depender a sorte da tua vida, talvez da tua eternidade. O sacerdote pergunta aos presentes, se haverá algum impedimento. Todos se calam. Então, a contrair o matrimônio, vós ides ser os ministros do sacramento. Ides fazer descer as graças do céu sobre as vossas almas. O sacerdote está ali presidindo a cerimônia, como Deus no paraíso. Está ali, em nome de Jesus Cristo, autorizando a entrega mútua que ides fazer de vós mesmos. Ao batizar-vos, passastes a ser possessão de Jesus Cristo. Não podeis dispor de vós sem autorização sua.
Estás muito emocionada; para facilitar-vos um ato tão impressionante, o sacerdote faz-vos as perguntas:
-" Queres esse jovem que tens a teu lado por teu legitimo esposo/"
Responde que sim, que queres.
A mesma pergunta faz a ele.
Responde também afirmativamente. Já estais casados. Para simbolizar a vossa união, o sacerdote junta as vossas mãos. Depois traça sobre vós o sinal da cruz e salpica-vos com água benta.
São símbolos das graças que estão descendo do céu sobre vós. O que Deus uniu, o homem não deve separá-lo.

7 de dezembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Desposada

Parte 4/8

Quando o anjo tranquilizou José, diz a Sagrada Escritura que este levou Maria para sua casa. Quer dizer, celebrou-se o ato solene da condução da esposa à casa do esposo.
Esta cerimônia punha em alvoroço toda a povoação e ainda toda a região. Todos se achavam no direito de tomar parte na alegria da festa. Os esposos recebiam como que honras reais. Por uns momentos sentiam-se reis, assim se lhes chamava: o rei Salomão e a rainha Ester.
Era uma manhã de primavera. As mulheres nazarenas comentavam ruidosamente o sucedido. Todas estão alegres. Maria e José são queridos na povoação, e toda ela vai participar na festa.
- Dizem que Isabel veio de Ain Karin para se encarregar de vestir sua prima.
- Parece que foi Maria quem a chamou. Não querem que a vistam as amigas. Maria foi sempre muito recatada.
- Ainda que não lhe tivesse pedido, Isabel teria vindo, sempre se estimaram muito.
- Era pelo menos o que podia fazer para agradecer a Maria os meses que esteve em sua casa.
- Dizem também que a noiva não quer levar adornos demais. Para já, não quer que lhe pintem as faces, nem os lábios, nem as unhas, nem os cabelos, nem que lhe deem colírio para os olhos.
Alguma mais vaidosa replica:
- Pois eu não a louvo por isso, devia fazer como as outras.
- Pois eu não acho mal - replicaria outra - para mais não o necessita. É suficientemente formosa e talvez as pinturas a prejudicassem.
- E quanto tempo vão durar as festas do casamento?
- São de posição modesta e não as poderão prolongar pelos sete dias.
- Contentar-se-ão em ficar bem com todos; para mais, Maria é órfão de pai e mãe. Sentirá a falta deles nesse dia.
Os grupos de mulheres separam-se com a ideia de irem todas à festa.
Pela tarde, ao pôr do sol, teve lugar a cerimônia.
Maria estava vestida com uma túnica grande, e sobre ela um amplo manto. Na cabeça uma coroa. Não quis pôr outros adornos. Estava em sua casa acompanhada das suas amigas, que tinham lâmpadas acesas na mão, para iluminar o caminho que a comitiva seguirá. Esperavam a chegada do noivo.
José estava em sua casa acompanhado dos seus amigos. Como era de posição humilde, não foi a casa de Maria a cavalo, como outros costumavam fazer. Leva também uma coroa na cabeça.
Ao chegar a comitiva a casa de Maria, as jovens companheiras romperam em aclamações. Em seguida organiza-se o cortejo nupcial, que percorre todas as ruas da povoação. Os archotes iluminam o caminho. A música das flautas e pandeiros é acompanhada com o bater das mãos, os gritos jubilosos e as aclamações. 
Os que encontram o cortejo incorporam-se nele e dançam na frente dos esposos.
A casa de José está adornada com murta e loureiro.
Para os noivos está levantado um trono com dossel. Quando subiram para ele, colocam sobre a cabeça de ambos o taleth ou a fita da oração. E começa a cerimônia. O rosto de Maria cobre-se de leve tristeza. Ali devia estar seu pai para presidir a cerimônia. Para fazer as suas vezes, talvez tivesse vindo de Ain Karin, Zacarias, acompanhado de sua esposa Isabel.
Zacarias segura a mão direita de Maria, e junta-a com a esquerda de José e pronuncia a oração ritual: "Que o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob seja convosco e vos una; que vos dê a sua bênção e vos deixe ver os vossos filhos e os filhos de vossos filhos até a quarta geração". Os esposos bebem do mesmo copo e ouvem a leitura do contrato matrimonial.
A seguir celebra-se o banquete nupcial, esse banquete que repetidas vezes Jesus compara com o reino dos céus.

6 de dezembro de 2017

VI Congresso São Pio V - Palestra "A importância de Nossa Senhora no Apostolado" - Pe. Ivan Chudzik

Prezados Leitores do blog São Pio V, Salve Maria!

Estamos disponibilizando a quarta palestra do VI Congresso São Pio V, "A importância de Nossa Senhora no Apostolado", a qual foi proferida pelo Padre Ivan Chudzik. Salientamos que o congresso faz parte do apostolado do IBP no Brasil, o qual tem o apoio da Associação Civil São Pio V e da Associação da Vila Militar. Assistam e divulguem a publicação!

Um grande abraço em Cristo Nosso Senhor!

Blog São Pio V
4ª Palestra - "A importância de Nossa Senhora no Apostolado" - Padre Ivan Chudzik


3ª Palestra - "Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil" - Padre José Zucchi

2ª Palestra - "Nossa Senhora de Fátima e sua mensagem" - Padre Thiago Bonifácio

1ª Palestra - "A Esperança em Nossa Senhora de Fátima" - Padre Renato A. Coelho