13 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Alma da Virgem Santíssima


Parte 5/7

Maria multiplicou essa graça inicial.
O senhor da parábola dos talentos diz aos criados a quem entregou a sua fazenda: negociai com esse dinheiro; não o tenhais ocioso.
Isto disse também à Virgem Santíssima ao entregar-lhe o tesouro sobrenatural da graça; e a Santíssima Virgem não o enterrou. Negociou com ele em todos os momentos da sua vida, desde a sua conceição até à sua morte.
Desde o primeiro instante da sua existência teve um conhecimento perfeito; portanto, as suas obras podiam ser meritórias.
Desde o primeiro momento amou a Deus tanto quanto entendeu que o devia amar; e os seus atos eram movidos pela caridade sem mistura de afeto menos ordenado ou intenção torcida.
Numa palavra, todos os atos da vida da Santíssima Virgem foram conscientes e livres; todos inspirados no mais puro amor a Deus; todos eles honestos e, por conseguinte, todos eles meritórios.
Em cada um deles ia multiplicando a graça da sua alma.
E não lhe roubavam nenhum mérito nem as paixões, nem as imperfeições, nem os pecados. 
Mesmo durante o sono, a razão e a vontade estavam pensando em Deus, amando a Deus, e por conseguinte, merecendo e aumentando a graça.
Como podia isto ser?
Porque a Santíssima Virgem tinha um conhecimento infuso de Deus, independente da imaginação e dos sentidos; e ainda quando os sentidos e a imaginação dormissem, a sua alma, em virtude da ciência infusa, podia entregar-se à contemplação e ao amor de Deus.
E para que não lhe faltasse nenhum meio de aumentar a graça santificante, sem dúvida que recebeu os principais sacramentos, fonte da graça.
Jesus Cristo recebeu o batismo, porque não o podia receber sua mãe?
É verdade que não necessitava recebê-lo para que a deixasse o pecado original; porém pôde recebê-lo para que aumentasse mais a graça santificante.
Certamente recebeu a sagrada comunhão.
Se os primeiros cristãos comungavam diariamente, porque não havia de comungar ela também?
Era o principal consolo que lhe ficou depois do seu Filho subir ao céu: o que lhe tornava suportável o desterro e a dor da separação.
Podia comungar com frequência, pois viveu sempre em companhia de São João. E que comunhão a da Santíssima Virgem! que fervorosa! que pura!
Se Jesus morou com tanto gosto em seu seio, porque não havia de vir com gosto aquele coração? Jesus Cristo em nenhuma alma entrou com mais agrado.
Sempre que vinha visitá-la lhe trazia algum presente; e o presente que mais estimava Jesus e que a Santíssima Virgem mais agradecia, era a graça santificante.
Que bem que a Virgem Santíssima negociou com este tesouro!
O bom servo da parábola apresentou a seu amo o dinheiro multiplicado.
E se o servo fiel foi recompensado, com maior razão colocou Deus no céu a Santíssima Virgem acima de todos os santos e acima de todos os coros angélicos, já que a glória é proporcionada à graça.
Na graça foi quem mais se aproximou de Deus; e no céu quem mais perto devia estar d'Ele.

11 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S J

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Alma da Virgem Santíssima


Parte 4/7

A Santíssima Virgem, ao ser concebida, estava destinada para Mãe de Deus. Que graça correspondia à dignidade deste destino?
A sentença mais moderada - digamos assim - contenta-se com dizer: a Virgem Santíssima no primeiro instante da sua existência teve maior graça que qualquer santo no primeiro momento da sua santificação, quer dizer, no momento em que desapareceu da sua alma o pecado original.
Teve maior graça que qualquer santo ao receber o batismo. Mais que São João Batista ao ser santificado no ventre de sua mãe. Mais que São José quando lhe foi tirado o pecado original.
Que missão estavam destinados a desempenhar estes santos?
Ser apóstolos, ser fundadores de uma ordem religiosa, ser o precursor do Messias. Todas estas dignidades não se podem comparar com a de Mãe de Deus. Nem sequer a de São José.
E se Deus dá a graça que requer a dignidade da missão a desempenhar, à Santíssima Virgem teve que a dar maior que a todos os santos. Contentarmo-nos com isto seria tornar pequena a Mãe de Deus.
Nenhum teólogo duvida de que a Santíssima Virgem no começo da sua existência teve maior graça que qualquer santo no fim da sua vida.
A ela se aplicaram aquelas palavras da Escritura: " Fundamenta eius in montibus altis ".
A base desta montanha esta sobre o cume dos montes mais elevados. Porém bastantes teólogos, e não de pouca autoridade, se atrevem a dizer mais ainda, não obstante outros vacilarem em o afirmar. Dizem esses teólogos mais entusiastas das glórias da Virgem Maria que ela teve no começo da sua existência maior graça, que todos os anjos e todos os santos; e não separadamente mas juntos.
 Nós, que diremos perante esta opinião?
Diremos o mesmo que o grande devoto da Santíssima Virgem, Santo Afonso Maria de Ligório: 
"Quando uma opinião é de qualquer maneira honrosa para a Santíssima Virgem e não esta desprovida de fundamento; e por outro lado não repugna nem a fé, nem aos decretos da Igreja, nem à verdade, não a seguir ou contradizê-la com o pretexto de que a opinião contrária pode ser também verdadeira, é mostrar pouca devoção à Mãe de Deus. E eu não quero ser desses devotos tão reservados."
E esta opinião certamente não esta desprovida de fundamento. Deus dá a graça conforme com a dignidade do estado ou ministério para o qual destina uma pessoa. Ora bem, a dignidade dos destinos mais gloriosos dos homens, nem isoladamente nem em conjunto chegou à dignidade da Mãe de Deus.
Esta dignidade esta num plano superior à de todos os seres criados. Esta num plano intermédio entre Deus e os homens. E em certa forma, a sua dignidade pertence à ordem hipostática; por isso à Santíssima Virgem se deve um culto inferior a Deus, é verdade, porém superior ao de todos os anjos e ao de todos os santos. 
Por isso Pio IX na Bula " Ineffabilis " afirma: " Deus a encheu maravilhosamente de todos os dons celestiais mais que a todos os espíritos angélicos e a todos os santos ".
Em que grau?
" De maneira que possuísse aquela plenitude de inocência e de santidade, que depois de Deus não se pode conceber maior ".
Ora, juntando a graça de todos os anjos e de todos os santos, a inteligência ainda pode conceber uma plenitude de graça superior antes de chegar à de Deus que é infinita. E essa plenitude superior foi a da Santíssima Virgem. Existem ainda mais razões. Quanto mais te aproximas do fogo, mais sentes o seu calor. Quanto mais te aproximas de um foco, mais aproveitas da sua luz. Fonte e foco da graça santificante é a divindade e nenhum anjo nem nenhum santo, nem separados nem juntos, se aproximaram tanto da divindade como Maria, pois já desde o primeiro instante estava destinada ao parentesco mais intimo com Deus.
O Pai considerá-la-ia a filha mais querida de todas; o Espírito Santo escolhê-la-ia ´para esposa e o Filho de Deus para Mãe. Será consanguínea do Filho de Deus: o mesmo sangue circulará nas veias de ambos.
Finalmente, a graça é fruto do amor de Deus para com os homens.
Deus manifesta o seu amor aos homens, concedendo-lhes não riquezas nem honras, mas dando-lhes graça santificante. E se Deus concede este dom na medida do amor que professa às almas, teve que dar a Maria um caudal de graça maior que a todos os santos juntos, pois amou-a mais que a todos eles.
Na alma da Santíssima Virgem, Deus depositou ao criá-la, como numa arca preciosa, uma graça maior que a de toda a multidão de predestinados. Se no prato de uma balança se pusesse a graça de todos os bem aventurados, e no outro a da alma da Santíssima Virgem, a balança inclinar-se-ia para o lado da Mãe de Deus.

6 de agosto de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 545

UMA PROPOSTA

O Cardeal Gousset, arcebispo de Reims, pediu a um rico negociante que, para dar bom exemplo aos demais, fechasse seu negócio aos domingos. Respondeu o tal que não podia atender aquele pedido, porque sofreria grande prejuízo. “Pois bem — disse o cardeal — faço-lhe uma proposta: Durante um ano o senhor fechará seu negócio aos domingos e festas e, se ao cabo de um ano sofrer prejuízo (comparadas suas entradas com a do ano anterior), eu me comprometo a pagar a diferença total. Se, pelo contrário, tiver maiores rendas, o senhor me entregará o excesso para as minhas obras de beneficência”.
O comerciante aceitou a proposta. No fim de um ano apresentou-se ao cardeal e entregou-lhe seis mil francos, que o negócio rendera a mais que nos anos anteriores.
O cardeal tinha razão; e o negociante foi consciencioso, Deus seja louvado.

5 de agosto de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 544

POR TRABALHAR NOS DOMINGOS

Um moleiro da Vendéia (França), pervertido pela revolução e estimulado pela ambição, trabalhava nos domingos com escândalo do povo, fazendo andar o moinho durante os atos religiosos da igreja.
Um dia — era festa solene — saiu muito cedo para por em movimento o moinho e praguejava porque o vento não era bastante como ele queria. Pôs o moinho em condições de funcionar e escondeu-se, esperando que acabasse de passar os fiéis que iam à igreja.
Quando notou que começara a Missa, saiu de seu esconderijo e aproximou-se do moinho. Nesse momento levantou-se um pé-de-vento e uma das aspas (asas do moinho) lançou o infeliz moleiro a vinte passos de distância, cessando o vento instantaneamente. Gravemente ferido, morreu momentos depois, sendo levado para casa por aqueles que voltavam da igreja após terem cumprido seus deveres para com Deus.