31 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Inteligência da Santíssima Virgem.

Parte 7/7

Se abríssemos as portas da inteligência de uma jovem, encontraríamos a morada da sabedoria?
Há jovens virtuosas, santas, que têm um conhecimento grande de Deus e das coisas divinas.
Há jovens bem formadas, que tem um critério certíssimo para julgar a moralidade das ações humanas: relações, diversões, vestidos.
Há jovens bem instruídas, que vão adquirindo os conhecimentos que necessitam para serem esposas e mães exemplares. Aprendem o que necessitam e aprenderam-no a seu tempo.
Porém destas jovens há muito poucas, destas jovens vão desaparecendo cada dia mais; são aquelas mulheres que a Escritura compara a um tesouro precioso, porém raro, como os tesouros que se trazem de regiões longínquas; tesouro que, por ser precioso e pela sua raridade, se torna apreciável. Ditoso o jovem que encontrar esse tesouro e o levar para o seu lar.
O que é a inteligência da rapariga mundana?
Morada da frivolidade. Um museu onde se exibem os retratos de todas as artistas, de todos os jovens da povoação, de todas as jovens que brilham e lhe disputam a supremacia da beleza. Uma exposição de modas: de vestidos, de sapatos, jóias, adornos e penteados. Um "écran" de ciúmes sempre em atividade. Nessa película reproduzem-se em sessão permanente as cenas que vê no cinema, as que lê nas novelas, as que presencia na rua, nos salões de baile.
Não procureis nesse museu a imagem da Virgem Santíssima, não procureis nesse cinema nenhuma cena da vida de Jesus, nem do céu, nem do inferno. Nisso não pensa nunca.
Essa inteligência é a morada da ilusão. Porque não somente reproduz o que vê; ela fabrica e filma por sua conta as fitas; compõe muitas novelas, quase todas cor de rosa e ainda alguma que outra vermelha, verde e até negra. Porque nessa inteligência não faltam pensamentos bastantes desonestos, e reparos e até vacilações na fé, que quer pôr um freio às suas loucuras.
Essa inteligência não concebe ideais elevados de santidade; nem ideais dignos de matrimônio, nem sequer ideais nobres, ainda que humanos, de fazer algo de útil na sociedade. Nada disso. Abriga um mundo de ilusões e de fantasias que nunca se realizarão. Ilusões de diversão continua, de felicidade pura sem mistura de dor.
Plantas que não se dão no deserto árido da vida. Plantas que só crescem no mundo fantástico da novela.
E, como a inteligência é o farol que indica o caminho que o homem deve seguir, não estranheis que essa jovem vá por caminhos extraviados: caminhos de prazer, caminhos de vício, caminhos de perdição. Essa inteligência é morada da ignorância.
Elas ignorantes? Rir-se-ão ao ouvirem esta afirmação. Ignorantes elas, que aos dez anos, ou talvez antes, já sabiam o que poderia saber sua mãe ou sua avó?!
Ignorantes elas, que conhecem todos os segredos do vício, que conhecem todas as histórias de baixa moral da sociedade?! E contudo, mesmo que se riam, são umas ignorantes.
Porque a ignorância é a falta dos conhecimentos necessários para o seu estado, e elas saberão muito de vícios, porém nada sabem do que necessita uma esposa para governar a sua casa; nada sabem do que necessita uma mãe para educar os seus filhos; por isso, se casam, o lar será um desastre, a economia doméstica uma falência; as filhas, umas mundanas frívolas como elas, os filhos uns perdidos, o marido um desgraçado que terá de procurar fora do lar a felicidade que ela não soube proporcionar-lhe. E se essa inteligência só fosse ignorante, mas o que é pior ainda é ser moradia do erro. Que idéias tão errôneas sobre a moralidade das ações!
Que idéias tão erradas sobre as diversões lícitas ou ilícitas, sobre as modas modestas ou escandalosas, sobre o modo de manter relações, sobre o fim do matrimônio, sobre os deveres sagrados dos esposos, sobre a educação que se deve dar aos filhos! Que ideias tão materialistas, tão pagãs!
Esse conjunto de erros formou-os uma consciência errada, que é a norma pratica da sua vida, uma consciência para a qual nada é pecado, porque inventou uma moral acomodada aos seus caprichos; mas que não é a moral imposta por Deus.
Erro de que é culpada, porque por culpa o adquiriu, lendo livros de critério anti cristão; seguindo o conselho de pessoas mundanas e pervertidas; descuidando a instrução moral necessária; fugindo dos sermões que a podem instruir, mas ela não quer que lhe revolvam a consciência; desprezando os conselhos de pessoas competentes em questão de moral; e ridicularizando as mulheres que não procedem como ela.
Erros culpáveis, e por conseguinte, as ações, a conduta que se acomode a esses erros será responsável perante Deus e sancionada com o castigo.
Inteligência que levada pela sua leviandade ajuíza erradamente das ações dos outros.
Sem nenhuma razão ou pelo mais leve motivo julga a conduta dos mais, forma juízos temerários, se não vai ainda mais além, levantando calúnias para desacreditar as pessoas que inveja ou que a incomodam.
Ah! Se pudéssemos pôr em paralelo a inteligência da Santíssima Virgem e a dessas jovens mundanas!
Que difícil é trasladar esses traços do retrato da Virgem para a tela dessas almas!
Que difícil é reformar uma inteligência deformada desde criança!
E se não se reforma a inteligência, não se reforma a vida.
Meditai muito na vida da Virgem Santíssima, nas suas ações, nas suas virtudes, nas suas palavras.
É o foco de luz que, juntamente com seu Filho, Deus pôs na terra para iluminar as almas.
A tua inteligência parecer-se-á um pouco com a sua?

29 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Inteligência da Santíssima Virgem


Parte 6/7

A ciência que possuem os homens está misturada com erros e ignorâncias.
Foi o transtorno que causou nas inteligências o pecado de Adão. A Virgem Santíssima, livre desse pecado, foi também preservada dessas consequências.
A ignorância é a falta de conhecimentos: é não saber o que estamos obrigados a saber, segundo o nosso estado.
É verdade que a Santíssima Virgem não soube muitas coisas que não necessitava saber para o seu estado. Não necessitava do conhecimento das ciências físicas e naturais nem para ser Mãe de Deus nem para ser cooperadora na obra da redenção.
Não ter esse conhecimento não se considera como ignorância.
Tinha o conhecimento das ciências divinas: de Deus, da teologia, da Escritura que exigia a sua dignidade de Mãe de Deus. Sabia perfeitamente tudo o que necessitava uma esposa e uma mãe para governar a casa. Nestes conhecimentos, nada houve que a Virgem Santíssima ignorasse. Soube tudo que necessitava e quando o necessitava.
E essa ciência da Virgem Santíssima estava livre de todo o erro.
O erro provém de alguma desordem na parte inferior do homem; desordem nos sentidos, que não percebem como são as coisas; desordem na fantasia, que desfigura a realidade; desordem na paixão, que pinta as coisas da cor que lhe agrada; e na Virgem Santíssima não houve nenhuma destas desordens.
Ela percebia as coisas com exatidão. Os seus sentido perfeitíssimos não a enganavam. A sua imaginação era um espelho plano que reproduzia com toda a perfeição a realidade. Não era como os espelhos côncavos que as aumentam, nem como os espelhos convexos que as diminuem tornando-as mais pequenas.
As suas paixões estavam ordenadas e não influíam nos ditames da inteligência.
Por isso, as coisas que conhecia as julgava como eram na realidade.
Quando ignorava alguma coisa, suspendia o juízo até informar-se completamente da verdade.
Conforme os dados ou os indícios que existiam, assim era o juízo que formava. Não fazia juízos temerários. Com razão a Igreja chama à inteligência da Virgem Santíssima assento da sabedoria.
Sabedoria sem erros nem ignorâncias.
.

27 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA


A Inteligência da Santíssima Virgem

Parte 5/7

Deu-lhe um conhecimento perfeito das Escrituras.
Ela estudou assiduamente os livros sagrados; porém o seu esforço não seria bastante para lhe proporcionar esse conhecimento.
Deus comunicou-lhe também o conhecimento necessário dos deveres e das ações morais dos homens. Ela devia de praticar todas as virtudes e para isso necessitava da luz de Deus para a dirigir em todas as suas ações.
Necessitava de uma ciência teológica que esclarecesse os mistérios da fé.
Receberam-na os apóstolos no dia de Pentecostes sem a terem estudado; e a Santíssima Virgem não devia ser menos que os apóstolos, pois tinha de ser mestra e conselheira deles depois da ressurreição.
A Santíssima Virgem não necessitava das ciências físicas nem naturais, nem para ser Mãe de Deus, nem para cooperar na obra da Redenção.
A ciência das coisas divinas em parte lha infundiu Deus de repente; e em parte a adquiriu no convívio com Jesus Cristo.
Jesus é a luz do mundo, a luz que ilumina todos os homens; e os que mais se aproximam desse foco, mais luz recebem dele. A Santíssima Virgem viveu trinta e três anos ao lado dessa luz.
Os apóstolos nem viveram tão perto como Ela, nem tanto tempo como Ela.
Jesus era o Mestre da humanidade e não teve discípulo que tanto aproveitasse como sua Mãe Santíssima.
Ela ouvia, observava e meditava em seu coração todos os ensinamentos de seu Filho.
A Santíssima Virgem teve também a ciência experimental que dá o contato com as pessoas e coisas deste mundo. Os seus sentidos percebiam os objetos que se lhe apresentavam, via, ouvia.
E esta comunicação com o mundo proporcionou-lhe uma ciência experimental; a que nós os homens adquirimos gradualmente; o próprio Filho de Deus a adquiriu também.
Porém a Santíssima Virgem não tinha o sentido da curiosidade, não saía à procura de novidades, nem para coscovilhar as vidas alheias.
Contentou-se com possuir com perfeição os conhecimentos necessários para ser uma esposa e uma mãe exemplar.

25 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA


A Inteligência da Santíssima Virgem

Parte 4/7

Conheceu a Deus como o conhecem os bem aventurados no céu?
A divindade habita numa região inacessível a todas as inteligências criadas. Nem os anjos nem os homens podem ver a Deus com as suas forças naturais, nem ainda depois de terem saído deste mundo.
Tem que lhes dar Deus gratuitamente uma luz especial que se chama " lumen gloriae", luz da glória, e com essa luz os homens e os anjos podem ver a Deus. Os anjos e os santos do céu têm continuamente essa luz, sem que nunca se apague; por isso vêem sempre a Deus.
A Santíssima Virgem enquanto viveu neste mundo teve essa luz algumas vezes; e com ela pôde contemplar a divindade.
 A Mãe de Deus não havia de ser menos que Moisés e que são Paulo, que alguma vez foram favorecidos por Deus neste mundo com esta contemplação.
Em que ocasião desfrutaria a Santíssima Virgem da visão de Deus? Pelo menos nos momentos mais solenes da sua vida. No momento da sua conceição imaculada, quando Deus a formava e lhe comunicava os seus dons sobrenaturais. No momento em que seu filho glorioso se lhe apresentou depois da ressurreição para a consolar dos sofrimentos que havia padecido durante a paixão. No momento da sua morte; pois Maria morreu de amor a Deus, e esse amor acendeu-o a visão da divindade.
Também veria a Deus em outras ocasiões solenes da sua vida?
Te-lo-ia visto, por exemplo, na cova de Belém quando o seu Filho nasceu?
Com razão o podemos crer.
A inteligência da Virgem Santíssima contemplou a Deus, e contemplando a Deus, teve um conhecimento grande dos atributos divinos: da sua imensidade, da sua bondade, da sua sabedoria, do seu poder.
E quando Maria teve no seu seio o Verbo de Deus, o conhecimento das coisas divinas foi sem dúvida maior. 
O seu Filho era a sabedoria divina, como se chama à segunda pessoa da Santíssima Trindade; e dessa fonte divina, a sabedoria tinha que transbordar e comunicar-se à alma da Santíssima Virgem.
Aquele foco infinito de luz divina aceso dentro dela, não podia deixar de a iluminar. Além do conhecimento da divindade, Deus infundiu-lhe o conhecimento de outras coisas que exigia a sua dignidade.

24 de agosto de 2018

Ilusões e confusões na vida espiritual - IBP São Paulo


Ilusões e confusões na vida espiritual


Baseado no livro “Ejercicios anuales – para uso de sacerdotes, religiosos y seglares selectos, Pe. Pedro Pallas, S.J., Editorial Sal Terrae, Santander, 1961, pp. 434-444″.
Enumeramos e comentamos aqui brevemente uma série de ilusões e confusões na vida espiritual. Umas são mais próprias de principiantes; outras, dos mais adiantados. Umas tocam pontos mais doutrinários, ou de princípios; outras, pontos práticos ou de método. Esses erros e desorientações podem acabar servindo como ocasiões de esclarecimentos úteis para as almas que os têm, e a Providência acaba se aproveitando deles para completar a formação ascética delas.
  1. Querer imitar em tudo aos santos.  O principiante lê, se entusiasma e quer imitar tudo o que lhe pareceu extraordinário na hagiografia; com isto, se sobrecarrega com pesos insuportáveis. Assim aconteceu com Santo Inácio em Manresa, desejando fazer o que São Francisco, São Domingos e todos os santos fizeram. É o erro de colocar a santidade nas práticas exteriores, mais do que na perfeição dos desejos e na retidão das intenções, e na aquisição da graça. É, também, confundir as diversas santidades às quais Deus chama os diversos santos, com a santidade à qual Deus chama a todos.
  2. Confundir a virtude com os bons desejos. ― Um pouco de oração fervorosa, alguns propósitos ardentes, algumas fortes compreensões sobre a brevidade da vida, a ilusão dos prazeres, etc., algumas frases admiráveis que lhe vieram em mente na oração, alguns planos de vida estabelecidos com precisão jurídica baseados em notas espirituais, tudo isso faz o iniciante crer que levantou vôo definitivo até as alturas, de onde não sairá jamais. Está sonhando. Para conseguir de verdade esses ideais que se forjou tão facilmente, terá que lutar muito, e se vencer muitas vezes. Cairá. Deus queira que se levante.
  3. Querer santificar-se com ímpeto.  O principiante concebe um bom desejo e gostaria de chegar até a perfeição com um só lance, ainda que seja às custas de grande esforço e violência. Tem impaciência para subir, e não concebe uma ascensão lenta e constante. Estas pessoas esquecem que a santificação é uma obra de toda a vida, que a meta final é a santidade infinita de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nós procuramos imitar; e ignoram que, para a santidade, faz falta conseguir hábitos estáveis, que supõe a prática de muitos atos, e isso supõe tempo e ocasiões.
  4. Alarmar-se diante das tentações.  Assim como se enganou crendo que era santo somente com bons desejos, também se engana agora crendo-se muito pecador, por causa das coisas espantosas que passam por sua cabeça, coisas que talvez nunca tinham passado antes dele começar a levar uma vida espiritual. Julga essencial o que é secundário. Crê que para ser santo é necessário fazer com que essas coisas jamais venham a passar por sua mente. Não vê que, com a mais perfeita das vontades, é possível ter horríveis tentações, que não tiram nem acrescentam nada de mérito ou culpa, contanto que a vontade não as aceite.
  5. Desanimar-se diante das desolações.  A pessoa que se converteu, ou até mesmo que já pratica a religião há algum tempo, erroneamente concebeu a ilusão de que o entusiasmo inicial nunca mais a deixaria. E, agora, desanima ao sentir desinteresse pela virtude, pensando que tudo está perdido e não há nada mais que possa ser feito. Confunde a devoção sensível com a virtude; não se dá conta de que a vontade deve seguir sempre firme e sem medo pelo caminho do bem, pouco importa para que lado o vento do sentimento sopre. Não se dá conta de que Deus está começando a tratá-lo como a um adulto na vida espiritual, e não como a uma criança com mimos melosos. E isso, mais do que indicar retrocesso na santidade, indica que se inicia uma etapa mais madura e construtiva.
  6. Devoções, mais do que virtudes.  Se sobrecarrega com terços, devoções, novenas, medalhas, largas horas na igreja, hábitos… e mede com isso seu progresso na santidade; enquanto isso, talvez, é incapaz de sofrer com paciência algum incômodo causado pelo próximo, se entrega à falar mal dos outros, fomenta a vaidade, não sabe o que é abnegação, e se deixa levar pelo egoísmo sem qualquer escrúpulo. Têm vícios cobertos com um verniz piedoso, para que sejam menos visíveis e possam ser mais dificilmente corrigidos. Este estado é propriamente o de uma desorientação ascética fundamental.
  7. Fanatismo nas devoções.  Umas imagens famosas que visita, um número incalculável de Ave-Marias que recita mecanicamente, alguns gestos devotos e uma liturgia sui generis, devoção a algum santinho que, talvez, nem tenha valor histórico, aquela festa tradicional que respeita impecavelmente, as procissões, os santuários, as velas que acende, os quadros e santinhos de uso doméstico, e uma infinidade de práticas que recebeu dos seus antepassados, mas que ele nem sabe o que significam. Eis, aqui, o que ele considera como religiosidade. Enquanto isso, os Sacramentos, a fé, a instrução religiosa e o estudo, a vida da graça, a caridade para com o próximo, a penitência… tudo isso é esquecido como se fossem meros acidentes ascéticos. É puro fanatismo, age como os selvagens, mas com temas católicos.
  8. Credulidade em coisas discutíveis.  Mais do que os critérios expostos pelos Papas, os Santos, e os autores aprovados, o que produz efeito nele são as aparições, visões, êxtases, milagres e espetáculos religiosos, e vai sempre à caça de sensacionalismos apocalípticos. Vibra de emoção diante da primeira revelação curiosa da devoção histérica. O grande milagre que é a permanência da Igreja Católica o mundo, ao longo dos séculos, com sua perfeição moral, sua caridade, seu apostolado, tudo isso lhe valem bem pouco. Esquece como a Igreja vai bem devagar em admitir esses fenômenos extraordinários da vida mística e, mesmo quando aprovados, o quão pouco se apoia neles para a vida cristã fundamental.
  9. Atenção em reformar o próximo.  Quando se formou algumas poucas ideias sobre a vida espiritual e o apostolado, e concebeu alguns sonhos muito belos, sente o prurido de se meter a reformar o mundo, a família, as pessoas, a nação, a ordem religiosa, a diocese! Vê tudo imperfeito, e se sente iluminado para corrigir tudo radicalmente; só não vê seus defeitos próprios. Critica tudo, e gostaria de resolver tudo com uma canetada, pronunciando decretos reais. Esquece que este mundo é um vale de lágrimas, ainda quando aspiramos ao que possa haver de melhor, e que a vida do homem sobre a terra é um combate.
  10. Guiar-se por sua cabeça. ― Ignora muitas coisas, mas sobretudo ignora sua própria estreiteza de conhecimento. Uns poucos princípios práticos que ele formou à sua maneira, com maior ou menor solidez, já servem para resolver tudo. Nunca consulta ninguém; ele já sabe para onde vai e é inútil que se lhe explique, porque não o compreenderiam. Justamente, o tempo mais favorável aos disparates é quando se sabe das coisas um pouquinho; quando não se sabe de nada, então se dá confiança aos conselhos dos outros que, se sabem muito, nos fazem acertar. Mas, quando sabemos um pouco, nós não pedimos conselho aos outros e, ao mesmo tempo, ainda não temos conhecimento suficiente para acertar. Além do que, em nossos próprios assuntos, somos sempre muito maus conselheiros para nós mesmos.
  11. Amigo das novidades.  É partidário do último livro de meditações editado, sobretudo se a tipografia e a cor são atrativos. Entusiasma-se pelo mais moderno sistema ascético e de apostolado, sem olhar seu valor intrínseco. O novo pelo novo. Os livros, os diretores, os métodos melhores são aqueles que não estão ao seu alcance; aquilo que não está na sua mão, não vale nada. Sempre pensando no que poderia ter ou fazer, nunca aproveita o que tem à sua disposição. No fundo é a superficialidade de critério, é a vaidade e a extravagância.
  12. Reduzir tudo à boa vontade.  As tantas regras, as normas, os diversos modos de rezar, os exercícios, exames, retiros, devoções, penitências, promessas, planos… lhe parecem complicações demasiadas. E encontrou a solução na frase de Santo Agostinho: “Ama et fac quod vis ― Ama e faz o que queres”. Cumprir os mandamentos, ser boa pessoa e tudo mais como lhe convém. Mas é claro que, no fim, deixando as devoções com que se fomenta a devoção essencial, que é a caridade, acaba-se sem devoção e sem devoções; apaga-se o fogo, do qual foram tiradas as brasas que o alimentavam.
  13. Vocação de incompreendido. ― Nasceu para fazer as coisas sozinho. Foi passando de confessionário em confessionário, para encontrar no padre um homem compreensivo, e a experiência lhe disse que ninguém o pode compreender. Na verdade, não busca a direção de nenhum outro, senão daquele que põe um selo oficial nas opiniões que expõe. É o egoísmo transformado em sistema, que já não se contenta com os fatos, mas que se estende até a mentalidade.
  14. Sentir-se privilegiado. ― Algumas horas devotas de oração, umas ideias belas e fecundas que lhe inspiraram, umas instruções luminosas que percebeu que vinham do céu, e até algumas vozes claras do Senhor, produzem em si o complexo de iluminado e se sente um Enviado de Deus para transmitir uma mensagem ao mundo. As hierarquias que hão de julgar suas concepções não estão a altura disto, e não compreendem a grandeza da mensagem, pois são todos terrenos. Ninguém tem direito de discutir o que Jesus lhe disse. Na mensagem divina que recebeu não está dito expressamente que foi dispensado da obediência aos sucessores de Pedro e dos Apóstolos, mas supõe que de fato sim, e assim se faz um heresiarca.
  15. Pensar que seu sistema é único. ― Com sua experiência pessoal, foi se forjando, para si mesmo, seu sistema de vida espiritual, seu acervo de critérios, seus modos de rezar, de exames, de trabalhar, de converter, de aconselhar, de ler, de estudar, de lutar, etc… e está persuadido de que isto é o melhor. Esquece que o Espírito Santo pode levar à santidade por vários caminhos, e que cada homem, segundo sua maneira de ser, emprega melhor uns que outros sistemas. Empenha-se em fazer com que todo mundo passe por seu caminho. Isto é um impasse mental ascético e muita autossuficiência.
  16. Pessimismo apostólico. ― Seja por desenganos pelos quais passou em seus projetos, seja para justificar uma atitude preguiçosa e cômoda, exaltou tanto a intervenção da Providência que aos homens apostólicos já não resta mais nada a fazer. Não tem motivo para se cansar; Deus é bom e acerta tudo na última hora, usando de alguns recursos que sempre produzem seus efeitos. Já não se vê, segundo esta teoria, que papel a Igreja, os sacramentos, a pregação, o sacerdócio, etc., ocupam no mundo, ainda que instituídos por Cristo.
  17. Confundir zelo com nervosismo. ― Tem uma grande necessidade de mover-se, de chamar a atenção, de fundar novas obras, de desenvolver atividades, de reformar, de mandar, de intrometer-se em tudo. Chama isso de zelo, bem das almas, glória divina, propagação da fé, extensão do reino de Deus, melhoria da sociedade…, mas no fundo é nervosismo desatado, sem tom nem som, que da tiros aos ventos, sem ordem em seus trabalhos, sem plano a distância, sem hierarquia de valores. Não faz o que lhe pedem, mas tem que mover-se seja como seja, gastando o tempo em atividades efêmeras e ineficazes.
  18. Confundir humildade com timidez. ― O tímido diz que não serve para nada, que se contenta com um cantinho qualquer, que não nasceu para as alturas, que não quer subir nada, que cede seus diretos com muito gosto, que teme a petulância, que são muitas complicações para ele, que prefere um ofício mais discreto e humilde. Até com os gestos parece esquivar-se das grandezas e perigos que o espantem. Pode ser também comodidade em não buscar responsabilidades que requerem esforço e desgaste; e com tanto falar de humildade, no fundo teme os possíveis fracassos e humilhações em seus possíveis projetos.
  19. Confundir sinceridade e grosseria. ― Quer ser sincero, quer falar com o peito aberto, não quer enganar ninguém, diz as coisas sem rodeios, não está disposto as comédias e ao fingimento social. Por isso, toma a liberdade de falar clara e diretamente, com fórmulas que não dão lugar a dúvida, mas que molestam sem necessidade e irritam a vontade dos que o rodeiam, os quais justamente exigem ao menos uma urbanidade elementar. Se Deus quisesse tanta claridade, teria feito nossas frontes transparentes e não opacas. Deve-se dizer a verdade, mas nem sempre toda a verdade, porque pode-se fazer mal em dizê-la; e certas pessoas, não compreendendo isso, acham que nunca se deve ficar quieto, em qualquer circunstância que seja.
  20. Confundir alegria com alvoroço. ― A superficialidade inclina ao externo, ao ruidoso, ao exaltado, ao chamativo, ignorando que existe no interior das almas profundas satisfações e alegrias, mais elevadas e duradouras que todo o alvoroço impressionista. Rir a gargalhadas não significa felicidade; o gritar estridente não pressupõe uma expansão completa do que temos em nosso interior. No meio da sensibilidade da vida familiar e retirada, e mesmo em meio a esforços e contratempos, encontramos uma alegria substancial, maciça, completa, de grande qualidade, que afeta a todas as potências do homem.
  21. Confundir organização com burocracia. ― É a ilusão de muitos apóstolos. Quando montaram um punhado de comissões, secretarias, reuniões, locais, calendários, programas, divisões, subdivisões, chefes, subalternos…, se regozijam na maravilhosa organização que montaram, pensando que chegaram ao ápice de suas obras. Não meditam, calculam, estudam, observam qual a influência efetiva de todo o aparato que construíram nas mentes e nos corações. Não conta somente o número dos assistentes, mas também o impacto que receberam; fiscaliza para ver se estão mais piedosos, mais instruídos, se vivem na graça de Deus, se fazem boas obras, se têm uma vontade educada para a luta contra as dificuldades da vida. A bem da verdade, seria conveniente que o apóstolo pensasse se, com a metade das complicações, não poderia chegar mais ao fundo da questão; e se os esforços que se põem em formalidades burocráticas não dariam mais resultados se focados a uma ação direta e mais espiritual.
  22. Confundir amor com sensualidade. ― Será o cavalo de batalha de muitos sacerdotes e religiosos. A sensualidade luta para correr solta, e encontra às vezes uma elegante solução. A caridade é a mais sublime das virtudes, o amor é a necessidade mais peremptória do mundo. Tem que se fazer tudo a todos para ganhar todos para Cristo; tem de se amar até o delírio, tem de se abrasar o mundo de amor. Deus é amor, e em nossos tempos Jesus aparece mostrando seu Coração, para dar a entender a razão de ser de toda a sua obra, e para dar diretrizes a todas as nossas obras. Quando este amor inclui a todos os homens, leprosos e sãos, feios e bonitos, ao homem fecundo e ao inútil, etc…, então é um amor sem perigo. Mas quando a doutrina sublime do amor é utilizada para justificar certas amizades egoístas, ou sensibilidades de má lei, ou abertas a sensualidades, então esta doutrina é profanada.
  23. Confundir o moderno com o modernista. ―  Existe um duplo extremo em focar as coisas novas que vão surgindo e que têm suas aplicações nas atividades da alma: um é encerrar-se numa obstinação tacanha e fanática, num tradicionalismo inflexível, num negativismo sistemático do novo; e outro é adorar a novidade e pretender implantá-la sem motivos, substituindo o antigo. Deus, por algum motivo, nos deu a faculdade de raciocinar, com a qual somos capazes de progredir. A Igreja não deve apresentar-se com um aspecto fossilizado, de peça estranha de museu histórico, mas uma face com vitalidade perenemente renovada como organismo sadio e forte. Por outro lado, não se pode rejeitar, sem mais nem menos, o que é fruto da reflexão e experiência de muitos séculos, não se deve mudar o que sempre foi feito à não ser para ganhar com a mudança.
Enfim, talvez uma ilusão muito funesta seja a de considerar-se invulnerável às ilusões. Devemos vigiar humilde e atentamente, para não sermos vítimas de nenhuma delas.

23 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Inteligência da Santíssima Virgem


Parte 3/7

E que ciência teve a Santíssima Virgem?
Antes de tudo um conhecimento de Deus como não teve nenhuma criatura.
 O que primeiro conheceu foi a Deus.
Ao começar a sua existência, viu a Deus que ia enriquecer a sua alma com graças incomensuráveis; e conscientemente, livremente, se dispôs a receber esses privilégios.
Que diferente a inteligência da Santíssima Virgem da de muitos homens! A destes mal desperta, aprende a pecar.
A primeira coisa que ouve não é a voz de Deus, é a voz das paixões, que lhe dizem: tem inveja, desobedece, irrita-te, procura comodidades e o teu prazer; é a voz dos amigos que lhe dizem: peca.
As primícias dessa inteligência não são para Deus, são para o demônio.
Deus tomou posse da inteligência da Santíssima Virgem antes que batessem à sua porta as impressões dos sentidos.

21 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Inteligência da Santíssima Virgem


Parte 2/7

A inteligência do homem vem a este mundo cega, diremos melhor, adormecida e ignorante. Nada sabe. É um papel onde nada está escrito. É como uma chapa fotográfica que não foi impressionada.
Essa inteligência vai despertando pouco a pouco, vai conhecendo lentamente as pessoas e os objetos que a rodeiam. Todos eles vão imprimindo nela as suas imagens. Quanto demora em despertar por completo essa inteligência: cinco, seis, sete anos! Então diz-se que a criança tem o uso da razão, que sabe distinguir o bem  do mal, que é responsável dos seus atos, que é digna de premio ou de castigo.
A inteligência da Santíssima Virgem não foi assim. Podemos dizer que Deus a criou desperta, pois a maioria dos teólogos sustentam que a Santíssima Virgem teve uso da razão no primeiro instante da sua existência, no momento da sua Imaculada Conceição.
 Convinha que assim fosse. Pedia-o a dignidade de Mãe de Deus.
São João Batista teve o uso da razão no seio de sua Mãe; por isso saltou de alegria quando teve em frente o Filho de Deus.
São João Batista foi somente o precursor do Messias, o que preparou o caminho; dignidade incomparavelmente menor que a de Maria. Portanto, o privilégio da Santíssima Virgem teve que ser maior.
Esse dom, esse conhecimento durou à Santíssima Virgem por toda a vida; nem sequer se interrompeu durante o sono, como sucede aos homens em geral.
Deus fez assim para que em todos os momentos da sua vida pudesse merecer.
Com toda a verdade podia a Santíssima Virgem dizer: eu durmo, porém a minha inteligência e o meu coração estão velando.

20 de agosto de 2018

A santificação da vida de leigo - IBP São Paulo


A santificação da vida de leigo


Dentro da vida secular cabe o estado de virgindade, de viuvez ou de matrimônio. Aquele que vive no mundo no estado de virgindade ou viuvez, pode organizar sua vida espiritual, de modo muito semelhante à vida religiosa. Aquele que vive em atual matrimônio, pode também santificar esse estado. Pode-se desviar dos perigos do mundo com uma vida sóbria e retirada até um certo ponto, dentro de cada ofício. Muitos sacerdotes e religiosos devem ocupar também a maior parte do dia em assuntos meramente temporais, para cumprir o ofício de ensinar, governar, administrar o que lhes foi confiado. Focando com grande retidão de intenção todas suas atividades profissionais, o casado tem a oportunidade de desenvolver muitas virtudes e adquirir grandes méritos. É possível ao fiel leigo, com um  pouco de ordem e organização, a prática da meditação, do exame de consciência, da leitura piedosa, a frequência aos sacramentos e os demais atos de piedade que engrandecem os ideais, purificam os juízos que fazemos e nos aproximam de Deus. As mesmas comodidades e alegrias materiais anexas ao matrimônio já têm o contrapeso de outras pesadas cruzes que não têm os que conservam a virgindade; com o matrimônio se evita que uma entrega excessiva à alegria material (legítima em si) não alimente demasiadamente o egoísmo e enfraqueça a percepção ao que é espiritual, tão necessária a quem aspira à perfeição ascética.
Enfim, sempre cabe o  ideal apostólico, em maior ou menos escala, dentro do matrimônio: a educação dos filhos, a caridade para com os pobres e doentes, a catequese, a ajuda ao culto divino, a cooperação ao labor apostólico de algumas associações católicas, etc., abrem amplos panoramas. Não tem faltado, nos tempos atuais, casados que seguem o missionário em terrenos de missão viva, ajudando-o dentro de sua profissão de médico, de professor, de comerciante, de industrial.
Desgraçadamente se tem limitado a vida secular, e sobretudo o matrimônio, sobre um ponto de vista exclusivamente moral, dizendo que a Ascética nada tem de fazer no lar. São reminiscências daquela velha questão na qual se apresentava o matrimônio como algo tolerável, venialmente pecaminoso. O fato de que o estado de virgindade seja, em si, mais perfeito, não implica que o que vive casado não possa aspirar a perfeição.
As valiosas renúncias da virgindade podem ser compensadas com outros sacrifícios muito valiosos também, que são possíveis no matrimônio, se o casado aspira à perfeição. O casado terá maiores felicidades se ambos os esposos vão unidos nas mesmas aspirações elevadas; porém, ainda sem o comparecimento de um, o outro pode santificar-se intensamente.
Sobretudo quando a vida secular foi escolhida retamente, com sã intenção, com uma eleição de estado realizada com perfeita deliberação, ela está santificada em sua raiz e o processo de santificação seguirá mais logicamente.
Entretanto, ainda em um estado secular (que já não se pode mudar) escolhido de modo errado, sem reta intenção, o casado pode iniciar um caminho de purificação, de aperfeiçoamento, de santificação, como tantos pecadores o tomaram com êxito.
1. Piedade sólida
O católico empenhado em sua santificação deve ficar longe de contentar-se com a piedade mecânica da velha devota rezadora de rosários incontroladamente; de ficar satisfeito com algumas festividades, algumas imagens devotas ante as quais arde uma lamparina, umas medalhas penduradas no pescoço, de reduzir a vida espiritual a uns quantos usos piedosos exercitados ora em particular, ora em família. Deixem-se estas exterioridades para quem não pode ou não quer aspirar a mais. A santificação é um trabalho mais profundo das almas: é aproximar-se de Deus com a mente e com o coração; criar em si mesmo uma vida sobrenatural e abundante; é aperfeiçoar sempre mais a intenção e as obras; é purificar cada vez mais a alma de toda desordem; é fecundar nossas ocupações ordinárias com elevadas intenções.
Para conseguir uma santificação sólida e profunda, é necessário ter presente que a graça divina é protagonista de toda santificação. O que fazemos é apenas não atrapalhar a ação divina dentro de nossas almas. É preciso, pois, por-se em contato com as fontes da graça santificante, que é o caminho ordinário com o qual Deus intervém nessa obra de arte, que é a santidade.
Os sacramentos são uma fonte segura da graça divina, que realizam sempre algo ex opere operato, em virtude do mesmo sacramento, quando se recebem com as essenciais disposições. Se o católico se aproxima do sacramento não somente com as disposições essenciais, mas com disposições excelentes, o fruto em graça divina é muito superior. Daí a necessidade de frequentar a Confissão e a Eucaristia o máximo possível. As boas obras, o cumprimento das obrigações, e aumentar outras ocasiões não obrigatórias de boas obras, se são feitas com reta intenção, são obras meritórias que aumentam a graça. Finalmente, a oração sincera, fervorosa e frequente, pedindo graça ao Senhor em diferentes ocasiões da vida, em especial ao empreender obras, na hora da tentação e nas circunstâncias mais difíceis, leva Deus a intervir com mais eficácia.
O católico deve olhar esta obra sobrenatural de ir acumulando um capital divino cada vez mais rico em graça, ao menos com a mesma solicitude com que vai reunindo suas posses, seus salários e o rendimento de seus negócios temporais. E é lógico que, dado o valor deste capital eterno, é necessário colocar maior atenção nele do que em qualquer outro negócio humano.
Junto a estas grandes energias com que há de procurar vivificar a vontade, é indispensável que o católico seleto favoreça em seu entendimento um ambiente propício. Deve fomentar nele nobres ideais, firmes convicções religiosas, critérios retos, diretrizes luminosas, objetivos claros e metas elevadas. As capacidades volitivas costumam seguir o caminho que as capacidades intelectuais lhes traçaram. Os grandes pensamentos se concretizam, ao longo do tempo, em grandes ações.
Para conseguir este grande ambiente mental, o católico deve nutrir-se diariamente com as ideias que nos foram reveladas por Cristo e nos propõe a Igreja. A Sagrada Escritura, a documentação oficial da Igreja em seus ensinamentos ordinários e extraordinários, as melhores obras dos varões santos e prudentes, aprovadas por legítima autoridade, nos oferecem grandes provisões de alimentação realmente nutritiva. Por meio da meditação e de leituras frequentes, essas ideias sagradas vão fazendo-se pensamento próprio na mente do cristão.
Esta alimentação habitual da mente é mais necessária ao leigo do que ao religioso, o qual ordinariamente respira critérios menos corrompidos dentro do claustro. O secular, no meio do mundo, é forçado a ouvir tantos absurdos, tantas desorientações, tantos critérios materialistas e ver tantos maus exemplos, que necessita com muito mais urgência de uma constante desinfecção mental. E ainda que possa encontrá-la, em parte, nos círculos de boas amizades, entretanto, as palavras humanas nunca terão, por cheias que sejam de boa vontade, a eficácia purificante da palavra divina, que é semente, fermento, e remédio poderoso.

19 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Inteligência da Santíssima Virgem


Parte 1/7

Comecemos a percorrer os compartimentos do palácio maravilhoso, que o próprio Deus construiu para seu Filho.
Entremos primeiro na sua inteligência. A Igreja chama à inteligência da Virgem Santíssima, assento, morada da sabedoria, " sedes sapientiae ".
Com uma curiosidade santa penetremos nessa morada para investigarmos o que sabia a Santíssima Virgem e como sabia. 
Não será interessante conhecê-lo?

17 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Alma da Virgem Santíssima


Parte 7/7

Como se aumenta essa riqueza sobrenatural?
Com todas as boas obras, mesmo que sejam indiferentes, como estudar, passear, divertir-se, contanto que sejam ações honestas e se façam por amor de Deus.
Com as obras virtuosas, quanto mais sacrificadas, mais meritórias.
Com a recepção dos sacramentos, fonte por onde Deus nos comunica este precioso dom.
Alguns sacramentos só se podem receber uma vez ou poucas vezes; outros podem-se receber muitas vezes.
Quando te confessas e só tens pecados veniais, e te são perdoados esses pecados, aumenta a graça santificante da tua alma.
Dizes que quando comungas estás fria. Mas não tens pecado mortal. O que te leva à comunhão é o desejo de crescer na virtude.
Pois, apesar de te sentires fria, aumenta na tua alma a graça santificante.
Sede avaros, não de riquezas materiais, que não passarão do sepulcro, sede avaros de riquezas espirituais, pois as tereis por toda a eternidade.
Por fim, defendei essa riqueza espiritual da vossa alma.
Quantas precauções se tomam para defender dos ladrões o dinheiro!
Que poucas precauções se tomam para defender dos ladrões a graça santificante! 
E espreitam-nos tantos no caminho desta vida!
esperam-nos onde menos esperamos: esperam-nos na rua: uma cena, qualquer coisa de desonesto que quer meter-se pelos olhos para roubar as riquezas da alma.
Espreitam-te no balcão, no passeio: uma conversa pouco honesta que se mete nos ouvidos para roubar essa riqueza da alma.
Espreitam-te na tua casa: uma pessoa amiga, que mais que a amizade pretende roubar as riquezas da tua alma.
Esperam-te sobretudo nos lugares de diversão, que são verdadeiras ocasiões de pecado: nos salões de cinema e de baile e nos passeios solitários. Quantos gatunos por esses sítios! e que poderosos!
Como é difícil que a alma se defenda de todos eles! Como sucede a maior parte das vezes, a alma sairá dali despojada da graça santificante.
Olhai como representam a Imaculada Conceição os grandes pintores: Murilho e Ribera.
É uma menina inocente, levanta-se da terra para não se manchar com o seu lodo. Tem os olhos postos no céu e cruza as mãos diante do peito, como apertando para o não perder, o tesouro de valor infinito que Deus lhe confiou: o tesouro da graça santificante.
Assim deves passar pelo mundo. Desprendida das coisas da terra para não te manchares com elas; com os olhos postos no céu, nossa pátria, nossa felicidade, e apertando bem contra o coração o tesouro da graça que tantos inimigos te querem arrebatar, esse tesouro com que hás de comprar no céu a felicidade eterna.

15 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Alma da Virgem Santíssima


Parte 6/7

Muitos homens passam pela terra e saem deste mundo sem nunca terem recebido este precioso dom de Deus: a graça santificante.
Todos os que morrem sem o batismo. Pobrezinhos! Essas almas não poderão entrar jamais no céu, nunca poderão ver a Deus.
Nós estivemos sem essa graça santificante uns meses, não a recebemos no primeiro momento da nossa existência como a Santíssima Virgem.
Porém apenas nascemos, as águas do batismo regaram a nossa fronte e Deus depositou na nossa alma este tesouro.
Agradeçamos a Deus o imenso favor de havermos nascido num país cristão.
Compadeçamo-nos dos pobres infiéis destinados a viverem sem esta luz divina na alma, se algum missionário não chega a tempo de a iluminar.
Agradeçamos esta dádiva de Deus e estimemo-la.
Estimemo-la como os santos, que todos os sacrifícios julgaram pequenos para por esse meio conservarem e aumentarem na sua alma a graça santificante: o sacrifício dos prazeres, das diversões, o sacrifício do lar e dos pais, o sacrifício dos bens, o sacrifício da pátria, o sacrifício da saúde e da vida. Todos estes sacrifícios os fizeram: as virgens, os apóstolos, os mártires.
Estimemos a graça como Jesus Cristo a estimou. Queria comprá-la para os homens e deu para isso os seus trabalhos, o seu sangue e a sua vida.
Estimemo-la como o próprio Deus que não encontrou na criação um dom mais precioso para enriquecer sua Mãe.
Estimemo-la pelo que vale em si mesma e pela nobreza que nos comunica.
Ele torna-nos filhos de Deus; com ela temos direito de levantar ao céu a fronte e chamar a Deus - Pai.
Este deve ser o nosso titulo de glória.
Os títulos da terra, por muito nobres que sejam, são títulos vãos, incapazes de nos fazerem dignos de que Deus nos olhe. São títulos caducos, pois a morte apressa-se a quebrá-los e a faze-los desaparecer. Por isso desprezaram-nos alguns santos como S. Luís Gonzaga e São Francisco de Borja.
A tua verdadeira grandeza não é ter nascido de uma família de elevada posição social; é ter sido feito filho de Deus pela graça santificante. A tua verdadeira desgraça não será mendigar o pão de porta em porta; será perder a graça santificante. Se estimamos esta grandeza de filhos de Deus, não a rebaixemos, não a calquemos.
Quando um jovem, filho de pais nobilíssimos, se torna um perdido, infama o nome da família, arrasta pelo chão a sua nobreza.
Se somos filhos de Deus, procedamos como filhos de Deus; não inferiorizemos a nossa dignidade. Como é vergonhoso que um filho de Deus se deixe arrastar pelas paixões e pelos vícios!
Quando te assaltar a tentação, que te assalte também este pensamento: sou filho de Deus, não quero rebaixar-me. Se aprecias a graça santificante, não a vendas ao desbarato. Não a devemos vender por nada deste mundo.
O demônio se pudesse, dar-nos-ia o mundo inteiro para que lha entregássemos. Ofereceu-o a Jesus Cristo: " Haec omnia tibi dabo".
Dar-te-ei todos os reinos da terra. Nem por esse preço deveríamos entregar a graça santificante; porque seria entregar a alma, renunciar ao céu. Que loucura seria vendê-la!
Porém o que não tem nome é vendê-la ao desbarato, é vendê-la por uns nadas, como faz a maioria dos cristãos. Por que coisas trocam a graça santificante?
Dizem na bilheteira do cinema: dê-me uma entrada para essa película vermelha e entrego-lhe a graça santificante da minha alma. 
Dizem ao livreiro: dê-me essa novela verde e entrego-lhe a graça santificante.
Dizem a uma companheira: conversemos sobre qualquer assunto desonesto e dou-te a graça santificante.
Dizem a um companheiro: dá-me uma entrada para o baile e entrego-te a graça santificante.
E às vezes nem pedem um prazer real, contentam-se com um prazer imaginário: dá-me um pensamento desonesto e entrego-te a graça santificante.
Que maus negociantes são os cristãos! Que barato vendem o que tanto vale! Se fossem bons negociantes, em vez de venderem a graça que possuem, procurariam aumentá-la.
Também a nós nos diz Deus quando nos entrega este tesouro do céu no batismo: " Negocia com ele até que eu venha exigir-te contas depois da morte ".
E os bons cristãos não o têm ocioso.

13 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Alma da Virgem Santíssima


Parte 5/7

Maria multiplicou essa graça inicial.
O senhor da parábola dos talentos diz aos criados a quem entregou a sua fazenda: negociai com esse dinheiro; não o tenhais ocioso.
Isto disse também à Virgem Santíssima ao entregar-lhe o tesouro sobrenatural da graça; e a Santíssima Virgem não o enterrou. Negociou com ele em todos os momentos da sua vida, desde a sua conceição até à sua morte.
Desde o primeiro instante da sua existência teve um conhecimento perfeito; portanto, as suas obras podiam ser meritórias.
Desde o primeiro momento amou a Deus tanto quanto entendeu que o devia amar; e os seus atos eram movidos pela caridade sem mistura de afeto menos ordenado ou intenção torcida.
Numa palavra, todos os atos da vida da Santíssima Virgem foram conscientes e livres; todos inspirados no mais puro amor a Deus; todos eles honestos e, por conseguinte, todos eles meritórios.
Em cada um deles ia multiplicando a graça da sua alma.
E não lhe roubavam nenhum mérito nem as paixões, nem as imperfeições, nem os pecados. 
Mesmo durante o sono, a razão e a vontade estavam pensando em Deus, amando a Deus, e por conseguinte, merecendo e aumentando a graça.
Como podia isto ser?
Porque a Santíssima Virgem tinha um conhecimento infuso de Deus, independente da imaginação e dos sentidos; e ainda quando os sentidos e a imaginação dormissem, a sua alma, em virtude da ciência infusa, podia entregar-se à contemplação e ao amor de Deus.
E para que não lhe faltasse nenhum meio de aumentar a graça santificante, sem dúvida que recebeu os principais sacramentos, fonte da graça.
Jesus Cristo recebeu o batismo, porque não o podia receber sua mãe?
É verdade que não necessitava recebê-lo para que a deixasse o pecado original; porém pôde recebê-lo para que aumentasse mais a graça santificante.
Certamente recebeu a sagrada comunhão.
Se os primeiros cristãos comungavam diariamente, porque não havia de comungar ela também?
Era o principal consolo que lhe ficou depois do seu Filho subir ao céu: o que lhe tornava suportável o desterro e a dor da separação.
Podia comungar com frequência, pois viveu sempre em companhia de São João. E que comunhão a da Santíssima Virgem! que fervorosa! que pura!
Se Jesus morou com tanto gosto em seu seio, porque não havia de vir com gosto aquele coração? Jesus Cristo em nenhuma alma entrou com mais agrado.
Sempre que vinha visitá-la lhe trazia algum presente; e o presente que mais estimava Jesus e que a Santíssima Virgem mais agradecia, era a graça santificante.
Que bem que a Virgem Santíssima negociou com este tesouro!
O bom servo da parábola apresentou a seu amo o dinheiro multiplicado.
E se o servo fiel foi recompensado, com maior razão colocou Deus no céu a Santíssima Virgem acima de todos os santos e acima de todos os coros angélicos, já que a glória é proporcionada à graça.
Na graça foi quem mais se aproximou de Deus; e no céu quem mais perto devia estar d'Ele.

11 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S J

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Alma da Virgem Santíssima


Parte 4/7

A Santíssima Virgem, ao ser concebida, estava destinada para Mãe de Deus. Que graça correspondia à dignidade deste destino?
A sentença mais moderada - digamos assim - contenta-se com dizer: a Virgem Santíssima no primeiro instante da sua existência teve maior graça que qualquer santo no primeiro momento da sua santificação, quer dizer, no momento em que desapareceu da sua alma o pecado original.
Teve maior graça que qualquer santo ao receber o batismo. Mais que São João Batista ao ser santificado no ventre de sua mãe. Mais que São José quando lhe foi tirado o pecado original.
Que missão estavam destinados a desempenhar estes santos?
Ser apóstolos, ser fundadores de uma ordem religiosa, ser o precursor do Messias. Todas estas dignidades não se podem comparar com a de Mãe de Deus. Nem sequer a de São José.
E se Deus dá a graça que requer a dignidade da missão a desempenhar, à Santíssima Virgem teve que a dar maior que a todos os santos. Contentarmo-nos com isto seria tornar pequena a Mãe de Deus.
Nenhum teólogo duvida de que a Santíssima Virgem no começo da sua existência teve maior graça que qualquer santo no fim da sua vida.
A ela se aplicaram aquelas palavras da Escritura: " Fundamenta eius in montibus altis ".
A base desta montanha esta sobre o cume dos montes mais elevados. Porém bastantes teólogos, e não de pouca autoridade, se atrevem a dizer mais ainda, não obstante outros vacilarem em o afirmar. Dizem esses teólogos mais entusiastas das glórias da Virgem Maria que ela teve no começo da sua existência maior graça, que todos os anjos e todos os santos; e não separadamente mas juntos.
 Nós, que diremos perante esta opinião?
Diremos o mesmo que o grande devoto da Santíssima Virgem, Santo Afonso Maria de Ligório: 
"Quando uma opinião é de qualquer maneira honrosa para a Santíssima Virgem e não esta desprovida de fundamento; e por outro lado não repugna nem a fé, nem aos decretos da Igreja, nem à verdade, não a seguir ou contradizê-la com o pretexto de que a opinião contrária pode ser também verdadeira, é mostrar pouca devoção à Mãe de Deus. E eu não quero ser desses devotos tão reservados."
E esta opinião certamente não esta desprovida de fundamento. Deus dá a graça conforme com a dignidade do estado ou ministério para o qual destina uma pessoa. Ora bem, a dignidade dos destinos mais gloriosos dos homens, nem isoladamente nem em conjunto chegou à dignidade da Mãe de Deus.
Esta dignidade esta num plano superior à de todos os seres criados. Esta num plano intermédio entre Deus e os homens. E em certa forma, a sua dignidade pertence à ordem hipostática; por isso à Santíssima Virgem se deve um culto inferior a Deus, é verdade, porém superior ao de todos os anjos e ao de todos os santos. 
Por isso Pio IX na Bula " Ineffabilis " afirma: " Deus a encheu maravilhosamente de todos os dons celestiais mais que a todos os espíritos angélicos e a todos os santos ".
Em que grau?
" De maneira que possuísse aquela plenitude de inocência e de santidade, que depois de Deus não se pode conceber maior ".
Ora, juntando a graça de todos os anjos e de todos os santos, a inteligência ainda pode conceber uma plenitude de graça superior antes de chegar à de Deus que é infinita. E essa plenitude superior foi a da Santíssima Virgem. Existem ainda mais razões. Quanto mais te aproximas do fogo, mais sentes o seu calor. Quanto mais te aproximas de um foco, mais aproveitas da sua luz. Fonte e foco da graça santificante é a divindade e nenhum anjo nem nenhum santo, nem separados nem juntos, se aproximaram tanto da divindade como Maria, pois já desde o primeiro instante estava destinada ao parentesco mais intimo com Deus.
O Pai considerá-la-ia a filha mais querida de todas; o Espírito Santo escolhê-la-ia ´para esposa e o Filho de Deus para Mãe. Será consanguínea do Filho de Deus: o mesmo sangue circulará nas veias de ambos.
Finalmente, a graça é fruto do amor de Deus para com os homens.
Deus manifesta o seu amor aos homens, concedendo-lhes não riquezas nem honras, mas dando-lhes graça santificante. E se Deus concede este dom na medida do amor que professa às almas, teve que dar a Maria um caudal de graça maior que a todos os santos juntos, pois amou-a mais que a todos eles.
Na alma da Santíssima Virgem, Deus depositou ao criá-la, como numa arca preciosa, uma graça maior que a de toda a multidão de predestinados. Se no prato de uma balança se pusesse a graça de todos os bem aventurados, e no outro a da alma da Santíssima Virgem, a balança inclinar-se-ia para o lado da Mãe de Deus.

6 de agosto de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 545

UMA PROPOSTA

O Cardeal Gousset, arcebispo de Reims, pediu a um rico negociante que, para dar bom exemplo aos demais, fechasse seu negócio aos domingos. Respondeu o tal que não podia atender aquele pedido, porque sofreria grande prejuízo. “Pois bem — disse o cardeal — faço-lhe uma proposta: Durante um ano o senhor fechará seu negócio aos domingos e festas e, se ao cabo de um ano sofrer prejuízo (comparadas suas entradas com a do ano anterior), eu me comprometo a pagar a diferença total. Se, pelo contrário, tiver maiores rendas, o senhor me entregará o excesso para as minhas obras de beneficência”.
O comerciante aceitou a proposta. No fim de um ano apresentou-se ao cardeal e entregou-lhe seis mil francos, que o negócio rendera a mais que nos anos anteriores.
O cardeal tinha razão; e o negociante foi consciencioso, Deus seja louvado.

5 de agosto de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 544

POR TRABALHAR NOS DOMINGOS

Um moleiro da Vendéia (França), pervertido pela revolução e estimulado pela ambição, trabalhava nos domingos com escândalo do povo, fazendo andar o moinho durante os atos religiosos da igreja.
Um dia — era festa solene — saiu muito cedo para por em movimento o moinho e praguejava porque o vento não era bastante como ele queria. Pôs o moinho em condições de funcionar e escondeu-se, esperando que acabasse de passar os fiéis que iam à igreja.
Quando notou que começara a Missa, saiu de seu esconderijo e aproximou-se do moinho. Nesse momento levantou-se um pé-de-vento e uma das aspas (asas do moinho) lançou o infeliz moleiro a vinte passos de distância, cessando o vento instantaneamente. Gravemente ferido, morreu momentos depois, sendo levado para casa por aqueles que voltavam da igreja após terem cumprido seus deveres para com Deus.

4 de agosto de 2018

VII Congresso São Pio V - Programação Completa e Demais Informações

VII Congresso São Pio V 


"A 'Reforma' Protestante"


PROGRAMAÇÃO COMPLETA


Sábado - 04 De Agosto
Capela Militar Nossa Senhora das Vitórias - Capela Militar do Exército .

08:00 horas - Missa Rezada.

Auditório da Associação da Vila Militar/AVM - Rua Santo Antonio, 100 - Rebouças - Curitiba/Pr.

09:30 horas - Início do Credenciamento.

10:00 horas - Palestra de Abertura - Apresentação do Tema (Padre Thiago Bonifácio - IBP Curitiba).

10:40 horas - Intervalo curto (troca de palestrante).

10:50 horas - Palestra "A Angustia de Lutero" - O Processo de Descatolização do Pseudo-Reformador (Padre Ivan Chudzik - IBP Belém).

12:30 horas - Pausa para Almoço: O Restaurante da AVM, situado no local do congresso, estará aberto (Buffet Livre, suco e sobremesa) para os interessados: R$ 15,00 por pessoa.
Observação Importante: Favor confirmar o interesse de almoçar no local no e-mail saopiov@gsaopiov.com até o dia 02/08/2018.

14:00 horas - Palestra "Contra Reforma" - O Concílio de Trento (Padre Marcos Mattke - IBP Brasília).

15:30 horas - Coffee Break.

16:00 horas - Palestra "Bases da Doutrina Protestante" (Padre Thiago Bonifácio - IBP Curitiba).

17:30 horas - Intervalo Curto (troca de palestrante).

17:40 horas - Palestra "O Pensamento de Lutero e o Espírito do Concílio" (Padre Renato Coelho - IBP São Paulo)

19:10 horas - Encerramento.


Domingo - 05 DE AGOSTO
Capela Militar Nossa Senhora das Vitórias - Capela Militar do Exército

09:30 horas - Atendimento de confissões.
10:00 horas - XI depois de Pentecostes - Missa Solene.
 

Observações:
  • No congresso haverá atividades para as crianças - Coordenadas pelos Seminaristas do IBP e Monitores da ACSPV.
  • Faça sua inscrição o mais breve possível, pois as vagas são limitadas (90 lugares), pelo e-mail saopiov@gsaopiov.com
  • Estacionamento - Deixando o veículo em tempo integral (sem a retirada do veículo) será cobrado o valor de R$ 2,50. Em caso de saída e retorno ao estacionamento será cobrado o valor de R$ 2,50 para o novo período. * Pagamento do estacionamento em dinheiro, pois o mesmo não dispõe de serviços de cartões de crédito/débito. 
  • Link para os mapas de localização (Capela Militar Nossa Senhora das Vitórias e Auditório da AVM) após o banner abaixo.  


Mapa Capela

Mapa Auditório da AVM

Tesouro de Exemplos - Parte 543

NÃO LEVANTAVA ÂNCORAS

Cristóvão Colombo, homem religioso e temente a Deus, quando atravessava os mares para a descoberta do Novo Mundo, em domingos e festas de guarda não levantava âncoras.
Os seus navios nesses dias pareciam igrejas flutuantes, em pleno oceano, de onde se elevavam ao céu fervorosas preces, hinos e cânticos piedosos.

3 de agosto de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 542

UM RAIO VINGADOR

Era a primeira vez que naquele bairro se profanava o dia de festa de guarda. O dono da fazenda ordenou que seus camaradas trabalhassem na terra o dia inteiro, não fazendo caso das advertências recebidas. A gente religiosa e boa, escandalizada, esperava o castigo de um momento para outro. Com efeito, no dia seguinte, desencadeou-se um terrível furacão. Todos rezavam e tremiam, pois no bairro se ofendera a Deus grave e escandalosamente e ele vingaria o ultraje. E eis que, no mais forte da trovoada, caiu um raio na propriedade do fazendeiro profanador, reduziu o edifício a escombros e queimou tudo que havia nele, sendo inúteis todos os esforços empregados para apagar o incêndio.
Deus é paciente. Nem sempre castiga imediatamente; nem por isso devemos abusar.

2 de agosto de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 541

QUEREMOS O CRUCIFIXO!

O célebre Cardeal Cheverus fazia uma série de sermões em Paris. Atraídos pela eloquência e amabilidade do homem de Deus, corriam a ouvi-lo tanto católicos como protestantes. Mas, como estes são inimigos das sagradas imagens, mandaram-lhe dizer. que não podiam suportar a vista do Crucifixo que conservava a seu lado no púlpito. Na noite seguinte, o Cardeal, tendo subido ao púlpito, falou assim:
— Senhores! Ouço dizer que a alguns de vós não agrada a vista deste Crucifixo; pois bem, eu quero comprazer-vos — tirou-o do púlpito e ocultou-o aos olhos do público. — Mas agora ouvi o fato que vou narrar-vos.
“Um dia seguia um homem pelo seu caminho, quando topou com um assassino, o qual, lançando-o violentamente por terra, estava para traspassar-lhe o coração com um punhal. Naquela terrível conjuntura, um bom senhor, vendo o que estava para suceder, lança-se entre o assassino e aquele pobre infeliz e, cobrindo-o com a sua pessoa, implora para ele a salvação e a vida; e o assassino sem compaixão crava o punhal no coração daquele bom senhor e mata-o, deixando livre o outro.
Um pintor, presente aquele atroz delito, corre para casa e pinta-o ao vivo como ainda o tinha impresso em sua imaginação; depois, tomando a pintura, corre à casa do homem salvo e diz- lhe: “Senhor, trouxe-lhe um quadro de presente e estou certo de que lhe agradará bastante” e, assim dizendo, pouco a pouco lhe descobre a pintura. Aquele senhor, logo que reconhece a fisionomia do seu benfeitor, põe-se em pé, exclamando: “Oh! eis o bom senhor que me salvou a vida!” e, comovido, beija e torna a beijar. a imagem do seu salvador, banhando de lágrimas”.
Nesse momento o Cardeal toma o Crucifixo, ergue-o bem alto e continua:
— Eis, senhores, que vos apresento um retrato: vêde bem de quem é. Nós todos estávamos irremediavelmente condenados à morte eterna. Jesus cobriu-nos com a sua pessoa e recebeu no seu coração aquele mesmo golpe que nos era destinado. Quis morrer no meio de atrozes tormentos para nos dar a vida eterna; e vós não amais o seu retrato? não podeis suportar- lhe a Vista?... Pois bem, eu o levarei comigo, eu o conservarei sempre ao meu lado para, na última agonia, apertá-lo entre as minhas mãos geladas e dar-lhe o último ósculo da minha gratidão e do meu reconhecimento”.
Apenas ressoavam as suas últimas palavras, quando a multidão — católicos e protestantes — prorromperam no grito vitorioso: “Queremos o Crucifixo!... .Queremos o Crucifixo!...”
O admirável pregador desce do púlpito, levando a sagrada imagem, e todos aqueles homens vão beijá-la com grande reverência e até com lágrimas nos olhos.
Por que será que amamos tão pouco a Jesus Crucificado?

1 de agosto de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 539 e 540

UM HOMEM DE CARÁTER

1. O tenente de cavalaria N. N. provera-se de malha de ferro, em uso naquela época entre os militares, que a traziam debaixo da farda como defesa. Um dia o Comandante teve a curiosidade de ver a malha do tenente para conhecer-lhe a qualidade e a estrutura. O tenente de bom grado prontificou-se a atender aquela inocente curiosidade de seu superior; desabotoou a farda à altura do peito e, nesse instante, apareceu aos olhos do Comandante um Crucifixo bastante grande que o tenente costumava trazer ao pescoço.
— Como? — exclamou o superior — o sr., um soldado, um tenente, não se envergonha de trazer isso consigo?
— Comandante — respondeu o outro — envergonhar-me disso? Saiba que não poderia respeitar nem obedecer ao meu soberano, se antes não respeitasse nem obedecesse ao meu Deus crucificado!
O Comandante admirou a franqueza do tenente, apertou-lhe a mão e disse:
— Bravo, tenente!
Este ficou um pouco desconcertado pelo temor de que aquele protesto lhe causasse algum retardamento na promoção com que contava. O primeiro boletim militar, porém, entre outras promoções, trouxe também a do bravo tenente.

2. O mesmo militar N. N., enviado a uma cidade por motivo de negócios, dirigiu-se a um hotel e pediu um quarto. Ao entrar no aposento notou que não havia ali nenhum símbolo religioso ou sinal de fé. Abriu então a sua valisa, tirou um Crucifixo, que sempre o acompanhava, e pendurou-o à cabeceira da cama. O camareiro não pode deixar de protestar, dizendo ao hóspede que, naquele hotel, por ordem do patrão, não era lícito expor nenhum sinal de religião.
Como? — perguntou o militar — sou católico e não terei o direito de pendurar sobre o meu leito a bandeira da minha fé? Mas que prepotência é essa?
O camareiro, porém, insistia com ele para que tirasse dali o Crucifixo. O militar, que não transigia, abriu a valise e colocou dentro o Crucifixo, desceu as escadas e, chamando um carro, mandou tocar para- outro hotel.