1 de março de 2017

Missas Tridentinas - Fevereiro 2017 - Padre Renato

Missas Tridentinas

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Fevereiro 2017

25/02     Sábado       19:00h (Após o Congresso Montfort)
26/02     Domingo    11:00h
27/02     2ª feira       20:00h
28/02     3ª feira       11:00h
01/03     4ª feira       20:00h - Quarta-Feira de Cinzas

Local:       Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 2057
Bairro:      Rebouças - Curitiba - Paraná

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Estamos antecipando a divulgação do Calendário das Missas para os meses de Março, Abril (Semana Santa) e Maio de 2017. Sofrendo alguma alteração, estaremos divulgando em nosso blog.

Março 2017

25/03     Sábado       18:00h
26/03     Domingo    11:00h
27/03     2ª feira        07:00h

Abril 2017

08/04     Sábado       19:00h
09/04     Domingo    11:00h
10/04     2ª feira        20:00h
11/04     3ª feira        20:00h
12/04     4ª feira        20:00h
13/04     5ª feira        20:00h
14/04     6ª feira        17:00h
15/04     Sábado       22:00h
16/04     Domingo    11:00h
17/04     2ª feira       20:00h
18/04     3ª feira       07:00h

Maio 2017

27/05     Sábado      18:00h
28/05     Domingo   11:00h
29/05     2ª feira       07:00h

24 de fevereiro de 2017

Congresso Montfort - A Igreja contra as Heresias - Importante!

Importante!: Prezados Leitores, Salve Maria! - Estamos chegando próximo da realização do Congresso Montfort em Curitiba - A Igreja Contra as Heresias. Solicitamos aos interessados que façam suas inscrições através do e-mail saopiov@gsaopiov.com, o mais breve possível, visando garantir sua participação. Salientamos que as vagas são limitadas. O número de participantes inscritos visa auxiliar a preparação da infra-estrutura necessária para bem acomodar os mesmos, assim planejar o nosso coffee-break.
Um grande abraço em Cristo Nosso Senhor
Administrador do Blog São Pio V

Prezados Leitores, Salve Maria!

O Blog São Pio V tem o prazer de convidar nossos leitores para o Congresso Montfort - A Igreja Contra as Heresias. O congresso será realizado no Auditório da Associação da Vila Militar. Salientamos que a Associação da Vila Militar oferece estacionamento ao custo de R$ 5,00 (cinco reais), pelo período integral do congresso.
Faça sua inscrição pelo e-mail saopiov@gsaopiov.com.
Apresentamos logo a seguir a programação completa do evento. Divulgue e Participe!


Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

III

 Se Jesus Cristo revela ao mundo o dogma da Sua Filiação eterna, é pela Sua Humanidade que
 nos manifesta as perfeições da Sua natureza divina. Conquanto seja o verdadeiro Filho de Deus, compraz-se em se dizer «o Filho do homem»; dá-se este título, mesmo nas ocasiões mais solenes em que reivindica com mais autoridade as prerrogativas do Ser divino.
Com efeito, cada vez que nos achamos em contacto com Ele, estamos em presença deste mistério sublime: a união de duas naturezas, divina e humana, numa só e mesma pessoa, sem mistura nem confusão das naturezas, sem divisão da pessoa.
 É o mistério inicial, que devemos ter sempre diante dos olhos, quando contemplamos Nosso Senhor. Cada um dos Seus mistérios põe em relevo ou a unidade da Sua pessoa adorável ou a verdade da Sua natureza divina ou a atividade da Sua condição humana. 
Um dos aspectos mais profundos e mais tocantes da economia da Incarnação é a manifestação das perfeições divinas feitas aos homens pela natureza humana. Os atributos de Deus, as Suas eternas perfeições são para nós incompreensíveis neste mundo; ultrapassam a nossa ciência. Mas, fazendo-se homem, o Verbo Incarnado descobre aos espíritos mais simples, pelas palavras caídas dos seus lábios humanos, as perfeições inacessíveis da Divindade. Tornando-as perceptíveis às nossas almas por meio de ações sensíveis, arrebata-nos e atrai-nos a Si: Ut dum visibiliter Deum cognoscimus, per hunc invisibilium amorem rapiamur.
É sobretudo durante a vida pública de Jesus que se manifesta e realiza esta economia cheia de sabedoria e de misericórdia.
 De todas as perfeições divinas é, sem dúvida, o amor que o Verbo Incarnado mais se compraz em nos revelar.
 O coração humano precisa dum amor  tangível que lhe faça entrever o amor infinito, muito mais profundo, mas que excede todo o conhecimento. Realmente, nada seduz tanto o nosso pobre coração, como contemplar N. S. Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a traduzir a eterna bondade em gestos humanos. Quando O vemos derramar profusamente, em redor de Si, inesgotáveis tesouros de compaixão, inexauríveis riquezas de misericórdia, podemos conceber um pouquinho da infinidade desse oceano da bondade divina, onde para nós vai haurir a santa Humanidade de Jesus. Consideremos alguns passos característicos. Veremos com que condescendência, por vezes assombrosa, o nosso Salvador se curva para as misérias humanas de toda a espécie, incluindo o pecado. E nunca esqueçais que, mesmo então, quando se inclina para nós, continua a ser o próprio Filho de Deus, Deus em pessoa, o Ser Todo poderoso, a Sabedoria infinita que, fixando as coisas na verdade, nada executa que não seja soberanamente perfeito. Naturalmente, isto dá às palavras de bondade que profere, aos atos de misericórdia que pratica, um valor inestimável que os realça infinitamente, e sobretudo é o que mais cativa as nossas almas, manifestando-nos os profundos encantos do Coração de Jesus Cristo, do nosso Deus. 
Conheceis o primeiro milagre da vida pública de Jesus: a água convertida em vinho nas bodas de Caná, a pedido de Sua Mãe. Para os nossos corações humanos, que revelação inesperada das ternuras e delicadezas divinas! Ascetas austeros escandalizam-se ao verem pedir ou fazer um milagre para encobrir a indigência de parentes pobres num banquete de núpcias. E, no entanto, nem a Virgem hesitou em o solicitar nem Jesus Cristo em o fazer. Jesus deixa-se comover pelo embaraço em que se vai achar, publicamente, aquela pobre gente; e, para o impedir, opera um grande prodígio. E o que o Seu Coração nos revela aqui de bondade humana e de humilde condescendência é apenas a manifestação exterior duma bondade mais elevada, da bondade divina, de que aquela deriva. Porque tudo o que faz o Filho, fá-lo também o Pai.
 Passado pouco tempo, na sinagoga de Nazaré, Jesus toma de Isaías, fazendo-o Seu, o programa da Sua obra de amor: «O espírito do Senhor está sobre mim, consagrou-me com Sua unção para levar aos pobres a boa nova; enviou-me a curar aqueles que têm o coração alanceado, a anunciar aos cativos a sua libertação, a dar vista aos cegos, a libertar os oprimidos e a publicar o ano da salvação divina». 
«O que acabais de ouvir, acrescentava Jesus, começa hoje mesmo a realizar-se». 
E, de fato, o Salvador revelava-se a todos, desde logo, como «um Rei cheio de mansidão e bondade». Ser-me-ia preciso citar todas as páginas do Evangelho, se quisesse mostrar-vos como a miséria, a fraqueza, a enfermidade, o sofrimento têm o condão de O comover, e de modo tão irresistível que nada lhes pode recusar. S. Lucas tem o cuidado de notar que Jesus é «movido de compaixão»; Misericórdia motus. Apresentam-se diante d'Ele os cegos, os surdo-mudos, os paralíticos, os leprosos; e o Evangelho diz-nos que «os curava a todos»: Sanabat omnes.
 A todos acolhe com incansável mansidão; deixa-se incessantemente empurrar, assediar por todos os lados, mesmo depois do sol posto; e de tal forma que, um dia, nem sequer tempo teve para comer. Doutra vez, nas margens do lago de Tiberíades, é obrigado a entrar numa barca para se livrar da multidão e poder distribuir assim a palavra divina com mais liberdade. Noutra ocasião, de tal modo se enche a casa em que se encontra que, para fazer chegar à Sua presença um paralítico deitado na cama, o único recurso foi descer o doente pela abertura feita no telhado.
 Os Apóstolos, esses mostravam-se muitas vezes impacientes; mas o divino Mestre aproveitava essas ocasiões para lhes mostrar a Sua bondade. Um dia, querem afastar d'Ele as crianças que Lhe apresentam e que eles julgam importunas. «Deixai estas crianças, diz-lhes Jesus, e não as estorveis de vir a mim; pois delas é o reino dos céus». E parava a abençoá-las. Noutra ocasião, os discípulos, irritados por O não terem recebido numa cidade de Samaria, «insistem com Ele para que deixe o fogo do céu descer sobre os habitantes e consumi-los »; Domine, vis dicimus ut ignis descendat de caelo? E Jesus logo os repreende: Et conversus increpavit illos;  «Não sabeis de que espírito sois! O filho do homem não veio ao mundo para perder homens, mas para os salvar».
 E a prova disto é chegar a operar milagres para ressuscitar os mortos. Em Naim, encontra uma pobre viúva, desfeita em lágrimas, a acompanhar os restos mortais do seu filho único. Jesus vê as suas lágrimas; o Seu Coração profundamente comovido não pode sofrer tão intensa dor: « Mulher, não chores»! Noli flere. E imediatamente ordena à morte que abandone a sua presa:  « Mancebo, eu to ordeno, levanta-te»! O mancebo levanta-se, e Jesus entrega-o à mãe.
Todas estas manifestações da misericórdia e bondade de Jesus, que nos revelam os sentimentos do Seu Coração humano, tocam as mais profundas fibras do nosso ser; revelam-nos, de modo palpável, o amor infinito do nosso Deus. Quando vemos Jesus Cristo chorar junto do túmulo de Lázaro e ouvimos os judeus, testemunhas do fato, dizer uns para os outros: «Vede como o amava», os nossos corações compreendem esta linguagem silenciosa das lágrimas humanas de Jesus, e penetramos no santuário do amor eterno que elas revelam: Qui videt me, videt et Patrem.
 Mas como este procedimento de Jesus Cristo condena o nosso egoismo, a nossa dureza, a nossa frieza de coração, a nossa indiferença, a nossa impaciência, os nossos ressentimentos para com o próximo! ... Esquecemos tantas vezes as palavras do Salvador: «Todas as vezes que usastes de misericórdia para com o mais pequenino dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes».
 Ó Jesus, que dissestes: « Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração», fazei os nossos corações semelhantes ao Vosso. Que, a exemplo Vosso, sejamos misericordiosos, «a fim de alcançarmos misericórdia», e, sobretudo, a fim de que, imitando-Vos, nos tornemos « semelhantes ao nosso Pai dos céus!»

23 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 288 a 292

OS POBRES E O PREMIO DO TRABALHO

1. S. Pascoal Bailão, filho de pais muito pobres, nem sequer podia ir à escola. Adquiriu uma cartilha e, quando ia guardar o rebanho, pedia aos transeuntes lhe ensinassem as letras por caridade. Assim aprendeu a ler e escrever, fez-se religioso, escreveu obras espirituais e veio a ser um grande santo.

2. S. António M. Claret era filho de um pobre tecelão, e chegou a ser arcebispo de Cuba, confessor da rainha da Espanha, fundador dos Missionários do Imaculado Coração de Maria e hoje venerado sobre os altares.

3. O Papa Sixto V, quando menino, guardava ovelhas e porcos. Um dia viu um franciscano que não sabia o caminho para Áscoli, e guiou-o até o convento. Pelo caminho mostrou grande desejo de estudar e, para que o instruíssem, resolveu ficar no convento. Em seguida foi franciscano e sacerdote, doutor e professor de teologia em Sena, sendo afinal elevado ao trono pontifício em 1586. Foi um dos grandes papas da História.

4. S. Pio X era filho de um pobre oficial de justiça. Sua mãe era modesta. Após a morte do pai, a mãe, com o trabalho de suas mãos e o auxilio das filhas, ganhava o pão para a numerosa família de nove filhos. Para aprender latim e humanidades, o menino José Sarto tinha que andar diariamente os sete quilômetros de distância entre Riese e Castelfranco, a pé e descalço; e o mesmo fazia na volta, para não gastar calçado. Quando Papa, era infatigável em seus trabalhos cotidianos e, conforme atestavam seus contemporâneos, trabalhava por quatro.

5. Frei Luis de Granada, o príncipe dos prosadores espanhóis do século dezesseis, era filho de uma lavadeira.
Pizarro, de guardador de porcos, veio a ser. o conquistador do Peru.
Cristovão Colombo, o descobridor da América, era filho de um cardador de lãs.
Murat, que chegou a ser rei de Nápoles, era filho de um estalajadeiro.
Franklin teve de viver durante muito tempo de trabalhos de imprensa e da venda de livros.
Copérnico era filho de um padeiro polaco.
Faraday era filho de um ferreiro e em sua juventude foi aprendiz de encadernador e prático desse oficio até aos vinte anos.
Keppler era filho de um taverneiro alemão.
Herschel, o astrônomo insigne, ganhava a vida tocando numa orquestra; durante os intervalos saía da sala de baile e observava os astros com um binóculo e depois tinha que continuar tocando na orquestra. Até que um dia o músico descobriu a estrela Urano, e de repente tornou-se célebre.
E, como estes, inúmeros outros que eram pobres, mas por seu trabalho e esforço se tornaram grandes homens.

22 de fevereiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

II

Se agora formos a inquirir a razão por que Jesus Cristo atesta a Sua Divindade, vemos que é para firmar a nossa fé.
 É uma verdade que já conheceis; mas é tão importante, que não devemos cessar de a contemplar, pois toda a nossa vida sobrenatural e toda a nossa santidade tem por base a fé, e a nossa fé baseia- se nos testemunhos que demonstram a Divindade do Salvador. 
S. Paulo exorta-nos a «considerar Nosso Senhor como o Apóstolo e o Pontífice da nossa fé» : Considerate apostolum et pontificem confessionis nostrae Jesum. «Apóstolo» quer dizer enviado para cumprir uma missão; e S. Paulo diz que Jesus é o Apóstolo da nossa fé. Como assim?
 O Verbo Incarnado é, segundo a expressão da Igreja, Magní consilii angelus -«o Enviado do supremo conselho» - que permanece nos esplendores da Divindade. E para que é enviado? Para revelar ao mundo «o mistério oculto em Deus desde séculos», o mistério da salvação do mundo por um Homem Deus. «É esta a verdade fundamental de que Jesus Cristo deve dar testemunho»: Ego in hoc natus sum et ad hoc veni in mundum, UT testimonium perhibeam verítati.
 A grande missão de Jesus, sobretudo durante a Sua vida pública, é, portanto, manifestar a Sua Divindade ao mundo: lpse enarravit. Todos os Seus ensinamentos, todos os Seus atos, todos os Seus milagres, têm por fim consolidá-la no espírito dos Seus ouvintes. Vede, por exemplo, junto do túmulo de Lázaro. Antes de ressuscitar o amigo, Jesus Cristo levanta os olhos ao céu: «Pai, diz Ele, graças te dou por me teres atendido; mas digo isto por causa da multidão que me rodeia, para que eles creiam que foste tu que me enviaste»: Ut credant quia tu me misisti.
 É certo que Nosso Senhor só aos poucos vai insinuando esta verdade. Para não ir diretamente de encontro às ideias monoteístas dos judeus, não se revela senão gradualmente. Mas, com uma sabedoria admirável, faz convergir tudo para esta manifestação da Sua filiação divina. No fim da Sua vida, quando os espíritos retos estão já suficientemente preparados, não hesita em confessar a Sua Divindade diante dos juízes, com risco da própria vida. Jesus é o rei dos mártires, de todos aqueles que, pela efusão do próprio sangue, professaram a fé na Sua Divindade; foi Ele quem primeiro foi entregue e imolado por se ter proclamado o Filho único de Deus.
 Na Sua última prece, dá, para assim dizer, contas ao Pai da Sua missão, e resume tudo nestas palavras: «Pai, cumpri a missão que me havias confiado». E qual foi o fruto dela? «E os meus discípulos, por sua vez, aceitaram o meu testemunho: ficaram a conhecer que eu saí de ti, acreditaram que tu me enviaste».
Eis porque a fé na Divindade do Seu Filho é, segundo a própria palavra de Jesus, a obra por excelência, que Deus reclama de nós: Hoc est opus Dei, ut credatis in eum quem misit ille. 
É esta fé que cura numerosos doentes: Secundum fidem vestram fiat vobis; que perdoa os pecados à Madalena: Fídes tua te salvam fecit, vade in pace. É por ela que Pedro merece ser escolhido para fundamento indestrutível da Igreja; é ela que torna os Apóstolos agradáveis ao Pai e faz deles o objeto do Seu amor: Patet amat vos, quia vos me amastis et credidistis.
 É ainda por esta fé que «nascemos filhos de Deus»: His qui credunt in nomine ejus; é ela que faz «brotar em nossos corações as fontes divinas da graça do Espírito Santo»: Qui credit in me, flumina de ventre ejus fluent aquae vivae; que «dissipa as trevas da morte»: Veni ut omnis qui credit in me in tenebris non maneat; que «nos proporciona a vida divina, pois Deus amou o mundo, a ponto de lhe dar o Seu Filho único, para que todos os que n'Ele crerem não pereçam, mas tenham a vida eterna» : Ut omnis qui credit in ipsum non pereat, sed habeat vitam aeternam.
 É por não terem esta fé que os inimigos de Jesus hão de perecer: «Se eu não tivesse vindo e não lhes houvesse falado, não teriam pecado; mas agora o seu pecado não tem desculpa»: e é por isso que «aquele que não crê em Jesus, Filho único de Deus, está desde já julgado e condenado »: Qui autem non credit, jam judicatus est; quia non credit in nomine Unigeniti Filii Dei. 
Já vedes como tudo se resume na fé em Jesus Cristo, Filho eterno de Deus; esta constitui a base de toda a nossa vida espiritual, a raiz profunda de toda a justificação, a condição essencial de todo o progresso, o meio certo de chegar aos cimos da santidade.
 Prostremo-nos aos pés de Jesus e digamos-Lhe: Jesus Cristo, Verbo Incarnado, descido do céu «para nos revelar os segredos que, como Filho único de Deus, contemplais sempre no seio do Pai», creio e confesso que «sois Deus como Ele, igual a Ele»; creio em Vós; creio «nas Vossas obras»; creio na Vossa pessoa; «creio que saístes de Deus»; que «sois um com o Pai», que «aquele que Vos vê, O vê a Ele»; creio que sois «a ressurreição e a vida». Isto creio e, crendo-o, adoro-Vos e consagro ao Vosso serviço todo o meu ser, toda a minha atividade, toda a minha vida. Creio em Vós, Cristo Jesus, mas aumentai a minha fé! Credo, Domine, sed adjuva incredulitatem meam!

21 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 287

O TRABALHO E AS GRANDES OBRAS

Dante escreveu no exílio, lutando com grande miséria, a magnífica obra “A Divina Comédia”, que lhe custou trinta anos de trabalho.
Vergílio trabalhou na composição da “Eneida” durante mais de vinte anos e, ao morrer, mandou que fosse destruída, por considerá-la imperfeita.
Ticiano trabalhou diariamente durante sete anos, muitas vezes até durante a noite, em pintar seu célebre quadro da Ceia.
Stephenson ocupou-se durante quinze anos no aperfeiçoamento de sua locomotiva.
Watt meditou durante trinta anos na máquina condensadora de vapor.
Newton escreveu quinze vezes a sua Cronologia, e Fénelon dezoito vezes o seu Telêmaco.

20 de fevereiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.


No batismo de Jesus, que marca o início da Sua vida pública, ouvimos o Pai proclamar Jesus Cristo « Seu Filho muito amado ».
O ensinamento de Jesus, durante os três anos do Seu ministério exterior junto das almas, não é mais do que um incessante comentário daquele testemunho. Vamos ver Jesus Cristo manifestar-se em Seus atos e palavras, não como Filho adotivo de Deus, como um eleito escolhido para desempenhar uma missão especial junto do seu povo (como eram os simples profetas) mas como o próprio Filho de Deus, Filho por natureza, que possui, por conseguinte, as prerrogativas divinas, os direitos absolutos do Ser soberano, e reclama de nós a fé na Divindade da Sua obra e da Sua pessoa. 
Quando lemos o Evangelho, vemos que Jesus Cristo fala e opera, não somente como homem, semelhante a nós, mas também como Deus, elevado acima de todas as criaturas. 
Ora vede. Diz-se maior do que Jonas, Salomão, Moisés. Se, enquanto homem, por seu nascimento de Maria, é Filho de David, é também  «  o Seu Senhor, sentado à direita de Deus», de cujo poder eterno e glória infinita compartilha.
 Por isso se declara o supremo Legislador, pelo mesmo título que Deus. Assim como Deus deu a lei a Moisés, assim Ele estabelece o código do Evangelho. «Deus disse aos antigos ..... E eu digo-vos ... ».  É a fórmula que se repete em todo o sermão da montanha. Mostra-se por tal forma o senhor da lei, que a derroga por autoridade própria, quando lhe apraz, com inteira independência, como sendo Aquele que a instituiu e dela é o Senhor soberano.
 Este poder não tem limites. Jesus perdoa os pecados, privilégio que só a Deus pertence, visto que o pecado só a Deus ofende.  « Tem confiança, os teus pecados te são perdoados», diz a um paralítico que Lhe apresentam. Os fariseus, escandalizados por ouvirem um homem falar assim, murmuram entre si:  «Quem pode perdoar os pecados senão Deus » ? Mas Jesus lê-lhes nos corações os pensamentos secretos: e, para provar aos que Lho contestam que possuí este poder divino, não por delegação, mas por titulo próprio e pessoal, opera logo um milagre.  « Para que saibais que o Filho do homem tem o poder de perdoar os pecados, levanta-te, diz ao paralitico, pega a tua cama e anda.»
Este exemplo é característico. Jesus Cristo opera os milagres por Sua autoridade própria, por Si mesmo. Excetuando a ressurreição de Lázaro, em que pede antes ao Pai que o prodígio que vai realizar alumie as inteligências das testemunhas, nunca hora antes de manifestar o Seu poder, como faziam os profetas; mas, com uma palavra, um gesto, um simples ato da Sua vontade, cura os coxos, faz andar os paralíticos, multiplica os pães, acalma a fúria das ondas, expulsa os demônios, ressuscita os mortos.

 Enfim, é tão grande o seu poder, que virá sobre as nuvens julgar todas as criaturas. «Foi-Lhe dado pelo Pai todo o poder no céu e na terra ». Como o Pai, promete «a vida eterna àqueles que O seguirem ».
 Estas palavras e ações mostram-nos  Jesus igual a Deus, participante do poder supremo da Divindade, das Suas prerrogativas essenciais, da Sua dignidade infinita. 
Possuímos testemunhos mais explícitos ainda.
 Conheceis o episódio em que Pedro confessa a sua fé na Divindade do Mestre. « Bem aventurado és tu, Simão, filho de  Jonas» - diz-lhe Jesus logo a seguir -, porque «não foi pelas tuas próprias luzes naturais que chegaste a este conhecimento da minha Divindade, mas foi o meu Pai celeste quem te revelou ». E, para salientar a grandeza deste ato de fé, o Salvador promete a Pedro fazer dele o fundamento da sua Igreja.
 No momento da Paixão, diante dos Seus juízes, Nosso Senhor proclama, com mais autoridade ainda, a Sua Divindade. Na sua qualidade de presidente do supremo conselho, Caifás diz ao Salvador: « Eu te conjuro, em nome de Deus vivo, que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus vivo »! «Tu o disseste, respondeu Jesus; e vereis o Filho do homem, sentado à direita do Deus Todo poderoso, vir sobre as nuvens do céu ». Sabeis que o «sentar-se à direita de Deus » era considerado pelos judeus como prerrogativa divina, e usurpar esta prerrogativa constituía uma blasfêmia que importava a pena de morte. Foi por isso que, apenas Caifás ouviu a resposta de Jesus, rasgou as vestes em sinal de protesto e exclamou: « Blasfemou; que mais necessidade temos de testemunhas »? E todos responderam: « É réu de morte ». E Jesus Cristo preferiu aceitar a condenação a retratar-se. 
É principalmente no Evangelho de S. João que encontramos nos lábios de Jesus testemunhos que estabelecem tal união entre Ele e o Pai, que só se pode explicar pela natureza divina, natureza que possui de modo indivisível com o Pai e o seu comum Espírito.
 Deveis notar que Nosso Senhor Jesus Cristo, exceto quando ensina os discípulos a orar, nunca diz: « Pai nosso »; diz sempre: «o Pai, o meu Pai »; e, dirigindo-se aos discípulos: «o vosso Pai ». Nosso Senhor tem todo o cuidado em frisar a diferença essencial que existe, neste ponto, entre Ele e os outros homens: Ele é Filho de Deus por natureza, os outros são-no apenas por adoção.
 Por isso, tem com o Pai relações pessoais de caráter único, que não podem derivar senão da Sua origem divina.
 Um dia dizia diante dos discípulos: « Graças te dou, ó Pai, por teres ocultado estas coisas aos sábios e as teres revelado aos humildes. Assim é, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi dado por meu Pai. E ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar ». Por estas palavras, o Verbo Incarnado indica-nos claramente que entre Ele e o Pai há perfeita igualdade de conhecimento, incompreensível para nós. Este Filho, que é Jesus, é tão grande, e tão inefável a Sua filiação, que só o Pai, que é Deus, O pode conhecer; o Pai é de tal majestade, a Sua paternidade é um mistério tão sublime, que só o Filho pode saber o que é o Pai; este conhecimento excede a tal ponto toda a ciência criada, que homem algum pode participar dele, a não ser que lhe seja comunicado por revelação. 
Vedes como Nosso Senhor afirma a Sua união divina com o Pai. Esta união, porém,  não se limita ao conhecimento; estende-se a todas as operações realizadas fora da Divindade. 
Jesus cura um paralítico, e manda-lhe pegar na cama e andar. Era dia de descanso. Logo os judeus, escandalizados, censuram o Salvador por não observar o sábado. E que responde Nosso Senhor ? Para lhes mostrar que é, pelo mesmo título que o Pai, Senhor supremo da lei, responde aos fariseus: 
« O meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho como Ele e com Ele ». Os ouvintes compreendem tão bem com estas palavras Ele proclamar-se Deus, que O procuram matar; porque, «não satisfeito com violar o sábado, diz que Deus é seu Pai, fazendo-se assim igual a Ele ». Nosso Senhor não só não os contradiz, como ainda confirma aquela interpretação: « Em verdade vos digo, o Filho nada pode fazer por Si mesmo, mas só o que vê fazer ao Pai; e tudo o que faz o Pai, fá-lo igualmente o Filho. Porque o Pai ama o Filho e mostra- Lhe tudo o que faz ... ». Lede no Evangelho a continuação e o comentário destas palavras; vereis com que autoridade Jesus Cristo se proclama em tudo igual ao Pai, Deus com Ele e como Ele. 
Todo o discurso depois da Ceia e toda a oração sacerdotal de Jesus naquele momento solene estão cheios de afirmações destas, que mostram que Ele é o próprio Filho de Deus, que tem a mesma natureza divina, possui os mesmos direitos soberanos, desfruta da mesma glória eterna: Ego et Pater unum sumus. 

19 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 284 a 286

A CONSTÂNCIA NO TRABALHO

1. S. Carlos Borromeu soube reservar ao estudo parte de sua vida laboriosíssima, e até durante suas muitas e tongas viagens dedicava horas inteiras à leitura dos livros que levava sempre consigo.
Convidaram-no um dia a descer ao jardim. Ele se escusou, dizendo: "O jardim dos bispos é a Sagrada Escritura”.

2. S. Afonso M. de Ligório desde menino era tão aplicado e mostrou sempre qualidades tão extraordinárias que, aos dezesseis anos, dispensados três anos e alguns meses que lhe faltavam, foi-lhe conferido em Nápoles o grau de Doutor em ambos os Direitos, com aplauso e admiração geral. Depois fez voto de jamais estar ocioso, e andava solícito por não perder nem um minuto de tempo. Apesar de missionário infatigável e bispo ativíssimo, ainda encontrou tempo para escrever numerosas obras morais e ascéticas, que tiveram um êxito imenso, e que tanto trabalho lhe custaram. Basta lembrar que só sua Teologia Moral contém oitenta mil citações tiradas de oitocentos autores.

3. Dizia o cardeal Cheverus: “Quanto a mim, não preciso de nada para passar horas deliciosas: a oração e o estudo foram sempre o encanto de minha vida... Quando os vivos me fatigam, venho descansar com os mortos”.

18 de fevereiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

XI

 VIDA PÚBLICA DE JESUS 
(Tempo da Quaresma) 

Se quiséssemos, diz o Apóstolo S. João no fim do seu Evangelho, contar minuciosamente muitas outras coisas que Jesus fez, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seria preciso escrever.
 No momento de principiarmos a contemplar a vida pública de Jesus, devemos ter o mesmo pensamento. Se quiséssemos comentar por miúdo cada uma das Suas palavras, considerar cada um dos Seus gestos, explicar cada um dos Seus atos, não bastaria toda a nossa existência. 
Esta contemplação seria, sem dúvida, uma ocupação muito do agrado das nossas almas. Não podendo deter-nos em cada página do Evangelho, vamos ver, neste período da vida do Salvador, apenas alguns traços característicos, o bastante para admirar até que ponto brilha a sabedoria e a misericórdia eterna nos mistérios da Incarnação e da Redenção.
 Vamos ver primeiramente de que modo N. S. Jesus Cristo proclama e estabelece a Divindade da Sua missão e da Sua pessoa, com o fim de fundamentar a nossa fé. Contemplaremos em seguida com que incansável condescendência da Sua Humanidade para com a miséria, sob todas as suas formas, revela ao mundo a imensidade e as riquezas da bondade infinita. Esta revelação receberá, por contraste, todo o seu brilho, se considerarmos o procedimento, todo impregnado de justiça, de Nosso Senhor para com o orgulho dos fariseus.
 São estes, entre muitos outros, três aspectos da vida pública de Jesus, em que as nossas almas poderão fixar a sua atenção para daí colher graças de luz e princípios de vida. 

17 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 283

O TRABALHO É LEI DA VIDA

Os pássaros não se cansam de trinar, mesmo que ninguém os ouça. O rio não se cansa de correr, mesmo que ninguém o contemple. O sol não se cansa de alumiar, mesmo que ninguém o elogie. E nós, que lutamos pela verdade e pelo bem, pelo progresso e pela paz, havemos de cansar-nos por encontrarmos os ouvidos cerrados, as mãos mortas e rostos apáticos? Não; mil vezes não. Esse marasmo, essa apatia, essa sonolência devem erguer-nos. Não se cansar, não desanimar, não se deixar abater, eis o grande tônico.