27 de março de 2017

Missas Tridentinas - Padre Renato Coelho - IBP

Missas Tridentinas

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Março 2017

25/03     Sábado       17:30h - Oração do Santo Terço
                                 18:00h - Missa
                                 19:00h - Palestra: Tema Iraburu X Boróbio
26/03     Domingo    10:30h - Oração do Santo Terço
                                 11:00h - Missa
27/03     2ª feira        07:00h

Local:       Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 2057
Bairro:      Rebouças - Curitiba - Paraná

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Estamos antecipando a divulgação do Calendário das Missas para os meses de Abril (Semana Santa) e Maio de 2017. Sofrendo alguma alteração, estaremos divulgando em nosso blog.

Abril 2017

08/04     Sábado       19:00h
09/04     Domingo    11:00h
10/04     2ª feira        20:00h
11/04     3ª feira        20:00h
12/04     4ª feira        20:00h
13/04     5ª feira        20:00h
14/04     6ª feira        17:00h
15/04     Sábado       22:00h
16/04     Domingo    11:00h
17/04     2ª feira       20:00h
18/04     3ª feira       07:00h

Maio 2017

27/05     Sábado      18:00h
28/05     Domingo   11:00h
29/05     2ª feira       07:00h

24 de março de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 338

NÃO FAZER POUCO DA GRAÇA

O cônego Schmid, escritor muito popular, narra o seguinte fato:
Uma jovem da alta nobreza, órfã de pais, morava num magnífico castelo. Um dia, a filha de um pobre pedreiro foi procurá-la apressadamente e disse-lhe:
— Senhorita, meu pai está à morte; venha vê-lo; mas venha logo porque tem algo a dizer-lhe.
A orgulhosa jovem não fez caso do recado, dizendo consigo: “Que pode ter um operário a dizer-me na hora da morte?”
Uma hora mais tarde, chegava de novo a filha do pedreiro quase sem fôlego de tanto. correr.
— Senhorita — disse — venha depressa. Meu pai diz que a mãe da senhora, durante a última guerra, mandara embutir numa parede do castelo grande quantidade de ouro e prata. Meu pai tinha ordem de não lhe dizer nada antes que a senhora completasse vinte anos. Mas, como está certo de que vai morrer, quer antes confiar-lhe o segredo.
No mesmo instante a jovem saiu a correr para a casa do agonizante. Aconteceu, porém, que, ao entrar ela no quarto, o operário acabava de expirar. A jovem empregou grandes esforços para descobrir o tesouro escondido, mas tudo foi em vão. A herdeira do tesouro materno jamais o encontrou.
Muitos procedem a respeito da graça de Deus como aquela jovem. Fazem desse tesouro divino muito pouco caso; virá, porém, urna hora em que não mais o encontrarão.

23 de março de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

XII 

NO ALTO DO TABOR 

 A VIDA de Nosso Senhor Jesus Cristo na terra, tem, mesmo nas suas particularidades, um valor tal, que lhe não podemos esgotar todas as profundezas. Uma só palavra do Verbo Incarnado, d' Aquele que está sempre in sinu Patris, é uma revelação tão grande que, só por si, qual fonte sempre viva de água salutar, é bastante para fecundar toda uma vida espiritual. Vê-mo-lo na vida dos Santos: muitas vezes bastou uma palavra Sua para converter inteiramente a alma para Deus. As Suas palavras vêm do céu; daí a sua fecundidade.
 O mesmo acontece com as Suas ações: são para nós modelos, luzes, fontes de graças.
 Procurei, na conferência anterior, mostrar-vos alguns aspectos da vida pública de Jesus, o bastante para vos fazer entrever o que há de inefavelmente divino, bem como de indizivelmente humano, neste período de três anos. Bem contra minha vontade, vi-me obrigado a pôr de parte muitos passos do Evangelho e passar em silêncio muitas cenas contadas pelos escritores sagrados.
 Há, porém, uma página, página única e tão singular, mistério tão cheio de grandeza e ao mesmo tempo tão fecundo para as nossas almas, que merece lhe dediquemos uma conferência inteira: a Transfiguração.
 Muitas vezes vos tenho dito que nada devemos ter em maior apreço do que o dogma da Divindade de Jesus. Primeiramente, porque nada Lhe é maís agradável: em segundo lugar, porque este dogma é simultaneamente a base e fundamento, o centro e remate de toda a nossa vida interior. Ora a Transfiguração é um desses episódios em que particularmente se vêem irradiar, aos olhos humanos, os esplendores dessa Divindade.
 Contemplemo-Lo, pois, com fé, mas também com  amor. Quanto mais viva for esta fé, quanto maior for o amor com que nos aproximarmos de Jesus neste mistério, tanto maior e mais profunda será também a nossa capacidade para sermos interiormente cheios da Sua luz e inundados da sua graça. Cristo Jesus, Verbo eterno, Mestre Divino, Vós que sois o esplendor do Pai e fulgor da Sua substância, Vós que dissestes: «Se me alguém amar, Eu me manifestarei a ele», - fazei que vos amemos com fervor, para podermos receber de Vós uma luz mais intensa a respeito da Vossa Divindade, pois nisso está, como Vós o dissestes, o segredo da nossa vida, da vida eterna: «Conhecer que o nosso Pai celeste é o único verdadeiro Deus e que Vós sois o Seu Cristo», enviado ao mundo para ser o nosso rei e o Pontífice da nossa salvação. Iluminai a nossa alma com um raio desses esplendores divinos que brilharam no Tabor para que a nossa fé na Vossa Divindade, a nossa esperança nos Vossos méritos e o nosso amor pela Vossa pessoa adorável aumentem e se fortaleçam cada vez mais! 

22 de março de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 336 a 337

COMO SE FAZ AÇÃO CATÓLICA

1. Uma senhora de poucos recursos, ao renovar a assinatura de um jornal católico, escreveu a direção da folha: “Eis o que aconteceu há pouco. Tendo um negócio a tratar numa repartição pública, levei comigo os últimos dois números do nosso apreciado jornal. Depois de ler por algum tempo, levantei-me, deixando ali os jornais. Passado um bom lapso de tempo, quis ver. o que acontecera. Quando cheguei à sala, um número do jornal já havia desaparecido; o outro estava nas mãos de uma moça que o lia atentamente. Digo-lhes com sinceridade: Daqui em diante farei o mesmo, em qualquer repartição, com os jornais que for recebendo. No restaurante, nos trens, nas salas de espera, irei deixando algum número do nosso querido jornal para fazer um pouco de propaganda católica. Depois lhe escreverei qual o resultado desta experiência’. Oh! que pena não haver muitas senhoras como esta!

2. O Papa, por ocasião de uma peregrinação lombarda de dez mil pessoas, fez importante alocução sobre o apostolado dos leigos. Disse-lhes entre outras coisas: “Uma vez de volta aos velhos lares, enriquecidos com os preciosos tesouros do Ano Santo, deveis tornar-vos melhores: não só mais piedosos, mais fervorosos na fé, mais dóceis para com a Igreja, mas, sobretudo, deveis ser apóstolos. O que a Igreja espera de vós é que sejais apóstolos pela palavra, pelo exemplo, pela coragem cristã. É precisamente o apostolado do bom exemplo, duma vida verdadeiramente cristã, nos pormenores de cada dia, que pode e deve ser realizado por vós, seja qual for a vossa posição social, seja qual for a vossa profissão”.

21 de março de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

VI 

A vida de Jesus é uma manifestação das perfeições de Deus, das prodigalidades da Sua bondade suprema e das suas insondáveis misericórdias. É no Verbo Incarnado que Deus nos descobre o Seu «carácter» íntimo: llluxit in cordibus nostris ... in facie Christí Jesu. Jesus Cristo é "a imagem visível do Deus invisível"; as Suas palavras, os Seus atos são a revelação autêntica do Ser infinito. 
Ora, a nossa contemplação da fisionomia de Cristo e a nossa ideia de Deus seriam incompletas, se, ao meditarmos na condescendência incansável de Jesus para com toda a espécie de misérias, sem exceptuar o pecado, deixássemos de examinar também o Seu procedimento para com essa forma da malícia humana, à mais oposta à nobreza e bondade divina, e que se resume numa palavra: o farisaísmo. 
Sabeis o que eram os fariseus. De volta do cativeiro de Babilônia, alguns judeus zelosos envidaram todos os esforços para neutralizar a influência estrangeira, perigosa para a ortodoxia de Israel. Procuraram sobretudo pôr novamente em vigor as prescrições da lei de Moisés, conservando-lhes a pureza. 
 Este zelo, digno de todo o louvor e que denotava um ideal elevado, degenerou infelizmente pouco a pouco num fanatismo feroz e num culto exagerado pelo texto da lei. Formou-se uma classe de judeus, que se chamavam "fariseus", isto é, "separados", separados de todo o contato estrangeiro e de quaisquer relações com aqueles que não observavam as suas "tradições".
 E, de fato, interpretando a lei com rara sutileza de casuística, os fariseus acrescentaram-lhe uma infinidade de prescrições orais que a tornavam as mais das vezes impraticável e em muitos artigos, pueril e ridícula. Havia sobretudo dois pontos cujas minúcias eram objeto de intermináveis discussões, que lhes ocupavam a atenção: a observância do descanso do sábado e as purificações rituais e legais. Mais de uma vez os vemos no Evangelho acusarem o Salvador nestes pontos. 
Tinham caído num formalismo extremamente acanhado. Não se importando da pureza interior da alma, prendiam-se com a observância exterior, material e mesquinha, da letra da Lei. Nisto consistia toda a sua religião e perfeição. Daí, como resultado, uma profunda obliteração moral. Estes «puros» transgrediam graves preceitos da lei natural, para se prenderem apenas com minúcias absurdas, baseadas nas suas interpretações pessoais. Assim, a pretexto de não violarem o repouso do sábado, ensinavam que nesse dia não se deviam curar os doentes, nem dar esmola aos necessitados; e vemo-los censurar os discípulos de Jesus por não terem observado o sábado, debulhando com as mãos algumas espigas para comer!
 Este formalismo exagerado conduzia-os forçosamente ao orgulho. Sendo eles próprios autores de muitas prescrições, julgavam-se também autores da sua própria santidade. Eram os "separados", os "puros", que nada impuro podia atingir. Que se lhes poderia então censurar? Não eram em tudo duma perfeita «correção»?  Por isso, tinham por si mesmos uma estima extremamente desregrada; um orgulho incomensurável levava-os a «procurar avidamente os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes a que eram convidados, as saudações e aplausos da multidão nas praças públicas».
 Este orgulho estadeava-se no santuário. Conheceis a parábola em que Jesus Cristo pinta admiravelmente esta odiosa ostentação. O nosso divino Salvador estabelece um paralelo entre a humildade do publicano, que não ousa levantar os olhos ao céu por via dos seus pecado, e a presunção do fariseu, que, de pé, dá graças a Deus por estar acima de todos os homens por causa da sua exata observância das particularidades da lei, e, para assim dizer, reclama de Deus a aprovação absoluta da sua maneira de proceder.
 O que tornava desprezíveis muitos dos fariseus era juntar-se a este orgulho uma profunda hipocrisia. Em consequência da infinidade de prescrições que estabeleciam e que o próprio Nosso Senhor declara «intoleráveis», muitos deles não chegavam a realizar a santidade de que se gabavam, senão dissimulando habilmente as suas faltas e fraquezas e fazendo passar o texto da lei por interpretações desleais. Deste modo, podiam transgredir a lei, salvaguardando as aparências aos olhos do vulgo que os admirava. 
A sua autoridade e influência eram enormes; eram considerados como intérpretes e guardas da lei de Moisés. Fazendo alarde de profundo respeito por todas as práticas exteriores da observância, impunham-se à multidão que os considerava como santos.
 Por isso, tudo o que lhes podia diminuir este ascendente os perturbava. Desde o início da vida pública de Jesus, começam a fazer-Lhe oposição. Além de Jesus Cristo não seguir a escola deles, a doutrina que pregava, os atos com que a confirmava eram o extremo oposto das suas opiniões e do seu modo de proceder. A extraordinária condescendência do Salvador para com os publicanos e pecadores, repelidos por eles como impuros, a sua independência acerca da lei do sábado, de que se dizia senhor soberano, os milagres com que atraía o povo, não podiam deixar de os impressionar. Abismando-se pouco a pouco na sua cegueira, a despeito das advertências do próprio Jesus, tratam de Lhe armar ciladas: pedem-Lhe um «sinal do céu», como prova da Sua missão; apresentam-Lhe uma mulher adúltera, com o fim de O porem em oposição com a lei de Moisés; perguntam-Lhe, ardilosamente, se se deve pagar o tributo a César. Por toda a parte, em cada página do Evangelho, 
vê-los-eis, cheios de ódio contra Jesus, esforçarem-se por fazer decair a autoridade d'Ele junto da multidão, desviar os seus discípulos, enganar o povo, a fim de impedir Jesus Cristo de cumprir a Sua missão de salvação. 
Mais de uma vez Nosso Senhor preveniu os discípulos que se acautelassem contra esta hipocrisia. Mas, no fim do Seu ministério público, quis, como bom pastor que ensinava a verdade às Suas ovelhas e ia dar a vida por elas, desmascarar completamente esses lobos, que se apresentavam sob a capa de santidade,  unicamente para enganar e perder as almas simples.
 No solene sermão da montanha, Jesus Cristo assombra o auditório judeu com a revelação duma doutrina que ia de encontro aos seus instintos inveterados e aos seus preconceitos seculares: proclama diante de todos que os bem aventurados do Seu reino são os pobres de espírito, os mansos de coração, os que choram, os que têm fome de justiça; declara que os verdadeiros filhos do Pai celeste são os misericordiosos, as almas puras, os pacíficos, e que a mais sublime das bem aventuranças é sofrer perseguição por amor d'Ele. 
Esta doutrina, que constitui a "carta magna" evangélica dos pobres, dos pequenos, dos humildes, é a antítese da que, por palavras e exemplos, pregavam os fariseus.
 Por isso, ouvimos Nosso Senhor lançar contra eles uma série de oito maldições, que formam a contrapartida das oito bem-aventuranças.
Lede-as integralmente no Evangelho, em que ocupam uma página inteira. Vereis com que indignação Jesus Cristo, Verdade infalível e Vida das almas, põe a multidão e os discípulos de sobreaviso contra uma doutrina e procedimento que desviavam do reino de Deus, ocultavam a cobiça e o falso zelo alteravam a verdade e as prescrições da Lei, estabeleciam uma religião toda de aparências, se contentavam com uma pureza toda exterior, debaixo da qual se dissimulavam a corrupção e o ódio perseguidor. 
«Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que fechais aos homens o reino dos céus; nem vós entrais, nem deixais entrar os outros ! »
"Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que, a pretexto de rezar longas orações, devorais as casas das viúvas! O vosso julgamento será, por isso, mais rigoroso».
 «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que tendes o cuidado de pagar o dízimo por uma folha de hortelã, de endro e de cominho, e desprezais as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a boa fé ! Devíeis praticar uma coisa sem omitir as outras. Guias cegos, que coais a água para não engolir um mosquito, e engolis um camelo! ».
 "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que limpais por fora o copo e o prato, e por dentro estais cheios de rapina e de impureza».
"Serpentes, raça de víboras, como podereis escapar à condenação da geena? » 
Que contraste entre estas acusações fulminantes, entre estas veementes invectivas de Nosso Senhor, e a Sua atitude para com os maiores pecadores, a Samaritana, a Madalena, a mulher adúltera, às quais perdoa, sem uma palavra de censura; para com os criminosos, como o bom ladrão, a quem promete o céu.
 Qual a razão desta diferença? Porque é que Jesus, tão cheio de condescendência com os pecadores, lança publicamente sobre os fariseus tão terríveis anátemas?
 É que toda a espécie de fraqueza e de miséria, quando humildemente reconhecida e confessada, atrai a compaixão do Seu Coração e a misericórdia do Pai: Quomodo miseretur pater filiorum, misertus est Dominus, timentibus se: quoniam ipse cognovit figmentum no­strom. Ao passo que o orgulho, sobretudo o orgulho de espírito, semelhante ao pecado dos demônios, excita a indignação do Senhor: Deus superbis resistit.
 Ora, o espírito dos fariseus é um resumo de tudo o que há de odioso e hipócrita no orgulho. Estes "soberbos no pensamento do seu coração», estes ricos da estima de si mesmos, são para sempre expulsos da presença de Deus: Divites dimisit inanes.
 Cumpre notar que o farisaísmo reveste muitas formas. Nosso Senhor não atacava somente os fariseus por causa do orgulho hipócrita que, sob o manto de perfeição, ocultava a corrupção: "Sepulcros caiados, que parecem limpos por fora, mas, por dentro, estão cheios de corrupção e iniquidade» . Acusava-os também de terem substituído a lei eterna de Deus por um formalismo de origem humana. Os fariseus escandalizavam-se por verem Jesus Cristo curar doentes ao sábado; indignavam-se por ver que os Apóstolos se não submetiam, antes das refeições, a toda a série pueril de abluções legais que eles tinham inventado e nas quais faziam consistir toda a pureza do homem. Fazendo consistir toda a santidade na observância minuciosa de tradições e práticas originadas no seu próprio cérebro, desprezavam os mais graves preceitos da lei divina. É assim que, na opinião deles, se podia, só com pronunciar uma simples palavra, consagrar bens ou dinheiro ao serviço do Templo, tornando-os assim invioláveis: de modo que o fariseu devoto não podia servir-se deles, nem sequer para pagar as suas dívidas ou para socorrer os pais necessitados. Era, segundo a própria palavra do Salvador, «destruir com a tradição deles o mandamento de Deus».
 Este formalismo mesquinho, de invenção puramente humana, que desnaturava e diminuía a religião, esta falsa consciência repugnavam de tal modo à nobreza de coração e à sinceridade de Jesus, que os desmascarava e condenava sem consideração alguma. Com efeito, que juízo fazia Ele desta casuística? "Em verdade vos digo, se a vossa justiça e perfeição não for maior do que a dos fariseus, não entrareis no reino do céu".
 Que revelação do caráter íntimo de Deus! Que manifestação do Seu modo de julgar e apreciar os homens ! Que luz preciosa não lançam sobre a noção da verdadeira perfeição estas amargas censuras dirigidas aos fariseus !
 No sermão da montanha, Jesus aponta-nos o cume da verdadeira santidade; na condenação do farisaísmo, descobre-nos os abismos da falsa piedade, de que o fariseu é fiel protótipo.
 Não há embuste do demônio mais terrível nem mais funesto do que fazer passar qualquer forma de farisaísmo pela santidade reclamada pelo Evangelho. Nisto, o príncipe das trevas ataca mesmo as almas que procuram a perfeição; obscurece-lhes a vista interior com as aparências duma virtude toda formalista que substitui a verdade do Evangelho. Longe de progredirem por semelhante caminho, ficam estéreis diante de Deus. «Toda a árvore que a mão do meu Pai não tiver plantado será arrancada». É a sentença inexorável de Jesus contra a raça dos fariseus. 
Já vedes quanto importa nesta matéria desconfiar do próprio parecer, das próprias luzes; quão essencial é basear a nossa santidade, não em tal ou tal prática de devoção por nós escolhida e que talvez seja excelente, não nesta ou naquela prescrição da regra religiosa que se professa (a sua observância pode ser suspensa por uma lei superior, como, por exemplo, a lei, da caridade para com o próximo), - mas, antes e acima de tudo,no cumprimento da lei divina; lei natural, Mandamentos da  Lei de Deus, Mandamentos da Santa Madre Igreja, deveres do próprio estado. Toda a piedade que não respeitar esta hierarquia de deveres deve ser-nos suspeita; toda a ascese que não se regular pelos preceitos e doutrina do Evangelho não pode vir do Espírito Santo que inspirou o Evangelho. Diz S. Paulo: «Verdadeiros filhos de Deus são só aqueles a quem o Espírito Santo conduz».
 A ternura de Jesus é tão grande que, ao mesmo tempo que lançava sobre os fariseus terríveis maldições, predizendo-lhes a cólera divina, o Evangelho no-lo mostra profundamente comovido: o pensamento do castigo que vai cair sobre a cidade santa por ter rejeitado o Messias, escutando «esses cegos», arranca ao Seu Coração sagrado gritos de angústia.
 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados, quantas vezes quis juntar os teus filho, como a galinha reúne os pintainhos debaixo das suas asas ... e tu não quiseste!» E, aludindo ao Templo, onde não mais entraria, pois estava nas vésperas da Paixão, acrescenta: «Eis, a vossa casa ficará deserta. Pois eu vos digo que não mais me vereis, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor».
 Enquanto estamos neste mundo, são incessantes os chamamentos da eterna bondade: Quoties voluil... Mas não sejamos daqueles que, pelo desperdício contínuo da graça e pelo hábito do pecado deliberado, ainda que leve, se endurecem a ponto de não os compreenderem: Et noluistí. Fujamos de expulsar o Espírito Santo do templo da nossa alma, com resistências voluntárias e obstinadas. Deus abandonar-nos-ia à nossa cegueira: Ecae relinquetur domus vestra deserta. A misericórdia nunca falta à alma; a alma, essa, desprezando a misericórdia, é que provoca a justiça.
 Procuremos antes permanecer fiéis, não com aquela fidelidade que se limita à letra, mas com aquela que tem sua origem no amor e seu ponto de apoio na confiança num Salvador cheio de bondade. Então, quaisquer que sejam as fraquezas, misérias. culpas, faltas que nos escapem, despontará para nós o dia em que bendiremos para sempre Aquele que sob formas humanas apareceu na terra. Veio «curar as nossas enfermidades», «resgatar-nos do abismo do pecado»; e é Ele que «coroará para sempre em nós os dons da Sua misericórdia e do Seu amor»: Benedic anima mea Domíno... qui sanat omnes infirmates tuas, qui redimit de interitu vitam tuam, qui coronat te in misericordia et miserationibus. 

20 de março de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 334 a 335

CONSTÂNCIA NO EMPREGO

1. Santa Zita é especial padroeira das empregadas. Na idade de doze anos entrou para o serviço dos Fatinelli, nobre família da cidade de Luca, na Itália. Durante cinqüenta anos aproximadamente permaneceu nesse emprego. Pondo em prática a máxima: "mãos no trabalho e o coração em Deus”, elevou-se a uma alta santidade. Suas práticas de piedade não a impediam de ser diligente e pontual no serviço de seus patrões, contente de fazer em tudo a santíssima vontade de Deus. Humilde e afável, consolava e socorria os pobres, repartindo com eles o seu minguado salário. Corajosa e abnegada, sofreu desprezos e calúnias e até maus tratos com heroica resignação. Com semelhante teor de vida, qualquer empregada, até a mais humilde, pode chegar à santidade.

2. Jorge Almak, escravo negro, depois de suportar os golpes que lhe dava seu amo, que queria obrigá-lo a renegar a fé cristã, respondeu ao tirano que lhe perguntou:
— Que faz agora o teu Jesus?
— Dá-me forças para suportar as pancadas e ferimentos.
O desumano algoz redobrou os açoites, e perguntou:
— E agora, que pode fazer. por ti Jesus?
— Faz-me pensar no prêmio eterno.
O tirano ordenou que o flagelassem até verem-se-lhe os ossos, e de novo perguntou com feroz alegria:
— Que pode fazer agora por ti Jesus?
O mártir, agonizante, reúne as últimas forças e diz:
— Dá-me coragem de rezar por ti e perdoar-te.
E tendo pronunciado essas palavras, expirou como um herói cristão.

19 de março de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 333

AS TRÊS CRIANÇAS DE FÁTIMA

As três crianças videntes de Fátima, Lucia de 10 anos, Francisco de 9 e Jacinta de 7, a SS. Virgem pedira sacrifícios pela conversão dos pecadores. Elas lho prometeram com gosto. No dia seguinte à primeira aparição, recordando-se das palavras da Virgem, perguntam-se: “Como faremos os sacrifícios?”
Vede — disse Francisco — demos nossa merenda aos cordeiros e façamos o sacrifício de não comer.
Aquele foi o primeiro dia de jejum. Muitas vezes deram sua comida às crianças das famílias pobres que viviam de esmola; e para enganar a fome que sentiam, recorriam a raízes, amoras e bolotas das azinheiras. Em casa, faziam o sacrifício de privar-se de frutas e guloseimas.
Um dia de verão, sob o sol abrasador do meio-dia, e estando em lugar árido e pedregoso, sentiram muita sede. Ofereceram-na pela, conversão dos pecadores. Mas depois,'como não pudessem suportar aquele tormento, foram a uma casa mais próxima e pediram um pouco d'água. Uma boa velhinha deu-lhes um jarro de água e um pedaço de pão. Lucia ofereceu o jarro a Francisco, mas ele não quis beber, “para sofrer pela conversão dos pecadores”. Jacinta também não quis beber pelo mesmo motivo. Então Lucia despejou toda a água na cavidade de uma pedra para que as ovelhas, ao menos, bebessem. Jacinta, porém, enfraquecida pela fome e pela sede, sentia-se mal e, com encantadora simplicidade, disse a prima:
— Vai dizer as rãs e aos grilos que se calem. Faz-me tanto mal a cabeça! Não aguento mais!
— E não queres sofrer isso pelos pecadores? — pergunta-lhe Francisco.
— Sim, quero. Deixa-os cantar..
As vezes passavam toda a semana, e até o mês todo, sem beber água.
Mortificavam-se com urtigas, com que esfregavam as mãos e as pernas. Por cilicio serviam-se de uma corda com nós, que atavam à cintura sobre a carne. Principalmente Jacinta, na enfermidade que tão cedo a levou, só queria sofrer. por amor de Nosso Senhor e pelos pecadores.

18 de março de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 329 a 332

ZELO DOS SANTOS PELA SALVAÇÃO DAS ALMAS

1. S. Afonso de Ligório, um dos maiores missionários de todos os tempos, exclamava: “Se Jesus Cristo tivesse morrido na cruz, não por todos mas por uma única alma, ainda assim era de justiça que nós nos sacrificássemos para ganhar uma alma para Deus. E se eu pudesse pregar missões a todo o mundo, a todo o mundo eu as pregaria”. 
Ao bispo de Caserta dizia: “Nós dois temos trinta mil libras de peso sobre nossos ombros: pobres de nós se por nossa negligência se perde ainda que seja uma só de tantas almas de que estamos encarregados!”

2. S. António Daniel, martirizado no Canadá em 1648, dizia: “Nossa consolação no meio das mais duras fadigas é caminhar de provação em provação, buscando e recolhendo as espigas de trigo, quer dizer, as almas simples e fiéis que os anjos separam da cizânia, para formarem no céu essa coroa de eleitos que tantos suores e tantos trabalhos custaram ao Filho de Deus”.

3. S. Josafat trabalhou com tanto zelo pela união dos hereges e cismáticos à Igreja Católica que lhe chamavam “ladrão de almas”. Ele, com muita mansidão, respondia: “Deus queira possa eu roubar todas as vossas almas para levá-las a Ele”. Levantava-se às duas da madrugada para começar o dia com uma disciplina sangrenta, e trabalhava todo o dia sem descanso até a noite. “Toda gente corre a Josafat — dizia um contemporâneo — e a todos recebe como um pai”.

4. S. João Eudes durante sessenta anos dedicou-se às missões, que costumava durar de seis a doze semanas. Levava consigo de doze a vinte e cinco missionários, que não bastavam para recolher os frutos. Seus auditórios eram de trinta a quarenta mil pessoas. Uma vez escreveu: “De oito a dez léguas vem aqui tanta gente e os corações estão extraordinariamente bem dispostos. Não se veem mais que lágrimas; não se ouvem mais que gemidos de pobres penitentes; mas nem a quarta parte poderá confessar-se. Os missionários tem visto pessoas que esperam oito dias sem conseguir confessar-se, e então ajoelham-se onde quer que encontrem os padres, pedindo-lhes com lágrimas e com as mãos postas que as ouçam”.

17 de março de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 324 a 328

CARIDADE COM OS DOENTES

1. Os pais de Frederico Ozanam, fundador das Conferências de S. Vicente de Paulo, praticavam a caridade com os pobres de maneira admirável. O pai, que era médico, visitava-os gratuitamente; e a mãe socorria-os também em suas freqüentes visitas a domicilio. Continuando, já anciã, na prática deste caritativo exercício, o marido viu-se obrigado a proibir que sua esposa subisse as escadas para visitar os doentes, além do quarto andar; e ela prometeu obedecer se ele se comprometesse a fazer o mesmo, pois para ambos, devido a idade, o perigo era igual. Durante algum tempo foram fiéis à palavra dada; mas um dia o médico, ao visitar um cliente de um quarto andar, soube que no sótão do sexto andar uma mulher pobre estava à morte sem nenhum socorro. Lembrou-se da palavra que dera à esposa, mas pensou que poderia visitar a moribunda sem que sua mulher o soubesse, e subiu as escadarias. Ao entrar no quarto, deu com sua esposa, que justamente estava a assistir a enferma.

2. Um pobre menino de dez anos pedia esmola nas ruas de Viena. Aproximou-se de um grande senhor e pediu-lhe dois florins.
— Dois florins? — replicou o cavalheiro; — não vês que isso é muito dinheiro para um menino?
— Senhor, minha mãe está de cama e precisa de médico e de remédios.
— E quem está cuidando dela?
— Eu sozinho. Meu pai faleceu faz três semanas e deixou-nos em grande miséria.
— Onde mora tua mãe?
— Naquela ruazinha, à direita, número 52.
— Toma os dois florins que me pedias e chama o médico.
Enquanto o menino foi à procura do médico, aquele senhor dirigiu-se à casa da pobre viúva, que encontrou de cama, pálida e doente, tendo ao lado uma filhinha de quatro anos. Fez-lhe diversas perguntas acerca de seu estado de saúde e, por fim, fingiu escrever uma receita, que deixou sobre a mesa. Quando o menino voltou, tomou aquele papel e leu: “O Tesouro do palácio imperial pagará imediatamente ao portador deste bilhete a soma de duzentos florins. José, imperador”. Quem visitou aquela pobre viúva e escreveu aquele bilhete era, realmente, o imperador José II da Áustria, o filho de Maria Teresa.

3. Luisa Maria de Orleans, rainha da Bélgica, visitava pessoalmente os pobres e enfermos. Em Bruxelas, em Ostende, em Laeken, acompanhada de uma de suas damas, entrava nos tugúrios daquela pobre gente, sentava-se ao lado dos doentes e informava-se de suas necessidades, dizia-lhes palavras consoladoras, acariciava as crianças e distribuía donativos. Nem sempre a reconheciam; mas, quando descobriam que era a rainha, corriam todos a vê-la e com lágrimas de comoção, inclinavam-se diante dela, bendizendo-a como a uma santa.

4. S. Camilo de Lélis repela freqüentemente a seus companheiros: “Irmãos, considerai que os enfermos são a pupila e o coração de Deus”. Quando certo dia se ocupava no asseio de um doente, foram dizer-lhe que o prior do hospital o chamava. “Dizei a meu senhor que agora estou ocupado com Jesus Cristo; e logo que terminar meu oficio de caridade, lá estarei à disposição de sua senhoria”. No processo de canonização lê-se: “Camilo não só amava os enfermos, mas de certo modo os adorava, porque em cada pobre adorava a pessoa de Jesus Cristo”.

5. S. João de Deus não se preocupava apenas com o cuidado corporal dos enfermos; atendia, acima de tudo, à salvação de suas almas. Dirigia-lhes, por isso, comoventes práticas sobre o amor, e o temor de Deus, sobre a brevidade da vida e o valor do sofrimento, e todos o ouviam com prazer. Quando chegava ao hospital algum novo doente, dizia: “Cure-se primeiro a alma, porque estando sã, Deus curará o corpo”. A maior preocupação do Santo era fazê-los conhecer, amar, e servir a Deus, autor de todo o bem.

16 de março de 2017

Missa Tridentina - Visita do Padre Philippe Laguérie - Superior Geral do IBP

Missa Tridentina

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Data: 16/03/2017 (5ª feira)
Horário: 19:30h
Padre: Philippe Laguérie - Superior Geral do IBP
Palestra : Atualidades da Igreja por Padre Laguérie (após a missa)

Local:       Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 2057
Bairro:      Rebouças - Curitiba - Paraná