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26 de julho de 2015

6 de julho de 2015

Cartas Sobre a Fé - Padre Emmanuel - André.

TERCEIRA CARTA

COMO A FÉ É UM DOM DE DEUS

A Fé é um dom de Deus. Hoje gostaria de fazer com que a senhora compreendesse ainda melhor a natureza íntima deste dom precioso.
Adão o teria recebido de Deus e nos teria transmitido, se ele não tivesse pecado; mas tendo acreditado em Eva e, por Eva, em Satã mais do que em Deus, perdeu a Fé que Deus lhe havia dado, perdendo-a para ele e para nós (Adão pôde conservar o hábito da Fé; mas perdeu a Fé enquanto virtude informada pela Caridade; e este hábito não era transmissível à sua descendência, pois era uma disposição pessoal de sua alma). Por sua vez, quando o filho de Adão entra neste mundo já não tem mais Fé e só pode recupera-la se esta for dada pelo próprio Deus.
A Igreja reza para pedir a Deus a Fé para os infiéis e o aumento de Fé para os fiéis, de modo que o começo, o aumento e a conservação da Fé nas almas, são pura e simplesmente um dom que Deus nos dá pelos méritos de nosso único Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Mas chego agora ao ponto que tinha prometido abordar hoje: a natureza íntima deste dom.
A Fé é um ato em parte da inteligência que crê, e em parte da vontade que quer crer. Ao perguntarem se a Fé é um dom de Deus do lado da inteligência que crê ou do lado da vontade que quer crer, é preciso responder que há um dom de Deus na inteligência e um dom na vontade.
Pois para o que concerne à inteligência é preciso notar duas coisas: primeiramente as verdades em que devemos crer estão tão acima do espírito humano, que este nunca poderia atingi-las naturalmente. Assim, o adorável mistério da Santíssima Trindade, as profundezas da sabedoria de Deus na Encarnação de Nosso Senhor, a Redenção e a salvação dos homens, sem o dom da Fé, seriam para sempre tesouros escondidos às inteligências humanas. Em segundo lugar, além do ministério da Igreja ensinando essas sublimes verdades, é necessário ainda para que nós creiamos, uma graça interior que clareie nossa inteligência e a faça receber com docilidade a palavra da Fé, a Fé falada, como dissemos antes.
Com efeito, por assim dizer, o espírito humano imaginaria ter motivos para ver na pregação evangélica uma tolice, se não fosse animado por uma sabedoria superior, como nos diz São Paulo nos capítulos I e II da sua primeira Epístola aos Coríntios.
Do ponto de vista da vontade, a Fé, ainda uma vez, é um dom de Deus. Pois, para que a vontade humana se submeta humildemente, docilmente e alegremente à verdade divina e leve a inteligência a dar seu pleno consentimento a esta mesma verdade, esta vontade tão frágil precisa de um socorro divino que a arrebate à sua própria fraqueza, e a ponha em conformidade com a vontade de Deus.
Faço questão de confirmar estas sérias doutrinas, pelas próprias orações da Igreja. Escolhi para esse fim as orações da Sexta-feira Santa, que são cantadas depois da Paixão.
O padre proclama: «Oremos caríssimos irmãos pela Santa Igreja de Deus». Depois reza: «Deus eterno e onipotente que em Jesus Cristo haveis revelado a vossa glória às nações, conservai a obra da vossa misericórdia, para que a vossa Igreja espalhada por todo o mundo persevere com fé constante na confissão do vosso nome. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor».
A senhora já se associou de coração a esta prece para pedir a Deus que a Igreja persevere na Fé?
Mais adiante, o padre proclama ainda: «Oremos também pelos nossos catecúmenos, para que Deus Nosso Senhor lhes abra os ouvidos do coração e a porta da misericórdia!».
Quer dizer: os disponham para ouvir, para querer crer e lhes dê em seguida, por sua misericórdia, o dom da Fé. Depois ele reza: «Deus eterno e onipotente, que sem cessar fecundais a vossa Igreja pelo nascimento de novos filhos, dai mais Fé e inteligência aos nossos catecúmenos, para que renascidos na fonte do batismo, sejam contados no número de vossos filhos adotivos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo». O padre proclama outra vez: «Oremos também pelos heréticos e pelos cismáticos».
Depois ele reza: «Deus eterno e onipotente que a todos salvais e não quereis que pereça ninguém, olhai com misericórdia para as almas que andam envolvidas nas redes do demônio, para que os corações extraviados, abjurando a perversidade da heresia, entrem no caminho reto e voltem à luz da verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo». [A versão em português das orações da Sexta-feira Santa foram tiradas do Missal Quotidiano e Vesperal de Dom Gaspar Lefebvre O.S.B., Desclée de Brouwer & Cia. - Bruges Bélgica 1951].
Ele reza também pelos pérfidos judeus [per-fides= os que se transviaram da fé] e pelos infelizes pagãos, e para todos esses ele implora o dom da Fé.
Penetre, peço-lhe, no espírito dessas orações as mais santas, as mais antigas, as mais suplicantes que pertencem à Igreja; e então, compreendendo melhor do que nunca como a Fé é um dom de Deus, a senhora dirá bem o seu Credo.

Catecismo Ilustrado - Parte 34

Os Mandamentos

2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão

1. Dissemos já que quem jurou fazer uma coisa má e cumpre o seu juramento, comete dois pecados: um por ter jurado fazer uma coisa má, outro por cumprir o juramento.
2. Foi o pecado que cometeu Herodes mandando degolar São João Batista. São Marcos narra assim o fato: “Ora o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado célebre. Uns diziam: “João Batista ressuscitou de entre os mortos; é por isso que o poder de fazer milagres se manifesta n'Ele”. Outros, porém, diziam: “É Elias”. E outros afirmavam: “É um profeta, como um dos antigos profetas”. Herodes, porém, ouvindo isto, dizia: “É João, a quem eu degolei, que ressuscitou”. Porque Herodes tinha mandado prender João, e teve-o a ferros numa prisão por causa de Herodíades, mulher de Filipe, seu irmão, com a qual tinha casado. Porque João dizia a Herodes: “Não te é lícito ter a mulher de teu irmão”. Herodíades odiava-o e queria fazê-lo morrer; porém, não podia, porque Herodes, sabendo que João era varão justo e santo, olhava-o com respeito, protegia-o e quando o ouvia ficava muito perplexo, mas escutava-o com agrado. Chegou, porém, um dia oportuno, quando Herodes, no seu aniversário natalício, deu um banquete aos grandes da corte, aos tribunos e aos principais da Galileia. Tendo entrado na sala a filha da mesma Herodíades, dançou e agradou a Herodes e aos seus convidados. O rei disse à jovem: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. E jurou-lhe: “Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja metade do meu reino”. Ela, tendo saído, perguntou à mãe: “Que hei-de pedir?” Ela respondeu-lhe: “A cabeça de João Batista”. Tornando logo a entrar apressadamente junto do rei, fez este pedido: “Quero que me dês imediatamente num prato a cabeça de João Batista”. O rei entristeceu-se, mas, por causa do juramento e dos convidados, não quis desgostá-la. Imediatamente mandou um guarda com ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi degolá-lo no cárcere, levou a sua cabeça num prato, deu-a à jovem, e esta deu-a à mãe. Tendo sabido isto os seus discípulos, foram, tomaram o corpo e o depuseram num sepulcro.” (Marcos VI, 14-22)
3.  A blasfêmia é uma palavra injuriosa a Deus ou aos santos.
4. Há duas espécies de blasfêmia: blasfêmia herética e blasfêmia simples.
5. A blasfêmia é herética quando na injúria que se fez a Deus se encerram falsidades contrárias ou repugnantes à Fé. Isto acontece quando se atribuem a Deus qualidades que Lhe não convêm, como a crueldade, a injustiça etc; ou quando se Lhe negam as que lhe convêm, como a bondade, a misericórdia etc.
6. A blasfêmia simples é aquela que não contem nenhuma falsidade repugnante à Fé, mas PE simplesmente injúria ou desprezo.
7. A blasfêmia é um pecado enormíssimo; é própria dos condenados, e os blasfemadores devem temer toda a sorte de castigos nesta vida e ainda o de morrerem impenitentes.
8. Quando ouvirmos uma blasfêmia devemos nós dar honra a Deus em reparação da blasfêmia e louvá-Lo, dizendo, por exemplo: louvado seja Jesus Cristo.
9. Rogar pragas aos animais é também pecado, porque são criadoras de Deus.
10. As pragas que os pais rogam a seus filhos são maior pecado, porque dão mau exemplo aos filhos e atraem grandes desgraças sobre a sua família.
11. Para emendar-se de rogar pragas podem empregar-se os quatro meios seguintes: 1º considerar os males que causam à sua alma; 2º pedir muito a Deus que lhes dê a Graça de emendar-se; 3º impor-se a si mesmo alguma penitência por cada vez que rogar pragas; 4º pedir a alguém que o advirta quando rogar pragas.

Explicação da gravura

12. Na parte superior vê-se Herodes sentado à mesa e prometendo com juramento dar à filha de Herodíades o que ela pedir.
13. Na parte inferior esquerda, vê-se um homem, que tinha blasfemado, lapidado pelo povo como mandava a lei antiga.
14. Na parte esquerda vê-se o castigo dum homem que, tendo rogado pragas aos seus animais, vê um deles levado pelo diabo.

5 de julho de 2015

Cartas Sobre a Fé - Padre Emmanuel André.

SEGUNDA CARTA

COMO SE ADQUIRE A FÉ

Dissemos que a Fé é um dom de Deus. Vamos examinar como este dom tão precioso chega até nós. Para começar, notemos que este dom, sendo sobrenatural, é sempre inteiramente gratuito. Não podemos merecê-lo e nenhum homem pode merecê-lo por nós. Se ele nos vem é unicamente pelos méritos de Nosso Senhor e por pura misericórdia de Deus.
Mas como a Fé chega até nós? Para nós, que fomos batizados criancinhas, o dom da Fé nos chega no meio deste magnífico cortejo de graças que se chama Batismo. Neste momento Deus, adotando-nos como filhos, derrama em nossa alma o dom da Fé; quer dizer que ele dispõe interiormente as potências da alma, nossa inteligência e nossa vontade do modo necessário para que esta alma produza facilmente, alegremente o ato de Fé. E mais tarde, já dispondo do uso da razão, o espírito da criança poderá receber a verdade revelada, dela se alimentar e corresponder, pelo ato de Fé: Creio em Deus Pai, etc.
Assim, a criancinha batizada trás em sua alma o gosto pela verdade revelada, a inclinação para esta verdade, a necessidade desta verdade. Desta disposição, deste hábito sobrenatural a senhora fará uma justa idéia comparando-o à disposição, à inclinação natural que tem a criancinha pelo peito de sua mãe. Ela precisa dele, ela o reclama: se o encontra, está bem, se lhe é recusado será sua morte. Do mesmo modo a criança batizada, em virtude de seu batismo, tem fome e sede de ensino cristão; ela quer seu leite, aquele do qual fala o intróito Quasimodo. É aí que está a sua vida, pois o justo vive da fé, diz a Escritura. Com instrução cristã, a criança batizada está praticando atos de fé, a fé que recebeu no seu batismo e que, pondo em prática, desenvolve; toma conhecimento de Deus seu Pai, da Igreja sua Mãe, dos santos do Paraíso que são seus pais e irmãos; exatamente como na ordem natural a criança que a senhora alimenta, sorri primeiro para sua mãe, depois para seu pai, depois para seus irmãos e depois toma conhecimento do mundo exterior e torna-se homem. Por um caminho análogo, porém superior já que sobrenatural, a criança batizada cresce como filho de Deus e de sua Igreja, e torna-se um membro vivo de Jesus Cristo sobre a terra, para ser mais tarde co-herdeiro de seus bens no Céu.
Assim veja, nós que fomos batizados criancinhas, recebemos primeiramente no Batismo a disposição de crer; depois, quando já tínhamos algum raciocínio nos deram a conhecer as verdades da Fé e começamos a praticar o ato de Fé. Deste modo recebemos primeiramente a Fé habitual, em seguida a Fé atual, quer dizer, a Fé que é exercida.
Foi segundo esta economia divina que Deus nos deu a Fé. E a fim de que possa perceber melhor a natureza deste dom, direi como ele chega por um caminho diferente até os adultos que receberam o batismo depois de terem o uso da razão. Preste atenção, porque assim receberá alguma luz sobre o dom da Fé.
Vejamos pois, a obra de um missionário entre os chineses ou os índios da América. Ele fala, não é ouvido.
Fala outra vez, não é ouvido. Ah! aqueles que o escutam não são batizados, são surdos. O padre não diz, tocando-lhes as orelhas: Ephpheta! Abri-vos! como ele disse no nosso Batismo. No entanto, o homem de Deus não desanima; reza, pede a Deus a graça da Fé para seus pobres infelizes, fala de novo. Duas ou três pobres almas parecem escutar com atenção; ele percebe, vai até elas, elas vêem a ele. Deus lhes deu um bom impulso para a Fé. Ah! como é precioso esse impulso; será a salvação dessas almas se forem fiéis; se porém deixarem de lado esta graça, de cujo valor nem desconfiam, será a perdição eterna. Mas elas ouvem com uma atenção incomparável e vão gostando dos ensinamentos que lhes são dados pouco a pouco. Se lhes fosse dada uma luz muito grande, elas recuariam apavoradas; o padre mede os termos, proporciona a alimentação à fraqueza do doente; reza e com a ajuda de Deus, o infiel recebe algumas verdades da Fé; faz um ato de adesão a estas verdades que já conhece; e a medida que faz estes atos cresce nele a disposição de crer. Enfim o infiel está pronto para receber toda a verdade, ele pede a Deus o dom da Fé. Chega o dia do batismo, e Deus lhe dá a graça habitual da Fé pela qual já havia feito alguns atos antes do batismo.
Veja então, como custa ao dom da Fé entrar na alma de um adulto. Alem das dificuldades criadas pelo pecado original, ainda as há resultantes dos pecados pessoais, dos preconceitos da nação, da família, etc. etc. Mas nenhuma destas dificuldades existe com as criancinhas batizadas. A criança recebe a graça do alto antes de ter tocado neste mundo daqui de baixo; e assim nunca poderemos agradecer suficientemente a Deus a graça de termos sido batizados ainda criancinhas.

4 de julho de 2015

Cartas Sobre a Fé - Padre Emmanuel - André.

PRIMEIRA CARTA

A NATUREZA DA FÉ

A senhora leu com muita atenção certo post scriptum do nosso catecismo e pede-me para escrever-lhe umacarta respondendo a uma pergunta: «o que é, pois, a Fé?»
A pergunta é curta, a resposta será longa. Vou lhe escrever uma carta, duas cartas, três cartas e talvez até mais.
Sem mais demora, entro no assunto.
A senhora tem filhos amáveis e amados que Deus lhe deu; e é por causa deles que me pergunta: o que é a Fé? Responderei; e precisamente por eles encontrarei um meio fácil de dizer o que é a Fé.
Note bem: a senhora conhece seus filhos, e sabe que eles são seu filhos, mas a posição deles em relação à senhora não é exatamente a mesma. Pois, se é verdade que eles a conhecem, é preciso convir que eles não têm outro remédio senão acreditar que a senhora é mãe deles. Digo que eles têm de acreditar porque nunca terão a prova de visu deste fato. Foi a senhora quem lhes disse e no que ouviram, creram: eles o receberam com uma confiança perfeita, quase se poderia dizer, cega; pois se uma outra mulher tivesse cuidado deles como a senhora cuidou, e lhes tivesse testemunhado alguma afeição, eles a chamariam mamãe, levados por um impulso natural.
Veja por esse exemplo como crer é natural ao homem, pois ele tem necessidade de crer,primeiramente em seu pai e sua mãe. Nunca sobre esse ponto o homem pode chegar a uma demonstração, ele deve crer. Isto faz parte da ordem natural, e ele crê. É por isto que o homem chama seu pai de pai e sua mãe de mãe.
Assim, os primeiros conhecimentos do homem são conhecimentos não demonstrados mas aceitos com inteira segurança, confiado na palavra do pai e da mãe. A criança viverá muito tempo neste estado, em perfeita segurança, sob a autoridade de seus pais. Diz Santo Agostinho: «É da ordem natural que a autoridade preceda a razão». E adiante: «A autoridade exige a Fé e prepara o homem para a razão».
Quando, mais tarde, a razão da criança estiver formada, ela poderá se basear nela; mas antes disso, é indispensável que o homem creia; é um bem que lhe é necessário, que Deus lhe preparou em sua paternal solicitude, e que o homem recebe sem a menor dificuldade. Ouçamos ainda Santo Agostinho: «Uma coisa é acreditarmos confiados na autoridade, outra na razão. Crer pela autoridade é muito vantajoso e não dá trabalho».
Vê-se assim como a criança está sob a tutela de seus pais. Ela crê naquilo que seus pais sabem; crê, sem demonstração, naquilo de que seus pais têm a demonstração e a evidência. Santo Agostinho diz que é assim na ordem natural, e protegida por esta ordem natural a criança se sente bem e efetivamente está bem. Podemos, pois, dizer agora que, assim como a criança está sob a tutela de seus pais na terra, o cristão está sob a tutela de seu Pai que está no Céu crendo na palavra de Deus como ele crê na palavra de seu pai, e tendo Fé em Deus como tem fé em seu pai. E a senhora poderá então compreender sem dificuldade o que é a Fé.
Chego ao fim a que me propus. A senhora fala a seu filho, ele ouve, ele crê; é a fé humana correspondendo à autoridade humana natural que Deus lhe deu sobre seu filho.
E como o pai na Terra tem autoridade para ensinar a seu filho e pode exigir dele a docilidade, quer dizer a fé, Deus, o Pai dos seres espirituais como diz São Paulo, tem também autoridade para falar às almas, e para exigir delas a fé.
O pai sabe uma porção de coisas que o filho não sabe e que o filho deve crer. Deus sabe também muitas coisas que o homem não sabe, e que deve crer porque Deus disse, quando deu ao homem a honra de lhe falar.
Veja a semelhança. Ela é perfeita e no entanto é preciso notar uma diferença considerável que a senhora verá sem dificuldade. A senhora fala a seu filho, ele acredita no que a senhora diz, é natural. A criança encontra em sua própria natureza tudo que é necessário para crer. A fé que sua palavra exige dele não o eleva acima de sua natureza. Mas quando Deus, o Pai dos seres espirituais, fala à sua criatura, como seu desígnio é eleva-la acima de si mesma e de fazê-la participar, não mais de uma simples verdade natural, e sim de uma verdade de natureza divina, portanto superior à natureza humana, em outros termos, sobrenatural, o homem não encontra mais em sua natureza capacidade suficiente para receber um ensinamento que o excede e que vença a distância de Deus ao homem. Então, se Deus quer que acreditem em sua palavra, é absolutamente necessário que eleve até Ele mesmo, quer dizer sobrenaturalmente, a faculdade natural que o homem tem de crer. E quando Deus concede este benefício ao homem, dizemos que Ele lhe deu a graça da Fé. A senhora compreende agora, porque está dito no princípio do Catecismo que a Fé é um dom de Deus.
Eu creio!

Catecismo Ilustrado - Parte 33

Os Mandamentos

2º Mandamento de Deus: Não invocar o Santo Nome de Deus em vão

1. Deus, neste mandamento, manda-nos honrar o Seu santo nome e proíbe-nos que o profanemos.
2. Podemos honrar o santo Nome de Deus de três modos: pronunciando-O com veneração e respeito, louvando-O, e invocando-O nas nossas aflições.
3. Profana-se o santo nome de Deus de cinco modos: 1º pela irreverência; 2º pelos maus juramentos; 3º pela blasfêmia; 4º rogando pragas; 5º quebrando os votos.
4. O nome de Deus significa aqui a omnipotente e sempiterna majestade de Deus uno e trino, o próprio Deus.
5. Peca-se por irreverência ao santo nome de Deus quando se pronuncia sem respeito ou com desprezo.
6. Jurar é tomar Deus por testemunha do que se afirma ou promete.
7. Quando se jura pelas criaturas, também se toma a Deus por testemunha, porque, como as criaturas são obra de Deus, de certo modo jura-se por Deus, quando se jura pelas suas criaturas.
8. Há duas espécies de juramento, o afirmativo e o promissório. Afirmativo é quando tomamos a Deus por testemunha para confirmar um fato presente ou passado. Promissório, quando prometemos com juramento; fazer ou não fazer uma coisa.
9. Este mandamento não proíbe toda a casta de juramento; somente proíbe o jurar em vão.
10. Juramos em vão quando faltamos aos juramentos ou à verdade, ou à justiça, ou ao juízo.
11. Faltamos à verdade nos nossos juramentos, quando sabemos que é falso, ou ao menos duvidamos se é falso isso que juramos. Aqueles que juram sem intenção de cumprir o que prometem, também juram sem verdade, porque mentem, fazendo crer que têm intenção de cumprir o que prometem, e não têm.
12. Juramos sem justiça quando se juram coisas injustas e más. Quando juramos fazer uma coisa má não estamos obrigados a cumprir o juramento; antes, se o cumpríssemos, faríamos um novo pecado.
13. Falta aos nossos juramentos a seriedade, quando juramos sem que haja necessidade de jurar, ou por coisas vãs e inúteis.
14. O crime de quem jura falso chama-se perjúrio, e o que jura falso chama-se perjuro.
15. As pragas são uma espécie de juramento, se invocamos o nome de Deus, ou clara, ou indiretamente; de outro modo não o são; mas rogar pragas é sempre pecado, porque as pragas são imprecações sempre contrárias à caridade.
16. O juramento falso é um grande pecado, porque jurando assim fazemos a Deus uma injúria gravíssima, tomando-o por testemunha duma mentira.
17. Fazer juramentos é permitido nas circunstâncias graves, como quando formos chamados à Justiça. Então o juramento deve fazer-se com profundo respeito, isto é, com intenção de honrar a Deus como sendo a mesma verdade.
18. Quando prometemos alguma coisa com juramento, estamos duplamente obrigados por justiça, porque é um dever de justiça cumprir o prometido; estamos obrigados por religião, porque é um dever de religião cumprir o que foi prometido com juramento.

Explicação da gravura

19. A parte superior representa São Pedro no pátio de Caifás, negando a Jesus diante dos soldados e dos criados, afirmando com juramento que não conhecia aquele homem.
20. A parte inferior direita representa Esaú jurando em vão sem necessidade, e cedendo assim o seu direito de primogênito (o morgado) a Jacob por um prato de lentilhas que este tinha guisado.
21. Na parte inferior esquerda vêem-se sete homens crucificados por causa dum juramento violado por Saul, que matou os Gabaonitas contrariamente à promessa e ao juramento de Josué, quando tomara posse da terra de Canaã. 

3 de julho de 2015

Cartas Sobre FÉ - Padre Emmanuel - André.

Apostolado Sociedade Católica

Cartas Sobre a Fé

LIVRO DE PE. EMMANUEL-ANDRÉ

INTRODUÇÃO

Em nosso século (XIX), falou-se e fala-se muito de «instrução» e mesmo de «instrução pública», assim como de «instrução obrigatória».
Mas há um ponto essencial sobre o qual o mais freqüente é não ter ele merecido mais do que uma atenção superficial. Não se indaga, antes de tudo, a quem se teria de ensinar.
Isso no entanto valeria a pena, pois geralmente, senão universalmente, as pessoas a quem devemos ensinar são pessoas batizadas.
Pessoas batizadas! O que quer isto dizer? Quer dizer que uma criança batizada, tendo recebido de Deus na ocasião de seu batismo graças que modificaram poderosamente as condições de sua inteligência, é preciso ter este fato em consideração quando se deseja falar a essa inteligência assim modificada. Deus tendo pelo batismo incutido na alma da criança o «hábito» da fé, daí decorre infalivelmente esta alma ter uma inclinação muito forte para as verdades da fé e uma necessidade premente de recebê-las para assimila-las, nutrir-se delas e passar, na fé, do hábito ao ato.
E esta deve ser a regra invariável da instrução, seja na família, seja nas escolas, não importa quão superiores ou famosas elas sejam.
O cristão é sempre cristão, o batizado sempre um batizado; e sempre um filho de Deus aspira conhecer seu Pai que está nos Céus.
Se antes de tudo entregarem à criança o alimento que ela reclama, verão sua inteligência, se bem que ainda em plena aurora, regozijar-se com uma alegria maravilhosa e logo depois desenvolver-se e desabrochar. Pois se o homem terrestre vive de pão, o homem inteligente e cristão vive da verdade. Se, ao contrário, pouco se preocupando com as várias necessidades da criança, não tiverem para entregar-lhe senão frias nomenclaturas ou definições gramaticais, que ela não compreenderá senão dez anos mais tarde, ou talvez nunca, acontecerá infalivelmente isto: enganada no que almeja, frustrada em suas aspirações mais legítimas e mais santas, a inteligência da criança se entorpecerá, se estiolará; e, acometida de uma espécie de tísica sui generis, ela forçará os senhores professores das escolas primárias a constatar que o nível intelectual vai sempre baixando. Isso é notório, infelizmente. Pode-se saber ler e escrever. Mas não se sabe nem pensar o que se escreve, nem julgar o que se lê. Verdadeira carência intelectual. Mães cristãs, querem evitar semelhantes desgraças a seus filhos queridos? Trabalhem para consegui lo.
Nós lhes ajudaremos. De início diremos que há três maneiras ou métodos de ensinar religião:
- O primeiro seria o método que iria de sua memória à memória de seu filho;
- O segundo que se originaria de sua inteligência indo à inteligência dele;
- O terceiro, enfim, de sua fé à fé dele.
O primeiro método reina em muitas escolas, o segundo igualmente; o terceiro é hoje o privilégio quase exclusivo, e grande honra, das mães cristãs.
O método que nós chamamos «da memória» é um método fácil. Hoje se deseja que tudo seja fácil; mas sem dúvida este é o método necessário para a instrução do animal. Há animais ensinados. Aplicado ao cristão, este método é consideravelmente depreciativo para sua alma. Para o cristão, o espírito é o ponto importante da alma, é a sua cidadela interior. É onde deve reinar a verdade: agora pela fé, no Céu pela visão de Deus. É, portanto, ao espírito da criança que é preciso visar. Se se dirigirem só à sua memória; se ensinarem à criança o Catecismo como ensinam a Gramática; se fizerem recitar a História Sagrada igual a Geografia, podem não ter feito mais do que constatar se sua memória reteve fielmente o que leu no livro. Terão praticado grande dano a seu espírito que, não recebendo o alimento e o estímulo que lhe são indispensáveis, se abaterá e cairá de inanição.
O segundo método é muito superior ao precedente, ao menos vai de inteligência a inteligência. Uma pessoa que sabe, dirige-se à criança para ensinar-lhe. Este segundo método força a inteligência da criança a trabalhar e a habitua a raciocinar e lhe faz sentir o poder de uma demonstração. Com tudo isso, porém, este método não poderá fazer senão pessoas instruídas, pois não atende a todas as necessidades de um batizado. Se à força de querer ensinar ciência ao aluno esquecerem as aspirações de sua alma cristã; se não trabalharem para vivificar a fé de seu batismo, os tesouros depositados na alma pelo Batismo, pela Confirmação, pela Eucaristia irão se consumindo e um dia, finalmente, o homem que foi instruído por vocês deixará de crer. Não se diz que muitos homens perderam a fé estudando, e até estudando teologia?
Portanto, embora este método possa produzir eruditos, é insuficiente, pois não forma crentes. Se o primeiro método prejudica a inteligência, o segundo prejudica a fé.
Precisam então, ó mães cristãs, sem negligenciar a memória, sem negligenciar todos os recursos de suas inteligências e da de seus filhos, precisam de um método mais poderoso, mais seguro, mais adaptado ao fim a que se propõem. Será o método que vai direto, já dissemos, da sua fé à fé de seu filho. Sua inteligência de batizado reclama algo que todos os livros do mundo não lhe poderiam dar. «A letra mata», diz São Paulo, em sua linguagem divinamente enérgica. A esta querida alma batizada é preciso fazer compreender aquilo que o mesmo São Paulo chama de «verbum fidei», a palavra da fé. Um hebraísmo, é verdade, mas que em português quer dizer: A fé falada. A fé falada! Sim, eis aí, mãe cristã, o leite espiritual que seu filho pede. Dê-lhe, seja mãe por inteiro e não babá. A criança pede em primeiro lugar a palavra e não o livro, o livro virá a seu tempo. Mas se crerem, ó mães, falem de sua fé aos seus filhos; eles são batizados e portanto aptos a lhes escutar; eles acreditarão, pela graça de seu batismo e sua alma dirá: «Tenho meu pão, eu vivo».

2 de julho de 2015

CURSO DE LATIM EM CURITIBA - 27-31 DE JULHO

CURSO DE LATIM VIVO
Prof. Me. Nathan Freeman

Do dia 27 ao dia 31 de julho em Curitiba, na Universidade Positivo, campus da Praça Osório, o Prof. Nathan Freeman, mestre em estudos clássicos pela Universidade de Kentucky, ministrará um curso de latim segundo o método natural de aprendizado, isto é, conforme o processo natural de alfabetização, em que se aprende a falar o idioma antes do próprio estudo da gramática. Tal iniciação à lingua muito facilita o subseqüente estudo da gramática.


Período: 27 a 31 de julho de 2015 (de 2ª a 6ª feira).
Turnos: Manhã / Noite.
Turmas: 2 (duas) turmas de 15 alunos, mais 2 vagas/turno destinadas à Universidade Positivo.
Carga horária: 3 horas por dia (e por turno).
Professor: Nathan Freeman, M.A., americano de 34 anos.
Local: Universidade Positivo Campus Osório (Praça Osório) – Curitiba-PR.
Livro: Lingua Latina per se illustrata, de Hans H. Ørberg.
Investimento: R$ 310,00
Informações/Inscrições: walmor.grade@gmail.com 

Observações:

- O livro Lingua Latina per se illustrta, de Hans H. Ørberg, a ser utilizado no curso, pode ser baixado em PDF de https://saprinaea.files.wordpress.com/2012/12/oerberg_familia_romana_ocr1.pdf ;
- Neste 1º módulo serão estudados 12 capítulos do livro Língua Latina, cujas 94 páginas iniciais podem ser copiadas, separadamente do livro, ao custo de R$18,00 (encadernação BINDER) ou por R$ 10,00 (cópias xerox + encadernação em espiral);
- Garanta sua vaga o quanto antes;
- Para se inscrever informe: Nome/Turno e se deseja (qual) cópia dos 12 capítulos do livro.

A Esmola - Padre André Beltrami.

CAPITULO XV

VARIAS ESPECIES DE ESMOLAS

O nome de esmola abraça todas as obras de misericórdia e espirituais e corporais. A Igreja enumera sete obras de caridade que dizem respeito ao corpo e sete ao espírito.
As corporais: Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; visitar os enfermos e encarcerados; remir os cativos; enterrar os mortos.
As espirituais são: Dar bom conselho; ensinar os ignorantes; castigar os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do próximo; rogar a Deus pelos vivos e defuntos.
Há ainda os hospitais, as obras pias, os orfanatos, as missões a socorrer; e quem dá.dinheiro e roupa para sustentar as benéficas instituições pratica todas ou quase todas as obras de misericórdia, por quanto aí os infelizes recebem remédios, alimento, vestuário e tudo de quanto necessitam.
Colégios fundados para abrigar órfãos ou crianças abandonadas com o fim de adestrá-los em alguma arte ou oficio, merecem também ser ajudados com a esmola. Jesus ama extremamente os meninos; e quem os acolhe para educá- los e instrui-los terá os seus favores mais escolhidos. Quantos jovens têm êxito esplêndido e tornam-se úteis á sociedade; ao passo que, se não fossem internados num colégio permaneceriam no ócio e na miséria.
O jovem Hildebrando, filho dum pobre carpinteiro, tornou-se um Gregório VII, talvez o mais heroico dos pontífices antigos.
Giotto, socorrido por Cimabue, tornou-se de pastorzinho um excelente pintor.
Canóva, de modelador um escultor de nomeada, com o auxílio do senador João Fallieri.
O Papa Xisto V era filho de pobres pais que o encarregaram de vigiar a grei; mas um franciscano descobriu o seu engenho, fê-lo estudar e o jovem correspondeu com fidelidade. Ordenou-se, foi elevado à púrpura cardinalícia e finalmente eleito Papa, desenvolvendo uma atividade maravilhosa, compreendida no seu mote favorito: «Morrer em pé:..>>.
S. Pedro Damião deveu também a sua grandeza a um parente que lhe custeou os estudos.
O célebre orador Massillon foi ajudado pela caridade dos fiéis, pela qual pode fazer os seus estudos e tornar-se um dos príncipes da arte oratória.
O rico que socorre as obras pias, encontrará na outra vida uma roesse abundante de obras santas. Entrando no céu, será recebido por numerosas almas que o saudarão como seu benfeitor.
- « Nós somos:., dir-lhe-ão alguns,radiantes de alegria, « órfãos que fomos acolhidos no colégio mantido com vossas esmolas».« Nós somos" exclamarão outros, «selvagens da África e a Oceania, que fomos instruídos e batizados por missionários enviados com os vossos abundantes socorros, para tirarmos das trevas da idolatria. A vós devemos a nossa glória eterna"·
E todas aquelas almas formarão o seu júbilo e a sua coroa por todos os séculos. Então ele bendirá a caridade feita e entoará um hino de perene agradecimento ao Altíssimo, que lhe outorgou a graça de converter as riquezas terrenas em riquezas  imarcescíveis do céu.
Concluamos. No leito de morte devemos abandonar tudo e separar-nos do nosso dinheiro; há, porém, um meio de levá-lo além da sepultura e achá-lo multiplicado na outra vida: Dá-lo aos pobres e ás instituições de caridade.
Quando um rico emigra para a América. vende os seus bens e o valor. o deposita em algum banco celebre de Paris ou de Londres, levando consigo um recibo mediante o qual, chegando ao Novo Continente, lhe dão o mesmo valor em outro banco em correspondência com o primeiro. E nisto usa prudência finíssima , porque se levasse consigo o dinheiro equivalente poderia ser roubado.
A vida presente é uma viagem para a eternidade. O rico que deseja encontrar os seus bens na cidade do paraíso, dê-os aos pobres, que são os banqueiros do Senhor.
A esmola é o banco mais vantajoso e inflivel  que dá cem por um mundo e a glória eterna no Céu. · 

Catecismo Ilustrado - Parte 32

Os Mandamentos

1º Mandamento (continuação): Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas

1. Os principais pecados opostos à virtude da religião e ao culto devido a Deus são: A idolatria ou adoração aos ídolos, e impiedade ou irreligião, a superstição, o sacrilégio e todas as falsas religiões.
2. A idolatria consiste em dar às criaturas o culto supremo que só a Deus é devido.
3. Comete-se o pecado de impiedade ou irreligião quando se trata com desprezo ou indiferença os deveres do cristão, quando se profanam as coisas santas, e quando se mete a ridículo a religião e os seus ministros.
4. A superstição consiste em dar a Deus um culto que não Lhe é devido, ou vicioso por excesso. As principais superstições são três: a 1º é dar culto a Deus por coisas ridículas, em que Deus não pode ter glória; a 2º é considerar mau presságio por coisas que não têm conexão com o que tememos; a 3º querer adivinhar o Futuro observando certos sinais que não podem ter conexão com ele.
5. O sacrilégio é a profanação das coisas santificadas. Entendemos por coisas santificadas as que são especialmente consagradas a Deus; tais são: os templos, os vasos e ornamentos sagrados, os eclesiásticos, as virgens dedicadas a Deus, as coisas prometidas com votos; e outras semelhantes.
6. Há três espécies de sacrilégio: pessoal, local e real. Quando se ofende a santidade dos ministros de Jesus Cristo enquanto são consagrados a Deus, o sacrilégio é pessoal. O sacrilégio local é aquele com que se faz injúria a qualquer lugar sagrado com criminoso derramamento de sangue, com incêndio, com furto e com qualquer exercício profano. O sacrilégio real consiste na profanação ou violação de qualquer coisa sagrada.
7. As coisas sagradas profanam-se de três modos: 1º recebendo ou administrando os sacramentos em pecado mortal ou fazendo deles mau uso; 2º tratando sem reverência os vasos sagrados ou empregando-os para uso profano; 3º ultrajando as relíquias e imagens sagradas.
8. Na seguinte passagem do Evangelho vemos a Jesus expulsando os vendilhões do templo, porque cometiam um sacrilégio. Diz São João: “Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou, no templo, vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados às suas mesas. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo, e com eles as ovelhas e os bois, deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou as suas mesas. Aos que vendiam pombas disse: “Tirai isto daqui, não façais da casa de Meu Pai casa de comércio”. Então lembraram-se os Seus discípulos do que está escrito: “O zelo da Tua casa Me consome”.” (João II, 12-17)

Explicação da gravura

9. Exemplo de idolatria: adoração do bezerro de ouro. Subiu Moisés ao monte aonde Deus o chamou para dar-lhe a Lei. Aí ficou quarenta dias e quarenta noites; depois o Senhor deu-lhe as duas tábuas sobre as quais estavam gravados os mandamentos. Enquanto Moisés estava no monte o povo disse a Aarão: “Não sabemos o que é feito de Moisés; fazei-nos deuses como os dos Egípcios”. Para afastar o povo desta impiedade, Aarão disse: “Trazei-me os brincos de vossas mulheres e filhas”. Contra a sua expectativa, trouxeram-lhe todas as joias, e não ousando resistir, Aarão fundiu-as e formou um bezerro de ouro, ao qual os israelitas ofereceram sacrifícios, tocando e dançando à moda dos pagãos. Vendo isso Moisés, ao descer do monte, irou-se grandemente, e arremessou a terra as duas tábuas, as quebrou. Depois reduziu a pó o bezerro, e mandou os levitas matar quantos encontrassem adorando os ídolos.
10. Exemplo de sacrilégio na parte inferior esquerda. Vê-se Heliodoro, general do rei da Síria, que, querendo roubar o tesouro do templo de Jerusalém, foi atacado por um cavalheiro misterioso que o maltratou, aparecendo-lhe ao mesmo tempo dois anjos que o açoitaram fortemente e o deixaram meio morto.
11. Cometeu Saul um pecado de superstição quando foi consultar a feiticeira de Endor. Deus permitiu que lhe aparecesse Samuel, que lhe disse: “Amanhã morrerás na batalha”. Vê-se representado o fato na parte inferior direita.