Busca no Blog

Carregando...

19 de setembro de 2014

Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (14/20)

Os Mórmons
ou
"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.
Doutor em Teologia  
Missionarii Sacratissimi Cordis
"Missionários do Sagrado Coração"

DEUS, O HOMEM E CRISTO
Por exemplo, o primeiro artigo de Smith aparenta uma profissão de fé na doutrina cristã da SS. Trindade. Mas, na realidade, não é nada disso. Porquanto, de acordo com os seus ensinamentos oficiais, o Mormonismo não é uma seita cristã, mas sim politeísta, ensinando uma doutrina de muitos deuses de categoria desigual. Joseph Smith ensinava que "o próprio Deus foi uma vez como nós somos agora, e é um homem enaltecido". Segundo Brigham Young, a fim de criar o homem, que só podia ser feito por geração física, Deus veio a este mundo como Adão, "com um corpo celestial, trazendo uma de suas mulheres, Eva". Adão, diz portanto ele, "é nosso Pai e nosso Deus, e o único Deus com quem temos que ver" (Brigham Young, "Journal of Discourses" ("Jornal de Discursos"), vol. 6, p. 50). Adão é o "único" Deus com quem temos que ver, porque acima de Adão há Jeová, e acima de Jeová, há Eloim, o maior de todos os Deuses! Cristo, como Filho Eterno de Deus (de qual Deus, é difícil dizer), não é da mesma substância que o Pai, enquanto que o Espírito Santo é descrito às vezes, não como uma Pessoa, mas como uma "influência", como um "fluído divino", a mais pura e mais refinada de todas as substâncias elétricas ou magnéticas!
Verdade é que hoje em dia os Mórmons geralmente rejeitam a teoria "Adão-Deus" de Brigham Young, mas esquecem que, consoante os seus próprios princípios, como veremos, Brigham Young, como Presidente devidamente eleito, foi dotado de infalibilidade e não podia incidir em erro doutrinário!
E que é do homem? Aparentemente foi pecaminoso, para "Adão", gerar filhos, porque, de acordo com o Catecismo Mórmon, ele devia ter pecado comendo o fruto proibido, do contrário "não teria aqui conhecido o bem e o mal, nem poderia ter posteridade mortal". Todavia, os seres humanos que foram gerados, se forem bons Mórmons, finalmente se tornarão "Deuses, criando e governando mundos e povoando-os com a sua prole" (Manual, Parte I, p. 52). O céu Mórmon é evidentemente muito diferente do céu no qual, segundo Cristo, as pessoas "nem se casarão nem se darão em casamento" (Mt. 21, 30). Entrementes, consoante o ensino Mórmon, Deus está continuamente criando almas que anseiam por corpos humanos. E aqueles que na terra proporcionam o maior número de corpos para esses espíritos ansiosos serão os mais gloriosos na eternidade. Logo, a poligamia é aí obviamente indicada!
Dizem os Mórmons que, desde que eles obedeçam aos preceitos da sua religião, a sua salvação é possibilitada mediante a Expiação operada por Cristo. Mas quem é Cristo? Os Artigos de Joseph Smith declaram que ele é o "Filho de Deus". Porém escritores Mórmons dizem que, na encarnação, "Ele não foi gerado do Espírito Santo". Argumentam que a concepção é impossível sem a intercorrência marital física. Foi José, então, o pai de Jesus? Não. Porque então Cristo não seria o Filho de Deus. Por isto eles dizem que Deus-Pai veio à terra em forma humana, tomou Maria como sua mulher legal, e das relações maritais na carne nasceu Cristo! Pior ainda, no seu "Jornal", Orson Hyde diz que o próprio Cristo praticou a poligamia, desposando "as Marias e Marta, de modo que pudesse ver seus filhos antes de ser crucificado"! A quem quer que tenha a mais leve compreensão disto, tais ensinamentos não passam de uma caricatura blasfema da doutrina cristã.

18 de setembro de 2014

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - 48ª Parte

OPÚSCULO VI

MEDITAÇÕES SOBRE A PAIXÃO DE JESUS CRISTO

MEDITAÇÃO I

A Paixão de Jesus Cristo é a nossa consolação

Quem poderá consolar-nos mais neste vale de lágrimas do que Jesus crucificado? Nos remorsos de consciência que nos causa a recordação de nossos pecados, o que é que pode unicamente acalmar as aflições que então experimentamos senão o saber que Jesus Cristo quis entregar-se a si mesmo à morte para pagar as nossas culpas? “Entregou-se a si mesmo por nossos pecados” (Gl 1,4). Em todas as perseguições, calúnias, desprezos, privações de bens e de honras que sofremos nesta vida, quem é que melhor nos pode fortalecer para sofrermos com paciência e resignação, senão Jesus Cristo desprezado, caluniado e pobre, que morre nu e abandonado de todos em uma cruz? Nas enfermidades, que coisa há que mais nos console do que a vista de Jesus crucificado? Quando nos achamos doentes, repousamos num leito bem cômodo; mas Jesus, quando na cruz, onde devia morrer, teve por leito um tosco de madeiro, no qual esteve suspenso por três cravos, e por travesseiro, para apoiar a cabeça ferida, aquela coroa de espinhos que não cessou de o atormentar até à morte. Quando estamos enfermos, temos ao redor do leito parentes e amigos que se compadecem de nós e nos procuram distrair; Jesus morre no meio de inimigos que, mesmo na ocasião em que ele agonizava e estava a expirar, o injuriavam e escarneciam, dando-o como um malfeitor e sedutor. Nada há, certamente, como a vista de Jesus crucificado para aliviar um enfermo nos seus sofrimentos, especialmente quando ele se vê abandonado pelos outros na sua doença. Unir então as suas penas com as de Jesus Cristo é o maior alívio que pode experimentar um pobre enfermo.
Nas angústias ainda maiores da morte, ocasionadas pelos assaltos do inferno, à vista dos pecados cometidos e das contas que em breve deverão ser dadas no tribunal divino, a única consolação que poderá ter um moribundo, que já está combatendo com a morte, é abraçar-se com o crucifixo e dizer: Meu Jesus e meu Redentor, vós sois o meu amor e a minha esperança.
Em suma, tudo o que temos de graças, de luzes, de inspirações, de santos desejos, de afetos devotos, de contrição dos pecados, de bons propósitos, de amor de Deus e de esperança do céu, tudo é fruto e dom que nos provém da Paixão de Jesus Cristo.
Ah, meu Jesus, que esperança poderia ter eu, que tantas vezes vos voltei as costas e mereci o inferno, de entrar na companhia de tantas virgens inocentes, de tantos mártires, de tantos apóstolos e dos serafins do céu, para contemplar a vossa bela face na pátria feliz, se vós não tivésseis morrido por mim, divino Salvador? A vossa paixão, pois, é que, não obstante os meus pecados, me dá a esperança de entrar um dia na companhia dos santos e de vossa Mãe bendita, para cantar as vossas misericórdias e agradecer-vos e amar-vos para sempre no paraíso. Assim eu o espero, ó meu Jesus. “Eu cantarei por todo o sempre as misericórdias do Senhor”. Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim. 

Páginas de Vida Cristã - Pe. Gaspar Bertoni.

12/26   -   A COMUNHÃO FREQUENTE 

1. - As turbas famintas
Quando considero no S. Evangelho o maravilhoso fervor daquelas turbas famintas que seguiam Jesus descuidando de todo outro cuidado; e a próvida liberalidade com que o divino Mestre correspondeu-lhes alimentando-as prodigiosamente com a multiplicação dos pães (Jo 6, 1-15); vêm-me à mente agradável confronto a devoção dos verdadeiros fiéis para com o augusto e divino sacramento, e a louvável freqüência com que estes costumam aproximar-se do Sagrado Altar, procurando aí aquele amoroso Mestre e Senhor, que por nosso amor quis permanecer entre nós escondido debaixo das espécies sacramentais, até a
consumação do mundo. Se naquelas turbas portanto, se devia admirar o fervor, nestes fiéis é mais para ser estimada a fé que os faz procurar com toda firmeza aquilo que seus sentidos não vêem. Aqui é maior sem dúvida a graciosa correspondência que Cristo dá aos seus afetos, enquanto não multiplica o pão terreno, mas apresenta como alimento a si mesmo para saciar seus espíritos com superabundância. Que se o fato das turbas evangélicas foi escrito para o incitamento da nossa fé, o exemplo dos verdadeiros fiéis se manifesta cada dia mais para edificação dos muitos cristãos que agora, tépidos e quase frios, muito raramente e quase que à força uma vez por ano, se achegam a Cristo. Não se deve crer que estes cristãos não tenham prontas suas aparentes razões e sutis desculpas para se dispensarem de freqüentar a sagrada Mesa. São estas justamente que eu julgo dever-se principalmente ter em mira e tirar-lhe das mãos; caso contrario persistindo estas, será vão todo motivo eficaz para persuadi-los.
2. - A primeira desculpa daqueles cristãos que não praticam Comunhão
freqüente: "não temos tempo"
a - A Eucaristia é o pão necessário à alma
Uma das mais costumeiras desculpas é que as ocupações do seu estado, o governo da família de que são onerados, não lhes dão tempo nem comodidade como se conviria para se aproximar mais vezes dos sacramentos. Mas eu perguntarei de boa vontade a esses, se estas obrigações e estes cuidados os impedem de sentar todo dia na mesa terrena; e se pela multiplicidade dos negócios que eles engrandecem, deixam o corpo em jejum mais que um só dia, nem falarei de semanas ou meses. Que se me apresentem a precisão e a indispensável necessidade, eu aceito; e não terá igual precisão e necessidade vossa alma de freqüente alimento para restaurar as forças perdidas e sustentar-se em vida? Não é talvez a Eucaristia o pão cotidiano da alma? "A minha carne, diz o Senhor, é verdadeiramente comida e meu sangue bebida. Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna; se vós não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes seu sangue, não tereis a vida em vós" (Jo 6, 54-56). Portanto eles sentem tão bem as necessidades do seu corpo que para satisfazê -las julgam dever muitas vezes ao dia interromper seus cuidados mais interessantes; e são pais insensíveis pela necessidade da alma já lânguida e desfalecida por um jejum tão longo, que não saibam, nem mesmo depois de muitas semanas, encontrar uma breve hora nos dias festivos para alimentá-la com o próprio pão!
b - A Eucaristia é também vantajosa para o bom desempenho dos negócios
terrenos
Unindo-se à verdadeira Sabedoria, que é Cristo, sua mente ficaria bem iluminada para dirigir-se prudentemente nos seus interesses. Indo buscar força na própria Fortaleza, estariam preparados para sustentar o peso daqueles cuidados que os agravam, sem ficar oprimidos; antes seriam aliviados e mitigados dizendo o próprio Cristo: "Vinde a mim vós todos que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei"
(Mt 11, 28). E talvez não seriam mais ajudados nas suas necessidades? Eram também simples os próprios discípulos, quando temiam que morressem de fome a numerosa turba que havia abandonado todo seu interesse para seguir Cristo. E vós sabeis como Cristo, pôde multiplicar-lhes o pão de modo que sobraram
muitos cestos. S. Pedro deixando tudo servia Cristo. Ora quando foi abrigado a pagar o imposto, não o providenciou Cristo com dinheiro até boca de um peixe? E uma vez tendo labutado toda a noite no mar sem pegar um só peixe, aparecendo o divino Mestre, trouxe depressa a rede repleta de peixe que sua barca e a de seus companheiros quase afundavam com o peso. Tanto é verdade que este amoroso Senhor não só se compraz em agraciar as almas, mas toma ainda um cuidado especial pelos interesses daqueles que amorosamente se achegam a Ele.
3. - Segunda desculpa: "o que dirá o mundo?". - "Aquele que se envergonhar
de mim, eu me envergonharei dele".
Nós percebemos a utilidade - acrescentam aqueles tíbios e ficamos facilmente convencidos de interromper nossas ocupações e participar mais vezes de tão grande bem. Mas nos perturba a observação do mundo que escarneceria da nossa freqüência e nos dariam apelidos que nos desagradam. Oh! Desculpa mais digna de ser compadecida que ser combatida! Pois os atuais cristãos se envergonham de seguir Cristo ou de serem chamados cristãos. Estes são semelhantes àqueles principais entre os Hebreus, que acreditavam em
Cristo, mas não tinham coragem de aproximar-se dele por respeito aos fariseus e por temor de serem excluídos da Sinagoga. Fazem mais conta das honras do mundo, que de serem honrados por Cristo.
Assim por uma glória vã e caduca perdem uma glória verdadeira e eterna; tendo já Cristo protestado no seu Evangelho: "Quem se envergonhar de mim eu me envergonharei dele; e quem não se envergonhar de confessar meu nome diante dos homens, nem eu me envergonharei de confessar seu nome diante de meu Pai que está nos céus" (Lc 9, 26; 12, 9; Mt 10, 33). E em outro lugar: "Felizes de vós quando rejeitarem como indigno o vosso nome, e disserem todo mal contra vós por causa do meu nome! Alegrai-vos e exultai naqueles dias, porque grande será vossa recompensa no céu" (Mt 5, 2; Lc 6, 22-23). Certamente se fôssemos convidados cortesmente por um príncipe terreno para sua mesa, e fôssemos aí tratados como amigo e familiar, pouco nos interessaria da crítica vã de um vulgo ignorante, diante da honra que recebemos do príncipe e dos seus cortesãos; nem perderíamos por fúteis cuidados uma graça tão favorável.
4. - Pode-se tornar digno com um sincero arrependimento e uma boa
confissão
Mas, nós - aceitam -, se nos reconhecêssemos dignos nos aproximaríamos do Sacramento de boa vontade; mas somos pecadores, cheios de imperfeições, e distantes daquele fervor em que se encontram tantas almas boas; tememos recebê-lo mais como condenação que como salvação. Eis a última desculpa e o argumento
que lhes parece invencível, com o qual acobertam sua tibieza. Eu quereria, portanto , - já que eles apresentam a palavra do Apóstolo: "Quem come indignamente, come a própria condenação" - refletissem ainda o conselho que imediatamente acrescenta e o seguissem: "que cada um se examine a si mesmo, e
assim coma deste pão" (1Cor 11, 28-29). Estas palavras são interpretadas com toda segurança pela prática constante de toda a Igreja, que examinando o homem fiel e sua consciência, e encontrado-a ciente de culpa grave, corra arrependido a purgá-la no Sacramento da Confissão com firme propósito de não mais pecar; "e assim coma deste pão"; e feito isto coma, todavia, isto é, sem nenhum temor, daquele pão do qual diz S. Agostinho: "Recebei-o com segurança, que é pão, não veneno" (2). E se Cristo é vida e vem para dar a vida, como justamente para aqueles que vão recebê-lo para viver, será morte? E se Ele morreu para dar a vida quando nós "éramosinimigos", como agora àqueles que "foram reconciliados" e lavados no seu sangue,
dará a morte eterna e a condenação? Deveriam lembrar da acolhida amorosa que fez o Pai evangélico ao próprio filho: o qual voltando atrás depois de ter consumido seu patrimônio nos vícios mais infames, confessando haver pecado, teve imediatamente os sinais do mais terno afeto, e revestido da primeira estola foi introduzido na casa paterna àquele alegre banquete. Advirtam, pois, bem que todos estes importunos temores são enganos falaciosos do demônio. "Entendam bem isto - diz S. Cirilo - todos os batizados,
tornados participantes da divina graça; que se recusam por longo tempo por uma fingida religião ou por um danoso medo de comungar, privam-se da vida eterna; pois este não querer recebê-lo, embora pareça que venha do temor e da humildade, escandaliza e arma laço para as almas. Conviria ao contrário, que com todo esforço e solicitude se pusessem a limpar a própria alma, e empreender um novo sistema de vida, e portanto se apressassem em participar da Vida. Mas sendo muito variada a arte que o demônio usa para enganar, antes leva o homem a viver licenciosamente; e depois que está bem cheio de vícios e de pecados, induz ao horror ao sacramento do qual poderia ser curado". Até aqui o santo .
b - A Eucaristia é um excelente remédio para a alma
S. Ambrósio, S. Agostinho e S. Bernardo também nisto concordam dizendo ser a Eucaristia um excelente remédio contra o pecado. S. Cipriano assim escreve: "O cálice inebriante do Senhor, que leva a mente à
sabedoria espiritual, e quem o saboreia, do sabor humano se encaminha para a inteligência e para o gosto de Deus. E como a quem bebe este vinho terreno e comum se esclarece a mente, o ânimo se alegra e se manda para longe a tristeza; assim, experimentada a bebida salutar do Sangue do Senhor, perde-se a memória
do homem velho, esquece-se a antiga conversa secular, e o peito oprimido pelos pecados que a angustiavam, agora, para alegria do dom feito a ele por Deus, se resolve das angústias, se alivia das fadigas "
5. - QUARTA desculpa: "não sentimos fervor". - "Aproximai-vos do fogo"
Quanto aos que não querem comungar e aduzem a falta de fervor, fazem justamente como se as pessoas com frio não quisessem aproximar-se do fogo se antes não se esquentassem; enquanto segundo o Damasceno "A Eucaristia é um carvão aceso que afasta o frio e a tibieza" (6); dai como os que se afastam do fogo se tornam cada vez mais frios, assim estes alienando-se sob diversos coloridos pretextos deste fogo celeste, finalmente ficarão gelados e totalmente endurecidos. "É coisa salutar e útil ao homem - determina S. Boaventura - que se prepare para tomar muitas vezes este remédio e se esforce por tomá-lo o mais devotamente possível. E embora alguma vez aconteça que se sinta todo árido e sem fervor, embora confiante na divina misericórdia o receba confiantemente; porque, se ele se reputa indigno, pense que é muito mais necessário procurar o médico, quanto mais se sente estar enfermo".
6. - O convite do divino Amante das almas
Eu confesso que depois de haver respondido às objeções destes tíbios, e, quase os desarmado dos argumentos com que se cobriam, agora que só resta impelir seus corações, seria conveniente assim tê -lo eu bem inflamado e ardente para poder fazer isto com eficácia. Eu sei por outro lado o que devo fazer. Pedirei a eles que dêem uma só olhada para aquele sagrado Cibório, e escutem no coração o doce convite que faz-lhes este divino Amante das almas. "Vinde e comei". Eis que o banquete eu vos preparo; aquele mesmo alimento de que se nutrem no Céu os Príncipes da minha corte, este mesmo a vós eu apresento, peregrinos e exilados aqui na terra: tomai e comei: "isto é o meu Corpo; isto é meu Sangue" (Mt 26, 26 - 28), com os quais vos redimi dos vossos pecados e da servidão dos vossos inimigos. Vede quantos padecimentos, que agonias, que morte me custou preparar-vos esta mesa. Poderíeis vós render-me maior gratidão, que fazer-me a vontade de que freqüentemente a useis? Eis que eu estarei todos os dias e todas as noites convosco até o fim, e vós deixareis correr os anos inteiros antes de achegar-vos a mim? Assim tão pouco cuidais do meu Amor? A quem ireis portanto para receber a vida; se não vindes a mim que somente eu a posso dar? Quem saciará os desejos do vosso coração, senão eu que sou vosso "Princípio", assim sou também o vosso
"Fim"? Porque temeis em aproximar-vos de mim? Eu sou vosso Pai, Mestre, Amigo, Irmão; e se vós estais doentes eu sou vosso Médico, sou a vossa salvação, e serei um dia a vossa Felicidade, a vossa
Glória. Se eu aqui morasse em um trono com todo esplendor da minha Majestade,aceitaria talvez a vossa timidez e pusilanimidade; mas como estou no Sacramento escondido e familiarizado tanto com os homens, porque não vos aproximais com toda confiança sabendo que "todas as minhas delicias são estar convosco"? (Pr 8, 31). Ah! meus irmãos, quem entre vós será de sentimento tão duro que não ouça estas amorosas palavras e estes exigentíssimos convites no mais íntimo do seu coração? Felizes aqueles que ouviram a divina voz; mais felizes se aguardam para observá-la! Felizes os que ouvem e guardam" (Lc 11, 28).

17 de setembro de 2014

Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (13/20)

Os Mórmons
ou
"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.
Doutor em Teologia  
Missionarii Sacratissimi Cordis
"Missionários do Sagrado Coração"

ARTIGOS DE FÉ
Uma das últimas coisas que Joseph Smith fez antes de ser morto em 1844 foi escrever um artigo para uma "História das Denominações Religiosas nos Estados Unidos", explicando a fé da Igreja Mórmon. A sua declaração é como segue:

CREMOS em Deus-Pai Eterno, e em seu Filho Jesus Cristo, e no Espírito Santo. 

CREMOS que os homens serão punidos pelos seus próprios pecados, e não pela transgressão de Adão.

CREMOS que, mediante a expiação de Cristo, todo o gênero humano pode ser salvo, por obediência às leis e ordenações do evangelho.

CREMOS que essas ordenações são: 1) Fé no Senhor Jesus Cristo; 2) Arrependimento; 3) Batismo por imersão para a remissão dos pecados; 4) Imposição das mãos para o Dom do Espírito Santo.

CREMOS que um homem deve ser chamado por Deus, mediante "profecia e imposição das mãos" feita por aqueles que estão em autoridade, para pregar o evangelho e administrar as ordenações deste.

CREMOS na mesma organização que existiu na primitiva Igreja, ou seja: apóstolos, profetas, pastores, mestres, evangelistas, etc.

CREMOS nos dons de línguas, de profecia, de revelação, de visões, de curas, de interpretações de línguas, etc.

CREMOS que a Bíblia é a Palavra de Deus, enquanto traduzida corretamente.

CREMOS também que o livro de Mórmon é a Palavra de Deus. 

CREMOS tudo o que Deus revelou, tudo o que ele não revela, e cremos que ele ainda revelará muitas coisas grandes e importantes pertinentes ao Reino de Deus. 

CREMOS na literal reunião de Israel e na restauração das dez tribos; que Sião será edificada neste Continente; que Cristo reinará pessoalmente sobre a terra, e que a terra será renovada e atingirá a sua glória paradisíaca.

No principal, os supracitados artigos de fé são mero sumário do Protestantismo evangélico comum, com o qual Joseph Smith já estava familiarizado, salvo quanto à exclusão dos efeitos do pecado original e à insistência sobre a aceitação do Livro de Mórmon como Palavra de Deus igualmente à Bíblia, sobre as revelações divinas a serem ainda dadas, e sobre o estabelecimento de Sião na América. Da poligamia, que ele já proclamara necessária, não faz menção, para o fim de publicidade, na "História das Denominações Religiosas nos Estados Unidos".
O que entretanto precisa ser sobretudo frisado é que, enquanto na sua declaração Joseph Smith fala a língua do Protestantismo evangélico, os Mórmons de modo algum entendem as palavras realmente em sentido protestante ortodoxo.

16 de setembro de 2014

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - 47ª Parte

MEDITAÇÃO II

Para o domingo da paixão

Jesus ora no horto

1. Sabendo Jesus que era chegada a hora de sua paixão, depois de haver lavado os pés de seus discípulos e instituído o SS. Sacramento do Altar, no qual se nos deixou todo a si mesmo, se dirige ao horto de Getsêmani, onde seus inimigos iriam procurá-lo para o prender, como já era de seu conhecimento. Aí põe-se a orar e eis que se sente assaltado por um grande temor, um grande tédio e uma grande tristeza: “Começou a ter pavor, tédio e tristeza”(Mt 14,33; Mt 26,37). Assaltou-o primeiramente um grande temor da morte tão amarga que devia sofrer sobre o Calvário e de todas as angústias e desolações que deveriam acompanhá-la. No decurso de sua paixão, os flagelos, os espinhos, os cravos e os outros tormentos o afligiram cada um por sua vez; no horto, porém, vieram todos juntos atormentá-lo. Ele os abraça a todos por nosso amor, mas isso o faz tremer e agonizar: “Posto em agonia, orava com maior instância”(Lc 22,43).

2. Doutro lado, assalta-o um grande tédio ou repugnância pelo que devia sofrer e por isso suplica ao Pai que o livre disso: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice”(Mt 26,39). Ele orou assim para ensinar-nos que bem podemos pedir a Deus nas tribulações que nos livre delas, mas ao mesmo tempo devemos nos submeter à sua vontade e dizer então como Jesus: “Contudo, não se faça como eu quero, mas como tu queres”. Sim, meu Jesus, não se faça a minha vontade, mas a vossa. Eu aceito todas as cruzes que quiserdes enviar-me. Vós, inocente, tanto sofrestes por meu amor; é justo que eu, pecador, réu do inferno, padeça por vosso amor tudo o que determinardes.

3. Assaltou-o também uma tristeza tão grande, que bastaria para lhe dar a morte, se ele não a tivesse detido, para expirar crucificado por nós, depois de ter sofrido ainda mais. “Minha alma está triste até à morte”(Mc 14,34). Essa grande tristeza foi motivada pela vista da ingratidão futura dos homens, que, em vez de corresponder a tão grande amor, haveriam de ofendê-lo com tantos pecados, o que o faz suar sangue: “E seu amor se fez como gotas de sangue correndo sobre a terra” (Lc 22,44). Assim, ó meu Jesus, mais cruéis que os carnífices, os flagelos, os espinhos, a cruz, foram os meus pecados que tanto vos afligiram no horto. Fazei-me participar daquela dor e aversão que experimentastes no horto, para que eu chore amargamente, até à morte, os desgostos que eu vos dei. Eu vos amo, ó meu Jesus, acolhei um pecador que vos quer amar. Ó Maria, recomendai-me a esse Filho afligido e triste por meu amor. 

Páginas de Vida Cristã - Pe. Gaspar Bertoni.

11/26  -  O FRUTO SUAVÍSSIMO DA PENITÊNCIA 

Melhor preparação para nossa reconciliação com Deus não se poderá encontrar do que a que nos ensinou aquele que foi mandado por Deus como precursor de Cristo para preparar seus caminhos. Pois veio João "pregando um batismo de penitência" (Mc 1, 4).
1. - Penitência interior e exterior
Eu falo de penitência interior e exterior como é ordenada aos cristãos. A interior é realmente virtude, e assim se define: uma sincera conversão do nosso coração a Deus com a qual detestamos os pecados cometidos, e os odiamos, deliberando firmemente emendar a má vida e corrigir os costumes depravados, com
a esperança de conseguir o perdão da divina misericórdia. A exterior, elevada por Cristo à dignidade de sacramento, no que se refere a nós, é uma confissão exterior das próprias culpas, acompanhada de um íntimo e verdadeiro arrependimento e da vontade de, ao menos, satisfazer por elas; confissão feita ao sacerdote para a absolvição que ela nos pode dar em virtude das chaves, ou seja pela autoridade divina a ela comunicada. É sacramento enquanto foi instituída por Deus para um significado sensível, e para operar eficazmente a reconciliação com Deus na alma daqueles que depois do batismo se mancharam
com o pecado. Este é o fruto tão doce da penitência que eu quero fazê-los saborear a fim de que resolvais que não se deve aborrecer como uma planta amarga, que se tem raízes um pouco amarga, sabe produzir, porém, frutos tão amáveis e suaves.
2. - A reconciliação com Deus
A reconciliação com Deus é um complexo de todos os maiores e desejáveis bens. Primeiramente a remissão do pecado, ou melhor, de todos os pecados. Não existe delito tão grande pela malícia, tão multiplicado pelo número, que a penitência não possa apagar, e não somente uma vez, mas de novo e ainda, infinitas vezes.
Temos a palavra do próprio Deus. Toda vez que - diz Ele - o ímpio, arrependido dos seus desvios, se volte para o caminho reto dos meus mandamentos e da virtude, ele viverá a vida espiritual da minha graça, sem andar confuso em o número infeliz dos mortos para sempre. "Se, no entanto, o mau renuncia a todos os seus erros para praticar as minhas leis e seguir a justiça e a equidade, então ele viverá certamente, e não há de perecer". E de todas suas iniqüidade, não importa o número, eu as esquecerei, como se jamais tivessem sido cometidas: "Não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas". Estas são as promessas infalíveis do Senhor em Ezequiel (Ez 18, 21- 22). E de novo no mesmo Profeta: Se eu ameaçar o pecador com a morte eterna, e ele vier a fazer penitência do seu pecado fazendo boas obras, imediatamente terá a vida no lugar da morte. "Se eu afirmar ao pecador que ele haveria de morrer, se renunciando ao mal ele pratica a justiça e a honestidade, ele viverá e será preservado da morte". Todos os pecados cometidos já não lhe serão imputados. Agiu bem, portanto viverá. "Nenhum delito que tenha cometido lhe será imputado. Ele viverá porque terá observado a justiça e a honestidade" (Ez 33, 14-16). Ele nos assegura pela boca de Miquéias de se aplacar em vista da nossa penitência, prometendo esquecer todas as nossas iniqüidades, e atirar todos os nossos pecados no fundo do mar, onde permanecerão sepultados no esquecimento.
"Que não se ire para sempre porque prefere misericórdia. Uma vez mais tende piedade de nós. Esquecei nossas faltas e jogai os pecados nas profundezas do mar". (Mq 7, 18-19). E nós duvidaremos ainda das promessas divinas? A verdade não pode faltar consigo mesma. S. João diz: Se nós confessamos nossos pecados, Deus é fiel e justo para imediatamente nos perdoar tudo. "Se reconhecemos nossos pecados, Deus aí está, fiel e justo para nos perdoar os pecados" (1Jo 1, 9). Que dizer deste fruto da penitência? Não é ele precioso? Não nos deve ser caríssimo, plenamente desejável? Apagar num instante todas nossas faltas, quantas houvermos cometido em tantos anos de vida desregrada, lasciva, escandalosa! Obter um inteiro e seguro perdão, mesmo depois de havermos abusado muitas e muitas vezes da divina misericórdia! Purificar-nos tão perfeitamente a alma, que não mais aparece sombra de manchas negras, íntimas e profundas! E também isto é fruto tão próprio da penitência, que a remissão do pecado de ninguém se pode conseguir, e nem mesmo esperar, sem ela. Por isso está escrito no Evangelho: "Se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13, 3, 5).
3. - O pecado é a morte da alma
Para conhecer melhor a raridade, a suavidade deste bem, atente um pouco, ó homem, a que o reduziram seus pecados, e a que mais ainda o poderiam reduzir. Já despojaram sua alma da verdadeira vida sobrenatural, e fica um cadáver inerte, deformado, malcheiroso. De fato, assim como a alma é a vida do corpo, assim Deus mediante a graça é a vida da alma. "Este é a tua vida" (30, 20), encontramos no
Deuteronômio. E assim como o corpo morre se a alma o abandona, assim morre a alma toda vez que, pelo pecado mortal, expulso da alma, Deus se afasta. Ó miserável, ó infeliz pecador que aqui me escuta, você diz estar vivo, mas na verdade está morto; "és considerado vivo, mas estás morto" (Ap 3, 1). Quer ver sua morte manifestada? A vida mais se manifesta no movimento e na ação. Agora, diga-me: o que você faz de meritório na ordem sobrenatural? Ou como você se dirige para a feliz beatitude? Se lhe foi tirado até mesmo o poder de agir e o direito de merecer? Tudo o que você faz, ou pudesse ou desejasse fazer, tudo é e seria um movimento inútil, uma ação vã, porque feito sem Deus. Porque conforme S. Agostinho "assim como a alma, enquanto está no corpo, lhe dá vigor, beleza, movimento, e as outras ações aos membros, assim enquanto Deus está na alma, lhe dá sabedoria, piedade, justiça, caridade" (2), que é a raiz do merecimento.
Assim dizia também o Apóstolo: "Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos pobres, e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria" (1 Cor 13, 2-3). E não se deve dizer que isto é uma verdadeira e deplorável morte? Está morto! Todavia, reflita bem, ó irmão, ó irmã, que o pecado devagar, devagar queria levá-lo a uma segunda morte pior, que é perder a vida eterna, à qual você foi criado, sepultando-o em "um lugar onde há fogo inextinguível e ranger de dentes, e o seu verme não morre" (Mt 8, 12; Mc 9, 43). Ó infelicíssimo, quem quer que seja, que permanece no pecado, você em
verdade; pode dizer: "A região dos mortos é a minha morada" (Jó 17, 13). A sentença já foi dada contra mim, apenas cometi a culpa. Nada mais é necessário para que seja executada, senão um sinal do Juiz. Ó infelicíssimo pecador! Sua alma está morta; quem a poderá ressuscitar? Você está condenado à morte eterna: quem poderá livrá-lo? A penitência, somente a penitência.
4. - A penitência é a ressurreição da alma
Se o pecado é a morte da alma, a penitência é a sua ressurreição. Esta realmente o reconcilia com Deus que é sua vida, e assim restitui-lhe a vida. Que coisa mais querida, mais doce que a vida? O que mais precioso, mais estimável desta vida que a penitência lhe dá? Que é uma participação da própria vida de Deus? "Cristo vive em mim" (Gl 2, 20). "A vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Cl 3, 3). A sentença de morte eterna já lançado contra você, por ela é mudada em direito à vida eterna. Sim: a vida eterna é o fruto suavíssimo da penitência, de uma conversão. Ouvi-o da boca o próprio Deus: "Não me comprazo com a morte do pecador, mas antes com a sua conversão, de modo que tenha a vida" (Ez 33, 11). O próprio Cristo pela boca do seu Precursor promete o reino dos céus à
penitência: "Fazei penitência porque está próximo o reino dos céus" (Mt 3, 2). E certamente a penitência faz o homem "herdeiro, segundo a esperança da vida eterna" (Tt 3, 7); Porque de servo do pecado o faz filho adotivo de Deus. O faz filho, porque de pecador o transforma em Justo, de inimigo de Deus o traz à sua amizade, o constitui na Sua graça. Isto nos é muito bem apresentado na parábola do Filho pródigo, como muito vivamente anotou S. Ambrosio (3). De fato retornando o pecador do seu longo desvio, arrependido, aos pés do seu Deus, e dizendo: Pai, pequei contra o céu e contra vós; aquele pai amoroso o acolhe, dando-lhe no rosto o beijo da paz, e ordena que lhe seja restituída a primeira veste, que é a veste nupcial da caridade e da graça. Coloca em sua mão o anel, que o penhor da fé e o sinal do Espírito Santo; prepara um substancioso banquete celeste: as Carnes puríssimas, o precioso Sangue do seu Unigênito e nosso Salvador, Jesus Cristo, com que o alimenta, o fortifica, o alegra .
5. - Onde abundou a iniqüidade aí superabundou a graça
Não é só isso. A penitência faz também que o homem ressurgindo do pecado receba maior graça do que tinha antes dele: daí se confirma freqüentemente que "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5, 20). Antes, se pode dizer ainda mais. Pois pela penitência muitas vezes o pecador se dispõe a receber de Deus maior abundância de graças que os próprios inocentes. E assim é, segundo o Evangelista, que os últimos serão os primeiros, e os primeiros os últimos" (Mt 20, 16); que "os publicanos e as meretrizes precederão muitos justos no reino dos céus" (Mt 21, 31) e que ''haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência, do que por noventa e nove justos que não necessitam de
arrependimento" (Lc 5, 7). Ajuntai às novas aquisições a reintegração das perdas. Tantas boas obras feitas quando estávamos em estado de graça e de inocência, tantos merecimentos acumulados antes, e depois saqueados pela culpa mortal, pela penitência revivem e são restituídos. Convertam-se a mim de todo coração, diz Deus por Joel: "Convertam-se a mim de todo vosso coração: eu restituir-lhes-ei as colheitas devoradas - durante o tempo em que em vocês reinaram as suas paixões - pelo gafanhoto, pelo roedor,
pelo devastador e pela lagarta" (Jl 2, 25). Que consolação para um pecador arrependido ver-se assim enriquecido, depois de tanta miséria! Que alegria ver-se circundado de tanta glória, depois de tanta ignomínia! Como deve ser-lhe alegre a saúde depois de haver provado o mal da enfermidade! Como querida a vida depois das ânsias, das angústias, das agonias mortais! Não mais remorsos, não mais tristezas, não mais temor. Uma paz suavíssima no coração; uma serenidade imperturbável no ânimo, uma tranqüilidade inefável no espírito. Este é o fruto da penitência, tão doce só em senti-lo com o pensamento,
quanto mais saboreá-lo com a experiência! Experimentemo-lo, ó meus irmãos pecadores, e revemos ainda melhor na prova quanto seja suave reconciliar-se com Deus. "Provai e vede como o Senhor é bom" (Sl 33, 9).
6. - Resolução
Convertamos logo, pois, sinceramente nosso coração a Deus; olhando nossos erros e desvios passados, tenhamos para com eles o mais vivo desprazer, a mais forte abominação, o ódio mais resoluto. Resolvamos com toda a estabilidade e constância emendar seriamente nossa vida e mudar para melhor nossos costumes. E com uma doce esperança, antes, com segura confiança de obter o perdão, confessemos, aos pés do sagrado ministro, todas as culpas cometidas, prontos a ressarcir a Deus e aos homens a conveniente e devida satisfação. Assim lavadas e de novo alvejadas nossas vestes no sangue do Cordeiro, daquele mesmo cordeiro imaculado, Cristo Jesus, que veio para "tirar o pecado do mundo" (Jo 1, 29): nos tornaremos dignos de sair-lhe ao encontro e de ser admitidos ao seu convívio feliz de todos aqueles bens que traz consigo, e de sua própria herança. "Andarão comigo vestidos de branco, porque o merecem" (Ap 3, 4).

15 de setembro de 2014

Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (12/20)

Os Mórmons
ou
"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.
Doutor em Teologia  
Missionarii Sacratissimi Cordis
"Missionários do Sagrado Coração"

TODAS AS OUTRAS SÃO APÓSTATAS!
As conseqüências da pretensão Mórmon para as outras Igrejas são mais propriamente drásticas. Porquanto os Mórmons sustentam que, desde a morte do último dos Apóstolos, S. João, não houve nenhuma autoridade divina para a administração das ordenações do evangelho. Nenhuma sucessão apostólica foi mantida. Todas as outras Igrejas divorciariam-se do evangelho original, e todos os seus batismos e outros ritos sacramentais têm sido nulos e inválidos. Só agora, 2000 anos depois, é que o apostolado foi restaurado em Joseph Smith. A ele foram dadas, por direta revelação de Deus, as chaves do Reino na Nova Dispensação. E foi-lhe mandado reunir e construir a Nova-Jerusalém na América, a fim de estar pronta para a Segunda Vinda de Cristo e para o Milênio.
Devemos fazer aqui uma pausa para fazer notar a inconsistência de professar-se continuada crença no Novo Testamento, e depois passar-se a asseverar o fracasso da Igreja estabelecida pessoalmente por Cristo, a necessidade de aditar à Bíblia novos livros "inspirados", e o advento de uma "nova dispensação" ordenada por Deus e dada ao mundo por intermédio de Joseph Smith!
É impossível que a Igreja estabelecida pessoalmente por Cristo tenha fracassado. Porquanto Ele disse: "Edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16, 18). Se deveras cremos em Cristo, temos de crer que as forças do mal não têm conseguido prevalecer contra a Igreja que ele estabeleceu. Mas as portas do inferno teriam prevalecido contra ela se a Igreja inteira, em todas as épocas até a chegada de Joseph Smith, houvesse apostatado! Se se dissesse que a promessa de Cristo não excluiu a possibilidade do fracasso por um tempo, desde que a Igreja fosse finalmente restaurada, então que é da promessa de Cristo aos Apóstolos: "Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos" (Mt. 28, 20)?
Além disso, toda menção de uma revelação adicional e de uma "Nova Dispensação" é inteiramente oposta ao claro ensino do Novo Testamento. Porquanto neste nos é dito que a plenitude da revelação e dispensação absolutamente finais para o gênero humano foi dada no próprio Cristo e por intermédio dele. Assim lemos que Deus, que em tempos passados falou por meio dos profetas, "por último de todos, nestes tempos, nos falou por seu Filho" (Heb 1, 1-2). "Por último de todos" não deixa lugar para "posteriormente por meio de Joseph Smith".
Tratando deste assunto na parábola dos maus vinhateiros, o próprio Cristo descreve a situação dizendo que o dono da vinha tinha enviado em vão uma série de menores mensageiros: "Tendo, porém, um filho, que lhe era muito caro, também o enviou a eles por último de todos, dizendo: Eles respeitarão meu filho. Mas os vinhateiros disseram-se uns aos outros: Este é o herdeiro; vamos e matemo-lo, e a herança será nossa" (Mc 12, 6-7). Não houve lugar, na mente de Cristo, para qualquer nova dispensação a ser concedida em épocas posteriores.
Também nos é dito que o corpo inteiro da verdade revelada foi dado aos Apóstolos, para ser guardado e manejado por eles e pelos seus sucessores, para ser pregado até os confins da terra. "Tudo quanto ouvi de meu Pai dei-vos a conhecer" (Jo 15, 15). Cristo não disse: "Calei uma porção de coisas que serão publicadas mais tarde no Livro de Mórmon"! A sua revelação não foi uma revelação parcial, tal como a que foi dada por intermédio dos profetas de antanho, mas sim única e completa. E ele ordenou aos seus Apóstolos: "Ide e ensinai todas as nações... a observarem tudo quanto eu vos mandei". E não acrescentou: "Exceto na América, onde vou aparecer aos Nefitas depois da minha ressurreição, escolhendo dentre eles outro grupo de Apóstolos para ali estabelecerem por mim a Igreja"!
Quanto à pretensão Mórmon de que a "plenitude dos tempos" veio somente com Joseph Smith, S. Paulo disse aos Gálatas que a "plenitude dos tempos" já tinha vindo com o nascimento de Cristo. "Quando veio a plenitude dos tempos", escreveu ele, "Deus enviou seu Filho, feito da mulher" (Gál 4, 4).
O nosso dever como cristãos é "pugnar ardorosamente pela fé uma vez por todas transmitida aos santos" (Judas, 3). Isto é, manter intacta, sem alterações ou adições, as doutrinas ensinadas aos primeiros cristãos pelos Apóstolos. A idéia Mórmon de que Cristo só deu um ensino parcial, a ser completado por Joseph Smith, é impossível para quem quer que crê no Novo Testamento e quer merecer o nome de cristão.
Mas, se o Mormonismo fracassa na sua pretensão de ser a revelação de uma nova dispensação, ainda piores se tornam as coisas quando nos volvemos para a sua exposição dos ensinamentos cristãos individuais que ele professa aceitar.

14 de setembro de 2014

Páginas de Vida Cristã - Pe Gaspar Bertoni.

10/26 - O JUÍZO UNIVERSAL 

1. - Temei a Deus e a Ele honrai, porque já se avizinha a hora do seu juízo(Ap 14,7).
"O grande dia do Senhor está próximo; está próximo, vai chegando com velocidade; amargo é o ruído do dia do Senhor; o forte se verá gele em grande aperto. Esse dia será um dia de ira, de tribulação e angústia, um dia de calamidade e miséria, um dia de nuvens e tempestades, um dia de trombeta e de gritos guerreiros contra as cidades fortificadas e contra as torres elevadas" (Sf 1, 14-16).
"Soltai gritos, porque o dia do Senhor está perto; virá do mesmo Senhor uma como total assolação. Por esta causa todas as nações perderão o seu vigor, todo o coração do homem desanimará e ficará quebrantado. Apoderar-se-ão deles convulsões e dores, e gemerão como a mulher que está de parto; cada um ficará atônito, olhando para seu vizinho, os seus rostos tornar-se-ão inflamados. Eis que virá o dia do Senhor, o dia cruel e cheio de indignação de ira, de furor, para transformar a terra numa solidão e para exterminar dela os pecadores. Porquanto as estrelas do céu e o seu resplendor não espalharão a sua luz; cobrir-se-ão de trevas o sol no seu nascimento, e a lua não resplandecerá com a sua luz" (Is 13, 6-10).
"Grande, terrível dia e quem jamais o agüentará?" (Jo 3, 2).
Oh! Deus! Como e quando virá este dia?
"Todavia como um ladrão - diz S. Pedro - virá o dia do Senhor, no qual, passarão os céus com grande estrondo, os elementos com o calor se dissolverão e a terra e todas as obras que há nela serão queimadas" (2Pd 3, 10).
E quando virá este dia? Responde o Apóstolo: "Quando disserem paz e segurança, então lhes
sobrevirá uma destruição repentina" (1Ts 5, 3). Porém quando será? Quando? Mas quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os Anjos do Céu, nem o Filho, mas só o Pai. Assim como foi nos dias de Noé, assim será também à vinda do Filho do homem. Porque, assim como nos dias antes do dilúvio (os
homens) estavam comendo e bebendo, casando-se e casando seus filhos, até o dia em que Noé entrou na Arca; e não souberam nada até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também na vinda do Filho do Homem" (Mt 34, 36-39) .
Temei a Deus pois, e a Ele honrai, porque já se avizinha a hora do juízo".
Aliás não me contento que vejais o juízo como próximo, mas mais ainda eu quero que o considereis como presente.
2. - Levantai-vos ó mortos!
Eis, portanto, um mundo já feito um deserto, o céu coberto de um véu tenebroso, funéreo. Sobre a terra queimada, fumegante ainda do vasto incêndio nada mais passeia senão um formidável silêncio. Onde estão agora aquelas cidades tão fortes e populosas? Onde aqueles monumentos e aqueles troféus soberbos levantados pela ambição e pelo fausto. Onde aqueles campos tão férteis e deliciosos! Ó terra, onde estão agora os teus avaros possuidores? Onde estão teus mais fanáticos amantes? "E não se ouvirão mais em ti a voz dos tocadores de cítara, dos músicos tocadores de flauta e de trombeta; não se encontrará mais em ti artista algum de qualquer arte; e não se tornará mais a ouvir em ti o ruído da mó" (Ap 18, 22). Assim pois passou a glória deste século?
Eis que Deus já tem "quatro Anjos nos quatro ângulos da terra" (Ap 7, 1) para chamar com forte toque das sonoras trombetas o mudo sonolento mundo. "Levantaivos, mortos, levantai-vos! Abrem-se os sepulcros: a terra, o mar, os abismos se apressam em devolver seus mortos" (Ap 20, 13). Ouviu-se um ruído, depois fez-se um reboliço; os ossos se aproximaram uns dos outros, pondo-se cada um na sua juntura. Olhei e eis que se formaram sobre eles nervos e carnes para os revestir e a
pele se estendeu por cima" (Ez 37, 7-8). "Levantai-vos mortos!" Abre-se o céu, fecha-se o inferno.
Voam as almas bem-aventuradas com alegria para revitalizar aqueles membros que um dia foram ministros da sua santificação e agora são companheiros da sua glória. Desencovam-se as almas condenadas, e são com violência obrigadas a aprisionar-se nos seus antigos corpos.
3. - O desespero dos ímpios
Horrorizam-se ver ao redor uma tão fétida monstruosa carniça, que empesta o ambiente com grave fedor e espanta com horrenda máscara. Porém é aquele o teu corpo, senhora vaidosa, jovem estulta, que tu acariciavas com tanto trabalho, que tu vestias com tanta delicadeza, que tu amavas com tanta perdição. Mísero! No que mais empregastes os teus pensamentos, teus cuidados, teus amores! "Levantaivos,
levantai-vos vinde ao juízo". Ao grande vale: "pois eu congregarei - diz Deus - todos os povos e os conduzirei ao vale de Josafá, e aqui discutirei com eles" (Jl 3,2).
Fugi, ó pecadores, fugi da espada de um Deus irado. Mas para onde irão longe do teu espírito, ó meu Deus, e para onde fugirei da tua face"? (Sl 138, 7). Que fareis, pois em um dia de visita tão grave e de tão acerba calamidade? A quem voltarei esperando socorro? Mísero! Que poderei fazer, quando Deus aparecer para julgar-me e quando Ele me pedir contas, que poderei responder-lhe? Onde me esconderei do seu semblante indignado? "Quem me dera que eu pudesse fechar-me no Inferno até que passe o teu furor"? (15, 13). Em vão "gritam os pecadores aos montes: Caí sobre nós?" Em vão às colinas, cobri-nos!" (Ap 6, 16; Lc 23,30).
4. - O comparecimento do Juiz divino
Já cintila do oriente até o ocidente improvisa luz fulgurante (Mt 24, 27). Já se percebe no alto do céu a cruz elevada: Pecadores, eis "o Legislador, eis o Juiz, o único que pode salvar e perdoar" (Tg 4, 12) . "Eis que já vem sobre as nuvens e verão os vossos olhos Aquele que haveis ferido" e crucificado tantas vezes com vossos pecados. "E haverão de chorar e baterão no peito ao vê-Lo todas as tribos da terra" (Ap 1, 7). "Diante de sua face um fogo devorador o precede" (Jl 2, 3) "Para queimar ao seu redor os seus inimigos" (Sl 96, 3). "Porque o Senhor virá no meio do fogo, o seu carro será como um torvelinho, para espalhar a sua indignação, o seu furor e as suas ameaças em labaredas de fogo" (Is 66, 15). "Eis que o nome do Senhor vem de longe, o seu furor é ardente e insuportável; os seus lábios estão cheios de indignação e sua língua é como um fogo devorador. O seu sopro é com uma torrente que, inundando chega até o meio do pescoço, para perder e aniquilar as nações e (quebrar) o freio do erro, que estava nos queixos dos povos" (Is 30, 27-
28).
5. - A amarga separação
Com fulgurantes espadas "saem os Anjos para separar os bons dos maus, os cabritos dos cordeiros" (Mt 13, 49; 25, 31-33). Amarga separação! Divide-se para sempre o filho do pai, a mãe da filha, o irmão, o parente do irmão e do parente, o amigo do amigo. Estes à direita, aqueles à esquerda. Dois viviam na mesma família, dois trabalhavam na mesma oficina; um "se eleva" entre os eleitos, o outro se "abandona" entre os réprobos (Mt 24, 40-41; Lc, 17, 34). Elevam-se arrebatados no vôo sobre brancas nuvens os eleitos ao encontro de Cristo, que com pacífico e alegre semblante os convida ao seu seio e ao repouso: "Vinde, benditos de meu Pai, possui o reino que vos está preparado desde a criação do mundo" (Mt 25, 34). E assim, sentarão fazendo majestosa cerca ao trono de Cristo, e "calcarão os ímpios como a cinza debaixo dos seus pés" (Ml 4, 3), segundo o que está escrito: "Os Santos julgarão os deste mundo " ( 1Cor 6 , 2 ). Agora é que se vêem "os ímpios já decaídos sem honra e na confusão entre os condenados à morte perpetuamente"; "dilacerado rotos, em desordem, os pecadores, já inchados de ira, se vêem arrebentar sem falar nem gritar" (Sb 4, 19).
6. - Os remorsos dos ímpios
"Abatidos e atemorizados até os fundamentos despencam ao fundo de uma extrema desolação. Tímidos e lamentadores pensando em seus pecados vêem todos perfilados em distinta e horrível formação para acusá-los (Sb 4, 19-20). "Os próprios Céus revelam sua iniqüidade, e a terra se levanta contra eles" (Jó 20, 27)
quase testemunhando. E aqueles que não souberam vencer um respeito humano para mudar de vida e costumes, nem superar uma pequena vergonha confiando ao ouvido de um ministro de Deus um pecado pela sua salvação, sofrem agora a confusão inútil de ver descobertos diante de um mundo inteiro suas mais ocultas ignomínias. Distinguem num só momento todos os inumeráveis e grandiosos benefícios divinos em confronto com a ingratidão da sua correspondência; notam os estranhos abusos feitos dos dons mais assinalados do céu, descobrem todo o artifício admirável de uma infinita benignidade, que procurou sempre conduzi-los à penitência e à salvação. E vêem que a graça jamais faltou a eles, embora eles mesmos faltaram à graça. Conhecem bem agora quanto foi vã desculpa para eles o costume ou a moda contra o Evangelho de Cristo, ou a fragilidade e a debilidade humana tão exagerada contra a lei de Deus. Também nós - gritam contra os pecadores os eleitos - estávamos vestidos da mesma natureza, rodeados das mesmas enfermidades. Porém nós levamos e sempre como doces e leves aquele peso que vós, como insuportáveis não quisestes nem mesmo olhar. Nós também, pecadores - acrescentarão outros santos - e grandes pecadores fomos um dia; porém vencemos ocasiões, hábitos, e cuidados para converter-nos de todo coração a Deus. Assim falam os justos "com grande afoiteza, contra aqueles que os atribularam, e que lhes roubaram o fruto dos seus trabalhos" (Sb 5, 1). "Vendo-os assim, os maus perturbar-se-ão com temor horrível e ficarão assombrados, ao verem a repentina salvação dos justos, a qual eles não esperavam: e dirão dentro de si, tocados de arrependimento, e gemendo com angústia do espírito: Estes são aqueles a quem nós outrora tínhamos por objeto de zombaria e por motivo de vitupérios, nós insensatos, considerávamos a sua vida uma loucura, e a sua morte uma ignomínia. E ei-los que são contados entre os filhos de Deus, e entre os santos até a sua morte. Logo, nós nos extraviamos do caminho da verdade, a luz da justiça não raiou para nós, e o sol da inteligência não nasceu para nós. Cansamo-nos na senda da iniqüidade e da perdição, andamos por cominhos ásperos, e ignoramos o caminho do Senhor. De que nos aproveitou a soberba? De que nos serviu a vã ostentação das riquezas? Todas aquelas coisas passaram como sombra, como um mensageiro fugaz" (Sb 5, 2-9). Mas agora não há mais tempo.
7. - A inexorável condenação
Mas e a vossa misericórdia, ó divino Juiz? - Abusaram em vida. Agora me provem e me chamem também "sem misericórdia" (Os 1, 6). Mas e o vosso sangue? - Não o quiseram usar para a salvação; sirva-lhes
pois agora para a eterna condenação . E vós, Anjos da Guarda, Santos advogados? E Vós, ó Maria? - Sim, todos cooperaram, todos por eles pediram em tempo oportuno, quando ainda viviam. Agora em um dilúvio tão grande da ira de Deus ninguém há que queira ou que possa aproximar-se deles. Antes, todos glorificando sua Justiça, gritam: "Justos são teus juízos, ó Senhor, justos os teus juízos" (Ap 16, 7). Eis pois, ó Rei, ó Senhor, vingança, vingança contra os nossos inimigos! Pecadores, pecadores, já troveja o Juiz contra vós a última imutável sentença: "Afastai-vos, afastai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno já
preparado para o demônio e aos anjos seus sequazes" (Mt 25, 41). Abatidos e derrubados por este raio sobre a terra que treme debaixo de seus pés e se escancara, os pecadores tombam como pedra até o profundo abismo: a terra de novo se fecha sobre eles e os eleitos ficam assim sozinhos com Cristo! Ó bem-aventurada sorte dos justos, que ficarão sempre com Deus! Oh! mísera sorte dos pecadores a penar sempre separados de Deus! Ó sorte muito desigual, porém igualmente imutável! Ó eternidade! O homem estabelecido em tua casa: aí estará para sempre. Ó eternidade! Ó eternidade!
8. - Lancemo-nos nos braços da divina misericórdia
Que mais se espera, portanto, para atirar-se nos braços desta divina misericórdia enquanto ainda é tempo, antes que ela dê lugar à tão por nós ofendida, irritada justiça? Agora é o tempo para ser aceita a nossa penitência; então será de fato vã e inútil. Estes são os dias para assegurar a nossa salvação; naquele dia
estará perdida toda esperança. Não nos confiemos no tempo, porque ainda um pouco, e aquilo que está para vir virá e não tardará. Quando menos o pensarmos virá. Descuidar um negócio de tanta importância, é o mesmo que declarar-se querer de fato, perdê-lo. Deferir-lhe a liberação equivale o mesmo que expô-lo ao máximo perigo. Tratar-se de uma alma que perdida uma vez estará perdida para sempre. Trata-se de um estado perpetuamente imutável. Trata-se de uma eternidade de glória e de pena. O que mais se espera? Este homem-Deus, nosso Juiz, que verdadeiramente nos ama, qual Pai amoroso, que para não ver perder-se seus filhos eternamente debaixo do flagelo da sua muito justa vingança, nos ameaça, e nos avisa e clama forte, para que nos esquivemos do áspero golpe fatal. Empenha todo seu sangue para lavar nossos pecados; nos exibe seus merecimentos para que sejamos revestidos de um direito justo ao seu reino; nos faz participantes das suas satisfações, para aliviar-nos o peso da nossa penitência. "Vinde - clama - vinde a
mim todos vós que estais fatigados e carregados" com o peso dos vossos pecados, "e eu vos aliviarei." (Mt 11, 28). Ó misericordioso e infinitamente benigno, e amoroso Senhor! É bem digno de ter sua parte com os demônios, quem recusa agora ter parte com um Senhor tão bom. É justo que prove todo o furor da vossa inflexível Justiça, aquele que despreza vossa excessiva misericórdia. E muito merece ser fulminado naquele dia com aquele tão amargo "afastai-vos", quem se faz de surdo a um tão doce "vinde".

13 de setembro de 2014

Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (11/20)

Os Mórmons
ou
"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.
Doutor em Teologia  
Missionarii Sacratissimi Cordis
"Missionários do Sagrado Coração"

NOVA DISPENSAÇÃO
Joseph Smith, como vimos, cresceu num ambiente de reavivamentismo protestante, e declarou que ficava desnorteado com as pretensões e contrapretensões das seitas colidentes. Como tantos outros antes dele, procurou uma solução abandonando todas as outras e erigindo uma Igreja sua — assim aditando mais um rebento do protestantismo para aumentar a confusão que o afligira inicialmente!
Mas ao menos podemos ver que o Mormonismo é inteiramente resultado dos princípios protestantes do juízo privado operando num círculo puramente protestante. Não se pode dizer que Joseph Smith tenha rejeitado o Catolicismo, pela simples razão de não haver ele sabido coisa alguma sobre este. O seu movimento foi uma reação contra a confusão do Protestantismo; e ao tipo fundamentalista de Protestantismo — a única religião que ele conhecia — foi que aditou o Livro de Mórmon e algumas revelações ulteriores que imaginava lhe terem sido concedidas.
"No seu artigo sobre "Mormonismo", na "Encyclopaedia Britannica", Reed Smoot, ex-Senador de Utah, diz-nos que o Mormonismo "não pretende ser uma nova religião, mas considera-se uma nova dispensação". Diz ele que tem havido muitas dispensações concedidas por Deus de tempo em tempo, mas que a última dispensação "da plenitude dos tempos" foi agora proclamada por meio de Joseph Smith.

As fontes da verdadeira doutrina para os Mórmons são agora:

1. As Escrituras Judaica e Cristã; isto é, o Antigo e o Novo Testamentos;
2. O Livro de Mórmon;
3. A Doutrina e os Pactos (Revelações feitas a Joseph Smith);
4. A Pérola de Grande Preço (coleção de escritos de Moisés e de Abraão não contidos na Bíblia, e outros escritos de Joseph Smith).

Entretanto, a doutrina contida nestes documentos está sendo continuamente suplementada por novas revelações feitas aos Mórmons, as quais só têm força obrigatória se oficialmente adotadas por uma Conferência Geral da Igreja.

12 de setembro de 2014

Paginas de Vida Cristã - Pe. Gaspar Bertoni.

9/26  -  A MORTE É TERRÍVEL PARA CADA HOMEM 


1. - O fim universal do mundo
O santo Evangelho no capitulo 21 de S. Lucas nos convida a pensar no fim universal deste mundo. Este pensamento deve atemorizar todas as nossas paixões e fazer-nos entrar seriamente em nós mesmos. Os sinais pavorosos do formidável e último juízo nos vêm descritos por isso pelo próprio Cristo. "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; na terra, consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas, mirrando-se os homens de susto, na expectativa do que virá sobre todo o mundo, porque as virtudes dos céus se abalarão" (Lc 21, 25-26).
Oh! Deus! Que dias funestos! Oh! que tempo espantoso será aquele! Cada um de nós vai dizendo: Peço ao Senhor que me tire a vida antes daqueles terríveis momentos. E assim esperando cada um de morrer antes, industria-se para tirar de si o medo daquele dia tremendo.
2. - O dia em que eu morrer será para mim o fim do mundo
Mas eu quereria que refletíssemos um pouco melhor. Não será talvez a morte para cada homem, em particular, o que para todos os homens deverá ser o morticínio universal? Aquele dia em que eu morrer, que cada um de vós morrer, é para mim, para cada um de vós, o fim do mundo. Como, portanto, é tão temido por todos aquele dia, e tão pouco pois comumente este? Talvez podemos fugir deste dia que possamos não morrer? Ou que este dia deve ser menos temido?
Eis que vos apresento rapidamente somente três efeitos terríveis da morte: a perda do corpo, a perda dos bens temporais, o perigo de perder a alma. Veremos se a morte é para ser menos temida que o fim do mundo; e o veremos pelo efeito deste temor, que é abandonar toda vaidade da mente, desapegar o coração dos afetos terrenos, e colocar o homem no ponto de providenciar seriamente a salvação.
3. Estamos condenados à morte
Entre os outros dons sublimes de que foi adornada a natureza humana apenas saída das mãos do seu excelso Criador, é a imortalidade: "Deus criou o homem imortal" (Sb 2, 23). Nós fomos criados por Deus para viver sempre. E se agora nós devemos morrer, isto é por sentença de pena estabelecida: "está escrito
que os homens morram uma só vez" (Hb 9, 27). Somos condenados à morte.
A morte não existia no mundo; aquele primeiro homem que introduziu o pecado trouxe também a morte: "Como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte" (Rm 5, 12).
Acreditava aquele nosso primeiro pai poder tornar-se igual a Deus: "sereis como deuses" (Gn 3, 5). E Deus o condenou a tornar-se pó: "em pó te tornarás" (Gn 3, 19); para que se esclarecesse com o fato de ser pó e não Deus, e a Deus se sujeitasse com a humilhação, quando tolamente queria engrandecer-se com a
soberba: "porque és pó".
Sim fomos condenados à morte pela soberba dos nossos progenitores e somos condenados também todos nós, filhos, para que aprendamos a ser humildes diante de um Senhor tão poderoso: "humilhai-vos pois sob a poderosa mão de Deus" (1Pd 5, 6).
Parece-vos que um condenado à morte deva andar de cabeça erguida e arrogantemente? Olhai aqueles que são levados à forca: pálidos, trêmulos, cabeça inclinada! Nós estamos neste caso. Se o caminho para o patíbulo é porventura um pouco mais longo, não teme, porém, menos aquele infeliz que é levado para ele.
Não são como bestas insensatas e animais irracionais, que pulam nos prados e brincam nas ruas mesmo indo para o matadouro. O homem teme à vista de um mal gravíssimo, irreparável, iminente.
4. - O aspecto da morte
Devo morrer. É preciso que deixe este meu corpo. Deverá reduzir-se em um cadáver corrupto, horrível, nauseante.
Não posso me ensoberbecer, nem sei do que. Talvez da beleza, da vivacidade, do brio? Mulher vaidosa, jovem bela, admirai-vos no espelho; eis um daqueles ídolos que são adorados por vós, aterrorizados pela morte. "Eis um cadáver mudo, esquálido, descarnado, os cabelos eriçados, os cílios hirsutos, os olhos abatidos e igualmente cerrados, a face transfigurada, a cor lívida, os membros enregelados e rígidos e toda a pessoa decadente; um esqueleto horrível, uma sombra noturna, um fantasma aterrador". Este é um retrato ao natural do vivo pincel de Bartoli. (2).
E onde está a pompa das vestes, dos ornamentos? Envolto em uma mortalha se coloca fora de casa porque não podem agüentar seu mau cheiro. E para onde vai? Para uma fossa. Aqui estão reduzidas as amplas posses, os majestosos palácios. Os perfumados jardins se transformam em fétido sepulcro; o esplendor do
ouro e da prata se muda na imundície e na sujeira. À nobreza, da parentela sucede a fraternidade com os vermes e com a podridão. Aquele que todos predominava com a prepotência e com o luxo jaz sob a terra e é pisado pelos pés de cada um que passa. "Porque se ensoberbecem a terra e a cinza? (Eclo 10, 9).
5. - O amor às coisas terrenas torna mais amarga a morte
Vai não obstante, ó mísero, e apostatando pela tua soberba do teu Deus, único e verdadeiro bem, teu último fim, coloca tua felicidade, tua paz, nestes ilusórios bens do mundo. "Ó morte quão amarga é tua memória para um homem que tem paz no meio de suas riquezas!" (Id 41, 1).
Se só o pensamento de morrer te amargura a posse, provarás como será para ti amaríssima a morte que de todos estes bens igualmente e para sempre e à força te separará. Reflete que mais te será dolorosa esta perda quanto mais é agora amado aquilo que deves perder. E, porém, não é verdadeiro que tu amas as coisas terrenas e caducas, não só mais que teu corpo - que seria pouco - mas mais ainda que tua própria alma? Tu estás pronto para perder esta, muitas vezes, para não perder aquelas. Que será pois quando apesar de tudo as perca? Aumentará a dor da separação quanto mais te custaram a posse e a conservação. Quantos pensamentos, quantas fadigas, suores, perigos, quantas lidas, quantas vigílias, quanto tempo, quanta, solicitude: tudo perdido!
Multiplicar-se-á a amargura desta separação quanto mais forem as coisas amadas de que te deverás separar. Tantas divisões, tantas dores. Dores pela riqueza, pelos prazeres, pelas honras. Dores pelos parentes, pelos amigos, pelas conversações. Dores pelos palácios, pelas vilas, pelas terras. Dores pelos festins, pelas músicas, pelos amores. Dores por tudo aquilo ao qual era antes afeto, delícia, prazer.
6. - A separação é tanto mais dolorosa quanto menos prevista
Será muito maior a dor desta perda, por chegar impensada e totalmente imprevista. Pensava-se, quase, que este mundo devesse durar eternamente.
Tinha reunido muitas riquezas aquele tal e dizia entre si: "Minha alma, tens muitos bens em depósito para largos anos, descansa, come, bebe, regala-te". E eis uma voz que intima: "Néscio, esta noite te virão buscar a alma; e as coisas que juntaste, para quem irão? (Lc 12, 20).
Outros então gozarão aquilo que preparei para gozar; e eu devo deixar? E nem mesmo saberei quem gozará o que deixo?
Perco estes bens falazes que tanto amei; e por haver amado estes bens falazes perco, perco ainda para sempre o verdadeiro bem que podia e devia eu amar e não amei.
Se eu tivesse amado a Deus! Deus não me teria faltado; e com Ele não me teria faltado nenhum outro bem.
Perco agora todo bem e vou encontrar - pelos bens falsos e defeituosos que amei - verdadeiros males, infinitos intermináveis.
O temor de perder a alma, de que angústias, de que penas, de que ânsias não deve atormentar o homem colocado neste terrível momento! À vista do iminente extremo perigo!
7. - O momento terrível do qual depende a eternidade
"Cercaram-me dores de morte" (Sl 17, 5; 114, 3). Vede uma cidade cercada por forte assédio. É batida, abalada por toda parte. Ruídas finalmente em muitos lugares as muralhas, abertas as brechas, o exército vencedor dispõe furibundos assaltos. Que confusão! Que perturbação! Que desespero na mísera população!
Tal será a alma assediada no seu corpo por aquele feroz bando de males que militam sob as bandeiras sempre vitoriosas da morte. Sem jamais dar trégua e repouso, esta implacável inimiga combate com tal furor, com tanto ímpeto agita os membros, que a alma desesperando de poder se defender, abandona a amada morada aos direitos da conquistadora. "Pisa sobre ela como um rei vencedor". (Jó 12, 14).
Ó Deus! E a alma infeliz para onde fugirá? Para o outro mundo, para a eternidade! E que espaço se destina para esta fuga? Quando tempo se concede?
Um ponto só, um só instante, um momento. Este é "o momento de que depende toda a eternidade". "E estas são aquelas portas horríveis" (Jó 37, 17), que num só passo mudam a alma do tempo para a eternidade. Este é o ponto em que se decide a sorte do homem estavelmente, imutavelmente, para sempre. O momento terrível!
Ó passo terrível! Ó instante tremendo!
Em um momento, eis que extremos se apresentam: ou Céu, ou inferno; ou suma glória, ou suma ignomínia; ou perpétuo prazer, ou perpétuo padecer; ou eterna felicidade, ali eterna miséria.
Ó Deus! Que perigo! Que perigo enorme de perder-se!
8. - Motivos de terror
Acrescentai que a suma dificuldade de esquivar-se do mal iminente ocupará então a apreensão do ânimo.
E antes de tudo pela consciência dos próprios pecados. Estes horríveis monstros, presentes vivamente no pensamento não nó seu gênero, mas nas várias espécies, no número, na gravidade, na pena correspondente, ocuparão de tal maneira a mísera alma amedrontada, que, vendo-se rodeada e carregada de tanta malícia, de tanta feiura, de tanta deformidade, será constrangida a odiar-se a si mesma. "Comparecerão medrosos com a lembrança dos seus pecados, e as suas iniqüidade se levantarão contra eles para os acusar" (Sb 4, 20).
O espanto, a perturbação, a consternação que lançara no ânimo uma visão tão horrível, é descrita pelo salmista com a semelhança de uma torrente cheia de ímpeto e ruína: "As torrentes da iniqüidade se conturbaram" (Sl 17, 5).
Tem medo a alma de sair; teme por os pés na eternidade; quereria retirar-se, mas em vão; a morte já a empurra.
Ela procura quem a possa salvar, e ninguém há que a liberte. Procura companhia, e ninguém há que a acompanhe. Procura advogados e protetores, ninguém que a defenda. Totalmente sozinha deve caminhar, seguida de suas obras: "suas obras o seguirão" (Ap 14, 13).
Quem devesse caminhar no escuro por lugares desconhecidos e perigosos e devesse andar entre horrores em silêncio e de trevas totalmente sozinho: que medo!
Mas quanto maior medo não será encaminhar-se ao outro mundo, onde não sei a qual sala meus merecimentos me conduzirão! E o horrendo tribunal que me espera!
E o Juiz, que temo, desprezado por tantas ofensas! E a Misericórdia que cede lugar à Justiça! E aquela decisão inexorável e, além do mais, severa!
As próprias obras do justo serão sutilmente pesadas com justiça: "eu temia todas as minhas obras" (Jó 9, 28). Os próprios santos tremiam! "Apenas o justo sesalva" 1Pd 4, 18).
E estes inimigos que agora me combatem mais ferozes que nunca, e me aviltam, e me apertam como leões famélicos para devorar-me! "Porque o demônio, vosso adversário, anda ao redor, como um leão que ruge, buscando a quem devorar" (1Pd 5, 8) em todos os tempos! mas sabendo ele então não ter mais tempo, põe em ação todas suas forças e dá as últimas provas de sua astúcia e doseu furor: "com grande ira, sabendo que lhe resta pouco tempo" (Ap 12, 12).
Ó Deus! Em tanto perigo de perder-me, em tanta dificuldade de salvar-me, entre tantos raivosos inimigos que me levam à ruína, oh! Deus! E se me perder?
Perco o Céu, caio no inferno. Perco um Paraíso de todo bem, perco aquela felicidade última e suma para a qual fui criado. Perco o meu Deus, minha verdadeira felicidade, por um mísero bem aparente, que eu, estulto , na vida amei e que logo desapareceu. Encontro um inferno repleto de todo mal. Encontro um sofrimento
intolerável, sem conforto e refrigério. Encontro uma miséria extrema que eu podia facilmente evitar quando havia tempo para converter-me, e Deus mesmo oferecia sua graça, sua misericórdia.
9. - Se só uma vez se perde a alma, perde-a para sempre
Coitado de mim! Se me perco agora esta perda é irreparável. O machado já está colocado à raiz da árvore; de qualquer lado que ela caia, aí ficará para sempre:"Se a árvore cair para a parte do meio-dia, ou para a do norte, em qualquer lugar onde cair, aí ficará" (Ecl 11, 3).
Aquele fogo inextinguível queima qualquer botão de esperança que eternamente possa mudar de lugar e sorte: "inflamabit eos dies veniens quae non derelinquet eis germen" (Mt 4, 1).
Abrir-se-á - diz S. Agostinho - o Inferno como um poço de fogo ardente. "Se poderá descer, sair não se poderá".
Assim pois rezava Davi atemorizado para que aquele poço horrendo não fechasse sobre ele a sua boca: "nem a boca do poço se feche sobre mim" (Sm 68, 16).
Ó vós que viveis agora esquecidos de Deus, prestai atenção a estas coisas: pois se uma vez só se perde a alma, está perdida para sempre: "Entendei isto, vós que vos esqueceis de Deus, não suceda que vos arrebate, e não haja quem vos livre" (Sl 49, 22).
10. - Salvai vossa alma
Creio ter provado suficiente quão terrível seja a morte para qua lquer homem, pois com ela termina todo bem do corpo do qual o homem loucamente se envaidecia; e termina todo bem na terra, no qual colocava fora de ordem o coração; e agora corre grande risco de encontrar um grande mal e sem fim.
Para mim a conferência está concluída: a vós cabe deliberar. Não há necessidade que alguém vos ensine o que deveis fazer. Tendes bastante argumentos para julgá-lo vós mesmos; em outro lugar vos foi dito e agora se vos diz novamente. Dizê-lo mais uma vez seria perder tempo.
O que se requer agora é unicamente resolver-se com eficácia e começar a trabalhar. Tudo isto está em vós, como também a alma é vossa. Se vós não pensardes nela, quem pensará? se vós não a salvais, quem a salvará?