30 de janeiro de 2017

Missas Tridentinas - Padre Renato Coelho - IBP

Missas Tridentinas - Programação Janeiro/2017

28/01/17 - Sábado -    17:30h - Oração do Santo Terço
                                    18:00h - Santa Missa
                                    19:00h - Palestra (Tema ainda não definido)

29/01/17 - Domingo - 10:30h - Oração do Santo Terço
                                    11:00h - Santa Missa

30/01/17 - 2ª feira -     19:30h - Oração do Santo Terço
                                    20:00h - Santa Missa


Local:               Capela Nossa Sra. Aparecida - Assoc. da Vila Militar - Polícia Militar
Endereço:         Av. Mal. Floriano Peixoto, 2057 - Rebouças
Cidade/Estado: Rebouças - Curitiba - Paraná



19 de janeiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

IX 

INFÂNCIA E VIDA OCULTA
(Tempo depois da Epifania) 

 O MISTÉRIO da Incarnação pode resumir-se numa permuta, em tudo admirável, entre a Divindade e a nossa humanidade. Em troca da natureza humana, que toma de nós, faz-nos o Verbo Eterno participar da vida divina. 
Deve notar-se, com efeito, que somos nós quem dá ao Verbo uma natureza humana. Deus poderia ter produzido, para a unir a Seu Filho, uma humanidade já de todo perfeita no seu organismo, como foi Adão no dia da sua criação. Jesus Cristo teria sido verdadeiramente homem, pois nada do que constitui a essência dum homem Lhe teria sido estranho;  mas, não se prendendo a nós dum modo direto, por um nascimento humano, não teria sido propriamente da nossa raça.
 Não quis Deus proceder assim. Qual foi o desígnio da infinita sabedoria? Que o Verbo tomasse de nós a humanidade que devia unir a si. Jesus Cristo será assim verdadeiramente o «Filho do Homem»; será membro da nossa raça: Factum ex muliere ... ex semine David. Ao celebrarmos no Natal o nascimento de Jesus Cristo, remontamos os séculos para neles lermos a lista dos seus antepassados; percorremos a Sua genealogia humana; e, recordando as gerações sucessivas, vemo-Lo nascer na tribo de David, da Virgem Maria: De qua natus est Jesus qui vocatur Chtistus.
 Deus quis, para assim dizer, mendigar à nossa raça a natureza humana que destinava a Seu Filho, para nos fazer, em compensação, participar da Sua Divindade: O admitabile commercium!
 Como sabeis, por Sua natureza, Deus é levado a uma infinita generosidade; é da essência do bem o difundir-se: Bonum est diffusivum sui. Se há uma bondade infinita, é forçosamente inclinada a dar-se infinitamente. Deus é essa bondade sem limites;  ensina-nos a Revelação que há entre as pessoas divinas, do Pai para o Filho, do Pai e do Filho para o Espírito Santo, comunicações infinitas, que esgotam em Deus essa tendência natural do Seu ser para se expandir.
 Mas, além desta comunicação natural da bondade infinita, há outra, que brota do Seu livre amor para com a criatura. A plenitude do Ser e do Bem, que é Deus, transbordou por amor. E como pôde isto realizar-se? Deus quis, antes de tudo, dar-se dum modo inteiramente particular a uma criatura, unindo-a ao Seu Verbo por uma união pessoal. Este dom divino a uma criatura é único: faz dessa criatura, eleita pela Santíssima Trindade, o próprio Filho de Deus: Filius meus es tu: ego hodie genui te. E Jesus Cristo é o Verbo unido pessoal e indissoluvelmente a uma Humanidade, em tudo semelhante à nossa, exceto no pecado. 
É a nós que é pedida essa Humanidade: «Cedei-me para meu Filho a vossa natureza», parece dizer-nos o Pai Eterno, «e Eu, em troca, dar-vos-ei, primeiro a essa natureza e, por ela, a todos os homens de boa vontade, uma participação da minha Divindade».
 É que Deus só se comunica assim a Jesus Cristo para se entregar por Ele a todos nós: o plano divino é que Jesus Cristo receba a Divindade na Sua plenitude e que nós, por nossa vez, tenhamos parte nessa plenitude: De plenitudíne ejus nos omnes accepimus . 
Tal é a comunicação da bondade de Deus ao mundo: Sic Deus DILEXIT mundum, ut Filium suum Unigenitum DARET. Eis a ordem admirável que preside à não menos admirável permuta entre Deus e a humanidade. 
Mas a quem, em particular, escolherá Deus para dar à luz essa Humanidade, a que se quer tão estreitamente unir para fazer dela o instrumento de Suas graças ao mundo? 
Já nomeamos essa criatura que todas as gerações proclamarão bem aventurada; a genealogia humana de Jesus termina em Maria, Virgem de Nazaré. A ela, e por ela a nós, o Verbo pediu uma natureza humana, e Maria deu-Lha; eis porque, doravante, a veremos inseparável de Jesus Cristo e dos Seus mistérios; encontrá-la-e-mos sempre onde estiver Jesus; é tanto seu Filho como o é de Deus. Entretanto, se Jesus conserva sempre a Sua qualidade de Filho da Virgem, é principalmente nos mistérios da infância e da vida oculta que se revela sob este aspecto; se, em toda a parte, Maria ocupa um lugar único, é nestes mistérios que mais ativo se manifesta exteriormente o seu papel, e é sobretudo nestes momentos que devemos contemplá-la, porque é então que resplandece com mais brilho a maternidade divina; e vós sabeis que esta dignidade incomparável é a fonte de todos os outros privilégios da Virgem.
 Os que a não conhecem, os que não têm pela Mãe de Jesus um verdadeiro amor arriscam-se a não compreender, com fruto, os mistérios da Humanidade de Jesus Cristo. Ele é Filho do homem, como é Filho de Deus; estes dois caracteres são-Lhe essenciais: se é Filho de Deus por inefável geração eterna, tornou-se Filho do homem nascendo da Virgem no tempo.
 Contemplemos, pois, Maria ao lado de seu Filho; em paga, ela nos alcançará a mercê de penetrarmos ainda mais na compreensão desses mistérios de Jesus Cristo, a que está tão estreitamente unida. 

18 de janeiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 261

AS PEQUENAS VIRTUDES

O famoso artista Miguel Angelo não se cansava de retocar suas obras. Tinha um amigo que o visitava com freqüência, mas, em certa ocasião, por várias semanas, deixou de o fazer. Quando voltou à oficina, disse ao mestre:
— Como? não fizeste nada desde que estive aqui?
— Sim, por certo, — respondeu o pintor.; — trabalhei todos os dias; fiz os lábios e a boca mais expressivos, o rosto mais suave, melhorei o trabalho das veias e o contorno da espádua, e outros muitos pormenores que seria longo enumerar.
— Tudo isso não passa de pequenezas.
— Certamente — respondeu Miguel Angelo; — mas nessas pequenezas está a perfeição da imagem.
O mesmo se pode dizer da virtude. S. Agostinho dizia: “Se queres conseguir as coisas grandes, começa pelas pequenas”.
Alguém escreveu: “As virtudes mais importantes e mais sólidas são as de microscópio, imperceptíveis para os olhos do mundo e fundamento da vida espiritual, como as células são o fundamento da vida do organismo”

17 de janeiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

IV 

Sigamos agora os Magos até Belém: é ai, principalmente, que os veremos manifestar a mais profunda fé.
 Guia-os a maravilhosa estrela ao lugar onde deviam finalmente encontrar Aquele que há tanto procuravam. E que encontraram eles? Um palácio, um berço real,  um longo séquito de lacaios submissos? Não; apenas um humilde casal de operários. Buscam um rei, um Deus, e vêem apenas uma criancinha no colo da mãe; e nem ao menos uma criança transfigurada pelos raios divinos, como sucedeu mais tarde, diante dos Apóstolos, no monte Tabor, mas uma simples, uma pobre e débil criancinha.
Todavia, deste ser tão fraco na aparência fluía invisível um poder divino: Virtus de illo exibat. Aquele que fizera nascer a estrela para trazer os Magos ao Seu berço, agora iluminava-os: enchialhes interiormente o espírito de luz e o coração de amor. E, por isso, eles reconheceram o seu Deus naquela criança.
Nada nos relata o Evangelho acerca das suas palavras, mas dá-nos a conhecer o gesto sublime da mais perfeita fé: «E, prostrando-se, adoraram o Menino»: Et procidentes adoraverunt eum. 
A Igreja quer que nos associemos a esta adoração dos Magos. Durante a santa Missa, quando nos dá a ler estas palavras da narração evangélica - «E prostrando-se O adoraram - , faz-nos dobrar o joelho a fim de significar que também nós acreditamos na Divindade do Menino de Belém.
 Adoremo-Lo com fé profunda. Deus quer que, enquanto estivermos no mundo, toda a atividade da nossa vida interior tenha por fim a união com Ele na fé. A fé é a luz que nos faz ver Deus no Filho da Virgem, ouvir a voz de Deus nas palavas do Verbo Incarnado, seguir os exemplos dum Deus nas ações de Jesus, apropriar-nos dos merecimentos infinitos dum Deus pelas dores e pelas satisfações dum homem que sofre como nós.
 Através do véu duma Humanidade humilde e passível, a alma, esclarecida por uma fé ardente, descobre sempre a Deus; em toda a parte onde encontra essa Humanidade - quer seja nos aniquilamentos de Belém, nas estradas da Judeia, no patíbulo do Calvário, quer sob as espécies eucarísticas, -  a alma fiel inclina-se diante dela porque é a Humanidade dum Deus. Lança-se a Seus pés para a ouvir, para lhe obedecer e para a seguir, até que praza a Deus «revelar-lhe a Sua infinita majestade nos santos esplendores da visão beatífica»: Usque ad contemplandam speciem celsitudinis perducamur. 
A atitude de adoração, nos Magos, traduz eloquentemente a solidez e intensidade da sua fé; os dons que Lhe oferecem são cheios de significado. Os Padres da Igreja insistem no simbolismo dos dons oferecidos a Jesus Cristo pelos Magos. Demoremo-nos, para terminar esta palestra, a considerar quão profundo é este simbolismo; será um gozo para as nossas almas e um alimento para a nossa piedade. Como sabeis, o Evangelho diz-nos que, «tendo aberto os seus cofres, os Magos ofereceram ao Menino ouro, incenso e mirra ». É evidente que, no pensamento dos Magos, esses dons deviam servir, não só para exprimir os sentimentos de seus corações, como também para honrar Aquele que os recebia.
 Examinando a natureza dessas ofertas preparadas antes da partida dos Magos, vemos que a iluminação divina já lhes havia manifestado alguma coisa da eminente dignidade d'Aquele que desejavam contemplar e adorar. A natureza desses dons indica igualmente a qualidade dos deveres que queriam cumprir para com a pessoa do Rei dos judeus. O simbolismo atinge ao mesmo tempo Aquele a quem são oferecidas as dádivas e os que as apresentam.
 O ouro, o mais precioso dos metais, é o símbolo da realeza; indica também o amor e a fidelidade que todos devem ao seu rei.
 O incenso é universalmente conhecido como figurando o culto divino; só se oferece a Deus. Oferecendo esse presente, os Magos patenteavam que queriam proclamar a Divindade d' Aquele cujo nascimento lhes fora anunciado pela estrela e reconhecer essa Divindade pela adoração suprema que só a Deus se pode tributar. 
Finalmente, tiveram a inspiração de Lhe oferecer a mirra. Que querem eles significar com essa mirra que serve para curar as feridas, para embalsamar os mortos? Simboliza este presente que Jesus Cristo era homem, mas um homem passível, que havia de morrer um dia; a mirra também representava o espírito de penitência e de imolação que deve caracterizar a vida dos discípulos dum crucificado. Assim a graça inspirava os Magos na escolha dos presentes destinados Àquele que buscavam. O mesmo se deve dar conosco. «Nós, que ouvimos a narração dos dons dos Magos, diz Santo Ambrósio, saibamos servir-nos dos nossos tesouros e apresentar ofertas semelhantes». Cada vez que nos aproximamos de  Jesus Cristo, ofereçamos-Lhe presentes, mas presentes que sejam magníficos, que sejam como os deles, dignos d'Aquele a quem os oferecemos.
 Dir-me-eis talvez: «Não temos ouro, nem incenso, nem mirra. É certo; temos, porém, muito melhor; temos tesouros muito mais preciosos, os únicos que Jesus Cristo, nosso Salvador e Rei, espera de nós. Não Lhe oferecemos ouro, quando proclamamos, por uma vida cheia de amor e fidelidade aos mandamentos, que Ele é o Rei dos nossos corações? Não Lhe apresentamos o incenso, quando cremos na Sua Divindade e O reconhecemos pelas nossas orações e adorações? Não Lhe oferecemos a mirra, quando unimos os nossos sofrimentos, as nossas humilhações, as nossas dores e lágrimas às Suas?
 E se, por nós mesmos, nada possuímos de tudo isto, peçamos a Nosso Senhor que nos enriqueça com os tesouros que Lhe são agradáveis; porque Ele tem esses tesouros para no-los dar.
 É o que Jesus fazia ouvir a Santa Matilde, depois da comunhão, no dia da Epifania: «Eis, dizia, que te dou o ouro, isto é, o meu divino amor, o incenso, quer dizer, toda a minha santidade e devoção e, enfim, a mirra, que é a amargura de toda a minha Paixão. Eu te dou em propriedade, de tal maneira que me poderás oferecer de presente, como um bem que te pertence».
 Esta verdade é tão consoladora, que nunca a devemos esquecer. A graça da adoção divina, que nos torna irmãos de Jesus e membros vivos do Seu corpo místico, dá-nos o direito de nos apropriarmos dos Seus tesouros para os fazer valer junto d'Ele e do Seu Pai. «Acaso ignorais, dizia S. Paulo, o poder e a grandeza da graça de Jesus Cristo, que por nós se fez pobre, de rico que era, a fim de nos enriquecer por Sua pobreza».
 Nosso Senhor é a nossa riqueza, a nossa ação de graças; encerra em Si, dum modo eminente, o que significam os presentes dos Magos; em Sua pessoa realiza perfeitamente esse profundo simbolismo. Por isso, nada melhor podemos oferecer ao Pai celeste do que o Seu próprio Filho para Lhe agradecer o dom inestimável da fé cristã. Deus deu-nos o Seu Filho; segundo a palavra de Jesus, o Ser infinito não podia manifestar-nos o Seu amor de modo mais eloquente: Sic Deus dilexit mundum, ut Filium suum Unigenitum DARET; porque, ao dar-nos Jesus, acrescenta S. Paulo, deu-nos todos os bens: Quomodo non etiam cum illo omnia nobis donavit?
 Mas devemos a Deus insignes ações de graças por este dom inefável. Que Lhe daremos, pois, que seja digno d'Ele? O Seu Filho Jesus. «Oferecendo-Lhe o Seu Filho, restituímos-Lhe o que nos dá»: Offerímus praeclarae majestati tuae de tuis donis ac datis; e não há dom que Lhe seja mais agradável. Bem o sabe a Igreja que, como ninguém, conhece o segredo de Deus! Neste dia, em que se iniciam os seus místicos esponsais com Jesus Cristo, ela oferece a Deus, «não já o ouro, o incenso, a mirra, mas Aquele que esses presentes simbolizam, imolado sobre o altar e recebido no coração dos Seus discípulos»: Ecclesiae tuae, quaesumus Domine, dona propitius intuere, quibus non jam aurum, thus et myrra profertur sed quod eisdem muneribus declaratur, immolatur et sumitur, Jesus Christus Fílius tuus, Dominur noster.
 Ofereçamos, pois, com o sacerdote, o santo Sacrifício; ofereçamos ao Eterno Pai o Seu divino Filho depois de O termos recebido na sagrada Mesa; mas ofereçamo-nos com Ele, por amor, para cumprir em todas as coisas o que a vontade divina nos manifesta; é o dom mais perfeito que podemos apresentar a Deus. 
A Epifania continua; prolonga-se através dos séculos. «Também nós, dizia S. Leão, devemos saborear as alegrias dos Magos, porque o mistério que naquele dia se realizou não deve limitar-se a ele. Graças à magnificência de Deus e ao poder da Sua bondade, o nosso tempo goza da realidade de que os Magos tiveram as primícias».
 Efetivamente, a Epifania renova-se quando Deus faz brilhar a luz do Evangelho aos olhos dos pagãos; todas as vezes que a verdade resplandece diante dos olhos dos que vivem no erro, é um raio da estrela dos Magos que desponta.
 A Epifania prolonga-se também na alma fiel, quando o seu amor se torna mais fervoroso e mais estável. A fidelidade às inspirações da graça (é Nosso Senhor quem no-lo diz) torna-se a fonte duma iluminação mais viva e mais brilhante: Qui diligit me ... manifestabo ei meipsum. Feliz da alma que vive de fé e de amor!
Produzir-se-á nela uma manifestação sempre nova e sempre mais profunda de Jesus Cristo: Jesus fa-la-á entrar numa compreensão cada vez mais íntima dos Seus mistérios.
 A Sagrada Escritura compara a vida do justo a uma «senda luminosa que sobe de claridade em claridade», até ao dia em que todos os véus caem, em que todas as sombras se evaporam, em que aparecem na luz da glória os eternos esplendores da Divindade. Ai, diz S. João no seu livro tão misterioso do Apocalipse, em que nos descreve as magnificências da Jerusalém celeste, ai não é necessária a luz, porque o próprio Cordeiro, isto é, Jesus Cristo, é a luz que alegra e ilumina as almas de todos os justos.
 Será a Epifania do Céu. 
«Ó Deus que, neste dia, por meio duma estrela, guiastes as nações pagãs ao conhecimento do Vosso Filho único, concedei-nos que, conhecendo-Vos já pela fé, cheguemos à contemplação da face da Vossa suprema majestade»: Deus, qui hodierna die Unigenitum tuum gentibus stella duce revelasti: concede propitius ut qui jam te ex fide cognovimus, usque ad contemplandam speciem tuae celsitudinis perducamur. 

16 de janeiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 260

ÂNSIA DE SANTIDADE

Quando S. Gema Galgani era ainda colegial, a Irmã Julia quis entreter as meninas, tirando a sorte para ver qual delas havia de ser santa. Para isso tomou tantos pauzinhos quantas meninas havia. Os pauzinhos eram todos iguais, exceto o da sorte, que era o mais comprido. Cada uma das meninas ia tirando um e a que pegasse o da sorte devia ser santa. Providencialmente, sem dúvida, o da sorte coube a Gema e ela, não podendo conter-se de alegria, deu um salto, exclamando:
— Sim, sim, eu me farei santa.
A mestra dizia-lhe com freqüência:
— Pensa que deves ser uma “Gema”. Gema, isto é, uma pedra preciosa.
Para a consolar e tranquilizar, disse-lhe um dia Nosso Senhor: “Chegarás a ser santa, farás milagres depois de tua morte e, um dia, serás elevada à honra dos altares”

15 de janeiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

III

Acontece, por vezes, que a estrela desaparece dos nossos olhos. Quer a inspiração da graça traga em si um carácter extraordinário, como no caso dos Magos, quer se prenda (e é para nós o caso maís fre-quente) à providencia sobrenatural de todos os dias, a estrela deixa, por vezes, de se manifestar; vela-se a luz; a alma mergulha nas trevas espirituais. Que fazer então?
 Vejamos como procederam os Magos nesta ocorrência. A estrela só se lhes mostrou no Oriente; depois desapareceu: Vidimus stellam ejus in Oriente. Ao revela-lhes o nascimento do Rei dos Ju- deus, não lhes indicara o astro maravilhoso o lugar preciso onde poderiam encontrá.-Lo. Que fazer? Dirigiram-se para Jerusalém, capital da Judeia metrópole da religião judaica. Onde melhor do que na cidade santa poderão eles encontrar o que procuram?
 Assim também, quando a nossa estrela desaparece, quando a inspiração divina não indica com exactidão o que temos a fazer e nos deixa na incerteza, Deus quer que recorramos à Igreja, aos que o representam entre nós, para que eles nos tracem a rota a seguir. É a economia da Providência divina. Deus quer que a alma, nas dúvidas e dificuldades da sua ascensão para Jesus Cristo, implore luz e direção daqueles que estabeleceu como Seus representantes junto de nós: Qui vos audit, me audit. Vede Saulo na estrada de Damasco. Ao chamamento de Jesus, exclama imediatamente: «Senhor que quereis que eu faça? » Que lhe responde Jesus Cristo? Em vez de lhe dar a conhecer diretamente a Sua vontade, dirige-o para os Seus representantes: «Entra na cidade e lá te será dito por outrem o que deves fazer».
Submetendo as aspirações de nossas almas à direção dos que têm a graça e a missão de nos guiar na busca e consecução da união divina, não corremos nenhum risco de nos transviarmos, quaisquer que sejam os merecimentos pessoais daqueles que nos dirigem. Na época em que os Magos chegaram a Jerusalém, a assembleia dos que tinham autoridade para interpretar as Sagradas Escrituras era em grande parte constituída por elementos indignos; e, no entanto, Deus quis que fosse por ministério e ensinamento destes que os Magos soubessem oficialmente do lugar onde nascera Jesus Cristo. Com efeito, Deus não pode permitir que a alma seja enganada, quando, com humildade e confiança, se dirige aos legítimos representantes da Sua soberana autoridade.
 Muito pelo contrário, ela tornará a encontrar a luz e a paz. Como os Magos ao sair de Jerusalém, a alma verá de novo a estrela resplandecente de brilho e, a exemplo deles, seguirá, cheia de alegria, o seu caminho: Videntes autem stellam, gavisi sunt gaudio magno valde.

14 de janeiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 258 e 259

É A VIRTUDE QUE ENOBRECE

1. Conta-se que um rei de Castela, Espanha, vestia-se de pano ordinário como a gente do povo e que, por isso, um dia, os cortesãos lhe disseram:
— Senhor, não fica bem que um rei tão poderoso se vista assim; a côrte toda veria com muito júbilo que Vossa Alteza ostentasse ricas galas e tivesse luxuosos côches em suas cavalariças, como os monarcas estrangeiros.
— Estais enganados, — respondeu o soberano — um rei não deve levar vantagem a seus súditos no traje, mas nas virtudes. O dinheiro Deus dá a qualquer um; a virtude; porém, só aos bons.

2. Carlos IX, rei de Franca, perguntou ao célebre poeta italiano Torquato Tasso:
— Que te parece? Quem é mais feliz?
— Deus — respondeu o poeta.
— Bem; mas entre os homens?
— O que mais se assemelha a Deus.
— Bem; mas como poderemos conseguir a maior semelhança com Deus? Com a força? Com o poder.?
— Não — respondeu Tasso; — mas com a prática da virtude.

13 de janeiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

II

Se examinarmos agora algumas circunstâncias da narração evangélica, veremos quão rico de ensinamentos é este mistério.
 Disse-vos que os Magos, em Belém, representavam os gentios na vocação à luz do Evangelho. O procedimento dos Magos indica-nos as características que deve ter a nossa fé.
 O que se nota, em primeiro lugar, é a generosa fidelidade desta fé. Vede: a estrela aparece aos Magos. Qualquer que fosse o seu país de origem -.Pérsia, Caldeia, Arábia ou Índia, - segundo a tradição, os Magos pertenciam a uma casta sacerdotal e entregavam-se ao estudo dos astros. É mais que provável que não ignorassem a revelação feita aos judeus dum rei que seria o seu libertador e senhor do mundo. O profeta Daniel, que predissera a época da Sua vinda, estivera em relação com os Magos; pode ser até que eles não desconhecessem a profecia de Balaão, de que «uma estrela se levantaria em Jacob». Seja como for, eis que uma estrela maravilhosa lhes aparece. O seu brilho extraordinário, ferindo-lhes os olhos, chama a atenção deles e, ao mesmo tempo, uma graça interior de iluminação esclarece as suas almas; esta graça fazia-lhes pressentir a pessoa e as prerrogativas d' Aquele cujo nascimento o astro anunciava; a estrela inspirava - lhes que O fossem procurar para Lhe tributarem as suas homenagens. 
É admirável a fidelidade dos Magos à inspiração da graça. A dúvida não lhes perturba sequer o espírito; sem raciocinarem, tratam da execução imediata dos seus desígnios. A indiferença ou o cepticismo dos que os cercam, o desaparecimento da estrela, as dificuldades inerentes a uma expedição daquele gênero, a distância e os perigos do caminho, nada os demove. Obedeceram sem demora e com constância ao chamamento divino. « Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos»;  partimos logo que ela se nos mostrou. 
Quer se trate de vocação à fé, quer dum apelo à perfeição, os Magos são nisto o nosso modelo. Há, com efeito, para toda a alma fiel uma vocação à santidade: Sancti estote quia ego sanctus sum: «Sede santos, porque eu sou santo». Assegura-nos o Apóstolo S. Paulo que, desde toda a eternidade, existe para nós um decreto divino, cheio de amor, que contém este convite: Elegit nos ante mundi constitutionem, ut essemus sancti et immaculati in conspectu ejus. E «para aqueles que Ele assim chama à santidade, Deus tudo faz convergir para o bem »: lis qui secundum propositum vocati sunt sancti. A manifestação desta vocação é para cada um de nós a sua estrela. Reveste variadas formas, segundo os desígnios de Deus, o nosso carácter, as circunstâncias em que vivemos, os acontecimentos em que estamos envolvidos; mas brilha na alma de cada um em particular. 
E qual foi o fim deste chamamento? Para nós, como para os Magos, levar-nos a Jesus. O Pai celeste faz brilhar a estrela em nós, pois, é o próprio Jesus Cristo quem o diz, «ninguém vem a mim, se meu Pai que me enviou o não atrair»: Nemo potest venire ad me, nisi Pater qui misit me, traxerit eum .
 Se ouvirmos com fidelidade o apelo divino, se seguirmos generosamente para a frente com os olhos postos na estrela, chegaremos até Jesus Cristo que é a vida das nossas almas. E, quaisquer que sejam os nossos pecados, as nossas faltas, as nossas misérias, Jesus acolher-nos-á com bondade. Assim o prometeu: «Todos aqueles que o meu Pai atrai a mim virão a mim, e aquele que vier a mim, Eu não o repelirei»: Omne, quod dat mihi Pater, ad me veniet: et eum qui venit ad me non ejiciam foras.
 O Pai atraiu aos pés de Jesus Madalena, a pecadora pública. E Madalena, seguindo imediatamente, com fé generosa, o raio divino da estrela que brilhava em sua alma miserável, precipita-se numa sala de festim para manifestar a Jesus Cristo a sua fé, o seu arrependimento e o seu amor. Madalena seguiu a estrela e esta guiou Madalena ao Salvador: «Os teus pecados te são perdoados, a tua fé te salvou, vai em paz». Et eum qui venit ad me non ejiciam foras. 
A vida dos Santos e a experiência das almas mostram que há, muitas vezes, em nossa existência sobrenatural, momentos decisivos, dos quais depende todo o valor da nossa vida interior e até a nossa própria eternidade.
 Vede Saulo a caminho de Damasco. É um inimigo, um perseguidor dos cristãos, Spirans minarum, «só respira e profere ameaças» contra tudo o que traz este nome. Mas eis que se faz ouvir a voz de Jesus. Esta voz é para ele a estrela, o apelo divino. Saulo ouve o apelo e segue a estrela: «Senhor, que quereis que eu faça? » Que presteza e que generosidade! Por isso, desde aquele momento, tornado «vaso de eleição», só viverá para Jesus Cristo.
 Vede, pelo contrário, aquele jovem cheio de boa vontade, coração reto e sincero, que se apresenta a Jesus e Lhe pergunta o que deve fazer para possuir a vida eterna. «Observa os mandamentos», responde o nosso divino Salvador. «Mestre, observo-os desde a infância. Que me falta ainda? » Então, diz o Evangelho, «Jesus, tendo olhado para ele, amou-o»: Jesus autem intuitus eum dilexit eum. Este olhar cheio de amor era a estrela. E logo se manifesta: « Falta-te uma coisa; se queres ser perfeito, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e segue -me». Mas o jovem não seguiu a estrela. «Aflito com a palavra de Jesus, abandonou-O, cheio de tristeza, porque possuía muitos bens». Alguns comentadores vêem nas palavras que Nosso Senhor pronunciou a seguir - «Como é difícil aos ricos entrar no reino de Deus» - a predição da perda daquela alma. Assim que, ou se trate do apelo à fé ou à santidade, só encontraremos Jesus Cristo e a vida de que é fonte, se prestarmos atenção à graça e perseverarmos fiéis em buscar a união divina.
 O Pai celeste chama-nos para Seu Filho pela inspiração da graça; mas quer que, como os Magos, assim que resplandecer a estrela em nosso coração, abandonemos tudo imediatamente: os nossos pecados, as ocasiões de pecar, os maus hábitos, as infidelidades, as imperfeições, os laços que nos prendem à criatura; quer que, não fazendo caso algum das críticas e da opinião dos homens ou das dificuldades da obra imposta, nos ponhamos no mesmo instante a procurar Jesus, quer O tenhamos perdido pelo pecado mortal, quer, possuindo-O já em nós pela graça santificante, sejamos chamados a uma união mais estreita e mais íntima com Ele.
 Vidimus stellam: «Senhor, eu vi a Vossa estrela e venho a Vós: que quereis que eu faça? » 

12 de janeiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 257

TAMBÉM UM CHINÊS ILUSTRE

Lu, embaixador da China na Suíça, converteu-se ao catolicismo. Logo depois enviou ao Papa suas muitas e valiosas condecorações, e entrou no noviciado do mosteiro dos beneditinos de Lophem, na Bélgica.

11 de janeiro de 2017

Missas Tridentinas - Agradecimento

Prezados Leitores, Salve Maria!
O blog São Pio V agradece o Coral Gregoriano da Igreja da Ordem, em especial o Sr. Gustavo, que possibilitou a vinda do Padre Jefferson para Curitiba. Além da missa de domingo, celebrada pelo Padre Jefferson, o mesmo rezou duas missas na Capela da Polícia Militar nos dias 09 e 10 de janeiro. Muito obrigado e que Deus ilumine o apostolado do Coral.

Missas Tridentinas
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09/01/17 - 2ª feira - 20:00 horas
10/01/17 - 3ª feira - 20:00 horas
Padre: Jefferson Pimenta de Paula - Santo André - SP
Local:       Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 2057
Bairro:      Rebouças - Curitiba - Paraná