17 de fevereiro de 2019

Programação de Missas da Semana


INSTITUTO BOM PASTOR

CAPELA NOSSA SENHORA DAS VITÓRIAS

CURITIBA – PR

Semana 11 a 17 de Fevereiro de 2019.

2ª Feira 11/02 07:30 horas Missa rezada na Casa do Padre

3ª Feira 12/02 07:30 horas Missa rezada na Casa do Padre

4ª Feira 13/02 07:30 horas Missa rezada na Casa do Padre

5ª Feira 14/02 07:30 horas Missa rezada na Casa do Padre

6ª Feira 15/02 07:30 horas Missa rezada na Casa do Padre

Sábado 16/02 08:30 horas Atendimento de confissões
09:00 horas Missa rezada na Capela Militar

Domingo 17/02 09:00 horas Atendimento de confissões
09:30 horas Recitação Pública do Santo Terço
10:00 horas Missa cantada na Capela Militar


Casa do Padre: Rua Martim Afonso, 342 - Bairro São Francisco

Capela Militar: Rua Francisco Rocha, 740 - Bairro Batel


Padre Thiago Gaspar da Silva Bonifacio - IBP - Curitiba.

15 de fevereiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 602

NATAN, O LENHADOR

Gaspar, Melchior e Baltasar iam seguindo a estrela que os conduzia a Belém. Acamparam, uma noite, perto de uma cabana e pediram hospitalidade. Natan disse-lhes que apenas tinha para sua família, mas que lhe causava pena vê-los expostos ao mau tempo. Mandou que entrassem e se assentassem ao pé do fogo. Em seguida, trouxe-lhes umas braçadas de capim seco para que lhes servissem de cama. No outro dia, ao despedirem-se de Natan, disseram-lhe os Magos:
— Olha! dinheiro não temos, mas deixamos-te esta singela lembrança.
E Baltasar entregou-lhe um pífano (pequena flauta), dizendo:
— Toca-o e os teus desejos se cumprirão. Será para ti uma fonte de riquezas, enquanto tratares bem aos pobres.
Tendo partido os reis, disse Natan a esposa:
— Dizem que não trazem dinheiro, e eu o vi em tamanha abundância! E por fim ainda me pagaram com uma flauta!...
— Mas — replicou a mulher — eles não te disseram que a tocasses, que se cumpririam os teus desejos?
— Ah! isso é verdade! Vamos experimentar.
Natan tocou o pífano, dizendo: “Quero um riquíssimo almoço!” E como por encanto apareceu ali o almoço, deixando-os boquiabertos.
E os seus desejos não tiveram mais limites; foi pedindo e recebendo: palácio, vestidos, riquezas imensas.
Mandou logo convidar os amigos para um lauto banquete. E apareceram muitos para ver as riquezas de Natan.
Durante a festa apresentaram-se os reis, de regresso de Belém, humildemente vestidos, e pediram fôssem conduzidos à presença de Natan. O escravo, porém, zombou deles e disse que recebera ordem de não deixar. entrar ninguém. Os reis insistiram em entrar assim mesmo. O escravo pediu socorro e Natan, indignado, ameaçou soltar os cães contra eles.
Os magos retiraram-se, e, depois de tomarem suas vestes reais, apresentaram-se de novo assentados em suas liteiras e acompanhados de todo o seu séquito.
Natan saiu a recebê-los e quis fazê-los sentar-se à sua mesa.
— Não — disse Gaspar. — não podemos sentar-nos com quem não tem compaixão dos pobres.
— Recusamos tua amizade, porque não sabes cumprir a tua palavra, disse Melchior.
— Não podemos sentar-nos ao lado de um lenhador, — disse Baltasar.
Natan, enfurecido, ia despejar sobr.e eles cobras e lagartos, quando Baltasar tocou um pífano e no mesmo instante desapareceram palácio, banquete, riquezas e tudo quanto havia. Natan lembrou-se de tocar o seu pífano, mas havia desaparecido também.
O lenhador encontrava-se, pois, tão pobre como antes e ainda com o coração cheio de remorso.

14 de fevereiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 601

A LENDA DE SANTO ELÍGIO (ELÓI)

Um dia estava o Senhor Deus todo pensativo no céu. Tanto que Jesus lhe perguntou:
— Que é que tendes, meu Pai?
Respondeu o Senhor:
— Olha lá no fundo.
— Onde?
— Lá em baixo: Vês naquela vila, numa das últimas casas, aquela grande e bela oficina de ferrador?
— Vejo.
— Pois bem. Lá está uma criatura que eu quisera salvar. Chama-se Elígio. É sem dúvida um homem bom, obediente as minhas leis, caridoso com os pobres, pronto para servir a todos: da manhã até a noite está sempre aplicado ao trabalho, sem que jamais escape de sua boca uma blasfêmia ou uma palavra suja. Parece-me mesmo digno de tornar-se um grande santo.
Jesus perguntou:
— E que é que lho proíbe?
— O seu orgulho. É um artífice de primeiríssima ordem; mas está convencido de que não há no mundo quem seja capaz de superá-lo. E tu sabes que presunção significa: perdido.
E Jesus:
— Meu Pai, se consentis que eu desça à terra, tentarei a conversão dele.
— Pois vá, meu Filho.
E Jesus desceu à terra. Vestiu um macacão de aprendiz de ferreiro, pôs nos ombros uma trouxa de ferramentas e sem mais o divino operário pôs-se à caminho da oficina de Mestre Elígio. À entrada lia-se: Ferrador Elígio, mestre dos mestres: quase sem fogo bate qualquer ferradura. O pequeno aprendiz chegou até a porta e descobrindo a cabeça, exclamou:
— Bom dia, mestre; bom dia a todos... Se precisarem de um pouco de auxílio, estou pronto...
— Por enquanto, não — respondeu Elígio.
— Então, adeus, mestre; ficará para outra vez.
E Jesus continuou o seu caminho. Logo adiante topou Jesus com um magote de gente e disse:
— Não pensei que numa oficina, onde deveria haver muito trabalho, recusassem o meu serviço...
— Escuta, rapaz — disse um do grupo — ao chegar, como saudaste a Mestre Elígio?
— Como saúdam todos: Bom dia, mestre, e a toda companhia.
— Não, não era wsse o modo de saudar: precisava chamá-lo mestre dos mestres. Não viste o que está escrito sobre a porta?
__ É verdade, — disse Jesus. — Vou tentar, novamente.
Voltou à oficina e disse:
— Senhor mestre dos mestres, o sr. não precisaria de um ajudante?
— Entra. Trabalho haverá para ti também. Mas lembra-te bem do que te digo uma vez por todas: Quando me saudares, deves chamar-me mestre dos mestres, porque (não é por orgulhar-me) homens como eu que, com duas escaldaduras, batem qualquer ferradura, em toda esta terra não se encontram.
Observou o rapaz:
— Na minha terra bate-se com uma escaldadura apenas.
— Com uma só? Ah! meu rapaz, não venhas contar-me lorotas.
— Pois bem, eu vos mostrarei se digo ou não a verdade, sr. mestre de todos os mestres.
E Jesus toma um pedaço de ferro, atira-o ao fogo, sopra e atiça as brasas e, quando o ferro está em brasa, dispõe-se a pegá-lo com a mão.
— Pobre tonto! — grita-lhe um dos presentes, — tu queres te queimar?
— Não tenhais medo, — replicou Jesus. — Graças a Deus, em nosso país, não precisamos de tenazes.
E o rapaz toma com uma das mãos o ferro em brasa, coloca-o sobre a bigorna e com o seu martelo bate-o, e deixa-o tão perfeito como ninguém fizera até agora.
Mestre Elígio diz:
— Basta que eu queira, e sou capaz de fazer o mesmo.
E de fato toma um pedaço de ferro, lança-o na forja, sopra, atiça o fogo. Quando o ferro está bem vermelho, quer pegá-lo para levá-lo à bigorna, mas queimam-se-lhe os dedos. Quer fazê-lo depressa e resistir a dor, mas é obrigado a largar o ferro e recorrer às tenazes. Entretanto, o ferro esfria e... pobre Mestre Elígio! faz força, bate, sua.., mas não consegue fazer o que fizera o rapaz.
— Escutem — diz o rapaz — parece-me que ouço o andar de cavalo.
Mestre Elígio corre à porta e vê um cavaleiro que para diante da sua oficina. Ora, convém saber que aquele cavaleiro era São Martinho. Ele diz:
— Venho de muito longe e o meu ginete perdeu um par de ferraduras e preciso encontrar um ferrador.
Mestre Elígio, todo orgulhoso, assim lhe falou:
— Melhor do que aqui não encontrareis, senhor cavaleiro. Estais diante do melhor ferrador daqui e de toda a França.
Pode-se dizer com verdade que ele é o mestre dos mestres. Rapaz, segura um pouco a pata do cavalo.
— Segurar, a pata do cavalo? — observou Jesus. — Em nossa terra isso não é necessário.
— Esta agora é boa! — grita Mestre Elígio. — Como fazeis para ferrar um cavalo sem segurar a pata?
— Nada mais fácil; quereis ver?
E eis que o rapaz toma o puxavante, aproxima-se do cavalo e com um golpe lhe corta o tamanco, leva-o à oficina e aperta-o no tôrno. Depois lima o casco, aplica-lhe a ferradura nova que acabara de bater com o martelo mete-lhe os cravos. Em seguida, desaperta o tôrno, leva aquele ao cavalo, adapta-o bem e, fazendo um sinal da cruz, diz:
— Meu Deus, fazei que o sangue estanque.
E o pé está pronto, ferrado e seguro, como jamais se vira igual. O primeiro aprendiz arregalou os olhos e Mestre Elígio e todos os outros começaram a suar frio. Afinal Mestre Elíigio exclama:
— Caramba!... o mesmo hei de fazer eu também.
E mãos à obra: armado do puxavante, corre ao animal e corta-lhe o pé. Leva-o para dentro, aperta-o no tôrno, mete-lhe os cravos, tudo como fizera o rapaz. Depois — e aqui está o busílis — devendo colocar o pé no lugar, aproxima-se do animal, ajusta-o do melhor modo que pode à perna, mas ai!... o sangue escorre e o pé cai no chão. Agora, a alma soberba de Mestre Elígio se aclara... Entra na oficina para ajoelhar-se aos pés do jovem; mas ele desaparecera, como desapareceram o cavalo e o cavaleiro. O pranto inundou o coração de Mestre Elígio: reconhecera que acima dele, pobre mortal, havia outro Mestre que era inimitável: Tirou o avental de couro, abandonou a oficina, e pôs-se a percorrer o mundo anunciando a palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo.

12 de fevereiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 600

A LENDA DE DOIS CAVALEIROS

No condado de L. houve um jovem cavaleiro de nobre linhagem. Em torneios e outras vaidades do mundo, esbanjara todo o seu patrimônio e ficara reduzido à miséria. Não podendo apresentar-se com os outros cavaleiros, como costumava, caiu em tanta tristeza e melancolia, que estava para desesperar. Vendo isso um seu feitor, confortou-o e disse-lhe que, se quisesse seguir o seu conselho, o faria rico e voltaria ao seu honroso estado anterior. O jovem respondeu que sim. O feitor conduziu-o, uma noite, a um espesso bosque e fazendo sua arte de necromancia, pela qual costumava evocar o demônio, imediatamente surgiu ali o espírito mau e perguntou-lhe o que desejava. Respondeu-lhe o feitor que trouxera ali aquele nobre cavaleiro para que o demônio o restituísse ao antigo estado, dando-lhe riquezas e honras. Disse-lhe o demônio que estava pronto a fazer tudo, contanto que, antes, o cavaleiro renegasse a Jesus Cristo e a sua fé. Mas isso o cavaleiro respondeu que não faria. Fala o feitor: Não quereis então reaver as riquezas e o estado que já tivestes? Por que, então, me destes tanto incômodo?
Vendo o cavaleiro que, para ser rico como antes, não havia outro remédio, deixou-se vencer e consentiu na proposta do feitor, intermediário do demônio. Embora contra a vontade, com grande temor, renegou a Cristo e a sua fé. Feito isso, o diabo disse: É preciso que ele renegue ainda a Mãe de Deus, e terá imediatamente tudo o que deseja. O cavaleiro respondeu que jamais faria isso, voltou as costas ao demônio, e retirou-se.
Ia andando pela estrada e considerando seu enorme pecado de ter renegado o Senhor Deus. Arrependido e contrito, entrou numa igreja onde havia uma imagem da Virgem Maria com o Filho no braço. Diante dela ajoelhou-se devotamente. Entre soluços e lágrimas, pediu misericórdia e perdão de sua grande queda.
Ora, aconteceu que naquele momento outro cavaleiro, o que tinha comprado as propriedades do primeiro, entrou também na igreja; e vendo o cavaleiro orar com tanta devoção e com tantas lágrimas diante da sagrada Imagem, muito se admirou e, escondendo-se atrás de uma coluna, ficou a observar o que acontecia. Estando, pois, os dois cavaleiros nos seus lugares, a Virgem Maria pela boca de sua imagem estava a falar, mas assim que cada um a ouvia claramente. Ela dizia a seu Filho: — Dulcíssimo Filho, peço-te que uses de misericórdia com este cavaleiro. Mas, como o Filho não lhe respondia nada e desviava dela o olhar, a benigna Mãe de novo implorou, dizendo que aquele cavaleiro fôra enganado. Disse-lhe então o Filho: — Aquele pelo qual tanto imploras, renegou-me — que devo agora fazer? A estas palavras a Imagem de repente se pôs em pé e, colocando o Filhinho sobre o altar, ajoelhou-se diante dele e disse: — Meu dulcíssimo Filho, peço-te que por meu amor perdoes aquele cavaleiro que se arrependeu verdadeiramente de seu pecado. Ouvindo esta súplica o Filho tomou a Mãe pela mão e, levantando-a, disse: — Mãe caríssima, não posso negar-te coisa alguma que me pedes: por amor de ti perdôo ao cavaleiro o seu pecado. Retomando o Filho nos braços e tornando a sentar-se, o cavaleiro, seguro de ter sido perdoado, levantou-se, arrependido e triste por causa do pecado cometido, mas alegre e consolado com o perdão alcançado.
Quando saiu da igreja, o outro cavaleiro, que, postado atrás da coluna, vira e ouvira tudo, aproximou-se dele, saudou-o e perguntou-lhe por que tinha os olhos molhados de lágrimas. Respondeu-lhe o cavaleiro que era por causa do vento. Sim — disse o primeiro — mas eu vi tudo que se fez e se disse. Por. isso, e por causa daquela que te impetrou a graça que recebeste, quero ajudar-te. Tenho uma filha única, que te darei por esposa, se te apraz; e todas as minhas grandes e ricas propriedades, que comprei de ti mesmo, te serão restituídas a título de dote: com isso entendo tomar-te por filho e fazer-te herdeiro de todos os meus bens, que são muitos.
Ouvindo isto, o jovem cavaleiro aceitou com alegria a proposta; e, quando viu tudo realizado, não cessou de dar graças à Virgem Santíssima, a quem reconhecia dever as graças tão abundantes que recebera.

11 de fevereiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 599

A ENTRADA DE S. PEDRO EM ROMA

Sob o reinado de Cláudio, no ano 42 de nossa era, um peregrino, coberto de pó e extenuado da longa caminhada, entrava em Roma pela porta Naval. Um filósofo romano, amigo de novidades, impressionado com o traje e os modos do estrangeiro, travou com ele o seguinte diálogo:
— Estrangeiro, de onde vens? Qual é o teu país?
— Venho do Oriente e pertenço a uma raça que vós detestais e expulsais de Roma. Meus compatriotas estão amontoados da outra banda do Tibre. Sou judeu nascido em Betsaida da Galiléia.
— Que é que te traz a Roma?
— Venho destruir o culto dos deuses que vós adorais, e fazer-vos conhecer o único Deus verdadeiro que não conheceis. Venho estabelecer uma religião nova, a única verdadeira, a única divina.
— Isto me parece coisa singular: estabelecer uma religião nova! A empresa é grande. Mas qual é esse Deus desconhecido, de que falas?
È o Deus que criou o céu e a terra. Um só Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus Pai enviou ao mundo seu único Filho, Jesus Cristo, que se fez homem sem deixar de ser Deus. Foi um pobre carpinteiro de aldeia, ao qual os inimigos suspenderam numa cruz em Jerusalém. É o Deus a quem todo o universo deve adorar.
— Por Júpiter! Tu deliras! Queres derrubar os altares de nossos deuses, que deram aos romanos o império do mundo, para fazeres adorar em lugar, deles a um Deus crucificado! Pode imaginar-se coisa mais absurda e mais ímpia?
— Não, não deliro. -Dentro em pouco vossos templos serão um montão de ruínas e, em Roma, não haverá mais que um só Deus: o Crucificado de Jerusalém.
— E que é que vens anunciar-nos da parte de um Deus tão estranho?
— A religião que prego parece ao homem uma loucura; obriga a inteligência a crer mistérios insondáveis; e o coração a domar paixões. Condena os vícios que têm templos nesta cidade e impõe a prática das mais difícéis virtudes: a humildade, a castidade, a caridade, a abnegação.
— E que prometes ao sequazes de tua religião?
— Aqui na terra terão que suportar, lutas, privações, sofrimentos; devem estar decididos a antes sacrificar tudo que apostatar da fé. E no céu terão a recompensa.
— Se os romanos renunciarem às delícias da vida para abraçarem essa religião tão austera; se trocarem os bens presentes pelos que lhes prometes sobre as nuvens, eu te considerarei um Deus.
— Por mim não sou nada, mas aquele que me envia é misericordioso. Venho em seu nome ensinar as nações.
— Deuses imortais! Jamais homem algum sonhou com semelhante projeto: estabelecer uma religião de tal natureza em Roma, no centro da civilização e das luzes! Queres fazer adorar a um galileu! crucificado! Que loucura! Quem és tu para sonhares com tais empresas?
— Vês ali na praia aqueles pescadores? Aquele é o meu oficio. Para ganhar o pão remendei redes e pesquei nos lagos de minha terra...
— Mas de que meios dispões para impor ao mundo tuas ideias. Tens, porventura, soldados mais numerosos e mais valentes que os de César?
— Nós somos apenas doze, espalhados por todos os povos e Ele nos envia como ovelhas para o meio dos lobos. Não tenho outra arma senão esta cruz de madeira.
— Possuis acaso imensos tesouros para reunir, discípulos?
— Não tenho nem ouro nem prata; não tenho mais que esta túnica que me cobre.
— Neste caso confias em tua eloquência... Dize-me: Quanto tempo estudaste com os retóricos de Atenas ou de Alexandria a arte de persuadir os homens?
— Ignoro essas coisas. Não frequentei outra escola que a do carpinteiro, meu mestre e senhor, e não sei nada fora da santa Religião que Ele me ensinou.
— Mas esperas que os imperadores, os magistrados, os governadores de províncias, os ricos e os sábios patrocinem a tua empresa?
— Não; toda a minha esperança está em Deus. Como poderia contar com os ricos, com os sábios, com os Césares? Ordeno aos ricos que desprezem as riquezas; aos sábios, que submetam sua razão ao jugo da fé; ao César, que abdique sua dignidade de grande Pontífice, e acate as ordens daquele que me envia.
— Sendo assim, é fácil prever que tudo estará contra ti. E que pretendes fazer então?
— Morrer numa cruz; meu divino Mestre mo predisse.
— Realmente, isso é o mais provável de tudo que me acabas de dizer. Morrerás numa cruz e, contigo, a tua loucura! Adeus!...
O romano vai repetindo pelo caminho: Pobre louco!
Pedro beija sua cruz de madeira e entra em Roma. Um dia, morre numa cruz como era fácil prever... Mas o mundo conhece a Cristo, o soberano do universo que coloca em Roma, na Roma eterna, a sede de seu império.

10 de fevereiro de 2019

Tesouro de Exemplos - Parte 596 a 598

CASOS ATRIBUÍDOS AO PIOVANO

1. Vendo o Piovano que lhe furtavam ovos do galinheiro, resolveu descobrir o ladrão custasse o que custasse e, para isso, pôs de emboscada o seu empregado. Vendo este quem roubava os ovos, correu ao Piovano e disse:
— É o vosso compadre N. que acaba de roubar e pôr no seio dez ovos.
O Piovano, aparecendo à porta, viu o compadre com a camisada de ovos e, disfarçando, convidou-o a entrar para um dedo de prosa; mas o outro se desculpou, dizendo que estava com pressa e depois voltaria.
— Ora, compadre, entre um pouco ao menos. — Fazendo- lhe carícias e abraçando-o fortemente, quebrava-lhe no seio todos os ovos. O compadre sentia que os malfadados ovos lhe escorriam pelas coxas e pernas, de sorte que, muito envergonhado, indenizou o Piovano daqueles prejuízos e nunca mais quis roubar ovos.
Certo sujeito aproximou-se do Piovano, dizendo:
— Quero contar-lhe um segredo muito importante, mas o sr, há de prometer-me de não dizê-lo a ninguém.
Respondeu o Piovano:
— Como quer que eu não o diga a ninguém, quando você mesmo não é capaz de o guardar?

2. Dois aldeões foram ter com o Piovano, por um negócio muito sério, e disseram-lhe:
— Enquanto estávamos a podar o vinhedo, um cuco cantou perto de nós, e cada um dizia: Ele cantou para mim... e discutimos e apostamos um asno contra vinte liras, e um de nós depositou o dinheiro e o outro, o asno; e viemos aqui para decidirdes a questão e estaremos pela vossa sentença.
O Piovano aceitou a incumbência, mas pediu que lhe dessem prazo para pensar. A noite veio um deles para puxar o Piovano para o seu lado e deu-lhe dois queijos. Apenas saiu o primeiro, apareceu o outro com vinte ovos, e recomendou vivamente a sua causa. A ambos dirigiu o Piovano algumas belas palavras.
Na manha seguinte, voltou aquele dos queijos, trazendo alguns frangos e recomendando-se. Quando este se retirou, chegou o dos ovos com algumas galinhas e muitos rogos; e assim fizeram diversas vezes, trazendo sempre presentes melhores e mais lindos. Quando o Piovano achou que tinha recebido bastante, mandou chamar os dois e disse-lhes:
— Achei a resposta! Tu ficarás com o teu asno, e tu com as tuas vinte liras, porque eu acho que o cuco não cantou para nenhum de vós, mas para mim. Prova disso é que cada um de vós me trouxe belíssimos presentes, cinco ou seis vezes, não havendo ninguém tão tolo como vós... Eu vos restituirei tudo que trouxestes; mas, considerando que, se tivésseis feito isso com algum outro juiz, não receberíeis nada e ainda teríeis de pagar, vinde, alegremo-nos e banqueteemo-nos com os ovos, galinhas e queijos...

3. Estando um dia a conversar com o Piovano alguns de seus amigos, um déles disse que seria fácil matar um grande capitão, do qual haviam descoberto muitas traições. O Piovano respondeu: Fácil seria se se encontrasse alguém que lhe pendurasse o chocalho. E perguntando-lhe o outro o que aquilo significava, contou-lhe esta novela: Fizeram os ratos certo dia um grande congresso, ao qual compareceram os principais chefes de todo o mundo. Estando todos reunidos, discursou o presidente da augusta assembleia desta maneira; Nós vos reunimos aqui para ouvir o vosso parecer sobre uma questão muito importante, isto é, como nós havemos de por em seguro contra os gatos, que, vós bem sabeis, perseguem-nos sem tréguas e fazem grande estrago entre nós. Muitos foram os pareceres e, entre os numerosos oradores, houve um que disse: A mim me parece que se deve pendurar um chocalho ao pescoço dos gatos, porque, assim, não se poderão mover sem se ouvirem os sons, e nós teremos tempo de fugir.
Afirmaram todos que esse era o melhor parecer e assim se devia fazer. Então o presidente, tomando a palavra, disse que muito lhe agradava semelhante descoberta, mas que era preciso encontrar quem pendurasse o chocalho... Olharam todos uns para os outros, e não houve entre os ratos ninguém que se oferecesse para pendurar o chocalho.
N. B. — Trata-se do Piovano Arloto (Arjoto Mainardi). Piováno (ou Pieváno) significa “vigário de freguesia rural”.

Programação de Missas na Capela Nossa Senhora das Vitórias e na Casa do IBP