Atônita a Alma por tanto benefício, dá graças a Jesus Sacramentado.
Ó altitude da Divina Sabedoria! Ó profundidade dos divinos juízos! Que é isto, Senhor, que fazeis com este verme da terra, com este vilíssimo pó e cinza? Vós, em meu coração? Vós, em minhas entranhas? Atônita ficou a Mãe de Vosso Precursor, só por ver entrar em sua casa Vosa Santíssima Mãe. Pois que direi eu, agora, vendo-Vos, a Vós Que sois Seu Filho e meu Criador, não em minha casa, mas encerrado dentro de meu peito? O Batista deu saltos de prazer à Vossa vita e presença, e não teve, como eu, a dita de ver Vossa divina face, nem abrasar-se com Vosso adorável Corpo. E se ele, com as ânsias de ver-Vos, queria rompar as prisões do materno claustro, que o detinham, que faria se Vos visse, como eu, dentro de seu coração prisioneiro?
Pasmaram, naqueles séculos, de ver um rei faraó sentar em seu trono um José; de ver um rei Assuero prometer a metade de seu reino a Ester. Pois que direi eu, agora, ó Rei dos reis, vendo que me entronizais em Vosso peito, que me vestis com a púrpura de Vossa Carne, e que me prometeis, ó Grão Monarca, não parte de Vosso Reino, senão Vós mesmo? Ah! coração feliz! Que cifras são essas do divino amor, que eu leio dentro de ti? Que livro é este, todo escrito com caracteres do Sangue vivo do Divino Cordeiro, Que só Ele selou, e só o pode abrir? Eu, Senhor, não entendo estes enigmas de Vossa Sabedoria: dai-me Vós a conhecer este arcano de Vosso amor. Ensinai-me como viveis dentro do peito de Vosso Eterno Pai, e como viveis agora dentro de mim. Como, não cabendo nos Céus, cabeis em mim. Como, sendo limitados para hospedar-Vos infinitos mundos, alojai-Vos dentro de mim.
Não bastava, ó Divino Amante, terdes-me infundido esta Alma com o alento de Vosso Soberano Espírito, senão virdes também agora lavá-la nas fontes de fosso Sangue? Não bastava ter-me dado o ser humano, fazendo-me, do nada, homem, senão virdes também a dar-me Vosso ser divino, elevando-me a ser Deus? Tão bem vos foi, Senhor, unir-Vos a uma natureza mortal, na qual não experimentastes mais que tormentos, dores e agravos? Ainda voltais ao mundo, Sacramentado, para incorporar-vos neste coração, que não pode dar-Vos mais que fel, e crucificar-Vos mil vezes?
Ah! Deus de amor! Ainda vindes conversar com esta criatura ingrata? Ainda há de meter con'Vosco a mão no prato este traidor, e comer Vosso Pão este desleal? Por que, meu Jesus, Vos fiais ainda de mim, que tantas vezes Vos hei ofendido? Já Vos esquecestes de quem sou eu, e dos agravos que Vos fiz, porque, ao invés de fugir de mim, vindes morar dentro de mim? Ó Bondade! Ó Paciência infinita! Agora, pois, adorado Jesus meu, Vós, Que sois a Divina Palavra, dizei-Vos a Vós mesmo o que não pode nem sabe dizer minha rudeza. Exaltai-Vos, Senhor, a Vós mesmo, por estes excessos de Vosso amor, que eu, à vista de tantos benefícios, só posso confundir-me em minhas misérias, e cantar para sempre vossas misericórdias.
Mostrando postagens com marcador Colóquio entre a Alma e Jesus Sacramentado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colóquio entre a Alma e Jesus Sacramentado. Mostrar todas as postagens
12 de janeiro de 2010
11 de janeiro de 2010
Terceiro colóquio entre a Alma e Jesus Sacramentado, para recolher-se antes e após a Comunhão
Mostra Jesus à Alma o imenso favor de dar-lhe Seu Corpo Sacramentado
Só Eu, ó Alma querida, Que sou a Sabedoria incriada, posso compreender o imenso do favor que agora de fiz, vindo a teu peito, Sacramentado. Não o entendem perfeitamente os mais elevados Querubins, pasmam todas as Hierarquias Angélicas, admiram-se todos os Bem-Aventurados, vendo Minha Majestade infinita hospedada dentro de ti. É verdade que, em Minha Encarnação, entrei no seio de uma criatura, Que me deu Sua substância, mas era A mais pura Que criou nem criará Minha Onipotência. Porém, agora, que excessos são estes que faço por ti, ó Alma ingrata? Encarnei em teu coração, para dar-te Minha substância, para unir-te à Minha Divindade, de maneira que, se Eu, sendo Deus, fiz-Me homem, tu, sendo homem, fiques Deus. É verdade que, em Meu nascimento, estava recostado sobre palhas, quando, no Céu, pisava estrelas, e que estava acompanhado de animais, quando Me cortejavam os Serafins. Mas agora, em teu albergue, não acho mais que horrores, não vejo mais que feiuras. Ah! coração humano! Entendes esses segredos do Meu amor? Conheces O Que agora Se encerra e deposita dentro de ti? Recolhe-te um pouco dentro de Mim, e escuta Minha voz, que só na solidão das criaturas pode ser entendida Minha palavra.
Aqui tens, ó Alma, no breve círculo d'Esta Hóstia, resumida toda a Minha grandeza. Aqui tens tudo quanto Eu dou, na glória, aos Bem-Aventurados; e, se eles, lá, veem descoberto o Meu rosto, esse mesmo to mostro aqui, embora oculto, porque assim convém ao teu estado. Tu és agora o Céu Empíreo de Minha morada. Aqui está contigo a natureza d'Aquele Pai Que Me gerou, Imortal, e a carne d'Aquela Mãe Que Me concebeu, passível. Aqui está contigo Aquele Divino Espírito, Que, por essência, é amor, por Cuja virtude tomei Eu a natureza de homem, para redimir-te, e agora tomo as espécies de pão, para alimentar-te.
Que mais queres de Mim? Que mais desejas? Aqui Me tens Sacramentado como Deus e como homem. Minha humanidade, que Eu, uma só vez, uni ao Divino Verbo, aqui está, também, unida e incorporada contigo. Aqui Me tens recém-nascido, morto e também ressuscitado. Nasci de novo sobre um Altar, morri outra vez sobre uma Ara, esgotei todo Meu Sangue sobre um Cálice, e, para glorificar-te, venho, também, glorioso, aqui n'Este Sacramento. Aqui vês Minha cabeça coroada já de resplendores, que tua soberba coroou de espinhos. Aqui tens Meus olhos, não obscurecido com o Sangue, mas brilhantes mais que o sol. Aqui tens Minha boca, não cheia de amargura com o fel, mas mais suave que o néctar. Aqui tens Meu peito, fonte de todas as delícias; este é o que transpassou a lança de tua ingratidão; agora o abre para ti o fogo do Meu amor.
Ah! coração humano, ainda te vejo inquieto e ansioso por vaguear pelas criaturas! Sai, pois, deste peito, e busca, entre elas, os verdadeiros contentos. Senta-te nos tronos mais majestosos, passeia pelos jardins mais floridos, recreia-te nos prados mais amenos, diverte-te nos teatros mais alegres, entra nos minerais mais preciosos, e come nas mesas mais esplêndidas. Diz-Me, pois, encontrastes, aqui, a verdadeira paz e alegria? Ah! que de certo me dirás que nenhum bem limitado pode encher a medida de tua capacidade! Uma só lágrima de devoção, um só sentimento de Meu amor, um mínimo favor que Eu te comunico te deixa mais satisfeito que todo um mundo. Como, pois, te voltas às miseráveis criaturas? Como não ardes num incêndio, dentro deste palácio de amor? Uma só vez te estreito em Meu peito, uma só vez que tu comes a Carne e bebes o Sangue de um Deus-Homem, era bastante para mudar-te num novo homem. Aqueles em quem Eu só punha Meus olhos, aqueles que só tocavam minhas vestiduras, fizeram mudanças grandes no mundo, e, agora, Eu inteiro não basto para fazer-te mudar de vida? Aqui Me tens Sacramentado, em todas as formas e estados que Me quiseres. Menino, para esquecer-Me de tuas ingratidões; homem, para animar tuas fraquezas; Rei, para perdoar-te; alimento, para teu regalo; vivo, para que Me acompanhes; e morto, para que te compadeças de Mim.
Só Eu, ó Alma querida, Que sou a Sabedoria incriada, posso compreender o imenso do favor que agora de fiz, vindo a teu peito, Sacramentado. Não o entendem perfeitamente os mais elevados Querubins, pasmam todas as Hierarquias Angélicas, admiram-se todos os Bem-Aventurados, vendo Minha Majestade infinita hospedada dentro de ti. É verdade que, em Minha Encarnação, entrei no seio de uma criatura, Que me deu Sua substância, mas era A mais pura Que criou nem criará Minha Onipotência. Porém, agora, que excessos são estes que faço por ti, ó Alma ingrata? Encarnei em teu coração, para dar-te Minha substância, para unir-te à Minha Divindade, de maneira que, se Eu, sendo Deus, fiz-Me homem, tu, sendo homem, fiques Deus. É verdade que, em Meu nascimento, estava recostado sobre palhas, quando, no Céu, pisava estrelas, e que estava acompanhado de animais, quando Me cortejavam os Serafins. Mas agora, em teu albergue, não acho mais que horrores, não vejo mais que feiuras. Ah! coração humano! Entendes esses segredos do Meu amor? Conheces O Que agora Se encerra e deposita dentro de ti? Recolhe-te um pouco dentro de Mim, e escuta Minha voz, que só na solidão das criaturas pode ser entendida Minha palavra.
Aqui tens, ó Alma, no breve círculo d'Esta Hóstia, resumida toda a Minha grandeza. Aqui tens tudo quanto Eu dou, na glória, aos Bem-Aventurados; e, se eles, lá, veem descoberto o Meu rosto, esse mesmo to mostro aqui, embora oculto, porque assim convém ao teu estado. Tu és agora o Céu Empíreo de Minha morada. Aqui está contigo a natureza d'Aquele Pai Que Me gerou, Imortal, e a carne d'Aquela Mãe Que Me concebeu, passível. Aqui está contigo Aquele Divino Espírito, Que, por essência, é amor, por Cuja virtude tomei Eu a natureza de homem, para redimir-te, e agora tomo as espécies de pão, para alimentar-te.
Que mais queres de Mim? Que mais desejas? Aqui Me tens Sacramentado como Deus e como homem. Minha humanidade, que Eu, uma só vez, uni ao Divino Verbo, aqui está, também, unida e incorporada contigo. Aqui Me tens recém-nascido, morto e também ressuscitado. Nasci de novo sobre um Altar, morri outra vez sobre uma Ara, esgotei todo Meu Sangue sobre um Cálice, e, para glorificar-te, venho, também, glorioso, aqui n'Este Sacramento. Aqui vês Minha cabeça coroada já de resplendores, que tua soberba coroou de espinhos. Aqui tens Meus olhos, não obscurecido com o Sangue, mas brilhantes mais que o sol. Aqui tens Minha boca, não cheia de amargura com o fel, mas mais suave que o néctar. Aqui tens Meu peito, fonte de todas as delícias; este é o que transpassou a lança de tua ingratidão; agora o abre para ti o fogo do Meu amor.
Ah! coração humano, ainda te vejo inquieto e ansioso por vaguear pelas criaturas! Sai, pois, deste peito, e busca, entre elas, os verdadeiros contentos. Senta-te nos tronos mais majestosos, passeia pelos jardins mais floridos, recreia-te nos prados mais amenos, diverte-te nos teatros mais alegres, entra nos minerais mais preciosos, e come nas mesas mais esplêndidas. Diz-Me, pois, encontrastes, aqui, a verdadeira paz e alegria? Ah! que de certo me dirás que nenhum bem limitado pode encher a medida de tua capacidade! Uma só lágrima de devoção, um só sentimento de Meu amor, um mínimo favor que Eu te comunico te deixa mais satisfeito que todo um mundo. Como, pois, te voltas às miseráveis criaturas? Como não ardes num incêndio, dentro deste palácio de amor? Uma só vez te estreito em Meu peito, uma só vez que tu comes a Carne e bebes o Sangue de um Deus-Homem, era bastante para mudar-te num novo homem. Aqueles em quem Eu só punha Meus olhos, aqueles que só tocavam minhas vestiduras, fizeram mudanças grandes no mundo, e, agora, Eu inteiro não basto para fazer-te mudar de vida? Aqui Me tens Sacramentado, em todas as formas e estados que Me quiseres. Menino, para esquecer-Me de tuas ingratidões; homem, para animar tuas fraquezas; Rei, para perdoar-te; alimento, para teu regalo; vivo, para que Me acompanhes; e morto, para que te compadeças de Mim.
10 de janeiro de 2010
Segundo colóquio entre a Alma e Jesus Sacramentado, para recolher-se antes e após a Comunhão
Desfaz-se de amor a Alma, em desejos de receber o Corpo de Jesus. Mas, temeroso, confunde-se no próprio conhecimento.
Ah! Deus de amor, Deus de Majestade! Este meu coração arde em vivos desejos de receber-Vos dentro de mim. Vive faminto d'Esse Pão Vivo. Ó Sacramento inefável, alimento de minha vida! Aqui estou, para transformar-me em Vós, e, não sei se digo, para converter-Vos em mim. Que faz me coração, que não voa, que não se desfaz para unir-se con'Vosco, Que sois sua fonte, seu último fim e seu único e sumo bem? Ó Deus escondido! Eu sinto Vossa viva presença, porém, não vejo a beleza que me arrebata. Eu sei Quem me fere o coração, mas não vejo o dardo que o trespassa. Ó doce encanto! Ó celestial enigma! Quando Vos descobrireis a meus olhos? Quando deixareis de atormentar esses meus sentidos? Mas, que digo? Não peço isso, Senhor, não quero ver nem saber esse segredo de Vosso amor. A Fé viva com que o creio me basta, Vossas trevas são minha luz e Vossa escuridão é minha evidência.
Mas que dureza é esta, deste meu ingrato coração? Meu Criador vem buscar-me para dar-me vida, quer me alimentar com Sua Carne e Sangue, e oferece-me Seu peito, para que descanse nele. E eu, com que disposição estou aqui para recebê-l'O? Onde estão as lágrimas e os suspiros por ter desprezado tantas vezes Esse bem infinito, e ofendido tão ingratamente Esse Divino Amante? Eu bem conheço, Senhor, que, se me privo d'Esse Divino alimento, pereço de fome. Mas também temo que os Anjos, que não são puros à Vossa vista, castiguem minha temeridade. Receio que Vossa Puríssima Mãe, vendo a fealdade de minhas culpas, e que chego tão imundo a receber em meu peito o mesmo que Ela hospedou em Suas entranhas, zelando a grandeza de Vossa Majestade, aparte-me de Vossos pés.
Mas, Senhor, já me animo a oferecer-Vos este pobre e gélido coração, pois me lembro de que Essa Senhora reclinou-Vos num presépio pobre, quando nasceste, e viu-Vos morrer no duro madeiro da Cruz. N'Esse Sacramento, ó meu Jesus, considero-Vos recém-nascido, e morto por meu amor. Duma e doutra forma, vindes a mim n'Essas Espécies Sacramentais. Vindes Menino, não envolto em pobres panos, mas coberto de frágeis acidentes. Vindes Homem, não cravado numa Cruz, mas Sacrificado num Altar por meu amor. Vindes, pois, ó Real Infante, ao pobre e desabrigado portal desta Alma, onde já não estranhareis nem a frieza de meus afetos, nem o áspero feno de minha vaidade, pois soubestes nascer entre palhas e morrer coroado de espinhos.
Prostrado também a Vossos pés, ó Rainha Soberana dos Céus, recorro à Vossa generosa clemência. Meu criador e Vosso Filho me convida, agora, ao Real Divino banquete de Seu Corpo e Sangue. E o que mais enternece meu tíbio coração é dizer-me que, dando-me a comer Sua Carne e a beber Seu Sangue, dá-me também o d'Aquela, com que O destes o ser humano. Purificai, pois, ó Senhora, meus lábios, com a viva brasa de Vosso amor! Incendiai este coração nas chamas duma ardente caridade, e submergi-me todo num mar de lágrimas e de dor, por vir tão pobre e tão desnutrido a Esta Divina Mesa do Sacramento.
Ah! Deus de amor, Deus de Majestade! Este meu coração arde em vivos desejos de receber-Vos dentro de mim. Vive faminto d'Esse Pão Vivo. Ó Sacramento inefável, alimento de minha vida! Aqui estou, para transformar-me em Vós, e, não sei se digo, para converter-Vos em mim. Que faz me coração, que não voa, que não se desfaz para unir-se con'Vosco, Que sois sua fonte, seu último fim e seu único e sumo bem? Ó Deus escondido! Eu sinto Vossa viva presença, porém, não vejo a beleza que me arrebata. Eu sei Quem me fere o coração, mas não vejo o dardo que o trespassa. Ó doce encanto! Ó celestial enigma! Quando Vos descobrireis a meus olhos? Quando deixareis de atormentar esses meus sentidos? Mas, que digo? Não peço isso, Senhor, não quero ver nem saber esse segredo de Vosso amor. A Fé viva com que o creio me basta, Vossas trevas são minha luz e Vossa escuridão é minha evidência.
Mas que dureza é esta, deste meu ingrato coração? Meu Criador vem buscar-me para dar-me vida, quer me alimentar com Sua Carne e Sangue, e oferece-me Seu peito, para que descanse nele. E eu, com que disposição estou aqui para recebê-l'O? Onde estão as lágrimas e os suspiros por ter desprezado tantas vezes Esse bem infinito, e ofendido tão ingratamente Esse Divino Amante? Eu bem conheço, Senhor, que, se me privo d'Esse Divino alimento, pereço de fome. Mas também temo que os Anjos, que não são puros à Vossa vista, castiguem minha temeridade. Receio que Vossa Puríssima Mãe, vendo a fealdade de minhas culpas, e que chego tão imundo a receber em meu peito o mesmo que Ela hospedou em Suas entranhas, zelando a grandeza de Vossa Majestade, aparte-me de Vossos pés.
Mas, Senhor, já me animo a oferecer-Vos este pobre e gélido coração, pois me lembro de que Essa Senhora reclinou-Vos num presépio pobre, quando nasceste, e viu-Vos morrer no duro madeiro da Cruz. N'Esse Sacramento, ó meu Jesus, considero-Vos recém-nascido, e morto por meu amor. Duma e doutra forma, vindes a mim n'Essas Espécies Sacramentais. Vindes Menino, não envolto em pobres panos, mas coberto de frágeis acidentes. Vindes Homem, não cravado numa Cruz, mas Sacrificado num Altar por meu amor. Vindes, pois, ó Real Infante, ao pobre e desabrigado portal desta Alma, onde já não estranhareis nem a frieza de meus afetos, nem o áspero feno de minha vaidade, pois soubestes nascer entre palhas e morrer coroado de espinhos.
Prostrado também a Vossos pés, ó Rainha Soberana dos Céus, recorro à Vossa generosa clemência. Meu criador e Vosso Filho me convida, agora, ao Real Divino banquete de Seu Corpo e Sangue. E o que mais enternece meu tíbio coração é dizer-me que, dando-me a comer Sua Carne e a beber Seu Sangue, dá-me também o d'Aquela, com que O destes o ser humano. Purificai, pois, ó Senhora, meus lábios, com a viva brasa de Vosso amor! Incendiai este coração nas chamas duma ardente caridade, e submergi-me todo num mar de lágrimas e de dor, por vir tão pobre e tão desnutrido a Esta Divina Mesa do Sacramento.
9 de janeiro de 2010
Primeiro colóquio entre a Alma e Jesus Sacramentado, para recolher-se antes e após a Comunhão
Jesus convida a Alma ao delicioso banquete de Seu Corpo.
Eu, Rei Supremo, preparei e dispus uma esplêndida Ceia para Meus convidados, na Qual não lhes dou outro manjar que Minha Carne, nem outra bebida que Meu Sangue. Vem, pois, ó Alma querida, a Este Meu real convívio, e, se uns se escusam por umas poucas folhas da vinha de seus apetites e outros pelos brutais desejos de seus deleites, não sejas tu do número dos néscios. Olha bem, que nada fere tanto Meu coração quanto ver tantos ingratos ao Meu amoroso e cortês convite. (Continua)
Senta-te, pois, co'Migo nesta mesa. Vês Este Pão? Que conceito forma d'Ele o teu entendimento? Deixas-te, porventura, enganar pelos teus sentidos, porque O vês coberdo por Esses frágeis acidentes? Digo-te, pois, de verdade, que Esta é a Minha Carne viva, e Este é o Meu Sangue puríssimo. Eu desejo viver contigo a mesma vida, encerrar-Me dentro do teu coração, entranhar-Me em tuas entranhas. Esta ânsia de estar contigo Me fez descer do Céu e esconder-Me sob a cortina dessas espécies, para que não te atemorize Minha infinita Majestade. Eu saí, sem Me separar do delicioso peito de Meu Eterno Pai, e, de modo admirável, que tu não podes compreender, transformei-Me n'Este pouco de Pão, para que, comendo-Me tu, possas dizer que Eu sou teu alimento, e tu és Minha substância. O amor reduziu-Me a tanto excesso, e o mesmo amor triunfou em Mim.
Já desde aquela Eternidade, ardia Eu em vivos desejos de fazer-Me uma mesma coisa contigo n'Este amoroso Sacramento; de fazer-te partícipe de Minha Divindade e todos Meus atributos. Aqui tens, pois, transformado e oculto teu Deus, teu Criador e teu amante Jesus Sacramentado. Aqui tens, ó Alma, Este Divino Pelicano Que abre e fere Seu peito, para que vivas dentro dele e te alimentes com Seu Sangue. Recusas entrar dentro de Mim, ou que Eu entre dentro de ti? Recusas comer Este manjar, Que é o mesmo Deus? Foges de chegar tua boca a Esta Carne e beber Este Sangue? Já não o recuses, que é Carne e Sangue de Deus.
Vivem os Serafins, e viverão eternamente, sedentos de provar uma só partícula de Meu Corpo, uma só gota de Meu Sangue, e a ti O ofereço todo nesta mesa. Este é Aquele mesmo Sangue Que eu tomei do puríssimo coração de Minha Sacratíssima Mãe para vestir-Me da natureza humana. Com Este Sangue, concebeu-Me, com Este Sangue, convertido em Seu virginal leite, alimeitei-Me. Olha, pois, que Esta Carne de Jesus é também carne de Maria. Considera que, chamando-te eu a esta mesa para receber dentro de ti Meu Corpo, também te convida Minha Mãe a pôr em Seus puríssimos peitos teus lábios.
Considera que favor tão singular seria se Esta Rainha de todo o criado, Que vive e reina co'Migo e reinará por toda uma eternidade, descesse de Seu Imperial Trono para instilar em teus lábios o suavíssimo néctar de Seu leite, como o fez, numa ocasião, com Seu dulcíssimo Capelão Bernardo! Digo-te, pois, que, comendo tu Minha Carne Sacramentada, gozas, de certo modo, do mesmo favor e prerrogativa. Minha Divina Fé te ensina que Eu, na terra, não tive pai, e que só Esta Mãe Puríssima Me deu o ser humano, deu-Me a Carne, deu-Me o leite e deu-Me o Sangue, de sorte que tudo o que Eu tenho de homem é de Maria Virgem. Se, pois, Eu te ofereço aqui toda a Minha Humanidade Sacramentada, bem podes estar certo que, n'Este precioso banquete de Meu Corpo, és chamado a comer com o Filho e com a Mãe.
Ó, quanto deve animar-te a chegar a uma mesa na qual podes contemplar que, de modo misterioso e incompreensível, assiste Minha piedosa Mãe, Que só sabe compadecer-se das faltas alheias nos banquetes. Logo que viu que, nas Bodas de Caná, faltava vinho aos convidados, moveram-se Suas entranhas à piedade. Se te achas, pois, sem o vinho do amor e da compunção, toma-A com confiança por Intercessora, para que não saias famindo nem sedento de Minha mesa. Chega, pois, que te retarda? O temor? Eu, aqui, não atemorizo monstros, como no Egito, nem fulmino raios, como no monte, nem tomo na mão os açoites para lançar do Templo quem Me ultraja. Aqui estou inerme, pacífico, emudecido e só abrasado por ti de amor.
Prova, pois, Este Pão vivo, Que te dá a vida. Que te detém? O mundo, os deleites e as criaturas? Olha que d'Este Pão só vive o homem, n'Ele acharás todas as delícias do Céu, tudo quanto tem e pode dar-te um Deus. Prepara esse coração, que Eu só desejo para Meu Trono. Eu, em Minha glória, tenho todas as Hierarquias Celestiais a Meus pés, mas Minhas delícias são uma Alma pura e bem disposta. Quando estava no Virginal Seio de Minha Amantíssima Mãe, que imaginas tu que era Meu maior regalo? Porventura ver-Me naquele tálamo mais resplandecente que o sol e mais fragrante que uma rosa? Não. O que mais deleitava era ver o candor de Seus afetos, a pureza de Seus pensamentos e o fervor de Suas virtudes. Mais apreciava um só ato de amor do Seu coração, que toda a grandeza e excelência de Suas prerrogativas. Pois se tu, para receber-me, soubesses purificar bem teus afetos e abrasar-te todo em Meu amor, seria para Mim tua morada o mais ameno jardim.
Ah! coração humano, atrativo forte do coração Divino! Atrais-Me a ti, e depois foges de Mim. Eu, nestes Sacrários, estou dia e noite chamando-te e convidando-te com Meu peito aberto, donde brota perenemente a fonte de minhas misericórdias. Nesta chaga de Meu peito, convido-te a beber Aquele mesmo Sangue Que Eu derramei no Calvário, por teu amor. Agora não é necessário que Me vejas pendente duma Cruz, transpassado com cravos e coroado de espinhos. Tudo quanto lá fez o ódio dos homens, aqui faz o amor Divino. Abre-Me também teu peito, aonde vem buscar seguro albergue Aquele Que não cabe no vasto espaço dos Céus. Abre-Me esse coração, aonde quer entrar Aquele Que sai do coração do Seu Eterno Pai. Eu sou Seu Divino Verbo, delicioso parto de Seu entendimento, e Deus como Ele de infinita Majestade. Aqui venho, com este engenhoso disfarce, buscar-te para unir-Me a ti e para que tu vivas em Mim.
Eu, Rei Supremo, preparei e dispus uma esplêndida Ceia para Meus convidados, na Qual não lhes dou outro manjar que Minha Carne, nem outra bebida que Meu Sangue. Vem, pois, ó Alma querida, a Este Meu real convívio, e, se uns se escusam por umas poucas folhas da vinha de seus apetites e outros pelos brutais desejos de seus deleites, não sejas tu do número dos néscios. Olha bem, que nada fere tanto Meu coração quanto ver tantos ingratos ao Meu amoroso e cortês convite. (Continua)
Senta-te, pois, co'Migo nesta mesa. Vês Este Pão? Que conceito forma d'Ele o teu entendimento? Deixas-te, porventura, enganar pelos teus sentidos, porque O vês coberdo por Esses frágeis acidentes? Digo-te, pois, de verdade, que Esta é a Minha Carne viva, e Este é o Meu Sangue puríssimo. Eu desejo viver contigo a mesma vida, encerrar-Me dentro do teu coração, entranhar-Me em tuas entranhas. Esta ânsia de estar contigo Me fez descer do Céu e esconder-Me sob a cortina dessas espécies, para que não te atemorize Minha infinita Majestade. Eu saí, sem Me separar do delicioso peito de Meu Eterno Pai, e, de modo admirável, que tu não podes compreender, transformei-Me n'Este pouco de Pão, para que, comendo-Me tu, possas dizer que Eu sou teu alimento, e tu és Minha substância. O amor reduziu-Me a tanto excesso, e o mesmo amor triunfou em Mim.
Já desde aquela Eternidade, ardia Eu em vivos desejos de fazer-Me uma mesma coisa contigo n'Este amoroso Sacramento; de fazer-te partícipe de Minha Divindade e todos Meus atributos. Aqui tens, pois, transformado e oculto teu Deus, teu Criador e teu amante Jesus Sacramentado. Aqui tens, ó Alma, Este Divino Pelicano Que abre e fere Seu peito, para que vivas dentro dele e te alimentes com Seu Sangue. Recusas entrar dentro de Mim, ou que Eu entre dentro de ti? Recusas comer Este manjar, Que é o mesmo Deus? Foges de chegar tua boca a Esta Carne e beber Este Sangue? Já não o recuses, que é Carne e Sangue de Deus.
Vivem os Serafins, e viverão eternamente, sedentos de provar uma só partícula de Meu Corpo, uma só gota de Meu Sangue, e a ti O ofereço todo nesta mesa. Este é Aquele mesmo Sangue Que eu tomei do puríssimo coração de Minha Sacratíssima Mãe para vestir-Me da natureza humana. Com Este Sangue, concebeu-Me, com Este Sangue, convertido em Seu virginal leite, alimeitei-Me. Olha, pois, que Esta Carne de Jesus é também carne de Maria. Considera que, chamando-te eu a esta mesa para receber dentro de ti Meu Corpo, também te convida Minha Mãe a pôr em Seus puríssimos peitos teus lábios.
Considera que favor tão singular seria se Esta Rainha de todo o criado, Que vive e reina co'Migo e reinará por toda uma eternidade, descesse de Seu Imperial Trono para instilar em teus lábios o suavíssimo néctar de Seu leite, como o fez, numa ocasião, com Seu dulcíssimo Capelão Bernardo! Digo-te, pois, que, comendo tu Minha Carne Sacramentada, gozas, de certo modo, do mesmo favor e prerrogativa. Minha Divina Fé te ensina que Eu, na terra, não tive pai, e que só Esta Mãe Puríssima Me deu o ser humano, deu-Me a Carne, deu-Me o leite e deu-Me o Sangue, de sorte que tudo o que Eu tenho de homem é de Maria Virgem. Se, pois, Eu te ofereço aqui toda a Minha Humanidade Sacramentada, bem podes estar certo que, n'Este precioso banquete de Meu Corpo, és chamado a comer com o Filho e com a Mãe.
Ó, quanto deve animar-te a chegar a uma mesa na qual podes contemplar que, de modo misterioso e incompreensível, assiste Minha piedosa Mãe, Que só sabe compadecer-se das faltas alheias nos banquetes. Logo que viu que, nas Bodas de Caná, faltava vinho aos convidados, moveram-se Suas entranhas à piedade. Se te achas, pois, sem o vinho do amor e da compunção, toma-A com confiança por Intercessora, para que não saias famindo nem sedento de Minha mesa. Chega, pois, que te retarda? O temor? Eu, aqui, não atemorizo monstros, como no Egito, nem fulmino raios, como no monte, nem tomo na mão os açoites para lançar do Templo quem Me ultraja. Aqui estou inerme, pacífico, emudecido e só abrasado por ti de amor.
Prova, pois, Este Pão vivo, Que te dá a vida. Que te detém? O mundo, os deleites e as criaturas? Olha que d'Este Pão só vive o homem, n'Ele acharás todas as delícias do Céu, tudo quanto tem e pode dar-te um Deus. Prepara esse coração, que Eu só desejo para Meu Trono. Eu, em Minha glória, tenho todas as Hierarquias Celestiais a Meus pés, mas Minhas delícias são uma Alma pura e bem disposta. Quando estava no Virginal Seio de Minha Amantíssima Mãe, que imaginas tu que era Meu maior regalo? Porventura ver-Me naquele tálamo mais resplandecente que o sol e mais fragrante que uma rosa? Não. O que mais deleitava era ver o candor de Seus afetos, a pureza de Seus pensamentos e o fervor de Suas virtudes. Mais apreciava um só ato de amor do Seu coração, que toda a grandeza e excelência de Suas prerrogativas. Pois se tu, para receber-me, soubesses purificar bem teus afetos e abrasar-te todo em Meu amor, seria para Mim tua morada o mais ameno jardim.
Ah! coração humano, atrativo forte do coração Divino! Atrais-Me a ti, e depois foges de Mim. Eu, nestes Sacrários, estou dia e noite chamando-te e convidando-te com Meu peito aberto, donde brota perenemente a fonte de minhas misericórdias. Nesta chaga de Meu peito, convido-te a beber Aquele mesmo Sangue Que Eu derramei no Calvário, por teu amor. Agora não é necessário que Me vejas pendente duma Cruz, transpassado com cravos e coroado de espinhos. Tudo quanto lá fez o ódio dos homens, aqui faz o amor Divino. Abre-Me também teu peito, aonde vem buscar seguro albergue Aquele Que não cabe no vasto espaço dos Céus. Abre-Me esse coração, aonde quer entrar Aquele Que sai do coração do Seu Eterno Pai. Eu sou Seu Divino Verbo, delicioso parto de Seu entendimento, e Deus como Ele de infinita Majestade. Aqui venho, com este engenhoso disfarce, buscar-te para unir-Me a ti e para que tu vivas em Mim.
Assinar:
Postagens (Atom)