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17 de dezembro de 2014

Sermão para a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe – Padre Daniel Pinheiro

[Sermão] Nossa Senhora de Guadalupe: a mensagem contida na imagem

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria. […]
O ano é 1531. Os missionários espanhóis encontram bastante dificuldade para evangelizar o povo asteca que habitava a região onde hoje está o México. Podemos atribuir essa dificuldade à influência enorme do demônio nesse povo. Em 1487, por exemplo, em torno de quarenta anos antes da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, houve a consagração do principal templo pagão. Durante 4 dias, 80 mil pessoas foram sacrificadas, em ritos brutais e macabros. Ao longo de cada ano, com essa religião, 50 mil pessoas eram sacrificadas. Sacrifícios humanos. Era essa a cultura dos indígenas. Dado um culto tão profundamente demoníaco, era difícil converter as almas.
Para amolecer esses corações tão endurecidos, Nosso Senhor não teve alternativa. Permitiu que sua Mãe, nossa Mãe, Maria, aparecesse. E com essa aparição as almas finalmente se voltaram a Deus. No dia 9 de dezembro, primeiro dia da oitava da festa da Imaculada Conceição, aquele pobre índio, convertido a Jesus Cristo, atravessava a colina de Tepeyac às 5:30 da manhã, para assistir à Santa Missa para receber o catecismo e cuidar dos seus negócios. Era um índio convertido que ia à Missa, às 5:30 da manhã a pé, atravessando uma colina. Nessa colina, tinham existido anteriormente três templos dedicados à deusa Tonantzin, considerada pelos pagãos astecas mãe dos deuses e dos astecas. Os templos tinham sido demolidos por Cortés. Lá apareceu a verdadeira Mãe de Deus, do único Deus Uno e Trino, dizendo a Juan Diego que ela pedia ao Bispo a construção de uma igreja católica naquele lugar. O índio relata ao Bispo todo o ocorrido. O Bispo age com prudência, sem dar muito crédito, inicialmente.
BishopJuanDiego-370x300É somente com a quarta aparição no dia 12 de dezembro que o bispo se convence da veracidade das aparições. Juan Diego chega, nesse dia, ao palácio episcopal. Com ele, estão rosas de Castilha. Não era a época de rosas e não era um local onde podiam ser encontradas rosas, sobretudo essas rosas. Ele desdobra, então, o seu manto e, nesse manto, aparece a imagem de Nossa Senhora, que hoje chamamos de Guadalupe. O Bispo e os seus servidores se ajoelham e veneram a imagem. Não me prolongarei na história, que cada um pode procurar conhecer a partir de fontes confiáveis.
Gostaria de considerar, porém, a mensagem contida na imagem. A imagem se dirige ao Bispo e aos já católicos, mas ela se dirigia sobretudo aos pagãos astecas. Ela fala, então, a linguagem que eles conheciam muito bem.
Como já dissemos, Nossa Senhora aparece na colina onde estavam os templos pagãos dedicados à deusa pagã considerada a mãe de todos os deuses e dos astecas. Ao aparecer lá, Nossa Senhora diz que ela é a Mãe de Deus e a Mãe dos astecas e de todos os homens. Ela apareceu em um ano que para os astecas significava a plenitude e o nascimento do sol. Ela vai trazer a plenitude e o sol verdadeiros, Nosso Senhor Jesus Cristo. Atrás da imagem, os raios dourados. Daquela Virgem está saindo o sol, que representa Deus.
Eternal_father_painting_guadalupeO manto onde aparece a imagem é grosseiro, de textura imperfeita, impossível de pintar nele. O próprio tecido não costuma durar muito tempo. O que dizer de uma imagem em tal tecido? Mas lá está a imagem até hoje.
Os cabelos estão soltos, indicando sua condição de donzela virgem. As índias casadas levavam o cabelo amarrado em trança.
Nos olhos da Imagem da Santíssima Virgem estão refletidos os bispos e os outros presentes no momento em que se desdobrou o manto de Juan Diego. Ninguém, àquela época, e em tal tecido conseguiria fazer isso. Os indígenas da época também não puderam ver isso na imagem. Apenas recentemente e com a tecnologia moderna é que se tornou possível constatar esse fato estupendo. É uma mensagem para a nossa época moderna, tecnológica. Há quase 500 anos, Deus nos falava claramente.
O broche no pescoço de Maria também é importante. Um colar com um broche no pescoço significa, para os indígenas, submissão e consagração a um Deus. O broche tem uma cruz, espanhola, e mostra a importância de Jesus Cristo sobre Nossa Senhora e mostra a veracidade do Evangelho trazido pelos missionários espanhóis. O único sacrifício agradável a Deus é o de Cristo, na Cruz.
nossa_senhora_de_guadalupeAs mãos de Nossa Senhora, postas em oração, representam também a Igreja que deveria ser construída a mando dela naquela colina. Uma das mãos é mais branca, enquanto a outra mais morena: todos devem se submeter a Maria, para se submeter, assim, a Cristo. O mesmo se pode dizer do rosto da Virgem. Não é europeu nem indígena, mas mestiço.
O laço escuro acima do ventre deixa claro para os indígenas que se trata de uma mulher grávida. Colocavam o laço acima do ventre para permitir o natural crescimento do ventre durante a gestação. E o laço indica também que se trata de uma mulher nobre. Ela é uma donzela Virgem, com os cabelos soltos, mas grávida, com o laço negro acima do ventre.
Na altura do ventre de Nossa Senhora, há uma flor – a única na imagem – com quatro pétalas, que é um símbolo fortíssimo para os astecas. Essa flor indica os quatro movimentos do sol. Representa que Maria está grávida do Menino Sol, daquele que é a Luz do Mundo, o Menino Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nossa Senhora está sobre o centro da lua que na língua indígena se dizia praticamente México. O pé que aparece indica, para os indígenas, o movimento de oração. Nossa Senhora reza sobre o México, sobre a lua. O pé aparecendo é, na iconografia cristã, símbolo de que Nossa Senhora está grávida.
O anjo que sustenta o manto da Senhora tem as feições de um índio. É um jovem guerreiro do exército do sol, que agora deverá ser soldado de Cristo. Representa Juan Diego e nele todo o povo. O anjo tem asas de águia, animal que pode fitar o sol diretamente. O nome de Juan Diego na língua indígena fazia referência a uma águia.
Eis alguns símbolos contidos na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe e que falaram claramente para os índios da época, trazendo-os a Cristo. No momento em que a Igreja perdia a metade de seus filhos na Europa em virtude da heresia e da revolta protestantes, Deus recebia em sua casa novos povos do novo mundo. Agradeçamos a Deus pela sua bondade infinita, pela sua inefável providência. Por nos ter permitido a chegada de colonizadores católicos em nossa pátria e em nosso continente, tirando-nos do tenebroso paganismo. Rezemos a Nossa Senhora de Guadalupe pelo Brasil, pelas Américas. O paganismo brutal que ela veio destruir com sua aparição na colina de Tepeyac está voltando, se é que já não voltou, sob nova forma. Os sacrifícios humanos estão voltando, no aborto, na eutanásia, no assassinato dos inocentes que vemos ocorrer no dia a dia de nossas cidades. Tudo isso fruto de uma sociedade sem s Cristo sem a Igreja.
Que Nossa Senhora nos traga novamente o Sol, que é Jesus Cristo.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

No céu nos reconheceremos - Cartas de consolação


NO CÉU NOS RECONHECEREMOS

PELO  Pe. F. BLOT, DA COMPANHIA DE JESUS

VERSÃO DA 19ª EDIÇÃO FRANCESA

PELO  Pe. FRANCISCO SOARES DA CUNHA

LIVRARIA APOSTOLADO DA IMPRENSA

  - 1952 -


16 de dezembro de 2014

Sermão para a Festa da Imaculada Conceição – Padre Daniel Pinheiro, IBP


[Sermão] A Imaculada Conceição


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito santo. Amém.
Ave Maria…
“Toda sois formosa, ó Maria, e a mácula original não está em vós.”
Que bela festa nós celebramos nesse dia de hoje, caros católicos, que bela festa de Nossa Senhora. A Imaculada Conceição de Maria Santíssima. No Tempo do advento, no tempo de espera do nascimento do Sol de Justiça, que é Jesus Cristo, nós comemoramos a aurora que surge, Maria Santíssima, concebida no ventre de sua mãe, Sant’Ana. Após o pecado dos nossos primeiros pais, Adão e Eva – o pecado original – todo ser humano está submetido a uma mesma lei: nascer com o pecado original, isto é, afastados de Deus, sem a graça divina, sem a sua amizade. Nossa Senhora, ela, não foi submetida a essa lei. Desde o primeiro momento de sua concepção no ventre de Sant’Ana, Nossa Senhora já estava em amizade com a Santíssima Trindade, já estava na graça divina. Maria foi concebida sem pecado. Podemos comparar Nossa Senhora a Esther. O Rei Assuero havia baixado um decreto pelo qual qualquer pessoa que entrasse nos seus aposentos reais sem ter sido chamado deveria morrer no ato. A rainha Esther entrou sem ser chamada e não morreu. Nossa Senhora entrou no mundo, mas sem o pecado original, como Esther entrou nos aposentos do rei sem ser morta. Nossa Senhora é o véu de Gedeão. Quando tudo em torno estava molhado, o véu permanecia seco. Quando tudo permanecia seco, o véu ficava molhado. Nossa Senhora, ao contrário de todos os filhos de Adão, nasceu sem o pecado original. Claro, com ela, também Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo homem e Deus, não teve o pecado original.
Há 160 anos o Papa Pio IX proclamou infalivelmente essa verdade já universalmente professada pelos católicos. Assim disse o Papa em 1854: “[…] Com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, foi revelada por Deus, e, por isso, deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”
A Santíssima Trindade quis preservar Maria do pecado porque, sendo Mãe de Jesus, ela era Mãe de Deus. Não podia a Mãe de Deus ficar nem sequer um instante sob o domínio do pecado e do demônio. Isso ofenderia a honra de seu Divino Filho. Como sempre dizemos: todas as graças em Maria têm como raiz a sua maternidade divina, têm como raiz o fato de ela ser a Mãe de Deus. Depois de seu próprio nome – Maria – o título que mais agrada a Nossa Senhora é o de Mãe de Deus. Por isso, é a segunda invocação das ladainhas de Nossa Senhora. Por isso, está na segunda parte da Ave Maria. Mãe de Deus, Mãe de Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.
Maria foi concebida, então, sem o pecado original. Todavia, caros católicos, essa concepção sem pecado é tão somente o aspecto negativo do mistério excelso que comemoramos hoje. Devemos considerar brevemente o aspecto positivo. Maria foi concebida sem pecado. Ela foi concebida, então, em graça. Mas que graça! Uma graça santificante maior que a de todos os anjos e santos juntos no céu. Deus faz tudo com ordem, peso, número. Se Deus escolheu Maria para Mãe do Verbo, Ele deve dar a ela as graças para exercer bem a sua função. Ora, a função de Mãe de Deus é tão sublime que a simples preparação para ela exige uma graça maior que a graça de todos os anjos e santos juntos no céu. No primeiro instante de sua concepção, Maria Santíssima possuía uma graça que não podemos medir. A sua amizade e proximidade com Deus eram imensas. Todavia, Nossa Senhora, ao longo de sua vida nessa terra, a cada ato, progredia nas virtudes, na caridade. Cada ato seu era mais perfeito e feito com maior caridade do que o anterior. Nossa Senhora avançava na caridade, no amor a Deus, em movimento acelerado. Mal podemos imaginar a perfeição das virtudes que habitava a sua alma no momento de sua concepção. O que dizer, então, no final de sua vida?
De Maria nunquam satis nos dizem os santos. Sim, de Maria nunca poderemos falar o suficiente. Maria, como nos diz o famoso hino Ave Maris Stella, mudou o nome de Eva, invertendo-o. De Eva, para Ave. Maria muda o nome de Eva porque faz o inverso da mãe natural de todo ser humano. Eva cooperou com o pecado original de Adão. A nova Eva, a Ave Maria, cooperou e coopera com o novo Adão, Jesus Cristo, na redenção. Assim, Eva gerou filhos para povoar a terra. Maria, sendo perpetuamente virgem, gerou filhos espirituais para o céu.
Pela Imaculada Conceição, Maria nos ensina, de um lado, a fugir do pecado e, do outro, a buscar a virtude, o amor a Deus, a prática dos mandamentos. É preciso fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Não podemos buscar a virtude sem combater seriamente o pecado. Não podemos combater o pecado sem buscar seriamente a virtude. Nesse dia, em particular, a Igreja nos incentiva também a considerar a pureza de Maria Santíssima, Mãe Puríssima, Mãe Castíssima. Devemos imitá-la na pureza de nossos pensamentos, de nosso comportamento, de nossas vestimentas, de nossos olhares, de nossas diversões. Os cônjuges devem ter sempre a sua união voltada à procriação. Jamais separar união conjugal da procriação ou a procriação da união conjugal.
Maria é realmente a glória da nova Jerusalém, que é a Igreja. Ela é a alegria do novo Israel, que é a Igreja. Ela é o orgulho do povo cristão. Grande deve ser a nossa alegria, pois Maria é nossa Mãe e nossa Advogada. Ela é a Torre de Davi, pronta para nos defender dos ataques inimigos, se a Ela recorremos. Lembremo-nos, caros católicos, que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido a Nossa Senhora tenha sido desamparado. Confiança em Maria! Ela ouve sempre os filhos que a ela recorrem com bons desejos, com desejos de chegar ao céu.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Sonhos de Dom Bosco.

21/21 - O SACRILÉGIO  (1882)

"Uma noite sonhei e vi em um sonho um jovem que tinha o coração roído pelos vermes e que ele mesmo se quitava e lançava de si aqueles animais com a mão. Não fiz caso do sonho. Mas  eis aqui que, na noite seguinte, veio o mesmo jovem, que tinha junto de si um cão que o mordia no coração. Não duvidei que o Senhor queria conceder alguma graça aquele garoto e que o pobrezinho tinha alguma confusão na consciência.
Perto do dia lhe disse de improviso:
- Queres fazer-me um favor?
- Sim, sim... Se depender de mim.
- Se queres, podes fazê-lo.
- Pois bem, diga-me o que deseja, que o farei.
- Estás seguro?
- Seguro!
- Diga-me: não tem calado nenhum pecado na confissão?
Quis negar-me, porém imediatamente acrescentei:
- E este ou este outro, por que não os confessaste?
Então olhou-me no rosto, começou a chorar e me disse:
- O Senhor tem razão: faz dois anos que quero confessar disso e, desejando de uma vez para outra, não me atrevi a fazê-lo.
Então o animei e lhe disse o que tinha que fazer para se por em paz com Deus".

A fita mágica
Pareceu-me estar numa planície coberta por um número incontável de jovens. Uns brigavam, outros blasfemavam. Aqui se roubava,, ali se ofendiam os bons costumes. Uma nuvem de pedras, lançadas por bandos que se faziam a guerra, via-se no ar. Eram rapazes abandonados por seus pais de costumes corrompidos. Estava já a ponto de fugir daí, quando vi ao meu lado uma senhora que me disse:
- Põe te entre esses jovens e trabalha.
Fui , mas que fazer? Não havia um local onde reuni-los; queria fazer-lhes o bem: e dirigia-me pessoas que estavam a olhar de longe e podiam ser de valiosa ajuda para mim. Ninguém me ajudava. Voltei-me para a Senhora e ela me disse:
- Aqui tens um lugar: E me mostrou um prado .
- Mas aqui, disse eu, não há mais, senão somente o prado.
Ela respondeu:
Meu filho e os apóstolos não tinham um palmo de terra onde pousar a cabeça.
Comecei a trabalhar naquele prado; aconselhava, pregava, confessava; mas vi que (meu esforço) em grande parte resultava inútil; meu esforço se não encontrasse um edifício e com local onde recolhê-los e onde abrigar os que haviam sido totalmente abandonados pelos seus pais e rejeitados e desprezados por todo o mundo. Então aquela Senhora me levou um pouco mais para o norte e me disse:
E vi uma Igreja pequena e baixa, um pátio pequeno e muitos jovens. Retornei meu trabalho. Mas, com a Igreja era muito pequena, recorri de novo a Ela, e me mostrou outra Igreja bastante maior e com uma casa ao lado. Levando-me depois a um pedaço de terreno cultivado, quase um frente à fachada da Segunda igreja. E acrescentou.
Neste lugar, onde os gloriosos mártires de Turim, Aventor, Solutor e Otávio, sofreram seu martírio, sobre essa terra banhada e santificada com seu sangue, quero que Deus seja honrado de modo muito especial.
E assim, desejando, adiantou um pé até descansá-lo no ponto exato onde teve lugar o martírio, e indicou-me com precisão. Eu queria por um sinal para encontrá-lo quando voltasse nesse lugar, mas não encontrei nada; nem um palito, nem uma pedra; contudo, fixei-o na memória com toda exatidão. Corresponde exatamente no ângulo interior da Capela dos Santos Mártires, antes chamada de Santa Ana, do lado do Evangelho, da Igreja de Maria Auxiliadora.
Entretanto, via-me rodeado de um número imenso sempre crescente de jovens; e olhando à Senhora, cresciam os meios e o local; e vi, depois, uma grandíssima Igreja, precisamente no lugar onde me disseram haver acontecido o martírio dos santos da região Tebéia, com muitos prédios ao redor e com o lindo monumento no meio-centro.
Enquanto tudo isso acontecia, sempre sonhado, tinha como colaboradores Sacerdotes que me ajudavam no princípio, mas depois fugiam. Buscava com grande trabalho atraí-los para mim, e eles pouco depois iam embora me deixavam só. Então voltei-me de novo àquela Senhora, que me disse:
Queres saber como fazer para que não vão embora? Toma esta fita e ata-lhes na cabeça.
Tomei com reverência a fita branca de sua mão e vi que nela estava escrito uma palavra: Obediência. Experimentei em seguida o que a Senhora me indicou e comecei a atar na cabeça de alguns dos meus colaboradores voluntários com a fita, e vi logo uma grande mudança, de fato surpreendente. Este fato se fazia cada vez mais patente, à medida que ia cumprindo o conselho que me havia dado, já que aqueles que deram o desejo de ir para outra parte e ficavam, por fim, comigo. Assim, constituiu-se a Sociedade Salesiana.
Vi, adiante, muitas outras coisas que não é agora o caso de manifestar. Basta dizer que, desde aquele tempo, eu caminhava sempre seguro.



15 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

20 /21- OS JOGADORES  (1862).

Pois bem, o 31 de janeiro - é a crônica de Bonetti quem fala - Dom Bosco passeava depois de comer no pórtico inferior (baixo), em companhia de uns jovens, quando de repente se deteve, chamou  ao diácono João Cagliero e lhe disse em voz baixa:
- Ouço dinheiro que .............. , porém não seu onde se joga. Anda, busca estes três. No ponto perguntei-o:
- De onde vens, onde te havias metido? Faz tempo que te buscava sem encontrar-te.
- Estava em tal e tal lugar divertindo.
- Que fazias ali?
- Jogava bola.
- Com quem?
- Com N. e com R.
- Jogava dinheiro, verdade?
O Jovem falou entre os dentes umas palavras, porém não negou com efeito que jogavam a dinheiro.
Então dirigi-me ao lugar indicado, que estava bastante escondido, porém não encontrei os outros dois.
Continuei buscando e cheguei a saber com certeza que os ............, dez minutos antes, haviam estado jogando-se acaloradamente uma boa quantidade de dinheiro.
Então comuniquei o resultado a Dom Bosco.
Dom Bosco contou no dia seguinte que, na noite precedente, havia visto durante um sonho aqueles três, jogando-se apaixonadamente a dinheiro.
Observações:
Estava ordenado que o  dinheiro enviado pelos familiares se entregava ao administrador e este o distribuía prudentemente, segundo as necessidades e desejos do interessado.




14 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

19/21- AS DISTRAÇÕES NA IGREJA  (1861).

Os sonhos se têm dormindo; portanto, eu estava dormindo. Minha imaginação levou-me a Igreja onde estavam reunidos todos os jovens. Começou a missa e eis que vi muitos vestidos de vermelho e com chifres, isto é, há numerosos diabinhos que davam voltas entre os jovens como oferecendo seus serviços.
A um deles presenteavam um peão; diante dos outros faziam bailar, a este ofereciam um livro; aquele, castanhas assadas. A outros, um prato de salada ou um baú aberto em que havia guardado um pedaço de mortadela; a alguns ele sugeria uma recordação da cidade natal; a outros sussurrava ao ouvido os incidentes da última partida de jogo, etc.
Alguns eram convidados com os dedos a tocar o piano, os quais atendiam o convite; a outros eles levavam o compasso de uma música; em suma, cada jovem tem seu próprio servente que inventava-lhe a realizar atos estranhos na Igreja. Alguns diabinhos estavam também encarrapitados sobre as costas de certos jovens e se entreteciam  em acariciar-lhes e alisar os cabelos com as mãos.
Chegou o momento da consagração. Ao toque da campainha, todos os jovens se arrodearam, desaparecendo os diabinhos, a exceção dos que estavam sobre os ombros de suas vítimas. Uns e outros voltaram a cara para a porta da igreja sem fazer algum externo  de adoração.
Terminada a Elevação, e aqui se volta a repetir a cena anterior, repetindo os passatempos e voltando a desempenhar cada qual o seu papel.
Se queres que eu dê uma explicação deste sonho, está aqui: creio que neles estão representados as diversas distrações e as que, por sugestão  do demônio, está exposto  cada jovem na Igreja. Os que não desapareceram no momento da Elevação, simbolizam os jovens vítimas do pecado. Estes não necessitam que o  demônio lhes apresentasse motivos de distração, porque já lhe pertencem, por isso, o inimigo lhes acaricia: o que quer dizer que suas vítimas são incapazes de fazer oração.
Observação:
Contado em 28 de novembro. O texto é de Dom Ruffino, que disse que lhes contou um sonho ou apólogo. O mesmo Ruffino parece indicar que cabia interpretá-lo como uma invenção educativa de Dom Bosco, dobre tudo tratando-se do princípio do curso  e de que havia crianças novas, aos que lhes serviam difícil concentrar-se na igreja. Esta impressão aumenta, comparando-o com "A lanterna mágica", de 1865, e "Os Cabritos", de 1866.





13 de dezembro de 2014

Missa Tridentina

Prezados leitores, Salve Maria!


Para quem mora em Curitiba ou na região Metropolitana, e para quem está de passagem pela cidade, comunicamos que haverá Missa Tridentina nos dias 12/12/2014 e 13/12/2014:

Local: Capela Nossa Senhora Aparecida - Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Marechal Floriano Peixoto, 2057 - Rebouças - Curitiba - Paraná (fica entre as ruas Almirante Gonçalves e Baltazar Carrasco dos Reis)

Horário da Missa do dia 12/12/2014: 18:30 horas
Sacerdote: Monsieur L'abbé Philippe Laguérie do IBP

Horário da Missa do dia 13/12/2014: 09:00 horas


Sacerdote: Monsieur L'abbé Philippe Laguérie do IBP

Administração do Blog São Pio V

Sonhos de Dom Bosco.

18/21 - SOBRE A ELEIÇÃO DE ESTADO (1834)
                        
 Poucos dias antes do marcado para a minha entrada, tive um sonho bastante estranho. Me pareceu ver uma multidão daqueles religiosos com os hábitos amarrotados, correndo um sentido contrário uns dos outros. Um deles veio a dizer-me:
- Tu buscas a paz e aqui não  vai encontrá-la. Observa a atitude dos teus irmãos. Deus te prepara outro lugar, outra messe.
Queria fazer alguma pergunta aquele religioso, entretanto, um rumor me despertou e já não vi nada mais. Expus tudo ao meu confessor, o qual não quis ouvir nem de sonhos nem de frades: Neste assunto, respondeu-me, é preciso que cada um siga suas inclinações, e não os conselhos dos outros.
Circunstâncias.
O estudante Bosco tem dezenove anos e está a ponto de terminar seus estudos civis. Pensa em seu futuro e decide fazer-se Franciscano. Em 30 de outubro de 1834 faz o pedido para entrar nos conventuais franciscanos. Realizou seu exame em Turim, no convento de Santa Maria dos Anjos, e foi acertado em 18 de abril. Os atos dizem: "Possui os requisitos e todos os votos". Assim, pois, ficou todo preparado para entrar no convento da Paz em Chieri. Nesses dias têm lugar o sonho.
Convém recordar que Bosco apesar do sonho faz uma novena com seu amigo Comollo  para a virgem das Graças na catedral de Chieri e confiou seu problema a um sacerdote, tio do mesmo Comollo, não tomando a determinação de entrar no Seminário Diocesano de Chieri até depois de receber por carta o conselho deste sacerdote.

Interpretação
"Tampouco aqui  o sonho se pode interpretar de maneira diversa aos outros: Dom Bosco queria representar o desejo, ou seja, seu conceito de abraçar  o estado eclesiástico livre, humilde forma de uma inspiração transcendental para dar maior peso a sua eleição". (Albertotti, 93, nota 6).



12 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

17/21- AS MISSÕES SALESIANAS NA AMÉRICA MERIDIONAL (1885)

"Me pareceu acompanhar aos missionários em sua viagem. Falamos durante alguns momentos antes de sair do Oratório. Todos estavam ao meu fedor e me pediam conselhos; e me pareceu que eles diziam:
- Não com a ciência, não com a saúde, não com as riquezas. Sim com o céu e a piedade, fareis muito bem, promovendo a glória de Deus e a salvação das almas.
Pouco antes estávamos no Oratório e depois, sem saber que caminho havíamos imediatamente na América. Ao chegar ao final da viagem, me vi só em meio de uma extensíssima planície, colocada entre o Chile e a república Argentina. Meus queridos missionários se haviam dispersados tanto por aquele espaço sem limites que apenas se os distinguia. Ao contemplá-los, fiquei maravilhado, pois me pareciam muito poucos. Depois de haver mandado tantos Salesianos  para América, pensava que veria um maior número de missionários. Entretanto, seguidamente refletindo, compreendi que o número era pequeno porque se haviam distribuído por muitos lugares, como semente que devia ser transportada a outro lugar para ser cultivada e para que se multiplicasse.
Apareciam naquela planície muitas e numerosas estradas / ruas formadas por casas levantadas ao largo das mesmas. Aquelas povoações não eram como as desta terra, nem as casas como as deste mundo. eram objetos misteriosos e diria casas espirituais. As ruas se viam recorridas por veículos ou ir meios de locomoção que, ao correr adotavam mil aspectos fantásticos e mil formas diversas se bem que todas estupendas e magníficas, tanto que não seria capaz de descrever nem uma só delas. Observei com assombro que nos veículos, ao chegar junto aos grupos de casas, aos povos, as cidades, passavam por cima de maneira que, os que neles viajavam, via o olhar para baixo dos telhados das casas, as quais se bem que eram muito elevadas, estavam por debaixo daqueles caminhos, que, entretanto, atravessavam o deserto estavam aderidos ao solo e ao chegar aos lugares habitados, se convertiam em caminhos aéreos, como formando uma mágica ponte. Daí para cima , se viam os habitantes nas casas, nos pátios, nas ruas e nos campos, ocupados em lavrar suas terras.
Cada uma daquelas ruas conduzia a uma de nossas missões. Ao fundo de um caminho larguíssimo que se dirigia em direção ao Chile, vi uma casa com muitos Salesianos, os quais se exercitavam na ciência, na piedade, nas diferentes artes e ofícios e na agricultura. Em direção ao meio sai estava na Patagônia. Na parte oposta de uma só olhada, pude ver todas nossas casas da República Argentina. As do Uruguai, Paissandu, as Pedras, Vila Cólon, no Brasil pude ver o colégio de Niterói e muitos outros institutos espalhados pelas províncias daquele império. Em direção ao ocidente se abria uma última e larguíssima avenida que, atravessando rios, mares e lagos, conduzia a países desconhecidos. Nesta região, vi poucos Salesianos. Observei com atenção e pude descobrir somente dois.
Naquele momento, apareceu junto a mim um personagem de aspecto nobre, um pouco pálido, corpulento, de barba rala e de idade madura. Ia vestido de branco, com uma espécie de capa de cor rosa bordada com fios de ouro. Resplandecia em toda a sua pessoa. Reconheci nele o meu intérprete.
- Onde nos encontramos? Lhe perguntei mostrando aquele último país.
- Estamos na Mesopotâmia, replicou.
- Na Mesopotâmia? Lhe repliquei. Sim, mas esta é a Patagônia.
- Te repito - me replicou - que esta é a Mesopotâmia.
- Pois assim é: Me-so-po-tâ-mia, concluiu o intérprete, silabando a palavra, para que me ficasse bem impressa na memória.
- E  por que os salesianos que vejo aqui são tão poucos?
- O que não há agora, o haverá com o tempo - contestou meu intérprete.
Eu entretanto, sempre de pé naquela planície, percorria com a vista aqueles caminhos intermináveis e contemplava com toda claridade, entretanto, de maneira inexplicável, os lugares que estão e estarão ocupados pelos salesianos. Quantas coisas magníficas vi! Vi todos e cada um dos colégios! Vi como em um só ponto o passado, presente e o futuro de nossas missões. Da mesma maneira que  o contemplei todo no conjunto de uma só olhada, o vi também, sendo-me impossível dar uma idéia, se bem que quase em cima daquele espetáculo. Somente o que pude contemplar naquela planície do Chile, do Paraguai, do Brasil, da República Argentina, seria suficiente para encher um grosso volume, se quisesse dar uma breve notícia de todo ele. Vi também naquela ampla extensão a grande quantidade de selvagens que estão espalhados pelo Pacífico até o Golfo de Ancud, pelo Estreito de Magalhães, Cabo de Hormos, Ilhas de São Diego, nas Ilhas Malvinas. Toda a messe destinada aos Salesianos. Vi então, que os Salesianos semeavam somente, entretanto, que nossos seguidores colhiam. Homens e mulheres vinham reforçar-nos e se convertiam em pregadores. Seus mesmos filhos, que parece impossível poder ser ganhado para a fé, se converteram em evangelizadores se seus pais e de seus amigos. Os Salesianos o conseguiram tudo com a humildade, com o trabalho, com a temperança. Todas as coisas que eu contemplava naquele momento e que vi seguidamente se referiam aos Salesianos, seu regular estabelecimento naqueles países, seu maravilhoso aumento, a conversão de tantos indígenas e de tantos europeus ali estabelecidos. Europa se voltará em direção a América do Sul. Desde o  momento em que na Europa se empenhou a desposar as Igrejas de seus bens, começou a diminuir o florescimento  do comércio, e qual foi e irá cada vez mais de ( capa caída). Para que os operários e suas famílias impelidos pela miséria, irão buscar refúgio naquelas novas terras hospitaleiras.
Uma vez contemplando o campo que o Senhor nos tinha destinado e o futuro glorioso da Congregação Salesiana, me pareceu que me poria em viagem para regressar a Itália. Era levado a grande velocidade por um caminho estranho, altíssimo, e dessa maneira cheguei ao Oratório. Toda a cidade de Turim estava abaixo de meus pés e as casas, o palácios, as torres, me pareciam baixas casinhas: tão alto me encontrava. Praças, ruas, jardins, avenidas, ferrovias, os muros, que rodeiam a cidade, os povos e a província, a gigantesca cadeia dos Alpes coberta de neve estavam abaixo de meus pés e ofereciam a meus olhos um espetáculo maravilhoso. Via os jovens lá no Oratório, tão pequeno que pareciam ratinhos. Em geral, parecia que a cúpula daquela grande sala fosse de candissimo linho à guisa de tapete. O mesmo havia que descer do pavimento. Não havia luzes nem sol, nem estrelas, porém, sim um resplendor geral que se difundia igualmente por todas as partes.
A mesma brancura do linho resplandecia e fazia visível  e amena cada uma das partes do salão, sua ornamentação, as janelas, a entrada, a sala. Se sentia em todo o ambiente uma suave fragrância mesclada com os mais gratos aromas. Um fenômeno se produz naquele memento. Uma série de pequenas mesas formavam uma só de longitude extraordinária. Haviam dispostas em todas as direções e todas convergiam em um único centro. Estavam cobertos de elegantíssimas toalhas e, sobre elas, se viam colocados formosíssimos vasos com multiformes e variadas flores. A primeira coisa que notou monsenhor Cagliero foi:
Mas, as mesas estão aqui. E as comidas?
No entanto , não havia preparado comida alguma, nem bebida de nenhuma espécie, nem tão pouco pratos, copos, nem recipientes nos quais podiam colocar a comida.
Então, o intérprete replicou:
- Os q vem aqui neque sitient, meque esurien amplius.
Dito isto, começou a entrar pessoas, vestidas de branco, com uma simples fita parecido com o colar, de cor rosa, recomendada com o brilho de ouro que o enfaixava o pescoço e as costas. Os primeiros a entrar formavam um número limitado, só um pequeno grupo. Apenas entravam naquela grande sala e se iam sentando em torno à mesa preparados para eles, cantando. Viva! Triunfo! E então começou a aparecer uma variedade de pessoas, grandes e pequenas, homens e mulheres, de todo gênero, de diversas cores, formas e atitudes, ressonando os cânticos de toda parte. Os que estavam já colocados em seus lugares cantavam: Viva! E os que iam entrando: Triunfo. Cada turma que entrava naquele local representava uma nação. O lugar de nação que seriam convertidos pelos missionários.
Depois de uma olhada àquelas mesas intermináveis, comprovei que haviam sentados junto a elas muitas  nossas irmãs e grande número de irmãos nossos. Estes não levaram distintivo algum que predominasse sua caridade de sacerdotes, clérigos ou religiosos senão que, igual aos demais tinham o hábito branco e o manto cor-de-rosa.
Mas minha admiração cresceu quando vi alguns homens de aspecto grosso, com o mesmo vestido igual aos outros, cantando: Viva! Triunfo !
Então nosso intérprete disse:
Os estrangeiros e os selvagens, que beberam o leite da palavra divina de seus educadores, se fizeram proclamadores da palavra de Deus.
Vi no meio da multidão, grupos de rapazes com aspecto estranho, e perguntei:
E estes meninos que tem uma pele tão áspera que parece à de sapos, mas tão bela e de uma cor tão resplandecente? Quem são?
São os filhos de Cam que não haviam renunciado à herança de Levi. Estes reforçaram os exércitos para defender o reino de Deus que havia chegado a nós. Seu número era reduzido, mas os filhos de seus filhos o havia complementado. Agora escuta e vê, mas não podereis entender os mistérios que contemplareis.
Aqueles jovenzinhos pertenciam à Patagônia e a África Meridional.
Entretanto, aumentaram tanto as filas dos que entravam naquela sala extraordinária que todos os assentos apareciam ocupados. Todas as cadeiras e bancos estavam ocupados e não tinha uma forma determinada, sem tomar o lugar que cada um queria. Cada pessoa estava contente do lugar que ocupava e os demais também.
E eis que, enquanto saiam vozes de todas as partes: Viva! Triunfo! Chegou, finalmente, uma grande multidão que, vinham com ato festivo ao encontro dos que já haviam entrado. E os  que vinham chegando cantavam: Aleluia, Glória, Triunfo.
Quando a sala apareceu completamente cheia e os milhares de reunidos eram incontáveis, se fez um profundo silêncio e um seguida, aquela multidão começou a cantar dividida em coros diversos:
O primeiro coro: Appropinquiavit in nos reginom Dei, llaetentur coeli et exultet terra dominus.
O segundo coro: ?
O terceiro coro: ?
Enquanto cantavam estes e outros cantos alternando uns com os outros, se fez por Segunda vez um profundo silêncio. Depois começaram a ressoar vozes que procediam do alto de longa distância. O sentido do canto era este e a harmonia que o acompanhava era difícil de expressar: Soli deo honor et gloria in saecula saeculorum.
O pensamento principal que foi gravado depois deste sonho, foi meu repasse Dom Cagliero e a meus queridos missionários que era um aviso de muita importância, relacionado com a sorte futura de nossas missões.
-  Todas as solicitudes dos Salesianos e das FMA haveriam de encaminhar e promover vocações sacerdotais e religiosas.



11 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

16/21 - O BURACO E A SERPENTE (1863)
               
 Ontem pela manhã fizemos o exercício da boa morte. Todo  o dia andei pensando nos frutos que dele nasceriam. Temo, porém, que alguém de vós não tenha feito bem o retiro. Tive esta noite um sonho que vou lhes contar:
Me encontrava no pátio com todos os alunos de casa, que brincavam: corriam, saltavam. Saímos do Oratório para ir de passeio e depois de algum tempo nos deparamos em um prado. Os meninos reuniram seus jogos e cada um ia apostar com os demais para ver quem era o que mais saltava. Nisto descobriu no meio do pátio, digo, do prado, um poço sim boca. (........) me aproximei para examiná-lo e assegurar-me de que não oferecia perigo a alguém, quando no fundo uma terrível serpente. Seu tamanho era como de um cavalo, ou melhor, de um elefante; seu corpo informe e todo coberto de manchas amareladas.
Imediatamente saí cheio de medo e comecei a observar os jovens que em bom número, havia começado a saltar de uma a outra parte do poço e, coisa estranha sem que me viesse à mente o deve proibi-los, de avisar-lhes do perigo que estavam se expondo. Vi alguns pequenos, tão ágeis que saltavam sem dificuldade alguma. Outros maiores, como eram mais pesados, saltavam com mais calma, porém, alcançavam menor altura e as vezes caiam na mesma boca. Percebeu aqui que ele se mostrava e tornava a desaparecer a cabeça daquele monstro que mordia o pé de um, a perna de outro e outros membros. A pesar disso eles eram tão imprudentes que seguiam saltando sem parar e quase nunca caíam feridos. Então um jovem me assinalou e disse mostrando-me um companheiro:
- Olhe, este saltará uma vez e não acontecerá mal. Saltará uma Segunda e cairá ali.
Me dava pena ver no entanto a muitos jovens estendidos por aquele solo, um buraco em uma perna, outro com um braço mordido e algum com o coração desgarrado. Eu ia lhes perguntando:
- Por que saltais sobre esse poço, expondo-os a tanto perigo? Por que, depois de haver sido mordidos várias vezes, voltam a repetir esse jogo terrível?
E eles respondiam enquanto suspiravam:
- Não! Estamos acostumados a saltar.
Eu lhes dizia:
- E que necessidades têm vocês de saltarem?
- E eles replicavam:
- Que queres? Não estamos acostumados. Não pensávamos que ia acontecer isso conosco.
Porém, entre todos um me chamou atenção e me fez tremer: era o que havia me assinalado. Saltou de novo e caiu dentro do poço. Depois de alguns instantes, o monstro o colocou para fora, negro como um carvão; porém, mesmo assim não estava morto e seguia falando. Os que estavam ali lhe contemplavam espantados e lhe perguntavam.

Observações:
Dom Bosco contou este sonho na noite de 13 de novembro, sabendo o que tinha acontecido na noite anterior... estou preocupado porque alguém não há feito bem o retiro; desde ontem, não penso em outra coisa...