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3 de maio de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 102

LAGRIMAS DE MÃE

Houve, em tempos idos, um condezinho muito bom, que fora educado por uma mãe santa. Inculcara-lhe ela uma grande e terna devoção à Virgem Santíssima, cujo escapulário trazia sempre consigo, ensinando-o a chamar Nossa Senhora de mãe. Estes dois amores, à mãe do céu e à da terra, cresceram no coração do condezinho como duas âncoras de salvação que haviam de salvar o mesmo navio.
O jovem foi enviado a uma corte estrangeira. Ali perverteu-se, enfraqueceu-se a sua fé, tornou-se muito mau. Não abandonou, porém, o piedoso costume de ajoelhar-se todas as noites diante da SS. Virgem, para rezar as três Ave-Marias, repetindo com fervor: Não me abandoneis, minha Mãe! minha Mãe, não me abandoneis.
Um dia, tomando parte numa caçada com um amigo infame que o pervertera, foram surpreendidos por uma tempestade e tiveram que pousar numa estalagem. O conde, após a sua oração cotidiana à SS. Virgem, adormeceu logo. Pouco depois, começou a sonhar que se achava perante o tribunal de Deus. Uma alma acabava de ser condenada, e ele viu que a sua era conduzida pela própria consciência para ser julgada. Viu também sua mãe de joelhos pedindo misericórdia para ele.
Lúcifer lançou na balança os pecados do jovem conde. A balança caiu até o abismo; os Anjos cobriram o rosto com suas grandes asas; Lúcifer deu um grito de triunfo. A alma estava perdida! Foi então que apareceu Maria, a qual, prostrando-se aos pés do Senhor em posição suplicante ao lado da condessa, colocou no outro prato da balança as Ave-Marias do conde e mais as lágrimas da condessa. Nada adiantou. Então a Virgem volveu os olhos para o juiz e duas lágrimas suas caíram no prato da balança, onde estavam as lágrimas da condessa-mãe. A balança cedeu imediatamente. As lágrimas das duas mães salvaram aquele pobre filho!
Um trovão horrível despertou o jovem conde. A dois passos do seu viu no outro leito o cadáver de seu amigo carbonizado.

2 de maio de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XII


Parte 4/8


Mas então que significam estas palavras de São Paulo, exigindo da mulher a obediência ao seu marido?
Significam que a boa ordem e a felicidade familiar são incompatíveis com as máximas propagadas pelas pessoas frívolas, incompatíveis com a "emancipação da mulher", e as suas manifestações, incompatíveis também com a emancipação fisiológica, econômica e social da mulher.
A emancipação fisiológica significa que a mulher teria o direito de se furtar aos encargos, que acompanham a sua dignidade de esposa e mãe, o que o cristianismo condena.
A emancipação econômica significa que a mulher tem o direito de se entregar a operações econômicas independente de seu esposo, sem sua participação, e mesmo contra a sua vontade, não cuidando de sua família.
É isto que o cristianismo condena.
Quanto a emancipação social, ela consiste no direito, para a mulher, de destruir as muralhas do santuário familiar, de abandonar a sua missão no lar, de não cuidar de seu marido e de seus filhos e exercer um trabalho na vida pública. É isto que o cristianismo condena.
Não o permite, porque se seu marido é a cabeça da família, a mulher é o seu coração, e não se pode, sem perigo mortal para ambos, tomar o coração independente da cabeça, emancipá-los um com relação ao outro e separá-los um do outro.
Onde dois vivem juntos, é absolutamente necessário que um deles dirija, conduza e "mande". Se numa família não há "comando", nem "obediência" ela se desagregará cedo ou tarde. Obediência quer dizer inclinar a vontade, ceder. Quem cederá? O mais sábio. E é preciso que a mulher seja a mais sábia.
Infelizmente as moças imaginam muitas vezes o casamento como uma festa perpétua, um encanto continuo. Mas a vida não é isto. Não existe harmonia absoluta neste mundo, e cedo ou tarde, pequenas divergências surgirão entre os esposos, mesmo os mais cordatos, e então, é preciso que um dos dois ceda. Seja então a mulher. Porque se considerarmos realmente um casamento feliz, notamos e descobrimos que a mulher que sabe aplainar as dificuldades, é a mais sábia. É, pois, uma ilusão perigosa para as jovens pensar que poderão governar os esposos, e que isto será sempre assim, porque eles as amam.
c - Não interpreteis, contudo, como uma servidão indigna esta obediência em que pensa São Paulo quando diz: "O homem é a cabeça da mulher como Cristo é a cabeça da Igreja!"  Esta frase de São Paulo indica claramente que a obediência da mulher é, propriamente, não a seu marido mas a Cristo. A mulher obedece por causa de Cristo, e eis por que é muito natural que ela não possa obedecer-lhe senão nas coisas que Cristo também aprova e permite.
Esta consideração faz desaparecer definitivamente todo o receio de que esta obediência seja humilhante para a mulher. É humilhante para a Igreja obedecer a Cristo? Quanto ao mais São Paulo escreve literalmente: "Mais, como a Igreja é sujeita a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos" (Ef 5, 24).
É somente nesta concepção elevada, que se podem realizar na vida conjugal a "santidade" e a "pureza" que São Paulo exige claramente quando escreve "Cada um de vós saiba guardar seu corpo na santidade e na pureza sem se abandonar aos arrebatamentos da paixão como fazem os pagãos, que não conhecem Deus (I Tess 4, 4 - 5).
Quantas famílias São Paulo não deveria chamar, hoje, de pagãs! Ele exige de fato que o esposo cristão viva com sua esposa cristã de tal forma que em suas relações com a mulher se manifestem a santidade e a pureza, isto é, que um e outro se testemunhem reciprocamente o respeito, o amor e a delicadeza, que fazem da família um verdadeiro santuário.


1 de maio de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 101

ASSUNTO PARA MEDITAR

O padre Pedro Fabro, varão insigne da Companhia de Jesus, tinha granjeado fama de grande diretor de almas. Um dia procurou-o um cavalheiro e pediu-lhe algum assunto para meditar. O Padre respondeu:
— Meu filho, basta que faças o seguinte: Cada dia pensa por alguns instantes: Cristo em tanta pobreza, e eu vivendo em tamanha opulência! Cristo sofrendo fome e sede, e eu gozando de tantos banquetes! Cristo desnudo, e eu ricamente vestido! Cristo padecendo horríveis dores, e eu no meio de tantas delicias!
— Nada mais, Padre?
— Nada mais.
O cavalheiro retirou-se um pouco desiludido. Entretanto, poucos dias depois, convidado a um jantar, no meio dos manjares suculentos, dos vinhos capitosos e da música, no auge, enfim, da alegria, vem-lhe de repente o pensamento:
Cristo com fome e sede, e eu aqui a fartar-me e a embriagar-me como bruto... Saltaram-lhe as lágrimas dos olhos, levantou-se em silêncio e retirou-se para... um convento a fazer penitência.
Eu aqui... e Cristo na Cruz!
Se estiveres lendo uma novela, que sobre o céu claro de tua alma amontoa nuvens negras de paixões e imaginações perigosas, pensa: Cristo na Cruz, e eu!...
Quando estiveres mergulhado em teus negócios ou em conversas mundanas — sanguessugas chupadoras do sangue ou da honra do próximo, pensa: Eu a pecar.... e Cristo na Cruz!...
Se tens coração, se ainda te resta um pingo de fé, basta essa meditação para mudares de vida.

30 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XII


Parte 3/8


B - A mesa da família apóia-se, pois, em primeiro lugar sobre o princípio de autoridade.
a - É o princípio que São Paulo formula claramente quando dá em sua epístola aos Efésios a seguinte ordem: "As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja" (Ef 5, 22 - 23).
Naturalmente ouvindo esta prescrição de São Paulo dirão, talvez, as mulheres:
"O Cristianismo não reconhece, pois, que a mulher é igual ao homem? Não é atraso exigir hoje que a mulher obedeça a seu marido? E o marido não abusa deste poder?"
"De fato, é preciso reconhecer que realmente há homens que pela sua conduta e modo de pensar são indignos de chefiar uma família. Reconhecemos também que o marido pode abusar de sua autoridade. E contudo esta exigência do cristianismo não é humilhante para a mulher. Pelo contrário, ela garante a felicidade familiar, e é o que veremos, se compreendermos bem o que não significa a obediência da mulher e o que ela significa na realidade".
b - Primeiramente ela não significa que a mulher tenha menos valor, menos direito e menos dignidade que seu marido, Não se trata naturalmente disto.
Não significa ainda mais que a mulher deva realizar todos os caprichos e todos os desejos de seu marido, mesmo aqueles que não podem ser satisfeitos sem humilhação para a mulher ou sem pecado.
Enfim, não significa que o marido tenha o direito de tratar sua mulher como uma criança menor, privada de uso de razão, de tiranizá-la, brutalizá-la e fazê-la sofrer.
Não se trata disto.

29 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 100

O CARNAVAL E OS SANTOS

S. Francisco de Sales dizia ser o carnaval o tempo de suas dores e aflições, e naqueles dias fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.
S. Vicente Ferrer dizia que o carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.
O Servo de Deus João de Foligno dava ao carnaval o nome ,de vindima do diabo.
S. Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! que tempo diabólico!”
S. Carlos Borromeu jamais podia compreender como cristãos tenham podido conservar este perniciosíssimo costume do paganismo.

28 de abril de 2016

Conferência XII


I - A MESA DA FAMÍLIA.


Parte 2/8


A - Creio não ser necessário explicar de um modo especial que, mencionando a mesa da família como primeiro móvel indispensável, penso particularmente em todos os problemas da vida comum dos esposos.
A mesa da família não significa, pois, somente o móvel ao redor do qual se reúne com amor toda a família, e onde o pai assenta-se ao entrar, fatigado do seu trabalho. Significa ainda mais a comunhão das almas, a perfeita harmonia, a união de corações, base indispensável de um casamento feliz, e que repousam sobre duas colunas: autoridade e amor. Porque, realmente, a felicidade familiar exige a conveniente união da autoridade e do amor.
A família não é uma associação, nem uma sociedade por ações, nem um sindicato, mas um organismo vivo. Ora, a vida de um organismo tem leis que não se podem modificar. Pode-se fortificar o organismo, favorecer seu desenvolvimento, facilitar seu trabalho, mas tudo com uma única condição: não se tocar nas bases sobre as quais esta construída toda a sua vida.
Uma destas leis fundamentais é, por exemplo, no casamento, a inseparabilidade dos esposos, a indissolubilidade do laço conjugal, como já dissemos anteriormente. O que pode ser anulado não é o casamento.
Mas para que a vida conjugal corra sem empecilhos, para que floresçam nela a felicidade e todas as alegrias que o próprio ideal cristão do casamento encerra em si, torna-se necessária a realização de uma outra lei fundamental. Ei-la: é a boa ordem e a distribuição do trabalho entre os membros da família, ou em outros termos, o conveniente emprego da autoridade e do amor.

27 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 99

COMO MORRERAM ALGUNS HERESIARCAS

Ario, que fez tão grande dano à Igreja com seus erros, enquanto passava triunfante pelas ruas de Constantinopla, foi atacado de improviso mal-estar e imediatamente perdeu a vida do modo mais horrendo.
Lutero, celebrado autor do protestantismo, morreu entre dores atrozes após uma vergonhosa indigestão.
Calvino, outro heresiarca, contemporâneo de Lutero, morreu chamando os demônios, amaldiçoando a si próprio, enquanto de suas chagas escorria pus. Finalmente, para nomear só estes, eis como terminou Voltaire a sua vida depravada. Na última hora pediu com insistência um padre para confessar-se; mas os amigos (melhor diríamos os inimigos) que o rodeavam não permitiram que o padre se aproximasse daquele infeliz, que, desesperado, expirou entre dores atrozes.
Assim tratou o grande Rei do Céu e da terra todos aqueles que, além de não ouvirem os seus ministros, ainda se tornaram seus perseguidores.

26 de abril de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XII


O CASAMENTO FELIZ


Parte 1/8


Nas últimas instruções falamos tanto de casamento infeliz e das famílias infelizes, que já é tempo de falarmos enfim da felicidade no casamento e das famílias felizes.
Felicidade familiar! exclamarão talvez com voz cansada muitas vitimas de tristes decepções. - A felicidade familiar! Sim, eu também tive este sonho, quando me ajoelhei com minha noiva, ao pé do altar iluminado e sobre nossas mãos enlaçadas desceu a benção do sacerdote. O órgão tocava melodiosamente, o altar estava ornado de flores, a vida se nos apresentava cheia de promessas. E hoje? Que resta hoje de tudo isto? Que sucedeu, na realidade, de todas estas esperanças?
É verdade... E no entanto vou tratar do casamento feliz. E eu perguntarei a vós que vos lamenteis tão amargamente, dizei-me - não sereis vós, de algum modo, culpados se poucas de vossas esperanças se realizaram? Não pensastes que, cansando-vos, encontraríeis a felicidade já preparada? Ninguém, contudo, a recebe assim. Vós recebestes, apenas, a possibilidade. Recebestes uma tarefa que vós mesmos deveríeis resolver. A infelicidade, porém, é que vós mesmos não trabalhastes para que o vosso casamento fosse feliz. A infelicidade é que pensastes ser coisa pronta aquilo que devíeis realizar à custa de vossa ativa colaboração. A infelicidade é que não mobiliastes bem o vosso lar.
- Não compreendi bem, respondereis talvez. Como não mobiliei bem a minha casa? Cada móvel foi executado sobre os planos do melhor entalhador.
- Sim, eu creio. Mas há em vosso lar três móveis, que são, propriamente falando, indispensáveis à felicidade familiar?
- Três móveis? Estou realmente curioso para saber quais são estes três móveis.
- Será justamente do que trataremos nesta instrução. Recomendam-se, não é?, aos jovens casados as casas onde poderão adquirir seu mobiliário. Vou agora recomendar três peças de mobília, três móveis de uma virtude maravilhosa. Por pobre que sejais, podeis obtê-los, e se os possuirdes a vossa vida familiar será feliz. Ao contrário, porém, por rico que sejais, se faltam esses três móveis em vosso lar, vosso casamento não poderá ser feliz.
Quais, pois, esses três móveis, sem os quais não há família feliz?
A mesa da família, o crucifixo e o berço. Falaremos agora dos dois primeiros. Ao terceiro consagraremos duas instruções especiais.

25 de abril de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 98

NÃO SE DEVE ADIAR A VOCAÇÃO

Um jovem, sentindo-se chamado por Deus à vida de perfeição, resolverá tomar o hábito religioso e entrar num convento. Passado algum tempo, pôs-se a dizer consigo (certamente tentado pelo demônio): Sou muito moço ainda, tenho saúde, sou robusto e teria de passar a vida fora do mundo e a fazer continuas penitências?( Não; vou deixar isso para mais tarde; a morte está longe, não virá tão cedo!
E ficou no mundo... Mas, quanto durou sua vida?
Quatro meses apenas... e, morrendo, o infeliz não conseguía ter paz nem sossego.