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10 de junho de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

Consideração Final:
O SANTO VIÁTICO E A EXTREMA-UNÇÃO

M. — Diz o provérbio: Em caso arriscado deve-se jogar a última cartada.
E poderá haver caso mais arriscado do que o fim da vida, a hora da morte?
Naquele instante jogaremos a cartada que decidirá para nós a boa ou má sorte por toda a eternidade. A Igreja, mãe carinhosa, pensou em nós e nessa hora suprema nos ajuda a jogar essa cartada.
Há obrigação de comungar? Responde o catecismo: "Há obrigação de comungar em perigo de morte e, ao menos uma vez cada ano, pela Páscoa da Ressurreição'". Eis, pois a carta certa, a carta maravilhosa que a Igreja nos faz jogar na última hora. Por quê? Porque a comunhão na hora da morte é a salvação da alma. Foi Jesus mesmo que o declarou: "Quem come a minha carne viverá". Sendo Ele a verdade eterna, não pode enganar-se nem enganar. Mais ainda. Ele afirmou isso com juramento: "Em verdade, em verdade, eu vos digo" isto é: Eu juro.
Não se faz um juramento por motivos fúteis, mas sempre por coisas de suma importância. E Jesus, fazendo tal juramento, quis dar-nos a entender que se tratava de um assunto importantíssimo, único na vida.
Coitado daquele que se descuidar de coisa tão importante! Terá de enfrentar a morte, sozinho, sem esse valioso apoio! Quem age assim porá em perigo a própria salvação.
D. — O senhor tem toda a razão, Padre.
Estas expressões tão claras e precisas testemunham o seu zelo sacerdotal. Todavia, Padre, permita-me uma observação. Os moribundos, geralmente não conhecem a gravidade do próprio estado, pensam que não estão tão mal, sempre esperançosos em sarar; por isso a maioria das vezes não se preocupam em mandar chamar o Padre ou pedir os últimos sacramentos.
M. — Você tem razão. Infelizmente é assim. Porém em tais casos os parentes do enfermo e mesmo o médico deveriam chamar o Padre e prevenir o enfermo do estado em que se acha.
D. — Os parentes, Padre, muitas vezes nem pensam nisso com medo de assustar o doente.
M. — Essa é a grande desgraça; o doente não conhece o próprio estado... os parentes não lhe manifestam, e deixam que a alma se perca. Poderá Deus perdoar tal abandono? 
Se em sua casa houvesse um doente grave, cuja cura lhe interessasse muito e sucedesse que pela cidade passasse um célebre médico, especializado em toda classe de moléstias, será que você não iria chamá-lo para que viesse ver o enfermo e assim curá-lo?
D. — Certamente, Padre, custasse o que custasse.
M. — Pois bem, tal médico existe para todos os enfermos e moribundos e está sempre pronto a visitá-los não exigindo nenhum pagamento.
É o sacerdote. Chama-o, pois e com a maior boa vontade ele acudirá à cabeceira do enfermo a fim de confortá-lo, consolá-lo, perdoar-lhe os pecados em nome de Jesus Cristo, e por fim, dar-lhe o Santo Viático que é o melhor dom do Paraíso.
* * *
Um senhor, muito meu conhecido, estava gravemente doente. Homem de negócios, já com sessenta anos. Durante a vida pouco se incomodara com a religião e, por conseguinte nem na hora da morte pensava em receber os sacramentos.
Os parentes, também poucos religiosos, somente se preocupavam com a doença e nem sonhavam em chamar o Padre, com medo de assustar o doente. Entretanto uma netinha do enfermo, que há pouco tempo fizera a primeira Comunhão, sabendo que o avô estava muito mal, lembrou-se do que aprendera no catecismo sobre a necessidade de receber a Comunhão como Viático. No dia seguinte, bem de manhãzinha foi à Missa e falou com o Vigário. De volta foi saudar o avozinho. Aproximou uma cadeira da cama para poder subir em cima e abraçar ao vovô, começou a dizer-lhe:
— Vovozinho! Como te amo! Já sabes disso, não é? ... Por isso hoje de manhã, na Missa pedi por ti; pedi a Jesus que te curasse e depois avisei o Vigário para que te traga o Viático.
— Que estás dizendo?
— Sim, eu disse ao Vigário para que te traga a Santa Comunhão.
— Não, filhinha, ainda não é hora. Vai dizer ao Vigário para que não a traga. Ainda é cedo. Não estou preparado.
— Agora já é tarde. Daqui a poucos minutos ele estará aqui. Oh! Vovozinho, ele te dirá tantas coisas bonitas, dar-te-á Jesus que é tão bom...
— Não, não! Basta. Não estou preparado.
— O Vigário te preparará. . . Ficarás tão contente e eu te darei tantos beijos... Querido vovozinho...
Nisso retine a campainha da porta e chega o Vigário. Os parentes o acompanham à cabeceira do doente. O Vigário aproxima-se do enfermo, consola-o, conforta-o e por fim confessa-o. Depois reunindo toda a família administra-lhe o Santo Viático e a Extrema-Unção, com grande alegria para todos, principalmente para o enfermo que com as lágrimas nos olhos, não cessava de agradecer a sua netinha que de um modo original soubera procurar para ele a salvação eterna.
D. — Boa menina, verdadeiro anjo de salvação! Todavia aqui se tratava somente de uma indiferença religiosa e respeito humano, mas quando o enfermo não quer saber nem de Padres, nem de sacramentos, que fazer?
M. — Mesmo em tais casos não se deve descuidar em chamar o Padre, pois o que o doente muitas vezes tem, é medo.
D. — Medo de que?
M. — Medo da morte... Medo da condenação eterna.
D. — Não compreendo.
M. — Ouça então. Esses moribundos sentem naqueles momentos, cruciantes remorsos e o peso de uma vida descuidada e viciosa. Estão com medo do passo que vão dar e, sobretudo os apavora o pensamento do juízo de Deus.
É nesse terrível momento que começam a compreender o valor da vida e a triste realidade dos pecados que cometeram; sentem-se por isso apavorados e desanimados, não querem saber nem de Padres, nem de confissão, nem de sacramentos, somente para dissimular o medo que os oprime.
Ouça este lindo fato.
Em minhas frequentes e contínuas excursões apostólicas, tive certa vez de pregar a semana Eucarística na aldeia de Monferrato (Itália).
O Vigário tinha como empregada uma mulher baixinha de estatura e muito medrosa. Toda vez que ia à dispensa buscar alguma coisa, apenas punha os pés no primeiro degrau da escada, começava a cantar.
— Senhor Vigário — disse eu — tem V. Revma. uma empregada muito alegre.
— Não creia que ela cante de alegria, é o medo que a faz cantar...
— Medo de que?
— Medo de ficar sozinha no escuro, medo de ladrões, duendes, e não o que mais.
A cena acabou em risadas; mas sempre a recordo e assim pensei com meus botões: acontece isso com aqueles que não querem saber do Padre na hora da morte, e são os que mais dele precisam e até o desejam, mas não se atrevem a chamá-lo. Querem parecer valentes diante da morte e até um pouco além dela; não querem ser os primeiros, querem que outros os ajudem a quebrar o gelo, e por fim lhes preparem até o terreno, ou seja o caminho, e os ponham em marcha.
D. — Agora compreendi. Mas será mesmo verdade?
M. — Vou prová-lo.
* * *
Na vida de São João Bosco lê-se o seguinte caso, entre muitos outros de moribundos salvos por ele.
Ao saber que se achava em agonia certo senhor de vida livre, o qual havia proibido à família e parentes que chamassem o Padre, Dom Bosco imediatamente dirigiu-se à casa do enfermo, dizendo que precisava falar com ele.
— Mas, Padre, disseram os familiares, ele não quer saber de Padres nem de sacramentos. Proibiu-nos terminantemente tocar nesse assunto.
— Digam-lhe que é um amigo que o quer visitar.
A mulher do doente fez como Dom Bosco indicara e após alguns minutos Dom Bosco se achava à porta do quarto.
O santo entrou sorrindo e enquanto se aproximava do leito, o enfermo levantou-se nos travesseiros e tirando um revólver de sob os lençóis apontou-o a Dom Bosco dizendo;
— Pode vir, com a condição, porém, de que não me fale em sacramentos, nem de religião.
Dom Bosco, sem nenhum receio avizinhou-se da cama, pegou-lhe a mão e ajudou-o a deitar-se. Depois começou a falar de assuntos diversos sobre o curso da doença e possibilidade de sarar e de muitas outras coisas antigas e modernas, tudo com o intuito de poder sondar a vida daquele pobre homem. O enfermo, de início, respondia com palavras entrecortadas, mas depois pouco a pouco foi descobrindo seu interior como se falasse a um amigo íntimo.
Em certo ponto, Dom Bosco levantou-se e fez menção de retirar-se prometendo voltar se ele quisesse. Este segurando fortemente a mão de Dom Bosco, disse:
— E se eu confessasse?
— Ótimo — respondeu D. Bosco — julgava que não precisava.
— Oh! Padre preciso muito, porém não sei como fazer. Estou com medo. A história da minha vida é muito complicada e enredada.
— Não se apoquente com isso, caro amigo. Sua confissão será muito fácil. Eu vou dizer-lhe todos os seus pecados e você não terá senão de afirmar ou negar tudo quando eu disser.
— Sendo assim, então comecemos.
Dom Bosco, que era mestre nesse assunto, sentou-se e o enfermo fez sua confissão.
Daí a meia hora. Dom Bosco, chamou a dona da casa e disse:
— Prepara todo o necessário para a administração do Viático e Extrema-Unção. Voltarei daqui a pouco.
— Como Padre! Ele se confessou?
— Sim. Prepara tudo bem depressa. Não há tempo para perder.
Dom Bosco voltou, administrou-lhe os últimos sacramentos em presença da família admiradíssima. Poucas horas depois o enfermo morria como um bom católico.
Daqui você pode ver como, na maioria das vezes o Padre é recebido como um anjo de consolação e que o Santo Viático é sempre âncora de salvação, ainda mesmo nos casos desesperados.
D. — Padre, já ouvi dizer que os inimigos da religião procuram impedir que o Padre se aproxime do leito dos moribundos, será verdade?
M. — Sim, também isso já tem acontecido e pode ainda acontecer. Então é preciso coragem e astúcia para poder salvar-lhe a alma.
Um antigo aluno de Dom Bosco, católico fervoroso, havia passado para o protestantismo inscrevendo-se na seita dos valdenses.
Tendo ficado doente, já em estado grave, os protestantes, para impedir que ele abjurasse, não abandonavam o leito do enfermo nem por um minuto.
Soube disso Dom Bosco e imediatamente correu em socorro daquela alma. Bateu à porta da casa e veio atendê-lo um ministro valdense que bruscamente lhe perguntou.
— Que quer o senhor?
— Desejo falar com o doente... Com Pedro Ellero, meu antigo aluno e grande amigo.
— O médico proibiu toda e qualquer visita.
— Menos parolices, meu homem, e deixe-me passar. Não vim aqui para perder tempo.
Nisso apresentou-se a mãe do doente e Dom Bosco saudando-a amigavelmente perguntou pelo estado do filho.
O ministro valdense enfurecido pôs-se a esbravejar e ameaçar; Dom Bosco, desafiando a fúria do ministro, entrou no quarto do doente e começou a dizer:
— Oh! Querido Pedro... Como vai... Lembra-se de mim?
Mas o ministro não aguentando mais pulou na frente de Dom Bosco gritando:
— Senhor Vigário, tenha a bondade de retirar-se. O doente não precisa do senhor, e por isso o senhor não tem nada para fazer aqui.
— Bem ao contrário. Tenho muito que fazer e dizer a este meu filho querido. Mas, quem é o senhor para mandar-me com tamanha autoridade?
— Eu sou um ministro valdense e repito que o senhor não tem nada que fazer aqui, pois o enfermo está inscrito em minha seita.
— Antes que ele se inscrevesse em sua seita eu já o havia inscrito no catalogo de meus filhos e aqui vim para salvar-lhe a alma.
Um antigo aluno de Dom Bosco havia passado para o protestantismo...
— Olhe, Padre, que as coisas vão acabar mal!
— Quando se trata da salvação de uma alma, não tenho medo de nada.
O ministro então, irritadíssimo, gritou:
— Retire-se imediatamente daqui... Quem manda aqui sou eu.
Dom Bosco tranquilo, mas firme e decidido, respondeu:
— Respeito a todos, mas a ninguém temo, e muito menos agora, porque o enfermo, arrependido de se ter inscrito na seita protestante, quer morrer no seio da Igreja Católica.
E dirigindo-se ao rapaz: — Não é verdade, Pedro, que quer morrer católico?
— Sim, Dom Bosco, quero voltar à religião católica... Sou católico e católico quero morrer.
Ao ouvir essa resposta tão explícita, o ministro ficou embasbacado e tomando a porta da saída disse:
— Agora não é possível discutir; voltarei em hora mais propícia.
Logo que o ministro se retirou, Dom Bosco se aproximou do jovem que chorava de medo e comoção; depois de consolá-lo e confortá-lo, lhe administrou o Santo Viático e a Extrema Unção. Pouco tempo depois o jovem morria como um justo.
D. — Bendito Dom Bosco que soube salvar aquela alma. Mas nem todos são como ele e dificilmente conseguem isso.
M. — Infelizmente nem sempre se consegue porque o demônio reclama sua presa e naquela hora redobra os esforços como no caso seguinte.
No ano de 1882 estava à morte um célebre revolucionário.
Homem valoroso e de têmpera a qualquer prova, teve, no entanto a fragilidade de ingressar na maçonaria e de tal modo ficou envolvido em suas malhas que nem na hora da morte se pôde livrar.
Algumas irmãs de um convento de Gênova estavam rezando quando de repente ouvem um alarido nas habitações circunvizinhas e uma voz ostentatória a gritar.
— Ai! Que o perdemos!
As irmãs interrompem a oração e vão ver o que é. Tudo está tranquilo e calmo.
Começam a rezar e novamente ouvem os mesmos gritos:
— Ai! Que o perdemos!
Outra vez interrompem a oração, mas tudo volta à tranquilidade de antes.
Passam alguns minutos. E eis que começa uma gritaria infernal, um barulho ensurdecedor: de repente aqueles gritos se mudam em exclamações de alegria indescritível:
— Viva! Já é nosso! Já é nosso!
As irmãs terminam o terço e vão para as ocupações sem poder solucionar o caso. No dia seguinte, os diários trazem a sensacional notícia da morte de uma grande personagem, na mesma hora em que elas tinham ouvido o barulho diabólico; a notícia traz também o nome das pessoas que rodeavam o leito do moribundo: tratava-se precisamente da fina flor da maçonaria italiana.
Mais tarde soube-se que o enfermo pedira com insistência os Sacramentos, mas os maçons que rodeavam o leito não permitiram o ingresso do sacerdote.
D. — Se não fossem aqueles malvados certamente ele se teria salvado, não é, Padre?
M. — Certamente, porque sendo um homem valente teria sabido reconciliar-se com Deus e obtido o perdão e a misericórdia divina, reabilitando-se perante o mundo cristão que certamente lhe aplaudiria o gesto.
Quero terminar as páginas deste livro, citando as palavras de Santa Teresa sobre a confissão. Assim diz ela:
“ Queria subir a um monte altíssimo de onde todo o mundo pudesse ouvir minha voz e dali gritar com todas as forças de minha alma: Ó cristãos, confessai-vos bem, confessai-vos bem porque a confissão bem feita será a nossa salvação”.
Eu quereria dizer com uma mesma força aos meus queridos leitores:
— Comungai, comungai frequentemente, porque na comunhão frequente e bem feita está a segurança de vossa salvação.
E ainda mais:
— Comungai, principalmente na hora de vossa morte, recebendo em tempo o Santo Viático, porque a Comunhão em forma de Viático e a Extrema Unção constituem o passaporte mais seguro para a eternidade!

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