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27 de abril de 2015

História Eclesiástica - Primeira Época Capítulo 29

CAPÍTULO VIII

São Gregório o Grande - Missões na Inglaterra - Feitos memoráveis de São Gregório e sua morte - Disciplina e estado da Igreja nesta época.

São Gregório o Grande - São Gregório I, chamado o Grande por sua extraordinária santidade, eloquência e sabedoria, nasceu em Roma de pais nobres e ricos. Por seu admirável talento ocupou os principais cargos do Estado: conhecendo porém que as ocupações mundanas lhe roubavam os afetos do coração, renunciou a todas as suas dignidades, vendeu a todos os bens, distribuiu o total entre os pobres e outras obras de caridade abraçando a vida monástica. Era tão grande sua humildade, que foi necessário obrigá-lo, para se ordenar sacerdote. Tendo falecido em uma peste o Papa Pelágio II, os Romanos unânimes elegeram a Gregório para suceder-lhe. Espantado este ao ouvir tal noticia, fugiu e foi esconder-se em um bosque; mas uma coluna de fogo descobriu ao povo romano, e por último se viu obrigado a aceitar a dignidade pontifícia. Ano 590.

Missões na Inglaterra - Um dos primeiros pensamentos do novo pontífice foi o restabelecimento do cristianismo na ilha da Grã-Bretanha, chamada hoje com o nome de Inglaterra, pelos Anglos que se apoderaram dela em união com os Saxões pelo ano de 450. Como estes eram idólatras, aboliram completamente a religião e restabeleceram a idolatria. São Gregório enviou quarenta religiosos sob as ordens de seu discípulo Santo Agostinho, para pregarem a fé. Apenas os santos missionários começaram a pregação, converteu-se à fé grande número de idólatras. O rei de Kent (Cantuária), os magnatas de sua côrte e quase todos seus súditos em breve abraçaram a fé. Querendo o pontífice dar forma estável àquela cristandade, criou ali uma hierarquia de doze bispos, nomeando arcebispo ao mesmo Santo Agostinho. A santidade dos missionários e os milagres que por todas as partes os acompanhavam multiplicaram de tal modo as conversões, que perto da cidade de Cantuária receberam o batismo no espaço de um só dia cerca de dez mil pessoas. Tomando-se, por conseguinte, sensível cada vez mais a falta de sagrados ministros que conhecessem bem o idioma e os costumes do país, quis o Papa que fosse enviados a Roma jovens ingleses, com o fim de se instruirem nas ciências sagradas e na piedade, e pudessem voltar a seu pais sagrados sacerdotes. assim no espaço de 80 anos foi convertida esta grande ilha a Jesus Cristo merecendo São Gregório o nome de apóstolo da Inglaterra. Igual solicitude empregou em benefício da Espanha e da Itália, esta última se achava então ocupada pelos Longobardos, em sua maior parte arianos ou idólatras.

Outros fatos memoráveis de São Gregório - Excede a toda ponderação o que este pontífice disse, escreveu, e fez em benefício da Igreja. Pode-se dizer obra dele o antifonário e o breviário que se usa hoje. Em uma epidemia que afligiu Roma, muitos morriam no ato de espirrar ou bocejar; São Gregório estabeleceu que se usasse a palavra Ave (Deus te salve) para os primeiros e que aos segundos se fizessem cruzes ,sobre a boca; estes sinais exteriores feitos com fé serviram de eficaz remédio para curar aos que eram molestados por aquela enfermidade. Instituiu as Ladainhas dos Santos, a procissão do dia de São Marcos e ordenou que não se dissesse a Aleluia desde Septuagésima até a Páscoa. Foram realizados por suas mãos vários milagres e, entre eles, o seguinte que tem relação com o SS. Sacramento: Achava-se o santo celebrando, quando na ocasião de dar a comunhão a uma matrona que duvidava da verdade deste sacramento tomou a santa hóstia visivelmente a forma de carne. Finalmente depois de ter ocupado quase quatorze anos a Santa Sé, morreu no ano 604, aos 64 anos de idade.

Disciplina desta Segunda Época - Já no século quarto São Paulo; o eremita, costumava contar suas orações com três pedrinhas, assim como nós fazemos com as contas do Rosário. Observava-se grande rigor para com os pecadores que voltavam à penitência. Estes eram divididos em quatro classes, a saber: Gementes, Ouvintes, Prostrados e Consistentes. Os Gementes vestiam um saco e choravam seus pecados no átrio da Igreja, durante as sagradas funções, encomendando-se as orações dos que entravam; os ouvintes eram admitidos na Igreja perto da porta, e saiam com os catecúmenos depois de terem ouvido o sermão e o evangelho; os Prostrados ficavam ajoelhados e se lhes permitia receber várias bençãos dos sacerdotes porém deviam sair ao ofertório; os Consistentes já podiam ouvir a Missa, mas não comungar. Passava-se o tempo da penitência guardando rigoroso jejum; frequentemente consistia este em pão e água; rezavam sem cessar, ou dormiam sobre a terra núa. O pecador também devia submeter-se por muitos anos a esta disciplina antes que fosse admitido à sagrada comunhão; tamanho era o horror que se tinha ao pecado! No quinto século São Zósimo, Papa, estabeleceu que se concedesse também às paróquias a faculdade de benzer o círio pascoal que não se podia acender então a não ser nas grandes Basílicas. São Felix II ordenou que somente os bispos pudessem sagrar as Igrejas novas. São Mamerto, bispo de Viena, na França, introduziu em suas dioceses as procissões, chamadas das Rogações, nos três dias que precedem a festa da Ascensão, durante os quais também se costumava jejuar; mais tarde São Leão III prescreveu esta prática para toda a Igreja. No sexto século, São Gregório decretou que se começasse o jejum quaresmal pondo as sagradas cinzas sobre a cabeça dos fiéis. Os meninos que se julgavam aptos para os ofícios da Igreja, eram educados geralmente em colégios especiais ou nos mosteiros, vestidos com o hábito clerical. O Papa Sabiniano propagou na Igreja o uso dos sinos, já introduzido por São Paulino de Nola. Todos os eclesiásticos e todas as Igrejas gozavam de imunidade; não estavam ligados ao juízo dos seculares, e dependiam tão somente do foro eclesiástico. Este direito que deriva do mesmo Jesus Cristo, tinha sido reconhecido por Constantino e pelos imperadores cristãos que lhe sucederam.

Estado da Igreja - O Estado da Igreja durante esta Segunda Época foi assáz glorioso. Os Papas dos três primeiros séculos coroaram seus trabalhos com o martírio; assim também seguiram seu exemplo uma multidão de cristãos que derramaram seu sangue pela fé. Quase todos os mesmos pontífices desta segunda época se contam no número dos santos já por trabalhos que tiveram de vencer e também pelas leis com que explicaram e defenderam a doutrina da Igreja. A par dos pontífices defenderam a fé contra os hereges muitos santos doutores, escritores eclesiásticos, monges, penitentes, virgens e confessores, os quais com sua ciência e santidade formaram uma das épocas mais luminosas da Igreja. Os Francos, que pareciam os mais apegados à superstição, também receberam o batismo, seguindo o exemplo de seu rei Clovis. Os Longobardos que se tinham estabelecido novamente no Piemonte e na Lombardia e deixavam entrever grande apego ao Arianismo e à idolatria, finalmente todos abraçaram a fé católica, levados a fazê-lo especialmente pela conversão de Agilulfo duque de Turim e mais tarde rei dos Longobardos. Este príncipe excitado por sua esposa Teodolinda, mulher piedosa e muito religiosa, rechassou a heresia e abraçou a verdadeira fé, pondo em prática todos os meios a seu alcance para fazê-la florescer. Com o fim de garantir a paz em seus estados, expulsou deles os arianos e os pagãos que se tinham mostrado turbulentos; e de acordo com São Columbano, fundou o célebre mosteiro de Bóbio. Tendo devoção especial para com São João Batista, escolheu-o como padroeiro de seus estados e consagrou-lhe a catedral de Turim no mesmo lugar onde se levanta a basílica metropolitana. Agilulfo morreu no ano 615.

26 de abril de 2015

História Eclesiástica - Primeira Época Capítulo 28

CAPÍTULO VII 

São Bento e o monte Cassino - Feitos memoráveis deste santo - Os três capítulos de Nestório e o quinto Concílio Ecumênico.

São Bento e o monte Cassino - A vida monástica iniciada por São Paulo primeiro eremita e alentada, propagada e vinculada a determinadas regras por Santo Antão na Tebáida, aplicada ao clero por São Eusébio de Vercelli e espalhada na África por Santo Agostinho, recebeu por obra de São Bento na Itália e em toda a Europa ocidental, um regulamento fixo e uma difusão assombrosa. Este astro luminoso da Igreja nasceu em Núrcia no ducado de Spoleto. Enviado a Roma para seguir seus estudos encheu-se de tal espanto vendo a corrupção de seus companheiros, que na idade de quinze anos decidiu-se a abandonar o mundo e a retirar-se em uma profunda caverna a quarenta milhas da cidade. Deus, porém, que o destinava para maiores coisas, permitiu que o encontrassem muitos de seus companheiros e condiscípulos que atraídos por sua virtudes e milagres, iam em grande número visitá-lo. As famílias romanas se consideravam ditosas em confiar-lhe a educação de seus filhos, e lhe consagravam tanto afeto que já não queriam separar-se dele; por isso teve de edificar doze mosteiros para os receber. (Ano 528). O mais célebre entre estes é o do Monte Cassino, no reino de Nápoles, centro da ordem de São Bento. Quando se estabeleceu ali o Santo, ainda existia sobre o monte um templo dedicado a Apolo, deus adorado pelos habitantes daqueles arredores. São Bento quebrou o ídolo e o altar e converteu aquele povo à verdadeira fé. Ano 529.

Feitos memoráveis deste Santo - Fez Deus brilhar a santidade de seu servo com o dom de profecia e de milagres. Não podendo os invejosos sofrer suas correções e ocultar os remorsos que despertava a vista de sua santa vida, deliberaram matá-lo secretamente. Para este fim, ao sentar-se certo dia na mesa, ofereceram-lhe de beber em um copo que continha vinho envenenado; mas como o santo abade costumava fazer o sinal da cruz, antes de tomar alimento, mal acabou de fazer este sinal augusto, quebrou-se o copo com estrépito, como se tivesse sido ferido por uma pedra. Pondo-se então de pé disse-lhes com semblante sereno e tranquilo: "Perdoe Deus o vosso pecado", e saiu. Em outra ocasião, achando-se em presença de numeroso povo, somente com o sinal da cruz, ressuscitou a um morto que ficara esmagado debaixo das ruínas de uma montanha. A Tótila, rei dos Godos, que tinha ouvido contar os prodígios que fazia Bento, vieram desejos de presenciar algum milagre, e com este fim mandou-lhe dizer que desejava visitá-lo; porém em vez de ir ele em pessoa, enviou um de seus capitães vestido com as insígnias reais e acompanhado de seus oficiais. Apenas o avistou o santo disse-lhe: "Depõe, meu filho, o hábito que vestes, pois não te pertence". Quando soube isto, Tótila foi ele mesmo ao santo, e assim que o viu, prostrou-se por terra e ali. ficou até que Bento foi levantá-lo; este lhe predisse as vitórias que devia ganhar e a ano preciso de sua morte. O santo, seis dias antes de sua morte, predita a seus discípulos, quis que lhe, preparassem a sepultura. No último dia de sua enfermidade pediu que o levassem. à Igreja para receber a Eucaristia; e pouco depois, reclinando sua cabeça em um de seus discípulos, levantando as mãos ao céu, entregou tranquilamente sua alma ao Senhor no ano 543. São Bento deixou uma regra admirável que abraçaram mais tarde quase todos os cenobitas do ocidente. Multiplicaram-se de tal modo os monges beneditinos, que alguns séculos depois não havia cidade ou vila da Europa em que não se tivesse levantado. algum mosteiro. Tão grande é o bem que estes fazem à Igreja, que só Deus o pode calcular.

Quinto Concílio Ecumênico e os três Capítulos - O quinto Concílio Ecumênico é o segundo Constantinopolitano, assim chamado por ser o segundo celebrado em Constantinopla. Convocou-se para examinar os três livros, comumente chamados Os três capítulos com os quais pretendiam os Nestorianos justificar seus erros. O primeiro destes escritos se referia à pessoa e aos escritos de Teodoro de Mopsuéstia, do qual Nestório tinha tirado sua doutrina; o segundo continha: escritos de Teodoreto bispo de Cirne, onde havia alguma coisa contra São Cirilo; e o terceiro consistia numa carta de Ibas, bispo de Edessa, escrita a um herege da Pérsia chamado Mari, igualmente infecta de nestorianismo. As três obrazinhas, posto que condenáveis, não o tinham sido no Concílio de Calcedônia em consideração a seus autores, dois dos quais, (Teodoro e Ibas presentes no Concílio), tinham feito profissão de fé sinceramente católica. Pois bem, esta atenção era considerada pelos Nestorianos como uma aprovação dos ditos capítulos e consequentemente também dos erros que neles se professavam. Neste estado de coisas pareceu conveniente reprovar expressamente estas três obras para tirar todo pretexto aos ditos hereges. Celebrou-se um Concílio no ano 553, ao qual, por outra parte, não puderam intervir os bispos do Ocidente pela prepotência exercida contra eles pelo imperador Justiniano; por isso se apresentaram só 165 bispos, e estes quase em sua totalidade orientais. Foram examinados neste Concílio os três capítulos e condenados como contrários à fé: condenaram também de novo as doutrinas de Nestório e de Êutiques e alguns outros erros que se achavam nas obras de Orígenes. Conquanto este Concílio, por si não possa ser chamado ecumênico, tendo obtido, contudo, a aprovação e confirmação do Papa Virgílio, foi recebido e venerado como tal pela Igreja. Isto claramente confirma como desde a mais remota antiguidade se fazia consistir o valor dos Concílios, principalmente na autoridade do Papa. Também é bom notar aqui que este Concílio nos oferece uma brilhante prova do direito que em todo tempo tem exercido a Igreja, de condenar os maus escritos, de dar seu parecer sobre o sentido dos livros e exigir que seus filhos respeitem suas sentenças como o têm feito neste Concílio.

25 de abril de 2015

Catecismo Ilustrado - Parte 16

O Símbolo dos Apóstolos

9º artigo: Creio na Santa Igreja Católica - Constituição da Igreja

Constituição da Igreja

1. A Igreja é a sociedade dos fiéis que professam a religião de Nosso Senhor Jesus Cristo sob a direção do Papa e dos Bispos.
2. Entende-se por fiéis, aqueles que, estando batizados, creem tudo o que a Igreja ensina, submetendo-se aos pastores legítimos.
3. O Papa é o vigário de Jesus Cristo, o sucessor de São Pedro, o chefe visível e o doutor de toda a Igreja, e pai comum dos pastores e dos fiéis.
4. O primeiro papa foi São Pedro, que Jesus Cristo nomeou chefe da Igreja universal.
5. O Papa é sucessor de São Pedro porque é Bispo de Roma, e foi em Roma que São Pedro estabeleceu a sua residência e sofreu o martírio.
6. Os pastores legítimos da Igreja são, com o Papa, os bispos, que Jesus Cristo encarregou de instruir e governar a sua Igreja.
7. Os bispos são sucessores dos Apóstolos, encarregados de governar as dioceses, sob a autoridade do Papa.
8. Os Párocos são padres que os Bispos escolhem para estarem à frente das paróquias.
9. Os membros da Igreja são os indivíduos batizados e que acreditam o que a Igreja ensina, estando sujeitos ao nosso Santo Padre o Papa, e ao seu Bispo.
10. Não fazem parte da Igreja os infiéis, os hereges, os cismáticos, os apóstatas e os excomungados.
11. Um infiel é o indivíduo não batizado e que não crê em Jesus Cristo.
12. Um herege é o indivíduo batizado que recusa obstinadamente crer uma ou mais verdades reveladas por Deus, e que a Igreja ensina como artigo de Fé.
13. Um cismático é o indivíduo batizado que se separa da Igreja negando-se a reconhecer os pastores legítimos, e a obedecer-lhes.
14. Um apóstata é o indivíduo batizado que renega a Fé de Jesus Cristo depois de a ter professado.
15. Um excomungado é o indivíduo batizado que a Igreja eliminou do seu seio por causa dos seus crimes.
16. Os pecadores são membros da Igreja, mas são membros mortos.
17. É uma grande desgraça não pertencer à Igreja, porque não podem ser salvos aqueles que voluntariamente e por sua culpa estão fora do grêmio da Igreja.

Caracteres da verdadeira Igreja

18. Há uma só Igreja verdadeira, porque uma só foi fundada por Jesus Cristo. São quatro os caracteres ou sinais para a reconhecer: é una, santa, católica e apostólica.
19. A verdadeira Igreja romana, que tem por chefe o Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro.
20. A Igreja romana é una, porque todos os seus membros creem as mesmas verdades e obedecem ao mesmo chefe visível, que é o Papa.
21. É santa, porque nos oferece todos os meios para nos santificarmos, e sempre tem formado santos.
22. É católica ou universal, porque está espalhada por toda a terra e sempre tem subsistido desde Jesus Cristo.
23. É apostólica, porque foi fundada pelos Apóstolos, é governada pelos seus sucessores, e crê e ensina a sua doutrina.

Explicação da gravura

24. Ao alto, Jesus Cristo institui São Pedro chefe visível da Igreja. Entregando-lhe o báculo pastoral, dá-lhe a missão de apascentar os seus cordeiros e as suas ovelhas, isto é, de governar os pastores e os fiéis de que se compõe a Igreja e que constituem o rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
25. Em baixo vê-se: 1º o Papa, vestido de hábitos brancos e tendo na cabeça uma tiara; 2º de ambos os lados do Papa vêem-se os cardeais; 3º em frente do papa um Arcebispo com o pálio; um Bispo com a mitra e o báculo, e numerosos prelados, religiosos e religiosas; 4º mais acima e à direita, um padre ministrando a sagrada comunhão, um outro pregando o Evangelho aos fiéis, e um missionário que de crucifixo na mão anuncia Jesus Cristo aos infiéis.
26. A Igreja durará até ao fim do mundo, e triunfará de todas as perseguições, segundo a promessa de seu divino fundador, Jesus Cristo.

24 de abril de 2015

História Eclesiástica - Primeira Época Capítulo 27

CAPÍTULO VI

FALTAM AS PÁG's. 176 E 177 (Caso algum leitor possua a obra completa, sendo possível, enviar cópia em arquivo pdf para o e-mail degregodke@yahoo.com.br, para que possamos completar a nossa publicação. Agradecemos antecipadamente. Blog São Pio V)

confiado na proteção do céu, saiu, vestido de hábitos pontificais ao encontro de Átila perto de Mântua, onde o rio Míncio deságua no Pó. O altivo guerreiro, ainda que bárbaro e idólatra, recebeu-o cortesmente; e depois de tê-lo ouvido, aceitando sem mais as condições propostas, tornou a passar os Alpes, deixando a Itália em paz. Admiraram-se os soldados de Átila vendo em seu general aqueles insólitos atos de obséquio: "Como é possível, diziam, que nosso chefe se humilhasse tanto diante de um homem só, quando o não têm aterrorizado formidáveis exércitos?" Ele porém respondeu-lhes que enquanto falava com o romano Pontífice, viu sobre ele uma personagem vestida com hábito sacerdotal, que empunhava uma espada desembainhada, ameaçando ferí-lo se não obedecesse a Leão. Este Pontífice, depois de ter escrito e trabalhado muito em benefício da Igreja, cheio de méritos perante Deus e os homens, foi receber a recompensa no ano 401, após 21 anos de glorioso pontificado.

São Máximo de Turim - São Máximo bispo de Turim, é muito conhecido na história pela santidade de sua vida, por seus escritos e sobretudo por seus sermões, que constituem ainda agora um dos ornamentos do breviário romano. Combateu. com ardor os erros de Nestório e de Eutiques, e era tido em tão alta estima, que no Concílio romano, celebrado sob o Papa Hilário, sucessor de São Leão, ocupava o primeiro assento depois do Pontífice. Trabalhou muito para não permitir que a heresia invadisse o Piemonte, e para desarraigar a superstição dos pagãos, que ainda existiam em Turim, e lugares vizinhos. Era tão caritativo para com os pobres que, se algum estrangeiro perguntasse pela casa do bispo, respondiam-lhe que podia entrar com confiança na casa que visse rodeada de mendigos, pois essa seria certamente a casa do bispo. Sustentava e promovia uma terníssima devoção para com a Mãe de Deus e falava dela com muito zelo em seus sermões, afirmava que esta fora achada digna de ser morada do Filho de Deus antes por sua graça original do que por suas virtudes. Conta-se este santo entre os mais doutos escritores da Igreja. Descansou no Senhor no ano 474 mais ou menos.

São Gelásio Papa - São Gelásio, romano, eleito para no ano 652, é muito conhecido por suas instituições em pról da Igreja. Reuniu em Roma um Concílio ao qual assistiram muitos bispos; nele se declarou quais os livros autênticos do Antigo e do Novo Testamento e quais os apócrifos; recomendou a honra em que se devem ter os quatro concílios ecumênicos de Nicéia, Constantinopla e de Calcedênia; compôs um catálogo das obras dos santos padres e dos escritores eclesiásticos; mandou publicar um livro chamado Sacramentale, no qual se acha a ordem de quase todas as missas que temos no missal romano e a fórmula para dar as bênçãos (missal anteror ao Concílio Vaticano II). Aboliu as festas lupercais que se celebravam em Roma, no mês de fevereiro, em honra do deus Pan, e em lugar delas mandou celebrar a festa da Purificação, como já se fazia em muitos paises; por último confirmou o antigo costume de conferir as ordenações aos eclesiásticos nas quatro têmporas. Ainda que se achasse elevado à primeira dignidade do mundo, levava entretanto uma vida pobre, praticando rigorosa austeridade; dava de comer a todos os pobres que conhecia e ele mesmo os servia na mesa. O tempo que lhe deixavam livre suas ocupações, empregava-o na oração ou em piedosos colóquios com os mais dignos servos do Senhor. Morreu santamente no ano 496.

23 de abril de 2015

Sermão para o 2º Domingo depois da Páscoa – Domingo do Bom Pastor – Pe Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] O Sacerdócio, o Bom Pastor

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém,
Ave Maria…
“Eu sou o bom pastor, e conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem.”
Tivemos a graça, recentemente, de reviver, durante a Semana Santa, a obra da redenção realizada pro NSJC. Essa obra admirável que nos permite a santidade, que nos permite chegar ao céu. Todavia, nosso Salvador não quis que a obra da redenção se limitasse aos seus contemporâneos. Ele quis, claro, que os frutos da redenção se aplicassem até o fim dos tempos. Para que sua obra fosse continuada ao longo dos séculos, NS institui o sacerdócio. O sacerdócio católico. O sacerdote, o padre, foi instituído por Cristo para continuar a obra dEle ao longo dos séculos. O Padre é propriamente um outro Cristo, alter Christus. Quando o padre é ordenado pelo bispo, sua alma é marcada para sempre com o caráter sacerdotal, uma marca espiritual que não pode jamais ser apagada. Pela ordenação, o sacerdote participa do sacerdócio de Nosso Senhor. Pelo batismo, o cristão se distingue do não cristão. Pela crisma, o simples batizado se torna soldado de Cristo. Pelo sacramento da ordem, o homem participa do sacerdócio de Jesus Cristo, se torna sacerdote do altíssimo, ele pode administrar as coisas sagradas, aplicar os frutos da redenção.
O sacerdote é, então, um homem oficialmente constituído para ser o mediador entre Deus e os homens, para oferecer as orações oficiais a Deus, e para oferecer o sacrifício a Deus em nome da sociedade. O sacerdote, como nos diz São Paulo, é um homem escolhido (por Deus) dentre os homens, e estabelecido para os homens para tratar das coisas que dizem respeito a Deus. Assim, o sacerdote não tem por função tratar das coisas humanas e transitórias, por mais importantes que pareçam ser, mas tem por função tratar das coisas divinas e eternas. Entre elas, a primeira função do sacerdote é cultuar devidamente a Deus em nome da sociedade. Portanto, a primeira função do sacerdote é oferecer o sacrifício a Deus. O sacrifício é o ato de culto mais perfeito que se pode prestar a Deus. E o único sacrifício agradável a Deus, depois da vinda e morte de Cristo, é a Missa, que renova o sacrifício de Cristo na Cruz. O primeiro dever do sacerdote é a Missa, é o sacrifício. O Padre é, em primeiro lugar, o homem do sacrifício, é o homem da Missa, pela qual Deus é perfeitamente adorado, pela qual podemos agradecer a Deus devidamente por todos os seus benefícios. Missa pela qual podemos pedir com toda confiança o perdão de nossos pecados e as graças de que precisamos para a nossa salvação. Tanto o padre é o homem da Missa e da Eucaristia que o sacerdócio foi instituído no mesmo momento em que a Missa e a Eucaristia, na Última Ceia.
O sacerdote é, primeiramente, o homem da Missa. Mas ele é também o homem que oferece a Deus as orações em nome da Igreja, pela recitação do Breviário. No Breviário Tradicional, Tridentino, a cada semana o Padre reza os 150 Salmos e hinos e outras orações como representante oficial da Igreja.
Como dissemos, o sacerdote é mediador. Ele oferece o sacrifício a Deus e dirige as orações dos homens até Deus. O sacerdote apresenta diante de Deus as súplicas dos homens e as honras que os homens prestam a Deus. Mas o sacerdote é mediador também no sentido inverso: o sacerdote traz aos homens as graças de Deus, sobretudo pelos sacramentos, mas também pela transmissão fiel dos ensinamentos de NSJC. Ele foi instituído para o bem dos homens nas coisas que dizem respeito a Deus. O sacerdote deve santificar as almas, deve levá-las até Deus, pelos sacramentos, pela pregação da verdade. O sacerdote, em todas as suas ações, deve ter em vista, a salvação das pessoas. É assim que o sacerdote dá a sua vida pelas ovelhas, se Deus não lhe permitir o martírio. Nisso, está a vida do sacerdote, do bom pastor: prestar o culto devido a Deus e santificar as almas. E como são necessários sacerdotes que realmente se preocupem com essas coisas. Deus quis utilizar-se dos sacerdotes para perpetuar o seu sacerdócio, para perpetuar a obra da redenção. Quando não há sacerdotes, ou quando não há sacerdotes realmente conscientes de seus deveres, o mundo vai se afogando nas trevas do pecado. O sacerdote não foi feito tal para agradar ao povo, nem esgotar seu tempo em reuniões sem fim. O sacerdote tampouco é um funcionário. O sacerdote não é um mercenário, mas um bom pastor, que conhece as suas ovelhas e que vai em busca da salvação delas. O sacerdote é o mediador entre Deus e os homens. Ele foi feito para cultuar a Deus e salvar as almas. E, para isso, o sacerdote renuncia até mesmo a formar uma família, para poder dedicar-se inteiramente a Deus e às almas, sem divisão com outros amores.
Então, o sacerdócio é constituído para os homens naquelas coisas que dizem respeito a Deus. Mas o sacerdote é escolhido dentre os homens. Os sacerdotes não são anjos enviados por Deus. Eles são escolhidos dentre os homens. Eles são fruto de boas famílias católicas, muitas vezes. Outras vezes, são fruto de uma conversão. O fato é que eles são escolhidos dentre os homens. É preciso, então, que os jovens, que levam uma vida católica séria, considerem o sacerdócio. Que considerem a dignidade do sacerdócio, que considerem a necessidade do sacerdócio, para se cultuar devidamente a Deus e para o bem das almas. Nós precisamos de padres. O mundo precisa de padres. Mesmo um padre precisa de outro padre, para confessar-se, para receber a extrema-unção. Deus quis servir-se dos sacerdotes para perpetuar a obra da salvação. Nós precisamos de padres.
É enorme a messe, mas os operários são poucos. É enorme o rebanho, mas são poucos os pastores. Quantas coisas a fazer pelas almas, pelas ovelhas, nesse mundo, que, praticamente, respira o pecado. Mas são poucos os operários, são poucos os pastores. São poucos os jovens católicos sérios que consideram a possibilidade de se tornarem padres. São poucos os que consideram a necessidade do sacerdócio para restaurar tudo em Cristo. São poucos os que consideram a dignidade do sacerdócio. São poucos os que consideram o tanto que um sacerdote pode fazer pela glória de Deus e pela salvação das almas. E quantos que começam a pensar no sacerdócio abandonam rapidamente a idéia, por medo, por vergonha, ou às vezes iludidos de que são necessários como leigos para isso ou para aquilo, dando inúmeras desculpas que não são realmente sérias. Os operários são poucos. A messe é grande. São inúmeras as ovelhas sem pastor. Deus quis servir-se dos sacerdotes. E o mundo precisa dos sacerdotes. Sem eles, os homens se tornam semelhantes a animais brutos, como nos diz o Santo Cura d’Ars.
Nesse Domingo do Bom Pastor, peçamos a Deus, que nos envie bons pastores, que nos envie sacerdotes. E rezemos por aqueles que já são pastores, para que sejam bons pastores e não mercenários.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

22 de abril de 2015

Sermão Domingo in Albis - Padre Renato Coelho - IBP

Sermão: Domingo in Albis

A alegria de pertencer à única Igreja de Cristo

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Estamos no Domingo Quasimodo, devido às primeiras palavras ditas no Introito da Missa, que fala do renascimento em Cristo do novo homem que não busca mais pecar. Esse domingo também é conhecido como Domingo in Albis, isto é, Domingo Branco, pois antigamente nessa época os catecúmenos recém-batizados ainda se vestiam de branco devido ao batismo feito na Vigília Pascal e permaneciam assim até esse domingo inclusive. Esse branco simboliza a pureza na vontade e o brilho da luz na inteligência recebidos pelo Espírito Santo através do caráter batismal. Tantas graças não devem ser recebidas em vão, por isso antes de receber o batismo, deve-se entender bem as consequências reais que isso acarretará na vida de alguém. Não é um mero símbolo, mas algo que tem uma eficácia real, sendo um grave sacrilégio caso alguém o receba mais de uma vez ou de modo indevido.
A eficácia do batismo é o próprio Cristo. Não apenas Cristo simplesmente, mas Cristo ressuscitado. Todavia é impossível ressuscitar sem ter antes morrido, algo que parece escapar à compreensão de muitos carismáticos que falam apenas de Cristo ressuscitado e esquecem da morte de Cristo. E para uma pessoa morrer, passa-se antes por grandes sofrimentos, sendo o da separação da alma do corpo o maior de todos, sendo vão se perguntar se morrer de um jeito ou de outro é mais doloroso ou não, visto que todos passarão por esse sofrimento máximo que é  o da alma como que sendo arrancada do corpo. E para alguém sofrer e morrer, é preciso antes viver. E para alguém viver é preciso antes nascer. E para um homem nascer é preciso que tenha uma mãe. Nesse sentido, um verdadeiro católico não deve ser um festeiro que pensa apenas na ressurreição de Cristo como se isso justificasse que ele pudesse fazer o que quiser de sua vida, como pensam os protestantes. O verdadeiro católico sabe que Cristo não apenas ressuscitou, como nasceu, viveu, padeceu e morreu por nós. Essa visão completa de Cristo diferencia radicalmente o modo de ser de um católico de um protestante que aceita Cristo como que pela metade, mutilado. Buscar a Cristo e ignorar sua mãe, Maria Santíssima, também é uma forma de mutilação. Não é correto chamar os protestantes de cristãos, pois não seguem a Cristo mas sim a si mesmos e suas opiniões puramente humanas. Cristão é quem segue a Cristo integralmente, o qual deixou apenas a Igreja Católica como fiel guardiã de seus ensinamentos e sacramentos. Fora da Igreja Católica Apostólica Romana não há salvação.
E isso entenderam muito bem os catecúmenos que foram batizados na Vigília Pascal, algo que muitos ditos católicos, mesmo padres e bispos, ou esqueceram ou não querem entender. Nos tempos atuais é altamente temerário e beira a má-fé dizer que “Cristo fundou a Igreja”. Não. Deve-se dizer a verdade de modo claro e completo: “Cristo fundou a Igreja Católica Apostólica Romana”, para não confundir a Sua Igreja com os dejetos frutos do trabalho das mãos dos homens. Excluem-se aqui até mesmo os ortodoxos, que são tão parecidos com os católicos, mas que, por exclusiva culpa própria, se separaram da Igreja de Cristo e se mantêm unidos numa espécie de cadáver congelado no tempo. Que Deus tenha piedade dos cismáticos e dos hereges que estão fora da única Igreja de Cristo. Que eles abandonem seus erros e busquem a verdadeira Igreja de Cristo, como rezamos na Sexta-Feira Santa.
Devemos dar graças a Deus de estarmos na única e verdadeira Igreja de Cristo, pela qual morreu e ressuscitou Nosso Senhor.
Ao longo da oitava de Páscoa, isto é, dos oitos dias seguidos ao domingo de Páscoa, as leituras da Missa falam sempre das várias aparições de Cristo ressuscitado. De modo gradual, vemos primeiro que o sepulcro onde foi posto estava vazio. Tal ainda não prova a ressurreição, mas dá indícios dela. Depois Cristo aparece diante de alguns discípulos, algo muito mais impressionante, mas ainda restaria a possibilidade de ser uma aparição, um fantasma ou uma ilusão da imaginação dos presentes. Enfim, Cristo aparece e se deixa tocar, mostrando que ele era 100% real, tinha um corpo sólido, comia e bebia, tinha as chagas, só que agora ressuscitado para nunca mais morrer.
Todas essas coisas nos devem reviver o fervor que devemos ter de sermos católicos, de termos um santo orgulho, o qual não deve ser egoísta, mas irradiar nos nossos próximos para que todos possam compartilhar dessa alegria imensa que a Igreja deseja a Nossa Senhora quando cantamos no final da missa: Rainha do Céu, alegre-se, aleluia!
Renovemos nossas promessas do batismo e sejamos alegres por sermos católicos, com uma sábia alegria, pois um católico triste não é digno de crédito!

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

21 de abril de 2015

DOMINGO DA OITAVA DA PÁSCOA (IN ALBIS) Capela N. Sr.ª das Dores Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Guardar a fé

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…
Quasi modo geniti infantes, Como crianças recém-nascidas, mas já com o uso da razão, desejai sinceramente o leite espiritual.”
Durante oito dias a Santa Igreja prolonga a alegria pela ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A alegria é tal que a Igreja não pode contê-la em um só dia. Durante toda a oitava de Pácoa, nas Missas, a Igreja repetiu as seguintes palavras, falando do dia da ressurreição: “este é o dia que fez o Senhor, alegremo-nos e exultemos nele”. Sim, o dia da ressurreição é o dia que fez o Senhor. É o dia da nova criação. Não é que Deus tenha criado novos céus e novas terras no dia da ressurreição. Não, nesse dia, Deus criou um homem novo. Um homem capaz de vencer o pecado, a morte e o demônio. Com a morte de Cristo podemos efetivamente morrer para o homem velho, para o pecado, e podemos nascer um homem novo e jovem. Jovem não pela idade, mas pela graça, pela virtude. A alma que vive na graça é uma alma sempre jovem, em virtude do entusiasmo que tem pelas coisas de Deus, pela prontidão da vontade em servir a Deus. Devemos ter uma alma jovem, não no sentido de que um idoso ou de que pessoa madura deva se comportar como inconsequente ou de maneira inadequada para sua idade e condição, mas no sentido de que devemos ter grande generosidade e prontidão para servir a Deus em todas as coisas.
São Pedro, de quem são tiradas as palavras do Intróito, vai além, e diz que devemos ser como crianças recém nascidas. Portanto, morrendo para o pecado com Cristo na Cruz, devemos renascer para a vida da graça, para a vida da virtude com Ele na ressurreição. Devemos ser, então, como crianças recém-nascidas, mas já com o uso da razão, nos diz São Pedro. Ou seja, devemos ser como os recém-nascidos não para fazer o que quisermos, irracionalmente, mas, para buscar, com sinceridade e simplicidade, a doutrina de Cristo, que é o leite espiritual.
E é acreditando na doutrina de Cristo, é acreditando naquilo que Nosso Senhor nos ensinou que seremos salvos, que teremos uma vida nova aqui na terra e a vida eterna no céu, como nos diz São João no final do Evangelho de hoje. É acreditando em Jesus Cristo que poderemos vencer o mundo. É pela fé, que poderemos vencer o mundo. E o centro de nossa fé deve ser as palavras de São Tomé no Evangelho de hoje, dirigidas a Jesus: “Meu Senhor e meu Deus”. A base da nossa fé é a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus Cristo é homem e Deus. E, sendo assim, devemos acreditar em seus ensinamentos e devemos colocá-los em prática. E somente com uma fé viva, quer dizer, com uma fé acompanhada das boas obras é que poderemos vencer o mundo. Uma fé morta, sem as obras, não basta. É preciso ter uma fé viva e firme. Não é um sistema político, não é um político, não é uma personalidade, não é uma filosofia qualquer, que vencerá o mundo. É a Igreja Católica com a fé que ensina aos homens e que deve permear todas as ações humanas. O que transformou a antiguidade pagã na civilização cristão foi a Igreja, foi a fé católica dos mártires, dos confessores, das virgens, das pessoas simples e importantes, das famílias… a fé do anônimo bem como do homem público. Foi a fé dos grandes santos, que cultuamos hoje sobre os nossos altares, mas também a fé de tantos outros que ficaram esquecidos nos séculos passados. A fé que os levava a querer restaurar tudo em Cristo, a fé que os leva a desejar e agir pelo reinado de Cristo na sociedade.
Mas como é grande a tentação do desânimo diante do mundo em que vivemos. Alguns poderiam dizer: é tão difícil ser católico, educar bem os filhos, evitar as ocasiões de pecado, evitar as diversões pecaminosas, que são inúmeras, bastando ligar a televisão para encontrá-las, por exemplo. Tantas cruzes que existem porque somos católicos. Quantas cruzes porque temos que nos indispor – às vezes mesmo no seio da família – em virtude de nossa fé. O mundo parece nos apresentar tantas facilidades, tantas alegrias. Uma vida tranquila, nos diz o mundo. E, então, desanimamos. Um sintoma claro do desânimo é começar a deixar as orações de lado. Outro sintoma, a preguiça espiritual, quer dizer, a preguiça para se dedicar às coisas de nossa santa religião. Ainda outro sintoma claro: a entrega  cada vez maior a diversões. No início, uma entrega sem moderação a diversões lícitas, logo a diversões ilícitas, que se opõem à fé e à moral católicas. Pouco depois, a pessoa passará a pensar como vive, isto é, de modo cada vez mais afastado de Deus. E se perguntará: por que continuar sendo católico, porque continuar tendo a fé católica e sofrer por causa disso? E já não saberá a resposta. Já não saberá dizer: “ora, porque na fé católica está a verdade, na fé católica está o bem”. E na verdade e no bem estão a nossa felicidade. Nossa felicidade não está nas facilidades e alegrias aparentes do mundo… As facilidades mundanas são facilidades para o pecado, para ofender a Deus e prejudicar-nos a nós mesmos. As alegrias mundanas são alegrias passageiras. Nossa felicidade está em Cristo Jesus, nosso Senhor e nosso Deus. Só Ele tem palavras de vida eterna. As cruzes, os sofrimentos dessa vida são nada comparados às alegrias do céu, alegrias que alcançaremos se tivermos uma fé viva, isto é, uma fé que se traduz em obras e que evita o pecado. Não se pode nem se deve desanimar, caros católicos, mas é preciso continuar com ânimo e com a alma jovem, jovem porque fundada em Deus, jovem porque encontra em Deus a força para vencer o mundo. As dificuldades existem e não são poucas, mas se Nosso Senhor sofreu antes de seu triunfo, antes de sua ressurreição, por que nós, pobres pecadores, não deveríamos sofrer? E devemos sofrer com alegria… É Nosso Senhor quem o diz: “Bem aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim”. E continua: “Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa no céu.” Portanto, não devemos desanimar, não devemos perder a coragem nem a alegria de sermos católicos.
Como nos diz a epístola de hoje, devemos continuar a festa da Páscoa em nossa vida e em nossos costumes. Devemos continuar a festa da Páscoa, mantendo a fé, pois a páscoa, a ressurreição é a festa da fé por excelência. Devemos continuar a festa da páscoa mantendo a alegria própria da páscoa, que é a alegria de morrer para o pecado, e de viver em Jesus Cristo. Precisamos imprimir em nossas almas as palavras de São Paulo: “combati o bom combate… guardei a fé”. Fidem servavi. Guardei a fé. Que grande será a nossa alegria, quando, na hora de nossa morte pudermos dizer essas palavras: guardei a fé. Guardei o maior tesouro que existe: a fé e uma fé viva, que se traduz em obras, isto é, que se traduz na observância dos mandamentos.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

20 de abril de 2015

História Eclesiástica - Primeira Época Capítulo 26

CAPÍTULO V

Donatistas e Santo Agostinho - Pelágio e seus erros - Morte de Santo Agostinho - Nestório e o terceiro Concílio Ecumênico - Fim de Nestório - Êutiques e o quarto Concílio Ecumênico.

Donatistas e Santo Agostinho - Os Donatistas que tinham sido condenados solenemente no Concílio de Latrão, no pontificado de São Melquíades, sossegaram por algum tempo; porém pouco depois voltaram mais furiosos que antes. Apoderaram-se a mão armada das igrejas, saquearam e destruíram os altares e os demais objetos sagrados, e sua impiedade chegou até batizarem de novo, e à força a os que já tinham sido batizados, tratando cruelmente os que não queriam consentir nisso. A Providência, porém, suscitou, na pessoa de santo Agostinho, um bispo esclarecido por sua santidade e doutrina, que devia vencê-los juntamente com outros hereges. Nasceu em Tagaste cidade da África no ano 354, e durante a juventude levou uma vida desregrada. Deus, porém, que o chamava para grandes coisas, ouviu as orações de sua mãe Santa Monica, e o atraiu a si de um modo extraordinário. Tendo ido a Milão, chamado pelo imperador para dar lições públicas de eloquência, ia com frequência, por mera curiosidade, Ouvir Santo Ambrósio, que tinha fama de grande orador. Enquanto a graça divina ia abrindo caminho em seu coração um fato maravilhoso o resolveu a fazer-se definitivamente cristão. Passeava um dia em um jardim, quando ouviu uma voz que vinha do céu e que dizia: "Agostinho, Agostinho, toma e lê" Admirado por estas palavras dirige-se maquinalmente para uma mesa, toma o primeiro livro que lhe cai à mão, abre-o e encontra aquelas palavras de São Paulo, que dizem: "Nem os impudicos, nem os gulosos alcançarão o Reino dos Céus." Desde esse momento mudou-se o coração de Agostinho, e convencido da vaidade das grandezas humanas, resolveu fazer-se cristão. Na idade de trinta anos recebeu em Milão o batismo das mãos de santo Ambrósio. Quando voltou a África se dedicou a oração e ao estudo, e progrediu tanto na ciência e na virtude, que foi ordenado sacerdote e depois bispo de Hipona. Trabalhou sem descanso para fazer voltar os donatistas para o seio da Igreja, e conseguiu converter grande número deles. Mas os que permaneceram no erro, mais enfurecidos que nunca, armaram insídias contra ele, e teria sido vítima de sua perfídia, se o não tivesse salvo uma especial proteção do céu. Os bispos católicos, aflitos por esses males, propuseram aos hereges uma conferência pública. Por isso todos os bispos da África, donatistas ou católicos, receberam a ordem de ir a Cartago. Para abreviar as discussões e deixar livre o campo a todos para que expusessem suas razões, escolheram sete bispos de ambas as partes, para que conferenciassem entre si em nome de todos. Santo Agostinho foi um dos eleitos para defender a causa dos católicos. Depois de estar inteirado da questão, apoiado na autoridade dos livros santos, provou à evidência que o bispo legítimo de Cartago era Ceciliano, que era válida sua ordenação e feita conforme todas as leis da Igreja, que por conseguinte não havia motivo algum para romper a unidade da Igreja, e que não restava outro recurso aos donatistas, para entrar no caminho da salvação, que o de voltar para o seio da Igreja Católica. Os bispos cismáticos nada tiveram a opor, e os povos que tinham confundido ate então o erro com a verdade, voltaram em grande parte, depois desta reunião, ao seio da Igreja. Ano 411.

Pelágio e seus erros - Já se tinham extinto quase completamente os donatistas, quando apareceu a heresia de Pelágio. Nascido na Grã Bretanha de pais obscuros, abraçou hipocritamente a vida monástica na qualidade de leigo. Indo a Roma pode grangear a estima de algumas pessoas honradas. Seu erro principal consistia em negar o pecado original e a necessidade da graça para fazer obras dignas de recompensa. Esta novidade foi incontinente vigorosamente refutada por Santo Agostinho, a cujas instâncias se convocou um Concílio em Cartago, no qual se condenou a Pelágio, e seus sectários. Os bispos desse Concílio escreveram ao romano Pontífice Inocêncio I pedindo-lhe que se dignasse confirmar a sentença que eles tinham dado com a autoridade da Sé Apostólica o Papa lhes respondeu benignamente, elogiando-os porque tinham seguido a prática observada sempre e em todas as partes, isto é, não considerar por definida coisa alguma, ainda que se tratasse das províncias mais longínquas, antes de ter sido enviada a Santa Sé... Concluia confirmando com um decreto a sentença que estes tinham dado, excomungando os bispos pelagianos. Ano 417. Os pelagianos, obstinando-se no erro foram condenados por outro Concílio, cujas atas igualmente se enviaram ao Papa para que as confirmasse, o qual assim o fez. Depois deste decreto, Santo Agostinho dava a causa por terminada e dizia: "Relativamente a isto, já enviamos dois concílios a Sé Apostólica: esta respondeu; está pois concluída a causa; queira Deus que também se acabe o erro". Não se cumpriu o desejo de Santo Agostinho. Pelágio e seus partidários tiraram a máscara e apelaram para um Concílio Geral; porém Santo Agostinho continuava afirmando, que para condenar um erro não era de absoluta necessidade um Concílio Ecumênico, pois bastava a sentença dos concílios particulares, confirmado pelo Sumo Pontífice. Por isso exprobrava energicamente aos pelagianos, que, por não terem conseguido infeccionar a Igreja com a pestilência de sua heresia, queriam ao menos perturbá-la, obrigando a que se reunissem os bispos em Concílio Geral. Deste modo foram rechassados os hereges; Pelágio, porém, obstinado sempre em seu erro, andou errante por vários países, até que sem se saber onde, nem como, desapareceu no ano 420.

Morte de Santo Agostinho - Santo Agostinho não foi somente martelo dos donatistas e dos pelagianos, senão também dos hereges maniqueus. Esforçavam-se estes, naquele tempo, em corromper a Igreja. O Santo Doutor enquanto viveu, combateu-os vigorosamente com sua palavra e com escritos. Finalmente depois de ter consumido sua vida no cumprimento de seu sagrado ministério, na austeridade e nas penitências, chegou ao termo de seus dias em um tempo em que o mundo se achava muito agitado pelos transtornos políticos e religiosos.
Os Vândalos, depois de terem invadido e entregue a sangue e fogo a maior parte da África, sitiaram estreitamente a mesma cidade de Hipona. Reflexionando Santo Agostinho nos males que aguardavam as almas que lhe foram confiadas, se caísse a cidade em mãos dos bárbaros, pediu a Deus que a livrasse daquele sitio, ou que desse ao menos a seus cidadãos forças suficientes para suportar com paciência cristã tão grande flagelo e suas tristes consequências, aceitando sua própria vida em expiação de seus pecados e dos do povo. Deus o ouviu e dali a pouco apoderou-se dele grave enfermidade. Este grande varão, ao aproximar-se de seus últimos momentos, sentia profundo pesar pelos anos que tinha vivido ofendendo a Deus. "Tenho-Vos conhecido demasiado tarde, Ó meu Deus, exclamava, demasiado tarde comecei a amar-vos, ó bondade suma de meu Deus." Mandou copiar. e colocar diante de si, na parede, os salmos penitenciais, e os lia muitas vezes na sua cama banhado em lágrimas; e para poder rezar e chorar seus pecados com maior liberdade durante os últimos dez dias pediu aos bispos, sacerdotes e aos demais amigos que se achavam presentes, que o deixassem só em seu quarto, e que ninguém entrasse nele senão para levar-lhe o alimento ou os médicos para visitá-lo. No último dia não podendo já ler nem rezar, chamou a seus amigos para que rezassem em voz alta ao redor de seu leito; repetia Agostinho as orações, e quando cessaram os lábios de rezar, sua alma já se achava no seio do Criador, gozando daquela felicidade, para cuja conquista havia empregado a maior parte da vida. Morreu aos 28 de agosto de 430 na idade de setenta e seis anos, tendo empregado quarenta no serviço da Igreja, primeiro como sacerdote e depois como Bispo. Com razão se chama luminar fulgentíssimo da Igreja, modelo dos teólogos, mestre de caridade, especial defensor da graça e martelo dos hereges. Seu apego à Igreja Católica igualava a sua vasta ciência. "Eu não acreditaria nem no Evangelho, escrevia, se a isso não me persuadisse a autoridade da Igreja Católica." Deplorando em outra parte, a desgraça dos que viviam fora do selo da Igreja Católica, exclamava: "Aquele que se separa da Igreja Católica, ainda supondo que seja boa a sua vida, nunca possuirá a vida eterna; antes cairá sobre ele a cólera de Deus, unicamente pelo crime de se achar separado da unidade de Jesus Cristo. A bondade e a probidade que não respeitam a Igreja é refinada hipocrisia."

Terceiro Concílio Ecumênico - Nestório - O terceiro Concílio geral é o de Éfeso chamado assim porque reuniu-se na cidade desse nome chama-se também Concílio de Maria, porque nele se definiu que Maria é verdadeira Mãe de Deus e porque se reuniram os Padres em uma Igreja que a ela estava dedicada. Convocou-se este Concílio para condenar as impiedades e blasfêmias de Nestório, bispo de Constantinopla, que de pastor se transformou em lobo rapace, pregando e afirmando que se acham em Jesus Cristo duas pessoas, isto é, dois filhos, o Filho de Deus ou seja o Verbo, e o filho do homem, ou Cristo. Deste primeiro erro nascia outro, segundo o qual não se devia, nem absolutamente se podia chamar a Maria mãe de Deus senão mãe do Cristo que, na sua opinião não passava de um simples homem; não era pois Deípara senão Christípara. Estas blasfêmias causaram tal horror entre os cristãos, que ouvindo-as pela primeira vez na Catedral de Constantinopla fugiram da Igreja. Sabedor disto São Cirilo, patriarca de Alexandria, escreveu uma carta cheia de caridade a Nestório esmerando-se em persuadi-lo a que desistisse de erro tão ímpio; porém o soberbo Nestório respondeu-lhe com insolências. Então São Cirilo, seguindo o antigo costume das igrejas, como ele mesmo diz, denunciou a São Celestino I os erros de Nestório, pedindo-lhe que, valendo-se de sua autoridade, providenciasse com algum remédio contra aqueles males. O Papa examinou a questão, e achando falsa e contrária à fé da Igreja a doutrina de Nestório, primeiramente o admoestou e depois ameaçou com a excomunhão se não se retratasse. De nada serviram as súplicas nem as ameaças. O manso Pontífice quis tentar a última prova para convencer ao obstinado Nestório, convocou um Concílio Geral em Éfeso ao qual não podendo presidir em pessoa, delegou entre outros representantes, a São Cirilo. Abriu-se o Concílio a 22 de junho do ano 431 achando-se presentes cerca de 200 bispos. Condenaram os erros de Nestório e com grande alegria dos fiéis, se definiu que em Jesus Cristo há uma só pessoa que é a divina, e que a Santíssima Virgem é verdadeiramente a Mãe de Deus, o que proporcionou grande alegria a todos os fiéis. Para propagar e conservar a memória desta definição, compuseram os Padres do Concílio a segunda parte da Ave Maria, oferecendo deste modo um meio fácil e simples de honrar e professar a divina Maternidade de Maria.

Fim de Nestório - Nestório não querendo emendar-se, nem cessar de levantar discórdias, foi excomungado, e logo desterrado para o Egito pelo Imperador Teodósio. Ali se apoderou dele horrível enfermidade que reduziu seu corpo a podridão, e a sua língua, que tinha blasfemado da Mãe de Deus, apodreceu, e vivendo ainda ele foi consumida pelos bichos. Objeto de maldição e espanto, morreu no ano 440. Eutiques e o quarto Concílio Ecumênico - Apareceu neste tempo uma nova heresia suscitada por Eutiques, superior de um convento de monges perto de Constantinopla. Erguera ele a voz para combater a heresia de Nestório porém levado por um zelo mais entusiástico que iluminado, caiu no erro contrário. Nestório tinha ensinado que em Jesus Cristo há duas naturezas e duas pessoas, e ainda que Eutiques admitisse o contrário que em Jesus Cristo há uma só pessoa, .....

FALTAM AS PÁG's. 176 E 177 (Caso algum leitor possua a obra completa, sendo possível, enviar cópia em arquivo pdf para o e-mail degregodke@yahoo.com.br, para que possamos completar a nossa publicação. Agradecemos antecipadamente. Blog São Pio V)

19 de abril de 2015

História Eclesiástica - Primeira Época Capítulo 25

CAPÍTULO IV

Santo Hilário - Santo Eusébio - Santo Ambrósio - Segundo Concílio Ecumênico e os Macedonianos - São Gregório Nazianzeno - São Basílio Magno - São Dámaso - São Jerônimo.

Santo Hilário. - Contra os esforços que a heresia e a perseguição faziam em prejuízo da fé, suscitou Deus uma série de homens célebres pela santidade e doutrina, chamados comumente Doutores ou Mestres da Igreja. Estes pelo heroísmo de suas virtudes, pela profundidade de sua ciência e por zelo incansável, foram a salva-guarda do Evangelho em várias partes do mundo. Um destes bispos e doutores insignes foi Santo Hilário de Poitiers, que com justiça se pode chama-lo apóstolo das Gálias, suscitado contra os arianos. Nascido de pais nobres, estes o instruíram em todos os ramos da literatura e das ciências e tanto aproveitou que ainda jovem, passava por um dos oradores mais eloquentes. Apenas conheceu a religião cristã, recebeu o batismo e começou a praticá-la com o exercício das mais sublimes virtudes. A extraordinária ciência e santidade que o adornavam foram motivo para que o nomeassem bispo de sua pátria; ele se opôs quanto pode, e somente aceitou o honroso cargo quando conheceu ser essa a vontade de Deus. A nova dignidade não produziu nele senão maior entusiasmo pela glória de Deus. Não poupou esforços ou fadigas para dar-se todo a todos e ganhá-los todos a Jesus Cristo. Sua casa foi a casa dos pobres; para eles era tudo o que possuía. Pregava com tamanho fervor a palavra de Deus, que os gentios e até os próprios arianos, em grande número naquelas regiões, corriam estupefatos a ele para que os instruísse nas verdades católicas. o imperador Constâncio, grande protetor dos arianos, oprimia de mil modos os católicos, despojava-os de seus bens e os desterrava. Hilário, que se opôs, qual forte muralha, a esse perseguidor, chamou sobre si suas iras; por isso foi tirado de sua sede e desterrado para as mais longínquas regiões do Oriente. Hilário aproveitou essa ocasião para escrever vários livros em defesa do Evangelho. o mais importante e o que traz o título de Tratado da Trindade, composto expressamente para refutar os arianos. Nele se estabelece como regra infalível a doutrina de São Pedro, e falando dele assim se exprime: "Oh! Feliz fundamento da Igreja e pedra digna de que sobre ela a Igreja seja edificada, para que quebre as portas do inferno e todos os vínculos da morte! ó bem-aventurado porteiro do paraíso, cuja sentença aqui na terra se transforma em juízo autorizado no céu; de modo que as coisas atadas ou desatadas sobre a terra recebem plena confirmação também no céu!". Achou-se também Santo Hilário no conciliábulo de Selêucia, que se reuniu no ano 359, convocado, por alguns bispos orientais infeccionados de arianismo. No meio de tantos inimigos da verdade, ele continuou em seu propósito de provar a divindade de Jesus Cristo refutando ponto por ponto a seus adversários; porém indignado por suas blasfêmias, abandonou aquele antro de Satanás e se apresentou ao imperador Constâncio, em Constantinopla, para lhe fazer patente o perigo em que se achava a fé ortodoxa, porém como o imperador era ariano e favorecia o conciliábulo de Calcedonia, pediu Hilário permissão para disputar publicamente sobre a fé com seus adversários.
Os arianos receando ser confundidos publicamente pelo Santo, se recusaram a conferenciar com ele, dizendo que não queriam tratar com um perturbador da paz; e para sair do apuros, convenceram ao imperador que o fizesse voltar ao bispado de Poitiers. Sua entrada nas Gálias foi um verdadeiro triunfo, de todas as partes acorriam para festejá-lo, e o Senhor quis fazer mais ilustre sua volta, obrando milagres, como o de ressuscitar a um menino morto sem receber o batismo. Apenas gozou um momento de paz, se dedicou com o maior zelo a reparar a Igreja dos males que lhe tinham causado seus inimigos. também reuniu alguns Concílios, e tendo conseguido trazer para o caminho da verdade os bispos seduzidos pelos hereges, pode com sua cooperação desarraigar a heresia dos arianos, de quase toda a Gália. escreveu muitos outros livros cheios de erudição, livros que São Jerônimo encarece e declara isento de todo erro.
Morreu no ano 269.

Santo Eusébio - Santo Eusébio, bispo de Vercelli, foi o primeiro que reuniu no Ocidente os eclesiásticos da cidade, para viverem juntos na qualidade de religiosos, dando assim origem à instituição dos cônegos. Foi uma das principais salva-guardas da fé católica contra os arianos. Em um Concílio celebrado em Milão disputou com eles com tanta solidez de argumentação, que confundidos não sabendo que partido tomar, dirigiram-se ao imperador e conseguiram fazê-lo desterrar. O santo soube aproveitar o tempo de seu desterro para fortalecer os católicos do Oriente e Ocidente. Depois de ter sofrido fome, sede, açoites e outros ultrajes, tendo morrido o imperador Constâncio, permitiu-se-lhe voltar à sua diocese. A volta do magnânimo prelado, toda a Itália despiu-se das vestes de luto, lúgubres vestes mutavit, conforme a expressão de São Jerônimo, porque a volta de Santo Eusébio era o triunfo da verdade católica. Quis Deus dar-lhe o prêmio que mereciam tantos padecimentos e fadigas, permitindo que depois de governar em paz sua diocese por alguns anos, recebesse a coroa do martírio das mãos de alguns arianos, que lhe deram a morte apedrejando-o. Subiu ao céu no ano 370.

Santo Ambrósio - Sem dúvida foi um dos bispos mais insignes em doutrina e santidade, que floresceram na Igreja naqueles tempos. Achava-se presidindo em nome do imperador os negócios civis da Ligúria e da Emilia, porém como surgissem discórdias em Milão motivadas pela eleição do bispo, enviou-o o imperador para ali afim de apaziguar os ânimos. "Ide, disse-lhe aquele monarca, e regulai as coisas não como severo governador, mas com a caridade de bispo." Ao chegar àquela cidade, entrou entre os amotinados e se esforçava em serenar os ânimos, quando um tenro menino que descansava nos braços da mãe, desprega a língua e grita: "Ambrósio nosso bispo; Ambrósio nosso bispo." E tomando aquela voz como sinal da divina vontade, todos exclamaram: "Ambrósio é nosso bispo." E assim, apesar de sua grande repugnância, com aplauso universal foi criado bispo de Milão no ano 374.
Escreveu muitos livros, sermões e cartas em defesa da religião e em favor da virgindade, da qual fez os maiores elogios, fundando em sua diocese vários conventos de virgens. Para conhecer qual a verdadeira crença entre todas as que se chamam cristãs, dava Santo Ambrósio esta regra: "Onde esta Pedro (vivendo em seu sucessor), ai esta a Igreja de Jesus Cristo: Ubi Petrus, ibi Ecclesia." significando com isto que são verdadeiros cristãos somente os que estão unidos com o sumo Pontífice. Este insigne Doutor descansou em paz no ano 397.

Segundo Concílio Ecumênico e os Macedonianos - O segundo Concílio Ecumênico é o primeiro Constantinopolitano, chamado assim porque foi o primeiro Concílio Ecumênico celebrado em Constantinopla. Motivou este Concílio a heresia de Macedonio, que, à força de enredos, se tinha elevado a sé daquela capital. Os arianos atacavam a divindade do Verbo; Macedonio, a do Espírito Santo. Era então imperador Teodósio o Grande, e regia a Igreja São Dámaso. Este douto Pontífice vendo ameaçada a fé, convocou, de acordo com o piedoso monarca, um Concílio em Constantinopla, para que se combatessem os erros ali onde tinham nascido. O Concílio se reuniu no mês de maio do ano 384, e concorreram a ele 150 bispos orientais. Foram condenados os erros de Macedonio e se confirmou o Símbolo de Niceia, ao qual se acrescentaram estas palavras que dizem respeito a divindade do Espírito Santo: Creio no Espírito Santo, Senhor e vivificador... o qual juntamente com a Pai e com o Filho e adorado e glorificado, o qual falou pelos profetas. Teodósio recebeu as decisões do Concílio como se fossem saídas da boca do próprio Deus e promulgou uma lei para que não fossem desprezadas. Ainda que não constasse esta reunião senão de bispos orientais, bastou, sem dúvida, a aprovação do Papa para dar-lhe toda autoridade de um Concílio Ecumênico, de maneira que seus decretos constituem uma regra infalível de fé.

São Basílio Magno - São Basílio Magno nasceu no ano 319 em Cesaréia da Capadócia, de pais ilustres, nos quais a piedade pode se dizer foi hereditária. Seu pai também chamado Basílio (santo), sua mãe santa Emélia, e especialmente sua avó santa Macrina se encarregaram de educá-lo na ciência e na piedade. Jovem ainda, mandaram-no a um deserto; porém o bispo de Nazianzo prevendo que, por suas virtudes e profunda ciência, chegaria a ser um luminar da santa Igreja, o consagrou sacerdote apesar da sua repugnância. Tendo-se depois ocupado com grande zelo em pregar contra os arianos, trouxe muitos deles à fé. Manifestando-se sempre cada vez mais nele por meio dessas pregações, a santidade e a ciência, foi criado bispo ainda que tivesse fugido sempre dessa dignidade. Chamado à se episcopal de Constantinopla, empregou sua palavra e escritos em combater a heresia dos Macedonianos, e conseguiu reconduzir toda a cidade à fé católica. Isto provocou a inveja de muitos; então ele por amor à paz, renunciou ao bispado e se retirou para sua terra natal. Ali, em companhia de alguns solitários, levou uma vida angélica. As mortificações, os jejuns, as vigílias, as orações, o silêncio e a solidão ocupavam todos os momentos de sua vida. Escreveu sobre muitos assuntos em prosa e em verso com admirável piedade e com tal elegância, que deixou muito aquém todos os seus contemporâneos. Finalmente, na idade de 60 anos, cheio de méritos, foi gozar a glória celeste. Ano 390.

São Dámaso - São Dámaso, espanhol, pontífice insigne por doutrina, prudência e virtude, tinha sucedido ao Papa Libério no ano 366. Devesse a ele a convocação de segundo Concílio Ecumênico. Edificou várias igrejas; entre elas a de São Lourenço em Roma; mandou que no fim dos salmos se acrescentasse o Gloria Patri; escreveu muitas obras em prosa e verso, e chamou a Roma São Jerônimo para que lhe servisse de secretário nas cartas latinas. Por ordem de São Dámaso, o grande doutor traduziu do hebraico para o latim os livros sagrados do Antigo Testamento, e corrigiu a tradução latina que já existia dos livros do Novo Testamento, fazendo-a mais conforme e fiel com o texto grego.
São Dámaso que o tinha estimulado com palavras e exemplos a fazer estas obras maravilhosas em favor da Igreja, morreu octogenário no ano 384, depois de dezoito anos de glorioso pontificado.

São Jerônimo - São Jerônimo nasceu na cidade de Estridon, na Dalmácia. Estudou em Roma, e depois de ter estado nas Gálias, foi a Constantinopla por-se sob a direção de São Gregório Nazianzeno; dali passou ao deserto de Cálcida na Síria, onde levou uma vida muito austera, inteiramente dedicado ao estudo e à oração. Muito versado no grego, no latim e no hebreu, foi suscitado por Deus para interpretar e explicar as divinas Escrituras, e por isto o venera a Igreja de um modo especial, dando-lhe o título de Doutor Máximo. Sua tradução foi adotada pela Igreja, e é a mesma que, aprovada pelo Concílio de Trento, corre ainda em mãos dos Cristãos sob o nome de Vulgata.
Quanto aos salmos, se usou sempre e ainda se continua usando a tradução latina do tempo dos Apóstolos. Os hereges, tendo conhecido a profundidade de seu engenho, não pouparam meios para ganhá-lo; ele, porém, para certificar-se de não cair em erro, consultava com frequência a Santa Sé e com este fim escreveu diferentes cartas a São Dámaso. Entre estas é particularmente memorável aquela em que o santo doutor, cansado já pelo tédio que lhe causavam as diferentes facções que dividiam a igreja da Antioquia, dizia: "Querendo me certificar de estar com Jesus Cristo, me uno a comunhão de Vossa Santidade, isto é, a cadeira de São Pedro; Eu sei que a Igreja está edificada sobre este fundamento; todo aquele que come do cordeiro fora desta casa é profano; todos os que não se refugiaram na arca de Noé, pereceram no dilúvio.
Combato qualquer outra doutrina, porque quem não recolhe convosco, espalha, isto é, quem não está com Jesus Cristo está com o anti-Cristo. (Ep. 14 ad Dam.).
Empregou toda a vida em compor livros para instruir os fiéis e combater os hereges; de sorte que, de todas as partes recorriam ,a ele nas questões mais difíceis. Escrevia com tal veemência contra os hereges que suas sentenças pareciam raios. Para evitar as insídias de seus inimigos e para preparar-se melhor para a morte, saiu de Roma e foi a Belém onde Santa Paula, dama romana, havia construído dois conventos; um para homens e outro para mulheres. Ali consumido pela penitência e trabalhos, descansou no Senhor na idade de oitenta e
nove anos. Ano 420.

18 de abril de 2015

História Eclesiástica - Primeira Época Capítulo 24

CAPÍTULO III

Concílio de Rimini - Santo Antão, monge - Vida monástica - Juliano apóstata - Persegue os cristãos - Sua morte.

Concílio de Rimini - Constâncio filho e sucessor de Constantino no Oriente, favoreceu desgraçadamente o arianismo, e para fazê-lo triunfar, reuniu um concílio em Rimini: porém todos os bispos, a uma voz, pronunciaram anátema contra os arianos. Não satisfazendo isto ao imperador, mandou um oficial seu ao concílio, o qual com promessas e ameaças induziu a maior parte dos bispos a subscrever uma fórmula de fé, na qual não se achava a palavra consubstancial. Conquanto essa fórmula não fosse herética, não exprimia, entretanto, com suficiência, a fé de Nicéia. Os arianos se jactaram muito com isso, como se com essa fórmula se tivesse adotado sua heresia, porém os bispos que a tinham firmado quando conheceram o sentido perverso que lhe davam os hereges se opuseram a ela, e professaram seu apego à fé de Nicéia. O Papa Libério unido aos bispos de todo o mundo, levantou a voz contra este escândalo, não servindo desta maneira nem a violência, nem a astúcia para obscurecer a fé católica. Ano 359.

Santo Antão, monge - O primeiro e o mais célebre entre os solitários foi, como já se disse, São Paulo, porém a este não se considera como fundador da vida monástica, porque não teve muitos discípulos, nem deu uma regra fixa para este gênero de vida cristã; por isso geralmente se venera Santo Antão o Egípcio como fundador do monaquismo. Observe-se que se chamavam monges ou solitários os religiosos que viviam separados um dos outros, e habitavam em celas ou cabanas e as vezes em cavernas, distantes umas das outras, reunindo-se somente em certas ocasiões para orar juntos, assistir aos divinos ofícios, e receber instruções e avisos, ao passo que chamavam-se cenobitas os religiosos que viviam juntos, e dormiam debaixo do mesmo teto. Só com o correr dos tempos, monge e cenobita tiveram o mesmo significado.
Nasceu Antão no ano 252, de pais virtuosos e nobres, e passou sua primeira juventude na piedade mais exemplar. Na idade de dezoito anos, entrando certo dia na Igreja em momento em que se lia este texto do Evangelho: "Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, depois vem e segue-me e terás um tesouro no céu", tomando estas palavras como ditas para si, deliberou segui-las fielmente, e dando tudo o que possuía aos pobres, abandonou seus pais e amigos, e retirou-se as solidões da Tebáida. Ali deu principio a um método de vida o mais austero que se possa imaginar: servia-lhe de cama uma esteira ou a terra nua; alimentava-se uma vez por dia depois do sol posto, e sua comida consistia em escasso pão e água, servindo-lhe de vestimenta, um cilício e um manto de couro. Depois de muitos anos de vida muito austera, Deus lhe concedeu o dom de milagres, e isto lhe atraiu tal séquito de discípulos, que com grande assombro do mundo, povoaram imensos desertos que pareciam inabitáveis, formando-se várias comunidades em algumas das quais se achavam até mil e mais monges. Estes valentes cristãos animados por tal mestre, formavam um espetáculo não menos maravilhoso do que o dos mártires. Cheio de méritos e esclarecido pelos seus milagres, passou Antão a melhor vida no ano 357 aos 105 de idade. Sua vida foi escrita por Santo Atanásio.

Vida monástica - A vida solitária ou monástica tinha por objeto observar a pobreza, a obediência, a castidade em seu grau mais perfeito, e fazer morrer totalmente o homem às coisas do corpo para fazê-lo viver só para as do céu. Para consegui-lo empregava-se quatro meios: o trabalho, o jejum, a solidão e a oração. O trabalho era muito penoso, e por isso ocasião contínua de áspera mortificação, consisti geralmente em fazer esteiras e cestos de junco, ou de palma, os quais vendiam dando quase todo seu fruto aos pobres. Não comiam senão uma vez no dia e o faziam ao pôr do sol, e isso durante todo o ano exceto os dia de domingo e o tempo pascal. Seu alimento regularmente, compunha-se de ervas sem tempero algum, exceto o sal, e o azeite às vezes; uma ou outra vez também comiam tâmaras ou figos secos. Vida tão austera em vez de debilitar suas forças, as aumentava de tal modo que muitos deles chegavam a uma avançada e florida velhice. Todos sabemos que São Paulo morreu aos 113 anos, São Antão viveu 105; São Macário de Nitra igualmente seu discípulo chegou aos 100 anos. Estes e outros exemplos de vigorosa velhice demonstram que a vida sóbria e temperante é fonte de saúde e conserva vigorosamente as faculdades mentais. Muitos deles reuniam-se duas vezes ao dia para rezarem em comum, restando cada vez doze salmos, ao que seguia-se a leitura da História Sagrada; o resto do dia rezavam de per si, encerrados em uma cela. Outros, que viviam muito separados, não acudiam a reunião senão aos domingos e dias festivos; os demais dias oravam a sós. Todos prestavam a seus superiores uma obediência ilimitada e perfeita, vendo Deus na pessoa deles; por isso reinava entre eles a mais admirável união, concórdia e caridade.

Juliano Apóstata - Enfurecido Satanás pela queda da idolatria no império romano, tratou de voltar a ressuscitá-la por meio do imperador Juliano, chamado comumente apóstata porque abandonou a religião cristã em que se tinha educado, e pôs em campo todos os meios a seu alcance para destruí-la. Era Juliano filho de um irmão do grande Constantino, e na morte de Constâncio como herdara ele todo o império, fez tudo o que pode para restabelecer o culto dos ídolos. Tendo predito Jesus Cristo que não ficaria pedra sobre pedra do templo de Jerusalém, e tendo os fatos, como vimos, correspondido plenamente as suas palavras, propôs-se Juliano a desmenti-lo reedificando aquele templo célebre; porém a única coisa que conseguiu foi tirar a última pedra sem poder sequer lançar os alicerces. Logo que começou o edifício não se tinham ainda assentado as primeiras pedras, quando sobreveio um espantoso terremoto que as vomitou do seio da terra, e as lançou contra os operários, especialmente judeus. Muitos deles que tinham corrido para ali com frenético entusiasmo para ver se conseguiam reedificar seu antigo templo, morreram sepultados entre as ruínas, deixando outros gravemente feridos. Tornou-se a tentar mais de uma vez a temerária empresa, e não se abandonou até que turbilhões de vento espalharam a areia, o cal e os demais materiais. Mas o mais prodigioso e terrível a um tempo é que saiam dentre aquelas ruínas glóbulos de fogo que serpeando com a rapidez do relâmpago, deitavam por terra os trabalhadores e os arrastavam consumindo muitos até os ossos e carbonizando outros, até chegavam a alcançar a alguns judeus que estavam muito longe e os sufocavam ou consumiam. Em vista de tão extraordinário milagre, não se atrevendo já ninguém aproximar-se daquele lugar, desistiu-se da empresa. Ano 363.

Perseguição de Juliano - Exasperado Juliano pelo mau êxito da reedificação do templo de Jerusalém, condensou todo o seu ódio contra os cristãos, aos quais teria querido aniquilar se possível lhe fosse. Com este fim ajudava os hereges e os cismáticos, dando-lhes toda sorte de liberdades ao passo que despojava o clero de todos os seus bens e privilégios, dizendo em tom de zombaria, que não fazia mais do que fazê-los praticar a pobreza evangélica. Obrigava-os a pagar crescida soma para reparar os templos dos ídolos e não confiava cargos públicos aos cristãos nem permitia que eles se defendessem perante os tribunais. "Vossa religião, dizia-lhes, proíbe os pleitos e as pendências. Proibiu finalmente aos cristãos que exercessem o ofício de mestres de escola ou de professores nas academias, dizendo que era inútil o estudo das ciências e das letras aos que tão somente devem crer sem raciocinar.

Morte de Juliano - Este gênero de perseguição teria sido muito mais funesto para a Igreja do que a crueldade de Nero e de Diocleciano, se Deus não tivesse derrubado por terra os planos de Juliano com uma morte prematura. Tinha esse ido combater contra o rei da Pérsia com propósito de exterminar os cristãos assim que alcançasse a vitória; porém a mão poderosa do Senhor desbaratou os atrevidos planos do apostata, e quando ele contava já com a vitória, uma flecha, cuja procedência se ignorava, atravessou-lhe o coração. Ao fazer força para tira-la cortaram-se-lhe os dedos, e caiu desmaiado sobre seu cavalo.. Tiraram-no dentre a multidão para curar a ferida; porém tornando-se-lhe cada vez mais agudas as dores, dava gritos de desespero. Caindo em um paroxismo de raiva arrancava com a mão o sangue de sua ferida e atirando-o para o céu exclamava: "Venceste, Galileu... venceste, Galileu", referindo-se com essas palavras a Jesus Cristo contra quem sempre tinha combatido. Obstinado na impiedade morreu no ano 365, aos 31 anos de idade. Com ele caiu para sempre a idolatria no império romano. Jesus Cristo conseguiu novo triunfo e a Igreja Católica nova e muito esplendida vitória.