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30 de julho de 2015

Sermão para o 8º Domingo depois de Pentecostes – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Prestar contas dos bens que recebemos de Deus


  Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Redde rationem vilicationis tuae. Dá conta da tua administração.
Todos nós, caros católicos, ouviremos da boca de Deus essa ordem: dá conta da tua administração. Ouviremos essa ordem da boca de Deus no juízo particular, no exato momento de nossa morte, em que saberemos se iremos para o inferno, para o céu ou para o purgatório, onde seremos purificados de nossas faltas leves ou expiaremos nossas penas temporais para irmos em seguida ao céu.
É nesse momento tremendo da nossa morte, quando a alma se separa do corpo, que teremos que prestar contas da nossa administração. Da administração dos bens espirituais que recebemos de Deus e dos bens materiais que recebemos de Deus. Ao contrário do feitor iníquo do Evangelho, não teremos mais, nesse momento, tempo para diminuir a nossa dívida para com Deus.
É importantíssimo notar, caros católicos, que somos apenas administradores de tudo o que temos: da nossa vida, da nossa inteligência, da nossa vontade, do nosso corpo, dos nossos bens materiais. Nós não temos o domínio pleno sobre essas coisas. Não podemos, portanto, fazer com elas o que nos agrade simplesmente. Não. Como administradores, devemos utilizar essas coisas para agradar ao Senhor delas, que é Deus. Apenas Deus tem o soberano domínio sobre todas as coisas. Nós, como administradores, devemos usar nossa inteligência, nossa vontade, nosso corpo, nossos bens materiais segundo a vontade de Deus. E sabemos qual é a vontade de Deus pela lei natural – que podemos conhecer pela razão – e pela lei divina – que conhecemos pela Revelação que nos é transmitida pela Igreja. Por exemplo, pela lei natural, ou seja, pelo simples uso da razão, podemos reconhecer que Deus distinguiu os seres humanos entre os sexos masculino e feminino e que Ele deu ao ser humano a faculdade de reprodução justamente para que houvesse a procriação, a preservação e propagação da espécie pela união de um homem e de uma mulher. Assim, a simples razão, considerando a natureza das coisas, mostra que o uso dessa faculdade deve sempre ser feita de maneira apta à procriação, sendo completamente irracionais e, portanto, gravemente pecaminosas as uniões homossexuais ou uniões que impeçam a procriação. Basta a razão para reconhecer isso. Pela Revelação, ou pela lei divina, sabemos, por exemplo, que devemos receber o Batismo, se queremos ser salvos.
Somos, então, administradores que devem usar todas as coisas em conformidade com a vontade do soberano senhor de todas as coisas, que é Deus. E isso, claro, é um grande bem para nós, pois a vontade de Deus é sempre perfeita e boa. Vejamos como devemos administrar os bens que Deus nos deu. Nossa inteligência deve se submeter a Deus pela fé, aderindo às verdades que nos foram reveladas por Ele e que nos são transmitidas pela Igreja. Administraríamos bem mal nossa inteligência se recusássemos acreditar em NSJC, se afirmássemos a independência de nossa inteligência com relação a Deus, que é a Verdade. Nossa vontade deve esperar em Deus, que é misericordioso e onipotente, e deve amar a Deus, que é o bem infinito. Administraríamos bem mal nossa vontade, se esperássemos em alguma criatura ou se amássemos uma criatura mais do que a Deus. Nossas emoções devem se submeter à razão iluminada pela fé e devem nos auxiliar na prática das boas obras. Administraríamos bem mal as nossas emoções, se nos deixássemos levar por elas, contrariando a razão e a fé. Nosso corpo deve servir a Deus e não simplesmente a si mesmo ou aos seus caprichos. Administraríamos muito mal nosso corpo se vivêssemos somente para ele. Também os bens materiais externos devem ser administrados em vista da glória de Deus e do bem da nossa alma.
A sociedade moderna, justamente, administra muito mal todas as coisas dadas por Deus. A inteligência se rebela contra Deus. A vontade espera nos bens desse mundo, ou em homens, ou em grupos, ou em formas de governo. A vontade ama mais as criaturas do que a Deus. Os sentimentos são soberanos e guiam a vida das pessoas. As pessoas acreditam ter um domínio pleno sobre o próprio corpo para fazerem o que bem entendem, ao ponto de os abortistas afirmarem que o aborto pode ser realizado porque o feto faz parte do corpo da mulher. Primeiro, é evidente que o feto não faz parte do corpo da mulher, mas, ainda que fizesse, não seria lícito o aborto, pois não podemos fazer o que bem entendermos com o nosso corpo. Assim, não podemos tirar a nossa própria vida, não podemos mutilar o nosso corpo, por exemplo, inutilizando uma parte dele sem necessidade grave. Podemos dispor de nosso corpo apenas para os usos estabelecidos por Deus.
No dia do juízo particular, quer dizer, no dia de nossa morte, Deus nos pedirá contas de nossa administração. Reparemos bem que Deus nos pedirá conta da nossa administração e não da administração de outra pessoa: “dá conta da tua administração.” Deus não nos pedirá a conta da administração de nosso vizinho, do nosso parente, de tal pessoa pública, de tal bispo, do Papa. Ele não nos perguntará o que fez fulano de tal, o que fez tal outro, o que fez o Papa. Ele perguntará o que eu fiz. Ele pedirá a conta da minha administração. Infelizmente, é muito comum, nesses tempos de confusão, nos preocuparmos demasiadamente com a administração dos outros, sobretudo se são pessoas constituídas em autoridade, e nos esquecermos da nossa própria administração. Claro está que as ações das autoridades têm consequências sérias para nós e que não podemos nos alienar, mas, em última instância, é da nossa vida, das nossas ações, dos nossos pensamentos que teremos que prestar contas a Deus nesse dia tremendo de nossa morte. De que me vale a preocupação excessiva com os outros se não consigo administrar, segundo a vontade de Deus, a minha própria vida, a minha própria família. De que me vale propagar supostamente o reino de Cristo por palavras, se, pelos meus pecados não seriamente combatidos, propago o reino do demônio?
Sejamos, caros católicos, administradores fiéis de tudo o que recebemos de Deus, para que não ouçamos da boca do Senhor no dia de nossa morte a terrível sentença: “Servo mau e preguiçoso! E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.” Que possamos viver de modo a ouvir no dia de nossa morte essas palavras suaves da boca de Nosso Salvador: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Entra na alegria do teu Senhor.” Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

29 de julho de 2015

Sermão para o 7º Domingo depois de Pentecostes – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Cerimônias da Santa Missa – razões e valor


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Convém tratar hoje daquilo que é o cerne do nosso apostolado: a Santa Missa. Em particular, tratemos hoje do valor dos ritos que circundam a Consagração, das cerimônias da Missa. A Missa não se resume simplesmente à Consagração, embora seja ela a parte essencial da Missa, em que o pão e o vinho se transformam no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e em que o sacrifício de Cristo se renova sobre os altares. As orações, as cerimônias, enfim, o rito que circunda as palavras da consagração tem um valor importantíssimo para a nossa fé, para a nossa espiritualidade. O fruto que tiramos do Santo Sacrifício da Missa depende em grande parte do valor do Rito que circunda a parte essencial da Missa, isto é, das orações e cerimônias que circundam a parte essencial da Missa, que é a consagração.
É preciso compreender que, na Missa e nos outros sacramentos, a Igreja quis que a essência do sacramento fosse cercada por várias cerimônias. Evidentemente, tais cerimônias permanecem acidentais em relação à essência da Missa, que são as palavras da Consagração pronunciadas sobre o pão e o vinho. Todavia, acidental não quer dizer descartável ou sem importância. Que um homem tenha um braço ou não é acidental, pois com ou sem o braço ele continua sendo um ser humano. Que uma pessoa esteja com saúde ou não é acidental. Que uma pessoa tenha o uso da razão ou não é acidental, pois, independentemente disso, continua sendo um ser humano. Que uma pessoa tenha o uso da razão é acidental. A graça santificante é acidental. Os acidentes, permanecendo sempre acidentes, são importantes, segundo diversos graus. As cerimônias que orbitam em torno da essência do sacramento são também importantíssimas, mesmo se elas são acidentais.
Vejamos o que diz São Tomás sobre essas cerimônias em torno dos sacramentos. O Doutor Angélico (falando do Batismo na Suma Teológica, III, 66, 10) diz que essas cerimônias existem primeiramente para favorecer a devoção dos fiéis e a reverência ao sacramento. Assim, as cerimônias servem para mostrar a importância e a grandeza do que está sendo feito. Os sacramentos em geral e a Missa de modo particular não são uma ação ordinária, corriqueira, mas são ações maiores do que a criação do céu e da terra por Deus, pois a criação do céu e da terra está na ordem natural, enquanto os sacramentos estão na ordem sobrenatural. As cerimônias da Missa, portanto, nos indicam a grandeza do sacramento, a sua importância e nos dirige à devoção e ao respeito pelo sacramento. Em segundo lugar, São Tomás, diz que as cerimônias em torno dos sacramentos servem para a instrução dos fiéis: nós, seres humanos, temos uma inteligência que parte do sensível para o espiritual. Nós devemos, portanto, também na liturgia, ser instruídos por sinais sensíveis. Assim, o ofertório da Missa Tradicional, por exemplo, nos diz claramente que o que se oferece na Missa é o Corpo e o Sangue de Cristo ao tratar o pão e o vinho como se já fossem o Corpo e o Sangue de Cristo. Desse modo, pelas cerimônias e orações da Missa, os fiéis são instruídos ou levados a uma sã curiosidade para saber o que significa tudo aquilo em torno do sacramento.
A liturgia deve ser rica de cerimônias e orações na medida justa. A Missa Tradicional tem essa medida exata na quantidade e na qualidade. Foram cerimônias e orações formadas ao longo dos séculos da Igreja, e formadas perfeitamente segundo a doutrina católica e segundo a natureza humana. E ninguém conhece a natureza humana mais do que a Igreja. Quando ela forja uma liturgia ao longo dos séculos, como é o caso da liturgia tradicional, ela sabe exatamente o que fará bem aos homens, o que os conduzirá efetivamente a Deus. A Igreja é uma Mãe sábia, a mais perfeita das pedagogas. E como a natureza humana não muda ao longo dos séculos, permanecendo sempre a mesma, também a liturgia não pode ser drasticamente alterada. Se a liturgia é drasticamente alterada, haverá, certamente, prejuízo para as almas. E se a alteração da liturgia da Missa vai no sentido da desaparição de muitas das cerimônias e orações forjadas ao longo dos séculos, teremos fatalmente a diminuição da reverência e da devoção ao sacrifício de Cristo, à Eucaristia. Além disso, quando a liturgia é despojada de cerimônias, gestos e símbolos, ela torna-se muito abstrata, de difícil inteligência para as pessoas (sobretudo as mais simples), que devem partir sempre do sensível ao espiritual.
Vimos, então, que as cerimônias, gestos, símbolos e orações da Missa, que compõem o rito da Missa, são importantes para favorecer o respeito e a devoção e para instruir os fiéis. Mas, além disso, devemos acrescentar que tais cerimonias são meritórias e nos alcançam graças. E o mérito dessas cerimônias é imenso porque o sacerdote realiza o rito enquanto ministro da Igreja Católica, de tal forma que é a Igreja que profere as orações, que realiza os gestos. As palavras da consagração são ditas pelo Padre na pessoa de Cristo. As outras cerimônias são realizadas pelo padre na pessoa da Igreja. Como a Igreja é a esposa imaculada de Cristo, essas orações têm um mérito imenso.
Assim, na Missa, as cerimônias e orações que circundam a consagração têm um valor importante, que não depende da disposição subjetiva do padre ou dos fiéis, mas que depende unicamente da perfeição Igreja e, evidentemente, da qualidade dessas cerimônias. Assim, o valor da Missa não se reduz às palavras da consagração de um lado e ao fervor pessoal dos padres e dos fiéis de outro. Entre os dois, há algo importantíssimo: as cerimônias e orações da liturgia, que têm um valor objetivo.
O valor de um rito litúrgico se define, então, pelas cerimônias e orações e pela qualidade dessas cerimonias e orações. É inegável a quantidade de cerimônias e orações bem ordenadas na Missa Tradicional, que rendem um culto devido a Deus, como todos os sinais da cruz que o padre faz, as genuflexões, as inclinações, a elevação dos olhos, as diversas posições das mãos, os ósculos, a mudança do lado do altar, da Epístola para o Evangelho, etc… Mas é inegável também que a qualidade das cerimonias e das orações da Missa tradicional é excelente. Como São Tomas diz: o culto é também uma profissão de fé. Ora, a liturgia tradicional exprime, em suas cerimônias e orações, a fé católica sem ambiguidades e sem omissões. Ela exprime a presença real, ela exprime o caráter de sacrifício da Missa, sobretudo de sacrifício pelo perdão dos pecados. Ela exprime (sobretudo no ofertório) a diferença entre o sacerdócio dos fiéis e o do ministro ordenado. Suas orações exprimem com clareza aquilo que é a Missa e suas finalidades. Suas orações e cerimônias são harmônicas entre si e perfeitamente ordenadas. Elas estão voltadas, sobretudo, para Deus e para a salvação da nossa alma. As referências às verdades e aos mistérios sobrenaturais são onipresentes: Santíssima Trindade, Encarnação, pecado, virtude, céu, inferno, etc… A integridade, a harmonia ou ordem e a manifestação desses atributos dão à Missa Tradicional a sua beleza incomparável, fundada no dogma e na sã espiritualidade. Ora, a beleza é definida justamente como aquilo que agrada a uma faculdade que pode conhecer: à visão, à audição e, sobretudo, à inteligência. A Missa Tradicional, sendo belíssima, porque perfeitamente íntegra e ordenada, é, então, agradabilíssima a Deus. A Igreja sempre considerou o Rito Romano Tradicional como o mais o belo, de uma beleza objetiva, fundada no dogma e na espiritualidade. Assim, o Padre Fortescue, renomado liturgista podia dizer no início do século XX: “Não há na Cristandade um Rito tão venerável quanto o nosso.” E O Padre Faber dizia desse rito: “é a coisa mais bela deste lado do céu.”
O valor do rito da Missa Tradicional é imensurável e é de suma importância, porque nos alcança graças e mais graças além das graças do sacramento. O rito tradicional, por todas suas qualidades, nos alcança graças imensas para uma melhor preparação para receber a Eucaristia, favorecendo a devoção, nos instruindo e permitindo assim que conheçamos melhor o mistério e que o amemos mais profundamente e nos disponhamos mais perfeitamente para a graça do sacramento. Dispondo-nos melhor para receber o sacramento pela devoção, pela instrução e pelas graças das cerimônias e orações do rito, poderemos receber com grande fruto o Santíssimo Sacramento e poderemos avançar com maior firmeza no caminho da santidade, para restaurar tudo em Cristo.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.


IV Congresso São Pio V - Relíquia do Manto de Nossa Senhora

Relíquia do Manto de Nossa Senhora

Na Missa Solene, IX Domingo depois de Pentecostes, durante o IV Congresso São Pio V ficou exposta a relíquia do Manto de Nossa Senhora, conforme destacamos nas imagens a seguir. Publicamos um texto que trata sobre a relíquia, a qual encontra-se exposta na Catedral Notre Dame de Chartres na França.

 

 

“Esta relíquia tão preciosa era guardada numa urna feita em cedro, que o ourives Teudon recobriu com placas de ouro no fim do século X.

“Todas as gerações rivalizaram para orná-la e penduravam pelos quatro lados toda espécie de maravilhas. Viam-se camafeus antigos, o mais belo dos quais fora doado pelo rei Carlos V e representava um Júpiter que acreditava-se ser São João por causa de sua águia.

“Sobre um fundo semeado de rubis, topázios e ametistas destacavam-se duas águias em ouro entalhadas outrora por Santo Elói. Uma enorme zafira era o presente do rei Roberto e um grifo de ouro esmaltado tinha sido trazido do Oriente no tempo das Cruzadas.

“Filipe o Belo deixou um rubi e o duque de Berry seus emblemas com suas armas.

 “O rei Luis XI levava sempre uma pequena imagem de Nossa Senhora de Chartres no seu chapéu. Um cinto de ouro envolvendo a urna era presente de Ana de Bretanha, duquesa e rainha.

“Inumeráveis rosas, coroas, flores e castelos de ouro, conjuntos de pedrarias formando o nome da Virgem, pérolas espalhadas por toda parte eram muitos outros dons e ex-votos anônimos.

“Como já não havia lugar em volta da urna, foi necessário pôr a quantidade imensa de oferendas em três tesouros da catedral. Alguns dons eram magníficos, outros de uma ingenuidade comovedora: havia um cinto de porco espinho bordado com sedas e enviado pelos índios Huron da América do Norte e onze mil grãos de porcelana representando o número de habitantes Abénaquis da Nova França (índios do Canadá). As oferendas só cessaram na véspera da Revolução Francesa.

“A urna de tal maneira rica e rodeada de tanta veneração, entretanto não era exposta jamais e a Santa Túnica ficou invisível durante séculos.

“Como não se tinha idéia alguma de como pudesse ser a túnica de Nossa Senhora, imaginava-se ter a forma de uma camisa. Era chamada com freqüência de “a Santa Camisa”.

“No século XV, os romeiros que iam a Chartres colocavam no seu chapéu um símbolo de chumbo onde estava representada uma camisa.

 “Fazia-se tocar na urna minúsculas camisas de metal que os homens de guerra levavam consigo como proteção. Num duelo, o gentil-homem que tinha no peito uma “camisola” de Chartres, devia prevenir lealmente a seu adversário.

“Camisas de pano tocadas na urna ajudavam as mulheres a suportar as dores do parto e eram enviadas às rainhas da França.

“Quando a Revolução Francesa violou o mistério e abriu a urna, percebeu-se que a Santa Túnica não parecia em nada com uma camisa.

“Trata-se de uma dessas peças de pano que usam as mulheres do Oriente e que vinha acompanhada de um véu decorado com dois leões que se olham frente a frente.

“O sábio abade Barthélemy, quando consultado, constatou que esses tecidos eram de origem síria e podiam remontar ao século I de nossa era.

“Hoje só ficam alguns fragmentos da Santa Túnica e do véu salvos do Terror (ditadura sanguinária da república francesa 1792-1794) e resguardados num relicário de feitio posterior.”

Fonte: Émile Mâle, “Notre Dame de Chartres”, Flammarion, Paris, 1994, 190 páginas, p. 17 e ss.

Santa Missa no Rito Romano Tradicional em Guarapuava

28 de julho de 2015

IV Congresso São Pio V - Imagens do dia 26/07/2015

Palestra de Encerramento do IV Congresso São Pio V proferida pelo Padre Renato, IBP


 

IV Congresso São Pio V - Imagens do dia 26/07/2015

Missa Solene, IX Domingo depois de Pentecostes 
 
 
 
 
 
 

 
 
 

IV Congresso São Pio V - Imagens do dia 25/07/2015

Apresentação de cantos dos Seminaristas da Schola Cantorum, do Seminário São Vicente de Paulo, IBP


Sermão para o 5º Domingo depois de Pentecostes – Pe Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Afastar-se do mal e fazer o bem: adquirir as virtudes

 Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Declina a malo et fac bonum. Afasta-te do mal e faz o bem.
São Pedro nos diz que aquele que quer ver dias felizes, isto é, que aquele que quer chegar ao céu deve afastar-se do mal e fazer o bem. O primeiro Papa nos dá vários conselhos específicos: não retribuir o mal com o mal, nem a maldição com a maldição, mas bendizendo; refrear a língua do mal e que os nossos lábios não profiram mentiras. E ele nos dá também esse mandamento geral: afastar-se do mal e fazer o bem. Esse mandamento geral é exatamente o oposto do pecado. E por isso ele é tão importante.
O pecado pode ser definido como afastar-se do bem e fazer o mal. Ou seja, como dizia tão bem Santo Agostinho, o pecado é aversio a Deo et conversio ad creaturas. O pecado é afastar-se de Deus – o bem – para converter-se, de forma desordenada, às criaturas – conversão desordenada às criaturas que é o mal. No pecado mortal, por um lado, nos afastamos de tal forma de Deus – o bem – que nos separamos dEle. Com o pecado mortal, nos tornamos inimigos de Deus e réus da condenação eterna. Por outro lado, no pecado mortal, nos voltamos de tal modo a algo criado que o colocamos no lugar de Deus, dando as costas a Ele. No pecado venial, nos afastamos de Deus, mas sem nos separar dEle. Arrefecemos a nossa amizade com Ele, sem, porém, nos tornamos inimigos dEle, embora nos tornemos réus de castigos temporais aqui nesse mundo ou no purgatório. No pecado venial, nos voltamos de forma desordenada para as criaturas, mas sem voltar as costas para Deus. Está claro que o pecado venial não combatido nos levará para o pecado mortal. O pecado mortal é o maior mal que existe. O pecado venial é o segundo maior mal que existe, caros católicos. O pecado é, então, afastar-se do bem e fazer o mal.
São Pedro, na epístola de hoje, nos diz o contrário: afasta-te do mal e faz o bem. Afasta-te do pecado e faz aquilo que te aproxima de Deus, que te leva à vida eterna. Devemos notar, caros católicos, que muitas vezes tendemos a ficar somente na primeira parte do que nos diz São Pedro: “afasta-te do mal”. E muitas vezes somos negligentes na busca da segunda parte. Ficamos apenas no combate ao pecado e nos esquecemos de avançar solidamente na virtude. Claro, a primeira etapa de nossa conversão deve ser o combate sem trégua e determinado, mas ao mesmo tempo sereno, ao pecado mortal. Em seguida e também paralelamente, devemos lutar contra nossos pecados veniais e defeitos. Não basta, porém, simplesmente evitar o pecado se queremos perseverar na graça. Evitar o pecado é o primeiro passo em uma vida cristã genuína. É preciso, para perseverarmos, que nos exerçamos no bem. É preciso adquirir as virtudes, é preciso fazer que o bem seja algo quase natural para nós. Isso se faz adquirindo as virtudes.
A virtude nada mais é do que uma disposição bem enraizada na nossa alma que nos inclina a fazer o bem. Se consideramos as quatro virtudes cardeais, dizemos que a primeira delas, a virtude da prudência, nos inclina a escolher os melhores meios para alcançarmos um fim legítimo. A prudência pode ser para o indivíduo somente, a fim de que ele considere, em última instância, os melhores meios de alcançar o céu. Ela pode ser também a prudência familiar, para que o chefe da família a conduza à sua finalidade da melhor maneira, ou pode ser a prudência política, para que o governante conduza bem a sociedade como um todo ao seu fim devido.
A segunda virtude cardeal é a da justiça. Ela nos inclina a dar a cada um o que lhe é devido. Entre as virtudes derivadas da justiça poderíamos citar: a virtude de religião, que é dar a Deus o que lhe é devido; a virtude da piedade, que é dar aos pais o que lhes é devido; a virtude da veracidade, que nos leva a dizer sempre a verdade.
A terceira virtude cardeal é a da temperança. A virtude da temperança nos inclina à moderação nos prazeres sensíveis. Entre as derivadas da temperança, podemos citar a sobriedade, a castidade, a mansidão, a humildade, a modéstia nos trajes e nos comportamentos.
A quarta virtude cardeal é a da fortaleza. Ela nos inclina a não desistir de buscar um bem árduo quando necessário ou nos faz resistir aos males, quando necessário. Entre as derivadas da fortaleza, podemos citar a paciência, a longanimidade, a perseverança, a constância, a magnanimidade, a magnificência.
Quantas virtudes e quão necessárias todas elas…
Para adquirir a virtude, que é essa disposição bem enraizada na nossa alma para fazer o bem, é preciso, em primeiro lugar, pedi-la a Deus, que é o autor de todo o bem. Em seguida, é preciso repetir os atos próprios da virtude. Assim, alguém que é intemperante no comer, adquirirá a virtude da temperança pela graça de Deus e pela repetição de atos de temperança. Alguém que é dominado pela impaciência, adquirirá a virtude da paciência somente pela graça de Deus e pela repetição de atos de paciência, sabendo suportar as contrariedades. Então, para avançarmos e nos fixarmos no bem, precisamos da graça de Deus e, com a graça dEle, dos nossos próprios esforços.
O verdadeiramente virtuoso é aquele que se alegra em fazer o bem. Ele se alegra porque reconhece o bem que está fazendo e porque ele se inclina ao bem que faz, realmente. E quando fazemos aquilo a que nos inclinamos, nos alegramos. Para o virtuoso, a lei de Cristo é verdadeiramente um jugo suave. Aquele que ainda não é virtuoso, quando faz uma boa obra, ele reconhece o bem que faz, mas ainda não se alegra tanto, pois ainda sente o peso de suas más inclinações, e o jugo ainda parece um pouco pesado.
Devemos buscar, caros católicos, não só a necessária fuga do pecado, mas fazer o bem. Adquirir as virtudes pela repetição das boas obras.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

IV Congresso São Pio V - Imagens do dia 25/07/2015

Palestra A Educação para a pureza - Diácono Tomás Parra, IBP
 


IV Congresso São Pio V - Imagens do dia 25/07/2015

Palestra A Educação Católica: Comentário da Encíclica Divini Illius Magister de Pio XI pelo Subdiácono Thiago Bonifácio, IBP