1 de março de 2017

Missas Tridentinas - Fevereiro 2017 - Padre Renato

Missas Tridentinas

Imagem relacionada

Fevereiro 2017

25/02     Sábado       19:00h (Após o Congresso Montfort)
26/02     Domingo    11:00h
27/02     2ª feira       20:00h
28/02     3ª feira       11:00h
01/03     4ª feira       20:00h - Quarta-Feira de Cinzas

Local:       Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 2057
Bairro:      Rebouças - Curitiba - Paraná

==================================================================
Estamos antecipando a divulgação do Calendário das Missas para os meses de Março, Abril (Semana Santa) e Maio de 2017. Sofrendo alguma alteração, estaremos divulgando em nosso blog.

Março 2017

25/03     Sábado       18:00h
26/03     Domingo    11:00h
27/03     2ª feira        07:00h

Abril 2017

08/04     Sábado       19:00h
09/04     Domingo    11:00h
10/04     2ª feira        20:00h
11/04     3ª feira        20:00h
12/04     4ª feira        20:00h
13/04     5ª feira        20:00h
14/04     6ª feira        17:00h
15/04     Sábado       22:00h
16/04     Domingo    11:00h
17/04     2ª feira       20:00h
18/04     3ª feira       07:00h

Maio 2017

27/05     Sábado      18:00h
28/05     Domingo   11:00h
29/05     2ª feira       07:00h

28 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 300 a 301

A PREGUIÇA PODE LEVAR A MORTE


1. Tramavam os tebanos uma conspiração contra seu rei Árquias. Um amigo deste, sabedor do que se tramava contra o rei, e até dos nomes dos conspiradores, escreveu-lhe uma carta muito urgente, que o rei recebeu quando estava celebrando um grande banquete. O mensageiro, encarregado de entregá-la, disse ao rei que abrisse, porque as noticias que continha eram gravíssimas. Árquias, porém, não quis interromper o banquete que com tanto prazer celebrava, e escondeu a carta, dizendo: “Em nossas horas de regozijo não devemos dar ouvidos as coisas sérias”. Pouco depois caía na emboscada de seus inimigos e perecia em suas mãos.

2. O príncipe Luis, filho de Napoleão III, quando pela manhã o despertavam, ou lhe diziam que terminara a hora do recreio, costumava exclamar: “Só dez minutos mais!” Mais tarde, tendo-se alistado na guerra contra os cafres, um dia, após longa caminhada sob o sol africano, descansava com outros companheiros sob a relva de uma paragem mais fresca. O comandante deu ordem de montar de novo, mas o príncipe exclamou: “Eu fico só mais dez minutos!” Nisto apareceu um bando de cafres. Os que já estavam montados escaparam; mas o príncipe caiu morto sobre a relva, transpassado pelos dardos dos selvagens.

27 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 297 a 299

A GLÓRIA DO TRABALHO


1. O Papa Adriano VI, quando estudante na Universidade de Lovaina, deixava os colegas ao anoitecer e voltava só depois de meia-noite sem que se soubesse onde passava aquelas horas. Um dia seguiram-lhe os passos e encontraram-no estudando ao lado da igreja. “Sou muito pobre, não posso comprar uma vela cada noite e, por isso, faz quatro meses que estudo onde encontro luz". Poucos anos mais tarde era chanceler daquela Universidade, depois preceptor do imperador Carlos V, que o nomeou primeiro ministro de Espanha, chegando afinal a ser Papa.

2. O Papa Leão XIII, durante seus estudos em Roma, não se ocupava de diversões nem de jogos. Seus livros eram todo o seu prazer, e aprofundar as ciências era toda a sua felicidade. Na idade de treze anos escrevia o latim em prosa e verso com uma elegância e facilidade maravilhosas. Foi um dos grandes papas da Igreja.

3. André Mantegna, famoso pintor, do século XV, era de família muito humilde. Por seu talento e amor ao trabalho chegou a ser cavalheiro da côrte do marquês de Mãntua. Foi, além disso, pintor, gravador, escultor, arquiteto e poeta. Na idade de dez anos foi admitido no grêmio dos pintores de Pádua. Trabalhou vários anos em Roma para o Papa Inocêncio VIII. Entre suas obras mais notáveis está o quadro do “Trânsito da Virgem”, que se conserva no Museu del Prado. Desse quadro disse Eugênio d’Ors que “é o cimo da dignidade artística... Não há quadro mais bem composto que este na antologia da pintura universal”.

26 de fevereiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

IV 

O Coração de Jesus Cristo deixou-se principalmente atrair por uma das formas mais profundas da miséria humana, qual é o pecado. Se no procedimento do Verbo Incarnado, durante a Sua vida pública, há traço que impressione de modo particular, esse é a singular preferência que manifesta pelo Seu ministério junto dos pecadores.
 Os escritores sagrados dizem-nos que <
 No plano eterno, Jesus é o nosso irmão mais velho: Praedestinavit (nos Deus) conformes fieri imaginis Filií sui, ut sit ipse primogenítus in multis fratribus. Tomou a nossa natureza, pecadora na raça, mas pura na Sua pessoa: In similitudinem carnis peccati. Sabe que a grande massa dos homens sucumbe ao pecado e necessita de perdão; que as almas escravas do pecado, que vivem longe de Deus, nas trevas e à sombra da morte, não compreenderão a revelação direta do divino; não poderão ser atraídas para o Pai senão pelas condescendências da santa Humanidade. E é por isso que uma grande parte dos Seus ensinamentos e da Sua doutrina, uma infinidade de atos de bondade e perdão para com os pecadores, têm por fim fazer compreender a essas pobres almas algo da profundeza das misericórdias divinas.
 Numa das Suas mais belas parábolas, que conheceis, a do filho pródigo, Jesus mostra-nos o retrato autêntico do Pai celeste.
 Mas, como muito claramente o dá a entender o Evangelho, o fim imediato é explicar as Suas próprias condescendências para com os pecadores. De fato, diz S. Lucas que <
Mostra primeiro a extraordinária bondade do pai, que esquece toda a ingratidão, toda a baixeza do culpado, para só pensar numa coisa: «O seu filho estava morto e ressuscitou; estava perdido, e foi achado; por isso se deve regozijar e mandar preparar imediatamente um banquete».
 Nosso Senhor podia ter ficado por aqui na exposição da parábola, se a sua intenção fosse apenas fazer brilhar, aos nossos olhos, a misericórdia do pai de família para com o pródigo. Realmente, esta misericórdia é tão grande, que não a podemos imaginar maior; comove-nos tanto, deixa-nos tão assombrados, que prende toda a nossa atenção e as mais das vezes perdemos de vista a lição que Jesus queria dar aos murmuradores, aos que blasfemavam da Sua maneira de tratar com os pecadores. Continuando a parábola, mostra-nos a atitude odiosa do filho mais velho, que se recusa a tomar parte na alegria geral e a sentar-se à mesa no banquete preparado em honra do irmão.
 Jesus queria mostrar aos fariseus, não só quanto era duro o seu orgulhoso procedimento e desprezível o seu escândalo, mas ainda ensinar-lhes que Ele, nosso irmão mais velho, em vez de evitar o contato com os Seus irmãos arrependidos, os publicanos e pecadores, vai em busca deles e toma parte em suas festas. Porque <
 Por si só, a parábola do filho pródigo constitui uma revelação magnífica das misericórdias divinas. Quis, porém, o nosso Salvador ilustrar este ensinamento e sublinhar esta doutrina com atos de bondade que nos encantam e comovem profundamente.
 Conheceis o colóquio de Jesus com a Samaritana. Foi logo no princípio da vida pública de Jesus. Nosso Senhor ia de Jerusalém para a Galileia. Tendo de percorrer grande distância, partira de manhã cedo, e, por volta do meio dia, chegara perto de Sicar, cidade da Samaria. O santo Evangelho diz-nos que <
Todas as ações do Verbo Incarnado se revestem de surpreendente beleza, na sua simplicidade; nada de pretencioso ou afetado; apesar de ser Deus, Jesus é igualmente, se assim me posso exprimir, muito humano, no sentido completo e nobre da palavra: Perfectus Deus, perfectus homo. Reconhecemos perfeitamente n'Ele um dos nossos.
 Senta-se, pois, na borda do poço, enquanto os discípulos vão à aldeia próxima buscar víveres. E Ele que ia fazer ali? apenas descansar? esperar que os discípulos voltassem? Não; ia em busca duma ovelha desgarrada, ia salvar uma alma. 
Nosso Senhor Jesus Cristo descera do céu para resgatar as almas: Dedit redemptionem semetipsum pro omnibus. Durante trinta anos, fora obrigado a conter o ardor daquele zelo pelas almas, que O devorava. É certo que trabalhava, sofria e orava por elas; mas não ia ao encontro delas. Agora era chegada a hora em que o Pai queria que Ele iniciasse, para as conquistar a pregação da verdade e a revelação da Sua missão. Nosso Senhor ia a Sicar para salvar uma alma predestinada desde toda a eternidade. 
E quem era essa alma? Com certeza, naquela localidade, fácil seria encontrar muitas menos corrompidas do que a pecadora que queria salvar. E, no entanto, é por ela que espera. Conhece todos os desregramentos, todas as infâmias dessa pobre mulher; e é a ela, de preferência a todas as outras que se vai manifestar.
 Eis que chega a pecadora, com o cântaro para encher na fonte. Logo Jesus Cristo lhe dirige a palavra. E que diz? Porventura começa logo a censurá-la pelo seu mau comportamento, a falar-lhe dos castigos que merece pela sua vida desregrada? De modo algum; um fariseu era o que faria; mas Jesus procede de modo inteiramente diverso. Toma pretexto do que O rodeia para travar conversa: Da mihi bibere : « Dá-me de beber ». 
A mulher olha para EIe, espantada. Acaba de reconhecer n'Aquele que lhe dirige a palavra um judeu. Ora os judeus desprezavam os samaritanos, e estes detestavam os habitantes da Judeia; entre eles «não havia relações de espécie alguma»: Non contuntur. «Então como é que tu me pedes de beber? » diz a Nosso Senhor. E Ele, procurando despertar nela uma santa curiosidade, responde: «Se conhecesses o dom de Deus»! Si scires donum Dei! «Se soubesses quem é que te pede de beber, tu é que lho pedirias e Ele te daria água viva». 
Esta pobre criatura, mergulhada na vida dos sentidos, nada compreende das coisas espirituais. Cada vez mais admirada, pergunta a si mesma como é que o seu interlocutor poderia dar-lhe água, sem ter com que a tirar, e que água poderia ser melhor do que a daquele poço, onde o patriarca Jacob vinha matar a sede com os seus filhos e os seus rebanhos. < - pergunta ela a Jesus Cristo. Jesus insiste na resposta: <
O Salvador faz-lhe então ver que conhece a sua vida desregrada. A pecadora, a quem a graça começa a iluminar, percebe que está em presença de alguém que lê no fundo dos corações: Propheta es tu. E logo a sua alma tocada começa a caminhar para a luz. E pergunta: <
 Jesus Cristo vê surgir naquela alma, no meio da sua corrupção, um vislumbre de boa vontade; é quanto basta para lhe conceder uma graça ainda maior. Porque, apenas vê retidão e sinceridade na busca da verdade, acode com a luz, e compraz-se em recompensar aquele desejo do bem e da justiça. E assim é que vai fazer àquela alma uma dupla revelação. Ensina-lhe que «é chegada a hora dos verdadeiros adoradores em espírito e verdade, procurados pelo Pai»: Pater tales quaerit qui adorent eum; manifesta-se a ela como <
 Não é extraordinário que estas duas grandes revelações tenham sido feitas primeiramente a uma miserável pecadora, cujo único título para ser objeto de tal privilégio era a necessidade da sua salvação e um pouco de boa vontade?... 
 Voltou a mulher justificada; recebera a graça e a fé. <
 Entretanto, voltam os discípulos com os víveres. Oferecem-nos ao Mestre: Rabbi, manduca. Que lhes responde Jesus? <
 É para isto que trabalha Cristo Jesus. A vontade do Pai é que Jesus Lhe leve as almas que Ele quer salvar, que lhes mostre o caminho, que lhes revele a verdade e assim as conduza à vida: Omne, quod dat mihi Pater, ad me veniet, et eum qui venit ad me non ejiciam foras. Eis toda a obra de Jesus.
 A pecadora de Sicar nada tinha que a distinguisse das outras, a não ser a enormidade da sua miséria; mas era atraída a Jesus Cristo pelo Pai. O Senhor recebe-a, ilumina-a, santifica-a, transforma-a e fez dela sua apóstola: Et eum qui venit ad me non ejiciam foras. Porque <
A Samaritana é uma das primeiras almas que Jesus ressuscita para a graça. Madalena é outra, e quanto mais gloriosa!
 Erat in civitate peccatrix. «Em certa povoação, vivia uma mulher de má vida». É assim que, no Evangelho, começa a sua história; pela afirmação das suas desordens. A profissão de Madalena era entregar-se ao pecado, tal como a profissão do soldado é viver sob as armas, a do politico dirigir os destinos do Estado. Os seus desregramentos eram notórios. Sete demônios, símbolo do abismo a que tinha descido, haviam escolhido a sua alma para morada.
 Um dia, Jesus é convidado para ir a casa de Simão Fariseu. Apenas se senta à mesa, logo a pecadora, com um vaso de alabastro cheio de perfume, irrompe pela sala do banquete. Aproximando-se de Jesus, «lança-se-Lhe aos pés, desfeita em pranto, rega-os com suas lágrimas, enxuga-os com seus cabelos, beija-os e derrama sobre eles o perfume que trazia».
 Logo que a viu entrar o fariseu escandalizado disse de si para consigo: <
 Madalena, a pecadora, tornou-se o triunfo da graça de Jesus, um dos mais magníficos troféus do Seu precioso Sangue. 
Esta compaixão do Verbo Incarnado pelos pecadores é tão grande, que Ele parece, por vezes, esquecer os direitos da Sua justiça e santidade. Os inimigos de Jesus conheciam-na tão bem, que chegam até a armar-Lhe ciladas neste sentido. 
Apresentam-Lhe uma mulher adúltera. É impossível negar o crime ou diminuir-lhe a gravidade; o Evangelho diz-nos que a culpada fora surpreendida em flagrante delito. Segundo a lei de Moisés, devia ser apedrejada. Os fariseus, conhecendo a bondade de Jesus, esperam que Ele absolva aquela mulher, o que seria pôr-se em oposição ao legislador: Tu ergo, quid dicis?
 Mas, se Jesus é a bondade em pessoa, é também a Sabedoria eterna. Primeiro, nada responde à perversa insinuação dos acusadores. Estes insistem. E Nosso Senhor diz-lhes: <
 Jesus fica só com a delinquente. Acham-se em presença apenas uma grande miséria e uma grande misericórdia. E eis que a misericórdia se inclina para a miséria: <
 A bondade de Jesus pareceu tão excessiva a certos cristãos da primitiva Igreja, que este episódio foi suprimido em muitos manuscritos dos primeiros séculos. Mas é bem autêntico e foi introduzido no Evangelho por vontade do Espírito Santo. 
Todos estes exemplos da bondade do Coração de Jesus são apenas manifestações doutro amor mais elevado; o amor infinito do Pai celeste para com os pobres pecadores. Nunca esqueçamos que devemos ver no que Jesus faz como homem uma revelação do que faz como Deus, em união com o Pai e o Seu comum Espírito. Jesus recebe os pecadores e perdoa-lhes; é o próprio Deus que, sob forma humana, se inclina para eles e os recebe no seio da Sua eterna misericórdia. 


25 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 293 a 296

OS TARDOS TRIUNFAM PELO TRABALHO

1. S. Tomás de Aquino, em seus primeiros anos de escola, era chamado de “boi mudo” por causa do silêncio que guardava entre seus companheiros de estudos. Mais tarde, porém, seus mugidos encheram o mundo de admiração. É verdade que aquela sua ciência singular foi uma graça do céu, mas por outro lado não faltou o seu trabalho pessoal.

2. Jeronimo Savonarola, quando pela primeira vez falou em Florença, riram-se dele os ouvintes. Sua voz era fanhosa, ridículos os seus gestos e repulsivo o seu porte. Mas, longe de desanimar., estudou com ardor crescente, conseguiu corrigir a voz e chegou a ser pouco depois o maior orador de seu tempo.

3. Gladstone, que devia ilustrar seu nome como orador e como homem de governo, era considerado como o aluno mais tapado de sua escola.

4. Newton foi durante muito tempo o último de sua classe. O colega, que o precedia, atracou-se com ele um dia e Newton o prostrou por terra. Desta vitória física nasceu em sua alma o desejo de obter idênticas vitórias intelectuais. Estudou, trabalhou e em pouco tempo conseguiu o primeiro lugar, que conservou até o fim de sua vida.

24 de fevereiro de 2017

Congresso Montfort - A Igreja contra as Heresias - Importante!

Importante!: Prezados Leitores, Salve Maria! - Estamos chegando próximo da realização do Congresso Montfort em Curitiba - A Igreja Contra as Heresias. Solicitamos aos interessados que façam suas inscrições através do e-mail saopiov@gsaopiov.com, o mais breve possível, visando garantir sua participação. Salientamos que as vagas são limitadas. O número de participantes inscritos visa auxiliar a preparação da infra-estrutura necessária para bem acomodar os mesmos, assim planejar o nosso coffee-break.
Um grande abraço em Cristo Nosso Senhor
Administrador do Blog São Pio V

Prezados Leitores, Salve Maria!

O Blog São Pio V tem o prazer de convidar nossos leitores para o Congresso Montfort - A Igreja Contra as Heresias. O congresso será realizado no Auditório da Associação da Vila Militar. Salientamos que a Associação da Vila Militar oferece estacionamento ao custo de R$ 5,00 (cinco reais), pelo período integral do congresso.
Faça sua inscrição pelo e-mail saopiov@gsaopiov.com.
Apresentamos logo a seguir a programação completa do evento. Divulgue e Participe!


Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

III

 Se Jesus Cristo revela ao mundo o dogma da Sua Filiação eterna, é pela Sua Humanidade que
 nos manifesta as perfeições da Sua natureza divina. Conquanto seja o verdadeiro Filho de Deus, compraz-se em se dizer «o Filho do homem»; dá-se este título, mesmo nas ocasiões mais solenes em que reivindica com mais autoridade as prerrogativas do Ser divino.
Com efeito, cada vez que nos achamos em contacto com Ele, estamos em presença deste mistério sublime: a união de duas naturezas, divina e humana, numa só e mesma pessoa, sem mistura nem confusão das naturezas, sem divisão da pessoa.
 É o mistério inicial, que devemos ter sempre diante dos olhos, quando contemplamos Nosso Senhor. Cada um dos Seus mistérios põe em relevo ou a unidade da Sua pessoa adorável ou a verdade da Sua natureza divina ou a atividade da Sua condição humana. 
Um dos aspectos mais profundos e mais tocantes da economia da Incarnação é a manifestação das perfeições divinas feitas aos homens pela natureza humana. Os atributos de Deus, as Suas eternas perfeições são para nós incompreensíveis neste mundo; ultrapassam a nossa ciência. Mas, fazendo-se homem, o Verbo Incarnado descobre aos espíritos mais simples, pelas palavras caídas dos seus lábios humanos, as perfeições inacessíveis da Divindade. Tornando-as perceptíveis às nossas almas por meio de ações sensíveis, arrebata-nos e atrai-nos a Si: Ut dum visibiliter Deum cognoscimus, per hunc invisibilium amorem rapiamur.
É sobretudo durante a vida pública de Jesus que se manifesta e realiza esta economia cheia de sabedoria e de misericórdia.
 De todas as perfeições divinas é, sem dúvida, o amor que o Verbo Incarnado mais se compraz em nos revelar.
 O coração humano precisa dum amor  tangível que lhe faça entrever o amor infinito, muito mais profundo, mas que excede todo o conhecimento. Realmente, nada seduz tanto o nosso pobre coração, como contemplar N. S. Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a traduzir a eterna bondade em gestos humanos. Quando O vemos derramar profusamente, em redor de Si, inesgotáveis tesouros de compaixão, inexauríveis riquezas de misericórdia, podemos conceber um pouquinho da infinidade desse oceano da bondade divina, onde para nós vai haurir a santa Humanidade de Jesus. Consideremos alguns passos característicos. Veremos com que condescendência, por vezes assombrosa, o nosso Salvador se curva para as misérias humanas de toda a espécie, incluindo o pecado. E nunca esqueçais que, mesmo então, quando se inclina para nós, continua a ser o próprio Filho de Deus, Deus em pessoa, o Ser Todo poderoso, a Sabedoria infinita que, fixando as coisas na verdade, nada executa que não seja soberanamente perfeito. Naturalmente, isto dá às palavras de bondade que profere, aos atos de misericórdia que pratica, um valor inestimável que os realça infinitamente, e sobretudo é o que mais cativa as nossas almas, manifestando-nos os profundos encantos do Coração de Jesus Cristo, do nosso Deus. 
Conheceis o primeiro milagre da vida pública de Jesus: a água convertida em vinho nas bodas de Caná, a pedido de Sua Mãe. Para os nossos corações humanos, que revelação inesperada das ternuras e delicadezas divinas! Ascetas austeros escandalizam-se ao verem pedir ou fazer um milagre para encobrir a indigência de parentes pobres num banquete de núpcias. E, no entanto, nem a Virgem hesitou em o solicitar nem Jesus Cristo em o fazer. Jesus deixa-se comover pelo embaraço em que se vai achar, publicamente, aquela pobre gente; e, para o impedir, opera um grande prodígio. E o que o Seu Coração nos revela aqui de bondade humana e de humilde condescendência é apenas a manifestação exterior duma bondade mais elevada, da bondade divina, de que aquela deriva. Porque tudo o que faz o Filho, fá-lo também o Pai.
 Passado pouco tempo, na sinagoga de Nazaré, Jesus toma de Isaías, fazendo-o Seu, o programa da Sua obra de amor: «O espírito do Senhor está sobre mim, consagrou-me com Sua unção para levar aos pobres a boa nova; enviou-me a curar aqueles que têm o coração alanceado, a anunciar aos cativos a sua libertação, a dar vista aos cegos, a libertar os oprimidos e a publicar o ano da salvação divina». 
«O que acabais de ouvir, acrescentava Jesus, começa hoje mesmo a realizar-se». 
E, de fato, o Salvador revelava-se a todos, desde logo, como «um Rei cheio de mansidão e bondade». Ser-me-ia preciso citar todas as páginas do Evangelho, se quisesse mostrar-vos como a miséria, a fraqueza, a enfermidade, o sofrimento têm o condão de O comover, e de modo tão irresistível que nada lhes pode recusar. S. Lucas tem o cuidado de notar que Jesus é «movido de compaixão»; Misericórdia motus. Apresentam-se diante d'Ele os cegos, os surdo-mudos, os paralíticos, os leprosos; e o Evangelho diz-nos que «os curava a todos»: Sanabat omnes.
 A todos acolhe com incansável mansidão; deixa-se incessantemente empurrar, assediar por todos os lados, mesmo depois do sol posto; e de tal forma que, um dia, nem sequer tempo teve para comer. Doutra vez, nas margens do lago de Tiberíades, é obrigado a entrar numa barca para se livrar da multidão e poder distribuir assim a palavra divina com mais liberdade. Noutra ocasião, de tal modo se enche a casa em que se encontra que, para fazer chegar à Sua presença um paralítico deitado na cama, o único recurso foi descer o doente pela abertura feita no telhado.
 Os Apóstolos, esses mostravam-se muitas vezes impacientes; mas o divino Mestre aproveitava essas ocasiões para lhes mostrar a Sua bondade. Um dia, querem afastar d'Ele as crianças que Lhe apresentam e que eles julgam importunas. «Deixai estas crianças, diz-lhes Jesus, e não as estorveis de vir a mim; pois delas é o reino dos céus». E parava a abençoá-las. Noutra ocasião, os discípulos, irritados por O não terem recebido numa cidade de Samaria, «insistem com Ele para que deixe o fogo do céu descer sobre os habitantes e consumi-los »; Domine, vis dicimus ut ignis descendat de caelo? E Jesus logo os repreende: Et conversus increpavit illos;  «Não sabeis de que espírito sois! O filho do homem não veio ao mundo para perder homens, mas para os salvar».
 E a prova disto é chegar a operar milagres para ressuscitar os mortos. Em Naim, encontra uma pobre viúva, desfeita em lágrimas, a acompanhar os restos mortais do seu filho único. Jesus vê as suas lágrimas; o Seu Coração profundamente comovido não pode sofrer tão intensa dor: « Mulher, não chores»! Noli flere. E imediatamente ordena à morte que abandone a sua presa:  « Mancebo, eu to ordeno, levanta-te»! O mancebo levanta-se, e Jesus entrega-o à mãe.
Todas estas manifestações da misericórdia e bondade de Jesus, que nos revelam os sentimentos do Seu Coração humano, tocam as mais profundas fibras do nosso ser; revelam-nos, de modo palpável, o amor infinito do nosso Deus. Quando vemos Jesus Cristo chorar junto do túmulo de Lázaro e ouvimos os judeus, testemunhas do fato, dizer uns para os outros: «Vede como o amava», os nossos corações compreendem esta linguagem silenciosa das lágrimas humanas de Jesus, e penetramos no santuário do amor eterno que elas revelam: Qui videt me, videt et Patrem.
 Mas como este procedimento de Jesus Cristo condena o nosso egoismo, a nossa dureza, a nossa frieza de coração, a nossa indiferença, a nossa impaciência, os nossos ressentimentos para com o próximo! ... Esquecemos tantas vezes as palavras do Salvador: «Todas as vezes que usastes de misericórdia para com o mais pequenino dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes».
 Ó Jesus, que dissestes: « Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração», fazei os nossos corações semelhantes ao Vosso. Que, a exemplo Vosso, sejamos misericordiosos, «a fim de alcançarmos misericórdia», e, sobretudo, a fim de que, imitando-Vos, nos tornemos « semelhantes ao nosso Pai dos céus!»

23 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 288 a 292

OS POBRES E O PREMIO DO TRABALHO

1. S. Pascoal Bailão, filho de pais muito pobres, nem sequer podia ir à escola. Adquiriu uma cartilha e, quando ia guardar o rebanho, pedia aos transeuntes lhe ensinassem as letras por caridade. Assim aprendeu a ler e escrever, fez-se religioso, escreveu obras espirituais e veio a ser um grande santo.

2. S. António M. Claret era filho de um pobre tecelão, e chegou a ser arcebispo de Cuba, confessor da rainha da Espanha, fundador dos Missionários do Imaculado Coração de Maria e hoje venerado sobre os altares.

3. O Papa Sixto V, quando menino, guardava ovelhas e porcos. Um dia viu um franciscano que não sabia o caminho para Áscoli, e guiou-o até o convento. Pelo caminho mostrou grande desejo de estudar e, para que o instruíssem, resolveu ficar no convento. Em seguida foi franciscano e sacerdote, doutor e professor de teologia em Sena, sendo afinal elevado ao trono pontifício em 1586. Foi um dos grandes papas da História.

4. S. Pio X era filho de um pobre oficial de justiça. Sua mãe era modesta. Após a morte do pai, a mãe, com o trabalho de suas mãos e o auxilio das filhas, ganhava o pão para a numerosa família de nove filhos. Para aprender latim e humanidades, o menino José Sarto tinha que andar diariamente os sete quilômetros de distância entre Riese e Castelfranco, a pé e descalço; e o mesmo fazia na volta, para não gastar calçado. Quando Papa, era infatigável em seus trabalhos cotidianos e, conforme atestavam seus contemporâneos, trabalhava por quatro.

5. Frei Luis de Granada, o príncipe dos prosadores espanhóis do século dezesseis, era filho de uma lavadeira.
Pizarro, de guardador de porcos, veio a ser. o conquistador do Peru.
Cristovão Colombo, o descobridor da América, era filho de um cardador de lãs.
Murat, que chegou a ser rei de Nápoles, era filho de um estalajadeiro.
Franklin teve de viver durante muito tempo de trabalhos de imprensa e da venda de livros.
Copérnico era filho de um padeiro polaco.
Faraday era filho de um ferreiro e em sua juventude foi aprendiz de encadernador e prático desse oficio até aos vinte anos.
Keppler era filho de um taverneiro alemão.
Herschel, o astrônomo insigne, ganhava a vida tocando numa orquestra; durante os intervalos saía da sala de baile e observava os astros com um binóculo e depois tinha que continuar tocando na orquestra. Até que um dia o músico descobriu a estrela Urano, e de repente tornou-se célebre.
E, como estes, inúmeros outros que eram pobres, mas por seu trabalho e esforço se tornaram grandes homens.

22 de fevereiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

II

Se agora formos a inquirir a razão por que Jesus Cristo atesta a Sua Divindade, vemos que é para firmar a nossa fé.
 É uma verdade que já conheceis; mas é tão importante, que não devemos cessar de a contemplar, pois toda a nossa vida sobrenatural e toda a nossa santidade tem por base a fé, e a nossa fé baseia- se nos testemunhos que demonstram a Divindade do Salvador. 
S. Paulo exorta-nos a «considerar Nosso Senhor como o Apóstolo e o Pontífice da nossa fé» : Considerate apostolum et pontificem confessionis nostrae Jesum. «Apóstolo» quer dizer enviado para cumprir uma missão; e S. Paulo diz que Jesus é o Apóstolo da nossa fé. Como assim?
 O Verbo Incarnado é, segundo a expressão da Igreja, Magní consilii angelus -«o Enviado do supremo conselho» - que permanece nos esplendores da Divindade. E para que é enviado? Para revelar ao mundo «o mistério oculto em Deus desde séculos», o mistério da salvação do mundo por um Homem Deus. «É esta a verdade fundamental de que Jesus Cristo deve dar testemunho»: Ego in hoc natus sum et ad hoc veni in mundum, UT testimonium perhibeam verítati.
 A grande missão de Jesus, sobretudo durante a Sua vida pública, é, portanto, manifestar a Sua Divindade ao mundo: lpse enarravit. Todos os Seus ensinamentos, todos os Seus atos, todos os Seus milagres, têm por fim consolidá-la no espírito dos Seus ouvintes. Vede, por exemplo, junto do túmulo de Lázaro. Antes de ressuscitar o amigo, Jesus Cristo levanta os olhos ao céu: «Pai, diz Ele, graças te dou por me teres atendido; mas digo isto por causa da multidão que me rodeia, para que eles creiam que foste tu que me enviaste»: Ut credant quia tu me misisti.
 É certo que Nosso Senhor só aos poucos vai insinuando esta verdade. Para não ir diretamente de encontro às ideias monoteístas dos judeus, não se revela senão gradualmente. Mas, com uma sabedoria admirável, faz convergir tudo para esta manifestação da Sua filiação divina. No fim da Sua vida, quando os espíritos retos estão já suficientemente preparados, não hesita em confessar a Sua Divindade diante dos juízes, com risco da própria vida. Jesus é o rei dos mártires, de todos aqueles que, pela efusão do próprio sangue, professaram a fé na Sua Divindade; foi Ele quem primeiro foi entregue e imolado por se ter proclamado o Filho único de Deus.
 Na Sua última prece, dá, para assim dizer, contas ao Pai da Sua missão, e resume tudo nestas palavras: «Pai, cumpri a missão que me havias confiado». E qual foi o fruto dela? «E os meus discípulos, por sua vez, aceitaram o meu testemunho: ficaram a conhecer que eu saí de ti, acreditaram que tu me enviaste».
Eis porque a fé na Divindade do Seu Filho é, segundo a própria palavra de Jesus, a obra por excelência, que Deus reclama de nós: Hoc est opus Dei, ut credatis in eum quem misit ille. 
É esta fé que cura numerosos doentes: Secundum fidem vestram fiat vobis; que perdoa os pecados à Madalena: Fídes tua te salvam fecit, vade in pace. É por ela que Pedro merece ser escolhido para fundamento indestrutível da Igreja; é ela que torna os Apóstolos agradáveis ao Pai e faz deles o objeto do Seu amor: Patet amat vos, quia vos me amastis et credidistis.
 É ainda por esta fé que «nascemos filhos de Deus»: His qui credunt in nomine ejus; é ela que faz «brotar em nossos corações as fontes divinas da graça do Espírito Santo»: Qui credit in me, flumina de ventre ejus fluent aquae vivae; que «dissipa as trevas da morte»: Veni ut omnis qui credit in me in tenebris non maneat; que «nos proporciona a vida divina, pois Deus amou o mundo, a ponto de lhe dar o Seu Filho único, para que todos os que n'Ele crerem não pereçam, mas tenham a vida eterna» : Ut omnis qui credit in ipsum non pereat, sed habeat vitam aeternam.
 É por não terem esta fé que os inimigos de Jesus hão de perecer: «Se eu não tivesse vindo e não lhes houvesse falado, não teriam pecado; mas agora o seu pecado não tem desculpa»: e é por isso que «aquele que não crê em Jesus, Filho único de Deus, está desde já julgado e condenado »: Qui autem non credit, jam judicatus est; quia non credit in nomine Unigeniti Filii Dei. 
Já vedes como tudo se resume na fé em Jesus Cristo, Filho eterno de Deus; esta constitui a base de toda a nossa vida espiritual, a raiz profunda de toda a justificação, a condição essencial de todo o progresso, o meio certo de chegar aos cimos da santidade.
 Prostremo-nos aos pés de Jesus e digamos-Lhe: Jesus Cristo, Verbo Incarnado, descido do céu «para nos revelar os segredos que, como Filho único de Deus, contemplais sempre no seio do Pai», creio e confesso que «sois Deus como Ele, igual a Ele»; creio em Vós; creio «nas Vossas obras»; creio na Vossa pessoa; «creio que saístes de Deus»; que «sois um com o Pai», que «aquele que Vos vê, O vê a Ele»; creio que sois «a ressurreição e a vida». Isto creio e, crendo-o, adoro-Vos e consagro ao Vosso serviço todo o meu ser, toda a minha atividade, toda a minha vida. Creio em Vós, Cristo Jesus, mas aumentai a minha fé! Credo, Domine, sed adjuva incredulitatem meam!

21 de fevereiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 287

O TRABALHO E AS GRANDES OBRAS

Dante escreveu no exílio, lutando com grande miséria, a magnífica obra “A Divina Comédia”, que lhe custou trinta anos de trabalho.
Vergílio trabalhou na composição da “Eneida” durante mais de vinte anos e, ao morrer, mandou que fosse destruída, por considerá-la imperfeita.
Ticiano trabalhou diariamente durante sete anos, muitas vezes até durante a noite, em pintar seu célebre quadro da Ceia.
Stephenson ocupou-se durante quinze anos no aperfeiçoamento de sua locomotiva.
Watt meditou durante trinta anos na máquina condensadora de vapor.
Newton escreveu quinze vezes a sua Cronologia, e Fénelon dezoito vezes o seu Telêmaco.