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26 de julho de 2015

29 de junho de 2015

Sermão para o 4º Domingo depois de Pentecostes – Pe Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] O Sagrado Coração e a santificação da família


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Caros católicos, nesses poucos anos de apostolado, já entronizamos o Sagrado Coração de Jesus em vários lares e em outros tantos o faremos em breve. Consideremos, hoje, ainda mês de junho, o real sentido dessa entronização. Em cada lar, em cada família, procuro explicar o sentido desse belo ato que é a entronização do Sagrado Coração de Jesus. Convém, todavia, que o façamos também publicamente.
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem seu início desde os primórdios do cristianismo. Nosso Senhor Ele mesmo nos aponta para o seu Sagrado Coração no Evangelho, dizendo : “Tomai meu jugo sobre vós e aprendei comigo, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.”  Também na Última Ceia, quando São João se reclina sobre o Coração de Jesus, temos uma base para a devoção ao Sagrado Coração. Ainda na Sagrada Escritura, podemos ver a abundância da bondade do Coração de Jesus, quando, desse Coração transpassado pela lança, jorra sangue e água para a salvação do mundo. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus vai se desenvolvendo ao longo dos séculos, favorecida pelos santos. Podemos citar de modo particular São Bernardo e São Francisco de Sales. E é justamente para uma religiosa da ordem fundada por São Francisco de Sales que Nosso Senhor aparecerá para difundir a devoção ao seu Adorável Coração. Ele aparecerá, no século XVII, para Santa Margarida Maria Alacoque, freira da Ordem da Visitação. A devoção ao Sagrado Coração foi, então, claramente, estabelecida e desejada pelo Divino Salvador Ele mesmo. E Ele próprio explicou a finalidade dessa devoção ao dizer as seguintes palavras para Santa Margarida Maria: “Eis aqui esse Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada, ao ponto de se esgotar e de se consumir para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, eu recebo, da maior parte, ingratidões.” Amor e reparação é o que pede o Sagrado Coração de Jesus. Amor, para pagar, na mesma moeda, aquele que tanto nos amou. Reparação, para desagravá-lo e consolá-lo dos ultrajes feitos ao seu amor infinito. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus deve ser, então, uma devoção de amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e de reparação ao amor de Cristo ultrajado pelos nossos pecados. Não deve ser uma devoção sentimental (como sugerem muitas imagens do Sagrado Coração), mas uma devoção que nos leve efetivamente à santidade, que nos faça amar a Cristo, com todo a nossa alma, todo o nosso ser, nos levando a cumprir a sua vontade em todas as coisas, nos levando a cumprir seus mandamentos. Deve ser também uma devoção pela qual reparamos os nossos próprios pecados e os dos outros.
E para levar os homens a corresponder aos desejos de seu Sagrado Coração, Nosso Senhor fez 12 promessas generosas. A mais importante delas, chamada de “grande promessa”, é a seguinte : “Darei, diz o Sagrado Coração de Jesus, a todos aqueles que comungarem em nove primeiras sextas-feiras do mês seguidas, a graça da penitência final; eles não morrerão na minha desgraça, nem sem receber os sacramentos e o meu divino Coração será o seu asilo seguro no último momento.” É a devoção das nove primeiras sextas-feiras. Uma promessa tremenda, para uma devoção tão simples. Apenas posso incentivá-los, caros católicos, veementemente a praticar essa devoção da comunhão nas nove primeiras sextas-feiras em homenagem e em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus. Claro, é preciso receber as comunhões em estado de graça, querer desagravar o Sagrado Coração, praticar a devoção com reta intenção, querendo levar uma boa vida católica. Mais uma vez, apenas posso incentivá-los veementemente, caros católicos, a praticar tão boa e tão frutuosa devoção.
Entre as doze promessas, duas delas dizem respeito diretamente à família. Aos devotos do seu Sagrado Coração, Nosso Senhor diz : « colocarei a paz em suas famílias ». Ele diz também : « Abençoarei as casas em que a imagem do meu Coração for exposta e honrada. » Se essas promessas relativas à família são importantes em todo tempo, elas são ainda mais importantes nesses tempos atuais, em que o demônio e o mundo atacam tão brutalmente a família.
Foi introduzida, a partir dessas duas promessas, a prática da entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares, para atrair sobre as famílias as bênçãos divinas e a paz de Jesus Cristo. Todavia, não basta expor a imagem do Sagrado Coração. Não basta o simples gesto da entronização, da consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus. É preciso procurar vivê-la.
Ao entronizar o sagrado Coração no lar, a família afirma reconhecer NSJC como o soberano do lar, como o Rei da família. A família se engaja a obedecer às leis de Cristo, seus mandamentos. Ao entronizar o Sagrado Coração de Jesus, a família faz a entrega total de si a Nosso Senhor. Ela se consagra verdadeiramente a Ele. E aos que se consagram com reta intenção ao seu Sagrado Coração, Jesus fez a seguinte promessa: “ninguém que se consagra ao meu Divino Coração morrerá sem a graça.” Assim, a família deve procurar realmente viver a consagração ao Sagrado Coração de Jesus. Em primeiro lugar, cada um da família deve procurar ter uma devoção sólida ao Sagrado Coração de Jesus. Em seguida, a família deve ter uma devoção familiar ao Sagrado Coração de Jesus. Os membros da família devem fazer algumas das orações em família diante da imagem entronizada do Sagrado Coração. Procurem, por exemplo, rezar todas as sextas-feiras a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus em família. Na primeira sexta-feira de cada mês, procurem renovar a entronização, guiados pelo pai de família, que é o principal responsável pela vida de oração familiar. Procurem praticar a devoção das nove primeiras sextas-feiras de que falamos. Sem essa devoção familiar, não haverá frutos da entronização ou muito pouco fruto.
Para que tenha fruto a entronização do Sagrado Coração, é preciso também que cada membro da família procure viver como bom católico, cumprindo bem seus deveres de estado, sobretudo, os deveres de estado relativos à família. Marido e esposa, principalmente, devem evitar, de modo particular, o uso do matrimônio contra a lei natural e de Deus, quer dizer, devem evitar a contracepção, que é pecado mortal e que tanto destrói as famílias. Se algum membro da família estiver, por infelicidade, afastado de Deus, recorram os outros membros ao Sagrado Coração com confiança.
É preciso viver a consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus com uma devoção familiar a Ele, e procurando seguir as suas leis em todas as coisas. É preciso também afastar do lar as diversões perigosas, as intemperanças, tudo o que é hostil à religião católica e aos seus ensinamentos, e tudo o que representa perigo para a pureza. É preciso afastar da vida familiar a pretensão de conciliar a verdade com o erro, a licença nos costumes com a moral católica. É preciso afastar a tibieza. Não se pode estar no limite entre a virtude e o vício, entre o céu e o inferno. É preciso banir o espírito mundano da família, como diz o ato de entronização. A família que se consagrou ao Sagrado Coração deve entregar-se a Ele inteiramente, sem guardar nada para si.
Assim, essa família poderá suportar com méritos e alegria as fadigas dos deveres quotidianos, os sacrifícios próprios da vida familiar, todas as provações que a Providência enviar. A família encontrará repouso e consolo no Sagrado Coração. A família poderá enfrentar devidamente as cruzes e tirar delas frutos para a glória no céu.
Temos insistido um pouco, caros católicos, na santificação da família, de maneira oportuna e inoportuna. Como já dissemos, citando Monsenhor Tihamer Toth, é pelas famílias que virá a renovação da sociedade. Eis o que diz Pio XII a respeito:
“Não há dúvida de que, se queremos encontrar uma solução durável para a crise atual,[1]será preciso reconstruir a sociedade sobre fundamentos menos frágeis, quer dizer, será preciso reconstruir a sociedade sobre fundamentos mais conformes à fonte primeira de toda civilização, que é a moral de Cristo.[2] É igualmente certo que para fazer isso será preciso, antes de tudo, recristianizar as famílias. Aqueles que querem expulsar Deus da sociedade e jogá-la na desordem se esforçam de tirar da família o respeito devido às leis de Deus, exaltando o divórcio e a união livre, colocando diversos entraves à tarefa providencial dos pais para com os filhos, inspirando aos esposos o medo das fadigas materiais e o medo das responsabilidades morais que advém de uma família numerosa. É contra tais perigos que nós recomendamos que consagrem a família de vocês ao Sagrado Coração de Jesus.” Era muito frequente Pio XII recomendar a consagração ao Sagrado Coração de Jesus aos jovens esposos que iam em peregrinação a Roma depois das bodas.
Procurem, prezadas famílias, fazer a entronização do Sagrado Coração de Jesus e viver bem essa consagração a Ele. Procurem a santidade da família. A restauração de todas as coisas em Cristo virá pela santificação das famílias de um lado e pela santificação do clero do outro lado. E pela cooperação estreita das famílias com os sacerdotes.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
 [1] Nota do Padre: A crise de que fala Pio XII, é a dos anos 40. Muito mais grave é a crise atual da sociedade e da família.
[2] Nota do Padre: Interessante notar que não pode haver verdadeira civilização que vá contra os princípios de Cristo.

A Esmola - Padre André Beltrami.

CAPITULO XII

A PREDESTINAÇÃO DO RICO
DEPENDE DA ESMOLA

Salva-se o rico se pratica o preceito da esmola; aliás, perder-se-á irreparavelmente.A obrigação da caridade é grave e se encerra no sétimo mandamento: «Não furtar». Já que o supérfluo pertence ao pobre, comete um furto quem lho não dá. Não é ladrão o que não quer pagar uma dívida e retém o que pertence ao alheio ? « Praecipio tibi, ut aperias  manus fratri tuo egéno ac páuperi qui versátur tecum in terra. Eu, disse o Senhor no Deuteronômio, com a plenitude de minha divina autoridade, ordeno a ti, minha criatura, a quem enriqueci por mera liberalidade, que, do muito que te dei, disponhas de uma parte para o sustento dos pobres. Que diríeis se o sol retivesse toda a luz e não a comunicasse ao mundo, ou o mar detivesse todas as águas em seu seio, e não as levantasse ao céu meio de vapores, porque descessem em chuva  benéfica para fecundar a terra? Com certeza vós lhes diríeis:
- Senhor sol, e senhor mar, tamanha quantidade de luz e de água não é exclusivamente para vós. Estas coisas o Criador vô-las deu afim de que repartais com o mundo, para iluminá-lo, para fecundá-lo. 
As Escrituras falam claro: - Senhores ricos, quod superest, date eleemosynam. Deus tem supremo domínio sobre as riquezas todas e a sua Providência vela sobre todas as criaturas; a alguns dá mais, porém, com a obrigação expressa de auxiliar os necessitados. E por isso, no Eclesiástico, o Espírito Santo adverte o rico a não negar esmola ao pobre, porque lhe é devida. O rico, por sua vez, reflita seriamente nisso, e se lembre de que no tribunal de Deus ser-lhe-á pedida conta severa do uso ou do abuso de seus bens. O rico epulão sepultado no inferno unicamente porque pensava em gozar das riqueza:negando esmola ao pobre Lázaro, para com o qual foram mais compassivo os seus cães, que lhe lambiam as chagas. Não satisfazem, por certo, os seus deveres os que dão apenas uma moeda ou uma fatia de pão. O preceito inclui todo o supérfluo. Mas, porque há tanta dificuldade em socorrer os pobres, enquanto que se esbanja dinheiro em festas, em passatempos, em vestidos de luxo para seguir a moda ? Melhor seria evitar despesas inúteis e enxugar tantas lágrimas, saciar a fome a tantos infelizes. O rico que pratica durante a vida o preceito de esmola tem um penhor seguro de predestinação. S. Jerônimo deixou escritas palavras verdadeiramente consoladoras: «Non mémini me legisse mala morte defunctum qui libérius ópera caritátis  exercuerit. Não me recordo de haver lido que urna pessoa caridosa tenha rnorrido mal ».

Na vida do glorioso Patriarca de Assiz, escrita por S. Boaventura, conta-se que o santo estendeu uma vez a mão a um militar, implorando a caridade por amor de Deus. O militar fê-la de boamente, e S. Francisco se ajoelhou logo para rezar por ele, como soia fazer com os demais benfeitores. Deus lhe revelou que aquele militar, embora sadio e robusto, em breve teria morte improvisa. O santo correu-lhe ao encalço e:
- Vós, lhe disse com grande afeto, fizestes uma caridade temporal e, em troca, quero fazer-vos uma espiritual; e vos aviso da parte de Deus que vos restam poucos dias de vida. Confessai-vos e preparai-vos para o grande passo.
O militar se preparou com muitos exercícios de piedade e pouco depois da confissão morreu, dando certeza de salvação. Imaginemos agora, que aquele militar, invés de fazer caridade, tivesse dito um desdenhoso «ide trabalhar», ou então «não tenho >>  Francisco não teria rezado por ele, não teria recebido o aviso de sua morte próxima; e um homem do mundo, morrendo improvisadamente,em confissão, salva-se? 

Mais instrutivo ainda é o  fato seguinte narrado por Santa Teresa no capitulo quinze do livro das Fundações. Um senhor de  Valladolid deu á santa a sua casa com amplo jardim, para que fizesse um mosteiro das religiosas de sua Ordem. Dois meses após aquela generosa oferta, o benfeitor morreu improvisadamente, sem poder receber os Sacramentos. Diante de tal desventura, Santa Teresa doeu-se profundamente, tanto mais que na cidade murmurava-se que a vida desse senhor não tinha sido irrepreensível. Pôs-se então a rezar fervorosamente pela alma de seu benfeitor; e teve revelação de Deus que ele se salvara, e sua alma ficaria no purgatório até que fosse celebrada a primeira Missa em sua casa. Como prêmio de sua caridade para com a santa, Deus lhe concedera a contrição perfeita no momento em que a apoplexia o golpeou. Se não desse de presente a sua casa, talvez não se salvasse; pela caridade, mereceu a contrição e com esta uma santa morte. Ele terá dito certamente:
-O' feliz esmola, pela qual mereci uma glória eterna e do céu terá contemplado com satisfação a sua casa transformada em convento, causa de sua felicidade eterna.

Concluamos, pois, com o dilema: «Ou esmola ou condenação ». Para o rico não há meio termo.  Ele se salva, se for fiel á prática do preceito da caridade; e terá o mesmo fim  do epulão se como este,fechar a  porta ao pobre. O rico é obrigado a socorrer o pobre; mas o pobre não tem direito de se apropriar dos bens do rico, quando este lhe nega esmola. Ambos comparecerão ao tribunal de Deus; então, o pobre acusará o rico de furto e de crueldade e pedirá vingança. Tenho para mim que os ricos, entre a esmola e a condenação, escolherão a esmola e serão pródigos para com os necessitados, os quais se tornarão seus advogados no dia terrível do juízo.

(l) Causam temor salutar aquelas palavras do salmista: Dormiérunt somnum suum et nihil invenérum
 omnes viri divitiárum suárum in mánibus suis. (Sal75).

28 de junho de 2015

Missa Tridentina


Catecismo Ilustrado - Parte 30

Os Mandamentos

Os Mandamentos de Deus em geral

1. Para nos salvarmos, não basta crer tudo o que Deus revelou e que a Santa Igreja ensina; é preciso também praticar os mandamentos de Deus e os mandamentos da Igreja.
2. Os mandamentos de Deus são dez, e por isso a lei de Deus chama-se Decálogo, isto é, as dez palavras ou mandamentos.
3. Foi o próprio Deus que deu os mandamentos aos homens por meio de Moisés, no monte Sinai, cinquenta dias depois dos israelitas terem saído do Egito; é o que se chama a lei antiga. Depois, Jesus Cristo confirmou-os na nova lei.
4. Os dez mandamentos da lei de Deus são:
I. Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas.
II. Não invocar o seu santo nome em vão.
III. Guardar domingos e festas.
IV. Honrar pai e mãe.
V. Não matar
VI. Guardar castidade
VII. Não furtar.
VIII. Não levantar falso testemunho.
IX. Não desejar a mulher do próximo.
X. Não cobiçar as coisas alheias.
5. Os mandamentos foram dados por Deus a Moisés em duas tábuas de pedra. Os mandamentos escritos na primeira tábua são três, que se referem à honra de Deus. Os da segunda são sete que se referem ao bem do próximo. Com efeito, os três primeiros ordenam: 1º adorar a Deus; 2º respeitar o Seu nome; 3º guardar os dias que Lhe estão consagrados. Os sete últimos referem-se ao próximo. O quarto manda-nos honrar pai e mãe, e os outros proíbem-nos prejudicar o próximo, na sua pessoa, seus bens, na sua honra.
6. Os dez mandamentos resumem-se em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
7. Todos os homens que chegam ao uso da razão estão obrigados a observar a lei de Deus.
8. O prêmio que prometeu Deus aos que fielmente observarem estes mandamentos é a vida eterna.
9. Lemos em São Lucas a seguinte parábola: “E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”  E ele lhe disse: “Que está escrito na lei? Como lês?”  E, respondendo ele, disse: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.”  E disse-lhe: “Respondeste bem; faze isso e viverás.” Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” E, respondendo Jesus, disse: “Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” E ele disse: “O que usou de misericórdia para com ele.” Disse, pois, Jesus: “Vai e faze da mesma maneira”. (Lc X,25)

Explicação da gravura

10. A gravura representa Deus entregando a Moisés as tábuas da lei no meio dos relâmpagos e trovões.

A Virgem Santíssima e a Eucaristia

Maria é fonte de bênçãos e graças, como assegura São Bernardo e muitos outros santos; todas as graças vêm através de Maria.

A honra que prestamos à Eucaristia não deve diminuir a devoção para com a Santíssima Virgem Maria. Seria uma insensatez pensar que basta o Santíssimo Sacramento e esquecer Nossa Senhora. Sempre encontramos Jesus nos braços de sua Mãe. Não foi ela que nos deu Jesus? Foi através do seu consentimento que o Verbo se encarnou e iniciou o grande mistério de reparação; graças a esta anuência podemos nos unir a Jesus sacramentado.

Sem Maria não podemos encontrar Jesus, o coração de Cristo pertence a ela, aí Cristo encontra suas delícias; todos que desejam conhecer as virtudes íntimas de Jesus, seu amor recôndito e privilegiado, devem procurar no Coração de Maria; quem realmente ama esta boa Mãe encontra Jesus em seu coração puríssimo.

Jamais devemos separar Jesus e Maria; sem ela não chegamos até Jesus. Ouso afirmar que quanto mais amamos a Eucaristia, mais cresce o nosso amor para com a Santíssima Virgem. Existe alguma criatura mais amada por Deus ou uma mãe que tenha sido mais ternamente querida por seu filho que a Santíssima Virgem Maria?

Seria uma grande falta de delicadeza com Nosso Senhor, não honrar sua Mãe; na Encarnação Jesus recebeu a natureza humana de Maria; foi por essa carne recebida de Maria que glorificou o Pai, que nos salvou e que continua a alimentar o mundo através do Santíssimo Sacramento.

Nosso Senhor deseja que a honremos; sem dúvida o Filho honrou sua Mãe no aconchego do lar de Nazaré, porém a vida pública obrigou que Maria ficasse oculta, o Filho de Deus precisava cumprir sua missão.

Hoje, podemos retribuir todo o sacrifício da Virgem Santíssima, honrando-a como Mãe de Deus e nossa Mãe. Devemos um culto particular a Maria. Pertencer ao Filho é pertencer a Maria, adorar o Filho é honrar a Mãe. Para ser verdadeiros cristãos devemos prestar um culto de especial veneração à Santíssima Virgem invocando-a como Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Quando honramos Jesus Cristo na Cruz, oramos a Nossa Senhora das Dores; quando meditamos a vida retirada de Nazaré, tomamos como modelo Maria; a Santíssima Virgem acompanha a vida inteira de Jesus.

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(Eymard, são Pedro Julião. Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento: Um mês com Maria. São Paulo: Factash Editora, 2008, p. 16 - 18)

27 de junho de 2015

História Eclesiástica - Sexta Época Capítulo 1

SEXTA ÉPOCA

Desde a morte de Pio VI no ano 1799, até Concílio Vaticano, no ano 1870. (Encerra um período de 282 anos.)

CAPÍTULO I

Pio VII - Desavenças com Napoleão - Prisão de Pio VII.

Pio VII - Quando se deu a morte de Pio VI, os republicanos franceses tinham-se assenhoreado de Roma e de toda a Itália. O chefe da Igreja morrera no desterro, os membros do sacro Colégio achavam-se encarcerados ou dispersos; como se poderia eleger um pontífice? Não temamos; Deus que governa sua Igreja, saberá inutilizar os esforços dos homens. Efetivamente dali a pouco um exército austríaco ataca os franceses, expulsa-os de Roma e da Itália e os encerra em um estreito desfiladeiro entre a Ligúria e o Piemonte. Postos então em liberdade os cardeais, se reúnem em Veneza e elegem para ocupar o trono de São Pedro ao cardeal Chiaramonti de Cesena, que tomou o nome de Pio VII. Dirige-se este a Roma e toma de novo, com a maior solenidade, posse do poder temporal que lhe dera Deus para conservar a independência de seu ministério, entre as homenagens e as felicitações dos soberanos. Logo que os Austríacos cumpriram sua missão, travou-se a batalha de Marengo, e apesar de seu número e valor, são derrotados e desaparecem da cena. Prova evidente de que Deus lhes deu no primeiro encontro a vitória somente para o bem da Igreja, isto é, para que se pudesse eleger o novo Papa e tomasse novamente posse de Roma. Ano 1800.

Desavenças entre Pio VII e Napoleão - Cansada já a França de seus tiranos nomeou cônsul a Napoleão Bonaparte, que manifestava vontade e valor suficientes para restabelecer a ordem naquele reino mergulhado em tanta confusão. Cessa então a guilhotina, mitiga-se muito a perseguição, extingue-se o cisma constitucional e a França entra de novo na unidade católica. Bonaparte, porém, estimava talvez a religião somente enquanto servia a suas ambições. Firmou efetivamente uma concordata com o romano pontífice, que foi violada no ato mesmo de sua publicação, pois a acompanhou de certos artigos, chamados orgânicos, que contrastam com a própria concordata. Tendo-se feito proclamar imperador, pediu ao Papa que fosse a Paris para sagrá-lo. Pio VII titubeou longo tempo, e não se resolveu a ir senão abrigando a esperança de reprimir graves desordens e impedir muitos males que ameaçavam a Igreja. Por esse motivo saiu de Roma no ano 1804 e depois de ter atravessado a França, entre grandíssimas honras e aplausos, entrou em Paris e pôs a coroa imperial sobre a cabeça de Napoleão. Este correspondeu à condescendência do Papa com monstruosa ingratidão. Para conseguir que o Papa o coroasse, protestou que queria ser filho obedientíssimo da Santa Sé; porém assim que foi coroado escreveu cartas injuriosas ao Papa, e poucos anos mais tarde fez marchar suas tropas sobre Roma. Depois da paz dada à Igreja por Constantino o Grande, Constante II protetor dos hereges monotelitas, foi o primeiro dos imperadores que, usando da violência, tirou de Roma ao sumo Pontífice, Napoleão quis ser o segundo. Pretendia este que o Papa lhe outorgasse coisas contrárias aos direitos da Igreja e ao bem da religião. Tendo-se recusado a isto o Papa, o imperador assalta Roma, apodera-se dela, rouba as obras principais de maior preço, entra à viva força no palácio Papal, desterra ou faz encarcerar a seus ministros, bispos ou cardeais, e encarrega ao general Radet da empresa sacrílega de se apoderar do Papa. Durante a noite um corpo de soldados escala, quais ladrões noturnos, o palácio pontifício, derrubam a machadas as portas, quebram as janelas e penetram no aposento do sucessor de São Pedro. Radet rodeado dos seus, ordena ao pontífice que saia imediatamente de Roma. Pio VII levanta os olhos para o céu e cheio de confiança n'Aquele que assiste a Igreja, entrega-se assim como estava nas mãos de seus inimigos, que o prendem com chave em um coche entre guardas, como se costuma fazer com os malfeitores. Ano 1809.

Prisão de Pio VII - O mortal Pio VII, durante seus cinco anos de cativeiro, mostrou-se sempre intrépido confessor da fé. Durante a viagem aconteceram vários acidentes. Perto de Florença, por inexperiência dos cocheiros, virou com ímpeto o coche ao passar sobre uma elevação de terra e o Santo Padre caiu debaixo das rodas e teria sido esmagado, se Deus não o protegesse. Ficou três anos prisioneiro em Savona, e depois (1812) ordenaram-lhe que partisse para Fontainebleau, em França. Trataram-no durante o caminho com os modos mais bárbaros, obrigando-o a viajar dia e noite sem lhe permitir sair do veículo. Isto foi causa de arruinar sua saúde e estar a ponto de morrer. Ao aproximar-se de Turim, parecia que tinha chegado o fim de sua viagem, e no Monte Cenis lhe administraram a extrema unção, não obstante isto, não pode gozar de um momento de descanso. Chegado a Fontainebleau, separado dos seus conselheiros, rodeado por pessoas que tinham sacrificado sua fé e seu pudor ao despotismo de Napoleão, oprimido por ameaças, e segundo contam, até pelos golpes do ambicioso Imperador, assinou um escrito pelo qual deixava a nomeação dos bispos, isto é, dos pastores das almas, em mãos do poder civil. Mas arrependido logo do feito, revogou valorosamente o que firmara, e triunfou a fé.

Sua volta a Roma - Não podendo Napoleão seduzir o Papa a fim de secundar seus malvados propósitos, e como começassem de outra parte a sair-lhe mal suas empresas militares, achou conveniente restituir à liberdade àquele que de maneira alguma tinha podido vencer. O intrépido pontífice Pio VII, depois de cinco anos de prisão, de trabalhos, de ultrajes e de insultos, saiu finalmente de Fontainebleau para voltar à sua sé de a 23 de janeiro de 1814. Ao passar uma ponte sobre o Rodano entre Beaucoure e Tarascon, ensurdecido pelos gritos de alegria com que o povo saudava ao Santo Padre em sua passagem, o coronel Lagone perguntou: "Que faríeis se passasse por aqui o imperador? - Dar-lhe-íamos de beber", responderam a uma voz, mostrando o rio que corria a seus pés. Depois de quatro meses de viagem, entrou Pio VII solenemente na cidade eterna, com indizível alegria de Roma e de todos os bons.

O Santo Rosário

OS PAPAS E O ROSÁRIO

SÃO PIO X

"O Rosário é a mais bela e a mais preciosa de todas as orações à Medianeira de todas as graças: é a prece que mais toca o coração da Mãe de Deus. Rezai-o todos os dias".

LEÃO XIII(Encíclica Supremi Apostolus, 1883)

"Ninguém ignora quantos dissabores e amarguras causaram à Santa Igreja de Deus, a finais do século XII, os hereges albigenses que, nascidos da seita dos últimos maniqueus, encheram de seus perniciosos erros o Sul da França e outros países do mundo latino, e levando adiante o terror de suas armas, ameaçaram estender por toda a parte o seu domínio com o extermínio e a morte. Contra tão terríveis inimigos, Deus misericordioso suscitou o egrégio e santíssimo Pai e Fundador da Ordem dominicana. Este, pela integridade da sua doutrina, pelo exemplo das suas virtudes e seus trabalhos apostólicos, empreendeu com ânimo varonil a luta pela Igreja Católica, não com a violência nem com as armas, mas fiado na excelsa súplica que com o nome de santo Rosário de Maria foi o primeiro a instituir e, quer por si quer pelos seus filhos, espalhou ao longe e ao largo. Compreendeu, por divina inspiração e assistência, que em virtude dessa oração, como por meio de poderosíssima máquina bélica, venceria as hostes inimigas e confundiria a sua impiedade e audácia. Assim aconteceu, como o provam os fatos. Graças a este modo de orar recebido e posto em prática por instituição do Pai São Domingos, começou a restabelecer-se a piedade, a fé e a concórdia e foram destruídos os propósitos dos hereges, muitos extraviados regressaram ao bom caminho e o furor dos ímpios foi dominado pelas armas católicas empregadas para os reduzir".

PIO XII(Encíclica Ingruentium malorum, 1951)

"Será vão o esforço de remediar a situação decadente da sociedade civil, se a família, princípio e base de toda a sociedade humana, não se ajustar diligentemente à lei do Evangelho. E Nós afirmamos que, para desempenho cabal deste árduo dever, é sobretudo conveniente o costume do Rosário em família. De novo, pois, e categoricamente, não hesitamos em afirmar de público que depositamos grande esperança no Rosário de Nossa Senhora como remédio dos males do nosso tempo".

JOÃO XXIII
(Carta Apostólica Il religioso convegno, 1961)

"Como exercício de devoção cristã, entre os fiéis de rito latino, ... o Rosário ocupa o primeiro lugar depois da Santa Missa e do Breviário, para os eclesiásticos, e da participação nos Sacramentos, para os leigos".

Terço e Ladainha pelas Almas do Purgatório

"TERÇO PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO
(Cópia de um livro franciscano)

Na cruz do Terço, reza-se o De Profundis:

Do profundo abismo em que me acho, clamo a Vós, Senhor, ouvi a minha voz!
Sejam Vossos ouvidos atentos à voz de minhas súplicas.
Se olhardes, Senhor,para as nossas iniquidades, quem poderá, Senhor, subsistir em Vossa presença?
Porém, Vós sois cheio de misericórdia e eu espero em Vós, Senhor; por casa da Vossa Lei.
Pus minha confiança no Senhor, e em Sua palavra.
Espere assim todo Israel no Senhor, desde da aurora até a noite.
Porque o Senhor é cheio de misericórdia e nEle se encontra copiosa Redenção.
E Ele mesmo há de remir a Israel de todas as iniquidades.

V. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
R. E a luz perpétua os alumie. Amém.
V. Senhor, ouvi a minha oração.
R. E chegue até Vós o meu clamor!

Pai-Nosso.

Em cada conta grande, reza-se a oração particular de cada dezena e o Oferecimento do precioso Sangue. Em cada conta pequena, reza-se: “Meu Jesus, misericórdia!” ou “Jesus, dai-lhes o descanso eterno!”.

Oferecimento: Pai Eterno, eu Vos ofereço o Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo em expiação dos meus pecados, pela necessidade da Santa Igreja e pelas almas do Purgatório.

Oferecimento de cada dezena com uma intenção particular:
Primeira dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta primeira dezena pelas almas de meus parentes, pelo Sangue preso que derramaste por elas na Vossa agonia no Jardim das Oliveiras.
Segunda dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta segunda dezena pelas almas dos meus benfeitores: pelo Sangue precioso que derramaste por elas na Vossa flagelação.
Terceira dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta terceira dezena pelas almas do Purgatório, especialmente pelas mais aflitas ou abandonadas; pelo Sangue precioso que Vós derramaste por elas, levando a cruz até o Calvário.
Quarta dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta quarta dezena pelas almas de meus amigos, e por todos os que me foram recomendados; pelo Sangue precioso que Vós derramastes por elas na cruz, e pelas dores que Maria, Vossa Santíssima Mãe, sofreu junto de Vossa cruz.
Quinta dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta quinta dezena pela alma de meu pai (mãe, qualquer outro ente querido): eu Vos ofereço por esta alma (ou almas queridas) o Sangue precioso e a água sagrada que correram por ela (elas) do Vosso Coração transpassado pela dura lança; pela chaga deste divino Coração, ó meu Jesus, abri-lhe (abri-lhes) a porta do Céu e concedei-me a graça de um dia reunir-me a ela (a elas) para sempre. Amém.

Ao fim do Terço: Pai-Nosso.

LADAINHA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai pelas almas do Purgatório.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
São Miguel,
Santos Anjos e Arcanjos,
Coro dos Espíritos bem-aventurados,
São João Batista,
São José,
Santos Patriarcas e Santos Profetas,
São Pedro,
São Paulo,
São João,
Santos Apóstolos e Santos Evangelistas,
Santo Estêvão,
São Lourenço,
Santos Mártires,
São Gregório,
Santo Ambrósio,
Santo Agostinho,
São Jerônimo,
Santos Pontífices e Santos Confessores,
Santos Doutores,
Santos Sacerdotes e Santos Levitas,
Santos Frades e Santos Eremitas,
Santas Virgens e Santas Viúvas,
Vós todos, Santos amigos de Deus,

Sede-nos propício, perdoai-lhes, Senhor.
Sede-nos propício, ouvi-nos, Senhor.

De seus sofrimentos, livrai-as, Senhor.
Da Vossa cólera,
Da severidade da Vossa justiça,
Do remorso da consciência,
Das tristes trevas que as cercam,
Dos prantos e gemidos,
Pela Vossa encarnação,
Pelo Vosso nascimento,
Pelo Vosso doce nome,
Pela Vossa profunda humildade,
Pela Vossa obediência,
Pelo Vosso infinito amor,
Pela Vossa agonia e Vossos sofrimentos,
Pela Vossa paixão e Vossa Santa cruz,
Pela Vossa Santa ressurreição,
Pela Vossa admirável ascensão,
Pela vinda do Espírito Santo consolador,
No dia do julgamento,

Ainda que sejamos pecadores, nós Vos pedimos, ouvi-nos!
Vós que perdoastes aos pecadores e salvastes o Bom ladrão,
Vós que nos salvais por misericórdia,
Vós que tendes as chaves da morte e do inferno,
Dignai-Vos livrar das chamas nossos parentes, amigos e benfeitores,
Dignai-Vos salvar todas as almas que gemem longe de Vós,
Dignai-Vos ter piedade daqueles que não tem intercessores neste mundo,
Dignai-Vos admiti-los no número de Vossos eleitos,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-lhes o descanso eterno. (três vezes)

ORAÇÃO
Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de Vossos servos e de Vossas servas a remissão de todos os pecados, a fim de que, pelas humildes orações da Vossa Igreja, eles obtenham o perdão que sempre desejaram. É o que nós Vos pedimos por elas, ó Jesus, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.
R. Amém."

Como se deve Rezar o Rosário

Não é o prolongamento de uma oração que agrada a Deus e lhe conquista o coração, mas o seu fervor. Uma só Ave-Maria bem rezada tem mais mérito do que cento e cinqüenta mal rezadas.

Vejamos, pois, a maneira de rezar o Rosário para agradar a Deus e nos tornarmos santos.

Em primeiro lugar, é preciso que a pessoa que reza o Rosário esteja em estado de graça, ou pelo menos na resolução de sair do seu pecado, porque a Teologia nos ensina que as boas obras e as orações feitas em pecado mortal são obras mortas, que não agradam a Deus nem podem merecer a vida eterna.

Aconselhamos o Rosário a todas as pessoas: aos justos, para que perseverem e cresçam na graça de Deus; e aos pecadores também, mas para que saiam de seus Pecados.

Deus não permita que por nossos conselhos um pecador empedernido transforme o manto da proteção de Nossa Senhora em manto de condenação para velar seus crimes! Ou que transforme o Rosário, que é remédio para todos os males, num veneno mortal e funesto! A corrupção do ótimo é péssima.

Um homem depravado costumava rezar diariamente o Rosário. Certo dia, a Virgem lhe mostrou belos frutos numa bandeja cheia de imundícies. O homem teve horror àquilo, e Ela lhe disse: "É assim que tu me serves, apresentando-me belas rosas num recipiente sujo e corrompido. Achas que posso recebê-las com agrado?"

Não basta, para rezar bem, exprimir nossos pedidos pela excelente forma de oração que é o Rosário, mas é preciso aplicar nisso uma grande atenção, pois Deus ouve antes à voz do coração que à da boca.

Rezar a Deus com distrações voluntárias seria uma grande falta de respeito, que tornaria os nossos Rosários infrutíferos e nos encheria de pecados.

Como pretender que Deus nos ouça, se nós mesmos não nos ouvimos? E se enquanto invocamos a terrível Majestade que faz a todos tremerem, nos colocamos voluntariamente a correr atrás de uma borboleta?

Proceder assim é afastar a bênção do Senhor e correr o risco de vê-la mudada em maldição: "Maldito o que faz a obra de Deus com negligência" (Jer 48, 10).

De fato não é possível rezar o Rosário sem nenhuma distração involuntária; é até mesmo bem difícil rezar uma única Ave-Maria sem que a imaginação sempre mutante não vos afaste em algo a atenção. Mas vós podeis rezar sem distrações voluntárias, e deveis adotar todos os meios para diminuir as involuntárias e fixar a atenção.

Para isso, colocai-vos na presença de Deus, pensando que Ele e sua santa Mãe tem os olhos postos sobre vós.

Pensai que vosso Anjo da Guarda está à vossa direita, colhendo as Ave-Marias que rezais, quando elas são bem rezadas, como se fossem rosas, para com elas tecer uma coroa para Jesus e Maria; e que, pelo contrário, o demônio está à vossa esquerda e ronda em torno de vós para devorar vossas Ave-Marias e as anotar no seu livro da morte, se elas são rezadas sem atenção, devoção e modéstia.

Sobretudo, não deixeis de fazer os oferecimentos das dezenas em honra dos mistérios, e de vos representar na imaginação a Nosso Senhor e à sua Santíssima Mãe no mistério que estais honrando.

Lê-se na vida do Beato Hermann, da Ordem premonstratense, que quando ele rezava o Rosário com atenção e devoção, meditando nos mistérios, a Santíssima Virgem lhe aparecia toda esplendorosa de luz, com uma beleza e majestade arrebatadoras.

Mas, tendo sua devoção esfriado e não rezando mais o Rosário senão às pressas e sem atenção, Ela lhe apareceu com a face enrugada, triste e desagradada.

Hermann se espantou com a mudança, e a Virgem lhe disse: "Apareço diante dos teus olhos como me encontro na tua alma, pois tu me tratas como a uma pessoa vil e desprezível. Onde está aquele tempo em que me saudavas com respeito e atenção, meditando os meus mistérios e admirando as minhas grandezas?"

Como não há oração mais meritória à alma e mais gloriosa a Jesus e a Maria do que o Rosário bem rezado, também não há nenhuma que seja mais difícil para bem rezar e na qual seja mais difícil perseverar, sobretudo por causa das distrações que vêm como que naturalmente na repetição freqüente da mesma oração.

Quando se reza o Ofício da Santíssima Virgem, ou os Sete Salmos, ou algumas outras orações, a variedade dos termos em que essas orações são concebidas detém a imaginação e recreia o espírito, dando por isso facilidade à alma para bem rezá-las.

Mas no Rosário, como há sempre os mesmos Pais-Nosso e Ave-Marias para rezar, e a mesma forma a manter, é difícil que não se acabe aborrecendo, que não se acabe adormecendo e que não se o abandone para procurar outras formas de oração mais agradáveis e menos cansativas.

Por isso, é preciso ter infinitamente mais devoção para perseverar na recitação do santo Rosário do que para qualquer outra oração, ainda mesmo os Salmos de Davi.

O que aumenta essa dificuldade é a nossa imaginação volátil e a malícia do demônio, infatigável para nos distrair e nos impedir de rezar.

Que faz esse espírito maligno enquanto estamos rezando nosso Rosário contra ele?

Antes de começar a oração, ele aumenta nosso aborrecimento, nossas distrações e nossas prostrações. Enquanto rezamos, ele nos acossa de todos os lados. E depois que tivermos rezado com muita dificuldade e distrações, elo nos sopra ao ouvido: "Nada rezaste que preste; teu terço de nada valeu; melhor farias se trabalhasses e cuidasses dos teus negócios; perdes tempo rezando tantas orações vocais sem atenção; uma meia-hora de meditação ou uma boa leitura valeriam muito mais; amanhã, quando estiveres com menos sono, rezarás com mais atenção, deixa o resto do teu Rosário para amanhã".

É assim que o demônio, com seus artifícios, freqüentemente consegue que abandonemos o Rosário, inteiro ou em parte, ou faz com o que troquemos ou o deixemos para o dia seguinte...

Não lhe deis crédito, caro devoto do Rosário, e não desanimeis, ainda que durante todo o Rosário vossa imaginação tenha estado preenchida com distrações e pensamentos extravagantes, se vós os procurastes expulsar da melhor forma possível logo quando vos destes conta deles.

Vosso Rosário é tanto melhor quanto mais meritório for; ele é tanto mais meritório quanto mais difícil for, ele é tanto mais difícil quanto menos naturalmente for agradável à alma e mais cheio for dessas miseráveis pequenas moscas e formigas que fazem a imaginação correr de um lado para o outro apesar da vontade, não dando à alma tempo para saborear o que reza e repousar em paz.

Se for preciso combater, durante o Rosário, contra as distrações, combatei valentemente de armas na mão, ou seja, prosseguindo o Rosário, ainda que sem nenhum gosto nem consolação sensível.

É um combate terrível, mas é salutar à alma fiel.

Se deixais cair as armas, quer dizer, se abandonais o Rosário, sois vencidos, e então o demônio, como vencedor, vos deixará em paz, mas no dia do Juízo vos acusará por vossa pusilanimidade e infidelidade.

"Quem é fiel nas pequenas coisas também o será nas grandes" (Lc 16, 10). Quem é fiel em rejeitar as menores distrações na menor parte de suas orações, será também fiel nas maiores coisas.

Coragem, pois, bom e fiel servidor de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem, que tomastes a resolução de rezar o Rosário todos os dias! Que a multidão das moscas (chamo assim as distrações que vos fazem guerra enquanto rezais) não vos faça deixar covardemente a companhia de Jesus e de Maria, na qual estais quando dizeis vosso Rosário. A partir daqui indicarei os meios para diminuir as distrações.

Invocai inicialmente o Espírito Santo para bem rezar o vosso Rosário, e colocai-vos em seguida um momento na presença de Deus.

Antes de começar cada dezena, parai um pouco para considerar o mistério que estais celebrando, e pedi sempre, pela intercessão de Maria Santíssima, uma das virtudes que mais ressaltam naquele mistério ou da qual tendes mais necessidade.

Tomai, sobretudo, cuidado com dois erros comuns, que cometem quase todos os que rezam o terço ou o Rosário:

O primeiro é não formular nenhuma intenção, de sorte que se lhe perguntais porque estão rezando, não vos saberiam responder. Tende, pois, sempre em vista, ao rezar o Rosário, alguma graça a pedir, alguma virtude a imitar ou algum pecado a evitar.

O segundo erro que se comete freqüentemente é não ter em vista, ao começar o Rosário, outra coisa senão acabá-lo o quanto antes.

É uma pena ver como a maior parte das pessoas rezam o Rosário. Rezam-no com uma precipitação espantosa, devoram até a maior parte das palavras. Não se cumprimentaria desse modo ridículo ao último dos homens e, no entanto se imagina que Jesus e Maria se sentem honrados com isso!...

O Beato Alano de la Roche e outros autores, entre os quais Belarmino, contam que um bom sacerdote aconselhou a três penitentes que tinha, e que eram três irmãs, que rezassem devotamente todos os dias o Rosário, durante um ano, para formar um belo vestido de glória para Nossa Senhora. Acrescentou que isso era um segredo que ele tinha recebido do céu.

As três irmãs o rezaram durante um ano. No dia da Purificação, à noite, quando as três estavam deitadas, a Virgem, acompanhada por Santa Catarina e Santa Inês, entrou no quarto delas, vestida com um traje todo resplandecente de luz, no qual estava escrito, com letras de ouro: "Ave Maria, cheia de graça".

A Rainha do Céu se aproximou do leito da mais velha das irmãs e lhe disse: "Eu te saúdo, minha filha, que tantas vezes e tão bem me saudaste. Venho agradecer-te o belo vestido que me fizeste".

As duas santas Virgens que A acompanhavam lhe agradeceram também e as três desapareceram.

Uma hora depois, a Virgem veio mais uma vez ao quarto, com as mesmas acompanhantes. Trajava um vestido verde, mas sem ouro nem luz. Aproximou-se do leito da segunda irmã e lhe agradeceu o vestido que lhe fizera.

Mas, como esta segunda irmã já tinha visto a Santíssima Virgem aparecer à mais velha com maior brilho, perguntou-Lhe o motivo: “É porque ela me fez um vestido mais bonito, rezando o Rosário melhor do que tu” - respondeu a Virgem.

Cerca de uma hora depois, Nossa Senhora apareceu uma terceira vez à mais jovem das irmãs, vestida com trapos sujos e rasgados, e disse: "Ó filha, tu assim me vestiste, Eu te agradeço por isso".

A jovem, coberta de confusão, exclamou: "Oh! Senhora, perdão por Vos ter vestido tão mal! Peço-Vos tempo para rezar melhor o Rosário e Vos preparar um vestido mais belo".

Tendo desaparecido a visão, a jovem, muito aflita, contou ao confessor o que se tinha passado. Ele exortou as três a rezarem o Rosário com mais perfeição do que antes.

Ao cabo de um ano, no mesmo dia da Purificação, a Virgem novamente lhes apareceu, vestida com um traje maravilhoso e mais uma vez acompanhada por Santa Catarina e Santa Inês, que levavam coroas, e lhes disse: "Tende certeza, filhas, do Reino dos Céus, no qual entrareis amanhã, com grande alegria", ao que as três responderam: "Nosso coração está pronto, caríssima Senhora, nosso coração está pronto".

A visão desapareceu. Na mesma noite, sentiram-se mal, mandaram procurar o confessor, receberam os últimos sacramentos e agradeceram ao confessor pela santa devoção que lhes tinha ensinado.

Depois, a Santíssima Virgem lhes apareceu, acompanhada por grande número de virgens, fez vestir as três irmãs com vestidos brancos. Depois partiram as três, enquanto os Anjos cantavam: "Vinde, esposas de Jesus Cristo, recebei as coroas que vos estão preparadas desde a eternidade".

Há muitas verdades a aprender com essa história:

1° Como é importante ter bons confessores que inspirem bons exercícios de piedade e em particular o santo Rosário;

2° Como é importante rezar o Rosário com atenção e devoção;

3° Como a Santíssima Virgem é benigna e misericordiosa para com aqueles que se arrependem do passado e se propõem a proceder melhor;

4° Como Ela é generosa para recompensar durante a vida, na hora da morte e na eternidade, os pequeno serviços que Lhe são prestados fielmente.

Acrescento que se deve rezar o Rosário com modéstia, quer dizer, tanto quanto possível de joelhos com as mãos postas, tendo o Rosário nas mãos.

Se, entretanto, se está doente, pode-se rezá-lo na cama; se em viagem, pode-se rezá-lo caminhando; se por qualquer enfermidade não se pode estar de joelhos, pode-se rezar de pé ou sentado.

Pode-se até mesmo rezar o Rosário trabalhando quando não se pode deixar o trabalho por causa dos deveres profissionais; pois o trabalho manual nem sempre é contrário à oração vocal.

Aconselho-vos a dividir o vosso Rosário em três terços, em três diferentes horas do dia; é melhor dividi-lo assim do que rezá-lo de uma só vez.

Se não tendes tempo para rezar o terço do Rosário de uma só vez, rezai uma dezena aqui, uma dezena acolá, de tal forma que, apesar das vossas ocupações e negócios, tenhais o Rosário inteiro rezado antes de vos deitardes à noite.

(São Luís Maria Grignion de Montfort. A eficácia maravilhosa do santo Rosário, Séria Cultura Religiosa n° 11, Artpress – São Paulo – 2000, Capítulo 6, p. 50-59)