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27 de dezembro de 2017

As mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 21

21. CONSTANTINO E A VITÓRIA DO CRISTIANISMO

Constantino, jovem príncipe, filho do Augusto Constâncio Clero, já se tornara conhecido pelo seu garbo e valentia, grangeando a afeição e estima de Diocleciano. Proclamado Augusto pelas legiões da Bretanha, após a morte de seu pai, Constantino teve que desbaratar os exércitos daqueles que pleiteavam o título de Imperador.
Enquanto Licínio, que no Oriente substituíra o perverso Galério, liqüidava o exército de Maximino, Constantino marchava para derrubar o usurpador Maxêncio, que estava senhor de Roma. Isto aconteceu em 312, após um encontro entre Constantino e Licínio.
Seguindo os passos de seus pais, Constantino se mostrava favorável aos cristãos e aguardava oportunidade para lhes conceder a liberdade de culto, quando um fato milagroso veio apressar o seu desejo.
Ao aproximar-se do rio Tibre, no avanço contra as tropas de Maxêncio, divisou no céu uma luminosa cruz e em caracteres brilhantes as palavras: "In hoc signo vinces - por este sinal vencerás". Historiadores como Eusébio e Lactâncio nos trazem alguns esclarecimentos que são de grande importância para o julgamento da posteridade. Eusébio declara formalmente que na luta contra Maxêncio, "Constantino invocou a Cristo e lhe ficou devendo a vitória". Continua a sua versão, afirmando que Constantino, no momento da luta, apelou para o Deus dos cristãos e em pleno dia viu no céu uma cruz luminosa com estas palavras: "'Com este sinal vencerás". Depois, Cristo lhe apareceu, mostrando-lhe a sua cruz e ordenando ao Imperador que fizesse uma insígnia que a representasse.
Lactêncio se refere a um êxtase que teve Constantino pouco antes da batalha, durante a qual recebeu de Cristo ordem para colocar sobre o escudo de suas tropas um sinal formado pelas duas letras gregas CH e R, o monograma que se encontra nas moedas e inscrições constantinianas.
A frente dos exércitos de Constantino apareceu desde este momento o Lábaro, estandarte em forma de cruz. O monograma de Cristo e a cruz fulguravam nos capacetes de seus soldados. gravou-se luta renhida e Constantino derrotou o seu opositor que se afogou nas águas do Tibre.
Como triunfador, Constantino entra em Roma sob o delírio e aclamações de todos, especialmente dos cristãos que saudavam jubilosos e reconhecidos uma nova era de paz e tranqüilidade após três séculos de perseguições e opressões cruentas.
Pouco depois em Milão, de acordo com Licínio, promulgou o famoso Edito de Milão que concedia a liberdade absoluta dos cultos e restituía à Igreja todos os bens que lhe foram confiscados durante as perseguições. Dava-lhe o direito de ser ajudada a reconstruir e reerguer as suas ruínas.
Era o início de uma era auspiciosa para a Igreja, que alicerçada no heroísmo de seus mártires e na fidelidade de seus membros, iria ressurgir gloriosa, mostrando ao mundo o valor e força com que vencera as perseguições.
O Edito de Milão era o triunfo oficial do cristianismo. A igualdade de condições entre o cristianismo e o paganismo, outra cousa não era senão o reconhecimento do Império de que se enganara ao tentar destruir a Igreja, e significava o declínio das antigas crendices do paganismo e a ascensão definitiva do cristianismo.
Os cristãos sabiam que não poderiam ser superiores a Cristo que afirmou: "O discípulo não é mais que o mestre."
Se Cristo foi perseguido, também eles seriam alvo de ódio e de opressões. O drama do Calvário fora antes o início de uma luta constante que se desenvolveria nos séculos, cujo desfecho seria o triunfo de Cristo.
Assim, a Igreja, fortalecida pelas palavras de Jesus - "nada temais, eu venci o mundo", aparecia gloriosa após as lutas e perseguições, desdobrando, orgulhosa, perante a posteridade, os nomes gloriosos ele seus mártires, cujo sangue profusamente derramado fora na verdade semente abençoada de cristãos.
A Constantino, sem dúvida, a Igreja deve a consolidação de suas posições e o seu fortalecimento que a tornou inexpugnável diante cias outras lutas que se seguiram.
Os historiadores cristãos traçam os maiores encômios e elogios à figura de Constantino que, não obstante admirar e proteger muito os cristãos, e tudo fazer para extinguir o paganismo, teve que suportá-lo num Império onde os cristãos ainda eram a minoria, e destruir de vez o paganismo lhe teria sido muito difícil.
Não poderia a história deixar de mencionar também os desmandos praticados pelo grande Imperador e que no entanto vivia em uma época em que a vida humana tinha valor relativo: Deste modo, ainda
um pouco submisso às tendências pagãs, torturou os seus adversários vencidos, mandou estrangular a Licínio, seu cunhado e aliado, com quem se desentendeu, e não poupou à sua fúria violenta o seu próprio filho Crispo e sua esposa Fausta.
Constantino procurou estabelecer uma política cristã, reconhecendo a sua missão de representante de Deus, e afastando do Imperador o título "divino", usurpado pelos seus predecessores.
Uma grande transformação se operou no Império pela ação salvadora do Imperador Constantino. Ao lado do único poder universal que era o Império Romano, o reconhecimento de um só Deus verdadeiro. Era a doutrina cristã que se espalhava, afastando os ódios de entre os povos, e levando a paz ao mundo. A doutrina cristã do amor foi substituindo 0 ódio do paganismo. A humanidade começava a se cristianizar. Privilégios se concederam à Igreja e ao Clero. Editos se promulgaram condenando os suplícios, reorganizando a família, dando melhoria de condição aos escravos.
Leis morais foram assinadas, para que a sociedade fosse construída no respeito e na dignidade. É a sociedade pagã que cedia o lugar à sociedade cristã.
O domingo e as grandes festas litúrgicas - Páscoa, Natal, Pentecostes - são colocadas no calendário, aos poucos abafando as tradicionais festas pagãs. Por toda parte no Império se erguem as Igrejas cristãs e se constroem as famosas basílicas constantinianas para o culto do verdadeiro Deus. As divindades pagãs e os velhos deuses desaparecem e em seus lugares surgem as imagens dos santos.
O princípio de unidade e de ordem, que centralizava a política de Constantino, será perfeitamente encontrado no cristianismo que fazia da unidade a sua perfeição, e da ordem a firmeza de sua disciplina pela hierarquia da Igreja. Os cristãos já eram, aceitos como funcionários públicos e os princípios evangélicos eram colocados em prática sob a proteção do Império.
Estas e muitas e grandes vantagens usufruídas pela Igreja na grande transformação que Constantino realizou, tornando um Império pagão em um Império cristão.
Mas a Igreja que saíra vitoriosa das perseguições, onde a fé e o heroísmo de seus mártires foram postos à prova, iria reiniciar um nova luta: a pouca fé, a ignorância e fraqueza de muitos daqueles convertidos que estavam longe de representar os que tombaram corajosa e galhardamente na arena das opressões. Os domínios temporal e espiritual acabaram se confundindo, e a Igreja, que gozava de ilimitada proteção do Estado, deveria se submeter às muitas intromissões do poder temporal. Dificilmente poderia ser posta em prática, nestas circunstâncias, a grande sabedoria do preceito de Cristo: "Dai a César o que for de César e a Deus o que for de Deus."
Foram estas dificuldades que levaram Renan a exclamar, embora com exagero: "O cristianismo soçobrou na vitória."
Jacques Zeiller, historiador católico, foi mais sereno ao referir-se à situação: "Apenas libertada da opressão, a Igreja ia conhecer uma prova talvez mais terrível ainda que a hostilidade: a proteção tão facilmente onerosa do Estado." Felizmente, a gravidade da situação que ia tomando proporções de caráter prejudicial aos interesses da própria doutrina cristã do amor, foi pressentida por inteligentes e
serenas figuras da Igreja, que se opuseram anos mais tarde aos excessos de influência oficial.
Foi o início dos sérios conflitos entre a Igreja e os poderes temporais, conflitos que se salientaram séculos depois na Idade Média.
Em 330 Constantino iniciou a construção da nova Roma, mais no centro do Império, na margem europeia do Bósforo, a cidade do esplendor e do fausto que a voz popular chamou Constantinopla, em homenagem ao seu fundador, cidade resplandecente do ouro e do mármore, protegida pelas mais fortes muralhas do mundo.
A Igreja que se estabelecera na antiga capital preferiu aí permanecer, mesmo para que mais facilmente se afastasse da sujeição do poder temporal, tornando-se independente.
"Qualquer mão oculta”, disse Joseph de Maistre, “expulsava os imperadores da Cidade Eterna, para a dar ao Chefe da Igreja Universal”.
Constantino já havia dividido todo Império entre os seus filhos e sobrinhos e pressentira a sua morte, atacado por incurável doença.
Fez-se transportar para a sua modesta casa de campo perto de Nicomedia, sempre acompanhado do Bispo Eusébio. Foi aí que pediu o batismo, cousa que jamais o fizera, não obstante sua afeição para com o cristianismo. Prevalecia na época a ideia de se diferir o batismo para o momento da morte, quando então se teria a garantia absoluta do perdão de todos os pecados e crimes e a certeza de salvação. Talvez Constantino se deixasse levar por estas tendências da época.
Despindo-se das púrpuras imperiais e com a veste branca dos neófitos fez-se cristão, recebendo o batismo, no leito de morte. Pôde exclamar com emoção: "Chegou o dia de que eu tinha sede há muito
tempo, a hora da salvação que eu esperava de Deus; neste dia sou verdadeiramente feliz!"
Morreu Constantino no dia 22 de maio, festa de Pentecostes.
A Igreja preza a sua memória e a história perdoa os seus erros e os seus crimes, pois Constantino fez com que sobre o mundo brilhasse a cruz que não foi apenas o símbolo de sua vitória às margens do Tibre, mas que em seu Império resplandeceu no coração da Roma pagã para a vitória decisiva do cristianismo no mundo!

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