20 de maio de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 496

A COMUNHÃO FREQÜENTE NOS NOSSOS DIAS

“Depois da comunhão do celebrante, ouve-se um leve ruído entre os fiéis... Uma linda procissão encaminha-se para a mesa da comunhão. É uma procissão emocionante. Pequenos e grandes, homens e mulheres, pobres e ricos, instruídos e analfabetos, todos... todos vão... vão para o altar... com a cabeça inclinada, com passos comedidos. Cada alma é um tabernáculo vivo. Tabernáculos puros, brancos, sem mancha, tabernáculos que se dirigem à sagrada mesa para receber o Santíssimo Sacramento.
Ajoelham-se e erguem o rosto para o sacerdote, que passa distribuindo a comunhão. Que rostos! Que olhares! Olhos brilhantes, olhar transfigurado, expressão de profundo regozijo que dificilmente se veem em outra parte. Assim resplandecia o rosto dos Apóstolos no Tabor. Parecem-se ás flores que abrem o seu cálice para receber o primeiro raio de sol matinal. Assemelham-se ao cume das altas montanhas, quando parecem abrasadas pelos raios do sol poente. Parecem-se... mas para que buscar novas comparações?... São como o homem que encontrou o seu Deus. O rosto divino resplandece, brilha nos rostos humanos” (Tihamer Toth).

19 de maio de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Livre de Pecado Pessoal


Parte 4/5

Diante deste modelo de pureza direis talvez desalentos: nisso não podemos imitar a Virgem Santíssima. É verdade que não a podes imitar completamente. Tens a concupiscência, tens as sugestões do mundo que te incitam a pecar, e a Santíssima Virgem não teve nada disso. Sem um privilégio especial de Deus, recairá em ti a definição dogmática do Concílio Tridentino: ninguém pode evitar durante toda a vida todos os pecados ainda os veniais. Não poderás evitar todos os pecados, mas podes evitar muitíssimos, e deves evitá-los, deves procurar a maior limpeza da tua alma. Ela também esta destinada a ser casa de Deus. O mesmo Jesus Cristo que habitou no seio da Santíssima Virgem vem com frequência ao teu coração, sempre que recebes a eucaristia.
Que não és impecável . . .
Porém podes empregar os mesmos meios que livraram a Santíssima Virgem do pecado. Podes conhecer intimamente a Deus pensando mais n'Ele e pensando menos nas vaidades do mundo. Não conheces a bondade de Deus, porque todos os teus pensamentos estão absorvidos pelas vaidades da terra. E como não conheces a Deus, abandona-lo por um momento de prazer, por um pouco de divertimento e pecas. Como não conheces a Deus, também não o amas, amas muito mais os objetos e as pessoas que são apreendidos pelos sentidos, e a quem mais se ama, a esse se serve, ainda que servindo-o desobedeças a Deus e o ofendas.
Diz a Escritura: "Lembra-te das coisas últimas que te acontecerão e não pecarás mais". Lembra-te da morte e do inferno, e sobretudo lembra-te do céu, lembra-te de Deus e evitarás o pecado. E se, apesar dos teus esforços, alguma vez pecares, limpa quanto antes a tua alma. Não há nada que cause mais repulsa que uma casa suja. Quando entras num aposento que há muito não é limpo, costumas dizer: aqui há pó de todas as idades. Assim são muitas almas; nelas há pecados de todas as idades: pecados da infância e da juventude e da idade madura; porque nunca se dispuseram a fazer uma boa confissão, porque nunca se arrependeram sinceramente das suas culpas, embora se tenham confessado muitas vezes. Como estas almas se parecem pouco com a da Santíssima Virgem!
Quanto tempo demoram em limpar a alma com a confissão algumas pessoas? Um mês, vários meses, muitos anos.
Se não manchassem a alma . . . Porém com a alma suja sucede o mesmo que com a casa. Quando uma casa esta muito limpa, tem-se muito cuidado ao entrar para não a sujar. Quando uma casa esta muito suja, não se tem cuidado ao entrar nela, entra-se mesmo com os pés cheios de lama.
Por que caminhos tão lamacentos andam tantas raparigas: por ruas escuras e enlameadas, pelos cinemas escuros e cheios de lodo, pelos salões de baile cheios de lodo, por vezes iluminados e outras vezes a meia luz! . . . E como essas raparigas têm a alma escura, também já não lhes importa evitar um pecado; têm tantos na alma que dizem: mais um menos um, que importa?
As almas cuidadosas limpam a sua alma todos os dias. Quer dizer que se devem confessar todos os dias? Não; porém examinam diariamente a sua consciência e procuram a poeira que caiu na alma, poeira de faltas veniais, e limpam esse pó com o arrependimento. Nas casas faz-se de vez em quando uma limpeza maior; esfregam-se melhor todos os andares; e examinam-se os cantos mais escondidos.
A isso equivale a confissão geral que as almas espirituais fazem de quando em quando, por ocasião de uma festa, no fim do ano ou em tempo de exercícios espirituais. 
Quando se espera um hóspede de distinção, dá-se uma vista de olhos às habitações a ver se tudo esta limpo e em ordem. É o que fazem as almas fervorosas antes de receber o hóspede divino, Jesus Cristo. Com atos eternos de arrependimento põem em ordem a alma, antes que entre nela o rei da glória.

18 de maio de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Livre de Pecado Pessoal


Parte 3/5

Mas ainda mais; a Santíssima Virgem não só não pecou; não podia pecar; Deus fê-la impecável. 
Assim o pedia a sua dignidade de Mãe de Deus. Ao ouvir esta afirmação, alguém pode dizer: isso é um grande privilégio; porém, que mérito teve então a Santíssima Virgem?
Compreendereis o mérito, se compreenderdes bem a razão da impecabilidade. Porque foi impecável a Santíssima Virgem? 
A natureza divina repugna essencialmente o pecado. A Santíssima Virgem nem teve natureza divina, porque não era Deus; nem esteve unida com a natureza divina, porque não era como seu Filho; por tanto não é aí que devemos procurar a causa da impecabilidade.
Os anjos e os santos que estão no céu possuem o "lumem gloriae", a luz da glória, e em virtude dela vêem a Deus intuitivamente, face a face, e não podem pecar. Ver a Deus face a face e pecar é impossível. Trocar um bem infinito e imutável por um bem limitado e caduco é impossível.
A Santíssima Virgem pode ter e talvez tivesse a visão da divindade, porém mesmo que assim fosse, essa visão foi transitória, não foi continua; portanto, a razão que os santos do céu têm para não pecar, tão pouco a teve ela.
Então, porque foi impecável? Seria porque não teve atrativos exteriores que a induzissem a pecar?
É verdade que a divina providência velou por ela para afastá-la de todos esses atrativos para o pecado; porém os anjos na antecâmara do céu, estiveram também livres de todos os estímulos externos e pecaram. Ainda que uma pessoa não tenha a concupiscência, ainda quando não seja impelida ao mal por nenhuma sugestão exterior, essa pessoa pode pecar por amar-se desordenadamente a si mesma. Esse amor a si mesmo excitou a soberba dos anjos e dos primeiros homens e pôs a sua vontade em frente da de Deus.
Seria porque esteve livre da concupiscência? Não é razão suficiente. Livres da concupiscência estiveram Adão e Eva no paraíso e pecaram. Alguma coisa mais teve que haver na Santíssima Virgem para que fosse impecável.
É verdade que Maria não teve continuamente a luz da glória para contemplar face a face a divindade; porém teve a luz viva da fé e teve uma ciência infusa incomparável; e com essa ciência e com essa fé pensava em Deus, meditava continuamente em Deus, e conhecia perfeitamente a Deus embora não o visse face a face; e tal era o seu conhecimento de Deus que tanto ela, como os anjos do céu, não podiam trocar a Deus, bem infinito e eterno, por um bem caduco e rasteiro que podia levar ao pecado.
Conhecia profundamente a Deus e amava-o incomparavelmente mais que a todos os bens da terra; porque a medida do conhecimento era o seu amor e não podia, mercê das abundâncias de graças eficazes, pospôr Deus a esses bens terrenos.
Amava também a Deus na medida da graça que tinha na alma; e essa graça, é verdade, que em parte tinha-a recebido gratuitamente de Deus, porém em parte tinha-a multiplicado com os atos da sua virtude. Aí tendes a raiz da impecabilidade da Santíssima Virgem: além da imunidade da concupiscência, além da providência especial que Deus teve sobre ela, para que não a assaltasse nenhum pensamento pecaminoso, a Santíssima Virgem conheceu intimamente a Deus; e isto foi mérito seu.
A boca cheia devemos dizer com a Igreja: "És formosa, minha amiga, e graciosa como Jerusalém".
A Jerusalém celestial é o céu, e dela diz São João: É ouro limpo, semelhante ao límpido cristal e ali não entra nada manchado. Ouro limpo foi a Santíssima Virgem sem nenhuma mancha de pecado original, mortal ou venial. Ouro semelhante ao cristal, pois não teve uma natureza de querubim ou de serafim, mas humana, frágil como o cristal, e viveu na terra; grande mérito o da Santíssima Virgem.
Aquele que vive numa casa limpa coberta de alfombras e tapeçarias não é nada estranho que não se manche. O que admira é que não apanhe nem um bocadinho de lama aquele que anda num caminho cheio de lodo. Os anjos viveram na antecâmara do céu, limpa do lodo da terra. A Virgem Santíssima caminhou pelo mundo, lodaçal de pecados.
Como é admirável que em tantos anos de vida, em tantas ações, em tantas palavras, em tantos desejos, em tantos pensamentos não se possa descobrir nada imperfeito, nada que não seja conforme com a vontade divina!

16 de maio de 2018

Sermão para o 3º Domingo depois da Páscoa – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] A piedade para com a pátria


“Sejais submissos a toda autoridade humana por causa de Deus.”
Caros católicos, na Coleta de hoje – oração que precede a Epístola – nós pedimos a Deus para que possamos repudiar tudo o que se opõe ao nome cristão, e pedimos que possamos seguir tudo o que é conforme ao nome cristão. Entre as coisas que são conformes ao nome cristão, está a virtude da piedade. Não tratamos aqui, porém, da piedade em seus sentidos mais comuns, como sinônimo de devoção, compaixão ou misericórdia, mas tratamos aqui da piedade em seu sentido mais estrito, que é a piedade para com os pais e a pátria.
A virtude da piedade propriamente dita é, então, aquela que nos inclina a dar aos pais, à pátria e a todos os que se relacionam com eles a honra e o serviço que lhes são devidos. A justiça nos diz que nos tornamos devedores daqueles que nos deram benefícios. Somos devedores, em primeiro lugar, de Deus, em razão de sua excelência e em razão de todos os bens inumeráveis que nos deu, a começar pelo nosso ser. Em segundo lugar, são os pais que nos dão o ser e nos governam. E, finalmente, a pátria, em que nascemos e que nos nutre. E por isso, depois de Deus, o homem é devedor sobretudo dos pais e da pátria, nos diz São Tomás. A primeira dívida, que é para com Deus, paga-se com a prática da virtude da religião, pela qual damos a Deus o culto que lhe é devido, em união com Cristo. A segunda e terceira dívidas, devidas aos pais e à pátria, são pagas com a prática da virtude da piedade. Vemos, então, que a virtude da piedade está em estreita relação com o quarto mandamento: honrar pai e mãe. Como sabemos, o quarto mandamento não se resume ao pai e à mãe, mas diz respeito a todos os superiores na ordem familiar, civil e eclesiástica. E esse mandamento indica os deveres dos inferiores para com os superiores e também dos superiores para com os inferiores.
O que nos interessa, porém, hoje é a virtude da piedade que diz respeito à pátria, aproveitando a ocasião desse 22 de abril, data considerada do descobrimento do Brasil. Se somos católicos, buscando, assim, imitar Cristo, e praticar aquilo que é conforme ao nome cristão, devemos ter e praticar a virtude da piedade para com nossa pátria porque ela também é princípio de nosso ser, de nossa educação e ela nos governa. A pátria faz isso enquanto proporciona aos pais – e por meio deles aos filhos – grande quantidade de coisas necessárias e convenientes para o nosso ser, de tal forma que, sem a pátria, não poderíamos ter tantos bens que temos. Devemos praticar a virtude da piedade para com nossa pátria como o fez Nosso Senhor Jesus Cristo em seu tempo e em sua pátria, obedecendo a ela em tudo o que é bom e socorrendo-a em suas dificuldades, sobretudo, se assim podemos dizer, as espirituais. Devemos praticar a virtude da piedade obedecendo às leis justas do país e resistindo, serena e firmemente, àquelas que se opõem à lei de Deus, pois é preciso obedecer antes a Deus do que aos homens. Devemos fazer tudo o que nos manda a autoridade civil, a não ser que mande algo contra a fé, contra a moral, contra a lei natural, contra o bem comum. Cumprir uma lei que é contra a lei de Deus é prejudicar a si mesmo, a sociedade, a pátria.
Devemos praticar a virtude da piedade buscando que nossa pátria reconheça a Verdade e se submeta a ela, para que nossa pátria possa, assim, ajudar seus filhos não só materialmente, mas também espiritualmente, favorecendo e facilitando o conhecimento daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida: Jesus Cristo. Para tanto, devemos rezar por nossa pátria, nos mortificar pelo bem de nossa pátria. Está dito na Sagrada Escritura que o clamor de Israel foi ouvido por Deus. Para tanto, o povo de Israel rezava e fazia penitência. Se rezarmos e fizermos penitência, Deus poderá, então, ouvir nosso clamor. Para ajudar nossa pátria, devemos também agir dentro de nossas possibilidades, começando pela nossa conversão e pela nossa família.
É muito comum reclamarmos de nossa pátria e, ao mesmo tempo, fazermos pouco ou nada por ela. Devemos rezar e agir, mas agir de modo ordenado e sempre segundo os princípios católicos, fazendo isso pelo bem de nosso país. Muitos ainda se iludem querendo ajudar a pátria pela política em primeiro lugar e não pela religião. E assim vão se associando a pessoas ou a grupos contrários aos princípios católicos, vão aderindo a erros sob o pretexto de combater erros maiores. Que ilusão. Na prática por exemplo, vemos católicos se associando a grupos maçônicos para combater o comunismo, como se o comunismo fosse erro maior a ser combatido por esse erro menor. Na verdade, o erro maior aqui são os princípios maçônicos e foi nas lojas maçônicas que foi originado o comunismo/socialismo. Não se pode aderir a um erro, ainda que menor, para combater outro maior. Nesse caso, o erro triunfará sempre. Como os Papas sempre ensinaram, não é pela ação política, mas pelo Evangelho que ajudaremos nossa pátria. Pio XI, na Encíclica Divini Redemptoris dizia: “Como em todos os períodos mais tormentosos da história da Igreja, assim hoje também o remédio fundamental é uma sincera renovação da vida privada e pública, segundo os princípios do Evangelho.” São Pio X dizia na Notre Charge Apostolique: “a reforma da civilização é uma refor religiosa em primeiro lugar, pois não há verdadeira civilização sem civilização moral e não há civilização moral sem a verdadeira religião.” São Pio X diz que isso é uma verdade demonstrada, um fato da história. E o Papa João Paulo II na Centesimus annus diz que “é preciso repetir que não existe verdadeira solução para a «questão social» fora do Evangelho.”
Devemos, ainda, rezar pelos nossos governantes, para que sigam a lei de Deus, para que governem em vista do bem comum, que não pode simplesmente fazer abstração da verdadeira religião. E devemos ter em mente que temos os governantes que merecemos. Para mudar para melhor, temos que rezar muito e procurar a nossa conversão a Deus.
Com isso, ajudaremos nossa pátria sem cair no excesso de endeusá-la, com um nacionalismo descabido, e sem cair no defeito de rejeitar nossa pátria e dizer como os pagãos: minha pátria é onde me sinto bem. Não, caros católicos! Temos verdadeiro dever de justiça para com a nossa pátria, apesar de seus defeitos. Dever de justiça, de piedade. A pátria é princípio de nosso ser. Devemos procurar que ela o seja não só materialmente, mas também em ordem mais elevada, nos ajudando a conhecer a verdade e a praticar o bem.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

15 de maio de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Livre de Pecado Pessoal


Parte 2/5

Nem mancha de pecado, nem sequer imperfeição moral. A imperfeição moral é diferente do pecado.
O pecado é uma desobediência a Deus, quando Deus manda uma coisa; e segundo essa desobediência seja maior ou menor, o pecado será maior ou menor, o pecado será mais ou menos grave.
Porém Deus às vezes não manda; unicamente aconselha: aconselha ou no Evangelho, onde estão os chamados conselhos evangélicos, ou por inspirações interiores, ou por insinuação dos superiores, ou pela razão que nos diz o que é mais perfeito. Quando a alma não segue o conselho de Deus, comete uma imperfeição moral. Talvez a dúvida vos assalte: porém essa imperfeição moral, o não seguir os conselhos de Deus, não é um pecado?
A opinião dos teólogos divide-se: uns dizem que essa falta de atenção para om Deus sempre encerra alguma culpa, ainda que seja muito leve; outros dizem que não implica pecado algum.
Seja como for, o certo é que a Santíssima Virgem correspondeu sempre a todas as inspirações divinas: Deus inspirou-lhe que fizesse voto de virgindade e ela assim fez; Deus inspirou-lhe que contraísse matrimônio com São José e ela cumpriu; Deus propôs-lhe ser Mãe; a Virgem expôs a dificuldade que tinha nisso, resolveu-a o anjo e ela aceitou a vontade divina. O coração da Santíssima Virgem estava sempre a dizer: Faça-se em mim a vossa vontade.
Na Santíssima Virgem nada havia que a impedisse de proceder com toda a perfeição, que a estorvasse de corresponder a todas as graças. Nela não havia concupiscência; nela não havia nenhuma desordem nas potências nem nos sentidos; por isso, não houve nela nenhuma imperfeição moral.

14 de maio de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 491 até 495

Observação: No arquivo pdf não consta as páginas onde estão incluídos os exemplos 491 ao 494.

 A COMUNHÃO EXIGE SACRIFÍCIO

No santo lugar das aparições da SS. Virgem de Fátima, um dia, depois do por do sol, o bispo de Leiria ia sair do confessionário, em que estivera longas horas, quando se aproxima uma das mulheres que estavam esperando e lhe diz:
— Senhor Bispo, por amor de Deus, ouça-me de confissão.
— Mas já soaram as Ave - Marias; agora só se confessam os homens.
— Pobre de mim! Desde esta manhã que espero a minha vez para receber a santa comunhão... e devo ir-me sem comungar!...
— Ah! estais ainda em jejum?
— Estou, sim, sr. Bispo.
— Bem; aqui não vale o Direito Canônico, — exclamou comovido o prelado. Em seguida ouviu a confissão e deu-lhe a comunhão.
Casos semelhantes se poderiam contar muitíssimos; mormente nos grandes santuários de Nossa Senhora são frequentes.

13 de maio de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 490

DURANTE VINTE ANOS SÓ TOMAVA A COMUNHÃO

1. S. Nicolau de Flue viveu na Suíça, sua pátria, no século XV. Era casado e, quando tinha mais de cinquenta anos e seus filhos criados e colocados, com o consentimento de sua esposa retirou-se a um lugar solitário chamado Ranft, onde construiu uma capela com o auxilio dos habitantes dos arredores. Ali, durante vinte anos não tomou outro alimento que a sagrada Comunhão. A principio muitos desconfiavam dele, tendo-o por hipócrita e enganador e criam que às escondidas alguém lhe levava alimentos. As autoridades puseram vários espiões que, durante um mês inteiro, dia e noite o observavam. Quando se convenceram de que não havia engano, solicitaram ao bispo de Constanza que o examinasse e consagrasse aquela capela. O bispo auxiliar D. Tomás foi disso encarregado e, depois de consagrar a capela, em conversa familiar com o Santo, soube que há um ano e meio não provara outra coisa senão a sagrada Comunhão. O bispo perguntou-lhe qual dentre as virtudes que lhe parecia ser a principal e mais agradável a Deus, e o Santo respondeu que era a obediência.
Então o prelado, pondo diante dele pão e vinho, que trazia a propósito, disse-lhe: “Eis, irmão, a comida e a obediência vos traz para comerdes e alcançardes o prêmio de tão formosa virtude”. O Santo estremeceu, mas não opôs resistência; mas, depois de ter tomado aquele alimento e bebida, começou a sentir horríveis dores como se estivesse para morrer. Ao ver aquilo o prelado pediu-lhe perdão, protestando ter procedido daquela maneira por ordem superior. S. Nicolau, durante os vinte anos que ainda viveu, não tomou outro alimento fora da sagrada Comunhão, e ninguém mais o molestou. O historiador protestante Mueller. reconhece que este caso foi seriamente examinado e tido por incontestável.

12 de maio de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Livre de Pecado Pessoal


Parte 1/5

A alma de Maria não só estava limpa do pecado original; estava também limpa de todo o pecado pessoal, ainda dos mais leves: veniais deliberados, veniais meio deliberados; e ainda de toda a imperfeição.
Privilégio extraordinário que Deus concedeu a sua Santíssima Mãe. Assim o declarou o Concílio Tridentino: "Ninguém pode evitar durante toda a vida todos os pecados, mesmo veniais, sem especial privilégio de Deus e este privilégio teve-o a Santíssima Virgem".
Assim tinha de ser.
Deus no Paraíso disse ao demônio: "Eu porei inimizade entre ti e a mulher: entre a sua descendência e a tua".
Essa mulher era a Santíssima Virgem. A inimizade entre o demônio e a Santíssima Virgem tinha de ser absoluta, perpétua; e não o teria sido, se a Santíssima Virgem em algum momento da sua vida tivesse cometido algum pecado, mesmo venial, pois nesse momento em que tivesse pecado, teria agradado ainda que ligeiramente ao demônio.
Se a Santíssima Virgem tivesse pecado, o anjo não a teria podido chamar a cheia de graça; porque onde há algum pecado, ainda que seja venial, há alguma falta de graça santificante.
Se a Santíssima Virgem tivesse pecado, a infâmia da Mãe recairia no Filho, e Jesus não podia consentir nem que sua mãe ficasse infamada com o pecado, nem que essa infâmia caísse sobre ele.
Pode evitar isso e sem dúvida evitou.
Ele tinha associado sua Mãe à obra redentora do mundo, e nada mais oposto à redenção e à santificação das almas do que o pecado.
Com razão a Igreja aplica à Virgem Santíssima aquela palavra do Cântico dos Cânticos: És toda formosa, ó minha amiga, e não há em ti mancha alguma de pecado.

11 de maio de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 489

SACRÁRIOS VIVOS

Legiões de santos, ascetas, místicos e multidões de crentes encontraram na Hóstia divina a fonte de suas alegrias e o alento de suas virtudes. S. Francisco de Assis, S. Domingos de Gusmão, S. Francisco Xavier, S. Teresa de Jesus, S. João da Cruz, S. Vicente de Paulo, S. Afonso de Ligório, S. Geraldo Majela (para não falar de outros), passam pela história como tabernáculos humanos, como sacrários vivos, irradiando a luz do fogo divino que guardavam em seus corações.
Não há — diz S. Tomás — não há língua capaz de exprimir as doçuras deste Sacramento; pois na sagrada Comunhão temos a doçura em sua mesma fonte.