19 de novembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

RETRATOS DE NOSSA SENHORA.

Nossa Senhora Virgem

Parte 6/11

A Virgem Santíssima não teve tentações contra a pureza; porém Deus submete-a à prova mais delicada por que podia passar uma mulher.
O anjo podia descobrir desde o primeiro momento o meio milagroso de operar-se a Encarnação e no entanto cala-se. Só lhe propõe o fato.
Por isso a Virgem não se precipita a responder. Reflete, cala-se, e espera. Momento sublime em que os céus e a terra estão suspensos dos lábios de Maria!
O anjo espera no aposento.
Espera no céu a Santíssima Trindade: o Pai para a fazer sua filha predileta, o Filho para a fazer sua Mãe, o Espírito Santo para a fazer sua esposa.
Esperam no limbo as almas dos santos a palavra que lhes trará a liberdade e que lhes abrirá as portas do céu.
Esperam na terra todos os homens aquele que realmente quebrará as cadeias que os prende.
Esperam e a Virgem Santíssima reflete. Ela fez voto de virgindade perpétua.
O anjo não lhe disse que Deus a dispensara do voto.
Se fosse essa a vontade de Deus, ainda que lhe custasse, cumpriria; porém Deus não disse que quebrasse o voto; portanto, o seu dever é cumprir o prometido. Se é necessário renunciar a ser Mãe de Deus, renunciará.
Que outra mulher traga em seus braços o Filho de Deus feito homem; que seja outra que contemple o seu rosto e ouça de seus lábios de menino o doce nome de Mãe. Que seja outra mulher que traga sobre a fronte a coroa de Rainha dos céus e da terra.
Tudo isto significam aquelas palavras da Virgem Maria ao anjo - "Como pode ser isso, se não conheço nenhum varão?"
Com razão se chama a Maria a Virgem fiel, Virgem das Virgens.
Ao conhecer o anjo o motivo da sua hesitação apressa-se a dissipá-la.
- Se é isso o que te detém, podes estar tranquila; serás mãe sem deixar de ser virgem.
Para Deus não há dificuldade alguma nisso. Ele que fez o primeiro homem do nada, bem poderá realizar esse milagre.
"O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo cobrir-te-á com a sua sombra. Por isso o fruto santo que nascerá de ti será chamado o Filho de Deus".
Quando a Virgem Maria viu solucionada a dificuldade que se opunha ao cumprimento da vontade divina, que responde?
Apesar dos louvores que o anjo lhe dirigiu, apesar das grandezas que reconhece em si, sabe perfeitamente que tudo recebeu de Deus; sabe que ela não é mais do que uma criadinha, uma escravinha de Deus, que deve fazer a todo o momento a vontade de seu amo: "Ecce ancilla Domini. Fiat mihi secundum verbum tuum". Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.
Recebida a resposta da Virgem Maria, o anjo retirou-se da sua presença e voltou ao céu para comunicar o resultado da sua embaixada.

17 de novembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem

Parte 5/11

O anjo descobre-lho agora.
Sabes que o povo de Israel e toda a humanidade está esperando, há séculos e séculos, a vinda de um libertador. As Escrituras estão cheias dele.
No templo, todos os dias, fazem-se sacrifícios e elevam-se orações pedindo a sua vinda. A aspiração suprema das mulheres de Israel é que seja um descendente seu.
Pois bem, tu és a escolhida por Deus para seres a Mãe do Messias.
"Conceberás e darás à luz um filho a quem porás o nome de Jesus. Este teu Filho será grande e será chamado Filho do Altíssimo, ao qual o Senhor Deus dará o trono de seu pai David e reinará na casa de Jacob eternamente e o seu reino não terá fim. Esta é a mensagem de Deus. Esta é a sua vontade. Aceitas?"
Que delicado é Deus com os homens. Como respeita a sua liberdade. Na vocação que dá a cada homem, não manda, não obriga, propõe, mostra o seu desejo e deixa em liberdade. "Si vis", se queres.
A Virgem Santíssima ouve a mensagem de Deus. Aceitá-la-a prontamente? Tem uma dificuldade muito séria, por isso não se precipita, e reflete.
Que dificuldade é essa?
O seu voto de virgindade perpétuo. Foi talvez o primeiro voto de virgindade que se fez no mundo.
Depois, quantos milhares e milhares de virgens seguiriam o mesmo caminho, arrastadas pelo perfume da sua pureza.

15 de novembro de 2017

VI Congresso São Pio V - Palestra "Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil" - Pe. José Zucchi

Prezados Leitores do blog São Pio V, Salve Maria!

Estamos disponibilizando a terceira palestra do VI Congresso São Pio V, "Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil", a qual foi proferida pelo Padre José Zucchi. Salientamos que o congresso faz parte do apostolado do IBP no Brasil, o qual tem o apoio da Associação Civil São Pio V e da Associação da Vila Militar. Assistam e divulguem a publicação!

Um grande abraço em Cristo Nosso Senhor!

Blog São Pio V

3ª Palestra - "Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil" - Padre José Zucchi

2ª Palestra - "Nossa Senhora de Fátima e sua mensagem" - Padre Thiago Bonifácio

1ª Palestra - "A Esperança em Nossa Senhora de Fátima" - Padre Renato A. Coelho

Sermão para a Solenidade Externa da Festa de Todos os Santos – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] O número dos que se salvam


 Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Depois disso, olhei e vi uma multidão grande que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua
Poderíamos, caros católicos, considerando nesse dia de hoje todos os santos no céu, considerando a glória da Igreja triunfante, nos perguntar como aquele judeu perguntou ao Salvador: “Senhor, são poucos os que se salvam ?” E o Senhor respondeu: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita porque vos digo que muitos procurarão entrar, e não conseguirão.” Nosso Senhor fala que é preciso esforçar-se, que é preciso entrar pela porta estreita, que o caminho é difícil, mas não responde propriamente quanto ao número de eleitos. Mesmo em outras passagens, quando o Senhor diz que muitos são os chamados e poucos os escolhidos, Ele não se refere exatamente ao número de eleitos, mas fala da maior parte dos judeus, que não quis entrar no reino de Deus, isto é, na Igreja de Cristo, a Igreja Católica.
Nosso Senhor, no lugar de responder, mostra o caminho, mostra que é preciso esforçar-se, que é preciso renunciar a si mesmo, ao pecado, ao demônio, ao mundo. Nosso Senhor não quis responder para evitar que as almas se perdessem. Se Nosso Senhor respondesse que são poucos os que se salvam, muitos seriam levados ao desespero. Se Nosso Senhor falasse que é grande o número dos que se salvam, muitos seriam levados à presunção, quer dizer, seriam levados a pensar que poderiam se salvar de qualquer jeito, sem muito esforço. Nosso Senhor não responde.
Dentro desse tema, não devemos acreditar que praticamente todo mundo se salva nem que praticamente todo mundo se condena. Nós podemos, todavia, com base na Revelação e na razão, ter um otimismo moderado. Ora, mesmo a lição do livro do Apocalipse, que lemos hoje, fala de uma multidão incalculável de santos. A própria repetição do texto dá a idéia de uma grande multidão. E nós, ao comemorar todos os santos, nos lembramos também da quantidade imensa deles, de quantos nos são completamente desconhecidos e de quantos eram como nós, no mesmo estado de vida, com os mesmos problemas.
Nós temos motivos para um otimismo moderado quanto ao número dos que se salvam. Temos motivo para esse otimismo por causa da misericórdia de Deus, em virtude da sua justiça, que pune apenas os que merecem. Podemos ter um otimismo moderado porque a redenção de Cristo é superabundante. Podemos ter grande esperança porque temos a intercessão de Nosso Senhora, Mãe de Deus e nossa, advogada nossa, refúgio dos pecadores. Portanto, o número dos que se salvam não é um número ínfimo. Devemos evitar essa posição rigorista, mas, ao mesmo tempo, devemos evitar a posição de que todos se salvam, ou a posição de que o caminho para a salvação é fácil. E o dogma de que fora da Igreja católica não há salvação continua sempre válido evidentemente. Apenas se salva quem está na Igreja Católica de fato (reapse) ou por desejo.
São Tomás, ao tratar do assunto, escreve que é melhor dizer que somente de Deus é conhecido o número dos eleitos que serão colocados na felicidade suprema. Nosso Senhor não responde e São Tomás também não responde abertamente à questão. Quem seríamos nós para fazê-lo?
O que deve nos interessar, caros católicos, não é tanto a quantidade de pessoas que se salvam. Pode ser que a maioria dos homens se salve, mas isso não significa que eu esteja entre eles. Pode ser que poucos se salvem, mas que eu esteja entre eles. O que deve nos interessar, então, não é o número dos que se salvam, mas que estejamos entre os que se salvam. E isso é plenamente possível porque Deus quer nos tirar de nossa miséria, Deus nos dá os meios abundantes para vivermos em sua graça e para perseverarmos nela. Temos a Missa, temos os sacramentos, temos os sacramentais, temos o Terço, temos tantas outras orações. Temos a intercessão de Nossa Senhora e dos outros santos. Temos a comunhão dos santos, pela qual podemos e devemos rezar uns pelos outros.
A salvação nos é possível, caros católicos. E não apenas a salvação, mas a santidade, o grande avanço nas virtudes. O caminho é que renunciemos a nós mesmos, tomemos a nossa cruz e sigamos a Jesus.
Renunciar a nós mesmos é renunciar à nossa vontade própria cada vez que a nossa vontade se opõe à vontade divina. É também renunciar ao pecado mortal. E lutar seriamente também contra o pecado venial, isto é, contra o pecado leve. É também renunciar ao demônio com as suas tentações. É renunciar ao mundo, pisoteando o respeito humano, fugindo das ocasiões de pecados, em particular das diversões mundanas. Devemos afastar para longe de nós o espírito mundano, amaldiçoado por Cristo.
Devemos nos apoiar na graça de Deus mais do que em nós mesmos e devemos nos conformar com a vontade de Deus em tudo. Nesse caminho de esperança em direção ao céu, não podemos desanimar. Grande armadilha do demônio é o desânimo e a tristeza. Nós vemos mesmo muitos católicos atingidos profundamente pelo desânimo e pela tristeza. Isso se vê na expressão do rosto, se vê no modo de falar e de agir. Quantos, compreendendo mal o caminho da salvação, desanimam porque não avançam tão rápido quanto idealizaram ou desistem de tudo porque caíram? Querendo avançar muito rápido, tropeçam. Querendo ficar de pé apenas com as próprias forças, caem. E têm dificuldade para levantar. Porque não se apoiam em Deus ou porque não têm paciência consigo mesmo. Claro, é preciso lutar, levantar-se o quanto antes com o propósito de não mais cair, mas com humildade e apoiados em Deus. Esforçar-se de modo sereno, suavemente e fortemente. Esse é o caminho dos santos. Força e suavidade. Sem angústia, sem ter a alma dilacerada na busca pela santidade e pela salvação. Força e suavidade.
O reino dos céus é dos violentos, nos diz Nosso Senhor, isto é, daqueles que o arrebatam pela força, pela força da fé, da caridade, da conformidade com a vontade de Deus, pela força da luta contra a carne, contra o demônio e contra o mundo. Mas o reino dos céus é também dos mansos e dos humildes. É preciso ser violento, manso e humilde, ou seja, suave e forte. É preciso compreender que não há contradição em ser violento, manso e humilde, quando falamos do combate espiritual.
Caros católicos, façamos a nossa parte para estar no número dos que se salvam. Não nos interessa o número dos que se salvam, mas estar entre eles. É perfeitamente possível, com suavidade e força. Deus nos dá graças abundantes para isso. Deus é bom! Confiança nEle!
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

14 de novembro de 2017

Missa de Comemoração dos Fiéis Defuntos - Padre Thiago - IBP - 02/11/2017


Sermão para a Festa de Cristo Rei – Padre Daniel Pinheiro


[Sermão] Cristo Rei e o liberalismo



 Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
 A Festa de Cristo Rei foi instituída por Pio XI em 1925 para afirmar a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo não só sobre os indivíduos, mas também sobre as sociedades, sobre todas as sociedades, da família ao Estado, da menor sociedade à maior. Por essa época, praticamente a maioria das nações cristãs já haviam se separado da Igreja, muitas realmente apostatado, em movimento que trouxe enorme prejuízo para as pessoas membros dessas nações e para os próprios estados.
Nosso Senhor é Rei porque Ele é Deus verdadeiro. Mas Ele é Rei também enquanto homem, em virtude da união de sua natureza humana à natureza divina na pessoa do Verbo. Nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem e sua pessoa é divina. Ele é Rei enquanto homem também por direito de aquisição. Adquiriu a realeza sobre nós pelo seu sangue derramado para a nossa redenção. Essa realeza é sobre os indivíduos e todas as suas faculdades: realeza sobre a inteligência, sobre a vontade, sobre os sentimentos, sobre os sentidos. Essa realeza é sobre todas as ações nossas. Devemos nos submeter inteiramente a Cristo, nosso Rei.
Todavia, Nosso Senhor é Rei também das sociedades. A sociedade também é uma criatura de Deus, já que Deus criou o homem como animal social, ou seja, Deus criou o homem como um ser que precisa de outros para sua perfeição, para viver de modo conveniente. Isso começa pela família, onde todos nascemos. E se conclui com a sociedade civil, com o estado. Nem mesmo a família sozinha basta para a perfeição do homem. É necessária a convivência entre famílias, formando a sociedade civil. Portanto: em suas leis, em seu governo, na educação, em todos os aspectos, a sociedade civil, o estado, e qualquer outra sociedade devem reconhecer a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Todavia, as nações se revoltaram contra Deus, dizendo: não queremos que Jesus Cristo reine sobre nós. Essa revolta, filha autêntica do demônio com o seu non serviam (não servirei), é própria do liberalismo. A sua origem se encontra na decadência filosófica, teológica e política de fins da idade média, quando se foi abandonando a boa filosofia e a teologia de São Tomás. Podemos, porém, apontar um marco decisivo no avanço do liberalismo: Lutero e a revolta protestante. Lutero nega a autoridade da Igreja e coloca cada indivíduo como autoridade para interpretar a Sagrada Escritura. É o chamado livre exame. Cada um pode, com inspiração particular, interpretar a Bíblia sozinho. É curioso como essa inspiração, teoricamente vinda de Deus, é tão contraditória. Um indivíduo interpreta de um jeito. Outra pessoa interpreta de outro. As duas viriam de Deus. Deus pode se contradizer? Afirmar isso seria uma blasfêmia. O fato é que ao negar a autoridade da Igreja e ao afirmar a independência total do indivíduo em ponto tão fundamental, Lutero coloca as bases mais claras para o liberalismo.
O liberalismo afirma a independência da vontade com relação ao bem, como se cada um pudesse escolher, sem distinção, entre o bem e o mal. Ele afirma a independência do sentimento com relação à inteligência e a vontade, como se todo sentimento devesse ser seguido cegamente, independentemente de qualquer outra coisa. O liberalismo afirma a independência do corpo em relação à alma, como se fôssemos puramente animais. Afirma a independência do indivíduo com relação à sociedade, como se não houvesse hierarquia alguma na família, entre marido e esposa, entre pais e filhos; como se não houvesse hierarquia na Igreja, entre o clero e os fiéis. O liberalismo afirma a independência dos homens com relação a Deus, como se Ele não existisse ou como se Deus existisse simplesmente para satisfazer os anseios dos homens, a fim de que eles se sintam bem. Ele afirma a independência do Estado com relação a Deus e à Igreja, como se não houvesse uma religião verdadeira, como se fossem todas boas. Nessa falsa concepção, também a economia se torna independente de toda lei moral. Essa é a concepção atual de liberdade, radicalmente oposta à liberdade verdadeira, que nos foi dada por Deus. Essa é a concepção liberal de liberdade, conhecida como liberalismo. Essa concepção tão gravemente errada de liberdade e que vai tão profundamente contra a natureza das coisas é uma liberdade que escraviza, que escraviza o homem à sua vontade própria, ao pecado. É uma liberdade que conduz à perdição. A verdadeira liberdade é uma liberdade para nos movermos no bem.
Inspirando-nos em Monsenhor Gaume, prelado francês do século XIX podemos dizer: “Se arrancando sua máscara, perguntamos ao liberalismo: quem és tu? Ele dirá: eu não sou o que pensam. Muitos falam de mim e poucos me conhecem. Não sou a maçonaria, nem motim, … nem troca de monarquia por república, nem substituição de uma monarquia por outra, nem a perturbação momentânea da ordem pública. Não sou nem os latidos dos comunistas, nem os furores dos direitistas, nem a guerrilha nem a pilhagem, nem o incêndio, nem a reforma agrária, nem o socialismo, nem a social democracia, nem o centro, nem a guilhotina, nem as execuções. Essas coisas são minhas obras e minhas filhas, mas não eu. Essas coisas são passageiras mas eu sou um estado permanente. Sou o ódio por toda ordem que não tenha sido estabelecida pelo homem e na qual ele não seja ao mesmo tempo rei e deus. Sou a proclamação dos direitos do homem sem respeito aos direitos de Deus. Sou a fundação do estado religioso e social na vontade do homem em lugar da vontade de Deus. Sou Deus destronado e o homem em seu lugar. Eis porque me chamo Revolução, ou seja, subversão, liberalismo.”
Não adianta combater meramente as filhas e as obras do liberalismo. É preciso combater seus princípios. Ainda menos adianta combater as obras do liberalismo com outras obras do liberalismo, alimentando e reforçando o liberalismo enquanto se tem a ilusão de combatê-lo (o comunismo com o liberalismo em geral ou o liberalismo econômico em particular; a democracia moderna com uma monarquia que é no fundo liberal e maçônica). É preciso combater com os bons princípios da lei natural, com os bons princípios da religião católica. É preciso proclamar a realeza de Cristo em nossa alma e viver essa realeza. É preciso buscar, com os meios que nos são possíveis, que Cristo reine na sociedade, começando por nós e pelas nossas famílias.
Boa é a data da Festa de Cristo rei porque afirma o reinado de Cristo já aqui nesse mundo sobre os indivíduos e sobre as sociedades. Ela não é relegada ao último domingo do ano litúrgico, que trata do fim do mundo, como se o reino de Cristo viesse apenas no fim do mundo.  Boa porque afirma a realeza de Cristo no céu e no purgatório pela proximidade com a Festa de Todos os Santos e com o Dia de Finados. Boa porque é próxima da data que marca o início da revolta de Lutero: a fixação das 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg ocorreu em 31 de outubro de 1517 (alguns historiadores chegam a contestar que isso realmente tenha acontecido). Os protestantes a comemoram no último domingo de outubro. A festa de Cristo Rei, sendo no último domingo de outubro, é o antídoto ao liberalismo protestante, que destruiu as pessoas e a sociedade. A realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo é o remédio para os males de nossa época. Viva Cristo Rei.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

13 de novembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 416

PERGUNTAI A ELE

Dois jovens esposos, no dia de seu casamento, receberam de presente uma linda imagem de Jesus Crucificado. Levaram-na com alegria para o novo lar, onde o lugar de honra foi dado Aquele que realmente haveria de ser o Rei e Chefe da família. Era sempre aos pés daquele Cristo que a família implorava bênçãos e agradecia favores e graças; gozava de alegrias e bendizia os sofrimentos.
Passaram-se os dias, meses e anos, e o Crucifixo ali estava sempre no seu lugar de honra, recebendo homenagens e espargindo graças... Hoje aqueles esposos são velhos, preparam-se para as bodas de ouro. A família é modelo de virtudes e goza da estima de todos que a conhecem. Alguém pergunta à veneranda que meios empregara para conservar os filhos tão bons e virtuosos. E ela, apontando para aquele Crucifixo, com um sorriso que refletia a verdadeira felicidade, responde:
- Ele sabe. Perguntai a Ele!...