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28 de março de 2015

Sermão para o 4º Domingo da Quaresma (Laetare) 15.03.2015 – Padre Daniel P Pinheiro

[Sermão] Jesus Cristo, a alegria dos homens

“Rejubila, Jerusalém, e vós todos que a amais.”
Caros católicos, falamos, nesses três domingos precedentes da Quaresma, de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vimos que ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Vimos que Ele nos ensinou uma doutrina celeste, perfeita, absolutamente necessária para a nossa salvação e, evidentemente, boa para nós. Nosso Senhor Jesus Cristo, por tudo o que é e por tudo o que fez e faz por nós é a nossa verdadeira alegria. Como já tivemos a oportunidade de dizer algumas vezes, a alegria de cada ser consiste em agir conforme a sua natureza. Assim, o cachorro é (sentimentalmente) feliz quando age como cachorro. O gato é (sentimentalmente) feliz quando age em conformidade com sua natureza de gato. Um microfone, se pudesse ser feliz, seria feliz ao transmitir o som em altura adequada para os ouvintes. Nós seres humanos somos felizes (espiritualmente, sobretudo) quando agimos como seres humanos. Agimos como seres humanos quando conhecemos a verdade, quando amamos a verdade e colocamos a verdade em prática. Somos seres dotados de inteligência e de vontade. Inteligência e vontade são a parte mais elevada do nosso ser. Portanto, somos felizes quando nossa inteligência conhece a verdade e quando nossa vontade ama a verdade, o bem verdadeiro. Somos felizes quando a inteligência iluminada pela verdade e a vontade inflamada pelo amor a essa verdade orientam os nossos sentimentos, o nosso corpo, toda a nossa vida. Ora, a verdade absoluta e o bem infinito são Deus, são Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é a Verdade. Ele é o Bem. Portanto, devemos nos alegrar imensamente com Nosso Senhor Jesus Cristo.
Devemos nos alegrar porque Nosso Senhor veio nos ensinar a Verdade. Ele veio nos falar da vida de Deus. Ele veio nos falar das perfeições de Deus. Ele veio nos ensinar a verdade, e somente ela pode nos salvar, somente ela pode ser para nós motivo perene de alegria. Ele veio também nos dar as graças para que possamos aderir à verdade que nos ensinou.
Devemos nos alegrar porque Nosso Senhor Jesus Cristo veio nos trazer o amor à verdade, o amor ao bem verdadeiro, ele veio nos trazer o amor a Deus. Somente o amor a Deus pode nos fazer realmente felizes já nessa vida e plenamente felizes no céu, se nos salvarmos. Nosso Senhor nos mostrou como devemos amar a Deus: fazendo a vontade de Deus em todas as coisas. Ele veio nos trazer o amor por Deus mostrando a sua caridade para conosco, ao sofrer tanto para nos salvar. Deus amou tanto os homens que enviou seu próprio Filho para nos salvar.
Devemos nos alegrar, então, porque a segunda Pessoa da Santíssima Trindade dignou-se vir ao mundo para nos salvar. Deus não nos abandonou depois do pecado de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Alegremo-nos porque Ele não nos abandonou depois de nossos pecados.
Devemos nos alegrar porque o Verbo feito carne veio nos salvar pregado numa cruz. Ele veio nos salvar sofrendo mais do que todos os homens juntos.
Devemos nos alegrar porque Nosso Senhor é bom. Em todas as coisas, desde a sua encarnação até a sua ascensão, e agora no céu, Ele agiu e age par a glória de Deus e para o nosso bem: no seu nascimento em Belém, na sua apresentação no templo, na sua fuga para o Egito, na sua vida escondida em Nazaré, nos seus milagres, nos seus ensinamentos, nas suas ações.
Devemos nos alegrar porque Jesus é misericordioso. Ele quer nos tirar da miséria do pecado, Ele quer o nosso verdadeiro bem, que é nossa santificação. Devemos nos alegrar porque a misericórdia de Jesus é uma misericórdia diferente da misericórdia do mundo. A misericórdia do mundo deixa cada um nos seus erros e conforta cada um em seus erros e pecados. A misericórdia de Deus não é para nos deixar no pecado ou para no confortar no pecado. A misericórdia divina, paciente e bondosa, é para nos tirar do pecado, mostrando-nos a verdade.
Devemos nos alegrar porque Jesus Cristo nos dá as graças mais do que suficientes para que possamos resistir às tentações, para que não pequemos. Ele nos dá graças abundantes para que possamos viver uma vida virtuosa, uma vida de união a Deus, uma vida de imitação de Cristo.  Ele nos dá com generosidade essas graças que mereceu na Cruz. Devemos, porém, pedi-las.
Devemos nos alegrar porque Nosso Senhor, em meio às maiores tribulações nossas, nos consola. Talvez não sensivelmente, mas nos consola, se recorremos a Ele, nos dando a força para perseverar no bem, para termos paciência nas provações, fazendo-nos pensar em tudo o que Ele sofreu por nós e fazendo-nos pensar na recompensa da vida eterna.
Devemos nos alegrar porque Nosso Senhor fundou uma sociedade para continuar a sua obra ao longo dos séculos, até o fim dos séculos. Ele instituiu uma sociedade, que é a Igreja Católica, para assegurar a transmissão intacta dos seus ensinamentos. Ele instituiu nessa sociedade um poder de magistério que é infalível quando faz definições no campo da fé e da moral.
Devemos nos alegrar porque Nosso Senhor nos deu os sacramentos. Ele instituiu na Igreja os canais pelos quais os frutos de sua paixão deveriam ser aplicados. Ele nos deu os sacramentos que nos acompanham ao longo de toda a nossa vida. Do batismo, em nosso nascimento, até à extrema-unção perto de nossa morte.
Devemos nos alegrar porque entre os sacramentos, Nosso Senhor, nos deixou a Eucaristia. Ele nos deixou seu próprio Corpo e seu próprio Sangue sob as aparências do pão e do vinho. Grande deve ser a nossa alegria por termos Jesus Cristo realmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade nos tabernáculos de nossas Igrejas. Grande deve ser a alegria por poder nos alimentar espiritualmente, se estamos em estado de graça, do próprio Cristo Jesus.
Devemos nos alegrar porque Nosso Senhor nos deixou a Santa Missa, a renovação não sangrenta do único sacrifício da Cruz. É pela Missa que podemos adorar a Deus devidamente. É pela Missa que podemos agradecer a Deus devidamente. É pela Missa que podemos pedir com toda confiança as graças de que precisamos. É pela Missa que podemos pedir a Deus o arrependimento de nossos pecados. É pela Missa que poderemos fazer bem todas essas coisas em nosso quotidiano.
Poderíamos multiplicar muito mais, caros católicos, os motivos para nossa alegria em Nosso Senhor Jesus Cristo. Todavia, nesse tempo da Quaresma, alegremo-nos porque Nosso Senhor nos chama, de modo veemente, à conversão. Alegremo-nos e aproveitemos esse tempo de conversão e misericórdia para abandonarmos os nossos pecados, para travarmos uma luta firme, mas serena, contra os nossos vícios. Aproveitemos esse tempo para nos confessarmos com grande contrição, para crescermos no amor efetivo a Nosso Senhor, guardando as suas palavras e as colocando em prática.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

27 de março de 2015

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Parte 40

CONSAGRAÇÃO DE SI MESMO A JESUS CRISTO, SABEDORIA ENCARNADA, PELAS MÃOS DE MARIA

Ó Sabedoria Eterna e Encarnada! Ó amabilíssimo e adorável Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, unigênito Filho do Eterno Pai e da sempre Virgem Maria, adoro-vos profundamente no seio e nos esplendores do vosso Pai, durante a eternidade, e no seio virginal de Maria, vossa Mãe digníssima, no tempo de vossa Encarnação.
Eu vos dou graças por vos terdes aniquilado a vós mesmo, tomando a forma de escravo, para livrar-me do cruel cativeiro do demônio. Eu vos louvo e glorifico por vos terdes querido submeter a Maria, vossa Mãe Santíssima, em todas as coisas, a fim de por Ela tornar-me vosso fiel escravo.
Mas, ai de mim, criatura ingrata e infiel! Não cumpri as promessas que vos fiz solenemente no Batismo. Não cumpri com minhas obrigações; não mereço ser chamado vosso filho nem vosso escravo, e, como nada há em mim que de vós não tenha merecido repulsa e cólera, não ouso aproximar-me por mim mesmo de vossa santíssima e augustíssima Majestade.
É por esta razão que recorro à intercessão de vossa Mãe Santíssima, que me deste por Medianeira junto a Vós, e é por este meio que espero obter de Vós a contrição e o perdão de meus pecados, a aquisição e conservação da Sabedoria.
Ave, pois, ó Maria Imaculada, Tabernáculo vivo da Divindade, onde a Eterna Sabedoria escondida quer ser adorada pelos anjos e pelos homens!
Ave, ó Rainha do céu e da terra, a cujo império está sujeito tudo o que está abaixo de Deus!
Ave, ó refúgio seguro dos pecadores, cuja misericórdia jamais a ninguém falece! Atendei ao desejo que tenho da Divina Sabedoria, e recebei, para este fim, os votos e as oferendas, apresentadas pela minha baixeza.
Eu, N..., infiel pecador, renovo e ratifico hoje, em vossas mãos, os votos do Batismo.
Renuncio para sempre a Satanás, suas pompas e suas obras, e dou-me inteiramente a Jesus Cristo, Sabedoria Encarnada, para segui-lo levando minha cruz, em todos os dias de minha vida. E, a fim de lhe ser mais fiel do que até agora tenho sido, escolho-vos neste dia, ó Maria Santíssima, em presença de toda a corte celeste, para minha Mãe e minha Senhora.
Entrego-vos e consagro-vos, na qualidade de escravo, meu corpo e minha alma, meus bens interiores e exteriores, e até o valor de minhas boas obras passadas, presentes e futuras, deixando-Vos direito pleno e inteiro de dispor de mim e de tudo o que me pertence, sem exceção, a vosso gosto, para a maior glória de Deus, no tempo e na eternidade.
Recebei, ó benigníssima Virgem, esta pequena oferenda de minha escravidão, em união e honra à submissão que a Sabedoria Eterna quis ter à vossa Maternidade; em homenagem ao poder que tendes ambos sobre este vermezinho e miserável pecador; em ação de graças pelos privilégios com que Vos favoreceu a Santíssima Trindade.
Protesto que quero, de agora em diante, como vosso verdadeiro escravo, procurar vossa honra e obedecer-Vos em todas as coisas.
Ó Mãe admirável, apresentai-me a vosso amado Filho, na qualidade de escravo perpétuo, para que, tendo-me remido por Vós, por Vós também me receba favoravelmente.
Ó Mãe de misericórdia, concedei-me a graça de obter a verdadeira Sabedoria de Deus, e de colocar-me, para este fim, no número daqueles a quem amais, ensinais, guiais, sustentais e protegeis como a filhos e escravos vossos.
Ó Virgem fiel, tornai-me em todos os pontos um tão perfeito discípulo, imitador e escravo da Sabedora Encarnada, Jesus Cristo, vosso Filho, que eu chegue um dia, por vossa intercessão e a vosso exemplo à plenitude de sua idade na terra e de sua glória nos céus. Assim seja.

Essência do Santo Sacrifício da Missa - Explicação da Santa Missa 27

XXVII. INSTANTE EXORTAÇÃO PARA OUVIR DIARIAMENTE A SANTA MISSA

Depois de tudo quanto dissemos até aqui, pareceria desnecessário exortar-te a ouvir a santa Missa todos os dias. Entretanto, acrescentaremos algumas reflexões próprias, para afirmar, em ti, a esta resolução.
Não há dúvida de que nenhuma hora do dia é tão preciosa como a da santa Missa. É verdadeiramente uma hora de ouro, e, por sua influência, tudo o que fizeres no correr do dia será, por assim dizer, transformado em ouro. Sem esta bênção que se recebe do altar, não ganharíamos senão vil metal.
Objetar-nos-ás talvez: "O trabalho me é mais necessário que a audição da santa Missa, visto que, por ele, sustento minha família". - Mas, caro leitor, não dizemos que não trabalhes, quereríamos apenas ver-te dar a Deus pequena meia hora, cada manhã. Abençoado por sua mão paterna, teu trabalho terá melhor êxito.
O desejo de nosso coração, caro leitor, é levar-te a ouvir, quotidianamente, a santa Missa. Por isso procuramos detalhar-te os numerosos e nobres motivos sobre os quais esta excelente devoção é baseada.
Escuta e considera: Foste criado por Deus, para serví-lo: a santa Missa é o culto divino por excelência; tens a obrigação de agradecer-lhe os benefícios espirituais e temporais: a santa Missa é o mais perfeito sacrifício de ação de graças; estás no mundo, para louvar a divina Majestade do Deus onipotente: a santa Missa é o mais perfeito sacrifício de louvor; tens contraído uma dívida enorme: a santa Missa é o mais rico sacrifício de satisfação; o pecado, a doença, a morte te ameaçam: a santa Missa é o mais eficaz sacrifício de impetração; o demônio te persegue, armando ciladas, esforça-se para arrastar-te ao inferno: a santa Missa é o escudo contra o qual se despedaça o poder infernal; a morte te espanta: a audição da santa Missa será para ti a maior consolação na hora da morte.
Quando não te seja possível assistir, cada dia, à santa Missa, faze, pelo menos, que uma ou outra pessoa de tua família a assista na intenção de todos os teus.
A prática de ouvir a santa Missa, uns em favor dos outros, é, extremamente, vantajosa e perfeitamente possível. Há uma diferença notável entre a audição da santa Missa e a sagrada Comunhão. Diz-se: Comungarei por ti, pelas almas do purgatório, etc., o que, porém, não tem a mesma significação que dizer: Ouvirei a santa Missa por ti. É tão impossível receber um sacramento por outra pessoa como é impossível tomar alimento por ela. Não obstante, tua Comunhão será muito vantajosa ao próximo, porque todas as boas obras apagam parte da pena devida a teus pecados, vantagem que podes ceder a teu irmão: demais, a Comunhão, aumentando-nos a graça, torna a oração mais ardente e mais eficaz.
Observa, porém, que Jesus Cristo não instituiu a santa Missa somente pelo que a celebra, ou a assiste, mas também quer tenham os ausentes sua parte, e lhes é feita ao "Memento dos vivos": "Lembrai-vos Senhor", diz o sacerdote, "daqueles pelos quais vos oferecemos ou que vos oferecem este Sacrifício de louvor por si e por todos os seus".
Enfim, cada um pode despojar-se, em favor do próximo, dos méritos que adquire, ou dos tesouros satisfatórios que recebe no santo Sacrifício. Parece, pois, mais vantajoso ouvir a santa Missa por uma pessoa do que comungar por ela.
As palavras persuadem, os exemplos arrastam. Se nossas instantes exortações ainda não te convenceram, citar-te-emos o exemplo dos Santos que, apesar dos numerosos e importantes trabalhos, colocavam a Missa acima das ocupações.
Santo Agostinho refere de sua mãe, santa Mônica, que não deixava passar um dia sem assistir ao santo Sacrifício, tanto estimava o valor desta oblação, cuja virtude salutar apaga os vestígios de nossas faltas. Sentindo-se morrer longe da pátria, recomendava ao filho que não lhe fizesse exéquias pomposas, porém que levasse cada dia, sua lembrança ao altar.
Santa Hediviges, duquesa da Polônia, ouvia, todos os dias, várias Missas, e, quando não se achavam bastantes sacerdotes na corte, mandava chamar os outros para satisfazer a devoção.
São Luis, rei de França, assistia a duas Missas, às vezes até a quatro. As pessoas de sua comitiva o criticavam, achando que o rei devia antes ocupar-se dos negócios do governo. O Santo, porém, respondia-lhes: "Admira-me tanta inquietação. Se empregasse o duplo deste tempo no jogo, ou na caça, ninguém me criticaria". Excelente resposta que, não somente serve aos cortesãos de Luís IX, mas a nós todos. Quando, em dia útil, nos aconteceu assistir a muitas Missas, parecem prejudicados nossos negócios?... entretanto, passamos, sem escrúpulo, horas inteiras a falar, a jogar, a comer, a dormir, mesmo a enfeitar-nos! Que cegueira, pois!
Citamos acima o rei da Inglaterra, Henrique I, a quem o peso dos negócios do Estado nunca impedia de ouvir três Missas, cada dia. Numa entrevista com o rei de França, os dois príncipes vieram a falar em questões religiosas. "Julgo, observou o último, que a assiduidade ao sermão é preferível à da Missa" - "Por mim, retorquiu Henrique, prefiro olhar para meu Amigo divino a ouvir celebrar-lhe os louvores".
É também nossa opinião, caro leitor, sem querermos menosprezar a utilidade das instruções religiosas.
São Venceslau, duque da Boêmia, dava os mesmos exemplos. Refere-se, na sua vida, que durante a assembléia nacional dos Estados da Alemanha, em Worms, o imperador Óton convocou, um dia, todos os príncipes para uma hora matutina.
Todos aí se acham pontualmente, exceto Venceslau que fora à Missa, antes de ir à assembléia. O soberano disse em tom de impaciência: "Comecemos os trabalhos e, quando Venceslau vier, ninguém se levante para dar-lhe lugar". Entretanto, terminada a santa Missa, o duque chegou ao palácio. O imperador o viu entrar acompanhado de dois Anjos que lhe condecoravam o peito com uma cruz de ouro. Imediatamente deixou o trono, foi-lhe ao encontro e abraçou-o com ternura.
A assembléia teve um movimento de surpresa ao ver Óton ser o primeiro a contradizer as próprias ordens. Este, porém, desculpou-se, dizendo: "Vi dois Anjos que acompanhavam o duque, como teria eu ousado não lhe render esta honra?". Alguns dias depois, Venceslau era investido do poder real e coroado rei da Boêmia.
O célebre escritor Barônio relata que o imperador Lotário assistia, cada manhã, a três Missas, mesmo no acampamento. E Súrio afirma que Carlos V não faltou a santa Missa senão uma única vez, por ocasião de uma guerra na África.
O Breviário Romano nos faz admirar a ardente devoção de São Casimiro durante o Ofício solene, ao qual assistia todos os dias. Sua alma abrasava-se de tamanho amor de Deus, que parecia não estar mais sobre a terra.
O heróico confessor da fé, Tomás Mourus, que deu a vida por Jesus Cristo em 1535, tinha em alta estima a santa Missa. Por urgentes que lhe fossem os negócios de chanceler do império britânico, não deixava de assistí-la, cada manhã. Uma vez, enquanto orava ao pé do altar, durante o santo Sacrifício, um mensageiro veio, a toda a pressa, dizer-lhe que o rei o chamava: "Paciência, disse-lhe; devo, em primeiro lugar, prestar minhas homenagens a um príncipe maior, e assistir, até o fim, à audiência divina".
Meu Deus, que diremos, que desculpas apresentaremos no dia do juízo, nós que negligenciamos a santa Missa pelas ocupações, muitas vezes, insignificantes, ao passo que personagens encarregados dos negócios de reinos inteiros, achavam o tempo necessário para ouvir, cada dia, uma ou mais Missas?!
Não digas: "Deus não me condenará por ter deixado de ouvir a santa Missa em dias úteis, desde que é obrigatório somente aos domingos e dias de festa". Sem dúvida, Deus não tratará esta omissão como transgressão positiva; porém, far-te-á expiar este descuido, em seu santo serviço. O servo preguiçoso que foi lançado nas trevas extremas, não havia desperdiçado nem perdido, no fogo, o talento que o dono lhe havia confiado: tinha somente enterrado e foi condenado, por se ter descuidado de utilizá-lo. Toma cuidado que Deus não proceda assim contigo. Viu-se muitas vezes, com que rigor Deus pune a indiferença a respeito do santo Sacrifício.
Quanto aos pais que impedem os filhos de assistirem à santa Missa, em dia de domingo, ou de festa, bem poderiam incorrer no castigo de Gerôncia, mãe de Santa Genoveva. Um dia de festa que ela pretendia proibir à filha ir à Missa, Genoveva lhe disse com firmeza: "Minha mãe, não posso, em consciência, faltar à Missa, hoje: prefiro descontentar-vos a descontentar a meu Deus". Irritada com esta resposta, Gerôncia esbofeteou-a, chamando-a desobediente. O castigo de Deus, porém, não se fez esperar. Gerôncia cegou imediatamente e não recuperou a vista senão dois anos depois, devido às orações da piedosa filha.
Os pais e as mães de família têm obrigação de mandar à santa Missa não só os filhos, como também os criados; devem cuidar deles na igreja e exortá-los a terem grande respeito, para o santo Sacramento. O Apóstolo São Paulo prescreve-o claramente: "Se alguém, diz ele, não toma cuidado dos seus e, particularmente, dos de sua casa, renunciou à fé e é pior do que um infiel" (Tim. 5, 3). A palavra "cuidado" significa, segundo São João Crisóstomo, a conservação da alma assim como do corpo. Ora, se um pai de família deixasse de fornecer ao filho e às pessoas de sua casa alimento e vestuário, seria, aos olhos de Deus, pior do que um infiel. E não será mais desprezível ainda o que não se inquieta da salvação eterna dos seus?

Patrões cristãos, prestai atenção à maneira pela qual cumpris os deferes a este respeito. Deixai toda a liberdade a vossos empregados para ir à Missa, quando a proximidade da Igreja e a hora matutina lhes fornecem a facilidade? Não pareceis dizer com a vossa atitude: "Não é a Deus, mas a mim a quem deveis servir, porque não é Deus, sou eu quem vos paga; trabalhareis, pois, toda a semana para mim somente?" Na verdade, tais cristãos são piores que os pagãos, mas saberão, à hora da morte, a enormidade de seu pecado.

26 de março de 2015

Catecismo Ilustrado - Parte 10

O Símbolo dos Apóstolos

5º artigo: E desceu aos infernos

1. As palavras "e desceu aos infernos" significam que, morto Jesus Cristo, a Sua alma desceu aos infernos, onde se demorou todo o tempo que o Seu corpo permaneceu no sepulcro, e ainda que a mesma pessoa de Jesus Cristo esteve ao mesmo tempo nos infernos e no sepulcro. Não deve isso parecer estranho, pois que, embora a alma de Jesus Cristo se separasse do Seu corpo, todavia a divindade ficou sempre unida à Sua alma e ao Seu corpo.
2. Deve entender-se pela palavra "Inferno" os lugares ocultos, os depósitos em que são retidas, como prisioneiras, as almas que não podem gozar logo da beatitude eterna. Neste sentido a Sagrada Escritura emprega esta palavra em muitas passagens. Foi ainda neste sentido que São Paulo disse que em nome de Jesus Cristo todos os joelhos se dobram no Céu, na terra e nos infernos.
3. Não obstante designados todos pelo nome de infernos, estes lugares não são iguais. Um deles é como que uma prisão escuríssima e horrível, onde as almas dos condenados estão continuamente atormentadas pelos demônios com um fogo que se não pode extinguir. Denomina-se este lugar a Geena, o abismo, ou mais comumente, o Inferno.
4. No segundo destes lugares encontra-se o fogo do Purgatório. As almas que morreram em estado de Graça permanecem aí durante um certo tempo, até se purificarem de todo, e poderem entrar na pátria eterna, onde não pode ter guarida nem haver sombra de pecado.
5. Ao terceiro destes lugares chama-se limbo, e neste eram recebidas, antes da vinda de Jesus Cristo, as almas dos santos, que ficavam aí em descanso, sem nenhum sentimento de dor, na esperança da sua redenção. E foram as almas destes santos que esperavam o seu Salvador no seio de Abraão, que Nosso Senhor libertou quando desceu aos infernos.
6. É um erro supor que Jesus Cristo desceu a estes lugares apenas para fazer brilhar aí o seu poder. Devemos acreditar firmemente que a sua alma desceu com efeito aos infernos e que aí se fez realmente presente, como expressamente o indicam estas palavras de David: "Não deixareis a minha alma nos infernos".
7. Esta descida de Jesus Cristo aos infernos em nada diminuiu o seu poder e majestade, e as trevas destes lugares não ofuscaram no mundo o brilho da sua glória. Pelo contrário, devemos ver neste fato, não só que era rigorosamente verdadeiro tudo o que se dissera da santidade de Jesus Cristo, como também que Este era Filho de Deus, como já o tinha provado pelos seus milagres.
8. Isto se compreenderá facilmente se compararmos as  razões que levaram Jesus a descer aos infernos, com as razões que obrigam os outros homens a encontrar-se ali. Os homens  tinham descido ali como cativos, ao passo que Jesus Cristo desceu como Aquele que, sendo o único livre entre os mortos e o único vitorioso, ia afugentar os demônios que os retinham ali tão severamente encerrados por causa das suas culpas.
9. E desceu não apenas para arrebatar ao demônio os seus próprios despojos, libertando deste cativeiro as almas dos santos Patriarcas e os outros Judeus ali detidos, como ainda para entrar triunfalmente no Céu em sua companhia, o que fez de um modo admirável e glorioso, porque a sua presença derramou uma luz brilhantíssima neste lugar onde estavam os felizes cativos, dilatando-lhes os corações com uma inconcebível alegria e fazendo-os gozar da suprema beatitude, que consiste na união com Deus.

Explicação da  gravura

10. Esta gravura representa a alma de Jesus Cristo aparecendo no limbo. Figuram, em primeiro plano, Adão e Eva de joelhos; seguem-se à esquerda, Abraão brandindo o gládio contra Isaac; Jacob com seu cajado na mão; David com a sua Lyra, etc., à direita, Moisés de cuja fronte irradiam raios de luz; Aarão com a sua vara; São José segurando uma açucena. Nosso Senhor permaneceu na companhia deles até à sua Ressurreição.
11. No plano superior, vê-se o Inferno onde ardem os demônios e os condenados; Jesus Cristo não desceu a este abismo de dores, nem ao Purgatório; fez todavia sentir aos condenados a sua ação, dando-lhes a conhecer a sua divindade, e às almas do Purgatório dando-lhes a esperança da glória.

Sermão para o 3º Domingo da Quaresma – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Jesus Cristo, o Mestre

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
“Bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.”
Caros católicos, nos dois primeiros domingos da Quaresma, consideramos quem é Nosso Senhor Jesus Cristo. Consideramos a sua divindade, nos baseando no seu título de Filho de Deus. Consideramos a sua humanidade, nos baseando no seu título de Filho do homem. Continuando a consideração de Nosso Senhor Jesus Cristo durante essa Quaresma, para poder amá-lo mais profundamente, devemos hoje considerar Jesus como Mestre. Os Evangelhos, mais do que a grandiosa história de um poderoso taumaturgo, é a história de um pregador das multidões. Muitas vezes, ouvimos a afirmação de que nos Evangelhos não há doutrina, mas que neles simplesmente se conta a história de Jesus. Assim falam os que querem esvaziar o ensinamento de Jesus, para mudá-lo, para distorcê-lo, para criar uma doutrina própria. Os discursos de Nosso Senhor ocupam praticamente 75% dos Evangelhos. E não podia ser diferente. O pecado original, além de nos tirar a graça, feriu também as nossas faculdades. Entre elas, feriu primeiramente a nossa inteligência. Depois do pecado original, inclinamo-nos para o erro, tendemos a não considerar as verdades sobrenaturais. Assim, o Messias deveria vir para restaurar também a nossa inteligência nos ensinando a verdade. Para restaurar o reinado de Deus nas almas e na sociedade, é necessário, primeiramente, restaurar a nossa inteligência fazendo-a conhecer a verdade e fazendo-a se submeter à verdade. É pela inteligência que conhecemos a nossa finalidade, que é chegar ao céu, e é por ela que podemos também dirigir a nossa vontade e as nossas paixões. A fé, que deve ser a luz que orienta inteiramente a nossa vida, está na inteligência. A fé é a adesão da nossa inteligência às verdades reveladas por Deus. Portanto, é impossível haver restauração ou redenção sem a fé, sem que nossa inteligência se submeta inteiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, para restaurar a vida moral, é preciso, antes, restaurar a nossa inteligência. Nosso Senhor veio, então, nos ensinar, de modo particular, a verdade. Alguns vêem como a causa da revolução a simples corrupção dos costumes, as paixões desordenadas. Como remédio, querem corrigir os costumes. Existe aí um erro sério. A primeira causa da decadência que vivemos está na inteligência, na perda da fé. É preciso, então, em primeiro lugar, restaurar a fé. Somente com a restauração da fé é possível restaurar os costumes.
Já nas profecias do Antigo Testamento o Messias é apresentado como um verdadeiro mestre.  No Evangelho, Nosso Senhor é denominado rabi, que quer dizer mestre, inúmeras vezes. E Ele não rechaça esse título. Ao contrário, o aceita. Assim, Ele dirá (Jo 13, 13): “Vós me chamais Mestre… e dizeis bem, porque o sou.” Deus Pai, falando na ocasião da transfiguração, dirá de Jesus (Mt 17, 5): “Este é o meu filho bem amado em quem coloquei toda a minha complacência: ouvi-o.” Sim, é preciso ouvir aquilo que Nosso Senhor nos ensina. Além disso, os episódios mais marcantes da vida de Cristo são decorrência dos seus ensinamentos. Ele vai ser perseguido, crucificado e morto pelos chefes dos judeus em virtude da sua pregação, em virtude dos seus ensinamentos. Em particular, por afirmar ser verdadeiramente o Filho de Deus. As multidões o seguem também pela fama de seus ensinamentos, pela eloquência sobrenatural de suas palavras. Não há dúvida. Nosso Senhor é verdadeiramente mestre. E é mestre perfeito. Sendo Deus, não pode se enganar nem nos enganar. Aquilo que ensina só pode ser para o nosso bem. É preciso realmente ouvir o que nos ensina Nosso Senhor Jesus Cristo, colocando em prática o que nos disse.
Jesus é Mestre perfeito. Ele é o Verbo de Deus Encarnado. Ele é a Palavra de Deus encarnada. Ele é a sabedoria infinita encarnada. Luz de luz, “luz que ilumina todo o homem que vem ao mundo” (Jo 1, 9). “Por Ele nos veio a graça e a verdade” (Jo 1, 17). Nosso Senhor dirá: “Eu sou o princípio que vos falo” (Jo 8, 25). Fica claro que Jesus é Deus que nos fala. Por isso, São Paulo diz aos Hebreus (1, 1 e 2) : “Deus, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos a nossos pais pelos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio de seu Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem criou também os séculos.” Jesus não é um representante de Deus, Ele não é o embaixador de Deus, ou o porta-voz de Deus. Ele é o próprio Deus feito homem que nos fala, caros católicos.
Como é sábio Nosso Senhor Jesus Cristo ao nos ensinar a verdade. Como dizia o povo que ouvia Jesus (Jo 7, 46): “Nunca homem algum falou como fala esse homem.” A inteligência humana de Jesus recebe diretamente a luz da sua inteligência divina. Daqui, a clareza, a simplicidade e, ao mesmo tempo, a profundidade estupenda das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo. Também a sensibilidade e a imaginação perfeitas de Jesus são auxiliares importantíssimos na sua pregação. O Mestre usa, então, os seres da natureza, os fenômenos da natureza, os episódios da vida cotidiana para ensinar as mais sublimes verdades. Assim, as aves do céu e os lírios do campo servirão para explicar a providência de Deus sobre todas as coisas (Mt 6, 26). Ensina a humildade nas boas obras dizendo que a nossa mão esquerda não deve saber o que fez a direita (Mt 6, 3). Ao mesmo tempo, compara os fariseus aos sepulcros caiados, brancos por fora, limpos por fora, mas podres por dentro (Mt 23, 27). Tal inteligência gerou frases lapidares, que em poucas palavras dizem praticamente toda a doutrina evangélica: “onde está o teu tesouro, ali está também o teu coração (Mt 6, 21)”, ou “que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? (Mc 8, 36).”
Nosso Senhor arrastava também os seus ouvintes porque pregava uma doutrina perfeita e que dirigia os homens à perfeição. No Antigo Testamento, os ensinamentos de Deus pelos profetas foram preparação para o ensinamento de Nosso Senhor. E Nosso Senhor ensinava também com autoridade, uma autoridade sobrenatural. Autoridade para estabelecer uma Nova Lei, a Lei Evangélica, autoridade para fundar a sua Igreja, autoridade para condenar os erros, mesmo com veemência quando necessário. E as multidões reconheciam essa autoridade de Jesus Cristo. Em São Marcos (1, 22) está dito: “E os ouvintes ficavam admirados com a sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.” A autoridade de Nosso Senhor é serena. Basta lembrarmo-nos do Sermão da Montanha. Todavia, o Mestre sabe também recorrer às condenações veementes, ao discurso rápido e cortante para corrigir um erro ou quando a hipocrisia e maldade de seus inimigos o obrigam a isso. Finalmente, o ensinamento de Nosso Senhor é também universal. Seus ensinamentos se dirigem a todos os povos de todos os tempos. As lições aparentemente tão particulares de Nosso Senhor, seus exemplos tirados muitas vezes do cotidiano da época e daqueles lugares por onde andou, são, na verdade, universais. Nosso Senhor se dirige a todos nós.
Ao pregar, ao ensinar a todos nós, Cristo tem um objetivo preciso. Seu objetivo é que tenhamos a vida eterna. Para tanto, precisamos em primeiro lugar crer. “Aquele que crer e for batizado, será salvo; o que, porém, não crer, será condenado”, nos diz Nosso Senhor. Devemos, então, crer em tudo o que Ele nos ensinou. Devemos fazer parte da sociedade que Ele fundou, que é a Igreja Católica. Devemos colocar em prática os ensinamentos do Mestre. Como nos diz São Pedro, Ele tem palavras de vida eterna. E seu jugo é suave e leve. Como cantamos no Trato da Missa de hoje, assim como os olhos do servo se fixam nas mãos do Senhor e os da escrava nas mãos da senhora, para agir imediatamente a qualquer gesto deles, devemos ter a nossa alma pronta para fazer a vontade de Deus em todas as coisas, para seguir todos os seus ensinamentos.
 Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Parte 39

Ladainha do S. Coração de Jesus

Kýrie, eléison. Christe, eléison. Kýrie, eléison.
Christe, audi nos. Christe, exáudi nos.
Pater de cælis, Deus, miserére nobis. Fili, Redémptor mundi, Deus,
miserére nobis. Spíritus Sancte, Deus, miserére nobis. Sancta Trínitas, unus Deus, miserére nobis.
Cor Iesu, Filii Patris æterni, miserére nobis. Cor Iesu, in sinu Virginis Matris a Spiritu Sancto formatum, Cor Iesu, Verbo Dei substantialiter unitum, Cor Iesu, maiestatis infinitæ, Cor Iesu, templum Dei sanctum, Cor Iesu, tabernaculum Altissimi, Cor Iesu, domus Dei et porta cæli, Cor Iesu, fornax ardens caritatis, Cor Iesu, iustitiæ et amoris receptaculum, Cor Iesu, bonitate et amore plenum, Cor Iesu, virtutum omnium abyssus, Cor Iesu, omni laude dignissimum, Cor Iesu, rex et centrum omnium cordium, Cor Iesu, in quo sunt omnes thesauri sapientiæ et scientiæ, Cor Iesu, in quo habitat omnis plenitudo divinitatis, Cor Iesu, in quo Pater sibi bene complacuit, Cor Iesu, de cuius plenitude omnes nos accepimus, Cor Iesu, desiderium collium æternorum, Cor Iesu, patiens et multæ misericordiæ, Cor Iesu, dives in omnes qui invocant te, Cor Iesu, fons vitæ et sanctitatis, Cor Iesu, propitiatio pro peccatis nostris, Cor Iesu, saturatum opprobriis, Cor Iesu, attritum propter scelera nostra, Cor Iesu, usque ad mortem obediens factum, Cor Iesu, lancea perforatum, Cor Iesu, fons totius consolationis, Cor Iesu, vita et resurrectio nostra, Cor Iesu, pax et reconciliatio nostra, Cor Iesu, victima peccatorum, Cor Iesu, salus in te sperantium, Cor Iesu, spes in te morientium, Cor Iesu, deliciæ Sanctorum omnium, Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, parce nobis, Dómini. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, exáudi nos, Dómini. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, miserére nobis.
V. Iesu, mitis et humilis Corde,
R. Fac cor nostrum secundum Cor tuum.
Orémus. Omnipotens sempiterne Deus, respice in Cor dilectissimi Filii tui, et in laudes et satisfactiones, quas in nomine peccatorum tibi persolvit, iisque misericordiam tuam petentibus, tu veniam concede placatus, in nomine eiusdem Filii tui Iesu Christi, qui tecum vivit et regnat in sæcula sæculorum.
Amen.

Tradução

Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos. Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós. Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós. Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós. Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós. Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, Coração de Jesus, de majestade infinita, Coração de Jesus, templo santo de Deus, Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, Coração de Jesus, no qual o Pai põe as suas complacências, Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, Coração de Jesus, paciente e misericordioso, Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam, Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados, Coração de Jesus, saturado de opróbrios, Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes, Coração de Jesus, feito obediente até à morte, Coração de Jesus, atravessado pela lança, Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, Coração de Jesus, vítima dos pecadores, Coração de Jesus, salvação dos que esperam em vós, Coração de Jesus, esperança dos que expiram em vós, Coração de Jesus, delícia de todos os santos,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
V. Jesus, manso e humilde de coração,
R. Fazei nosso coração semelhante ao vosso.
Oremos. Deus onipotente e eterno, olhai para o Coração de vosso Filho diletíssimo e para os louvores e as satisfações que ele, em nome dos pecadores vos tributa; e aos que imploram a
vossa misericórdia concedei benigno o perdão em nome do vosso mesmo Filho Jesus Cristo, que convosco vive e reina por todos os séculos dos séculos.
Amém.

Essência do Santo Sacrifício da Missa - Explicação da Santa Missa 26

XXVI. COMO PODEMOS PARTICIPAR DOS FRUTOS DE VÁRIAS MISSAS QUE, AO MESMO TEMPO E NA MESMA IGREJA, SE CELEBRAM

Já explicamos como todos os sacerdotes oram e oferecem o santo Sacrifício na intenção dos assistentes. É, pois, vantagem considerável achar-se numa igreja onde se celebram grande número de Missas de uma vez. Se celebrar um só sacerdote, terás uma única oração, havendo mais, teu proveito espiritual aumentará.
Ora, para tirar proveito de várias Missas celebradas no mesmo tempo, é preciso cooperar para cada uma numa certa medida. Não dizemos seguir várias Missas ao mesmo tempo, isto seria impossível; aconselhamos simplesmente seguir uma, com toda a atenção possível, e recomendar-se às outras, dizendo: "Meu Deus, oferece-vos também este Sacrifício que vai se cumprir". Quando vires, porém, em outro altar, levantar-se a Hóstia consagrada e o Cálice, adora o divino Salvador e oferece-o ao Pai celestial.
Dir-me-ás talvez: Se me entregar a esta prática, ela me impedirá de seguir e satisfazer minhas devoções quotidianas. - Escuta esta parábola: Um vinhateiro, trabalhando na sua vinha, achou um tesouro. Levou-o para casa, muito escondidamente, e voltou ao trabalho. Ao cabo de algumas horas, descobriu outro tesouro que levou por sua vez para casa. Enfim, sua enxada encontrou um terceiro, levou-o, correndo, e anunciou sua felicidade à sua mulher. "Como, lhe disse esta muito admirada, tomas isto por felicidade? É uma verdadeira infelicidade, porque, se continuares assim, nunca tua vinha será cultivada e não haverá colheita". O marido sorriu a este raciocínio, e disse: "Queira Deus que continue a achar tesouros semelhantes e pouco me importa que haja ou não uvas!"
Aplica ao caso o sentido da parábola e verás que a oblação reiterada de Cristo, no altar, é incomparavelmente, mais útil que outra.
Nota ainda isto: Quando entras numa igreja e vês que a santa Missa se acha depois da consagração, faze, todavia, a oblação de nosso Senhor até que o sacerdote consuma as santas espécies. Desta maneira te tornarás participante de muitas e grandes graças. Se no momento em que entras, vês dois sacerdotes consagrarem, ao mesmo tempo, faze o teu ato de adoração na intenção de oferecer Jesus presente sobre os dois altares. Não é preciso, para assistir à santa Missa, ver o celebrante. Basta ser advertido pelo toque da campainha. Não deixes a igreja, imediatamente, antes da consagração, espera que Jesus apareça, adora-o e pede-lhe a bênção.
Na vida de Santa Isabel, rainha de Portugal, refere-se o seguinte: Um príncipe da corte real, estando para morrer, disse ao filho: "Meu filho, deixo este mundo na esperança da Misericórdia divina. És o único herdeiro de minhas posses; porém, antes de tudo, deixo-te esta recomendação: ouve a santa Missa todos os dias e sê fiel a teu rei".
Depois da morte do pai, o jovem veio à corte real como pajem de honra da rainha Isabel. Ela o estimava muito, por causa da sua piedade, dava-lhe sábias instruções e empregava-o, muitas vezes, na distribuição de suas esmolas, testemunhando-lhe um interesse materno. Havia, na corte, outro pajem de costumes maus. Este, invejoso do favor de que gozava o colega, caluniou-o junto ao rei da maneira mais odiosa. O rei, que levava uma vida desregrada, acreditou facilmente no que lhe havia referido o pajem mau e jurou a morte do inocente.
Um dia que passeava montado, nos arredores de sua capital, meditando sobre o modo de vingança, avistou ao longe uma caeira em atividade. Seu plano foi, então, determinado: vai diretamente ao dono da caeira e lhe dá ordem de lançar nela o pajem da corte que havia de vir, no dia seguinte, pela manhã, perguntar se as ordens do rei havia sido executadas.
Ao voltar a seu palácio o rei, mandou vir o pajem, tão injustamente caluniado, e ordenou-lhe que fosse, no dia seguinte, muito cedo, à caeira, informar-se da execução das ordens reais. O jovem partiu, ao romper do dia, tristonho de não poder ouvir Missa antes de sair e receando não poder assistí-la neste dia. No caminho, encontrou uma igreja, onde se dava justamente o sinal da consagração. Entrou, pois, adorou Cristo, Nosso Senhor, e ofereceu-o a Deus por sua salvação eterna e temporal. Terminado a santa Missa, saiu contente por ter podido ouvir uma parte importante da santa Missa.
Instantes depois, achava-se diante de outra igreja, onde tocavam igualmente à consagração, o que lhe causou nova alegria. Também nesta entrou e cumpriu a sua devoção, recomendada por seu pai moribundo, mas demorou-se um só instante, porque as ordens do rei eram apressadas. Aconteceu, entretanto, que o caminho o conduzisse a terceira igreja. O sino tocava e o pajem entrou ainda esta vez, para adorar Nosso Senhor. Sua devoção foi tão grande, que ficou até o fim da santa Missa.
No entanto, o rei ardia por saber se sua obra de vingança fora consumada. Por isso, mandou o outro pajem à caeira informar-se da execução de suas ordens. Este espreitava a ocasião de satisfazer a inveja, e, sabendo perfeitamente o que isto significava, partiu alegre e ligeiro. Chegando, fez logo a pergunta ao caeiro. Mas, oh terror, foi preso, e apesar de sua resistência e de seus protestos, foi precipitado na fornalha ardente.
Pouco depois, apareceu também o pajem inocente. Cumpriu a sua mensagem, recebeu a resposta que tudo se fizera como o monarca havia mandado, e, voltou, sem suspeitar a visível proteção que a divina Providência acabava de testemunhar-lhe.
Ao ver o mancebo e ouvir-lhe as palavras, o rei compreendeu que o acusador tinha sofrido a pena de fogo, humilhando-se no coração perante Deus, protetor da inocência.
Os que se acham na impossibilidade de assistir à santa Missa, devem, pelo menos, dizer: "Meu Deus, deixai-me compartilhar dos frutos preciosos de todas as Missas que se celebram, hoje, em todo orbe católico. Oxalá, possa eu aproximar-me do altar e oferecer com o sacerdote, o Cordeiro Imaculado!" - Deus lhes abençoará a boa vontade e lhes concederá o que pedirem, segundo o grau de sua caridade.

Não é verdadeiramente consolador para os doentes e pessoas que moram muito longe da igreja, poder, unindo-se espiritualmente ao santo Sacrifício, participar de seus méritos? Aproveitemos, pois, todas as ocasiões para pedir aos sacerdotes que se lembrem de nós no altar do Senhor. É a mais preciosa de todas as lembranças. Eis como fala um piedoso autor: Tendes grande motivo de felicitar-vos, quando um sacerdote vos promete seu "Memento" à santa Missa. Deveríeis recomendar-vos a todos os sacerdotes conhecidos. Deste modo, teríeis, por assim dizer, outros tantos tesoureiros que vos abrissem a tesouraria de Nosso Senhor Jesus Cristo.

25 de março de 2015

Essência do Santo Sacrifício da Missa - Explicação da Santa Missa 25

XXV. DA MANEIRA DE OFERECER A SANTA MISSA E DO VALOR DA OBLAÇÃO

Caro leitor, lê neste capítulo com grande atenção; grava-o, profundamente, em tua memória, segue os conselhos que encerra e tirarás, do santo Sacrifício, imenso proveito.
Já ficou dito que a santa Missa, único sacrifício do cristianismo, é um ato de adoração, uma oferta divina. O grande Sacerdote, o verdadeiro Sacrificador, é Nosso Senhor Jesus Cristo. Depois dele vem o celebrante, o instrumento que lhe empresta as mãos e a boca. Em terceiro lugar, vêm os assistentes, que mandam celebrar a santa Missa, os que oferecem os objetos necessários ao culto, enfim, todos os que, impedidos por ocupações de assistir, se unem, espiritualmente, aos assistentes. Todos oferecem, em certo sentido, a divina Vítima e participam dos frutos desta preciosa oferta. Sem a oblação do divino Sacrifício nem mesmo ouvirias a santa Missa como deves: porque ouvir a Missa não é somente assistí-la, é oferecer o Sacrifício em união com o sacerdote e pelas mãos do sacerdote. Por conseguinte, os fiéis que, na santa Missa, se entregam a toda sorte de devoções particulares, sem se ocuparem da oblação do santo Sacrifício, privam-se de um número infinito de graças.
Não acharás, certamente, inútil que te expliquemos, minuciosamente, a maneira de oferecer a Deus o santo Sacrifício.
Supõe que uma pessoa recite, devotamente, muitos terços, oferecendo-os a Jesus Cristo e à sua Santíssima Mãe, enquanto outra pessoa assiste a uma só Missa, oferecendo-a. Qual das duas, pensas, dará mais e será, mais profusamente, recompensada? Sem dúvida, a segunda. Pois, que oferece a primeira? Uma prece, muito santa, ensinada, na maior parte, por Jesus Cristo e por seu Anjo, mas que tem todo o valor da piedade pessoal da pessoa que reza, e fica, por conseguinte, muito imperfeita. Que se oferece, porém, na santa Missa? Um dom absolutamente sobrenatural, perfeitíssimo, divino: o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, suas lágrimas, sua morte, seus méritos.
Dir-me-ás, talvez: A pessoa que oferece os terços oferece um dom que ela própria adquiriu, ao passo que, na santa Missa, oferecem-se méritos que pertencem a Jesus Cristo. Afirmamos, porém, de novo: Aquele que oferece a santa Missa, oferece um bem próprio, porque, pelo Sacrifício não cruento da santa Missa, recebem os frutos do Sacrifício cruento na Cruz.
Que imenso favor, pois, é aquele com que o Senhor te enriquece, quando, na santa Missa, te constitui, espiritualmente, sacerdote e te concede o poder de oferecer a Deus, seu Pai, segundo a maneira dos sacerdotes, não só por ti, como pelos outros. É neste sentido que o celebrante diz depois do "Sanctus": "Lembrai-vos, Senhor, dos vossos servos e servas e de todos os circunstantes, pelos quais vos oferecemos, e eles mesmos vos oferecem este sacrifício de louvor por si e por todos os seus amigos, benfeitores, vivos e mortos".
Para esta cooperação, o sacerdote já convidou os fiéis no "Orate fratres", dizendo: "Orai, meus irmãos, para que meu sacrifício, que é também o vosso, seja agradável a Deus Padre todo poderoso".
Em outras palavras: Este sacrifício vos pertence tanto quanto a mim, é tanto obra vossa quanto minha; peço-vos que me ajudeis a oferecê-lo.
Depois da "Elevação do cálice", o sacerdote diz: "Portanto, Senhor, nós, teus servos e teu povo santo, oferecemos à tua gloriosa Majestade, de teus mesmos dons e benefícios, esta Hóstia pura, Hóstia santa, Hóstia imaculada. Pão santo da vida eterna, Cálice da salvação perpétua".
Tua cooperação pela oblação é, pois, muito real, o celebrante conta com ela. Se não lhe aceitares o convite e não unires a voz e o coração à sua ação, engana-lo-ás em sua expectativa e a ti mesmo, privando-te do benefício da oblação. "Aqueles, diz o bispo Fornero de Hebron, que deixam de oferecer a santa Missa por si e pelos seus, privam-se dum imenso benefício". É, pois, igualmente um ato de injustiça para contigo mesmo faltar à Missa ou não oferecê-la quando a assistires. O oferecimento é a melhor das práticas; quanto mais o renovares, mais alegrarás o céu, maior número de dívidas pagarás, maior glória futura adquirirás. Dizer a Deus: Eu te ofereço, significa na Missa: Eu te pago, com o ouro dos merecimentos de Jesus Cristo, o resgate de meus pecados, os bens celestes, o livramento das almas do purgatório.
É verdade que se pode dizer, fora da santa Missa, a qualquer hora e com muita vantagem: "Senhor, eu te ofereço o caro Filho, te ofereço sua dolorosa Paixão e Morte, seus méritos". Entretanto, esta oblação não é senão espiritual, enquanto que, na santa Missa, é real. Aí Jesus Cristo está, realmente, presente e com ele suas virtudes e seus méritos; aí se imola de novo e renova sua Paixão e sua Morte, nos dá seus méritos, a fim de que os ofereçamos a seu Pai celeste.
Santa Mechtildes ouviu, uma vez, durante a santa Missa, Nosso Senhor lhe falar desta forma: "Concedo-te meu amor divino, minha oração e minha Paixão, a fim de que possas mas oferecer por tua vez. Dai-mas, eu tas restituirei multiplicadas, e, toda vez que mas ofereceres, novamente as duplicarei. É assim que o homem recebe o cêntuplo no tempo e uma glória infinita na eternidade" (Lib. Revelation I, cap. 14).
Entre todas as orações da santa Missa, diz Sanchez, nenhuma é mais consoladora do que a que se segue à elevação do cálice, quando o sacerdote oferece ao Pai celeste o "Cordeiro" imaculado, dizendo: "Senhor, nós, que somos vossos servos e vosso povo santo, oferecemos à vossa sublime Majestade a Hóstia pura, a Hóstia santa, a Hóstia imaculada, etc.". Chama o povo, isto é, os assistentes, santos, porque são santificados pela santa Missa, conforme a palavra de Jesus Cristo: "Eu me santifico por eles, a fim de que sejam santificados na verdade" (Jo. 22, 19).
Ele os santifica pela "aspersão do sangue divino", como diz o Apóstolo São Paulo (Heb. 13, 12).
Quão preciosa é a Hóstia pura, santa, sem mácula! É a carne puríssima, a alma santíssima, o sangue imaculado de Jesus! A que pode se comparar esta oferta, se a terra inteira não é senão um grão de poeira ao seu lado! Que dizemos? A imensidade do céu nada contém de mais precioso. O que dás ao Deus onipotente, oferecendo esta Hóstia, é o dom perfeitamente digno de sua Majestade infinita, é seu Filho com sua humanidade santa, é o próprio Deus!
Se todos os súditos de um monarca poderoso oferecessem a seu soberano, em testemunho de seu amor e fidelidade, por embaixadores escolhidos, uma taça artística do ouro mais puro, ornada de pedras preciosas de inestimável valor, a satisfação e o reconhecimento do príncipe seria, sem dúvida, muito grande. Se porém, esta taça contivesse uma jóia do valor de um reino, a admiração e alegria do rei seriam ainda mais profundas. Na santa Missa, porém, oferecemos ao Altíssimo a humanidade de Jesus Cristo, isto é, o que sua mão onipotente criou de mais excelente e mais sublime. Eis a taça preciosa; a jóia de um valor incomparável que encerra, é a divindade do Salvador; é nele que "reside a plenitude da divindade" (Col. 2, 9).
Propriamente falando, não é a divindade, mas a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo que oferecemos à adorável Trindade; as duas naturezas, porém, são estreitamente unidas, e nunca realmente separadas, de sorte que as oferecemos juntas. Que satisfação para o Pai eterno quando recebe de tuas mãos este dom incomparável, aquele do qual disse: "É meu Filho predileto em quem pus todas as minhas complacências!" (Mt. 3, 17). Avalia a recompensa que te espera em troca, e a soma de dívidas que pagas por esta preciosa oferta.
Henrique I, rei da Inglaterra, ouvia, todos os dias, três Missas, ajoelhado ao pé do altar. Chegado o momento da consagração, aproximava-se do celebrante e sustentava-lhe os braços durante a elevação do Corpo e Sangue de Nosso Senhor. Era a maior consolação do piedoso monarca. Se houvesse ainda este piedoso costume, qual não seria a tua pressa em tomar lugar junto ao sacerdote! Deus se contenta, porém, com teu desejo, dize-lhe somente do íntimo do coração: "Senhor, ofereço-vos vosso caro Filho pelas mãos do sacerdote". Deus muito bem saberá interpretar-te a intenção.
A oferta da santa Hóstia é preciso unir a do preciosíssimo Sangue. É um meio excelente de salvar as almas. Lê-se, na vida de Santa Maria Madalena de Pazzi, que o próprio Senhor a instruíra neste assunto, fazendo-lhe conhecer quanto a oferta de seu precioso Sangue é própria para apaziguar a cólera de Deus. O divino Salvador se queixava do pequeno número dos que trabalham para acalmar a Justiça de seu Pai celeste, e exortava a santa a aplicar-se a isto. Desde então, ela oferecia o preciosíssimo Sangue até cinqüenta vezes por dia, pelos vivos e pelos mortos; e seu celeste Esposo lhe mostrou, muitas vezes, as almas que tirava do purgatório por este meio.
"Quando ofereces o precioso Sangue ao Pai celeste, diz a mesma Santa, lhe ofereces um dom tão agradável, que ele se reconhece teu devedor". Como efeito, que haverá, no céu e sobre a terra, que iguale, em valor, o precioso Sangue, do que diz São Tomás de Aquino, uma só gota vale mais que um mar de Sangue dos Mártires; do qual uma só gota seria assas poderosa para purificar o mundo de todos os pecados. Por conseguinte, se, em troca da oferta do precioso Sangue, Deus te concede o céu, não te retribui um bem de igual valor.

Se tivesses presenciado a crucificação do divino Salvador e recolhido o Sangue adorável que lhe corria das chagas sagradas, e tivesses elevado este precioso Sangue ao céu, implorando misericórdia para ti e para o gênero humano, o Pai celeste ter-se-ia enternecido, sem dúvida; todos os teus pecados teriam sido perdoados. Ora, é isto que fazes quando, durante a santa Missa, ofereces o precioso Sangue ao Deus altíssimo.

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Parte 38

Ladainha do SS. Nome de Jesus

Kyrie, eleison.
Christe, eleison.
Kyrie, eleison.
Iesu, audi nos.
Iesu, exaudi nos.
Pater de caelis, Deus, miserere nobis.
Fili, Redemptor mundi, Deus,
Spiritus Sancte, Deus,
Sancta Trinitas, unus Deus,
Iesu, Fili Dei vivi
Iesu, splendor Patris,
Iesu, candor lucis aeternae,
Iesu, rex gloriae,
Iesu, sol iustitiae,
Iesu, Fili Mariae Virginis,
Iesu, amabilis,
Iesu, admirabilis,
Iesu, Deus fortis,
Iesu, pater futuri saeculi,
Iesu, magni consilii angele,
Iesu potentissime,
Iesu patientissime,
Iesu obedientissime,
Iesu, mitis et humilis corde,
Iesu, amator castitatis,
Iesu, amator noster,
Iesu, Deus pacis,
Iesu, auctor vitae,
Iesu, exemplar virtutum,
Iesu, zelator animarum,
Iesu, Deus noster,
Iesu, refugium nostrum,
Iesu, pater pauperum,
Iesu, thesaure fidelium,
Iesu, bone pastor,
Iesu, lux vera,
Iesu, sapientia aeternae,
Iesu, bonitas infinita,
Iesu, via et vita nostra,
Iesu, gaudium Angelorum,
Iesu, rex Patriarcharum,
Iesu, magister Apostolorum,
Iesu, doctor Evangelistarum,
Iesu, fortitudo Martyrum,
Iesu, lumen Confessorum,
Iesu, puritas Virginum,
Iesu, corona Sanctorum omnium,
Propitius esto, parce nobis, Iesu.
Propitius esto, exaudi nos, Iesu.
Ab omni malo, libera nos, Iesu.
Ab omni peccato,
Ab ira tua,
Ab insidias diaboli,
A spiritu fornicationis,
A morte perpetua,
A neglectu inspirationeum tuarum,
Per mysterium sanctae Incarnationis tuae,
Per nativitatem tuam,
Per infantiam tuam,
Per divinissimam vitam tuam,
Per labores tuos,
Per agoniam et passionem tuam,
Per crucem et derelictionem tuam,
Per languores tuos,
Per mortem et sepulturam tuam,
Per resurrectionem tuam,
Per ascensionem tuam,
Per sanctissimae Eucharistiae institutionem tuam,
Per gaudia tua,
Per gloriam tuam,
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis, Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, exaudi nos, Iesu.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis, Iesu.
Iesu, audi nos.
Iesu, exaudi nos.

Oremus: Domine Iesu Chiristi, qui dixisti: Petite, et accipietis; quaeriti, et invenietis; pulsate et aperietur vobis; quesumus da nobis, petentibus,divinissimi tui amoris affectum, ut te todo corde, ore et opere diligamus et a tua nunquam laude cessemus. Sancti nominis tui, Domine, timorem pariter et amorem facnos habere perpetuum. quia nunquan tua gubernatione destituis,quos in soliditare tuae dilectionis instituis. Qui vivis et regnas in saecula saeculorum.
Amén.

Tradução

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, redentor do mundo, que sois Deus.
Espírito Santo, que sois Deus,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Jesus Filho de Deus vivo,
Jesus, esplendor do Pai,
Jesus, pureza da luz eterna,
Jesus, Rei da glória,
Jesus, sol de justiça,
Jesus, Filho da Virgem Maria,
Jesus amável,
Jesus admirável,
Jesus, Deus forte,
Jesus, Pai do futuro século,
Jesus, Anjo do grande conselho,
Jesus poderosíssimo,
Jesus pacientíssimo,
Jesus obedientíssimo,
Jesus, brando e humilde de coração
Jesus, amante da castidade,
Jesus, amador nosso,
Jesus, Deus da paz,
Jesus, autor da vida,
Jesus, exemplar das virtudes,
Jesus, zelador das almas,
Jesus, nosso Deus,
Jesus, nosso refúgio,
Jesus, pai dos pobres,
Jesus, tesouro dos fiéis,
Jesus, bom Pastor,
Jesus, verdadeira luz,
Jesus, Sabedoria eterna,
Jesus, bondade infinita,
Jesus, nosso caminho e nossa vida,
Jesus, alegria dos Anjos,
Jesus, Rei dos Patriarcas,
Jesus, Mestre dos Apóstolos,
Jesus, Doutor dos evangelistas,
Jesus, fortaleza dos Mártires,
Jesus, luz dos Confessores
Jesus, pureza das virgens,
Jesus, coroa de todos os santos,
Sede-nos propício: perdoai-nos, Jesus.
Sede-nos propício, ouví-nos, Jesus.
De todo o mal, livrai-nos Jesus.
De todo o pecado,
Da vossa ira,
Das cidades do demônio,
Do espírito da impureza,
Da morte eterna,
Do desprezo das vossas inspirações,
Pelo mistério da vossa santa Encarnação,
Pela vossa natividade,
Pela vossa infância,
Por toda a vossa santíssima vida,
Pelos vossos trabalhos,
Pela vossa agonia e pela vossa paixão,
Pela vossa cruz e pelo vosso desamparo,
Pelas nossas angústias,
Pela vossa morte e pela vossa sepultura,
Pela vossa ressurreição,
Pela vossa ascensão,
Pela vossa instituição da santíssima Eucaristia.
Pelas vossas alegrias,
Pela vossa glória,
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Jesus.
Jesus, ouvi-nos.
Jesus, atendei-nos.

Oremos: Senhor Jesus Cristo que dissestes: Pedi e recebereis; buscais e achareis; batei e abrir-se-vos-á,nos vos suplicamos que concedas a nós, que vo-lo pedimos, os sentimentos afetivos de vosso divino amor, a fim de que nós de todo coração e que esse amor transcenda por nossas ações, sem que deixemos de vos amar. Permiti que tenhamos sempre, Senhor , um igual temor e amor pelo vosso santo nome; pois não deixais de governar aqueles que estabeleceis na firmeza do vosso amor.Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amem.

24 de março de 2015

Essência do Santo Sacrifício da Missa - Explicação da Santa Missa 24

XXIV. A SANTA MISSA NÃO PREJUDICA AO TRABALHO, ANTES O FAVORECE

Um dos principais pretextos alegados pelos homens, para dispensar-se da santa Missa, é o trabalho. Dia e noite a ele se entregam, lastimam a perda de tempo, se devem consagrar uma hora ao serviço de Deus, e qualificam de preguiçosos os que encaram, de modo sobrenatural, o emprego da vida. Que erro grosseiro é o destes insensatos!
Se encontram um amigo, quando vão para o trabalho, param de bom grado para ouvir novidades, conversam sobre isto ou aquilo; tratando-se, porém, de ouvir a santa Missa, a lembrança do trabalho os atormenta. Não vê que o inimigo é quem os torna tão apressados para as cousas da terra e tem grande interesse em afastar da santa Missa? Longe, porém, de prejudicar o trabalho, o santo Sacrifício o adianta e o torna mais lucrativo.
Nosso divino Mestre nos recomenda a procurar, antes de tudo, o reino de Deus e sua justiça, porque tudo o mais nos será dado por acréscimo. Estas palavras podem se interpretar assim: Não te inquietes do alimento corporal, porém, antes de principiar o trabalho, procura ouvir a santa Missa, ou pelo menos que um membro da família o assista em nome da família toda. Assim prestes a Deus, o culto que lhe é devido, e Deus, em troca, te dará o pão de cada dia.
Se prestares um serviço importante e agradável a um príncipe deste mundo, não serás recompensado? Ora, assistindo à santa Missa, rendes a Deus uma homenagem relevante, uma glória infinita, uma incomparável satisfação: ofereces um presente mais precioso que o próprio céu. O Senhor, riquíssimo e bondosíssimo, deixaria este ato sem recompensa? Jamais! Se todo e qualquer bem é recompensado por Ele, quanto mais o maior de todos os bens!
Sim, a santa Missa é o tesouro de que fala o livro da Sabedoria: "É um tesouro inestimável para os homens; os que nele têm parte gozam da amizade de Deus". É uma mina donde se extrai o ouro terrestre e o celeste. O que assiste a este Sacrifício, sai enriquecido dos méritos de Jesus Cristo, cumulado de bênçãos do Pai celeste: a bênção da santa Missa é, ao mesmo tempo, temporal e espiritual, assim como vemos pela oração que se segue à consagração: ... "para que todos, participando deste altar, recebendo o sacrossanto Corpo e Sangue de teu Filho, fiquemos cheios de toda a graça e bênção celestial".
Em virtude desta oração e do santo Sacrifício, és abençoado em teu corpo e tua alma, em tuas empresas e teus trabalhos.
Todos reconhecem a verdade do velho provérbio: "Tudo depende da bênção de Deus". Por maiores que sejam o zelo e a habilidade do homem no trabalho, sem a mão de Deus, não frutificará. Ora, não há meio mais eficaz neste mundo, de atrair os favores celestes, do que a piedosa audição da santa Missa. Numa visão, Santa Brígida viu o divino Salvador que, depois da elevação da sagrada Hóstia, traçava com a mão direita o sinal da cruz sobre o povo, dizendo: "Eu vos abençôo a vós todos que credes em mim". - Avalia, pois, o prejuízo, mesmo no teu trabalho, se, podendo assistir à santa Missa, por descuido, lhe perderes as graças abundantes.
Não digas, caro leitor, que a santa Missa de pouco serve, materialmente falando. Pois, só a ignorância pode afirmar isto e não duvidamos de que a leitura deste livro te iluminará a inteligência e te fará apreciar o valor e eficácia do santo Sacrifício dos nossos altares. "No dia em que ouvires a santa Missa, diz Fornero, bispo de Hebron, teu trabalho andará melhor, tuas penas serão mais aliviadas, tua cruz menos pesada". "O Senhor te fortificará no corpo e na alma, acrescenta outro autor de vida espiritual, os Anjos te cercarão mais afetuosamente e, se vieres, neste dia, a morrer, Jesus te assistirá no último momento, como o assististe pela manhã na santa Missa".
A audição da santa Missa favorece o trabalho; nossa própria experiência no-lo testemunha.

Lemos, na vida de Santo Isidoro, que cultivava as terras de um rico senhor. Entregava-se ao trabalho com todo o zelo possível, sem, todavia, faltar à santa Missa um dia. Sua devoção agradou de tal modo ao bom Deus, que Ele mandou que os Anjos ajudassem-no nos trabalhos campestres. Quando sua esposa lhe levava a refeição, via, não raras vezes, dois Anjos trabalhando ao lado de Isidoro. Este não os via e a piedosa mulher nada dizia, com receio de incitá-lo ao orgulho.