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1 de julho de 2016

Sermão para o 3º Domingo depois de Pentecostes – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] O culto excelente ao Sagrado Coração de Jesus

Amém.

Ave Maria…
São João, no prólogo de se Evangelho, nos diz que no princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus e que Deus era o Verbo. Nós poderíamos dizer igualmente que no princípio era a Caridade e que a Caridade estava em Deus e que Deus era a Caridade. De fato, em sua epístola, São João diz: Deus caritas est. Deus é caridade.
A caridade de Deus se exprime de modo perfeito no Sagrado Coração de Jesus. O Sagrado Coração de Jesus é o símbolo e a imagem da caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, homem e Deus. Como estamos iniciando o mês de junho, caros católicos, mês dedicado ao Sagrado Coração, convém tratar dele, isto é, do Sagrado Coração e da devoção a Ele.
Consideremos, primeiramente, a dupla caridade que se encontra no Sagrado Coração de Jesus. A caridade primeira e que domina o Sagrado Coração de Jesus é a caridade para com Deus, é o amor a Deus. Nem poderia ser diferente. A caridade tem uma ordem e ela começa por Deus. O Sagrado Coração de Jesus é, então, de uma caridade infinita para com Deus. Caridade que se manifesta claramente no Evangelho, quando Nosso Senhor diz que veio fazer unicamente a vontade do Pai e não a sua própria. Mesmo em sua agonia mortal no Jardim das Oliveiras, o Salvador deixa claro o amor que está presente em seu Sacratíssimo Coração: que se faça a vontade do Pai e não a sua própria.
A caridade perfeita no coração de Nosso Senhor Jesus Cristo se exprime precisamente na conformidade com a vontade de Deus. E mais do que em uma conformidade, podemos falar de verdadeira uniformidade. Amar a Deus é fazer a vontade dEle em todas as coisas, amar a Deus é fazer a nossa vontade conforme ou mesmo uniforme com a vontade de Deus. Assim era o Sagrado Coração de Jesus: perfeitamente uniforme com a vontade divina. No Sagrado Coração de Jesus, na sua inteligência, na sua vontade, em seus sentimentos, não havia nada, absolutamente nada, que destoasse, ainda que minimamente, da vontade perfeita de Deus. É esse amor a Deus, essa uniformidade plena com a vontade do Pai que faz do Coração de Jesus o abismo de todas as virtudes, como rezamos na sublime ladainha do Sagrado Coração de Jesus. A uniformidade com a vontade de Deus é a fonte de perfeição de todas as outras virtudes. Portanto, a primeira coisa que devemos considerar no Sagrado Coração de Jesus é a sua caridade para com Deus, a uniformidade com a vontade de Deus. Uniformidade que se mostra de modo ainda mais claro e perfeito nas tribulações, nas perseguições, nos sofrimentos, nas humilhações, nas calúnias. É na sua Paixão e morte sobre a cruz que a caridade de Cristo para com Deus se manifesta de modo absolutamente claro.
A outra caridade presente no Sagrado Coração de Jesus é a caridade para com os homens, é a caridade para conosco, pobres pecadores. O Sagrado Coração de Jesus é a imagem de todo o bem que Deus quer para nós, de todo o bem que já fez por nós e de todo o bem que continua a nos fazer. Esse amor do Sagrado Coração de Jesus pelos homens decorre de seu amor a Deus. Ele nos ama porque ama a Deus. Ele nos ama buscando o nosso bem supremo, que é a nossa salvação. Devemos parar, caros católicos, e pensar realmente em tudo aquilo que Deus fez por nós: primeiramente, a criação. Ele poderia simplesmente não ter criado nada. Mas criou. Criou Adão e Eva, nossos primeiros pais. Tendo eles se revoltado contra Deus com o pecado original, prometeu-lhes o Salvador. Governou toda a história antiga da humanidade preparando os homens para a vinda do Salvador, em particular formando para si um povo, o povo judeu, e mantendo nesse povo a verdadeira fé, a verdadeira doutrina sobre Deus, apesar das muitas infidelidades do povo eleito. Eis que o Verbo vem, então, ao mundo, faz-se homem. Nasce em Belém, de uma jovem virgem. Vem ao mundo para sofrer, para nos ensinar a verdade, para morrer por nós e nos salvar. Funda a Igreja Católica, institui os sacramentos, em particular a eucaristia e a confissão, institui a Santa Missa. Quantos tesouros NSJC nos dá! Seu Coração se inclina somente a isso: à glória de Deus e à nossa salvação. Devemos parar e pensar também em nossas vidas e ver todo o bem que Deus nos fez e continua a fazer. Mas é preciso ver esse bem não somente nas facilidades, nas alegrias e na prosperidade. É preciso ver o bem que Deus nos faz e quer nos fazer também nas tribulações, nos sofrimentos, nas injustiças que padecemos. Enfim, é preciso ver também o amor do Sagrado Coração de Jesus nas cruzes. Devemos ver o amor do Sagrado Coração de Jesus na cruz que Ele, na sua sabedoria e bondade, esculpiu para que nós carregássemos. Devemos, então, ver o amor de Deus também nas cruzes, caros católicos, em que Ele deseja tão ardentemente que nos unamos aos seus sofrimentos, que completemos em nós a sua paixão, que expiemos os nossos pecados, que avancemos no amor a Ele e em todas as virtudes.
O Sagrado Coração deve ser por nós profundamente venerado. Devemos procurar imitar o Sagrado Coração de Jesus no seu amor para com Deus. Devemos buscar a uniformidade com a vontade de Deus em todas as coisas. Principalmente, nas cruzes, que são um tesouro de santidade e de virtudes. Devemos buscar imitar o Sagrado Coração em seu amor pelos homens. Devemos desejar ardentemente a salvação do nosso próximo e agir para isso. Devemos considerar o amor infinito do Sagrado Coração de Jesus para conosco a fim de responder com amor completo. Devemos considerar o amor do Sagrado Coração de Jesus para conosco e nos decidir a amá-lo inteiramente, de uma vez por todas, com decisão firmíssima, abandonando os nossos pecados mortais, combatendo vigorosamente também os veniais, corrigindo as nossas imperfeições, deixando de lado a tibieza, a mornidão digna de ser vomitada por Deus, a preguiça. Devemos deixar o espírito mundano, amaldiçoado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos nos decidir a fazer a vontade de Deus em todas as coisas com constância, com generosidade, sem respeitos humanos. Devemos fazer do nosso coração um espelho do Sagrado Coração de Jesus, repleto do amor a Deus, do amor pelo próximo e repleto de todas as virtudes. Devemos fazer do nosso coração o espelho do Sagrado Coração de Jesus, incendiado pelo fogo do amor divino, incendiado pelo fogo do amor à verdade, incendiado pelo fogo do amor ao bem.
Ao Sacratíssimo Coração de Jesus, caros católicos, devemos o culto de latria, quer dizer, de adoração. Devemos esse culto de adoração em virtude da união substancial que existe entre a humanidade de Cristo e o Verbo. O Coração de Jesus está unido substancialmente ao Verbo de Deus, como tão bem rezamos na Ladainha do Sagrado Coração de Jesus. Devemos adorar o Sagrado Coração de Jesus também por ser símbolo tão perfeito da caridade, para com Deus e para com os homens. O culto tributado ao Sagrado Coração de Jesus é o culto tributado ao amor divino e humano do Verbo Encarnado.
Devemos ter em alta conta, caros católicos, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Essa devoção é muitas vezes despojada de sua mais profunda eficácia porque se torna uma devoção muito sentimental ou muito naturalista. Ao contrário, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus não deve ser uma devoção meramente afetiva. Deve ser uma devoção efetiva, que nos leve a amar a Deus com toda a nossa mente, com todas as nossas forças, com todo o nosso ser. Reconhecer o amor divino e humano de Jesus Cristo por nós, cultuar esse amor de Jesus Cristo por nós é elemento básico e essencial de nossa santa religião. Sem isso, não pode haver cristianismo. Esse reconhecimento do amor do Verbo Encarnado por nós e esse culto do amor de Jesus Cristo por nós se faz de modo perfeito com o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Recomendo a todos uma verdadeira e profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Recomendo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus aos homens, em particular, que às vezes tendem a achar que a devoção ao Sagrado Coração é para as mulheres e para os fracos. Espelhar o Coração de Jesus em nosso próprio coração exige grande força, grande virilidade. Colocar em nosso coração a uniformidade com a vontade de Deus, o amor pelos sofrimentos e contrariedade, colocar em nosso coração todas as virtudes, entre elas a mansidão e a humildade, exige, ao contrário, uma grande força, uma grande virilidade. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é a devoção daqueles violentos que querem arrebatar o reino dos céus pela força, pela força da caridade ardente, pela força de todas as virtudes.
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus, bem compreendida e bem praticada, é arma necessária para os nossos tempos, caros católicos. É o que dizia e repetia com frequência o Papa Pio XII. Em sua excelente Encíclica sobre o Sagrado Coração,Haurietis Aquas, ele diz: “À vista de tantos males que, hoje como nunca, transtornam profundamente os indivíduos, as famílias, as nações e o mundo inteiro, onde acharmos, veneráveis irmãos, um remédio eficaz? Poderemos encontrar alguma devoção que seja melhor que o culto augustíssimo do Coração de Jesus, podemos encontrar uma devoção que corresponda melhor à índole própria da fé católica, uma devoção que com mais eficácia satisfaça as necessidades atuais da Igreja e do gênero humano? Que devoção mais nobre, mais suave e mais salutar do que este culto que se dirige todo à própria caridade de Deus? Por último, que pode haver de mais eficaz do que a caridade de Cristo – que a devoção ao Sagrado Coração promove e fomenta cada dia mais – para estimular os cristãos a praticarem em sua vida a lei evangélica, sem a qual não é possível haver entre os homens paz verdadeira?” E diz também o Papa: “desejando ardentemente opor segura barreira às ímpias maquinações dos inimigos de Deus e da Igreja, como também fazer as famílias e as nações voltarem ao amor de Deus e do próximo, não duvidamos em propor a devoção ao Sagrado Coração de Jesus como escola eficacíssima de caridade divina; dessa caridade divina sobre a qual se há de construir o reino de Deus nas almas dos indivíduos, na sociedade doméstica e nas nações.”
A fim de que a devoção ao coração de Jesus possa dar frutos mais abundantes para o indivíduo, para a família e mesmo para toda a humanidade, é preciso unir a ela a devoção ao Coração Imaculado da Mãe de Deus, pois foi vontade de Deus que, na obra da redenção humana, a santíssima virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo. E no Imaculado Coração de Maria temos o espelho perfeito do Sagrado Coração de Jesus. E, por isso, caros católicos, temos no altar o Sagrado Coração de Jesus e o Coração de Maria unidos. Por isso, sobre o altar, temos a imagem do Sagrado Coração de Jesus, no lado do Evangelho, com uma mão apontando o seu Sagrado Coração, para que consideremos a sua infinita caridade, e, com a outra mão estendida, chamando-nos a imitar o seu Sagrado Coração.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

30 de junho de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 140

PULCHRI SUNT GRESSUS TUI!

Maria Vela estava um dia em doce contemplação aos pés de seu Divino Esposo, quando ouviu o sinal da campainha, que a chamava. Não hesitou nem um instante; interrompeu sua oração, foi aonde a chamavam e, terminado o trabalho, voltou para os pés de seu santo Esposo, o qual, satisfeito de vê-la tão pronta em executar a vontade de Deus e observar exatamente a Regra, pôs-se a louvar-lhe aqueles passos, repetindo: “Pulchri sunt gressus tui (Cânt 7, 1): Que belos são os teus passos!”

29 de junho de 2016

Sermão para o 2º Domingo depois de Pentecostes – Pe Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Métodos naturais, contracepção e a cultura da morte – 2ª versão


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Prezados católicos, gostaria de voltar a um tema importantíssimo e que, no estado atual das coisas, devemos tratar com certa regularidade. Trata-se da questão da geração dos filhos e, mais precisamente, da questão dos métodos naturais, da questão da contracepção e da cultura de morte.
A Igreja tem o direito e o dever dados por Deus para julgar sobre a moralidade dos atos humanos e esse poder da Igreja em relação à moral se estende à lei natural, à explicação da lei natural. Esta lei decorre da própria natureza das coisas tal como criadas por Deus. A lei natural, para o homem, decorre da própria natureza do homem, tal como criada por Deus. Nós vemos que Deus formou nossas faculdades com uma finalidade e com os meios para atingir essa finalidade. Consequentemente, nossas faculdades devem ser usadas segundo a intenção do Criador, se não quisermos ofendê-lo e prejudicar a nós mesmos. Em outras palavras, Deus nos fez de um certo modo e isso traz para nós consequências de como devemos agir. De forma semelhante, quando se fabrica um carro, o fabricante o faz de uma certa maneira, tendo em vista seus objetivos. Assim, ele pode fabricar um carro que funciona somente com gasolina. Ora, se alguém vai contra a intenção do fabricante e coloca álcool no tanque de combustível, o carro terá vários problemas e não funcionará corretamente como deveria, se tivesse sido observada a intenção do fabricante.
Dentre as faculdades que Deus deu ao homem, há a faculdade reprodutiva. E Ele formou tal faculdade de forma que ela fosse utilizada para a geração e consequente educação dos filhos, o que se pode fazer adequadamente apenas dentro do matrimônio indissolúvel. Portanto, o uso dessa faculdade, está reservada para o matrimônio, onde os filhos podem ser não só gerados, mas devidamente educados. E ao dar ao homem essa faculdade reprodutiva, ele uniu dois aspectos: o aspecto procriativo e o unitivo. No ato conjugal, devem se encontrar necessariamente juntos os aspectos procriativo e unitivo. O elemento unitivo consiste no fato de que o ato conjugal, por sua própria natureza, faz do homem e da mulher uma só carne, unindo-os fisicamente. O aspecto unitivo não é aqui propriamente amor entre os cônjuges, mas a união que faz deles uma só carne. O elemento procriativo consiste no fato de que o ato conjugal, por sua própria natureza, está fundamentalmente ordenado à procriação. Assim, esses dois aspectos do ato conjugal não podem nunca se separar. Se alguém os separa, irá gravemente contra a lei natural e, portanto, contra Deus, autor dessa mesma lei. É de suma importância compreender isso: o aspecto procriativo e o aspecto unitivo não devem ser separados. Deus quis que os filhos fossem gerados por meio da união que se realiza no ato conjugal, dentro do matrimônio indissolúvel e entre um homem e uma mulher, claro. E essa união pelo ato conjugal só se justifica quando tal ato é feito de modo apto à geração dos filhos, isto é, sem excluir a procriação.
Essa doutrina imutável da Igreja nos leva a algumas conclusões importantes. Ela condena como pecado gravíssimo, por exemplo, a fertilização in vitro e a inseminação artificial, pois aqui o aspecto unitivo é deixado de lado. A Igreja é defensora da família e dos filhos, mas não a qualquer custo. Os fins não justificam os meios. A Igreja não pode ir contra a lei natural, contra Deus, para favorecer a procriação. Essas práticas que deixam de lado o aspecto unitivo vão gravemente contra a lei natural, feita por Deus, e são objetivamente um pecado grave. Além de outro problema gravíssimo nesses casos: os embriões que não são implantados na mulher serão puramente destruídos ou utilizados em pesquisas, como se fossem um nada, enquanto na verdade são seres humanos, capazes da salvação eterna, inclusive.
Outras consequências decorrem da doutrina da Igreja. Ela significa que uma pessoa não pode ser esterilizada a fim de evitar os filhos: ligadura das trompas e vasectomia são gravemente proibidas. São também a mutilação de um órgão que está sadio, o que não pode ser feito. Também os que recomendam esses procedimentos e os médicos que os realizam cometem grave pecado. Esses procedimentos, sendo possível, devem ser revertidos, se o casal ainda se encontra em idade fértil. Preservativos e qualquer outro tipo de barreira artificial, como diafragma, por exemplo, também não são moralmente lícitos. Também as pílulas não podem ser tomadas, evidentemente, para evitar os filhos. E vale destacar que essas pílulas não somente impedem a gravidez, como são, em sua maioria, abortivas, impedindo a fixação do embrião na parede uterina, quando já houve a concepção, por exemplo. Todas essas coisas vão contra a finalidade primária do matrimônio e do ato conjugal: a procriação. Essas coisas vão contra o aspecto procriativo.
Em 1968, o Papa Paulo VI, na Encíclica Humanae Vitae, confirmou o ensinamento constante e imutável da Igreja tanto em relação aos dois aspectos do ato conjugal que não podem ser separados quanto à proibição dos métodos anticoncepcionais.
O que falar do chamado método natural? O método natural é aquele em que o casal realiza naturalmente o ato conjugal, mas o faz somente nos dias inférteis da mulher. Antes de tudo, é preciso dizer que é perfeitamente lícito o ato conjugal quando a infertilidade é natural, decorrente, por exemplo, do ciclo da mulher ou da idade ou de um problema da natureza. Assim, no período infértil, o ato é lícito, pois nesse caso a infertilidade não decorre da vontade dos cônjuges, mas da própria natureza. Todavia, uma pergunta deve ser feita: é lícito o casal simplesmente reduzir o ato conjugal apenas ao período infértil sem motivo ou sem motivo grave, quer dizer, é lícito o casal praticar os métodos naturais sem motivo sério, grave? A resposta é não. Os métodos naturais só podem ser praticados quando há motivo grave. O Papa Pio XII diz o seguinte: “o contrato matrimonial, que concede aos esposos o direito de satisfazerem a inclinação da natureza, os estabelece em um estado de vida, o estado conjugal. Ora, aos esposos que fazem uso deste estado conjugal, praticando o ato específico do seu dele, a natureza e o Criador impõem a função de prover à conservação do gênero humano. Essa é a prestação característica que faz o valor próprio do estado deles, o bem dos filhos (a procriação). Na ordem estabelecida por Deus, o indivíduo e a sociedade, o povo e o Estado, a própria Igreja, dependem, para a sua existência, do matrimônio fecundo. Em consequência, abraçar o estado de matrimônio, usar constantemente da faculdade que lhe é própria e que só é lícita nos limites do matrimônio, e, por outro lado, se subtrair sempre e deliberadamente, sem grave motivo, ao seu dever principal, seria um pecado contra o próprio sentido da vida conjugal.” Continua o Papa: “Pode-se ser dispensado dessa prestação positiva obrigatória (da fecundidade), mesmo por longo tempo, até mesmo pela duração inteira do matrimônio, por motivos sérios, como os que não são raros de achar no que chamamos de “indicação” médica, eugênica, econômica e social. No entanto, se, de acordo com um juízo razoável e justo, não há semelhantes razões graves, quer pessoais, quer decorrentes das circunstâncias exteriores, a vontade dos esposos de evitar habitualmente a fecundidade da união, embora continuando a satisfazerem plenamente a sua sensualidade, só pode provir de uma falsa apreciação da vida, e de motivos estranhos às regras da são moral.” Está claro pelas palavras do Santo Padre e pela doutrina constante da Igreja que os métodos naturais só podem ser usados com motivo grave. Muitos dizem que a Igreja recomenda os métodos naturais e quase transformam os métodos naturais em oitavo sacramento da Igreja, como se fossem o ideal da vida matrimonial. A Igreja em hipótese alguma recomenda os métodos naturais. Ela permite os métodos naturais quando há motivo sério, grave, o que é bem diferente de recomendar. O ideal da vida matrimonial é fazer o uso normal do matrimônio nos dias fecundos e infecundos. Os métodos naturais não podem, então, ser usados por razões de contracepção ou por uma mentalidade contraceptiva, quer dizer, para evitar os filhos a todo custo ou para reduzir o número de filhos a um número que seja agradável para o casal. Isso vai contra o dever de estado daqueles que estão unidos em matrimônio.
Para utilizar os métodos naturais de forma moralmente aceitável, é preciso que haja, então, razões graves para que uma nova gravidez não aconteça. Destaco bem: são necessárias razões graves. Essas razões graves podem ser de ordem médica, eugênica, social, econômica. De ordem médica, física ou psicológica, por exemplo, se uma nova gravidez traz riscos graves para a saúde da mãe. De ordem eugênica, por exemplo, se a probabilidade de o filho nascer com problemas ou deficiências é grande ou se há grande probabilidade de aborto espontâneo, sobretudo se já ocorreram seguidamente antes. De ordem social, por exemplo, se o governo aborta sistematicamente as crianças de um casal após o nascimento do primeiro ou segundo, como é o caso na China. De ordem econômica, se o nascimento de mais um filho colocará os pais em situação econômica realmente difícil, por exemplo.
As razões de ordem econômica devem ser graves: o não conseguir dar o melhor colégio ou a melhor comida para o filho não são razões graves. O ter de comprar um carro pior ou ter de baixar o status econômico também não são razões graves. Tem-se exagerado muito a questão econômica para justificar o uso dos métodos naturais. Repito: a razão econômica deve ser realmente grave. Paradoxalmente, quanto mais abastada economicamente é uma sociedade, mais se tende a impedir a geração dos filhos, pois maior é o apego aos bens materiais e maior a aversão aos sacrifícios.
Também a indicação médica é muito exagerada pelos médicos, seja por motivos ideológicos, seja simplesmente para evitar maiores problemas. Os médicos tendem a exagerar bastante o risco de uma nova gravidez. Claro, é remediar isso com opiniões mais imparciais e seguras e com eventuais exames necessários.
Como podem surgir muitas dúvidas sobre o saber se uma razão é ou não suficiente para a utilização dos métodos naturais, é preciso consultar um padre de segura doutrina moral, para evitar o engano em matéria tão delicada. Repitamos as palavras de Pio XII: “se essas graves razões (para utilizar os métodos naturais) não estão presentes, a vontade de evitar habitualmente a fecundidade da união, mas continuando a satisfazer plenamente a sensualidade, só pode derivar de uma falsa apreciação da vida e de motivos alheios às retas normas éticas”. Quando se usam os métodos naturais sem motivo sério, muitos problemas surgirão no matrimônio: mentalidade egoísta, diminuição do amor conjugal, discórdia, tentações contra pureza.
Resumindo, utilizar os métodos naturais sem ter uma razão realmente grave para tanto, é moralmente ilícito, é pecaminoso e deriva de uma mentalidade contraceptiva que precisa ser evitada, pois essa mentalidade, além de ser em si pecaminosa, conduz aos métodos contraceptivos de fato. Além disso, para que os métodos naturais sejam utilizados é preciso que os dois cônjuges estejam de acordo, pois tais métodos supõem a abstenção do ato conjugal durante um certo período e isso não pode ser feito sem que o dois estejam de acordo, até para não dar lugar a tentações contra o matrimônio. O casal pode usar os métodos naturais para aumentar a chance de filhos, evidentemente. Podem, mas isso não é obrigatório, Ninguém está obrigado a ter o maior número possível de filhos, mas, sim, a aceitar todos os filhos que Deus enviar como fruto do uso normal do matrimônio.
A contracepção e a mentalidade contraceptiva são hoje praticamente onipresentes. E, infelizmente, mesmo entre os católicos. A crise atual é de fé e moral. E as consequências são drásticas, lastimáveis e graves. A primeira consequência é, claro, para o próprio casal que vê a vida matrimonial naufragar. A recusa da primeira finalidade do matrimônio, que é a procriação, trará grandes prejuízos para o casal, como dissemos. A contracepção faz que homens e mulheres sejam vistos como objetos para fins sexuais. Mas a contracepção e a mentalidade contraceptiva causam também graves problemas na sociedade. O problema do aborto está diretamente ligado à contracepção. Ora, o objetivo da contracepção é fazer de tudo para praticar o ato conjugal sem ter filhos. Com essa mentalidade contraceptiva os filhos passam a ser vistos como inimigos do casal. Mas, e se os métodos anticoncepcionais falharem? Ora, a gravidez vai contra a intenção de ter filhos, então, é preciso fazer um aborto. Depois se segue o infanticídio, pois se eu posso matar a criança na barriga da mãe, por que não posso matar assim que ela nascer? E isso já está sendo proposto e começa a ser praticado em alguns países: o aborto pós-parto, quer dizer, o assassinato da criança depois de nascida. E tudo isso é lógico, pois o crime é o mesmo – o assassinato de um bebê – só muda o lugar e o momento. A que ponto chegamos, caros católicos?
A chamada paternidade responsável por meio do uso dos métodos naturais sem motivo sério é, na verdade, irresponsável e causa irresponsabilidade. A chamada paternidade responsável por meio da contracepção é ainda mais irresponsável e causa ainda mais irresponsabilidade. Essa paternidade é irresponsável porque a pessoa quer justamente praticar um ato sem arcar com as consequências naturais de seu ato. Isso é o que se chama irresponsabilidade. E se a irresponsabilidade é defendida em matéria tão fundamental e básica, é claro que ela vai se propagar para outros domínios da vida. Não é por acaso se as pessoas e a sociedade têm se mostrado cada vez mais irresponsáveis e imaturas.
O próximo passo, depois do aborto, é a eutanásia. A razão para não ter crianças é o fato de elas serem um peso, um fardo. O passo seguinte é, então, eliminar os idosos que se tornam igualmente inconvenientes. Uma vez que o princípio por trás da contracepção – isto é, o prazer sem responsabilidades e a eliminação de tudo o que pode ser inconveniente – foi aceito, as consequências lógicas chegam, mais cedo ou mais tarde. E depois dos idosos, serão eliminados da sociedade todos aqueles que ela de alguma forma acha que são inconvenientes, que são um peso. E isso começa, por exemplo, com o aborto dos fetos anencefálicos. Nossa sociedade, supostamente “tão moderna e tão evoluída”, faz com muito mais perfeição o que fazia a Alemanha nazista de Hitler. Nós vemos, então, que a mentalidade contraceptiva está na raiz da cultura da morte e podemos enxergar claramente a gravidade da mentalidade contraceptiva e da contracepção. E notem que, historicamente, a cultura da morte, de fato, começa com a mentalidade contraceptiva (mesmo em métodos naturais), para a contracepção, em seguida passa ao aborto, depois vem a eutanásia, e, finalmente, a eliminação de todos os que são considerados um peso por essa sociedade degenerada. Tudo foi muito bem organizado pelo inimigo do homem. É preciso notar também que quando uma sociedade se torna contraceptiva, há um aumento da homossexualidade, pois a contracepção indica que a finalidade das nossas vidas é o prazer sensual. E se a finalidade é essa, qualquer forma de prazer desse tipo se torna válida. Tudo está ligado, caros católicos.
É preciso, portanto, ficar longe da contracepção, da mentalidade contraceptiva e de todas as suas consequências. A mentalidade contraceptiva começa com o uso dos métodos naturais sem ter motivos sérios para isso. A nossa atitude face aos filhos deve ser como a de Nossa Senhora: “faça-se em mim segundo a vossa palavra”. Os três bens do casamento são os filhos, a fidelidade e a indissolubilidade, O maior deles, porém, são os filhos. Os filhos não são um peso e não são um mal. Ao contrário, eles são a alegria e a glória dos pais. O casal deve estar sempre aberto a todos os filhos que Deus quer enviar e não podem evitá-los nunca por métodos anticoncepcionais e só poderão regular os nascimentos utilizando métodos naturais se houver razões graves para isso, como dissemos. Nesse assunto, reitero, é preciso consultar um padre que tenha segura e sólida doutrina moral. Não tenham medo de consultar um padre. Tenham confiança. Ele tentará ajudar.
Aquele filho que o casal quer evitar pelos métodos naturais – sem ter uma causa grave para tanto – é o filho que, talvez, nos planos de Deus irá mudar a família, como São Bernardo, que levou para a vida religiosa mais de trinta familiares. Ou talvez o filho que o casal quer evitar é aquele que pode trazer grandes benefícios para a sociedade. Pode ser o santo de que nossa época tanto precisa. É preciso confiar também na providência divina. Se Deus manda um filho aos pais que permanecem fiéis às leis do matrimônio e generosos, ele dará os meios para que os pais possam, cooperando com a graça divina, educar o filho e ajudá-lo a se salvar. Deus não pode nos pedir nada que seja impossível. Mas é preciso também recorrer a Ele. Grandes graças estão reservadas para o casal que confia na providência divina, aceitando todos os filhos que Deus manda.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

28 de junho de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 139

O PRANTO DE JESUS

Jesus chorou três vezes, durante a sua vida. A primeira vez chorou junto à sepultura de Lázaro (Jo 11, 35); e aquelas lágrimas eram silenciosas e denotavam amizade.
A segunda vez chorou sobre Jerusalém, a cidade deicida: e eram lágrimas de verdadeiro e sentido patriotismo, lágrimas provocadas pela grande dor que Jesus experimentava ao pensar no extermínio daquela cidade santa (Lc 19, 41).
A terceira vez chorou Jesus, no Calvário, ao considerar a triste sorte da humanidade pecadora (Heb 5, 7).
E tu, minha alma, não choras nem os teus nem os alheios pecados?!

27 de junho de 2016

[Sermão] O culto cristocêntrico FESTA DE CORPUS CHRISTI

O Culto Cristocêntrico Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
A Festa de Corpus Christi, do Corpo de Cristo, foi instituída para a Igreja universal pelo Papa em 1264, há 750 anos. Essa festa foi consequência natural da devoção cada vez maior à Santa Missa e à Eucaristia, bem como uma resposta adequada da Igreja a muitas heresias contrárias à presença real de Cristo na Eucaristia que surgiam, como a heresia de Berengário de Tours e dos cátaros. Ajudou também na universalização da Festa de Corpus Christi o milagre Eucarístico de Bolsena. É tal a importância da Eucaristia que a Festa de Corpus Christi – do Corpo de Cristo – tornou-se uma Festa de Preceito.
Hoje, honra à Eucaristia, sacramento e sacrifício.  A Eucaristia é o centro do mundo, caros católicos, pois nela está o próprio Deus, nela está Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, em corpo, alma, sangue e divindade. Nela está Nosso Redentor, Nosso Salvador, não simbolicamente, mas realmente e substancialmente presente, para se entregar a nós como alimento da nossa alma, mas também para, durante a Missa, renovar seu Sacrifício oferecido à Santíssima Trindade na Cruz do Calvário. Na Cruz, Cristo alcançou nossa redenção e méritos infinitos. Pela Missa, Ele nos aplica a sua redenção e seus méritos. É pela Missa que o sangue de Cristo nos é dado. É pela Missa, enfim, que nos vêm todas as graças. É pela Missa que podemos adorar perfeitamente a Deus, reconhecendo seu soberano domínio sobre nós e nos submetendo a Ele. É pela Missa que podemos pedir perdão a Deus, oferecendo a satisfação feita por Cristo, e é pela Missa que nos vem a graça do arrependimento, que nos leva a buscar a confissão. É pela Missa que podemos agradecer devidamente a Deus, oferecendo-lhe o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor. É pela Missa que podemos nos aproximar da divina majestade com confiança para pedir as graças de que precisamos, para suportar as cruzes, as doenças, nossas misérias, para progredir na virtude com alegria. E podemos pedir essas graças com grande confiança porque oferecemos à Santíssima Trindade os méritos infinitos de Cristo e não os nossos. Sim, caros católicos, é pela Missa que nos vêm todas as graças, todos os bens. Não é à toa que a Igreja obriga sob pena de pecado mortal a assistência à Missa aos Domingos e nos dias de Festa.
A vida do cristão deve, então, se ordenar e se desenvolver em torno da Eucaristia e em torno da Santa Missa, pois – não tenhamos medo de repetir constantemente – na Eucaristia está o próprio Deus Encarnado e na Santa Missa se renova o Sacrifício de Cristo. A Eucaristia é o centro do mundo. É Cristo o centro do qual nos vêm todos os bens e para o qual todas as coisas devem se dirigir. A sociedade deve ser Cristocêntrica, baseando-se em Cristo e dirigindo-se para Cristo. É evidente, porém, que para termos uma sociedade com uma cultura cristocêntrica, precisamos de um culto que seja cristocêntrico. A cultura de uma sociedade, a mentalidade de uma sociedade é determinada, em alto grau, pelo culto da religião predominante. Aquilo que o culto expressa será refletido na sociedade. Assim, nossa sociedade será delineada pelo culto que se presta a Deus na liturgia, que é o culto oficial da Igreja. Mais particularmente, nossa sociedade será delineada pela liturgia da Missa. Se temos uma liturgia que nos mostra sem ambiguidades nossa fé, que abunda em atos de adoração a Jesus Sacramentado, que nos enche de reverência e que mostra nossa pequenez diante da majestade divina, que coloca Cristo no centro em todos os seus atos, teremos aí uma liturgia que irá renovar a face da terra. Se temos um culto que reconhece e expressa perfeitamente a verdade da presença real de Cristo, em corpo, sangue, alma e divindade, teremos uma sociedade que reconhecerá a existência de Deus e que agirá em consequência. Se temos uma liturgia que exprime abertamente que a Missa é a renovação do sacrifício de Cristo, teremos uma sociedade pronta para sofrer, para fazer sacrifícios por Deus. Se temos uma liturgia que fala constantemente das verdades sobrenaturais – como o céu, o inferno, o pecado, a virtude, a fé, a caridade, a Santíssima Trindade, a graça, etc. – teremos uma sociedade que se preocupa com a vida sobrenatural.  E aqui a importância, caros católicos, da liturgia tradicional, que tanto devemos amar. O Cardeal Pie, grande defensor, no século XIX, da realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo, afirmava que a “questão social será resolvida pela questão religiosa e que a questão religiosa diz respeito sobretudo à questão do culto.” Podemos acrescentar: a questão do culto diz respeito sobretudo à questão da Missa.
Nós devemos amar essa liturgia romana tradicional porque nela está expressa claramente, limpidamente, sem medo, as verdades de nossa fé, a começar pela presença real de Cristo, em corpo, sangue, alma e divindade nas espécies consagradas. Isso está expresso pelas orações, pelas genuflexões antes e depois de o padre tocar nas espécies consagradas, pelas reverências, pelas inclinações, pelos inúmeros gestos do rito, pelos dedos mantidos juntos após a consagração, pelo rito de ablução. Nós devemos amar essa liturgia porque ela está centrada em Deus, e se dirige a nós somente para nos levar até Ele e ao próximo por amor a Ele. Devemos amá-la porque ela nos mostra a reverência e o respeito que devemos ter com as coisas sagradas. Devemos amá-la porque ela nos fala das coisas sobrenaturais. Devemos amá-la porque ela renova explicitamente o sacrifício de Cristo e nos impulsiona a nos sacrificarmos por Ele. Devemos amá-la porque ela nos faz dobrar os joelhos diante de Deus, nos faz reconhecer seu soberano domínio e faz com que queiramos nos submeter a Ele. Devemos amá-la porque foi o próprio Deus que formou essa liturgia ao longo dos séculos, desde os apóstolos. Devemos amá-la porque ela não saiu da mão dos homens. Devemos amá-la porque ela coloca Cristo no centro. Sua preocupação não é agradar aos homens ou às idéias do momento presente. Sua preocupação é unicamente Deus e a nossa alma. Devemos amá-la porque suas músicas elevam a nossa alma a Deus, em vez de simplesmente satisfazer nossa sensibilidade. Não se trata, então, caros católicos, de amá-la porque agrada mais à nossa sensibilidade, simplesmente. Trata-se de amá-la por reconhecer nela todos esses benefícios sem medida, que nos convertem a Deus e que vão restaurar a sociedade em Cristo. Tal culto, eminentemente cristocêntrico, restaura a nossa alma em Cristo e pode restaurar a nossa sociedade em Cristo. Não há, na Cristandade, um rito tão venerável quanto o nosso, dizia Adrian Fortescue, renomado liturgista. Esse rito é a coisa mais bela deste lado do céu, dizia o Padre Faber.
A Eucaristia é o centro do mundo. Ela dever ser reconhecida e cultuada como tal, na Missa, em primeiro lugar. É por ela como sacramento e como sacrifício que nos vêm todas as graças. Pela liturgia tradicional, podemos nos dispor para receber em abundância essas graças. Cumpre hoje honrar o melhor que podemos Nosso Senhor Eucarístico, em ação de graças e pedindo a propagação da liturgia tradicional.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

26 de junho de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 138

NO MÉXICO MÁRTIR

Era a primeira sexta-feira de abril de 1927. Os prisioneiros foram deixados toda a manhã sem alimento algum, e depois interrogados. Do advogado González Flôres exigiam que revelasse onde estava oculto o Arcebispo, mas não conseguiram arrancar-lhe uma palavra.
As 14 horas foi suspenso ao alto pelos dedos polegares. Estando nessa tormentosa posição, foi flagelado, e rasgados os membros com facas que lhe enterravam na barriga das pernas... mas não revelou nada, antes encorajava seus companheiros a sofrerem por Jesus Cristo.
O capitão deu-lhe um golpe com a coronha do fuzil, quebrando-lhe o queixo e fazendo saltar os dentes. O mártir suportou com paciência esse novo tormento.
Foram chamados outros soldados, que, com inúmeras punhaladas o mataram.
Antes de expirar, fazendo um último esforço, o mártir exclamou: “Ouçam ainda uma vez as Américas: Eu morro, mas Deus não morre! Viva Cristo-Rei!”
No primeiro aniversário do martírio de seu pai, o filho primogênito de González Flôres, de 5 anos apenas, obteve licença de fazer a primeira comunhão.
Quando lhe perguntavam: Onde está o papai? Respondia: Está no céu... e os homens o mataram porque ele queria tao bem a Jesus...

25 de junho de 2016

[Sermão] O mistério da Santíssima Trindade


[Sermão] O mistério da Santíssima Trindade


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave-Maria…
“Ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.”
Caros católicos, a Igreja nos fez reviver, desde o Tempo do Advento até Pentecostes, a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Preparamo-nos para o seu nascimento (Advento), comemoramos o seu nascimento (Natal), festejamos a sua circuncisão na oitava do Natal, comemoramos a visita dos reis magos na Epifania, festejamos a Purificação de Nossa Senhora e a Apresentação do Menino Jesus no Templo. Entramos na Quaresma (precedidos pela Septuagesima), com a tentação de Nosso Senhor no deserto, com sua pregação e a oposição mortal dos fariseus. Lembramos sua entrada triunfante em Jerusalém no Domingo de Ramos, a Instituição da Eucaristia, da Missa e do Sacerdócio na Quinta-Feira Santa. Sua Paixão e Morte na Cruz na Sexta-Feira Santa. Sua Ressurreição gloriosa, sua Ascensão, o envio do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos, encerrando o Tempo Pascal. Nós começamos agora o Tempo que, na liturgia tradicional, se chama Tempo depois de Pentecostes e que significa liturgicamente a aplicação aos homens dos méritos infinitos obtidos por Cristo durante toda a sua vida na terra. Essa aplicação se faz por obra do Espírito Santo, a quem se atribuem as obras de santificação. Esse Tempo depois de Pentecostes é justamente um prolongamento de Pentecostes, com o Espírito Santo que atua na Igreja e nas almas, para nos conduzir ao céu.
Nesse primeiro domingo depois de Pentecostes, festejamos a Santíssima Trindade.São dois os principais mistérios da religião revelada por Deus aos homens: o mistério da Encarnação do Verbo e o mistério da Santíssima Trindade. Se queremos ser agradáveis a Deus, devemos ter a fé, quer dizer, devemos acreditar – com nossa inteligência – firmemente e com toda certeza naquilo que Deus nos revelou. São Paulo diz que sem a fé não podemos agradar a Deus e, com o mesmo sentido, Santo Atanásio diz que se queremos nos salvar, devemos, antes de tudo, ter a fé e conservá-la íntegra e sem mancha. Assim, se queremos agradar a Deus, devemos crer e confessar que Deus é Uno e Trino. Se queremos nos salvar, devemos crer e confessar que existe um só Deus em três Pessoas, pois Deus, que não pode se enganar nem nos enganar, nos disse que Ele é um só Deus em três Pessoas. Portanto, caros católicos, quando cultuamos Deus, quando adoramos Deus e o servimos, não estamos cultuando uma entidade mais ou menos vaga, não estamos cultuando o supremo arquiteto do universo da maçonaria, não estamos cultuando a mãe natureza ou uma força, uma energia positiva. Não estamos cultuando um Deus que se confunde com o mundo. Cultuamos, isso sim, um Deus que é puro espírito, infinitamente bom e amável, onisciente, onipotente, eterno… Cultuamos um Deus que é distinto das criaturas, que mantém na existência tudo o que criou e que governa tudo com suprema bondade e misericórdia. Nós cultuamos um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Essas três Pessoas são um só Deus e não três deuses porque as três têm uma só substância, uma só natureza, uma só essência, uma só divindade; as três são igualmente eternas, igualmente poderosas, nenhuma das três é uma criatura. Um só Deus, um só Senhor em três Pessoas realmente distintas. A única diferença que existe entre as três Pessoas da Santíssima Trindade é o fato de uma proceder da outra. O filho procede do Pai desde toda a eternidade. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho desde toda a eternidade. O Pai não procede de ninguém.
A Santíssima Trindade, como falamos, é um mistério. É um mistério pois nossa razão não pode sozinha chegar à conclusão de que Deus é um em três Pessoas. Precisamos da Revelação para conhecer isso. É famosa a história de Santo Agostinho, que buscava compreender a Santíssima Trindade quando escrevia seu livro sobre o assunto. Deus lhe mostrou como esse mistério é inacessível à pura razão comparando o seu desejo ao desejo de um menino que queria colocar toda a água do mar em um buraco cavado na areia da praia. Diante do mistério da Santíssima Trindade, muitos inimigos da religião pretendem combatê-la dizendo que a fé é irracional, pois não podemos compreender aquilo em que acreditamos. Caros católicos, a fé não é irracional. Ao contrário, ousaria dizer que não existe nada de mais conforme à razão  do que a fé. A fé supera a razão, mas a fé não contradiz a razão. Poderíamos comparar as verdades da fé com relação à nossa inteligência com uma equação do segundo grau para uma criança de cinco anos. A equação supera a inteligência da criança, mas nem por isso a equação contradiz a inteligência daquela criança ou se torna irracional. Da mesma forma, as verdades sobrenaturais não se tornam irracionais pelo fato de superarem nossa razão. Nossa inteligência não consegue compreender o mistério da Santíssima Trindade, mas ela consegue mostrar que não se trata de um absurdo, ela consegue responder às objeções contrárias à Santíssima Trindade, ela consegue mostrar que é possível a existência de um só Deus em três Pessoas. Ela consegue, por meio de analogias e comparações, entender melhor o mistério, embora não consiga demonstrá-lo ou explicá-lo completamente.
Podemos compreender um pouco o mistério da Santíssima Trindade fazendo, por exemplo, uma analogia com a nossa inteligência e com a nossa vontade. O Verbo é gerado – não criado – porque Deus conhece a si mesmo perfeitamente desde toda a eternidade. Esse conhecimento que Ele tem de si gera o Filho ou Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Esse Filho gerado é em tudo igual ao Pai, salvo justamente no fato de proceder do Pai. Do amor que existe entre o Pai e o Verbo – amor que existe desde toda a eternidade – procede o Espírito Santo. O Espírito Santo é em tudo igual ao Pai e ao Filho, salvo no fato de proceder de ambos. Essa geração do Filho e o proceder do Espírito Santo não diminuem em nada o Filho e o Espírito Santo com relação ao Pai. Os três são igualmente eternos, igualmente perfeitos. Os três são um só Deus. O mistério da Santíssima Trindade supera a nossa razão, mas não a contradiz.
Além disso, caros católicos, nossa razão é capaz de reconhecer a existência de Deus e ela reconhece que Deus é infinitamente perfeito. Diante disso, a nossa razão reconhece que se Deus nos falar, somos obrigados a aceitar porque Deus, infinitamente perfeito, não pode se enganar nem nos enganar. E aceitar aquilo que Deus nos falou não é humilhar a nossa inteligência, mas ao contrário, aceitar as verdades de fé é a maior exaltação a que pode chegar nesse mundo a nossa inteligência, pois a fé aumenta a capacidade de conhecimento da nossa razão e faz que nossa razão penetre na ordem sobrenatural. A fé não é contrária à razão. Deus é o autor da fé e da razão. Ele não pode se contradizer colocando as duas em oposição. A fé não diminui a razão. A fé aperfeiçoa e eleva a nossa razão, a nossa inteligência humana. É melhor ser mais perfeito com a ajuda de outro – no caso, Deus – do que permanecer sozinho na imperfeição ou na mediocridade.
Se Deus falou, devemos, então, acreditar. Lendo a Sagrada Escritura, aparece claramente que Deus revelou ser Uno e Trino. Ele revelou isso abertamente no Novo Testamento e deu indícios fortíssimos no Antigo Testamento.
Não convinha que a Santíssima Trindade fosse revelada plenamente aos judeus pelo risco que havia de eles caírem no politeísmo, sem compreender bem a Trindade das pessoas e pelo fato de estarem cercados de pagãos politeístas. Mas já a primeira frase da Sagrada Escritura indica a Santíssima Trindade: “No Princípio criou Deus o céu e a terra e o Espírito de Deus movia-se sobre a água”. Ora, “no Princípio” era o Verbo, quer dizer, Deus Filho, no diz São João no início de seu Evangelho. “Deus” é Deus Pai. O “Espírito de Deus que se move sobre a água” é o Espírito Santo. Além disso, nessa mesma frase, em hebreu, a palavra “Deus” é Elohim, que é uma forma plural, mas o verbo – “criou” – se encontra no singular. No plural da palavra Elohim, temos a pluralidade de pessoas. No singular do verbo “criou” temos a unidade da essência. Ainda no primeiro capítulo do Gênesis Deus disse: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. O verbo “façamos” no plural indica a pluralidade de pessoas. “À nossa imagem e semelhança” no singular indica a unidade da essência. Davi diz no Salmo (LVI): “Abençoe-nos Deus, o nosso Deus, abençoe-nos Deus.” Invoca, assim, três vezes Deus: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. E o que está no meio é chamado de maneira sublime nosso Deus, pois faz referência ao Filho, que assumiu nossa carne, veio ao mundo para nos salvar. O Profeta Isaías diz: “Sanctus, Sanctus, Sanctus”, referência ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo. E poderíamos ainda citar outras passagens do Antigo Testamento que fazem referência à Santíssima Trindade.
No Novo Testamento, Nosso Senhor ensina abertamente a Trindade das Pessoas em Deus. Temos o Evangelho de hoje: “Ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as emnome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” “Nome” está no singular, para significar a unidade de essência em Deus. Também quando Nosso Senhor diz: “Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim.” Há o Pai, o Filho e o Paráclito, que procede dos dois, que é enviado pelo Pai e pelo Filho. Podemos citar também o Batismo de Nosso Senhor e sua Transfiguração, em que tanto o Pai como o Espírito Santo se manifestam para glorificar o Filho. Também os Apóstolos ensinam a Santíssima Trindade. São João diz: “três são os que dão testemunha no céu: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E esses três são um.” São Paulo na Epístola de hoje diz “dEle, por Ele e para Ele”, com referência à Santíssima Trindade. E, claro, poderíamos multiplicar os exemplos.
Também a Tradição exprime claramente a fé na Santíssima Trindade. Podemos mencionar o Credo de Santo Atanásio – que recomendo a todos que leiam – e poderíamos citar os outros Padres da Igreja. Basta, porém, considerarmos esse monumento da Tradição e da fé que é o Rito Tradicional da Missa, e que é, em particular, uma confissão clara da fé na Santíssima Trindade. No ofertório, pedimos à Santíssima Trindade que receba a oblação que oferecemos na Missa: Suscipe Sancta Trinitas hanc oblationem. Logo antes da Bênção final, exprimimos o nosso desejo de que o sacrifício que acabou de ser oferecido aplaque a Santíssima Trindade e lhe seja agradável: Placeat tibi Sancta Trinitas. Recitamos em todos os Domingos depois de Pentecostes o Prefácio da Santíssima Trindade. Peço que considerem atentamente as palavras desse Prefácio que será cantado logo mais e vejam que sublime síntese do Mistério da Santíssima Trindade está contida nessa bela oração.
Todas as nossas ações devem ser feitas em nome da Santíssima Trindade. Na Santa Missa, o primeiro rito é o sinal da Cruz, para indicar que o sacrifício da Cruz vai ser renovado e oferecido em honra da Santíssima Trindade. Permaneçamos firmes e inabaláveis na fé na Santíssima Trindade, caros católicos, sem a qual não podemos agradar a Deus, sem a qual não podemos nos salvar. E que, pela firmeza dessa fé, sejamos protegidos de toda a adversidade (Coleta). Peçamos à Santíssima Trindade que habite em nossas almas pela graça. Bendita seja a Santíssima Trindade e a Unidade Indivisa, como nos diz o Intróito da Missa de hoje.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

24 de junho de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 137 a e b

a) A IMAGEM DO CORAÇÃO DE JESUS

Durante a primeira guerra mundial, uma senhora vira partir para os campos de batalha os seus três filhos, um após outro. Quando partiu o último, que era oficial de marinha e destinado ao comando de um submarino, deu-lhe uma imagem do Sagrado Coração em celuloide, a fim de que fosse o seu escudo e proteção. Achava-se ele nas águas da Dalmácia e, devido a um movimento brusco para submergir, pois fora descoberto pelo inimigo, irrompeu no submarino um terrível incêndio.
É impossível descrever o pânico daquele trágico momento. Um dos marinheiros, asfixiado, caiu logo, gritando: Minha mãe! Foi dilacerante para o comandante e seus companheiros, que tentavam dominar o fogo com trapos, roupas, ferros. O comandante, lembrando-se da imagem do Coração de Jesus, teve uma ideia: tomou-a, beijou-a e passou-a a todos os marinheiros que faziam corrente... Eles a beijaram devotamente, e invocaram o misericordioso Coração...
Após grandes fadigas, conseguiram dominar o incêndio e puderam subir à superfície porque o periscópio não assinalava mais nenhum navio inimigo. Abraçaram-se, chorando de comoção. E o comandante, quando voltou para casa, após a guerra, quis que aquela imagem crestada pelo fogo fosse exposta na sala, onde em presença da noiva, da mãe e de outras pessoas se fez a consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus.

b) O SAGRADO CORAÇÃO E O MAÇON

Um incrédulo acabava de perder sua esposa. De seus três filhos somente a filha primogênita era batizada. Estando esta gravemente enfêrma, pediu que lhe chamassem um sacerdote. Para agradar-lhe, o pai, que era maçon, mandou vir o ministro de Deus. O sacerdote prometeu à doentinha que viria com frequência visitar-lhe o pai e pedir lhe permitisse entronizar naquele lar o Sagrado Coração de Jesus.
O maçon recebeu as visitas do padre, mas recusou-se a tratar de qualquer assunto religioso.
Veio a guerra. O padre foi mobilizado. Antes de partir recomendou a um colega que visitasse em seu lugar aquele senhor.
Do campo de batalha escreveu ao seu substituto que, numa das visitas, deixasse na casa do incrédulo uma estampa do Sagrado Coração e um folheto sobre a entronização.
O conselho foi seguido.
Alguns dias mais tarde o padre voltou aquela casa e qual não foi a sua surpresa, quando o Senhor N. lhe disse:
— O Senhor não quer me ceder uma brochura que esqueceu aqui a última vez? Eu a li. Por que não me falou há mais tempo do seu conteúdo? Quero fazer a entronização aqui em casa.
— Mas é difícil. O Sr. sabe que há impedimento... e seus filhos não são batizados!
— O impedimento não existe mais": pedi demissão da maçonaria e devolvi as insignias maçônicas. Amanhã meus filhos receberão o batismo; e de tarde o Sagrado Corado será entronizado no meu lar.
Tudo aquilo era resultado da introdução duma imagenzinha do Sagrado Corado naquela casa. E realizava-se, mais uma vez, a bela promessa de Nosso Senhor: “Eu abençoarei as casas em que se expuser a imagem do meu Coração”.

23 de junho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XIV


Parte 7/7


Vamos terminar esta instrução. Queria reforçar os princípios e os enunciados apresentando uma outra ideia inteiramente nova, que até aqui eu deixei de lado, mas quero lembrá-la terminando.
Na instrução anterior tratamos de coisas terríveis. Coisas difíceis de dizer, e seria melhor calar, se com o silêncio se pudesse curar este monstruoso câncer das ideias mundanas e frívolas.
É uma expressão forte?
Pode-se, porém, empregar uma outra expressão, quando se lê em uma carta de pessoas casadas: "Desde o início concordamos em não ter filhos. Sem filhos é-se muito mais livre. Somos ainda jovens e queremos aproveitar a vida. Mais tarde pode-se pensar em um filho".
Estará morta toda a consciência destes jovens? Se eles ignoram a responsabilidade que tem diante de Deus não sentem ao menos a falta que cometem contra a Pátria? Pois a nação não é só a planície e a montanha, a fábrica, os caminhões de ferro; a nação é um grande número de homens fortes e moralizados.
"Mais tarde pode-se pensar em um filho"! É horroroso imaginar o tesouro que este terrível modo de pensar arrebata à nossa nação! Pois se as mães outrora assim pensassem, então Estevão Széchenyi não teria nascido, porque era o terceiro filho. Nunca Mauricio Jokai teria vindo ao mundo, porque ele era o quinto. Francisco Deak não teria visto a luz do dia porque ele era o sétimo. E João Arany era o décimo. Mozart era o quinto. Rembrandt, o sexto. Wagner, o sétimo. Napoleão, o oitavo. Schubert, o décimo terceiro. Franklin, o décimo sétimo...
Escutai agora as advertências de nossa Igreja.
Que nos pede a Igreja de Cristo? Não outra coisa senão a sábia resposta de Mussolini diante do qual, um dia, se falava da limitação dos nascimentos, ao que ele se contentou em responder com desprezo: "Deixemos estas tolices para outras nações".
Que quer a Igreja de Cristo? Nada quer senão que cada um fale com santo respeito da mãe de família que espera o nascimento de um filho, e sobre cuja fronte brilha um raio de coroa da Bem Aventurada Virgem de Belém.
Que quer a Igreja de Cristo? Que cada um levante a voz contra estes esposos que gostam mais de educar gatos e cães do que filhos. Que quer a Igreja de Cristo? que cada esposo e cada esposa ouça estas palavras de Nosso Senhor: "Aquele que recebe em meu nome um desses pequeninos, é a mim que recebe" (Mt 8, 5).
Que quer enfim a Igreja de Cristo? Quer que realize, sempre mais para mãe, a promessa de São Paulo, assegurando-lhes que cada vez que dão ao mundo um novo filho adquiriram muito para a vida eterna. Ou então, como se exprime um provérbio húngaro: " Tantos botões em tua roseira, outras tantas pérolas para tua coroa". Compreendestes? Ouvistes, mães de família? Eis a conclusão de hoje: Tantos botões em vossas roseiras, tantas pérolas para vossas coroas! Amém.

22 de junho de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 136

O MEMORARE DO “TERROR”

Na terrível época que na França se chamou o Terror, um dia o vigário de Firanges (diocese de Puy) estava batizando ocultamente uma criança. Naquela infeliz época, isso era um crime passível de morte. Repentinamente 14 hussardos e 5 gendarmes, guiados por um fogoso revolucionário, cercam a aldeia (Boisseyres) e a casa onde estava o padre. Fugir era impossível. E onde esconder-se?
“Ó Maria, exclama o padre, vós me salvareis, e eu recitarei o “memorare”, o Lembrai-vos, todos os dias de minha vida, e o farei cantar todos os domingos na minha paróquia”. Assim dizendo, refugiou-se atrás de um armário. O primeiro soldado entrava no aposento justamente no momento em que ele cobria com um velho chapéu de palha a extremidade dos pés que apareciam por baixo do armário. Os soldados procuram, revistam, quebram, estragam tudo e não descobrem o padre. Um dos soldados mete por três vezes a sua espada por trás do armário; a espada escorrega sempre ao longo do corpo do pároco sem fazer-lhe nem a mínima ferida. Partem desapontados os carrascos, e o sacerdote está salvo.
O protegido de Maria foi fiel em cumprir o seu voto, e os seus sucessores continuaram a prática que consagrou aquela comovente recordação: Depois do “Magnificat”, na igreja paroquial de Piranges, ecoava o canto do “Memorare”.