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28 de dezembro de 2014

Missa Tridentina

Prezados leitores, Salve Maria!


Para quem mora em Curitiba ou na região Metropolitana, e para quem está de passagem pela cidade, comunicamos que haverá Missa Tridentina no dia 28/12/2014:

Local: Capela Nossa Senhora Aparecida - Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Marechal Floriano Peixoto, 2057 - Rebouças - Curitiba - Paraná (fica entre as ruas Almirante Gonçalves e Baltazar Carrasco dos Reis)

Horário da Missa: 09:00 horas da manhã
Sacerdote: Renato Arnellas Coelho do IBP


Administração do Blog São Pio V

18 de dezembro de 2014

No céu nos reconheceremos - cartas de consolação.

I N T R O D U Ç Ã O

 No princípio do ano de 1859, numa cidade do Oeste, onde ensinávamos teologia, soubemos que um pregador dissera, da cadeira da verdade, que os membros da mesma família não se reconheceriam no Céu. Entre os seus ouvintes encontrava-se um ancião que ao ouvir isto se afligiu muito, porque tinha perdido a sua virtuosa esposa, que sempre esperara tornar a ver junto de Deus. Foi confiar sua aflição ao seu confessor, que era o Superior da mesma casa que habitávamos. Este, sabendo que andávamos procurando nas obras dos Padres da Igreja os materiais necessários para a composição duma obra, que esperávamos publicar um dia, sobre o dogma da comunicação dos santos, convidou-nos especialmente a recolher todos os testemunhos que assegurassem que os parentes e os amigos se reconhecem na eterna bem-aventurança. Disse-nos que estas autoridades nos serviriam para consolar as almas, e disse a verdade; tivemos a prova disto três anos depois, em seu próprio país. Corria o ano de 1862, e pregávamos a Quaresma na catedral duma cidade do Leste. No fim duma instrução mostramos a família recomposta no Céu. Este quadro pareceu próprio a regozijar santamente uma viúva e uma mãe angustiada, bem conhecida em toda a cidade por sua virtude, mas a quem uma indisposição tinha impedido de ir ouvir-nos. Uma de suas parentes que ela amava ternamente contou-lhe, em resumo, o que tínhamos desenvolvido, e veio da sua parte suplicar-nos que lho déssemos por escrito. Pouco tempo depois, a piedosa senhora reiterava-nos pessoalmente esta súplica e contava-nos que, muitos anos antes, tendo perdido uma de suas filhas ainda jovem, quisera consolar-se com a esperança de tornar a vê-la no Paraíso, mas que um eclesiástico a repreendera severamente, porque esta esperança, segundo a sua opinião, não tinha fundamento algum, e que nutrir-se dela era uma grande imperfeição, pois que só Deus nos deve bastar. Uma resposta tão dura não satisfazia nem o seu espírito nem o seu coração. Como um dos seus filhos era então aluno da Companhia de Jesus, no célebre colégio de Friburgo, na Suíça, suplicou ao padre Reitor que o fizesse acompanhar até a casa no tempo das férias mais próximas, por um religioso que a instruísse sobre este ponto, a fim de assegurá-la e tranqüilizá-la, sendo possível.
As exagerações duma certa escola tinham, pois, formado como que uma nuvem que ocultava aos olhos dum grande número de pessoas aflitas, o vivo resplendor desta verdade tão consoladora: No Céu nos Reconheceremos. Se lhe não negavam absolutamente a existência, via-se pouco, e mostrava-se ainda menos todo o bálsamo que encerra para adoçar as mais cruéis dores. Foi o que determinou a pessoa de que temos falado, digna de todos os nossos respeitos e atenções, a pedir-nos instantemente estas Cartas de Consolação, nas quais nos esforçamos em apresentar a verdade com toda a sua clareza, para que o coração aflito a veja, sinta e se regozije. Pelo mesmo motivo, muitos de nossos leitores desejariam encontrar aqui as altas aprovações que recebemos. Fomos graciosamente autorizados a satisfazer um desejo que tende unicamente a tornar este opúsculo ainda mais consolador. Estes testemunhos são efetivamente um novo alívio para as almas provadas por uma cruel separação; servem de lição para todos, e são uma censura para os contraditores, antes que um elogio para um escrito sem importância e sem merecimento. Longe de assemelhar-se a essas obras doutrinais que têm um grande alcance, não é mais do que um tecido de citações onde o coração dos santos e dos doutores está aberto para que a alma atribulada tire daqui as consolações de que tem necessidade. Contudo, seria necessário atrair a atenção dos homens para uma coisa em si tão simples e tão evidente? Eis o que a este respeito nos dizem pessoas de autoridade indiscutível: – Monsenhor Dupanloup, Bispo de Orleans: “Desde há muito tempo que fazia votos para que uma tal obra saísse a público”. – Monsenhor Filion, Bispo de Mans: “Li com vivo interesse o opúsculo – No Céu nos Reconheceremos. As verdades que com tanta felicidade exprimistes, servindo-vos da linguagem da Escritura e dos Santos Padres, são mui necessárias a todos durante o exílio da vida presente; e é isso o que poderosamente concorrerá para que o seu livro tenha uma grande extração. Faço sinceros votos para que assim aconteça”. Um veterano do Sacerdócio, um dos padres mais experimentados que possuía a Alsácia, M. F. Muhe, dizia-nos: “0 seu livro é um bálsamo para a alma aflita pela perda de seus parentes. Ai! e quantas vezes no nosso santo ministério não temos nós ocasião de difundir este bálsamo! Fez, pois, um grande serviço, com a edição deste excelente pequeno tratado, não só aos fieis, mas ainda a todos os padres encarregados da direção das almas. Além disso, esta matéria é mui raras vezes tratada nas mesmas obras teológicas. Portanto, exerceu por este motivo uma boa obra de misericórdia – consolar os aflitos”.
Monsenhor Pie, Bispo de Poitiers, escrevia-nos: “O seu pequeno livro – No Céu nos Reconheceremos – é uma verdadeira pérola engastada em textos seletos dos Padres da Igreja. Li-o com fruto e consolação, e regozijo-me com a esperança do grande alívio que levará a certas almas faltas de doutrina sobre este ponto, ou que facilmente se têm deixado impressionar pelos ditos dalguns pseudo-teólogos que se crêem sempre mais próximos da verdade, quando se mostram mais severos. Obriga-do, pois, meu querido Padre, por todo o bem que há de fazer este pequeno volume”. Sua Exa. não se contentou só com esta aprovação. O “Courrier”, jornal de Viena, de 6 de Novembro de 1862, terminava assim um longo artigo sobre o nosso livro: “Acrescentarei como o mais belo elogio, que, em sua eloqüente homilia da festa de Todos os Santos, Sua Exa. aconselhou a todos a leitura e a meditação destas páginas consoladoras, ditadas pela fé e pelo coração. A obra do R. P. Blot, efetivamente, tem um lugar distinto em todas as bibliotecas cristãs e sobre a mesa de todas as famílias piedosas que conservam fielmente o culto e a memória de seus membros falecidos”. 0 padre Gratry escrevia-nos rapidamente as seguintes linhas: “Li o seu livro. Propaguei-o por dezenas, e tenho-o feito propagar. Li-o com avidez, tão ligeiramente que talvez mesmo omitisse algumas páginas, mas tornei-o a ler. A idéia que teve não podia ser mais feliz. Fez absoluta justiça, uma vez para sempre, duma verdadeira perversão jansenista acerca da idéia da vida futura. Edificou-me e instruiu-me plenamente sobre este ponto. Ignorava, confesso-o, quanto a sua tese é teológica e incontestável em presença de tantas autoridades. Tinha a firme convicção, mas não a ciência teológica desta verdade. Agradeço-lhe vivamente, meu bom Padre, por ma haverdes dado. Agradeço-lhe o bem que tendes feito e fareis a milhares de almas, a quem muitas vezes o próprio diretor espiritual, como dizeis, hesita em consolar sob este ponto de vista. Não se hesitará mais”. Poderiam ainda outras causas tornar oportuno o nosso trabalho? Monsenhor Darboy, Arcebispo de Paris, dignou-se escrever-nos depois de ter lido os opúsculos – No Céu nos Reconheceremos e as Auxiliadoras do Purgatório: “Quero unir o meu voto às felicitações, que lhe atrairão de todas as partes estes livros cheios de doutrina e de piedade. Há muitos motivos de abrir diante de nossos contemporâneos os horizontes da outra vida, e de premuni-los contra as ilusões e atrativos desta. Olho, pois, como oportunas e mui úteis estas curtas, mas substanciosas páginas, onde excitais a piedosa compaixão dos vivos a favor dos mortos, e reanimais nos corações o desejo do Céu. É para mim um dever, assim como uma satisfação, aplaudir o merecimento do seu trabalho e animar os seus estudos. Suplico a Deus que lhe aplique as suas melhores graças e o gênero de triunfo que lhe é mais caro, quero dizer, à edificação das almas”.
 Mas conviria tratar um objeto tão mavioso em presença duma geração a quem o trovão da divina vingança e os estilhaços do raio dificilmente despertam do seu letargo? Monsenhor Malou, Bispo de Burges, respondendo a um amigo, escrevia-lhe: “Acabo de ler o opúsculo No Céu nos Reconheceremos. Pergunta-me o que penso a seu respeito. Todas as obras que tratam do Céu, da sua felicidade, da sua eternidade, etc., causam-me muito prazer, porque são estas que em nossos dias pro-duzem nas almas o maior bem. Outrora recolhiam-se maiores frutos, ao que parece, falando da Morte, do Juízo e do Inferno. O temor tinha então mais poder do que o amor. Hoje o amor é mais poderoso para converter os corações. É, pois, o amor que convém inspirar, não só para firmar os justos, mas também para converter os pecadores. O objeto de que trata este livro é cheio de interesse. Responde a uma pergunta que as pessoas piedosas nos dirigem repetidas vezes: ‘Reconhecer-nos-emos no Céu?’ Sim, certamente, reconhecer-se-ão reciprocamente as almas e se amarão, e este amor fará parte da felicidade acidental do Céu. Segundo a minha opinião, o autor é exato e nada exagera. Se tem algum defeito, é, talvez, o de não ter esgotado o assunto de que se propôs tratar.” O autor diz que o sábio prelado entra, depois disto, em considerações que lhe teriam sido dum grande auxílio se quisesse tratar este assunto debaixo doutro ponto de vista e com mais extensão; mas que, por uma parte, pessoas muito autorizadas o aconselharam a conservar neste opúsculo a sua primitiva filosofia; e que, por outra, a nobre senhora, a quem foram dirigidas estas cartas de consolação, tinha rendido naquela ocasião a sua bela alma a Deus, e que por isso lhe não era permitido acrescentar novas cartas às antigas, mas que unicamente lhe parecera conveniente completar estas, porque junto às orações que vão no fim deste opúsculo, lhe aumentarão muito interesse. Em seguida, discorre sobre as considerações de Monsenhor Malou, e diz por conclusão, que quase todas estas provas se acham melhor desenhadas, mais claramente enunciadas, e têm ao mesmo tempo mais desenvolvimento e precisão nas seguintes páginas do mesmo ilustre prelado: “A sociedade dos santos, me dizia eu, constitui a Jerusalém Celeste, a Santa Sião, a cidade de Deus. Mas uma cidade tem os seus magistrados e seus príncipes, assim como os seus cidadãos. Supõem, entre as pessoas que a compõem, relações de superioridade e de subordinação na ordem moral, relações que não podem existir sem mútuo conhecimento”.
“A sociedade dos santos é a família de Deus; família espiritual, transportada da Terra ao Céu, família de que Maria é ainda Mãe e distingue seus filhos muito amados. Ora, pode conceber-se uma família cujos membros não se conheçam entre si?
Poderá acontecer que os filhos conheçam seu pai e sua mãe, sem que os irmãos e as irmãs tenham relações fraternais?” “A sociedade dos santos forma uma hierarquia celeste, à imitação da dos anjos, se todavia se não confunde”. Ora, nós sabemos que os anjos se conhecem entre si, visto que as ordens superiores iluminam as inferiores, e que todos se auxiliam mutuamente em louvar, bendizer e adorar o Deus três vezes santo. Os bem-aventurados obrarão da mesma forma, e visto que os santos anjos os conhecerão como substitutos dos anjos caídos, eles também conhecerão os anjos, e se conhecerão reciprocamente. “Além disto, não é a Igreja Militante uma, ainda que imperfeita, imagem da Igreja Triunfante? Sendo assim, como é na realidade, a Igreja Triunfante conservará, pois, em seu seio o selo – permita-se-nos a expressão – da Igreja Militante. Quero dizer que a ordem e harmonia que reinam cá na terra entre os filhos de Deus, a fim de se prepararem para a felicidade do Céu, passarão com eles à habitação dos escolhidos. Assim, os pastores se encontrarão no Céu à frente dos seus rebanhos; os bispos à frente dos fieis das suas dioceses; os Soberanos Pontífices à frente de toda a Igreja Católica; os Patriarcas das Ordens Religiosas à frente de suas famílias espirituais e de todos aqueles que seguiram a sua regra, trouxeram o seu hábito e imitaram o seu exemplo. Mas esta ordem e esta harmonia repousam sobre o conhecimento recíproco das pessoas, e sobre as relações da ordem moral que, sem conhecimento recíproco, são impossíveis. A mesma natureza da bem-aventurança celeste fornece, a este respeito, provas irrefutáveis. Esta bem-aventurança repousa completamente sobre a visão beatífica, isto é, sobre a vista intelectual da Divindade. E que é a vista intelectual senão o conhecimento e a ação do espírito? O desenvolvimento e a ação da inteligência será, pois, de alguma sorte, a medida da felicidade do Céu. A felicidade resulta, é verdade, do amor; mas este é necessariamente proporcionado ao conhecimento que se tiver do objeto da sua felicidade. Não se ama o que se ignora, e ama-se infinitamente o que se conhece como infinitamente amável. A inteligência é, pois, a faculdade pela qual os bem-aventurados apreendem e se apossam da felicidade; e poderia supor-se nos escolhidos uma completa ignorância de tudo o que os rodeia e interessa no mais alto grau?
Poder-se-á crer que gozem do conhecimento da essência de Deus, e que nesta essência não contemplem os gozos que dela tiram os outros bem-aventurados? Isto é inteiramente impossível. O poder que adquiriu o seu espírito para contemplar a Divindade, origem de toda a felicidade, auxilia-os poderosamente a conhecer aqueles a quem a essência divina beatifica e enche de felicidade. Não gozam somente do raio de luz que os põe em contato com a Divindade, mas também do oceano de claridade que os inunda e põe em relação com todas as felicidades do Céu. “Ainda que a felicidade essencial dos escolhidos consista na visão e posse da essência divina, todavia sua bem-aventurança completa-se e acaba-se, se assim posso falar, pelo conhecimento que adquirem da felicidade dos amigos de Deus”. No Céu, como na Terra, Deus recebe não somente homenagens isoladas, mas também coletivos louvores de todos os seus filhos reunidos. Demais, por que no Céu estas auréolas ou sinais particulares de virtude e de glória? Por que trarão os mártires, as virgens, os confessores, os doutores, etc., um sinal distintivo no meio da luz comum, senão para serem mais facilmente reconhecidos e glorificados por seus irmãos? Certamente não é para atrair a vista da Divindade ou dos anjos, que estes selos particulares de merecimento e de glória são necessários, mas sim para atrair a vista dos outros escolhidos. Os bem-aventurados reconhecerão, pois, e distinguirão os mártires dos confessores e das virgens; e, reconhecendo inteiramente seus merecimentos, reconhecerão também suas pessoas. Há, pois, entre os bem-aventurados uma série de mútuas relações de admiração, de felicitações, de aplausos e de reconhecimento, que supõe um conhecimento pessoal, claro e direto. Ainda mais: cremos na ressurreição dos corpos. Isto não é rigorosamente necessário para que os escolhidos se reconheçam entre si. As almas despojadas de seus corpos revestem formas intelectuais que as inteligências desembaraçadas da carne podem perceber, distinguir e conhecer. Todavia, é certo que a reunião do corpo à alma, que reconstitui a individualidade terrestre quebrada pela morte, é um meio poderoso de distinguir os escolhidos uns dos outros. E ainda que a ressurreição da carne tenha outros fins sublimes, que é inútil enumerar aqui, é permitido crer que ela contribuirá também, por sua parte, para facilitar aos bem-aventurados o conhecimento que possuírem de seus parentes, de seus amigos e benfeitores. Sob este ponto de vista, o dogma da invocação dos santos também nos fornece luzes.O apóstolo S. Pedro, escreveu aos fiéis que tinha convertido, que depois da sua morte se lembraria deles. Estes fiéis tinham, pois, um direito mui particular de invocá-lo depois da sua morte. Este direito temo-lo nós também, de certo modo, a respeito de todos os santos, mas especialmente a respeito daqueles cujo nome temos, ou que, por um título qualquer, se tornaram nossos protetores particulares. Chegados ao Céu, os santos que conhecemos na Terra conhecem-nos ainda. Mas que digo eu? Os santos que reinam no Céu desde há séculos, os santos mártires que verteram o seu sangue na primeira idade da Igreja, muito tempo antes do nosso nascimento, conhecem-nos e amam-nos em Jesus Cristo. Nós os invocamos com bastante confiança e bom sucesso.
Ora, se os escolhidos nos não conhecem no Céu, é forçoso que estes bem-aventurados protetores que nos seguiram na terra, nos percam de vista quando lá subirmos, e deixem de se interessar pela nossa felicidade. Mas, isto é impossível. Longe de se quebrarem, quando subimos ao Céu, as cadeias de amor que nos unem aos santos; fortificam-se, pelo contrário, e estreitam-se ainda mais. A fé e a esperança deixam então de existir; mas a caridade permanece sempre. Os santos que nos conheciam na terra conhecem-nos quando chegamos ao Céu; e como esta prerrogativa é essencialmente comum a todos os escolhidos, todos estes se conhecem mutuamente por toda a eternidade. Enfim, se os bem-aventurados se não reconhecessem uns aos outros, que idéia se poderia fazer da felicidade do Céu? Seria necessário imaginar-se uma multidão de seres separados uns dos outros, sem ação nem relações recíprocas, imóveis, absorvidos numa contemplação imutável, e de alguma sorte materializada. O espírito e o coração dos escolhidos seriam absorvidos, concedo-o, no conhecimento e no amor da natureza divina, mas o seu todo não formaria nem uma sociedade de amigos, nem a família espiritual, nem a Cidade de Deus. O Céu não seria a habitação de delícias onde todas as faculdades da alma ra-cional têm uma ação própria, concorrendo para a felicidade desta alma e dos outros escolhidos; tornar-se-ia, permita-se-me a expressão, uma espécie de prisão celular, onde as almas, cativadas pela felicidade essencial da visão beatífica, não saberiam o que se passa em volta delas, e viveriam numa espécie de isolamento sem motivos. “Atenhamo-nos, pois, à imagem da sociedade dos santos, onde a caridade reina como soberana; à da família de Jesus e de Maria, cujos membros todos se conhecem e amam; à do Reino de Deus, onde tudo se passa com ordem e harmonia para maior felicidade de todos. Estas idéias, e algumas outras ainda, apresentaram-se ao meu espírito enquanto lia o opúsculo do R. P. Blot, donde concluo que é a ele que as devo. Agradeço-lhe mui sinceramente por mas ter sugerido, e reenvio-lhas como uma dívida de reconhecimento. Possa o seu excelente livro derramar o bálsamo da esperança cristã em muitas almas aflitas e, fazendo inteiramente sentir os laços espirituais que nos unem entre nós, unir-nos cada vez mais no Senhor! Depois do que acabo de dizer é inútil declarar que aprovo o livrinho e que desejo vê-lo espalhado pela minha diocese”. Nunca o nosso reconhecimento será demasiado para com a memória do venerando prelado que, apesar das dores duma cruel enfermidade a que devia em breve tempo sucumbir, se dignou escrever-nos de seu próprio punho uma tão longa e benévola carta. Ela permite-nos esperar que este humilde trabalho fará algum bem às almas, sobretudo àquelas que, não tendo uma fé assaz viva, murmuram contra a Providência por ocasião da perda dum ente querido, e são tentadas a abandonar as práticas da piedade cristã.
 Esta esperança é nos dada ainda por Monsenhor Wicart, Bispo de Laval: “Li, diz ele, com muito prazer e fruto o seu livro – No Céu nos Reconheceremos. Continuai, meu bom Padre, a escrever obras tão piedosas e atraentes ao mesmo tempo; muitas pessoas vos deverão a felicidade de se resolverem a marchar com passo firme no caminho que conduz à pátria celeste, onde se tornarão a encontrar para viverem eternamente em Deus”. O sr. Hamon, pároco de S. Sulpício, escrevia-nos assim: “O seu agradável opúsculo é muito próprio para consolar tantas pobres almas aflitas, que, tendo gozado na terra a felicidade de amarem certas pessoas queridas, têm dificuldade em conceber que se possa ser feliz longe delas. Sem dúvida, Deus só, basta ao coração; mas a parte sensível da nossa alma tem repugnância de se elevar a esta verdade; e se o conhecimento que tivermos uns dos outros no Céu não aumentar a felicidade essencial no seio de Deus, a esperança deste conhecimento aumentará imensamente a nossa consolação nesta vida. É o fim que vos propusestes, e que haveis perfeitamente conseguido. O seu livro é, pois, uma boa obra, um verdadeiro ato de caridade que lhe agradeço pela minha parte”. O bem que produziu este opúsculo prova-se por cinqüenta mil exemplares em língua francesa, espalhados no espaço de quatro anos; pelas numerosas traduções feitas no estrangeiro; pelos novos opúsculos que suscita cada ano sobre o mesmo objeto, e por fatos que nos têm sido contados muitas vezes. Aqui é uma mulher do mundo, sem alguma piedade que, por ocasião da morte de seu único filho, recebe de uma de suas amigas estas cartas de consolação; percor-re-as e resolve-se a mudar de vida para estar segura de ir reunir-se no Céu ao pequeno anjo que a precedeu. Ali é um homem ainda jovem que, na morte imprevista de sua muito amada esposa, é tentado pelo desespero, mas encontra entre os livros da defunta o opúsculo – No Céu nos Reconheceremos. Lê-o com empenho, e sente-se inteiramente mudado. Vai confessar-se, comunga e marcha daí por diante sobre as pisadas de sua virtuosa esposa, na esperança de se lhe reunir para sempre junto de Deus. Acolá é uma filha cujo pai, à hora da morte, tinha dado todos os sinais exterio-res de impenitência. Ela olhava como inútil tudo quanto pudesse fazer em benefício de sua alma; mas lê o apêndice à terceira carta e toma a resolução de multiplicar as suas orações e sacrifícios por esta alma tão querida, até ao último instante da sua vida.
O bom resultado que tem obtido este modesto escrito foi uma doce consolação para a alma sensível que no-lo pediu, e que quis aliviar-se a si, aliviando os outros. Ela mesma nos escreveu: “Sou-lhe, por certo, devedora de muitas consolações e bons desejos. Tendes sempre a delicadeza de me dar parte dos bons resultados do livrinho - No Céu nos Reconheceremos. Agradeço-lhe de todo o meu coração. Quando penso que foram os meus suspiros e as minhas lágrimas que tiraram do seu coração esta excelente obra, não me canso de admirar a Providência que, dum grão de mostarda, formou uma árvore onde repousam as almas aflitas”. Ai! a morte levantou de novo a sua espada, por bastante tempo suspensa, e descarregou um terrível golpe, arrancando ainda a esta pobre mãe uma filha muito querida. Mas a graça deu-lhe alguma semelhança com Maria, por meio duma religiosa resignação: “Consagrei-me, diz ela, a esta boa Mãe no mais terrível momento da minha dor, e ela me auxiliou. Ainda que me não foi dado ficar de pé como ela junto da cruz, fiquei assentada, e não a tenho abandonado. Esta graça, foi ela que ma obteve”. Possam todas as mães, a quem a morte arrebata um filho, invocar e imitar assim aquela que viu crucificar seu Filho único! Possam todos aqueles que lerem este livro recorrer à Consoladora dos Aflitos, e ficar pelo menos assentados ao pé da Cruz, se junto dela não puderem permanecer de pé. A virtuosa viúva, cujas palavras há pouco citamos, assemelhava-se, desde há muitos anos, àquelas árvores fecundas e robustas que são abatidas, cortando-se uma após outra as suas raízes, e algumas vezes os seus principais ramos. Deus tirou-lhe, pouco a pouco, os ramos brotados da sua fecundidade; desprendeu-a da terra onde a retinham profundas raízes, preparando-a para cair sem muita dificuldade. Tempo antes, a sua queda, isto é, a sua morte teria mergulhado na dor a seu esposo e a seus numerosos filhos. Agora aqueles que a precederam no Céu vão regozijar-se, pois vêem que a morte só a inclina para a terra, a fim de apressar a sua reunião com eles na pátria celeste. Aqueles que ficam neste mundo, como estas tenras vergônteas que ela via crescer junto de si, vão adoçar, pelos testemunhos do seu amor, o momento da separação. Mas, antes de chamá-la a si, Deus reservava-lhe uma grande alegria. A 12 de Março de 1865, a Senhora *** assistiu, em Paris, à primeira missa do mais jovem de seus filhos, e recebia de suas mãos a Sagrada Comunhão. Deste modo tinha um ante-gosto da felicidade que gozarão os pais na glória, quando se virem com seus filhos assentados ao banquete do Senhor. Pela sua parte, o novo padre, por mais ocupado que estivesse de Deus e do Augusto Sacrifício, conservava em sua alma a viva lembrança de sua família, e não se esqueceu de sua mãe, orando pelos vivos, nem de seu pai, orando pelos mortos.
Quando desceu os degraus do altar para dar o Pão dos Anjos àquela que lhe havia dado o ser, distinguiu-a, sem dúvida, entre todas as outras pessoas queridas a quem ia administrar a Sagrada Eucaristia, e as pulsações de seu coração lhe fizeram sentir que, se é doce para um filho reconhecer sua mãe à mesa eucarística, será muito mais doce ainda reconhecê-la no eterno banquete dos Céus. Feliz, mil vezes feliz a mãe cristã que deixa depois da sua morte, para continuar o hino começado por ela à glória do Senhor, um filho sacerdote, ministro de Jesus Cristo, uma filha no claustro, esposa do mesmo Jesus Cristo, e um filho no século à frente de uma família onde se perpetua a fidelidade a Jesus Cristo, a dedicação à sua Igreja e a misericórdia para com os seus pobres! A Senhora *** teve esta rara felicidade, antes de adormecer no Senhor, a 4 de Março de 1866, tendo sessenta e nove anos de idade. Podem-se-lhe aplicar sem exageração nem lisonja, estas santas palavras: – Ela passou fazendo o bem (Act. X, 38); – A sua memória não se apagará jamais, e o seu nome passará de geração em geração (Eccles. XXXIX 1,3); – Os seus filhos se levantaram e a proclamaram bem-aventurada (Prov., XXXI, 28); – Regozijar-vos-eis em vossos filhos, porque eles serão abençoados e se reunirão todos junto do Senhor (Tob., XIII, 17); – Desprezei todas as vaidades do século por amor de Jesus Cristo que contemplei, que amei, em quem cri firmemente e a quem dei todo o meu coração (Brev. Rom. Commune non Virg., R. VIII).
Os restos mortais da Senhora *** foram depostos no mesmo túmulo em que seu marido e três de suas filhas a haviam precedido, e pareciam esperá-la, a fim de que seus ossos, aproximando-se sob a terra, fossem como que uma prova de que suas almas se tinham reunido no Céu; porque o desejo de ser sepultado junto de um parente ou de um amigo foi muitas vezes olhado como expressão de um outro desejo, de uma piedosa esperança: a de se reunirem um dia na pátria celeste, junto de Deus. Agora, quando o seu filho se prepara a fim de celebrar a Santa Missa e volta as folhas do missal, encontra muitas vezes diante dos olhos um título que faz estremecer o seu coração: Pro pater et mater – por meu pai e minha mãe. E que diz o padre nestas orações? Três vezes pede que reconheça seus pais na eterna bem-aventurança: “Ó Deus, que nos mandastes honrar nosso pai e nossa mãe, tende piedade das almas de meu pai e de minha mãe; perdoai-lhes os seus pecados; fazei que eu os veja no gozo da eterna claridade; reuni-me com eles na felicidade dos santos; e permiti que a vossa eterna graça aí me coroe com eles!”.

No céu nos reconheceremos - cartas de consolação.

NO CÉU NOS RECONHECEREMOS Cartas de Consolação PRIMEIRA CARTA
I
Estado da questão É permitido afligir-nos pela morte dos nossos parentes, contanto que não cessemos de esperar. – Testemunho de Santo Agostinho. – Prática da Igreja – Palavras de S. Paulino. – Exemplo de Jesus Cristo. SENHORA, A morte descarregou o seu terrível golpe junto de vós, sobre as pessoas que vos eram mais caras. A vossa dor é extrema, e é legítima, ainda que não duvideis da eterna salvação daqueles cuja falta lamentais. Por que motivos vos será proibido chorar por vossos parentes e amigos que a-dormecem no Senhor, contanto que, seguindo o conselho do Apóstolo, vos não entristeçais como os que não têm esperança? (I Thess. IV 12). Santo Agostinho comentava assim estas palavras: “É natural entristecermo-nos com a morte daqueles que nos são caros, pois que a natureza tem horror à morte, e a fé nos ensina que ela é um castigo do pecado. A tristeza é uma necessidade: Hinc itaque necesse est ut tristes simus, quando aqueles que amamos deixam de existir. Porque, ainda que saibamos que nos não abandonam para sempre, como aconteceria se devêssemos ficar sempre na terra, mas que nos precedem pouco tempo, porque estamos destinados a segui-los talvez muito breve; todavia, como não contristaria o sentimento do nosso amor a inexorável morte que se apodera do nosso amigo?
Que seja permitido, pois, aos corações amantes entristecerem-se com a morte das pessoas amadas, contanto que haja um remédio para esta dor e uma consolação para estas lágrimas, na alegria que a fé nos faz gozar, assegurando-nos da sorte de nossos queridos defuntos, que se apartam somente por algum tempo de nós e passam a melhor vida.” A Igreja, pelo seu exemplo, permite-nos chorar, e pelo seu ensino ordena-nos esperar. Como nós, toma luto por ocasião da morte de nossos parentes, e a sua voz, como a nossa, é cheia de tristeza. Com o tato, que é particular às mães, e que elas sabem empregar em todas as coisas para se tornarem mais persuasivas, a Igreja, tem-se dito, pede de empréstimo à dor as suas lúgubres harmonias, tão bem adaptadas ao estado da alma aflita, que crê mitigar a sua dor nutrindo-se da mesma dor. Mas, misturando os seus gemidos com os nossos gemidos e as suas lágrimas com as nossas, declara-nos, em nome de Deus vivo, que o que julgamos ser uma morte, não é mais do que uma separação momentânea, um ponto fixo de reunião que a pessoa tão chorada nos dá na habitação da vida, onde a reencontraremos em breve tempo para não mais a perdermos. Acrescenta que, “mesmo na terra, não acabou tudo entre nós e esta alma; que ainda podemos amá-la e sermos dela amados, apesar da morte”.
A mesma Igreja ainda no-lo mostra na morada dos sofrimentos, implorando com voz aflitiva o fraternal tributo de nossas esmolas, de nossas orações e de nossas boas obras. Ou então, no-la faz ver já revestida da incomparável beleza do Céu, e repousando no seio de Deus, donde sobre nós lança olhares duma doçura e ternura inefáveis; faz-nos vê-la, preparando-nos com amor um lugar a seu lado, e oferecendo a Deus incessantemente as suas mais ferventes orações a fim de obter-nos o merecimento de possuí-la e de nunca mais a perder”. S. Paulino, Bispo de Nola, consolou a Pamáquio, por ocasião da morte de Paulina, sua mulher, filha de Santa Paula e irmã de Santa Eustáquia. O virtuoso esposo vertia lágrimas tão abundantes como as suas esmolas. Que vai fazer o seu amigo? Irá censurar estas lágrimas? Louva-las-á pelo contrário, e colherá nas Sagradas Escrituras todos os exemplos de santas lágrimas vertidas por ocasião da morte duma pessoa querida. Depois acrescentará: “Para que censurar as lágrimas dos santos mortais? Não chorou o mesmo Jesus a morte de Lázaro, a quem amava?”
2 Santo Agostinho, Serm. 172, no. 13. 3 Marc, Le ciel, apêndice sobre o amor beatífico, cap. I.
Não se dignou Ele condoer-se da nossa desgraça, até derramar lágrimas sobre um morto? Não se dignou chorar, acomodando-se à fraqueza humana, aquele a quem ia ressuscitar por um efeito da sua divina virtude?
“Eis o motivo, ó meu irmão, por que vossas lágrimas são piedosas e santas”: Idcirco et tuae, frater, lacrymae sanctae et piae. Porque uma semelhante afeição as faz correr; e se chorais uma digna e casta esposa, não é porque duvideis da ressurreição, mas porque vosso amor tem pesares e desejos. Diante daqueles que vos repreenderem de vossas lágrimas, abri, pois, o Evangelho, e por única resposta, apontai-lhes com o dedo estas palavras de S. João: Et lacrymatus est Jesus – e Jesus chorou; e ainda as seguintes: Et turbavit seipsum – e se perturbou a si mesmo. (Joan., XI, 33, 35 ). Mostrai-lhes estas linhas dum escritor que há bem merecido de todas as pesso-as aflitas: “Jesus quis privar-se desta doçura que se encontra no sossego da aflição, quis ser perturbado. A sua natureza divina não lhe permitia sê-lo senão tanto quanto ele mesmo concorresse para esta perturbação; foi isso o que fez; assim no-lo diz o Evangelho.Depois dum semelhante exemplo, não mais atribuamos à nossa imperfeição as lágrimas que a aflição nos arranca, nem a perturbação em que ela nos lança: Jesus chorou, Jesus perturbou-se. É necessário, porém, que esta perturbação não degenere em inquietação, para se não perder a semelhança com Jesus. Não é do agrado de Deus que eu desaprove as lágrimas de um esposo que, depois de ter levantado os olhos ao Céu para aí ver a sua esposa coroada de imortalidade, os sente encherem-se de lágrimas quando, abaixando-os para a terra, não encontra já esta companheira muito amada.
O sentimento que faz chorar a pessoa cuja companhia formava a nossa felicidade, não poderia ser condenado, quando não é o único motivo das lágrimas que vertemos na sua perda. Este desejo de gozar da sociedade da pessoa que se ama, é de tal sorte natural ao homem, que Deus lhe propõe o seu complemento como eterna re-compensa de sua fidelidade em o amar durante a vida”.

17 de dezembro de 2014

Sermão para a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe – Padre Daniel Pinheiro

[Sermão] Nossa Senhora de Guadalupe: a mensagem contida na imagem

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria. […]
O ano é 1531. Os missionários espanhóis encontram bastante dificuldade para evangelizar o povo asteca que habitava a região onde hoje está o México. Podemos atribuir essa dificuldade à influência enorme do demônio nesse povo. Em 1487, por exemplo, em torno de quarenta anos antes da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, houve a consagração do principal templo pagão. Durante 4 dias, 80 mil pessoas foram sacrificadas, em ritos brutais e macabros. Ao longo de cada ano, com essa religião, 50 mil pessoas eram sacrificadas. Sacrifícios humanos. Era essa a cultura dos indígenas. Dado um culto tão profundamente demoníaco, era difícil converter as almas.
Para amolecer esses corações tão endurecidos, Nosso Senhor não teve alternativa. Permitiu que sua Mãe, nossa Mãe, Maria, aparecesse. E com essa aparição as almas finalmente se voltaram a Deus. No dia 9 de dezembro, primeiro dia da oitava da festa da Imaculada Conceição, aquele pobre índio, convertido a Jesus Cristo, atravessava a colina de Tepeyac às 5:30 da manhã, para assistir à Santa Missa para receber o catecismo e cuidar dos seus negócios. Era um índio convertido que ia à Missa, às 5:30 da manhã a pé, atravessando uma colina. Nessa colina, tinham existido anteriormente três templos dedicados à deusa Tonantzin, considerada pelos pagãos astecas mãe dos deuses e dos astecas. Os templos tinham sido demolidos por Cortés. Lá apareceu a verdadeira Mãe de Deus, do único Deus Uno e Trino, dizendo a Juan Diego que ela pedia ao Bispo a construção de uma igreja católica naquele lugar. O índio relata ao Bispo todo o ocorrido. O Bispo age com prudência, sem dar muito crédito, inicialmente.
BishopJuanDiego-370x300É somente com a quarta aparição no dia 12 de dezembro que o bispo se convence da veracidade das aparições. Juan Diego chega, nesse dia, ao palácio episcopal. Com ele, estão rosas de Castilha. Não era a época de rosas e não era um local onde podiam ser encontradas rosas, sobretudo essas rosas. Ele desdobra, então, o seu manto e, nesse manto, aparece a imagem de Nossa Senhora, que hoje chamamos de Guadalupe. O Bispo e os seus servidores se ajoelham e veneram a imagem. Não me prolongarei na história, que cada um pode procurar conhecer a partir de fontes confiáveis.
Gostaria de considerar, porém, a mensagem contida na imagem. A imagem se dirige ao Bispo e aos já católicos, mas ela se dirigia sobretudo aos pagãos astecas. Ela fala, então, a linguagem que eles conheciam muito bem.
Como já dissemos, Nossa Senhora aparece na colina onde estavam os templos pagãos dedicados à deusa pagã considerada a mãe de todos os deuses e dos astecas. Ao aparecer lá, Nossa Senhora diz que ela é a Mãe de Deus e a Mãe dos astecas e de todos os homens. Ela apareceu em um ano que para os astecas significava a plenitude e o nascimento do sol. Ela vai trazer a plenitude e o sol verdadeiros, Nosso Senhor Jesus Cristo. Atrás da imagem, os raios dourados. Daquela Virgem está saindo o sol, que representa Deus.
Eternal_father_painting_guadalupeO manto onde aparece a imagem é grosseiro, de textura imperfeita, impossível de pintar nele. O próprio tecido não costuma durar muito tempo. O que dizer de uma imagem em tal tecido? Mas lá está a imagem até hoje.
Os cabelos estão soltos, indicando sua condição de donzela virgem. As índias casadas levavam o cabelo amarrado em trança.
Nos olhos da Imagem da Santíssima Virgem estão refletidos os bispos e os outros presentes no momento em que se desdobrou o manto de Juan Diego. Ninguém, àquela época, e em tal tecido conseguiria fazer isso. Os indígenas da época também não puderam ver isso na imagem. Apenas recentemente e com a tecnologia moderna é que se tornou possível constatar esse fato estupendo. É uma mensagem para a nossa época moderna, tecnológica. Há quase 500 anos, Deus nos falava claramente.
O broche no pescoço de Maria também é importante. Um colar com um broche no pescoço significa, para os indígenas, submissão e consagração a um Deus. O broche tem uma cruz, espanhola, e mostra a importância de Jesus Cristo sobre Nossa Senhora e mostra a veracidade do Evangelho trazido pelos missionários espanhóis. O único sacrifício agradável a Deus é o de Cristo, na Cruz.
nossa_senhora_de_guadalupeAs mãos de Nossa Senhora, postas em oração, representam também a Igreja que deveria ser construída a mando dela naquela colina. Uma das mãos é mais branca, enquanto a outra mais morena: todos devem se submeter a Maria, para se submeter, assim, a Cristo. O mesmo se pode dizer do rosto da Virgem. Não é europeu nem indígena, mas mestiço.
O laço escuro acima do ventre deixa claro para os indígenas que se trata de uma mulher grávida. Colocavam o laço acima do ventre para permitir o natural crescimento do ventre durante a gestação. E o laço indica também que se trata de uma mulher nobre. Ela é uma donzela Virgem, com os cabelos soltos, mas grávida, com o laço negro acima do ventre.
Na altura do ventre de Nossa Senhora, há uma flor – a única na imagem – com quatro pétalas, que é um símbolo fortíssimo para os astecas. Essa flor indica os quatro movimentos do sol. Representa que Maria está grávida do Menino Sol, daquele que é a Luz do Mundo, o Menino Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nossa Senhora está sobre o centro da lua que na língua indígena se dizia praticamente México. O pé que aparece indica, para os indígenas, o movimento de oração. Nossa Senhora reza sobre o México, sobre a lua. O pé aparecendo é, na iconografia cristã, símbolo de que Nossa Senhora está grávida.
O anjo que sustenta o manto da Senhora tem as feições de um índio. É um jovem guerreiro do exército do sol, que agora deverá ser soldado de Cristo. Representa Juan Diego e nele todo o povo. O anjo tem asas de águia, animal que pode fitar o sol diretamente. O nome de Juan Diego na língua indígena fazia referência a uma águia.
Eis alguns símbolos contidos na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe e que falaram claramente para os índios da época, trazendo-os a Cristo. No momento em que a Igreja perdia a metade de seus filhos na Europa em virtude da heresia e da revolta protestantes, Deus recebia em sua casa novos povos do novo mundo. Agradeçamos a Deus pela sua bondade infinita, pela sua inefável providência. Por nos ter permitido a chegada de colonizadores católicos em nossa pátria e em nosso continente, tirando-nos do tenebroso paganismo. Rezemos a Nossa Senhora de Guadalupe pelo Brasil, pelas Américas. O paganismo brutal que ela veio destruir com sua aparição na colina de Tepeyac está voltando, se é que já não voltou, sob nova forma. Os sacrifícios humanos estão voltando, no aborto, na eutanásia, no assassinato dos inocentes que vemos ocorrer no dia a dia de nossas cidades. Tudo isso fruto de uma sociedade sem s Cristo sem a Igreja.
Que Nossa Senhora nos traga novamente o Sol, que é Jesus Cristo.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

No céu nos reconheceremos - Cartas de consolação


NO CÉU NOS RECONHECEREMOS

PELO  Pe. F. BLOT, DA COMPANHIA DE JESUS

VERSÃO DA 19ª EDIÇÃO FRANCESA

PELO  Pe. FRANCISCO SOARES DA CUNHA

LIVRARIA APOSTOLADO DA IMPRENSA

  - 1952 -


16 de dezembro de 2014

Sermão para a Festa da Imaculada Conceição – Padre Daniel Pinheiro, IBP


[Sermão] A Imaculada Conceição


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito santo. Amém.
Ave Maria…
“Toda sois formosa, ó Maria, e a mácula original não está em vós.”
Que bela festa nós celebramos nesse dia de hoje, caros católicos, que bela festa de Nossa Senhora. A Imaculada Conceição de Maria Santíssima. No Tempo do advento, no tempo de espera do nascimento do Sol de Justiça, que é Jesus Cristo, nós comemoramos a aurora que surge, Maria Santíssima, concebida no ventre de sua mãe, Sant’Ana. Após o pecado dos nossos primeiros pais, Adão e Eva – o pecado original – todo ser humano está submetido a uma mesma lei: nascer com o pecado original, isto é, afastados de Deus, sem a graça divina, sem a sua amizade. Nossa Senhora, ela, não foi submetida a essa lei. Desde o primeiro momento de sua concepção no ventre de Sant’Ana, Nossa Senhora já estava em amizade com a Santíssima Trindade, já estava na graça divina. Maria foi concebida sem pecado. Podemos comparar Nossa Senhora a Esther. O Rei Assuero havia baixado um decreto pelo qual qualquer pessoa que entrasse nos seus aposentos reais sem ter sido chamado deveria morrer no ato. A rainha Esther entrou sem ser chamada e não morreu. Nossa Senhora entrou no mundo, mas sem o pecado original, como Esther entrou nos aposentos do rei sem ser morta. Nossa Senhora é o véu de Gedeão. Quando tudo em torno estava molhado, o véu permanecia seco. Quando tudo permanecia seco, o véu ficava molhado. Nossa Senhora, ao contrário de todos os filhos de Adão, nasceu sem o pecado original. Claro, com ela, também Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo homem e Deus, não teve o pecado original.
Há 160 anos o Papa Pio IX proclamou infalivelmente essa verdade já universalmente professada pelos católicos. Assim disse o Papa em 1854: “[…] Com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, foi revelada por Deus, e, por isso, deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”
A Santíssima Trindade quis preservar Maria do pecado porque, sendo Mãe de Jesus, ela era Mãe de Deus. Não podia a Mãe de Deus ficar nem sequer um instante sob o domínio do pecado e do demônio. Isso ofenderia a honra de seu Divino Filho. Como sempre dizemos: todas as graças em Maria têm como raiz a sua maternidade divina, têm como raiz o fato de ela ser a Mãe de Deus. Depois de seu próprio nome – Maria – o título que mais agrada a Nossa Senhora é o de Mãe de Deus. Por isso, é a segunda invocação das ladainhas de Nossa Senhora. Por isso, está na segunda parte da Ave Maria. Mãe de Deus, Mãe de Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.
Maria foi concebida, então, sem o pecado original. Todavia, caros católicos, essa concepção sem pecado é tão somente o aspecto negativo do mistério excelso que comemoramos hoje. Devemos considerar brevemente o aspecto positivo. Maria foi concebida sem pecado. Ela foi concebida, então, em graça. Mas que graça! Uma graça santificante maior que a de todos os anjos e santos juntos no céu. Deus faz tudo com ordem, peso, número. Se Deus escolheu Maria para Mãe do Verbo, Ele deve dar a ela as graças para exercer bem a sua função. Ora, a função de Mãe de Deus é tão sublime que a simples preparação para ela exige uma graça maior que a graça de todos os anjos e santos juntos no céu. No primeiro instante de sua concepção, Maria Santíssima possuía uma graça que não podemos medir. A sua amizade e proximidade com Deus eram imensas. Todavia, Nossa Senhora, ao longo de sua vida nessa terra, a cada ato, progredia nas virtudes, na caridade. Cada ato seu era mais perfeito e feito com maior caridade do que o anterior. Nossa Senhora avançava na caridade, no amor a Deus, em movimento acelerado. Mal podemos imaginar a perfeição das virtudes que habitava a sua alma no momento de sua concepção. O que dizer, então, no final de sua vida?
De Maria nunquam satis nos dizem os santos. Sim, de Maria nunca poderemos falar o suficiente. Maria, como nos diz o famoso hino Ave Maris Stella, mudou o nome de Eva, invertendo-o. De Eva, para Ave. Maria muda o nome de Eva porque faz o inverso da mãe natural de todo ser humano. Eva cooperou com o pecado original de Adão. A nova Eva, a Ave Maria, cooperou e coopera com o novo Adão, Jesus Cristo, na redenção. Assim, Eva gerou filhos para povoar a terra. Maria, sendo perpetuamente virgem, gerou filhos espirituais para o céu.
Pela Imaculada Conceição, Maria nos ensina, de um lado, a fugir do pecado e, do outro, a buscar a virtude, o amor a Deus, a prática dos mandamentos. É preciso fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Não podemos buscar a virtude sem combater seriamente o pecado. Não podemos combater o pecado sem buscar seriamente a virtude. Nesse dia, em particular, a Igreja nos incentiva também a considerar a pureza de Maria Santíssima, Mãe Puríssima, Mãe Castíssima. Devemos imitá-la na pureza de nossos pensamentos, de nosso comportamento, de nossas vestimentas, de nossos olhares, de nossas diversões. Os cônjuges devem ter sempre a sua união voltada à procriação. Jamais separar união conjugal da procriação ou a procriação da união conjugal.
Maria é realmente a glória da nova Jerusalém, que é a Igreja. Ela é a alegria do novo Israel, que é a Igreja. Ela é o orgulho do povo cristão. Grande deve ser a nossa alegria, pois Maria é nossa Mãe e nossa Advogada. Ela é a Torre de Davi, pronta para nos defender dos ataques inimigos, se a Ela recorremos. Lembremo-nos, caros católicos, que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido a Nossa Senhora tenha sido desamparado. Confiança em Maria! Ela ouve sempre os filhos que a ela recorrem com bons desejos, com desejos de chegar ao céu.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Sonhos de Dom Bosco.

21/21 - O SACRILÉGIO  (1882)

"Uma noite sonhei e vi em um sonho um jovem que tinha o coração roído pelos vermes e que ele mesmo se quitava e lançava de si aqueles animais com a mão. Não fiz caso do sonho. Mas  eis aqui que, na noite seguinte, veio o mesmo jovem, que tinha junto de si um cão que o mordia no coração. Não duvidei que o Senhor queria conceder alguma graça aquele garoto e que o pobrezinho tinha alguma confusão na consciência.
Perto do dia lhe disse de improviso:
- Queres fazer-me um favor?
- Sim, sim... Se depender de mim.
- Se queres, podes fazê-lo.
- Pois bem, diga-me o que deseja, que o farei.
- Estás seguro?
- Seguro!
- Diga-me: não tem calado nenhum pecado na confissão?
Quis negar-me, porém imediatamente acrescentei:
- E este ou este outro, por que não os confessaste?
Então olhou-me no rosto, começou a chorar e me disse:
- O Senhor tem razão: faz dois anos que quero confessar disso e, desejando de uma vez para outra, não me atrevi a fazê-lo.
Então o animei e lhe disse o que tinha que fazer para se por em paz com Deus".

A fita mágica
Pareceu-me estar numa planície coberta por um número incontável de jovens. Uns brigavam, outros blasfemavam. Aqui se roubava,, ali se ofendiam os bons costumes. Uma nuvem de pedras, lançadas por bandos que se faziam a guerra, via-se no ar. Eram rapazes abandonados por seus pais de costumes corrompidos. Estava já a ponto de fugir daí, quando vi ao meu lado uma senhora que me disse:
- Põe te entre esses jovens e trabalha.
Fui , mas que fazer? Não havia um local onde reuni-los; queria fazer-lhes o bem: e dirigia-me pessoas que estavam a olhar de longe e podiam ser de valiosa ajuda para mim. Ninguém me ajudava. Voltei-me para a Senhora e ela me disse:
- Aqui tens um lugar: E me mostrou um prado .
- Mas aqui, disse eu, não há mais, senão somente o prado.
Ela respondeu:
Meu filho e os apóstolos não tinham um palmo de terra onde pousar a cabeça.
Comecei a trabalhar naquele prado; aconselhava, pregava, confessava; mas vi que (meu esforço) em grande parte resultava inútil; meu esforço se não encontrasse um edifício e com local onde recolhê-los e onde abrigar os que haviam sido totalmente abandonados pelos seus pais e rejeitados e desprezados por todo o mundo. Então aquela Senhora me levou um pouco mais para o norte e me disse:
E vi uma Igreja pequena e baixa, um pátio pequeno e muitos jovens. Retornei meu trabalho. Mas, com a Igreja era muito pequena, recorri de novo a Ela, e me mostrou outra Igreja bastante maior e com uma casa ao lado. Levando-me depois a um pedaço de terreno cultivado, quase um frente à fachada da Segunda igreja. E acrescentou.
Neste lugar, onde os gloriosos mártires de Turim, Aventor, Solutor e Otávio, sofreram seu martírio, sobre essa terra banhada e santificada com seu sangue, quero que Deus seja honrado de modo muito especial.
E assim, desejando, adiantou um pé até descansá-lo no ponto exato onde teve lugar o martírio, e indicou-me com precisão. Eu queria por um sinal para encontrá-lo quando voltasse nesse lugar, mas não encontrei nada; nem um palito, nem uma pedra; contudo, fixei-o na memória com toda exatidão. Corresponde exatamente no ângulo interior da Capela dos Santos Mártires, antes chamada de Santa Ana, do lado do Evangelho, da Igreja de Maria Auxiliadora.
Entretanto, via-me rodeado de um número imenso sempre crescente de jovens; e olhando à Senhora, cresciam os meios e o local; e vi, depois, uma grandíssima Igreja, precisamente no lugar onde me disseram haver acontecido o martírio dos santos da região Tebéia, com muitos prédios ao redor e com o lindo monumento no meio-centro.
Enquanto tudo isso acontecia, sempre sonhado, tinha como colaboradores Sacerdotes que me ajudavam no princípio, mas depois fugiam. Buscava com grande trabalho atraí-los para mim, e eles pouco depois iam embora me deixavam só. Então voltei-me de novo àquela Senhora, que me disse:
Queres saber como fazer para que não vão embora? Toma esta fita e ata-lhes na cabeça.
Tomei com reverência a fita branca de sua mão e vi que nela estava escrito uma palavra: Obediência. Experimentei em seguida o que a Senhora me indicou e comecei a atar na cabeça de alguns dos meus colaboradores voluntários com a fita, e vi logo uma grande mudança, de fato surpreendente. Este fato se fazia cada vez mais patente, à medida que ia cumprindo o conselho que me havia dado, já que aqueles que deram o desejo de ir para outra parte e ficavam, por fim, comigo. Assim, constituiu-se a Sociedade Salesiana.
Vi, adiante, muitas outras coisas que não é agora o caso de manifestar. Basta dizer que, desde aquele tempo, eu caminhava sempre seguro.



15 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

20 /21- OS JOGADORES  (1862).

Pois bem, o 31 de janeiro - é a crônica de Bonetti quem fala - Dom Bosco passeava depois de comer no pórtico inferior (baixo), em companhia de uns jovens, quando de repente se deteve, chamou  ao diácono João Cagliero e lhe disse em voz baixa:
- Ouço dinheiro que .............. , porém não seu onde se joga. Anda, busca estes três. No ponto perguntei-o:
- De onde vens, onde te havias metido? Faz tempo que te buscava sem encontrar-te.
- Estava em tal e tal lugar divertindo.
- Que fazias ali?
- Jogava bola.
- Com quem?
- Com N. e com R.
- Jogava dinheiro, verdade?
O Jovem falou entre os dentes umas palavras, porém não negou com efeito que jogavam a dinheiro.
Então dirigi-me ao lugar indicado, que estava bastante escondido, porém não encontrei os outros dois.
Continuei buscando e cheguei a saber com certeza que os ............, dez minutos antes, haviam estado jogando-se acaloradamente uma boa quantidade de dinheiro.
Então comuniquei o resultado a Dom Bosco.
Dom Bosco contou no dia seguinte que, na noite precedente, havia visto durante um sonho aqueles três, jogando-se apaixonadamente a dinheiro.
Observações:
Estava ordenado que o  dinheiro enviado pelos familiares se entregava ao administrador e este o distribuía prudentemente, segundo as necessidades e desejos do interessado.




14 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

19/21- AS DISTRAÇÕES NA IGREJA  (1861).

Os sonhos se têm dormindo; portanto, eu estava dormindo. Minha imaginação levou-me a Igreja onde estavam reunidos todos os jovens. Começou a missa e eis que vi muitos vestidos de vermelho e com chifres, isto é, há numerosos diabinhos que davam voltas entre os jovens como oferecendo seus serviços.
A um deles presenteavam um peão; diante dos outros faziam bailar, a este ofereciam um livro; aquele, castanhas assadas. A outros, um prato de salada ou um baú aberto em que havia guardado um pedaço de mortadela; a alguns ele sugeria uma recordação da cidade natal; a outros sussurrava ao ouvido os incidentes da última partida de jogo, etc.
Alguns eram convidados com os dedos a tocar o piano, os quais atendiam o convite; a outros eles levavam o compasso de uma música; em suma, cada jovem tem seu próprio servente que inventava-lhe a realizar atos estranhos na Igreja. Alguns diabinhos estavam também encarrapitados sobre as costas de certos jovens e se entreteciam  em acariciar-lhes e alisar os cabelos com as mãos.
Chegou o momento da consagração. Ao toque da campainha, todos os jovens se arrodearam, desaparecendo os diabinhos, a exceção dos que estavam sobre os ombros de suas vítimas. Uns e outros voltaram a cara para a porta da igreja sem fazer algum externo  de adoração.
Terminada a Elevação, e aqui se volta a repetir a cena anterior, repetindo os passatempos e voltando a desempenhar cada qual o seu papel.
Se queres que eu dê uma explicação deste sonho, está aqui: creio que neles estão representados as diversas distrações e as que, por sugestão  do demônio, está exposto  cada jovem na Igreja. Os que não desapareceram no momento da Elevação, simbolizam os jovens vítimas do pecado. Estes não necessitam que o  demônio lhes apresentasse motivos de distração, porque já lhe pertencem, por isso, o inimigo lhes acaricia: o que quer dizer que suas vítimas são incapazes de fazer oração.
Observação:
Contado em 28 de novembro. O texto é de Dom Ruffino, que disse que lhes contou um sonho ou apólogo. O mesmo Ruffino parece indicar que cabia interpretá-lo como uma invenção educativa de Dom Bosco, dobre tudo tratando-se do princípio do curso  e de que havia crianças novas, aos que lhes serviam difícil concentrar-se na igreja. Esta impressão aumenta, comparando-o com "A lanterna mágica", de 1865, e "Os Cabritos", de 1866.





13 de dezembro de 2014

Missa Tridentina

Prezados leitores, Salve Maria!


Para quem mora em Curitiba ou na região Metropolitana, e para quem está de passagem pela cidade, comunicamos que haverá Missa Tridentina nos dias 12/12/2014 e 13/12/2014:

Local: Capela Nossa Senhora Aparecida - Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Marechal Floriano Peixoto, 2057 - Rebouças - Curitiba - Paraná (fica entre as ruas Almirante Gonçalves e Baltazar Carrasco dos Reis)

Horário da Missa do dia 12/12/2014: 18:30 horas
Sacerdote: Monsieur L'abbé Philippe Laguérie do IBP

Horário da Missa do dia 13/12/2014: 09:00 horas


Sacerdote: Monsieur L'abbé Philippe Laguérie do IBP

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