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30 de agosto de 2014

Pensamentos Consoladores São Francisco de Sales.

14/15  -  Como será agradável para os pais e amigos conhecerem-se e conversar juntos no céu.

Deveríamos sempre ter em nossos pensamentos os dias eternos, e nada há que não devêssemos fazer em contemplação deles. Não diz Davi: "Por causa das palavras da vossa boca caminhei por vias duras e difíceis?" E que são estas palavras dos lábios de Nosso Senhor, senão palavras da vida eterna? São Pedro tinha razão em dizer: "A quem iremos nós, Senhor? vós tendes as palavras da vida eterna". É esta vida eterna com que Nosso Senhor, no Gênesis, queria mover Caim, quando lhe disse: "Se tu obras bem, não receberás a recompensa?" É esta vida eterna, por cujo desejo o santo Jacó se chama peregrino no Gênesis. "Os dias, respondeu ele a Faraó, da peregrinação da minha vida, assim os bons como os maus, duram cento e trinta anos, que ainda se não se aproximam dos nossos predecessores". "Lembro-me dos dias antigos, diz Davi, e tenho tido em minha alma anos eternos".
A vida eterna, para quem a considera bem, basta para mover os corações mais endurecidos. No princípio, no fervor da ordem de São Domingos, havia um pregador chamado Reginaldo, que pregava em Bolonha com um fruto indizível. Nesta cidade havia um homem sábio e rico, que, com medo de ser por ele convertido não o queria ouvir, como fazem muitos. Aconteceu contudo que tendo-o ouvido uma vez, dia de Santo Estevão, a respeito destas palavras: "Eu vejo os céus abertos", converteu-se e fez-se religioso.
Por causa desta vida eterna, Davi inclinava a sua vontade e coração a guardar os mandamentos de Deus; Santo Agostinho retirou-se com os seus religiosos antes de ser bipo, e São João Batista retirou-se para o deserto.
Todos os bem aventurados se reconhecerão entre si no céu, cada um por seu nome como diz o Evangelho, pois que nesta pequena amostra, que Nosso Senhor quis patentear no Tabor aos seus apóstolos,quis que conhecessem a Moisés e Elias, que nunca tinham visto.
Mas se isto assim é, que alegria receberemos, tornando a ver os que tanto amávamos nesta vida, onde conheceremos os novos cristãos, que agora se convertem à nossa santa fé, nas Índias, no Japão, nos Antípodas! E nas santas amizades, assim como começaram nesta vida, continuar-se-ão por toda a eternidade no outro. Amaremos as pessoas particulares; mas estas amizades particulares não gerarão particularidades; porque todas as nossas amizades terão a origem na caridade de Deus, que conduzindo-os todos, fará com que amemos a cada bem aventurado com este puro amor com que somos amados pela sua divina bondade.
O!Deus! que consolação teremos com esta celeste conversação que mantivermos uns com os outros!  Aí, os nossos anjos bons dar-nos-ão uma consolação maior do que a que se pode explicar e pensar, quando se nos tornarem conhecidos, e quando nos mostrarem com tanto amor o cuidado que tiveram pela nossa salvação, durante o curso da nossa vida mortal, lembramo-nos as santas aspirações que nos trouxeram, como um leite sagrado que foram beber no seio da divina bondade, para nos atrair na busca destas divinas suavidades de que então gozaremos. Não vos lembrais, nos dirão eles, duma inspiração que nos trouxe em tal tempo, lendo tal livro, ouvindo tal sermão, olhando para tal imagem, como de Santa Maria Egipcíaca, inspiração que nos excitou a converter-nos para Nosso Senhor e que foi assunto da vossa predestinação? Oh! Deus! Não se derreterão os nossos corações com um contentamento indizível?
Mas, além disso, cada um dos bem aventurados terá uma conversa particular com outro, segundo a sua categoria e dignidade. Santo Agostinho desejou um dia ver Roma triunfante, no seu triunfo glorioso, São Paulo pregando, e Nosso Senhor ensinando entre o povo, curando doentes, fazendo milagres. Oh! Deus! que consolação teve este grande santo, vendo a Jerusalém celeste no seu divino triunfo, o grande apóstolo São Paulo pregando e entoando com uma melodia sem rival os louvores que consograva eternamente a divina Majestade no céu! Mas, que excesso de consolação para Santo Agostinho o ver fazer este perpétuo milagre da felicidade dos bem aventurados por Nosso Senhor, cuja morte no-la adquiriu! Imaginai o delicioso entretenimento que terão estes dois santos, um com o outro, dizendo São Paulo a Santo Agostinho: Meu caro irmão, não vos lembrais que lendo a minha epístola fostes ferido por uma tal inspiração, que vos obrigou a converter-vos, inspiração que eu tinha obtido da misericórdia do nosso bom Deus pela oração que por vós fazia ao passo que lieis o que eu tinha escrito? Isto não causará uma admirável doçura no coração deste Santo Padre?
Oh! Deus! que consolação teremos nós, estando no céu, onde veremos a bendita face de Nossa Senhora inflamada no amor de Deus? E se Santa Isabel ficou transportada de gozo e contentamento, quando, um dia que a visitou, lhe ouviu entoar este divino canto: Magnificat anima mea Dominum, como terão os nossos espíritos e corações um contentamento inexprimível quando ouvirem entoar por esta sagrada cantora o cântico do eterno amor!
Oh! Deus! que doce melodia! Sem dúvida pasmaremos e nos inebriaremos em raptos inconcebíveis!
Mas, dir-me-eis vós, visto que conversaremos e nos entenderemos com todos os que tiverem nesta Jerusalém celeste, que diremos nós? De que falaremos? Qual será o assunto? Será o da misericórdia que Deus no mundo nos tiver feito, pela qual nos tornou dignos de entrar no gozo desta bem aventurada felicidade, na qual a alma nada mais terá a desejar; porque nesta palavra de felicidade esta compreendida toda a qualidade de bens, os quais contudo só formam um bem único, que consiste no gozo de Deus.
Mas de que trataremos nós na nossa conversação? Da morte e paixão de Nosso Senhor. Não o aprendemos na Transfiguração, onde não falou de nada tanto como do martírio que devia padecer em Jerusalém, martírio que era a morte deste divino Salvador? Oh! se pudéssemos compreender alguma coisa da consolação que terão os bem aventurados falando desta morte.
Passemos avante, eu vô-lo peço, e digamos alguma coisa de honra e graça que teremos em conversar com Nosso Senhor em pessoa. Oh! é aqui, sem dúvida, que a nossa felicidade redobrará indizivelmente.
Que faremos almas queridas, em que nos tornaremos, quando virmos este coração adorável e amabilíssimo do nosso divino Mestre, através da chaga sagrada do seu lado, ardente completamente ao amor que nos tem, coração no qual veremos todos os nossos nomes escritos com letras de amor? Ah! é possível, diremos então ao nosso divino Salvador, que me tenhais amado tanto, que graveis o meu nome em vosso coração e em vossas mãos? Isto contudo é verdade.
O profeta Isaias, falando na pessoa de Nosso Senhor, nos diz o seguinte: "Quando ainda acontecesse que a mãe esquecesse o filho que gerou, eu não te esqueceria, porque gravei o teu nome em minhas mãos". Mas Nosso Senhor, tornando ainda mais doce estas palavras, nos dirá: "Não só gravei o teu nome em minhas mãos, mas ainda em meu coração". Objeto, sem dúvida, de grande consolação é ver que somos tão estreitamente amados por Nosso Senhor, e como nos tem a todos em seu coração. Oh! que admirável gozo, para um dos espíritos bem aventurados, quando virem nesse coração sagrado e muito adorável os pensamentos de paz que tinha a seu respeito, na própria hora da sua paixão, pensamentos por meio dos quais nos preparava, não só os meios principais para a nossa salvação, mas ainda dispunha particularmente, com uma admirável bondade, todos os divinos atrativos, as inspirações e os movimentos bons, dos quais se queria servir este doce Salvador para nos atrair ao seu amor! Estas vistas, estas considerações particulares que fizermos a respeito de tão sagrado amor, com o qual tivermos sido e seremos tão cara e ardentemente amados por nosso soberano Mestre, não inflamarão os nossos corações com um amor e ardor rival? Ah! que não deveríamos fazer para gozar destas suavidades tão doces e agradáveis! 
Se temos tanto contentamento nesta vida mortal em ouvir falar do que amamos, que não nos podemos cansar, que alegria e júbilo receberemos em ouvir por toda a eternidade entoar os louvores da divina Majestade, que devemos amar e amaremos mais do que se pode explicar e compreender? E se, durante a vida, temos tanto gosto na imaginação da felicidade eterna, quanto mais gosto teremos no gozo desta mesma felicidade e glória que não terão fim e duração eternamente, sem nunca podermos ser rejeitados! Oh! como esta confiança aumentará muito a nossa felicidade e consolação!
Caminhemos pois gostosa e alegremente entre as dificuldades desta vida passageira; abracemos com os braços abertos, as mortificações, as penas e aflições, se as encontrarmos em nosso caminho, pois que estamos certos de que estas penas terão fim e terminarão com a nossa vida, depois da qual só haverá alegria, contentamentos e consolações eternas.
Crede-me, para viver contente com a peregrinação, convém ter presente à vista a esperança da chegada a nossa pátria, onde permaneceremos eternamente, e no entanto crer firmemente; porque, é certo que Deus, que nos chama para si, olha como nós vamos, e nunca permitirá que nos aconteça nada senão para nosso maior bem. Ele sabe quem nós somos, e estender- nos-á a sua mão paternal nos maus caminhos, para que nada nos demore.
Meu Deus! que consolação tenho na confiança de vos ver eternamente unidos na vontade de amar e louvar a Deus! Conduza-nos a divina Providência para onde quiser; tenho a esperança e confiança de que conseguiremos o fim e chegaremos ao porto. Viva Deus! tenho esta confiança. Estejamos alegres sem diminuição e seguros sem ignorância.

Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (4/20)

Os Mórmons
ou
"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.
Doutor em Teologia  
Missionarii Sacratissimi Cordis
"Missionários do Sagrado Coração"

EXPERIÊNCIAS MÍSTICAS
Diz-nos Joseph que, pelo ano de 1820, tendo então uns quatorze anos de idade, teve a sua primeira visão. Declara que, no meio de todas as pretensões antagônicas das diferentes seitas protestantes, ele se interessou por saber à qual Igreja deveria aderir. Deu-se a uma fervorosa oração, durante a qual Deus Pai e Jesus Cristo simultaneamente lhe apareceram e lhe disseram que "a nenhuma", visto que todas as Igrejas existentes estavam erradas.
Três anos mais tarde, de acordo com o seu próprio relato, ele foi visitado por um anjo chamado Moroni. Esse anjo lhe disse que havia um livro, de lâminas de ouro, dando um relato dos primeiros habitantes da América e contendo a plenitude do evangelho eterno como a eles fora revelado. Essas lâminas estavam enterradas na terra. 
Joseph Smith foi o único designado para desenterrá-las, e com elas ele acharia dois "óculos", duas mágicas pedras transparentes metidas em aros de prata, as quais Deus preparara para o habilitar a traduzir o que estava escrito nas lâminas. Todavia, não devia ele tentar recuperar as lâminas antes de quatro anos passados. Depois o anjo lhe deu uma visão do lugar delas, de modo que ele fosse capaz de reconhecê-lo mais tarde quando lá fosse.
Escusa dizer que Joseph Smith ficou inteiramente excitado pelo pensamento de haver sido escolhido para restabelecer na terra a real Igreja de Jesus Cristo. Mas possuiu a sua alma em paciência até que, decorridos quatro anos, por ordem do anjo foi e achou as lâminas no lado oeste da colina Cumorah, a quatro milhas de Palmira, perto da estrada para Manchester. Com elas estavam os "óculos". E estes habilitaram-no milagrosamente a ler a linguagem de aparência estrangeira gravada nas lâminas, entendendo-as ele em inglês. Assim, levou consigo as lâminas e os óculos, ditou a uns escribas uma tradução delas, e, quando acabou, foi-lhe ordenado devolver as lâminas e os óculos ao anjo Moroni, que as levou para sempre deste mundo!
Estas pretensões são tão extravagantes, que a custo parece necessário refutá-las; todavia, até o dia de hoje todos os que se fazem Mórmons, espera-se que as aceitem. Por isto devemos penetrar mais a fundo no assunto.

29 de agosto de 2014

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - 41ª Parte

OPÚSCULO V

QUINZE MEDITAÇÕES SOBRE A PAIXÃO DE JESUS CRISTO, PARA O TEMPO QUE MEDEIA
ENTRE O SÁBADO DA PAIXÃO E O SÁBADO SANTO

MEDITAÇÃO I

Para o sábado da paixão

Jesus entra triunfante em Jerusalém

1. Avizinhando-se o tempo de sua Paixão, nosso Redentor deixa Betânia para se dirigir a Jerusalém. Achando-se perto dessa ingrata cidade, Jesus a contempla e chora. “Vendo a cidade, chorou sobre ela”. Chora, prevendo sua ruína em conseqüência do grande crime que aquele povo iria em breve cometer, tirando a vida ao Filho de Deus. Ah, meu Jesus, chorando então sobre aquela cidade, choráveis também sobre a minha alma, vendo a ruína que eu mesmo me procurava com meus pecados, obrigando-vos a condenar-me ao inferno depois de haverdes morrido para me salvar. Ah, deixai-me chorar o grande mal que me fiz, desprezando a vós, sumo bem, e tende compaixão de mim.

2. Jesus Cristo entra na cidade, o povo sai ao seu encontro, recebe-o com aplauso e festas e para honrá-lo junca o caminho com ramos de palmeiras e muitos estendem suas vestes por onde ele deve passar. Quem diria então que esse Senhor, reconhecido como o Messias e acolhido com tantos sinais de respeito, deveria atravessar as mesmas ruas com uma cruz sobre os ombros, condenado à morte! Ah, meu caro Jesus, agora esse povo vos aclama dizendo: “Hosana ao Filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor”(Mt 21,9), e depois levantará a voz insultando Pilatos para que vos tire do mundo, fazendo-vos morrer crucificado: “Tira-o, tira-o, crucifica-o”(Jo 19,15). Adianta-te, minha alma, e dize-lhe com afeto: Bem-aventurado o que vem em nome do Senhor. Sede para sempre bendito por vossa vinda, ó Salvador do mundo, porque, do contrário, estaríamos perdidos.

Ó meu Salvador, salvai-me.

3. À tarde, porém, depois de tantas aclamações, não se encontrou ninguém que o convidasse a hospedar-se em sua casa e por isso teve de voltar a Betânia. Meu amado Redentor, se os outros não querem acolher-vos, eu vos quero acolher no meu pobre coração. Houve um tempo em que eu, infeliz, vos expulsei de minha alma, mas agora prefiro ter-vos comigo a possuir todos os tesouros da terra. Eu vos amo, meu Salvador, e o que poderá separar-me mais de vosso amor? Só o pecado. Mas vós haveis de livrar-me desse pecado com o vosso auxílio, ó meu Jesus, e vós também, ó minha Mãe Maria, com a vossa intercessão. 

Sermão para o 10º Domingo Depois de Pentecostes - Diácono Pedro Henrique Gubitoso, IBP

[Sermão] O fariseu, o publicano e a humildade, fundamento da vida espiritual

Sermão para o 10º Domingo Depois de Pentecostes
17.08.2014 – Diácono Pedro Henrique Gubitoso, IBP.
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Reverendo padre Daniel, caro confrade seminarista, caríssimos fiéis,
Um católico que acreditasse estar isento de todo pecado estaria redondamente enganado. Todo homem é pecador, “todo homem é mentiroso” diz o Salmo (s. 116). “ O justo peca sete vezes ao dia” diz o livro dos Provérbios (Pv 24,16). “Não há homem que não peque” diz o Eclesiastes (Ecle 7,21). “Aquele que diz que não tem pecado, faz Deus mentiroso” diz São João (1 Jo 1, 10). Todo homem precisa de Deus, da ajuda de Deus. O pré-requisito básico para qualquer vida espiritual sólida é reconhecer que somos pecadores e que precisamos de Deus, em outras palavras: é preciso ser humilde.
Para ilustrar esse propósito, Nosso Senhor nos apresenta a parábola do fariseu e do publicano, em que figuram duas pessoas e duas atitudes completamente opostas.
“Dois homens subiram ao templo para orar : um fariseu e um publicano”.
Quem eram os fariseus e os publicanos? Os fariseus eram membros de uma seita formada no século segundo antes de Cristo. Eles se caracterizavam pelo cumprimento escrupuloso e minucioso de toda a lei escrita que Moisés tinha deixado. Nosso Senhor muitas vezes no evangelho condenou a hipocrisia dos fariseus que cumpriam rigorosamente a lei exterior mas que não tinham boas disposições no interior de suas almas; ele os chama de “sepulcros caiados” (Mt 23, 27) pois por fora parecem formosos mas por dentro estão repletos de imundície. Muitas vezes, eram também escrupulosos com o pouco (imposto das ervas, entre outras prescrições da lei) ou inventam tradições próprias enquanto negligenciavam o mais importante (ajuda aos pais, por exemplo). Os publicanos, por outro lado, eram uma classe extremamente odiada e desprezada entre os judeus, por dois motivos: primeiro, porque eram cobradores de impostos contratados pelos romanos, ou seja, judeus que recolhiam dinheiro de outros judeus colaborando assim com o poder estrangeiro que dominava naquele momento a Palestina; segundo, porque numa tal função acabavam frequentemente se envolvendo com corrupção, cobrando impostos mais caros do que deveriam. O publicano Zaqueu, por exemplo, havia confessado a Nosso Senhor ter defraudado muitos bens. Outro publicano que conhecemos é Levi, futuro apóstolo São Mateus. Enfim, Nosso Senhor nesta parábola toma como exemplo dois personagens diametralmente opostos. Ele põe frente a frente o orgulho do fariseu e a humildade do publicano.
“O fariseu, de pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os outros homens: ladrões, injustos, adúlteros; nem, por exemplo, como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e pago o dízimo de tudo o que possuo.”
O fariseu não pede nada a Deus, somente agradece por todas as virtudes com as quais está ornado. Falta-lhe o essencial da oração: o pedido. Ele está completamente seguro e confiante em seus méritos, está ali como se exigisse um juízo divino, uma certificado de qualidade carimbado por Deus. Ele está de pé, no primeiro lugar da sinagoga, próximo ao altar. Seus olhos estavam fixados no céu quase como se o já tivesse conquistado. O fariseu passa o tempo de sua oração louvando suas próprias virtudes, ele não pensa em Deus mas somente em si mesmo e nas suas obras. Pior ainda, depois de tanto exaltar-se ele ainda por cima despreza o publicano ali presente.
“O publicano, porém, conservando-se a distância, nem sequer se atrevia a levantar os olhos ao céu; o que fazia era bater no peito, dizendo: Meu Deus, tende piedade de mim, que sou pecador!”
O publicano treme, teme e confessa que é pecador. Ele se conserva à distância, não se atreve a levantar os olhos aos céus. Santo Agostinho explica que o publicano não se atrevia a olhar pois esperava que Deus olhasse primeiro para ele. Enquanto que o fariseu atribuía a si todo o bem que tinha feito, o publicano se reconhecia como autor exclusivo de seus pecados. Sua oração é simples, mas perfeita e fervorosa : “Meu Deus, tende piedade de mim que sou pecador”. Assim devem ser nossas disposições quando vamos rezar ou nos confessar. Por maiores que sejam nossos pecados, devemos ter absoluta confiança na misericórdia divina. Deus ama nos perdoar, pois, como nos diz a colecta da missa de hoje, é perdoando e exercendo sua misericórdia que Deus manifesta maximamente a sua onipotência. O que Deus pede acima de tudo é um coração contrito.
“Afirmo-vos que foi este que voltou justificado para sua casa, e não o outro: Porque quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.” 
São Bernardo diz: “O fariseu, que acreditava estar pleno, saiu vazio. O publicano, que se apresentou vazio pela absoluta indigência, foi repleto de misericórdia e de graça”. O fariseu, apesar de todas as obras que tinha realizado, saiu do templo pior do que quando entrou, não voltou justificado para a casa. Já o publicano, graças ao seu espírito de penitência e de humildade sai do templo completamente justificado. O que devemos aprender com esta parábola é que a humildade é um dos fundamentos da vida espiritual. São Tomás explica que há dois fundamentos da vida espiritual: a Fé e a humildade. A virtude de Fé é um fundamento positivo enquanto a humildade é um fundamento negativo. O que isto quer dizer? Se comparássemos a nossa vida da graça à construção de um prédio, a Fé seria o alicerce desse prédio pois é pela adesão às verdades reveladas que se começa qualquer vida cristã. Entretanto, a humildade é também fundamento da vida espiritual, mas num outro sentido, isto é, enquanto remove os primeiros obstáculos à perfeição cristã. Não é possível construir sobre um terreno cheio de destroços. A humildade, sendo uma virtude que modera o apetite desordenado da própria excelência, nos permite de limpar o terreno de nossa alma para que Deus possa começar em nós a sua obra de santificação. Enquanto nossa alma está repleta de amor-próprio como a alma do fariseu, é impossível progredir na vida espiritual pois neste caso a alma está muito cheia dela mesma e não há espaço para Deus.
Portanto, após ter recebido a Fé pelo batismo, o primeiro passo na busca da perfeiçã cristã é reconhecer nossa dupla pequenez: somos criaturas e ainda por cima pecadores. Em seguida, devemos reconhecer que tudo aquilo que temos de bom procede de graça de Deus. “Que tens tu que não tenhas recebido?” nos diz São Paulo (2Cor 4, 7). É precisamente por esta razão que as virtudes heróicas de alguns santos não somente podem, mas devem coexistir com a humildade; por mais que sejam perfeitos sempre reconhecerão que a santidade vem de Deus. A humildade, segundo a definição de Santa Teresa d’Avila, consiste em “caminhar na verdade”. Reconhecer o bem e o mal onde estão. Por mais que sejamos bons e pratiquemos a virtude devemos sempre ter em mente que estes bens nos vêm de Deus; exatamente como o faz Nossa Senhora no Magnificat: “Fecit mihi magna qui potens est”, isto é : “Aquele que é poderoso fez em mim grandes coisas”. Uma vez reconhecida por nós mesmos a nossa fraqueza e a nossa indigência diante de Deus, aí sim se abrem diante de nós os caminhos para progredirmos no exercício das outras virtudes.
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Sermão para o 11º Domingo depois de Pentecostes – Diácono Tomás Parra, IBP


[Sermão] Fundamentos para o apostolado leigo

Sermão para o 11º Domingo depois de Pentecostes
24.08. 2014 – Diácono Tomás Parra
Em nome do Pai…
Ave Maria…
Reverendo Padre, Caros irmãos,
               Neste 11º domingo depois de Pentecostes, a leitura do evangelho narra o episódio da cura do surdo-mudo, descrita por São Marcos. É muito frequente, no Evangelho, que os judeus tragam seus doentes para serem curados por Cristo. São Marcos conta que na região de Genesaré, “em todos lugares onde (Ele) entrava, nos povoados, nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças, rogando que lhes permitisse ao menos tocar na orla de seu manto.  E todos que o tocavam eram salvos”. Mais tarde, vindo de Tiro, no caminho em direção ao mar da Galiléia, “trouxeram-lhe um surdo-mudo”, e“suplicavam-Lhe que lhe impusesse a mão” para curá-lo.
                Caros irmãos, a atitude destes judeus é um exemplo do apostolado do qual trataremos hoje. O primeiro tipo de apostolado é aquele exercido pela hierarquia mesma da Igreja. Como dizia Tertuliano, “Deus Pai enviou a Cristo, Cristo enviou aos apóstolos; os apóstolos, aos bispos”. E Cristo confiou de modo especial aos apóstolos a Missão de converter todos os homens: “Ide, pregai o Evangelho a toda criatura, aquele que crer e for batizado será salvo”.
                O segundo tipo é o apostolado leigo, que existiu durante toda a vida da Igreja. E nós podemos perceber isto na atitude destas pessoas que levavam os doentes até Jesus para que fossem curados. Não eram os apóstolos ou discípulos de Cristo que os levavam, mas os amigos e parentes.
                No Evangelho, a doença é um símbolo do pecado, e como Nosso Senhor veio ao mundo para destruir o pecado, ele começa curando os doentes. E esses próximos dos doentes que os levam a Ele representam os que cooperam com a obra de Cristo, que é a conversão dos pecadores para a salvação de suas almas. Considerando isto, podemos dizer que mesmo os fiéis leigos participam de certo modo desta Missão confiada aos apóstolos por Cristo. “Ide, pregai o Evangelho a toda criatura…”.
                Assim, caros irmãos, como membros da Igreja, cuja cabeça é Cristo, devemos todos trabalhar para salvar nossa alma e a dos nossos próximos, para o crescimento do reino de Cristo. A primeira maneira de fazê-lo é através doapostolado da oração.
Isto é claro no Evangelho de hoje. Primeiramente, pelo exemplo das pessoasque suplicavam a Cristo pela cura para o próximo ou para si mesmas. E quão insistentes eram essas súplicas, e acompanhadas também de uma grande fé. Fé tal que levou uma vez alguns amigos a baixarem um paralítico em seu leito, através de cordas, tendo feito uma abertura no telhado para poderem alcançar o Mestre. E, na ocasião, não somente a cura foi dada, mas também o perdão dos pecados.
                Porém, caros irmãos, também mereceram um favor especial do Senhor as súplicas dos parentes do surdo-mudo.
Nosso Senhor não o cura imediatamente, mas “tomando-o a parte, de entre a multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos, e tocou-lhe a língua com a sua saliva”.Cristo atendeu suas orações, mas antes, quis se afastar da multidão, para nos ensinar a encontrar Deus no silêncio e na oração. E também para não haver ostentação no fazer milagres, nos ensinando a fugir da vaidade. De fato, como diz São João Crisóstomo, não há maior milagre que professar a humildade e praticar a modéstia. E para combater o orgulho, que se opõe a estas virtudes, toda a vida de Cristo foi exemplo de humildade e é sobre esta humildade que Ele fundou a religião. “Cristo fez-se, por amor de nós, obediente até a morte e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou …”.
São João Crisóstomo diz também que Cristo podia ter curado o surdo-mudo com uma só palavra, mas “meteu-lhe os dedos nos ouvidos, e tocou-lhe a língua com a sua saliva”, para mostrar que seu corpo estava cheio do poder de Deus. Essas curas que realizava mostram que em Cristo veio a restauração da natureza humana, que, por causa do pecado de Adão, tinha sofrido feridas de toda sorte. Além disso, gestos semelhantes ao de Nosso Senhor são utilizados até hoje no rito do batismo, para lembrar o cristão do dever que terá de receber a palavra de Deus pelo ouvido, e de professá-la com a língua.
Em seguida, caros irmãos, Nosso Senhor nos incita à oração pelo seu próprio exemplo. “Levantando os olhos ao céu, (Ele) suspirou”, (do latim ingemuit, gemeu).
Ele levanta os olhos ao céu para nos mostrar que é de lá que vem todos os bens. De lá, vem a cura para os doentes, o perdão para os pecadores. Ele geme de compaixão da miséria do homem decaído, apresentando suas súplicas ao Pai Celeste. Não que precisasse fazê-lo para obter o milagre, pois Ele é Deus, mas para nos ensinar como recorrer à misericórdia divina.
                É muito importante saber que a oração deve anteceder o apostolado do sacrifício e da caridade. E para isso temos o exemplo dos apóstolos e dos discípulos, que estavam, “todos estes, unânimesperseverantes na oração com algumas mulheres, dentre as quais Maria, Mãe de Jesus”, esperando a vinda do Espírito Santo antes de começarem a exercer a Missão de levar o Evangelho aos homens de todo o mundo. Apesar de terem sido discípulos do próprio Cristo, convivido com Ele, visto Seu exemplo e escutado seus ensinamentos pessoalmente, tinham ainda que rezar para receberem a força vinda do Céu, que lhes daria impulso para pregar a Boa Nova a todas as nações.
                Esta oração do Cenáculo, este recolhimento que antecede Pentecostes, é para nós um modelo. Pois nos ensina, caros irmãos, as três condições necessárias para que as nossas orações sejam atendidas com eficácia:
                Em primeiro lugar, a perseverança, pois lá estavam os apóstolos com os discípulos e Nossa Senhora, e ficaram em oração contínua, esperando que Cristo enviasse o Espírito Santo; e ali oraram durante dez dias. Esta perseverança vai de par, evidentemente, com a fé e a confiança na promessa divina: “Pedi e recebereis”. Não esqueçamos também a fé do paralítico, que desceu pelo teto para pedir a Cristo a sua cura.
                Em segundo lugar, a unanimidade: Também pela promessa divina:“Se dois de vós estiverem de acordo (…) sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Caros irmãos, a oração em comum tem maior valor aos olhos de Deus que a oração individual, daí a importância de se rezar junto com os filhos em família, junto com bons amigos católicos.
                A terceira condição para que nossa oração seja eficaz para alcançar a vinda do reino do Pai, como pedimos no Pai-Nosso, é a mediação de Nossa Senhora. Ela estava no Cenáculo, em meio aos Apóstolos e discípulos cumprindo a missão de medianeira, missão que lhe foi dada por Deus desde a Encarnação do Verbo, pois, segundo o ensinamento de São Luís de Montfort, Deus Pai escolheu Maria para dar seu Filho ao mundo e, juntamente com seu Filho, lhe confiou todo o tesouro de suas graças e misericórdias. Ela se tornou o Canal que liga os homens à Cristo, que liga os homens ao único Mediador. E esta conduta, este modo de fazer, Deus não mudará até o fim dos tempos, de forma que recorrer à mediação de Nossa Senhora é o meio mais fácil de alcançar de Deus todas as graças.
                Jesus Cristo nos disse “é preciso rezar sempre, oportet semper orare”. A necessidade disso, caros irmãos, para os que têm a fé, é evidente. Em Fátima, Nossa Senhora dizia às três crianças: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. Este apelo se dirige também a nós. Ora, se na época de Cristo havia inúmeros doentes que procuravam remédio em sua misericórdia, hoje existem muitos pecadores, mas que diferentemente daqueles, não buscam sua cura espiritual – o perdão – e caminham para a danação eterna. Pensar também em nossos vícios, nas necessidades de nossos próximos, no sofrimento dos que sofrem perseguições pela fé no Oriente, deve nos incitar a rezar ainda mais. Além disso, hoje, como sabemos, pecados graves e alguns vícios que clamam vingança aos céus são tolerados e facilitados pelas leis civis.
                É preciso, todavia, caros irmãos, não olhar somente os males, para não nos desencorajarmos. Mas saber que os Corações de Jesus e Maria estão atentos às nossas orações.  Que Ele, sendo Deus, pode imperar sobre o mal, como quando disse “Ephpheta” (Abre-te, desatate), e imediatamente os ouvidos do surdo-mudo se abriram, sua língua se desatou e ele começou a falar normalmente o aramaico, língua que ele supostamente desconhecia.
Mas é necessário saber também, que a oração, só, não basta. São Tiago nos ensina que a “fé, se não tiver obras, está completamente morta”. É preciso agir, rezar e agir. É preciso se sacrificar, como pediu Nossa Senhora, e praticar acaridade.
Pode-se fazer apostolado pelo sacrifício, unindo-se a Cristo em sua Paixão; isto é, renunciando a si próprio, pelo bem dos próximos, sobretudo renunciando ao amor-próprio e aos caprichos que incomodam os outros, mesmo se isso proporcionará, por vezes, algo que seja menos cômodo. Pode-se fazer o apostolado do sacrifício praticando,  por exemplo, na medida do possível, algum sacrifício do paladar (começar já pela abstinência da sexta-feira, costume muito louvável que muitos já não praticam em nossos dias)… oferecendo tudo sempre em união a Cristo pelos próximos.
                O apostolado pode se exercer ainda pela prática da caridade, que é reproduzir a vida de Cristo em nós pela nossa entrega a Deus e ao serviço do próximo. É isso que faziam os parentes do surdo-mudo.
Enfim, caros irmãos, nosso apostolado, qualquer que seja, deve sempre levar a Cristo. Não deve ter como fim nossa promoção ou servir nossos interesses próprios, ou ainda  lutar por um bem puramente natural. Nosso apostolado deve lembrar os israelitas do Evangelho de hoje, que tinham um só desejo: levar os doentes até o Mestre “rogando que lhes permitisse ao menos tocar na orla de seu manto”. Ele, Cristo Nosso Senhor é quem cura, quem perdoa os pecados.
Consideremos que Cristo venceu o mundo e a morte, e tendo morrido pelos pecados de todos os homens, ressuscitou. E Ele deseja ardentemente que estejamos unidos a Ele na cruz, para ressuscitarmos com Ele para a glória eterna.
Peçamos, enfim, caríssimos irmãos, a Deus Nosso Senhor o que se reza hoje na colecta, que nos perdoe nossos pecados e nossa falta de merecimentos, e nos dê aquilo que não ousamos esperar da pobreza de nossas orações.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Males que afligem a Igreja e a necessidade de oração - S.S. Leão XIII



Males que afligem a Igreja


" A todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite; a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende; a trama de calúnias de mil modos urdidas; o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice; os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar.



Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, ela deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos ela sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória.



 Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar nos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De fato, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo; o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina; o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé.



E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos  e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influencia. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d’Ele.



A necessidade da oração 



 Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança "sem nunca cessar" (1Tim 5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja "dos homens insolentes e malvados" (2 Tim 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.



Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos que, pela bondade divina, os tempos lhe oferecem, todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, elevada ao seu Deus.



Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se, mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranqüila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias"

A hediondez espírita - Dom Corrêa (19/22)

A HEDIONDEZ ESPÍRITA

Dom José Eugênio Corrêa
Bispo de Caratinga
(1957-1978)

19. NINGUÉM PODE FAVORECER O ESPIRITISMO!

Ajudar as obras espíritas, colaborar de qualquer modo com o Espiritismo, é favorecer a heresia. E quem favorece qualquer heresia fica excomungado, conforme diz o cân. 2316 do Direito Canônico.

Também prestigiar e favorecer o Espiritismo tomar parte em suas sessões ou atos de culto. Tomar parte em qualquer culto herético também acarreta excomunhão, segundo o mesmo cân. 2316 do Direito Canônico.

Temos as nossas obras de caridade, que se mantêm com dificuldade. É preciso que todos os católicos se unam e conjuguem seus esforços para manter e melhorar cada vez mais as nossas obras de caridade, o brilho do culto divino, e as nossas obras educacionais e culturais... Se, em vez de ajudarmos as «nossas» obras que precisam de nós, vamos ajudar as obras do demônio, estamos traindo a fé, e fazendo assim o pecado de Judas.

O voto dos católicos para os católicos. As esmolas dos católicos para as obras católicas. A energia e atividade dos católicos para a nossa Igreja, para o nosso Deus... O resto é falta de caráter e de linha, é traição, é ser quinta coluna...

28 de agosto de 2014

Sermão de Santo Antônio aos Peixes



Visto aqui.

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

13/15  -  Como o pensamento do céu é próprio para nos consolar.

O Fim do homem é a visão clara e o gozo de Deus que espera obter no céu. Bem aventurado pois aquele que emprega esta curta vida mortal em adquirir este bem eterno, preferindo o dias passageiros desta vida ao da imortalidade e aplicando todos os seus momentos mortais, que lhe restam, à conquista da santa eternidade. A verdadeira luz do céu não lhe faltará, para lhe fazer ver e tomar o caminho seguro e conduzi-lo com felicidade a este porto de eternas delícias.
Os rios correm incessantemente e volvem como diz o sábio, para o mar, que é o lugar do seu nascimento e do último repouso; todo o seu movimento só tende a uni-los à sua origem. "Oh! Deus, diz Santo Agostinho, criastes o meu coração para vós e só em vós encontrará repouso; mas que tenho eu no céu, senão a vós, ó meu Deus, e que mais quero sobre a terra? Sim, Senhor, porque vós sois o Deus do meu coração o meu quinhão e partilha na eternidade". Eis, em particular, alguns pontos que devemos crer neste assunto.
Primeiro, que há um paraíso ou glória eterna; estado perfeitíssimo, no qual se reúnem todos os bens e onde não há mal algum; mundo de maravilhas, cúmulo de felicidade, gozo incomparável ultrapassando infinitamente todo o desejo; casa de Deus e palácio dos bem aventurados; cidade apeticível e amável e tão preciosa, que todas as belezas do mundo juntas nada são, comparadas com a sua excelência, e ninguém pode conceder a grandeza infinita dos abismos das suas delícias.
Considerai que, por uma eternidade, estas almas felizes gozam desta felicidade de Deus, entregando-se completamente a todas, e o Eterno Filho que diz benignamente a seu Pai: "Meu Pai, eu quero que os que me destes fiquem eternamente comigo, e vejam a claridade que eu tive em Ti antes da formação do mundo". E, dirigindo-se a seus caros Filhos: "Não vos tinha eu dito que o que me amasse seria amado por meu Pai e que nós nos manifestaríamos a ele?" Então esta santa companhia, abismada em prazer no seio da Divindade, canta o aleluia eterno de gozo e louvor ao seu Criador.
Em segundo lugar, cremos que a alma, entrando no céu limpa de todo o pecado, no mesmo instante verá a Deus sem sombras, a ele mesmo, face a face, como é, contemplando, por uma vista de verdadeira e real presença a própria essência divina, e nele as suas infinitas bondades.
O dulcíssimo São Bernardo, estando ainda jovem em Chatillon-sur-Seine, na noite de Natal esperava na Igreja que começasse o sagrado ofício, e esperando, adormeceu dum leve sono, durante o qual (oh! Deus meu! que doçura!) viu um espírito, e com uma visão muito distinta e clara, como o Filho de Deus tendo desposado a natureza humana, tendo-se tornado criancinha no seio de sua Mãe, nascia virginalmente em seu sacrossanto seio, com uma humilde suavidade, misturada com majestade celeste; visão que encheu com tal forma seu coração de satisfação e júbilo, que toda a vida sentiu sentimentos extremos, e a memória deste mistério da natividade de seu Mestre dava-lhe um gosto espiritual e uma suavidade sem igual.
Ah! mas se uma visão imaginária do nascimento temporal do Filho de Deus enlevou e contentou tanto o coração duma criança, ah! que será quando os nossos espíritos, gloriosamente alumiados com a feliz claridade, verem este nascimento eterno, pelo qual o Filho procede, Deus de Deus, divina e eternamente? É então que a alma será deificada, cheia de Deus, e feita como Deus, por participação, eterna e imutável de Deus, unindo-se com ela, como o fogo inflama o ferro e o penetra, comunicando-lhe a sua luz, esplendor, calor, e outras propriedades; de maneira que o toma pelo mesmo fogo.
Como Deus nos deu a luz da razão, pela qual o podemos conhecer como autor da natureza, e a luz da fé, pela qual o consideramos autor da graça, do mesmo modo nos dará a luz da glória, pela qual o contemplaremos como fonte de beatitude e da vida eterna; mas fonte que não só de longe contemplaremos, como fazemos agora pela fé, mas que veremos pela luz da glória, mergulhados e abismados nela.
Em terceiro lugar, a alma será para sempre bem aventurada entre a nobreza, a beleza e a multidão dos cidadãos e habitantes desta ditosa pátria, com os seus milhões de anjos, querubins e serafins, esta multidão de apóstolos, mártires, confessores, virgens, santas mulheres, cuja quantidade é inumerável.
Oh! como é ditosa esta companhia! O menor dos bem aventurados é mais belo do que todo o mundo; que será vê-los, todos? Eles cantam o doce cântico do eterno amor, gozam sempre duma alegria constante, compartilham de contentamentos indizíveis, e vivem na consolação duma infeliz e indissolúvel sociedade.
Mas, oh! Deus! se a boa amizade humana é tão agradavelmente amável, que será ver a suavidade sagrada do amor recíproco dos bem aventurados? De certo, os corações dos cidadãos do paraíso estarão abismados em amor e admiração de beleza e doçura dum tal amor.
Em quarto lugar, no paraíso, Deus dar-se-á completamente a todos; e não em parte por ser um todo que não tem partes; mas dar-se-á diversamente e com tantas diferenças como forem os bem aventurados. Assim como uma estrela é diversa das outras em claridade, assim serão diferentes os homens uns dos outros na glória, à proporção que o tiverem sido em graça e méritos; e como nenhum homem talvez é igual em caridade a um outro neste mundo, assim nenhum bem aventurado será igual a outro em glória no céu.
Considerai como é bom ver esta cidade em que o grande rei tem a sede na sua majestade, cercado de todos os seus bem aventurados servos; aí estão as multidões de anjos, que cantam hinos, e à companhia dos cidadãos celestes; aí se encontra a multidão veneranda dos profetas, o sagrado número dos apóstolos, o vitorioso exército dos inumeráveis mártires, a augusta assembléia dos pontífices, o sagrado rebanho dos confessores, os verdadeiros e perfeitos religiosos, as santas mulheres, as humildes viúvas, as puras virgens. A glória de cada qual não é igual, mas contudo recebem todos um igual prazer, porque é aí que reina a plena e perfeita caridade.
Um fio de glória, uma gota de amor dos bem aventurados vale mais, tem mais força e merece mais estima do que todos os outros amores e conhecimentos que possam ter os corações dos homens mortais.
Em quinto lugar, apesar de grande diversidade e diferença de glória, contudo cada alma bem aventurada, contemplando a infinita beleza de Deus, e o abismo do infinito que fica por ver nessa mesma beleza, fica perfeitamente satisfeita e saciada, e contenta-se com a glória de que goza, segundo o lugar que tem no céu, por causa da amabilíssima Providência divina que assim o ordenou.
Que alegria o estar cercado por toda a parte de prazeres incríveis, e como uma ave bem aventurada, voar, cantar para sempre no ambiente da Divindade!
Que favor e contentamento, depois de um milhão de desgostos, penas e trabalhos, sofridos nesta vida mortal, depois dos desejos infinitos do verdadeiro bem nunca satisfeitos neste mundo, ver-se no porto de toda tranquilidade e ter enfim encontrado a viva e poderosa fonte das frescas águas da vida imortal e a santíssima Divindade, que só podem apagar e satisfazer o desejo humano? 

Do diabólico delírio dos mórmons - Pe. Leslie Rumble, M.S.C. (3/20)

Os Mórmons
ou
"Santos dos Últimos Dias"

Padre Leslie Rumble, M.S.C.
Doutor em Teologia  
Missionarii Sacratissimi Cordis
"Missionários do Sagrado Coração"

O PROFETA JOSEPH SMITH
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é assim chamada por pretender oferecer a plenitude da revelação que Deus fez à humanidade por meio de Jesus Cristo — plenitude que foi reservada a estes últimos tempos, e aos "santos", ou àqueles que querem fazer-se discípulos dos novos ensinamentos conforme ensinados por Joseph Smith.

Fanfarrão e diabólico Joseph Smith sendo "inspirado" por um chapéu

Obviamente devemos começar perguntando quem é esse Joseph Smith. E imediatamente topamos com dificuldades, pois temos de resolver se a história da vida dele revela um homem que se afigure a espécie de pessoa que Deus teria escolhido para tal missão. Joseph Smith, filho de um fazendeiro, nasceu em Sharon, Vermont, E.U.A., a 23 de dezembro de 1805. Sua família mudou-se para Palmyra, em 1815, e, quatro anos depois, para a pequena cidade de Manchester, Ontário, County, N.Y. Todos os biógrafos concordam em que Joseph recebeu pouca ou nenhuma instrução no sentido escolástico do termo. Os próprios Mórmons, como veremos, insistem muito nisto.
Nervoso, ele era altamente temperado, e sujeito a ataques epilépticos a que mais tarde chamou transes, e durante os quais pretendia que lhe advinham visões celestes. Mas ele próprio provou-se um inventador tão arguto e tão pouco dotado de qualquer senso de veracidade, que é impossível tomar a sua palavra como sendo a realidade das suas experiências. O Dr. Edward Fairfield, antigo presidente do Michigan College, disse que três testemunhas que haviam conhecido pessoalmente Joseph Smith desde dez anos de idade lhe disseram que "ele era simplesmente um mentiroso notório". Mas por que teria ele volvido a sua atenção para o campo religioso?
Para compreender isto, devemo-nos lembrar de que, durante a primeira metade do século dezenove, uma onda de entusiasmo evangélico varreu toda a América. Metodistas, Campbellistas, Congregacionalistas, Milleristas, Shakers e outros procediam, um após outro, a reuniões reavivamentistas, pondo distritos inteiros em fermentação religiosa e despertando as mais vivas controvérsias. Frenesi e histeria tornaram-se a ordem do dia. Novas religiões — cultos esdrúxulos com crentes loucos — brotaram como cogumelos durante aquele período emocional. E o excitável Joseph Smith não deixou de ser afetado pela atmosfera reinante, de superstição e de credulidade. Nesse comenos, veio para Manchester um pregador reavivamentista, ex-Batista, chamado Sidney Rigdon, que aderira aos Campbellistas. Rigdon era um homem bem educado, inteligente, e dotado de grande facilidade na citação das Escrituras. Veio-lhe porém o pensamento de que, em vez de pregar as doutrinas de Alexandre Campbell, ele podia do mesmo modo erigir-se em mestre de Israel e pregar o seu próprio sistema. Por isto decidiu dar ao mundo uma revelação totalmente nova. Em Joseph Smith, com quem se encontrou nesse tempo, achou ele um cooperador de boa vontade, embora no fim ele é que tenha sido reduzido a cooperar com Joseph Smith. Porque Joseph Smith tinha as qualidades psicopáticas necessárias para um "visionário", qualidades que faltavam a Rigdon.