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31 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Inteligência da Santíssima Virgem.

Parte 7/7

Se abríssemos as portas da inteligência de uma jovem, encontraríamos a morada da sabedoria?
Há jovens virtuosas, santas, que têm um conhecimento grande de Deus e das coisas divinas.
Há jovens bem formadas, que tem um critério certíssimo para julgar a moralidade das ações humanas: relações, diversões, vestidos.
Há jovens bem instruídas, que vão adquirindo os conhecimentos que necessitam para serem esposas e mães exemplares. Aprendem o que necessitam e aprenderam-no a seu tempo.
Porém destas jovens há muito poucas, destas jovens vão desaparecendo cada dia mais; são aquelas mulheres que a Escritura compara a um tesouro precioso, porém raro, como os tesouros que se trazem de regiões longínquas; tesouro que, por ser precioso e pela sua raridade, se torna apreciável. Ditoso o jovem que encontrar esse tesouro e o levar para o seu lar.
O que é a inteligência da rapariga mundana?
Morada da frivolidade. Um museu onde se exibem os retratos de todas as artistas, de todos os jovens da povoação, de todas as jovens que brilham e lhe disputam a supremacia da beleza. Uma exposição de modas: de vestidos, de sapatos, jóias, adornos e penteados. Um "écran" de ciúmes sempre em atividade. Nessa película reproduzem-se em sessão permanente as cenas que vê no cinema, as que lê nas novelas, as que presencia na rua, nos salões de baile.
Não procureis nesse museu a imagem da Virgem Santíssima, não procureis nesse cinema nenhuma cena da vida de Jesus, nem do céu, nem do inferno. Nisso não pensa nunca.
Essa inteligência é a morada da ilusão. Porque não somente reproduz o que vê; ela fabrica e filma por sua conta as fitas; compõe muitas novelas, quase todas cor de rosa e ainda alguma que outra vermelha, verde e até negra. Porque nessa inteligência não faltam pensamentos bastantes desonestos, e reparos e até vacilações na fé, que quer pôr um freio às suas loucuras.
Essa inteligência não concebe ideais elevados de santidade; nem ideais dignos de matrimônio, nem sequer ideais nobres, ainda que humanos, de fazer algo de útil na sociedade. Nada disso. Abriga um mundo de ilusões e de fantasias que nunca se realizarão. Ilusões de diversão continua, de felicidade pura sem mistura de dor.
Plantas que não se dão no deserto árido da vida. Plantas que só crescem no mundo fantástico da novela.
E, como a inteligência é o farol que indica o caminho que o homem deve seguir, não estranheis que essa jovem vá por caminhos extraviados: caminhos de prazer, caminhos de vício, caminhos de perdição. Essa inteligência é morada da ignorância.
Elas ignorantes? Rir-se-ão ao ouvirem esta afirmação. Ignorantes elas, que aos dez anos, ou talvez antes, já sabiam o que poderia saber sua mãe ou sua avó?!
Ignorantes elas, que conhecem todos os segredos do vício, que conhecem todas as histórias de baixa moral da sociedade?! E contudo, mesmo que se riam, são umas ignorantes.
Porque a ignorância é a falta dos conhecimentos necessários para o seu estado, e elas saberão muito de vícios, porém nada sabem do que necessita uma esposa para governar a sua casa; nada sabem do que necessita uma mãe para educar os seus filhos; por isso, se casam, o lar será um desastre, a economia doméstica uma falência; as filhas, umas mundanas frívolas como elas, os filhos uns perdidos, o marido um desgraçado que terá de procurar fora do lar a felicidade que ela não soube proporcionar-lhe. E se essa inteligência só fosse ignorante, mas o que é pior ainda é ser moradia do erro. Que idéias tão errôneas sobre a moralidade das ações!
Que idéias tão erradas sobre as diversões lícitas ou ilícitas, sobre as modas modestas ou escandalosas, sobre o modo de manter relações, sobre o fim do matrimônio, sobre os deveres sagrados dos esposos, sobre a educação que se deve dar aos filhos! Que ideias tão materialistas, tão pagãs!
Esse conjunto de erros formou-os uma consciência errada, que é a norma pratica da sua vida, uma consciência para a qual nada é pecado, porque inventou uma moral acomodada aos seus caprichos; mas que não é a moral imposta por Deus.
Erro de que é culpada, porque por culpa o adquiriu, lendo livros de critério anti cristão; seguindo o conselho de pessoas mundanas e pervertidas; descuidando a instrução moral necessária; fugindo dos sermões que a podem instruir, mas ela não quer que lhe revolvam a consciência; desprezando os conselhos de pessoas competentes em questão de moral; e ridicularizando as mulheres que não procedem como ela.
Erros culpáveis, e por conseguinte, as ações, a conduta que se acomode a esses erros será responsável perante Deus e sancionada com o castigo.
Inteligência que levada pela sua leviandade ajuíza erradamente das ações dos outros.
Sem nenhuma razão ou pelo mais leve motivo julga a conduta dos mais, forma juízos temerários, se não vai ainda mais além, levantando calúnias para desacreditar as pessoas que inveja ou que a incomodam.
Ah! Se pudéssemos pôr em paralelo a inteligência da Santíssima Virgem e a dessas jovens mundanas!
Que difícil é trasladar esses traços do retrato da Virgem para a tela dessas almas!
Que difícil é reformar uma inteligência deformada desde criança!
E se não se reforma a inteligência, não se reforma a vida.
Meditai muito na vida da Virgem Santíssima, nas suas ações, nas suas virtudes, nas suas palavras.
É o foco de luz que, juntamente com seu Filho, Deus pôs na terra para iluminar as almas.
A tua inteligência parecer-se-á um pouco com a sua?

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