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10 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

Consideração Final:
O SANTO VIÁTICO E A EXTREMA-UNÇÃO

M. — Diz o provérbio: Em caso arriscado deve-se jogar a última cartada.
E poderá haver caso mais arriscado do que o fim da vida, a hora da morte?
Naquele instante jogaremos a cartada que decidirá para nós a boa ou má sorte por toda a eternidade. A Igreja, mãe carinhosa, pensou em nós e nessa hora suprema nos ajuda a jogar essa cartada.
Há obrigação de comungar? Responde o catecismo: "Há obrigação de comungar em perigo de morte e, ao menos uma vez cada ano, pela Páscoa da Ressurreição'". Eis, pois a carta certa, a carta maravilhosa que a Igreja nos faz jogar na última hora. Por quê? Porque a comunhão na hora da morte é a salvação da alma. Foi Jesus mesmo que o declarou: "Quem come a minha carne viverá". Sendo Ele a verdade eterna, não pode enganar-se nem enganar. Mais ainda. Ele afirmou isso com juramento: "Em verdade, em verdade, eu vos digo" isto é: Eu juro.
Não se faz um juramento por motivos fúteis, mas sempre por coisas de suma importância. E Jesus, fazendo tal juramento, quis dar-nos a entender que se tratava de um assunto importantíssimo, único na vida.
Coitado daquele que se descuidar de coisa tão importante! Terá de enfrentar a morte, sozinho, sem esse valioso apoio! Quem age assim porá em perigo a própria salvação.
D. — O senhor tem toda a razão, Padre.
Estas expressões tão claras e precisas testemunham o seu zelo sacerdotal. Todavia, Padre, permita-me uma observação. Os moribundos, geralmente não conhecem a gravidade do próprio estado, pensam que não estão tão mal, sempre esperançosos em sarar; por isso a maioria das vezes não se preocupam em mandar chamar o Padre ou pedir os últimos sacramentos.
M. — Você tem razão. Infelizmente é assim. Porém em tais casos os parentes do enfermo e mesmo o médico deveriam chamar o Padre e prevenir o enfermo do estado em que se acha.
D. — Os parentes, Padre, muitas vezes nem pensam nisso com medo de assustar o doente.
M. — Essa é a grande desgraça; o doente não conhece o próprio estado... os parentes não lhe manifestam, e deixam que a alma se perca. Poderá Deus perdoar tal abandono? 
Se em sua casa houvesse um doente grave, cuja cura lhe interessasse muito e sucedesse que pela cidade passasse um célebre médico, especializado em toda classe de moléstias, será que você não iria chamá-lo para que viesse ver o enfermo e assim curá-lo?
D. — Certamente, Padre, custasse o que custasse.
M. — Pois bem, tal médico existe para todos os enfermos e moribundos e está sempre pronto a visitá-los não exigindo nenhum pagamento.
É o sacerdote. Chama-o, pois e com a maior boa vontade ele acudirá à cabeceira do enfermo a fim de confortá-lo, consolá-lo, perdoar-lhe os pecados em nome de Jesus Cristo, e por fim, dar-lhe o Santo Viático que é o melhor dom do Paraíso.
* * *
Um senhor, muito meu conhecido, estava gravemente doente. Homem de negócios, já com sessenta anos. Durante a vida pouco se incomodara com a religião e, por conseguinte nem na hora da morte pensava em receber os sacramentos.
Os parentes, também poucos religiosos, somente se preocupavam com a doença e nem sonhavam em chamar o Padre, com medo de assustar o doente. Entretanto uma netinha do enfermo, que há pouco tempo fizera a primeira Comunhão, sabendo que o avô estava muito mal, lembrou-se do que aprendera no catecismo sobre a necessidade de receber a Comunhão como Viático. No dia seguinte, bem de manhãzinha foi à Missa e falou com o Vigário. De volta foi saudar o avozinho. Aproximou uma cadeira da cama para poder subir em cima e abraçar ao vovô, começou a dizer-lhe:
— Vovozinho! Como te amo! Já sabes disso, não é? ... Por isso hoje de manhã, na Missa pedi por ti; pedi a Jesus que te curasse e depois avisei o Vigário para que te traga o Viático.
— Que estás dizendo?
— Sim, eu disse ao Vigário para que te traga a Santa Comunhão.
— Não, filhinha, ainda não é hora. Vai dizer ao Vigário para que não a traga. Ainda é cedo. Não estou preparado.
— Agora já é tarde. Daqui a poucos minutos ele estará aqui. Oh! Vovozinho, ele te dirá tantas coisas bonitas, dar-te-á Jesus que é tão bom...
— Não, não! Basta. Não estou preparado.
— O Vigário te preparará. . . Ficarás tão contente e eu te darei tantos beijos... Querido vovozinho...
Nisso retine a campainha da porta e chega o Vigário. Os parentes o acompanham à cabeceira do doente. O Vigário aproxima-se do enfermo, consola-o, conforta-o e por fim confessa-o. Depois reunindo toda a família administra-lhe o Santo Viático e a Extrema-Unção, com grande alegria para todos, principalmente para o enfermo que com as lágrimas nos olhos, não cessava de agradecer a sua netinha que de um modo original soubera procurar para ele a salvação eterna.
D. — Boa menina, verdadeiro anjo de salvação! Todavia aqui se tratava somente de uma indiferença religiosa e respeito humano, mas quando o enfermo não quer saber nem de Padres, nem de sacramentos, que fazer?
M. — Mesmo em tais casos não se deve descuidar em chamar o Padre, pois o que o doente muitas vezes tem, é medo.
D. — Medo de que?
M. — Medo da morte... Medo da condenação eterna.
D. — Não compreendo.
M. — Ouça então. Esses moribundos sentem naqueles momentos, cruciantes remorsos e o peso de uma vida descuidada e viciosa. Estão com medo do passo que vão dar e, sobretudo os apavora o pensamento do juízo de Deus.
É nesse terrível momento que começam a compreender o valor da vida e a triste realidade dos pecados que cometeram; sentem-se por isso apavorados e desanimados, não querem saber nem de Padres, nem de confissão, nem de sacramentos, somente para dissimular o medo que os oprime.
Ouça este lindo fato.
Em minhas frequentes e contínuas excursões apostólicas, tive certa vez de pregar a semana Eucarística na aldeia de Monferrato (Itália).
O Vigário tinha como empregada uma mulher baixinha de estatura e muito medrosa. Toda vez que ia à dispensa buscar alguma coisa, apenas punha os pés no primeiro degrau da escada, começava a cantar.
— Senhor Vigário — disse eu — tem V. Revma. uma empregada muito alegre.
— Não creia que ela cante de alegria, é o medo que a faz cantar...
— Medo de que?
— Medo de ficar sozinha no escuro, medo de ladrões, duendes, e não o que mais.
A cena acabou em risadas; mas sempre a recordo e assim pensei com meus botões: acontece isso com aqueles que não querem saber do Padre na hora da morte, e são os que mais dele precisam e até o desejam, mas não se atrevem a chamá-lo. Querem parecer valentes diante da morte e até um pouco além dela; não querem ser os primeiros, querem que outros os ajudem a quebrar o gelo, e por fim lhes preparem até o terreno, ou seja o caminho, e os ponham em marcha.
D. — Agora compreendi. Mas será mesmo verdade?
M. — Vou prová-lo.
* * *
Na vida de São João Bosco lê-se o seguinte caso, entre muitos outros de moribundos salvos por ele.
Ao saber que se achava em agonia certo senhor de vida livre, o qual havia proibido à família e parentes que chamassem o Padre, Dom Bosco imediatamente dirigiu-se à casa do enfermo, dizendo que precisava falar com ele.
— Mas, Padre, disseram os familiares, ele não quer saber de Padres nem de sacramentos. Proibiu-nos terminantemente tocar nesse assunto.
— Digam-lhe que é um amigo que o quer visitar.
A mulher do doente fez como Dom Bosco indicara e após alguns minutos Dom Bosco se achava à porta do quarto.
O santo entrou sorrindo e enquanto se aproximava do leito, o enfermo levantou-se nos travesseiros e tirando um revólver de sob os lençóis apontou-o a Dom Bosco dizendo;
— Pode vir, com a condição, porém, de que não me fale em sacramentos, nem de religião.
Dom Bosco, sem nenhum receio avizinhou-se da cama, pegou-lhe a mão e ajudou-o a deitar-se. Depois começou a falar de assuntos diversos sobre o curso da doença e possibilidade de sarar e de muitas outras coisas antigas e modernas, tudo com o intuito de poder sondar a vida daquele pobre homem. O enfermo, de início, respondia com palavras entrecortadas, mas depois pouco a pouco foi descobrindo seu interior como se falasse a um amigo íntimo.
Em certo ponto, Dom Bosco levantou-se e fez menção de retirar-se prometendo voltar se ele quisesse. Este segurando fortemente a mão de Dom Bosco, disse:
— E se eu confessasse?
— Ótimo — respondeu D. Bosco — julgava que não precisava.
— Oh! Padre preciso muito, porém não sei como fazer. Estou com medo. A história da minha vida é muito complicada e enredada.
— Não se apoquente com isso, caro amigo. Sua confissão será muito fácil. Eu vou dizer-lhe todos os seus pecados e você não terá senão de afirmar ou negar tudo quando eu disser.
— Sendo assim, então comecemos.
Dom Bosco, que era mestre nesse assunto, sentou-se e o enfermo fez sua confissão.
Daí a meia hora. Dom Bosco, chamou a dona da casa e disse:
— Prepara todo o necessário para a administração do Viático e Extrema-Unção. Voltarei daqui a pouco.
— Como Padre! Ele se confessou?
— Sim. Prepara tudo bem depressa. Não há tempo para perder.
Dom Bosco voltou, administrou-lhe os últimos sacramentos em presença da família admiradíssima. Poucas horas depois o enfermo morria como um bom católico.
Daqui você pode ver como, na maioria das vezes o Padre é recebido como um anjo de consolação e que o Santo Viático é sempre âncora de salvação, ainda mesmo nos casos desesperados.
D. — Padre, já ouvi dizer que os inimigos da religião procuram impedir que o Padre se aproxime do leito dos moribundos, será verdade?
M. — Sim, também isso já tem acontecido e pode ainda acontecer. Então é preciso coragem e astúcia para poder salvar-lhe a alma.
Um antigo aluno de Dom Bosco, católico fervoroso, havia passado para o protestantismo inscrevendo-se na seita dos valdenses.
Tendo ficado doente, já em estado grave, os protestantes, para impedir que ele abjurasse, não abandonavam o leito do enfermo nem por um minuto.
Soube disso Dom Bosco e imediatamente correu em socorro daquela alma. Bateu à porta da casa e veio atendê-lo um ministro valdense que bruscamente lhe perguntou.
— Que quer o senhor?
— Desejo falar com o doente... Com Pedro Ellero, meu antigo aluno e grande amigo.
— O médico proibiu toda e qualquer visita.
— Menos parolices, meu homem, e deixe-me passar. Não vim aqui para perder tempo.
Nisso apresentou-se a mãe do doente e Dom Bosco saudando-a amigavelmente perguntou pelo estado do filho.
O ministro valdense enfurecido pôs-se a esbravejar e ameaçar; Dom Bosco, desafiando a fúria do ministro, entrou no quarto do doente e começou a dizer:
— Oh! Querido Pedro... Como vai... Lembra-se de mim?
Mas o ministro não aguentando mais pulou na frente de Dom Bosco gritando:
— Senhor Vigário, tenha a bondade de retirar-se. O doente não precisa do senhor, e por isso o senhor não tem nada para fazer aqui.
— Bem ao contrário. Tenho muito que fazer e dizer a este meu filho querido. Mas, quem é o senhor para mandar-me com tamanha autoridade?
— Eu sou um ministro valdense e repito que o senhor não tem nada que fazer aqui, pois o enfermo está inscrito em minha seita.
— Antes que ele se inscrevesse em sua seita eu já o havia inscrito no catalogo de meus filhos e aqui vim para salvar-lhe a alma.
Um antigo aluno de Dom Bosco havia passado para o protestantismo...
— Olhe, Padre, que as coisas vão acabar mal!
— Quando se trata da salvação de uma alma, não tenho medo de nada.
O ministro então, irritadíssimo, gritou:
— Retire-se imediatamente daqui... Quem manda aqui sou eu.
Dom Bosco tranquilo, mas firme e decidido, respondeu:
— Respeito a todos, mas a ninguém temo, e muito menos agora, porque o enfermo, arrependido de se ter inscrito na seita protestante, quer morrer no seio da Igreja Católica.
E dirigindo-se ao rapaz: — Não é verdade, Pedro, que quer morrer católico?
— Sim, Dom Bosco, quero voltar à religião católica... Sou católico e católico quero morrer.
Ao ouvir essa resposta tão explícita, o ministro ficou embasbacado e tomando a porta da saída disse:
— Agora não é possível discutir; voltarei em hora mais propícia.
Logo que o ministro se retirou, Dom Bosco se aproximou do jovem que chorava de medo e comoção; depois de consolá-lo e confortá-lo, lhe administrou o Santo Viático e a Extrema Unção. Pouco tempo depois o jovem morria como um justo.
D. — Bendito Dom Bosco que soube salvar aquela alma. Mas nem todos são como ele e dificilmente conseguem isso.
M. — Infelizmente nem sempre se consegue porque o demônio reclama sua presa e naquela hora redobra os esforços como no caso seguinte.
No ano de 1882 estava à morte um célebre revolucionário.
Homem valoroso e de têmpera a qualquer prova, teve, no entanto a fragilidade de ingressar na maçonaria e de tal modo ficou envolvido em suas malhas que nem na hora da morte se pôde livrar.
Algumas irmãs de um convento de Gênova estavam rezando quando de repente ouvem um alarido nas habitações circunvizinhas e uma voz ostentatória a gritar.
— Ai! Que o perdemos!
As irmãs interrompem a oração e vão ver o que é. Tudo está tranquilo e calmo.
Começam a rezar e novamente ouvem os mesmos gritos:
— Ai! Que o perdemos!
Outra vez interrompem a oração, mas tudo volta à tranquilidade de antes.
Passam alguns minutos. E eis que começa uma gritaria infernal, um barulho ensurdecedor: de repente aqueles gritos se mudam em exclamações de alegria indescritível:
— Viva! Já é nosso! Já é nosso!
As irmãs terminam o terço e vão para as ocupações sem poder solucionar o caso. No dia seguinte, os diários trazem a sensacional notícia da morte de uma grande personagem, na mesma hora em que elas tinham ouvido o barulho diabólico; a notícia traz também o nome das pessoas que rodeavam o leito do moribundo: tratava-se precisamente da fina flor da maçonaria italiana.
Mais tarde soube-se que o enfermo pedira com insistência os Sacramentos, mas os maçons que rodeavam o leito não permitiram o ingresso do sacerdote.
D. — Se não fossem aqueles malvados certamente ele se teria salvado, não é, Padre?
M. — Certamente, porque sendo um homem valente teria sabido reconciliar-se com Deus e obtido o perdão e a misericórdia divina, reabilitando-se perante o mundo cristão que certamente lhe aplaudiria o gesto.
Quero terminar as páginas deste livro, citando as palavras de Santa Teresa sobre a confissão. Assim diz ela:
“ Queria subir a um monte altíssimo de onde todo o mundo pudesse ouvir minha voz e dali gritar com todas as forças de minha alma: Ó cristãos, confessai-vos bem, confessai-vos bem porque a confissão bem feita será a nossa salvação”.
Eu quereria dizer com uma mesma força aos meus queridos leitores:
— Comungai, comungai frequentemente, porque na comunhão frequente e bem feita está a segurança de vossa salvação.
E ainda mais:
— Comungai, principalmente na hora de vossa morte, recebendo em tempo o Santo Viático, porque a Comunhão em forma de Viático e a Extrema Unção constituem o passaporte mais seguro para a eternidade!

9 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

RELAÇÃO DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA COM OS MISTÉRIOS DOLOROSOS E GLORIOSOS

M. — Se os mistérios gozosos prestam-se a múltiplas e preciosas considerações a respeito da Santíssima Eucaristia, muito mais ainda estão relacionados com a Eucaristia os mistérios dolorosos, pois que a Eucaristia não é nada mais do que a renovação da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Com efeito, ao contemplarmos a oração de Jesus no horto das Oliveiras, ao pensarmos no seu suor de sangue, nossa mente relembra necessariamente o esforço que fez Jesus diante da repugnância sentida em beber o cálice amargo de sua Paixão; além disso recordamos também a profunda mágoa que sentiu ao ver-se sozinho, abandonado por todos até pelos apóstolos que há dois passos dormiam sossegadamente. E que faz Jesus Cristo em nossas igrejas? Sacrifica-se e oferece-se ao Eterno Pai. Por acaso, não sentirá também as mesmas repugnâncias do jardim das Oliveiras, devido aos maus tratos que continuamente recebe? Onde estão os seus amigos? Olha ao redor, não se vê nenhum. As ruas e praças regurgitam de gente; as igrejas estão vazias... Jesus está quase sempre sozinho. Até seus amigos mais íntimos, como outrora os apóstolos, muitas vezes não se preocupam com Ele.
Ao contemplarmos a oração de Jesus no Horto das Oliveiras, nossa mente se lembra a sua profunda mágoa por ver-se sozinho e abandonado...
No segundo mistério, quando contemplamos a flagelação de Jesus, sentimos o sangue gelar-se em nossas veias ante aquela aluvião de golpes dolorosos: Jesus, no entanto, não se cansa.
É impossível calcular o número de profanações, sacrilégios e crimes que Jesus tem que aguentar na Eucaristia. E apesar de tudo Ele não se cansa e jamais se cansará desse martírio, pois que seu amor para conosco e até para os pecadores, é um amor infinito, eterno.
D. — Como Jesus é bom!
M. — Prostremo-nos de joelhos aos pés daquele sacrário-coluna a fim de sugarmos aquelas gotas de sangue, redentoras e purificadoras de nossos pecados.
No terceiro mistério contemplamos a coroação de espinhos e vemos como se comportam aqueles que usam da mesma Eucaristia para ofender a Jesus Cristo. E não só os que se aproximam da mesa eucarística para recebê-Lo indignamente e dar-lhe o beijo traidor de Judas, mas também aqueles que profanam os domingos e festas com jogos, passatempos e ninharias.
Deles se queixa Nosso Senhor quando diz: "Fui obrigado a aborrecer-me de vossas festas: lançar-vos-ei em rosto o lodo destas festas, porque me haveis feito participar de vossos pecados".
D. — Oh! Padre, quanta gente de nossos tempos deveria sentir a necessidade de reparar tão grande mal!
M. — No quarto mistério, enquanto contemplamos a viagem de Jesus para o Calvário, deveríamos pensar que também hoje em dia Jesus caminha pelas nossas ruas quando sai em procissão ou é levado a algum enfermo. Quem Ele encontra pelo caminho? Tímidos que para não saudá-lo mudam de direção. Encontra ingratos e covardes que se envergonham de saudá-lo ou de descobrir-se à sua passagem. E muitas vezes chega a encontrar até quem o despreza e insulta blasfemando contra o seu Santo Nome.
Também hoje em dia Jesus caminha pelas nossas ruas
D. — Mas Ele encontra também almas varonis que com maior respeito o saúdam e acompanham.
M. — É fato. Mas são tão poucas...
No quinto mistério enquanto contemplamos a crucifixão e morte de Jesus, nosso pensamento voa para a Santa Missa. Sabemos que a Missa é a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz e é nela também que muitos cristãos parecem querer imitar perfeitamente os Judeus que presenciaram o martírio do Salvador.
A santa Missa é a renovação do sacrifício da Cruz.
D. — E qual foi atitude dos Judeus no Calvário?
M. — Vejamos o que diz o Evangelho: uns olhavam com indiferença, como se se tratasse de um assunto que não lhes interessava; insensíveis diante daquele ser humano que agonizava. Esses representam os cristãos que vão à missa tanto por ir, sem nenhuma fé, e ficam satisfeitos quando mais ela é bem curta.
Outros ao passar diante da cruz. blasfemavam, dirigiam-lhe insultos e motejos e O desprezavam: são aqueles que se comportam mal na Missa escandalizando pela postura e modo de vestir.
Bem poucos eram os que estavam recolhidos, os que se comoviam e choravam ao pé da cruz. Somente Maria mãe de Jesus, e algumas piedosas mulheres se compadeceram dos sofrimentos de Jesus e aproveitaram seus últimos ensinamentos. Esses últimos representam os cristãos que assistem o mais que podem a Santa Missa, acompanham o sacerdote nas cerimônias da Missa, e no momento da Comunhão vão receber a Jesus repetindo com amorosa confiança: Consumatum est, tudo está acabado, estou satisfeito, sinto-me feliz.
D. — Muito agradecido, Padre, por doutrina tão bela. Faltam somente os mistérios gloriosos. 
M. — Quanto aos mistérios gloriosos podemos saboreá-los depois da Comunhão: Assim:
1º. Depois de uma Comunhão bem feita, sentimos em nós mesmos, como a renovação de uma vida nova, vida de alegria, de entusiasmo e de felicidade.
2º. Estamos certos de que Jesus nos tem preparado um lugar para nós lá no céu: "Vou preparar-vos um lugar".
3º. Sentimos que Jesus Cristo por meio do Espírito Santo nos concedeu seus preciosíssimos
dons.
Para que você se convença de quanto é estimada por Deus a Eucaristia e a devoção à Santíssima Virgem, vou contar-lhe um caso:
Em um de seus sonhos, que sem dúvida alguma poderiam ser chamados visões, conta S. João Bosco que lhe apareceu encontrar-se com seus jovens navegando em alto mar, quando de súbito se desencadeou tremenda tempestade.
Os rapazes tomados de pavor corriam de um para outro lado gritando por socorro; de repente entre as ondas gigantescas e ameaçadoras, apareceram duas altíssimas colunas de mármore maciço encimados com os nomes de Maria Auxiliadora e Jesus Sacramentado.
Dom Bosco, então, cheio de fé pôs-se a gritar a seus jovens: "Aproximai-vos das colunas..." Obedeceram todos imediatamente e assim puderam todos salvar-se.
Aproximemo-nos também nós dessas colunas de salvação, Jesus Sacramentado e Maria Santíssima, certos de que nelas encontraremos a salvação quando ameaçados pelos vagalhões do mar proceloso desta vida.
Eucaristia não é nada mais que a renovação da Paixão e Morte de N. S. Jesus Cristo. . .
* * *
4º. No quarto mistério glorioso sentiremos a união com Jesus e sua Santíssima Mãe Maria.
5º. Por último, abrigamos a firme esperança de que um dia nós também seremos premiados com a glória dos bem-aventurados e participaremos da alegria e felicidade que gozam os anjos e santos no céu.
D. — E agora, Padre, que mais vai explicar?
M. — Falta somente uma coisa: dizer-lhe como a Comunhão bem feita serve de sufrágio para as benditas almas do Purgatório e, portanto quando comungamos por elas exercemos uma grande obra de caridade.
D. — Muito bem, Padre. Estou certo de que essa explicação será muito interessante.

7 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM, PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA NOS PÕE COM ÍNTIMA RELAÇÃO COM OS MISTÉRIOS DO ROSÁRIO

D. — Como, Padre, a comunhão nos põe também em relação com o Rosário?
M. — Certamente. Examinemos mistério por mistério e assim poderemos tirar conclusões salutares que nos sirvam de estímulo e consolo.
Contemplando, no primeiro mistério gozoso, a Anunciação do Arcanjo Gabriel à Santíssima Virgem Maria, nossa mente detém-se em considerar aquela magnífica saudação que conferiu à Santíssima Virgem a grande missão da maternidade divina e na qual ela, em sua profunda humildade, se declarou escrava do Senhor.
Nenhum mistério há mais apropriado do que este para fortificar nossa fé na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Se Jesus se dignou e quis habitar no seio puríssimo de Maria, por que não se dignará também de baixar a nossos altares para permanecer dia e noite nos sacrários?
O primeiro fato foi confirmado por um anjo; o segundo nos é ensinado e confirmado pela Igreja, que no dizer de São Paulo, merece ainda maior credibilidade.
Além disso, nenhum mistério há como esse para demonstrar como a Comunhão enobrece nossas almas tanto de confundir nossa indiferença e apatia.
Sempre que vamos comungar recebemos o mesmo Jesus Cristo que um dia baixou ao seio virginal de Maria.
Podemos considerar-nos como os homens mais felizes e ditosos deste vale de lágrimas; mas ao mesmo tempo estimemo-nos como servos inúteis, a fim de rechaçarmos nosso amor próprio que tanto prejudica nossa alma.
No segundo mistério, enquanto contemplamos a visita de Maria a sua prima Santa Isabel, pensemos na solicitude com que Maria vai à casa de sua prima; admiremos sua grande caridade e humildade trabalhando por três meses no serviço doméstico.
Este mistério demonstra claramente a finalidade que teve em mira o Salvador ao tornar-se nosso alimento e a prontidão com que vem a nossas almas a fim de as santificar e cumular de graças. Por que não imitamos nós também a generosidade caritativa de Jesus e Maria, indo com presteza aliviar as necessidades do próximo, comunicando-lhe a doçura e caridade que experimentamos na alma quando vamos receber a Sagrada Comunhão?
No terceiro mistério gozoso, contemplamos o nascimento de Jesus em Belém, e aqui podemos demorar-nos em três considerações: a repulsa dos habitantes de Belém, a visita dos pastores e as adorações dos magos.
Oh! Infelizmente, quantas almas há ainda hoje às quais Jesus pede hospitalidade e elas respondem: Não há lugar! Não estamos dispostos, não temos tempo, não temos vontade, e ao mesmo tempo lhe viram as costas e o despedem como a pessoa indesejada.
Ao contrário, quantos pobres e humildes como os pastores, recorrem confiantes a Ele. E não só os pobres e abandonados vão visitá-lo, mas também ricos e nobres, como os magos, vão recebê-lo na Eucaristia.
Que consolo experimentamos ao verificar que, se os pigmeus têm vergonha de prostrar-se diante de Jesus Sacramentado, se os novos Herodes e Pilatos o perseguem, Jesus na Eucaristia continua sempre triunfante e de dia para dia engrossam as fileiras dos que o recebem cotidianamente.
No quarto mistério gozoso, ao contemplar a apresentação de Jesus no templo nos braços do santo velho Simeão, temos diante dos olhos a cena mais eucarística do Rosário, que com razão nos faz exclamar: Ditoso o templo que teve a ventura de abrigar em seu interior o Menino Jesus, e, mais ditoso ainda aquele santo sacerdote que pôde apertar entre os braços e estreitar junto ao coração aquela criança divina! Pois bem, nossas igrejas nada têm para invejar do antigo templo de Jerusalém, pois que todos os dias o mesmo Jesus desce sobre seus aliares e dia e noite permanece encerrado em seus sacrários. E, por acaso, temos que invejar o santo velho Simeão? Ele somente estreitou entre os braços o Menino Jesus e nós o recebemos dentro de nosso coração; ele fez isso uma única vez e nós podemos recebê-lo quantas vezes quisermos; ele teve que devolvê-lo a Maria ao passo que nós ficamos sempre com Ele.
D. — Para isso, Padre, deveríamos ter a mesma fé daquele ancião.
M. — Se não temos a mesma fé, por que não a pedimos ao Senhor todos os dias até a hora da morte?
Como será doce e suave a morte se for procedida pela recepção da Comunhão como Viático!
D. — Ah! Padre, naquele instante supremo não pode haver melhor consolação.
M. — Mas como poderão fazer uma boa Comunhão aqueles que durante a vida trataram a Jesus como um estranho e o receberam somente uma vez por ano? Será impossível. Aqueles em vez que durante a vida receberam frequentemente a Jesus receberão Dele grande conforto na hora da morte.
No quinto mistério, ao contemplarmos o encontro do Menino Jesus no templo de Jerusalém, devemos pensar na aflição de José e Maria quando O perderam e a alegria que experimentaram quando O encontraram.
E onde foram encontrá-lo? No templo falando e discutindo sobre as coisas divinas. E isto foi para nos ensinar que devemos ir recebê-lo nas igrejas, lá onde Ele se encontra realmente presente noite e dia, à espera de nossa visita, sempre disposto a ouvir nossas queixas e atender nossos pedidos. Lá onde Ele mora continuamente, saindo somente para consolar e confortar os doentes moribundos.
D. — O quinto mistério gozoso não lembra também o regresso de Jesus a Nazaré e a sua submissão incondicional a José e Maria?
M. — De certo que lembra. E precisamente o que mais devemos admirar na Eucaristia é essa submissão. Obediente nas mãos dos sacerdotes; submissão a todos os devotos que se apresentam para comungar; obediente até aos seus inimigos, sacrílegos, que Dele se aproximam para roubá-lo e traí-lo vergonhosamente, E nós, em vez de imitarmos essa admirável obediência, tantas vezes permanecemos surdos aos seus chamados, não prestamos atenção aos mandatos e conselhos da Igreja e dos Sumos Pontífices, ficando meses e meses sem nos alimentarmos desse manjar divino que é a Santa Comunhão.
D. — Padre, quanto a mim, prometo que de hoje em diante não será mais assim. Continue a explicar-me a relação que há entre os mistérios dolorosos e a SSma. Eucaristia.

6 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM, PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA NOS PÕE EM ÍNTIMA RELAÇÃO COM MARIA SANTÍSSIMA

M. — São Bernardo, doutor da Igreja e grande devoto da Santíssima Virgem, diz: "Não pode existir verdadeira devoção à Santíssima Virgem se esta não for acompanhada por uma verdadeira devoção ao Santíssimo Sacramento e não está nele fundada". Por que ele diz isso? Porque entre a Santíssima Virgem e a Eucaristia há uma tríplice íntima relação.
D. — Padre, queira explicar-me uma por uma dessas íntimas relações.
M. — Com muito prazer explicarei. Ouça, pois: Primeiramente na Eucaristia existe uma relação íntima entre a carne de Maria e a de Jesus Cristo. Admitimos por dogma de fé que Jesus Cristo realmente presente na Eucaristia é o mesmo que por obra do Espírito Santo foi formado
com o sangue puríssimo de Maria. Assim canta a Igreja: Nobis datus, nobis natus ex intacta Virgine, “foi-nos dado, foi-nos gerado da Puríssima Virgem”
No catecismo, à pergunta: Está presente na Eucaristia o mesmo Jesus Cristo que está no céu e que nasceu de Maria Virgem? Responde-se; Sim, é o mesmo Jesus Cristo.
D. — Então, Padre, podemos dizer que Jesus Cristo é carne e osso de Maria Santíssima, assim como dizemos que somos carne e osso de nossos pais?
M. — É claro que podemos. Santo Agostinho diz textualmente: "A carne de Jesus Cristo é carne de Maria, e o Salvador nos dá essa carne para sustento de nossa vida". Portanto quando comungamos, entramos em íntima relação e união com Maria Santíssima.
D. — Eu nunca teria pensado nisso.
M. — Pois bem, de ora em diante pense nisso todas as vezes que for comungar.
Em segundo lugar, existe uma íntima relação entre Maria e Jesus, considerando a mesma vida eucarística, ou seja, considerando o desejo e a sede que Maria sente de Jesus. Conforme abalizados escritores, acredita-se que a Mãe de Deus viveu vários anos após a Ascensão de seu Filho Jesus aos céus; pois bem, durante esse tempo, qual seria sua ocupação favorita? É fácil adivinhar.
D. — Ensinava como mestra aos primeiros cristãos.
M. — Certamente fazia isso; e como os primeiros cristãos viviam essencialmente da Eucaristia, "viviam continuamente com a Comunhão e fração do pão", mais ainda vivia eucaristicamente a Santíssima Virgem, pois melhor do que os primeiros cristãos e do que os mesmos apóstolos Ela penetrava e compreendia os íntimos e divinos tesouros ocultos nesse grande sacramento.
D. — Padre, será verdade que a Santíssima Virgem comungava todos os dias, pois sabia que na Comunhão ia receber o mesmo Jesus que havia nascido em Belém, e que ela havia educado em Nazaré e por fim foi crucificado no Monte Calvário?
M. — Verdadeiramente era assim. Daqui você pode avaliar a sede que Maria sentia de receber a Jesus. Sede igual deveriam sentir todos os verdadeiros devotos de Maria.
Em terceiro lugar, Maria Santíssima nos mostra sua íntima união com Jesus Eucarístico devido a missão que exerce conduzindo as almas a Jesus Sacramentado.
Ela é a medianeira entre Deus e os homens e a Comunhão é o melhor meio para nos unir a Jesus Cristo. Ela executa essa missão sublime, chamando e incitando a todos os seus devotos para que com frequência o fervor recebam a Sagrada Comunhão.
Com efeito, durante os dezenove séculos da vida da Igreja, sempre que Nossa Senhora se dignou baixar à terra para visivelmente manifestar-se aos seus filhos, foi sempre para pedir que erigissem um templo; e assim foi que se multiplicaram as igrejas e os santuários, e para que sejam igrejas devem ter altares; e os altares o tabernáculo, e por conseguinte a Eucaristia.
D. — Isso foi o que sucedeu em Lourdes, não é Padre?
M. — Isso é muito mais. Após a ereção do santuário que a Santíssima Virgem pedira a Bernardete numa das dezoito aparições, aconteceu uma coisa milagrosa que resultou numa verdadeira transformação.
D. — Que transformação?
M. — Nossa Senhora quis livremente ocultar-se a fim de que brilhasse seu divino Filho na Eucaristia.
Isso aconteceu em 1888. Achava-se em Lourdes uma peregrinação regional da Alsácia e Lorena. E contrariamente ao que até aquele dia sucedera, a Santíssima Virgem parecia estar surda às súplicas de tantos enfermos que esperançosos ali tinham ido em busca da saúde. Nenhum favor, nenhum milagre acontecera em todos aqueles dias.

E ainda por cúmulo de infelicidade na tarde do dia 21, quando devia sair a procissão luminosa com o Santíssimo Sacramento, desabou terrível tempestade impedindo assim que os peregrinos pudessem assistir a tão emocionante espetáculo.
Diante do impressionante quadro que apresentavam aqueles enfermos desconsolados, surgiu uma ideia providencial na mente do Padre Augusto Legarter, que por 30 anos vinha sendo o dinâmico organizador daquelas peregrinações: Devemos ovacionar triunfalmente a Jesus Sacramentado. Por isso quando Jesus passar triunfalmente entre os enfermos estes deverão dirigir-lhe as mesmas súplicas dos enfermos da Palestina.
Expôs sua ideia aos Bispos e sacerdotes presentes e eles acharam-na esplêndida. Imediatamente coligiram todas as invocações evangélicas, e no dia seguinte foram impressas e distribuídas aos peregrinos.
Às quatro horas do dia 22 saía da Basílica a imponente procissão eucarística acompanhada pelos fiéis, todos com velas acesas. Depois da bênção eucarística na gruta começaram as invocações. De todas as macas os enfermos com voz entrecortada pelos soluços acompanhavam compassadamente ao Padre Legarter que ia repetindo: Jesus, Filho de Davi, tende piedade de mim! Jesus, fazei que eu veja! Jesus, fazei que eu ouça. Jesus, fazei que eu ande! Jesus, dizei uma só palavra e eu estarei curado!
A multidão piedosamente repetia essas invocações. E os milagres não se fizeram esperar: oito enfermos repentinamente ficaram completamente curados. No mesmo instante foi entoado o "Magnificat" entre soluços de alegria e felicidade. E daquele dia em diante, sempre que chega nova peregrinação é repetida a mesma cena com as mesmas invocações, realizando-se sempre novos milagres.
D. — Que coisa linda, Padre! De hoje em diante irei comungar pensando que estou unido à Santíssima Virgem.
M. — Muito bem. Seja fiel nesse propósito. E agora vejamos a relação que existe entre a Santíssima Eucaristia e o Santo Rosário.

5 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM, PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA NOS UNE A JESUS CRISTO E NOS TORNA SEMELHANTE A ELE

M. — A Sagrada Comunhão nos une a Jesus Cristo, não somente como em um abraço, mas sim transformando-nos em Jesus Cristo, pois conforme a doutrina de Santo Tomás, na Eucaristia se efetuam duas transformações: a do pão no Corpo de Jesus Cristo e a de nós mesmos em Jesus Cristo.
Por isso, mediante a Comunhão frequente e bem feita, pouco a pouco nos transformamos em Jesus Cristo, isto é, ficamos semelhantes a Ele.
Com efeito, Deus criou-nos à sua imagem e semelhança somente para que mais facilmente o amássemos, pois que a semelhança gera o amor. Com o pecado original perdemos essa semelhança e Jesus Cristo por meio do Sacramento da Eucaristia no-la quis restituir.
As pessoas podem assemelhar-se de três maneiras: Na fisionomia, no caráter e nas ações. A Comunhão nos une a Jesus Cristo e nos torna semelhantes a Ele, por essas três formas.

1º. Quanto à fisionomia, tornando a nossa alma formosa e resplandecente. Um objeto qualquer, quando mergulhado no ouro líquido se torna dourado, da mesma forma a alma mergulhada no sangue de Jesus Cristo, fica completamente pura, com o mesmo brilho de Deus e resplandecente com a beleza que adorna os santos da glória dos céus.
D. — Tal semelhança é somente interna?
M. — Essa formosura que somente deveria ser interna, nós a vemos muitas vezes transparecer também externamente.
De onde recebiam aquele aspecto celestial que se podia admirar no rosto de muitos santos coco São Francisco de Assis, São Camilo de Léllis, São Vicente de Paulo, São Francisco de Sales, o Santo Cura d’Ars e muitos outros? Afirmam os contemporâneos que somente olhar para os semblantes deles era o bastante para inspirar respeito e veneração, como se já fossem bem-aventurados.
De onde tiram aquela afabilidade, aquele amor, aquela serenidade que caracteriza e torna atraentes a tantas Irmãs de caridade, a tantos religiosos e milionários? De onde poderá provir senão da Comunhão cotidiana?

2º. A comunhão nos torna semelhantes a Jesus no caráter. Qual era o caráter de Jesus? Manso, humilde, misericordioso, tal qual Ele mesmo o expressou no Santo Evangelho: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Geralmente herdamos e copiamos o caráter daquelas pessoas com as quais vivemos ou mantemos íntimas relações. E qual relação mais íntima pode existir do que a da alma e Jesus, na Santa Comunhão?
* * *
"Da mesma maneira, diz S. Tomás, que lançando uma gota de água num vaso de vinho ou de outro licor qualquer, ela se confunde e identifica de tal modo com o vinho e o licor ficando da mesma cor e com o mesmo sabor, assim também a alma quando unida a Jesus Cristo dele recebe suas inclinações e tendências, suas virtudes e amor em forma tão perfeita que parece que ela se transforma totalmente nele.

3º. A Sagrada Comunhão nos torna semelhantes a Jesus Cristo até nas ações. Que fez Jesus Cristo na terra? Contínuas obras de misericórdia, de zelo, de mortificação e de sacrifícios. Que fazem as almas que frequentam a Comunhão? Vamos procurar a resposta nos asilos, nos hospitais, nas longínquas missões, reparemos nas mesmas pessoas que nos rodeiam, olhemos as pessoas de nossa família. Que submissão em tantas esposas cristãs!
Que paciência em tantas mães de família! Que obediência, que humildade, que espírito de sacrifício em tantos filhos e filhas!
O mundo materialista e grosseiro não é capaz de compreender essas almas. Muitas vezes abate e calca aos pés violetas ocultas e depois ainda gargalha sarcasticamente. Mas Jesus Cristo reserva para todas elas uma recompensa especial.

D. — Padre, já ouvi alguns pregadores dizer que Jesus Cristo na Comunhão usa de nós mesmos para ele operar. Que quer dizer isso?
M. — Quer dizer que Jesus Cristo na Comunhão quer servir-se de nós em suas obras. Não foi Ele que disse: Eu sou a videira, vós os ramos? Que Ele é a cabeça e nós os membros? A videira não produz uvas senão por meio dos ramos; a cabeça age por meio dos membros.
E verdadeiramente Jesus serve-se de nós para realizar tantas obras de seu divino apostolado e faz isso por meio de tantos sacerdotes, missionários e religiosos, após uma longa preparação eucarística nos seminários e noviciados dos diversos institutos.
Serve-se também dos zelosíssimos membros da Ação Católica; opera verdadeiros milagres de amor por meio de tantas mães e esposas cristãs, por meio das catequistas e zeladoras assíduas em frequentar a Comunhão.
Penso que depois de tudo isso, você já está convencido de que verdadeiramente a Comunhão frequente bem feita nos une a Jesus e nos torna semelhantes a Ele.
D. — Perfeitamente, Padre. Muito obrigado. Compreendi tudo muito bem, e acho também que Jesus Cristo, instituindo a Eucaristia, quis desfazer o engano do demônio.
M. — Que você quer dizer com isso?

A justiça divina expulsou-os do paraíso terrestre . . Jesus., porém, nos mereceu mediante os seus sofrimentos os gozos da pátria celeste.
D. — Quero dizer que assim como no paraíso terrestre, o demônio, para enganar nossos primeiros pais, lhes disse: "Tomai e comei e sereis como Deus", assim também Jesus Cristo para resgatar e salvar do pecado A natureza humana, diz a nós todos, indicando a Eucaristia: "Tomai e comei e sereis semelhantes a mim.
M. — Admirável. Muito bem. Bem se vê que você é inteligente. Passemos agora para um assunto ainda mais lindo, ou seja, a relação que existe entre a Comunhão e a SSma. Virgem Maria.

4 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM, PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA APAGA OS PECADOS VENIAIS E PRESERVA DOS MORTAIS

D. — Agora, diga-me, Padre, como é que a Comunhão apaga os pecados veniais?
M. — A Comunhão é também remédio que cura e fogo que abrasa e purifica. Mas, antes de tudo diga-me: o que é pecado venial?
D. — É uma nódoa que afeia e deforma a alma, tornando-a muitas vezes asquerosa.
M. — Muito bem.
A Sagrada Comunhão é como o ferro em fogo que o médico usa para tirar manchas; aos poucos faz desaparecer as chagas e as manchas da alma. Nossa alma vai ficando cada vez mais limpa e formosa, e Nosso Senhor delicia-se em comunicar-lhe suas graças especiais.
D. — Ó Padre! Quanto bem nos traz a comunhão frequente! Nunca deveríamos deixar de comungar nem que fosse somente para conseguir esse único efeito.
M. —De fato assim deveria ser. Assim como todas as manhãs lavamos as mãos e o rosto para tirarmos o pó e as manchas e, por conseguinte, para ficarmos limpos, assim também todas as manhãs devemos lavar nossa alma, por meio da Santa Comunhão; Jesus Cristo institui-a para esse fim e a Igreja quer que a usemos como remédio cotidiano para as nossas faltas diárias.
D. — Nessas coisas tão belas eu nunca havia pensado. Quereria saber agora, como é que a Comunhão nos preserva dos pecados mortais.
M. — De duas maneiras: interna e externamente. Em primeiro lugar nos preserva internamente, nutrindo e fortificando nossa alma até torná-la quase invulnerável ao pecado. 
Para que melhor compreenda isso vou citar dois exemplos tirados do livro “As grandezas da Comunhão”.
Os missionários que estiveram na África, contam que lá existe um animal pouco maior que o gato de casa, chamado gato selvagem.
Esse animal vive sempre em luta com as serpentes, muito comuns naquelas regiões. Pois bem, nessas lutas ele quase sempre sai vencedor, pois que conhece uma erva que tem a propriedade extraordinária de o preservar das picadas venenosas das serpentes. Apenas as serpentes o atacam corre à procura daquela maravilhosa erva e assim está sempre em condições de lutar.
Ferido duas ou mais vezes recorre sempre àquela erva até conseguir esmagar entre os dentes a cabeça do inimigo.
Nós também estamos sempre em luta com a serpente infernal, que de mil formas ataca nossa alma.
Queremos sempre sair vitoriosos? Recorramos ao meio infalível, ao contraveneno por excelência, que é a comunhão frequente bem feita. Só assim o demônio ficará impotente contra nós.
...enquanto contemplamos a crucifixão e morte de Jesus, nosso pensamento voa para a Santa Missa.
* * *

Mitrídates, famoso rei do Ponto na Ásia Menor, foi um dos maiores inimigos dos Romanos; lutou contra eles durante quarenta anos. Além de muito esforçado e esperto era instruidíssimo: sabia falar vinte e duas línguas; mas tinha um triste defeito: era muito ambicioso e cruel, tanto que um dia seus súditos e soldados se revoltaram contra ele e o obrigaram a suicidar-se.
Nessa contingência, para esconjurar a ira de seus súditos procurou envenenar-se, mas inutilmente. Pois que, por mais veneno que ingerisse não conseguiu morrer, porque, conforme no-lo conta a história, ele se habituara desde pequeno a tomar todos os dias uma pequena quantidade de veneno, ficando assim aos poucos, imune aos seus deletérios efeitos.
Pois bem, se em nossas lutas espirituais queremos ser invulneráveis aos ataques do demônio, habituemo-nos, não a beber, veneno, mas sim a receber todos os dias a carne puríssima de Jesus. A Comunhão é verdade, não nos torna impecáveis; todavia, nos preserva do pecado, e preservar quer dizer precisamente que ela age de tal maneira, que nos torna capazes de resistir ao mal e nos dá a graça de não cairmos em pecado; e se alguma vez, por infelicidade, nele cairmos, ela dará a força para nos arrependermos e a sinceridade para confessá-lo.
Em segundo lugar, a comunhão nos preserva do pecado também externamente, pondo-nos a salvo dos múltiplos ataques de nossos inimigos espirituais infundindo-lhes medo e respeito.
Mais dois exemplos tirados do livro “As Grandezas da Comunhão” hão de convencê-lo dessa verdade.
* * *
Lê-se na história do povo de Israel, que para castigar a Faraó por não querer deixar partir para o deserto os Israelitas, Deus enviou um anjo para que exterminasse todos os primogênitos das famílias egípcias. E querendo Deus preservar os primogênitos hebreus, ordenou a Moisés que com sangue do cordeiro pascal salpicasse todos os portais das casas dos Israelitas. À meia-noite passou o anjo exterminador pelas casas dos egípcios e matou todos os primogênitos desde o primogênito do Faraó até o primogênito do ínfimo de seus escravos; mas não entrou e nem matou ninguém nas casas assinaladas com o sangue do cordeiro. Assim também a Comunhão nos salpica com o sangue de Jesus Cristo, verdadeiro cordeiro pascal e o anjo da tentação, o demônio, não se atreve a entrar em nossa alma para dar-lhe a morte com o pecado.
Contava um missionário das índias que algumas jovens da tribo de Diamfi, diariamente faziam longa caminhada e atravessavam com grande risco um caudaloso rio, unicamente para poder comungar. E quando regressavam para o meio da tribo se achavam continuamente expostas a perigos e escândalos, mas se alguém as queria induzir ao pecado, elas exclamavam:
— Nós comungamos todos os dias! Bastavam essas palavras para saírem vitoriosas enquanto que os tentadores se retiravam envergonhados e confundidos.
Daqui você pode se convencer de como a Comunhão frequente e bem feita pode preservar-nos dos pecados.
D. — Estou bem convencido disso, porém, permita que lhe faça ainda uma pergunta:
Se a Comunhão preserva dos pecados, como se explica o fato de muitos que comungam frequentemente caírem em pecados e perpetrarem escândalos?
M. — A explicação é fácil: a Comunhão, é verdade, preserva dos pecados, aumenta a graça em nós e nos põe de atalaia ante as tentações e maus desejos, porém, não devemos esquecer que ela não nos tira a liberdade. Santo Agostinho afirma que "Deus que nos criou sem nós, não nos salvará sem nós" isto é sem a nossa cooperação.
A Comunhão nos faz conhecer melhor o mal que há em nós; castiga, remorde, e se opõe ao pecado, todavia, não nos tira a liberdade. Em uma palavra a comunhão não nos torna impecáveis, mas sim nos afasta do pecado, da mesma forma que os remédios não nos tornam imortais, mas somente nos curam ou preservam das doenças.
D. — Muito bem, Padre. Queira dizer-me agora como é que a Comunhão nos une a Jesus Cristo.
A Multiplicação dos pães foi uma figura da Eucaristia

3 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

COMUNGAI BEM PORQUE A COMUNHÃO BEM FEITA CONSERVA E AUMENTA A VIDA DA ALMA

D. — Padre, quais são os principais efeitos da comunhão frequente?
M. — No catecismo, para a pergunta: Que efeitos produzem em nós a Eucaristia? Encontra-se a seguinte resposta:
"A Eucaristia: 1º. Conserva e aumenta a vida da alma que é a graça, assim como o alimento material conserva e aumenta a vida do corpo; 2º. Apaga os pecados veniais e preserva dos mortais; 3º. Une-nos a Jesus Cristo e faz-nos viver de sua vida".
Procedamos por partes: Antes de tudo, para compreendermos bem como a Sagrada Comunhão conserva e aumenta a vida da alma, é preciso que nos convençamos de que a comunhão não é uma devoção qualquer, mas sim que é um sacramento. Muitos há que vão comungar somente para alcançar uma graça qualquer ou também por simples ato de devoção. A Comunhão não foi instituída para isso, embora possa conseguir também isso, pois que é a prática de devoção por excelência. Sua finalidade é muito mais sublime: o fim principal da Comunhão é conservar e aumentar em nós a graça que é a vida da alma.
Se eu lhe perguntasse: qual é a coisa mais preciosa do mundo, que me responderia?
D. — Que é a vida, pois a vida é tudo e tudo se sacrifica para conservar a vida.
M. — Muito bem. Todavia mais preciosa que a vida do corpo é a vida da alma. E se para conservar a vida do corpo estamos sempre prontos a suportar fadigas e suores remédios caros, operações difíceis e perigosas, mais ainda devemos estar sempre prontos para conservar a vida da alma, e sendo a Comunhão o melhor conservativo e sustentáculo da alma, procuremos, com o maior empenho e diligência possível, recebê-la frequentemente e comas devidas disposições.
Conta a História que a ímpia Rainha Isabel da Inglaterra, ardendo em ódio contra Deus e contra os católicos, publicou um iníquo decreto condenando todo aquele que recebesse a Comunhão a pagar a vultosa multa de 400 escudos em ouro ou a prisão celular por alguns meses.
Um cavalheiro inglês, católico fervoroso, ao ter conhecimento do decreto, tomou a firme resolução de continuar comungando. Vendeu por isso tudo quanto não lhe era estritamente necessário, e com o dinheiro encheu muitas bolsas de couro com 400 escudos em cada uma. Toda vez que os guardas o surpreendiam comungando e o condenavam a pagar a multa, ele pegava uma daquelas bolsinhas, dirigia-se ao tribunal e a entregava aos juízes atestando publicamente que de muita boa vontade gastava aquele dinheiro contando que não perdesse a Comunhão.
O Cardeal Newman antes de converter-se foi Bispo protestante. Poucos dias antes de abjurar o protestantismo, dizia-lhe um seu amigo: — Já pensaste bem no passo que vais dar? Ignoras, por acaso, que abraçando o catolicismo perderás o teu ordenado? Olha que são 300.000,00 cruzeiros anuais.
Ao que Newman, imperturbavelmente respondeu: Que são 300.000,00 cruzeiros comparados com a comunhão?
D. — Exemplos admiráveis que deveriam fazer corar de vergonha todos aqueles que sempre acham uma desculpa para não comungar!
M. — Inclinemo-nos respeitosamente diante desses homens e procuremos imitar-lhes a constância na fé e a firmeza de caráter. E agora voltemos ao nosso assunto: a comunhão não só conserva a vida da alma, mas também a aumenta.
Na terra tudo tende a crescer e aumentar. Repare a erva, as folhas e as plantas na primavera; observe como as crianças anseiam por crescer, desenvolver-se, fazer progresso.
Em vez, muitos cristãos não pensam em crescer espiritualmente, acham que é suficiente evitar o mal e por isso chegam a dizer: "Oxalá! a morte me encontre como quando fui batizado".
D. — Padre, fazem mal esses cristãos?...
M. — Eu gostaria de perguntar-lhes: Quereríeis fisicamente permanecer sempre iguais como quando fostes batizados, isto é, ficar sempre bebezinhos?
D. — Absolutamente não — responderiam todos.
M. — Então, se ninguém deseja ficar sempre criança quanto ao corpo, tão pouco deve querer ficar sempre criança quanto a alma.
Jesus Cristo mesmo, que morreu na Cruz para nos dar a vida, quis permanecer realmente presente na SSma. Eucaristia com o fim exclusivo de aumentar em nós a vida da alma que é a graça santificante, desenvolvendo-a cada vez mais a fim de que progredíssemos na virtude.
— Vim para que tenham a vida, et abundantius habeant e a tenham todos abundantemente, isto é: robusta, plena de vigor, capaz de resistir a todas as seduções do demônio, do mundo e da carne.
Lemos na Sagrada Escritura que Deus, no Paraíso terrestre, colocara ao lado da "árvore do bem e do mal", uma outra árvore chamada "árvore da vida". Ao proibir Adão e Eva de comerem dos frutos da primeira, aconselhou-os a que comessem com frequência dos frutos da segunda, pois que tais frutos tinham a virtude de conservá-los em perpétua juventude e preservá-los de todo o mal.
Adão e Eva não deram ouvidos a esse conselho e pouco a pouco foram cedendo à tentação, ou seja, ao engano do demônio, até que desobedeceram a Deus, foram expulsos do Paraíso, condenados a morte e a todas as outras misérias que ora afligem a pobre humanidade.
Pois bem, Jesus Cristo foi também generoso e bondoso para conosco. Ciente que depois de sua paixão e morte, nós, atraídos pelo mal, facilmente cairíamos em pecado com risco, portanto de sermos condenados ao inferno, que fez Ele? Deixou-nos uma árvore de vida a fim de que comendo de seus frutos pudéssemos conservar sempre em nós a vida da graça, e assim aos poucos chegássemos a ser quase impecáveis; essa árvore maravilhosa é a Sagrada Comunhão, que recebida dignamente nos preserva do pecado.
D. — Muito obrigado, Padre; entendi tudo perfeitamente.
Quem come a Minha Carne viverá eternamente

2 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

POR QUE SE INSISTE TANTO SOBRE A COMUNHÃO FREQUENTE

D. — Padre, queira dizer-me por que se insiste tanto sobre a comunhão frequente? 
M. — Porque a Comunhão (como já foi dito mais atrás) é a aspiração mais veemente do Coração divino e porque a comunhão é também o melhor meio para obtermos a salvação. Assim como Deus pela sua providência misericordiosa, sustenta todas as criaturas para que não pereçam de fome, do mesmo modo Jesus Cristo quer alimentar todas as almas por meio da Eucaristia.
A Comunhão verdadeiramente é alimento; ora se é alimento deve ser comido: a coisa é claríssima.
São Boaventura diz que "o alimento que não serve para ser comido não tem razão de existência" ou em outras palavras é um alimento inútil. Por esta razão é que, gracejando, dizia um Bispo: "A Eucaristia é pão; o pão é para ser comido e não para ser exposto".
D. — Verdadeiramente é assim Padre. Muitas vezes ouvi dizer que Jesus Cristo logo após ter instituído a Eucaristia, distribuiu-A aos discípulos para que a comessem, dizendo Tomai e comei.
M. — E não somente isso. Jesus fez ainda mais, pois querendo perpetuar seu Corpo como alimento para as almas, ordenou aos discípulos que repetissem o mesmo prodígio, fazendo corno o tinham visto fazer.
Além disso, é preciso notar que Jesus Cristo, entre todos os alimentos escolheu de preferência o pão pela simples razão de que o pão serve somente para alimento. Pela mesma razão devemos concluir que o alimento eucarístico deve ser comido, pois do contrário não poderá produzir os efeitos que o Senhor teve em vista quando instituiu tão grande Sacramento.
M. — Perfeitamente. Assim como Jesus Cristo instituiu o Batismo para lavar a mancha original das almas e, por conseguinte é necessário derramar a água sem que ninguém pense em bebê-la, da mesma forma Jesus Cristo instituiu a Eucaristia para que servisse de alimento e unicamente comendo-a se poderá obter os frutos inerentes a esse sacramento admirável.
D. — Com isso, quer dizer o senhor que a Igreja age mal conservando a Eucaristia nos Sacrários e expondo-a aos fiéis?
M. — Absolutamente não. Deus tem pleno direito à nossa adoração, sendo por isso coisa muito santa e muito útil conservar e adorar a Santíssima Eucaristia; porém, repito, não pretendamos conseguir os efeitos da Eucaristia unicamente por meio dessas adorações. Assim como não conseguiria os efeitos do Batismo aquele que passasse a vida toda diante do Batistério igualmente tão pouco usufruiria os frutos da Sagrada Comunhão quem passasse toda a vida ao redor do altar adorando a Eucaristia sem recebê-la.
D. — Será por isso, Padre, que apesar de tantas devoções à Eucaristia, não se obtém quase nenhum fruto prático?
M. — Infelizmente é assim. Constroem-se suntuosas Igrejas, altares, sacrários, organizam-se soleníssimas procissões eucarísticas, grandiosas procissões ou congressos, e o fruto prático é quase nulo... Por quê? Porque Jesus Cristo não disse: “Tomai e adorai”, mas sim, "Tomai e comei".
Não excluiu nossos obséquios de adoração, porém deu a entender categoricamente que se quisermos conseguir o fim primordial da Eucaristia, é preciso que a comamos, isto é, que comunguemos.
Se quisermos conseguir o fim primordial da Eucaristia, é preciso que a comamos, isto é, que comunguemos.
D. — Por conseguinte, nossos obséquios não lhe serão agradáveis quando não forem acompanhados pelo desejo e vontade firme de recebê-lo em nossos corações?
M. — De certo que não lhe serão agradáveis e nem O podem agradar.
Suponha que uma mãe, a custa de grandes sacrifícios tivesse preparado um remédio muito bom para sarar seu filhinho e livrá-lo da morte; mas quando ela fosse dar o remédio ao filhinho, esse se desmanchasse em beijos e carícias para com ela, negando-se, todavia a tomar o remédio e, por conseguinte permanecendo sempre em perigo de morte... Que diria essa mãe? Qual não seriam suas queixas e sua grande dor?
D. — Padre, com Jesus acontecerá o mesmo, quando nos obstinamos em não querer recebê-lo?
M. — Sim, o mesmo.
São Francisco de Sales diz que "o Senhor nunca está tão bem servido como quando é servido a seu gosto e como Ele quer ser servido". Ora na Eucaristia Ele quer ser servido assim: quer que o comamos, isto é, que comunguemos. Eis o seu desejo.
D. — Qual será a frequência com que nos devemos alimentar desse manjar celestial, isto é, quantas vezes devemos comungar?
M. — O alimento eucarístico está sujeito as mesmas leis que regulam o alimento material, ou seja, a comida. Para sustentar o corpo nós todos os dias havemos de fazer uma refeição principal assim também devemos fazer uma refeição principal para sustentar a alma, isto é, devemos comungar.
Assim nos ensinou e nos faz pedir todos os dias Jesus no Padre-Nosso: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje". Que diríamos, nós, se um pobre nos pedisse pão e depois o jogasse fora? 
D. — Diríamos que não merece receber mais nada.
M. — Pois bem, tão pouco merece que se lhe dê mais, quem despreza e se descuida em receber a Comunhão.
D. — Mas, Padre, se Jesus Cristo tanto deseja e quer que O recebamos frequentemente na Santa Comunhão, por que não fez um mandamento expresso para isso?
M. — Ouça, meu querido discípulo. Jesus Cristo poderia ter feito um mandamento expresso sobre a Comunhão cotidiana, entretanto, na sua tolerância infinita em suportar nossas misérias, não o fez. Pois Ele sabia que para muitas almas seria dificílima a Comunhão cotidiana.
Muitos doentes devido à enfermidade estariam impossibilitados; outros por causa da distância não teriam tempo nem comodidade para isso. Pense só nas mães de família, nos lavradores do campo, nos empregados, como poderiam observar esse preceito?
Todavia estejamos convencidos de que para assegurar os efeitos salutares da sagrada Comunhão é absolutamente necessário usá-la da mesma forma como foi instituída, isto é, não somente recebê-la de quando em quando, mas sim recebê-la de modo adequado e normal.
D. — Para viver, bastaria comer algumas vezes na semana, e contudo comemos todos os dias, não é, Padre?
M. — Perfeitamente. Em relação à Comunhão devemos fazer o mesmo.
Só assim agradaremos a Jesus Cristo que tanto deseja isso, e daremos à nossa alma o que há de melhor, proporcionando-lhe os admiráveis efeitos deste augusto sacramento por meio da Comunhão frequente e bem feita.

1 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

PUREZA

M. — Como você acaba de ouvir, meu querido discípulo, Jesus ama intensamente as almas generosas, mas de um modo todo especial, os corações puros.
Ele é o cordeiro que se apascenta entre os lírios.
A impureza é mancha asquerosa que desvia de nós os olhares, as carícias e os sorrisos de Jesus.
Veja só esta linda comparação:
Acontece com muita frequência que nos rostinhos das crianças aparecem feridinhas purulentas que lhes deformam as rosadas faces tornando-as asquerosas pelo pus e sangue que supuram.
Toda a família e principalmente as mães ficam apreensivas com isso. Mas apesar disso não diminuem o amor que lhes consagram embora por precaução ou talvez por repugnância não se atrevem a acariciá-las e beijá-las.
Pois bem, o mesmo acontece com Jesus, toda vez que se vê obrigado a entrar nos corações daqueles que se apresentam para comungar sem pecado mortal; isto é, em estado de graça, mas com a alma salpicada de pequenas impurezas, como são os pensamentos desordenados, os olhares curiosos e libertinos, as conversações e palavras maliciosas, os desejos pouco castos, etc.
Reprimamos todas as paixões, sobretudo a impureza.
Jesus vem à alma pura, como a abelha vai à flor. Jesus tem uma predileção especial para com as almas puras; cumula-as de carícias, comunicando-se mais intimamente com elas; enriquece-as com graças especiais e frequentemente se manifesta visivelmente a elas durante a vida e, sobretudo na hora da morte, antecipando assim a glória eterna que lhes está reservada.
D. — Se não me engano, Padre me parece ter lido tudo isso na vida de São João Bosco, São José Cafasso, São José Cotolengo e muitos outros santos, os quais frequentemente quando tinham assuntos importantes para resolver, iam à Igreja e lá conversavam com Jesus, como se conversassem com o mais íntimo dos amigos.
M. — Não somente os grandes santos desfrutaram estas regalias, mas sim também os pequenos.
Na vida do Ven. Domingos Sávio, cuja beatificação se está ativando encontra-se o seguinte:
Era ele aluno do Oratório Salesiano de Dom Bosco em Turim; um dia não apareceu para o café da manhã e nem para as aulas, sem que se soubesse onde estava. Avisaram então a Dom Bosco, que imediatamente adivinhou do que se tratava.
Jesus vem à alma pura, como a abelha vai à flor.
Dirigiu-se à Igreja e lá encontrou-o no coro, imóvel, elevado um palmo acima do chão, com as mãos cruzadas sobre o peito, numa postura angelical e os olhares fixos no Sacrário como se estivesse contemplando uma visão suavíssima, em conversa íntima com Jesus Eucarístico.
Muito admirado, Dom Bosco chamou-o repetidas vezes, sem que ele respondesse. Tocou-o então levemente no braço e o jovem como que acordando de um profundo sono, exclamou:
— Oh! Já acabou a Missa?
— Decerto, disse-lhe Dom Bosco mostrando o relógio, já são duas horas da tarde.
Diante disso, Domingos ficou perplexo e confundido e pediu perdão pela falta cometida contra o horário. Mas o fundador do Oratório despediu-o com estas palavras:
— Veja só como Jesus te ama; quando entrares em conversação tão íntima com Ele, não te esqueças de pedir por mim e pelas necessidades do Oratório.
Santa Gema Galgani, comungava todos os dias e Jesus comprazia-se em aparecer-lhe visivelmente para conversar com ela.
Um dia chegou até a lhe imprimir nas mãos, nos pés e no lado os sinais das chagas santíssimas de sua paixão. E daí em diante podia-se admirar em seu corpo os sinais das chagas de Jesus, semelhantes a vermelhos botõezinhos de rosa que destilavam sangue.
Lê-se também, na vida de uma tal Gisela, filha de uma nobre família de Florença que, um dia tendo comungado pelo pai, capitão na grande guerra, pedindo fervorosamente a Jesus por ele, em dado momento viu Jesus aparecer-lhe e afavelmente dizer:
— Coragem Gisela!... A guerra ainda não vai terminar porque os homens são muito maus. Apesar disso teu pai voltará são e salvo... e os aviões não voarão mais sobre a cidade; tua família ficará livre de todo o perigo.
Gisela, ao voltar para casa contou tudo à sua mãe, a qual vendo a precisão e a firmeza da menina ficou convencida da veracidade do fato; e o que ainda mais veio convencê-la foi a mudança radical de sua filhinha a qual, com apenas 7 anos começou uma vida verdadeiramente devota e fervorosa.
D. — Padre, ouvindo essas coisas tão extraordinárias fico com vontade de chorar.
M. — Meu querido discípulo, em todos esses casos, trata-se de almas muito puras com as quais Jesus se delicia em entreter-se. Isso não lhe deve causar admiração, pois que, conforme diz o Espírito Santo "as almas puras e os corações limpos verão a Deus". E se não chegam a vê-lo durante a vida como esses grandes e pequenos santos dos quais falamos atrás vê-lo-ão certamente na hora da morte.
Em outubro de 1894, assisti no hospital São Maurício em Turim, aos últimos momentos de uma jovem de 21 anos.
Estava em agonia. Parecia dormir. De repente, agitando-se violentamente, levanta-se nas almofadas e estendendo os braços para um ponto fixo na parede, prorrompeu nestas exclamações:
— Oh! que beleza! Que formosura! Jesus! Maria! Olhem! Olhem! Jesus! Maria!
Os parentes que rodeavam o leito procuravam acalmá-la e distraí-la, mas em vão, pois desembaraçando-se dos que a seguravam, continuava a ditar: — Oh! Que beleza! Jesus e Maria! Vinde... Vinde! Eis-me aqui!
E no meio dessas exclamações entregou a alma ao Senhor. Os circunstantes emocionados ao presenciar tão linda cena prostraram-se de joelhos dando rédea solta às lágrimas.
Dez anos mais tarde, em abril de 1905, tive que assistir em seus últimos momentos à outra jovem de 18 anos, filha única de pais muito piedosos, logo após ter recebido a Extrema-Unção e o Santo Viático, fitou os olhos no céu e pôs-se a gritar:
— Agora, adeus, querido papai e querida mamãe... Adeus até rever-mo-nos outra vez lá no céu... Sim... lá, Jesus está me chamando... Vou... Adeus!...
E apertando fortemente ora a mão dos pais ora a mão do sacerdote, permaneceu algum tempo com o rosto angelical em doce êxtase até que levemente se deixou cair no leito de morte, conservando sempre o sorriso nos lábios.
D. — Padre, esses fatos são verídicos?
M. — Claro que são. Eu mesmo fui testemunha. Talvez Nosso Senhor me permitiu tão grande graça para que como sacerdote e Pároco os pudesse mais tarde citar como exemplo e estímulo para muitas almas a fim de que cultivem e amem cada vez mais a virtude que nos torna semelhante aos anjos, e nos enche a vida de santas alegrias e felicidades ao mesmo tempo que proporciona uma ditosa morte, prelúdio certo de um Paraíso especial.
A virtude que nos torna semelhante aos Anjos, e proporciona uma ditosa morte, prelúdio certo de um paraíso especial.
D. — Como, Padre, o senhor disse um Paraíso especial?
M. — Perfeitamente. Assim no-lo afirma São João Evangelista que numa visão apocalíptica descobriu um coro especial de bem-aventurados, vestidos com uma túnica mais branca do que a neve, os quais seguiam a Jesus Cristo em toda parte, cantando um hino suave que ninguém podia cantar.
Ansioso por saber quem eram aqueles bem-aventurados, ouviu uma voz que lhe dizia:
— Esses são os que durante a vida nunca mancharam a alma com nenhuma impureza.
Coragem, meu filho: Aprenda e ensine a todos que tenham grande estima pela castidade, pois que esta virtude nos torna muito agradáveis a Deus nesta vida e nos proporciona tantas vantagens e privilégios no Paraíso.
D. — De hoje em diante na Santa Comunhão, hei de pedir todos os dias essa graça a Jesus.
M. — Ótimo! Muito bem! Que Jesus o abençoe e abençoe também a todas as almas puras que como você fazem o propósito de oferecer a Jesus, com a Santa Comunhão, também a pureza de suas almas.

30 de maio de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

GENEROSIDADE

M. — Já leu, meu querido Discípulo, o trecho evangélico que nos fala de Zaqueu descendo da árvore em que havia subido, a fim de honrar a Jesus?
D. — Parece-me que sim. Porém queira repetir-mo mais uma vez.
M. — Le-se no Evangelho, que Zaqueu, um usurário, isto é, avarento e ladrão, tendo ouvido dizer que Jesus ia passar perto da sua casa, sentiu grande desejo de O conhecer.
Sendo, porém, pequeno de estatura e também por uma pontinha de respeito humano e vergonha, subiu a uma árvore, e ali, oculto entre as folhas, esperou o momento oportuno. O Salvador, porém, ciente do estratagema de Zaqueu, ao passar perto da árvore, levantou os olhos e olhando-o fixamente lhe disse: Zaqueu, desce depressa, pois que hoje mesmo quero ir comer em tua casa.

O Salvador disse-lhe: Zaqueu, desce depressa...
Zaqueu, todo confuso por ver-se descoberto, e ao mesmo tempo desconcertado com as palavras de Jesus, desceu imediatamente da árvore e foi correndo para a casa e lá, todo alegre, conta aos seus familiares o encontro que tivera com o Divino Mestre e o modo pelo qual ele mesmo se oferecera para ir comer em sua casa. E imediatamente ordenou que preparassem um grande banquete, pois que com o Mestre viriam também os seus apóstolos.
A notícia inundou de alegria todos os corações: põem-se todos a preparar o banquete, e quando o Mestre chega já está tudo pronto.
Sentam-se à mesa em meio da maior cordialidade; dir-se-ia que são amigos há muito tempo. Zaqueu e a família não se cansam de ouvir as palavras de Jesus. Todos estão entusiasmados e muito admirados.
E pouco antes de acabar a refeição, Zaqueu dirigindo-se a Jesus diz:
— Mestre, quero acabar com essa vida avarenta que levei até agora, portanto, a todos que defraudei até agora, darei o quádruplo.
Todos ficaram admirados por essa resolução tão generosa. Jesus, visivelmente comovido, lhe apertou fortemente a mão, dizendo:
— Bravo! Assim é que me apraz.
D. — Que quadro magnífico. Zaqueu, usurário e, por conseguinte, avarento, prepara um banquete para Jesus e sua comitiva... Zaqueu, usurário e ladrão, arrepende-se e propõe restituir o quádruplo do que roubara... Milagre estupendo!
M. — Sim. De fato um milagre da bondade e misericórdia de Jesus para com os pobres pecadores. Jesus Cristo operou esse milagre, em vista da generosidade de Zaqueu para com Ele e, sobretudo vendo a boa vontade que ele tinha para beneficiar os pobres e infelizes. Jesus Cristo muitas vezes muda o coração daqueles que são generosos para com Ele, para com a sua Igreja e para com os pobres, suscitando em seus corações bons sentimentos, santos propósitos e dando-lhes ânimo e coragem para empreenderem grandes obras.
A vida de São José Cotolengo, São João Bosco e de muitos outros santos são testemunho patente de como Jesus Cristo abençoa e multiplica as obras de caridade daqueles que são generosos com Ele.
Jesus ama os corações generosos e aborrece as almas mesquinhas e avarentas.
D. — Padre, como fazer para demonstrarmos essa generosidade para com Deus?
M. — Podemos manifestá-la com a Comunhão frequente.
Assim como Jesus disse a Zaqueu: "Hoje mesmo irei comer em tua casa", da mesma forma também Ele todos os dias nos repete: "Tomai e comei", pois isso significam aquelas palavras: "Hoje mesmo irei comer em tua casa". É o mesmo que dizer: quero unir-me a ti, quero ser teu para que tu sejas meu.
Jesus todos os dias nos repete: "Tomai e comei"
Não sejamos, pois do número dos descuidados e nem dos empedernidos, mas bem pelo contrário imitemos Zaqueu, aquiescendo com prontidão, alegria e decisão ao convite divino. Nem que nos custe sacrifícios tenhamos sempre e a toda hora a mesa preparada, ou seja, vivamos sempre com a alma preparada para receber dignamente a Nosso Senhor.

* * *
Na festa do padroeiro em uma pequena paróquia dos Alpes, o Vigário organizou uma comunhão geral. Sucedeu, porém que outros organizaram para a mesma hora um baile público. Para lugarejo tão pequeno não havia lugar para as duas coisas. Ou Comunhão, ou baile. O vigário, após muito pensar e a fim de não perder a afluência à Comunhão, resolveu reunir as jovens da Ação Católica e as benjaminas, e fazer-lhes um apelo para que ao menos elas não faltassem à Comunhão, e que fizessem o possível para trazer também as outras.
Seu apelo foi tão sentido e tão ardoroso que no dia aprazado nenhuma das 114 moças deixou de comparecer e com elas todos os fiéis do lugarejo. De sorte que ao baile não foram mais do que alguns forasteiros e algumas solteironas impenitentes.
A Comunhão daquele dia foi toda especial não só pelo fervor mas, sobretudo, pela manifestação de fé e amor, tanto de fazer o Vigário e os fiéis derramarem lágrimas de alegria.
* * *
Em outra paróquia haviam organizado um passeio de trem para visitar um santuário distante 50 quilômetros da cidade. E como o trem chegava ao santuário um pouco antes do meio-dia, haviam combinado de assistirem à missa e comungar lá. Todos prontos, os cento e cinquenta jovens da Ação Católica com o Vigário à frente esperavam na estação a chegada do trem. Mas, em dado momento chega um telegrama anunciando estar o trem com uma hora de atraso.
O Vigário, ao participar tão triste notícia aos jovens, disse: — Queridos jovens: Deus quer provar a vossa generosidade. O trem está atrasado de uma hora. Por isso não posso ir para celebrar a Missa, pois chegaremos muito depois do meio-dia. De outra parte se voltardes para assistir à missa e comungar em nossa matriz, perdereis o trem. Portanto escolhei: ou renunciar ao passeio, ou renunciar à comunhão.
— Renunciamos ao passeio! Queremos comungar! — gritaram todos juntos aqueles denodados jovens. E imediatamente voltaram para a Igreja onde contente e felizes assistiram a Santa Missa e receberam a Comunhão.
Esses sim são exemplos de verdadeira generosidade, muitíssimo agradáveis a Deus. Oh! como seria de almejar que se multiplicassem tais exemplos.
Voltaram para a Igreja onde contente e felizes receberam a Comunhão.

29 de maio de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

OS QUATRO GRAUS DO AMOR
D. — Senhor Padre, queira dizer-me mais alguma coisa sobre esse amor que devemos a Jesus Cristo e o modo pelo qual devemos manifestá-lo.
M. — Esse amor, para ser perfeito, precisa manifestar-se de quatro modos:
1º. - Com a presença do Amado:
2º. - Entregando-se ao Amado:
3º. - Unindo-se à pessoa amada:
4º. - Sacrificando-se pela pessoa amada.

Dos lábios de pessoas que se amam intimamente é comum ouvir-se expressões como estas: "Quisera estar sempre em tua companhia", "ser sempre tua", "fazer sempre o que tu queres", "morrer por ti", etc.
Pois bem, o amor de Jesus Cristo não se satisfaz somente com tais expressões; faz mais; realiza-as plenamente na Santíssima Eucaristia.
Vejamos só o que Ele fez e continua, a fazer na Eucaristia:
Primeiro: Permanece conosco noite e dia encerrado nos Sacrários.
Segundo: Entrega-se completamente a nós: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Ele quer ser todo nosso e está sempre à nossa disposição.
Terceiro: Une-se intimamente a nós, e pela Comunhão torna-se uma coisa só conosco.
Por último, renova todos os dias na Santa Missa, o Sacrifício que Ele ofereceu por nós no monte Calvário. Assim é que Jesus completa e aperfeiçoa o seu amor para conosco.
D. — Se Jesus Cristo fez e faz todos os dias isso por nosso amor, nós também devemos fazer outro tanto, por Ele, não é Padre?
M. — Certo que sim: Antes de tudo devemos desejar ardentemente sua companhia e depois tornarmo-nos deveras seus companheiros ficando o maior tempo possível na Igreja, de onde Ele nos chama e onde nos espera com verdadeira ansiedade: "Vinde a mim todos, porque minhas maiores delícias consistem em estar com os filhos dos homens".
São João Batista Vianney, cura de Ars, certo dia notou que um pobre camponês passava longas horas na Igreja com o olhar fixo no Sacrário. Dirigiu-se a ele e perguntou:
— Que fazes aí tanto tempo?
O camponês, com a maior simplicidade respondeu:
— Olho para Jesus e Ele olha para mim, e ficamos ambos satisfeitos.

Ditosos de nós, se chegarmos a satisfazer a Jesus, que exige nossa correspondência ao seu amor infinito. Dar-lhe prazer passando as horas de nossa vida em sua companhia a olhá-Lo somente, sem nenhuma outra preocupação... Oh! Se assim fizermos Ele nos contemplará satisfeito com nosso amor.
D. — Se nossa preparação para a Comunhão e a ação de graças consistissem nisso, não seria bom, Padre?
M. — Certamente. Seria ótimo, pois esse é o melhor meio para nos santificarmos.
O camponês respondeu: Olho para Jesus e Ele olha para mim
* * *
O Venerável servo de Deus André Beltrami, sacerdote salesiano, após uma grave doença que lhe esgotou completamente as forças, foi coagido a um longo repouso, a fim de restabelecer-se. Impetrou, então, dos Superiores, um quarto cuja janela olhasse para a capela e ali passava longas horas, dia e noite, olhando para Jesus, conversando com Ele, fazendo guarda de honra. E Jesus em troca lhe dava as forças necessárias para suportar pacientemente os sofrimentos e dores, sofrer e cantar e até sentir-se feliz com a própria sorte, apesar de sua contínua imolação e incessante martírio.
D. — E santificou-se?
M. — Sim. E talvez daqui há poucos anos será elevado às honras dos altares.
Em segundo lugar devemos corresponder mutuamente ao dom inefável de Si mesmo que Jesus Cristo nos fez e continuamente faz. Portanto, toda vez que o vamos receber na santa Comunhão ofereçamos-lhe nossas mentes, nossos corações, nossas alegrias e tristezas, nossas boas obras e todo o nosso ser, demonstrando isso também com ofertas materiais tais como: flores, velas e esmolas para a manutenção do culto. Assim faziam os primeiros cristãos e fazem-no também agora os verdadeiros amigos de Jesus.
* * *
O S. Evangelho nos fala dos pastores que ofereceram cordeirinhos ao Menino Jesus; dos Reis Magos que lhe ofereceram ouro, incenso, e mirra; de Maria Madalena e das piedosas mulheres que embalsamaram o corpo de Jesus com essências aromáticas, e é de notar principalmente como Jesus agradecia e ficava satisfeito com esses presentes e até um dia repreendeu severamente a Judas porque não via bem tais a tos de gentileza.
D. — Padre, será verdade, que Deus apesar de infinitamente sábio e poderoso não pode e nem pode legar-nos um dom mais precioso do que a SSma. Eucaristia?
M. — É um fato, meu amigo. A Eucaristia é tudo, pois é Deus conosco.
Perguntaram um dia ao Padre Segneri, qual teria o presente mais precioso que Jesus poderia fazer a sua Mãe Santíssima, e ele prontamente respondeu: — Nenhum presente mais formoso e querido Ele poderia dar à sua mãe do que uma pequena hóstia, isto é a Eucaristia, a Comunhão.
Toda vez que vamos comungar, do íntimo de nosso coração digamos a Jesus: — Oh! Jesus em troca de Vosso amor ofereço-Vos minha mente; em troca de Vosso amor ofereço-Vos todas as minhas forças; em troca de Vosso amor aceitai todas as minhas boas obras; em troca de Vosso amor ofereço-Vos tudo o que sou. Oh! Jesus, em troca de Vosso amor ofereço-Vos minha vida.
Em terceiro lugar, Jesus Cristo deseja ardentemente unir-se a nós e realiza esse anelo por meio da Santa Comunhão, que efetivamente é o encontro, a união mútua da alma com Deus. Meu querido discípulo, já pensou algumas vezes no que acontece realmente quando vamos comungar? Pois bem, na Comunhão, o Senhor dos Céus se une intimamente a nós, com uma união, a mais perfeita possível.
E Jesus Cristo, realiza por nós esse ato heroico de amor, à custa de horrendas ofensas e profanações que lhe são inferidas pelos sacrílegos.
D. — Oh! Como Jesus é bom!
M. — Boníssimo! Nós é que somos uns perversos não dando importância à honra que Jesus Cristo nos fez por meio da Eucaristia. Permanecemos, indiferentes, indolentes, diante de tanto amor.
* * *
Na vida do Padre Turneff, fundador da congregação do Sagrado Coração, lê-se que durante sua longa enfermidade, não fazia outra coisa senão suspirar por essa união com Deus. De manhã a primeira coisa que fazia era exclamar: — Dai-me Jesus, dai-me Jesus! Não posso viver sem Ele. — Certa manhã, como não pudesse reter nada no estômago, acharam conveniente não lhe dar a Comunhão. Ao saber disso o enfermo pôs-se a gritar: Por que não me trazeis Jesus? E nesse desejo ardente de unir-se ao Divino Amigo, entregou sua bela alma ao Criador.
D. — Oh! Padre, diante de tanto amor, sinto-me envergonhado por ter deixado tantas comunhões, e isso só por negligência e ignorância.
M. — Ainda há tempo. Supra essas omissões comungando o mais frequentemente possível. E para que sejam mais fervorosas procure repetir em todas elas as seguintes invocações:
Unir-me-ei a Vós, ó Jesus, com uma fé mais viva.

Unir-me-ei a Vós, ó Jesus, com uma esperança mais firme.
Unir-me-ei a Vós, ó Jesus, com maior caridade.
Unir-me-ei a Vós, ó Jesus, o mais frequentemente possível.
Todos os dias ó Jesus hei de unir-me a Vós. Nem que seja a custa de grandes sacrifícios, ó Jesus, hei de unir-me a vós.
Enfim em quarto lugar, por meio da Santa Missa e da Sagrada Comunhão procuremos agradecer a Jesus Cristo pelo sacrifício que Ele todos os dias oferece por nós, na Santa Missa, em reparação dos nossos pecados.
* * *
Lê-se na História Romana que Agripa tendo sido prisioneiro de Tibério durante seis meses, foi posto em liberdade pelo sucessor deste, que ao dar-lhe a liberdade, o presenteou com uma corrente de ouro tão pesada como a corrente de ferro com que havia sido acorrentado na prisão. Com isso demonstrou querer elevá-lo tanto quanto havia sido humilhado por Tibério.
Precisamente, a mesma coisa nos faz Jesus na Santa Comunhão: liberta-nos das correntes de ferro com que o demônio nos aprisionara, e nos ata com as correntes do seu amor.
Agora você bem poderá compreender por que devemos corresponder a tanta generosidade.
D. — Diga-me, Padre, um que assiste a Missa sem comungar, poderá desfrutar também esses privilégios?
M. — Não. Quem assiste à Missa e não comunga, é como aquele que só presencia a Paixão e Morte de Jesus Cristo: recebe somente uma parte dos frutos; em vez quem comunga se une ao mesmo sacrifício de Jesus e, portanto desfruta inteiramente aquele tesouro.
D. — Sendo assim, procurarei com o maior empenho possível assistir todos os dias a Santa Missa e comungar também afim de participar e desfrutar completamente de tão grande tesouro.
M. — Agradeça ao Senhor estes bons propósitos e renove-os com as seguintes jaculatórias.
Por Vós, Jesus, sacrificarei o prazer dos sentidos.
Por Vós, ó Jesus sacrificarei os prazeres do mundo.
Por Vós, ó Jesus, sacrificarei o meu amor próprio.
Por Vós, ó Jesus, sacrificarei as comodidades e o orgulho desta vida.
Por Vós, ó Jesus, sacrificarei tudo quanto seja pecado.
Por Vós, ó Jesus, mortificarei tudo quanto me induza a pecar.