17 de outubro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

O Pudor, Esplendor da Beleza Corporal


Parte 5/8

O pudor é salvaguarda da pureza e ao mesmo tempo é o brotar da própria pureza; porque a alma, quanto mais pura, mais delicado tem o instinto do pudor.
Deus escolheu São Estanislau Kostka para ideal de pureza dos jovens; e que pudor tão sensível colocou na sua alma! É ainda criança, vive num ambiente de candor e inocência; mas se ouve uma palavra menos recatada, as suas faces tingem-se de rubor, ergue os olhos ao céu e cai desmaiado.
Tende cuidado, diz seu pai o senador da Polônia, às numerosas visitas que acodem ao seu palácio; sede recatados no falar, porque meu filho Estanislau desmaia se ouve alguma palavra indecorosa.
Deus destinou Santa Teresa do Menino Jesus para espelho de pureza das jovens modernas. E que pudor virginal colocou na sua alma! Olhai para os retratos que dela temos: o candor do seu rosto, o recato dos seus modos, a modéstia dos seus vestidos. Reparai no retrato que as professoras fizeram dela colegial: "Menina encantadora pela sua sensatez, com reflexos de pureza angélica, que lhe davam uma expressão celestial."
Reparai no retrato que da noviça fez a sua mestra: "Havia nela algo que inspirava respeito e parecia dizer: não me toquem".
Reparai enfim, no retrato que Sua Santidade Pio XI faz da Santa: "Teresa foi uma donzela muito semelhante aos anjos, pelo candor de sua alma e mesmo pelo seu aspecto exterior".

15 de outubro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

O Pudor, Esplendor da Beleza Corporal.


Parte 4/8

E o que é o pudor?
O pudor sente-se, conhecem-se os seus efeitos; mas dificilmente se define. O pudor é um freio que Deus pôs na natureza humana para que contenha a vontade quando as paixões a queiram arrastar até um objeto pecaminoso.
Imaginai uma máquina de comboio perfeitamente adaptada para que a sua velocidade nunca exceda os cinquenta km por hora.
A pressão do vapor que cresce e a descida pela encosta de uma montanha aumentariam a sua velocidade a sessenta, oitenta, cem km à hora, com perigo de descarrilhamento. Mas imaginai que está máquina está provida de um freio automático que gradua continuamente a marcha e em virtude desse freio a velocidade não excede nunca os cinquenta km.
O pudor dos homens é uma coisa assim como o freio dessa máquina.
As paixões, como o vapor na máquina, empurram a vontade para o prazer; os incentivos exteriores, como a encosta da montanha, favorecem o impulso das paixões e a vontade ver-se-ia arrastada ao pecado se não tivesse um freio que funcionasse instintivamente no momento em que se apresenta ao alcance do homem o objeto pecaminoso; esse freio é o pudor.
O pudor que em presença do perigo faz com que o homem recolha os seus sentidos e cubra o seu corpo e modere os seus gestos e seja recatado nas palavras e cubra o rosto com o carmim do rubor.
Dar-vos-ei outra comparação para explicar a natureza do pudor.
Conheceis certamente essas plantas que se chamam sensitivas. Ao mais leve contato fecham as folhas e as pétalas, como se quisessem defender-se do que se chega para lhes tocar.
Assim é a alma pudica. Logo que aparece o perigo que pode manchar a sua pureza, recolhe os sentidos, compõe o seu exterior e põe-se em vela para se defender da tentação.
Pio XII descreve primorosamente a natureza do pudor:  "A  natureza pôs nos seres criados um instinto que os impele a defender a própria vida e a integridade dos seus membros; e a natureza e a graça, que longe de se destruírem se aperfeiçoam, puseram na alma como que um sentido que a põe em guarda contra os perigos e os assaltos que espreitam a pureza e que é especialmente característico da rapariga cristã". Como vedes, o pudor não é a própria pureza, mas a sua defesa.
O pudor defende a castidade como as folhas das árvores defendem os frutos, disse São Gregório Nazianzeno. E podíamos acrescentar que a defendem como a casca protege a medula da fruta.

12 de outubro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

O pudor, Esplendor da Beleza Corporal


Parte 3/8

Quantas vontades débeis sucumbem nessa luta cruel e contínua!
Que energias necessita a vontade para não se deixar arrastar pela corrente de sensualidade que está passando sobre a terra e a arrasta toda na sua passagem. Para que a vontade possa resistir é necessário robustecê-la.
Antes de levar um soldado para a frente de batalha, treinam-no, acostumam-no a uma vida dura, endurecem-no com exercícios difíceis, para que depois possa suportar as incomodidades da campanha e os ataques dos inimigos.
Isto é a vontade humana. Um soldado que tem de lutar, lutar sem tréguas, resistir a inimigos muito poderosos, para isso tem que se robustecer para a luta. Como se robustece a vontade?
Acostumando-a a impor sempre as suas ordens, a não se deixar levar pelos caprichos, a não se quebrar pela indolência; acostumando-se ao sacrifício nas coisas pequenas, para que saiba sacrificar-se nas grandes.
A condescendência da vontade com a preguiça, com a gula, com o comodismo debilitam a vontade para os combates mais árduos. E essa vontade não tem nenhum aliado que a ajude neste penoso batalhar? Sim, tem-no e muito poderoso, mais poderoso que os seus inimigos.
Tem o auxílio do céu, que virá prontamente quando o peça.
Tem o santo temor de Deus. Quando as verdades eternas estão bem arraigadas na alma, ao aparecimento da tentação, o temor de Deus desperta a sua recordação, e fortalecida com ele a vontade, contém-se no declive do pecado.
Esses são os aliados da vontade e quando a luta é para conservar a pureza, tem ainda outra ajuda que Deus pôs na própria natureza do homem.
Essa ajuda é o pudor.

10 de outubro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

O pudor, Esplendor da Beleza Corporal


Parte 2/8

O pudor é o guardião da pureza.
O templo de Jerusalém foi o lugar mais venerável da antiguidade.  Ali se ofereciam a Deus sacrifícios prescritos pela Lei; ali se comunicava Deus com os homens e lhes manifestava a sua glória.
O próprio Deus dirigiu a sua construção nos mínimos detalhes. As madeiras mais preciosas, os mais ricos metais foram empregados na sua construção. Destruído várias vezes, outras tantas reedificado.
O templo que os olhos de Jesus contemplaram era de uma magnificência suntuosa. A fachada era recoberta de espessas lâminas de ouro que batidas pelos raios de sol resplandeciam com cintilações de fogo. As paredes e torreões de pedra branca como o marfim, assemelhavam-se ao longe a uma montanha de neve. E para que as aves não se pousassem nele nem o manchassem, o telhado era eriçado de finíssimas agulhas de ouro. Nem sequer o roçar das aves devia manchar o ouro e a neve daquele templo venerando.
Templo do Espirito Santo chama São Paulo ao cristão. Templo purificado e consagrado a Deus no batismo.
O demônio habitava nesse templo e o sacerdote soprando suavemente no rosto da criança ordenou em nome de Jesus Cristo: " Sai dele, espírito imundo; deixa o posto ao Espírito Santo."
As águas santificadoras caíram sobre a fronte da criança; a sua alma ficou mais branca e mais limpa que a neve; o Espírito Santo penetrou nela e revestiu-a com o ouro da caridade. A caridade de Deus difundiu-se nos vossos corações.
O sacerdote consagra aquele templo ao Espírito Santo, ao serviço de Deus, fazendo o sinal da cruz na fronte e no coração da criança: "que os teus costumes sejam dignos e tais, que possas ser um templo de Deus".
E para que o ouro e a neve desse templo não se manchem, para que a pureza e a caridade da alma não percam o brilho, Deus pôs nesse templo uma defesa; sabeis qual é? - O pudor.
O pudor é a defesa que Deus deu ao homem para que conserve imaculada a pureza do seu corpo e da sua alma. O pudor é como as agulhas de ouro do templo de Jerusalém.
Disse São Cipriano às virgens cristãs: "Tende cuidado que nada de impuro e de profano entre nesse templo de Deus para não ficar ofendido e não abandonar essa morada o que a habita". Nada de impuro, mais ainda, nada de profano, deve manchar o templo de Deus; e o guardião zeloso desse templo há de ser o pudor.
Conquistar a vontade, essa é a aspiração suprema dos inimigos da alma. Todos os seus assaltos vão encaminhados para isto: a conquista da vontade. E porquê? Porque a vontade é a autora do pecado. Quando a vontade aceita livremente o que Deus proibiu, o pecado está consumado. Enquanto a vontade permanecer firme, os inimigos estão em derrota. Pobre vontade humana! Tão débil como é e com tantos inimigos que a arrastam ao pecado!
O mais traidor de todos eles é o seu companheiro inseparável: as paixões. As paixões que se lançam cegamente nos prazeres que lhes apresentam os sentidos e querem arrastar consigo a vontade. Essas paixões têm um aliado muito poderoso: o mundo.
Que seduções atraentes oferece às paixões a sociedade moderna! Nas ruas, nos salões de diversões. Esses objetos pecaminosos são como ímãs que atraem fortemente as paixões humanas. E a pobre vontade, se não quer ofender a Deus, se quer conservar sem mancha a pureza da alma e a pureza do corpo, tem que lutar e resistir energicamente a esse duplo inimigo associado.

8 de outubro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

O Pudor, Esplendor da Beleza Corporal


Parte 1/8

Diz a Sagrada Escritura: "graça sobre graça, a mulher santa e pudica".
A beleza própria da mulher realça-se com a santidade e com o pudor.
Acabamos de ver que a Virgem Santíssima foi belíssima de corpo, porque foi mulher perfeita, porque foi santíssima, porque tinha algo de divino; mas essa beleza do corpo da Santíssima Virgem era realçada pelo brilho do pudor.
Tão pouco lhe devia faltar esse encanto exterior.
 O pudor podemos dizer que é defesa da pureza e que é rebento espontâneo, floração exterior dela; por isso não pode faltar na Santíssima Virgem.