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19 de junho de 2015

A Esmola - Padre André Beltrami.

CAPITULO V
A AVAREZA E' UM VICIO
REPUGNANTE

A avareza é um dos vícios mais repugnantes e dos que mais desonram o homem. O avarento é odiado por todos, e na sociedade é tido como uma sanguessuga. Quando o amor o torna egoísta, o embrutece, fá-lo incapaz de pensamentos nobres e elevados, curva-o para a terra, fá-lo esquecer o céu. Ele torna-se cruel para com o próximo, espezinha as leis de justiça e da caridade, oprime os pobres e só aspira enriquecer-se de qualquer maneira, justa ou injusta. As moedas que ajunta na bolsa são muitas vezes o preço das lágrimas e das privações dos infelizes.
Conta-se que S. Francisco de Paula urna ocasião, partiu uma moeda e encontrou dentro o sangue do pobre que o avarento barbaramente confiscara,  
O avaro não só é cruel para com os outros como o é também consigo mesmo, trabalha de manhã á noite, come mal,veste-se pobremente, priva-se do conforto para economizar... Quanto sacrificio ... para não gastar Muita vez o avarento jejua como um anacoreta, veste-se como um pedinte, suporta o frio e o calor com uma constância igualável á dos santos mais austeros.
O ouro é a sua divindade, á qual sacrifica a saúde, as comodidades e, ás vezes, a mesma vida. Viram-se avarentos preferem a morte a gastarem dinheiro com médico e remédios.
A paixão pelo ouro, longe de diminuir com a idade, aumenta e aproximando-se a hora extrema em que se deve abandonar tudo, maior é o apego as riquezas. O velho é sempre mais avarento que o moço. Oue dor não há de sentir o avaro ao separar-se de seus tesouros  Que tristeza no dever ditar o
testamento e pronunciar aquela palavras: Deixo... Ele bem quisera não deixar. Conta-se de avaros que morreram desesperados com as mãos no cofre, como não soubessem separar-se do dinheiro idolatrado; outros apertavam convulsivamente ao coração o vil metal e expiraram naquele ato, furiosos por não o poderem levar consigo. A morte de um avarento, odiado em toda a cidade por sua paixão repugnante, deu azo a que Santo Antonio pregasse sobre a avareza e a necessidade da esmola.
Depois de ter comentado as palavras do Evangelho, «onde está o tesouro aí está o coração », afirmou que o coração do avarento estava dentro do cofre. Foram os ouvintes á casa do defunto abriram o cofre e encontraram no meio das moedas o coração do avarento.
Quis Deus mostrar com um milagre quão asquerosa é a avareza, que prende o homem ao lodo da terra. Judas é um exemplo terrível, que nos mostra como o ouro cega. Encarrega-rá-o Jesus de guardar as esmolas para prover ás necessidades do colégio apostólico.
O mísero deixou-se levar pelo amor ao dinheiro e acabou ladrão. Quando Madalena entrou em casa
do fariseu e perfumou com bálsamo os pés do Divino Redentor, enxugando-os com as madeixas, o discípulo prevaricador lamentou aquele desperdício de unguento precioso, que, dizia, poderia
ser vendido e dado aos pobres o valor. Não era o amor aos pobres que o fazia falar, mas a avareza acobertada com tal pretexto. Judas queria ter aquele dinheiro em sua bolsa. Esse vício abominável levou-o de excesso em.excesso até vender o seu Mestre. Bem. sabia que Jesus era Deus, era o Messias, era inocente; presenciara seus estrondosos milagres e tivera provas de amor, de predileção. Cegou-o, porém, a avareza e (ê-lo cometer o maior delito, que causa horror e execração em. todos os séculos.
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Até os pagãos reconheceram a fealdade da avareza e a abjeção daquele que se deixa seduzir pelo dinheiro. Virgílio descreve na sua Eneida os tristes efeitos desta paixão e mal;diz a sede execrável do ouro, causadora de tantos delitos abomináveis. Sêneca proclama que o homem é superior á matéria e é talhado para algo de mais nobre e não deve ser escravo do corpo e dos bens terrenos.
Veio depois Jesus Cristo que verberou os ricos avarentos, os quais negam
socorro ao necessitado. Se nos fosse dado acabar com a avareza e fazer reinar na sociedade a caridade
ensinada no Evangelho, a terra mudaria de aspecto e tornar-se-ia a imagem do paraíso, onde todos se amam. Como eram belos os primeiros tempos do Cristianismo, quando o supérfluo era
entregue aos Apóstolos para ser distribuído ás viúvas, aos órfãos e a todos os necessitados quando a multidão dos crentes formava ·um só coração e uma só alma para amar e servir a Deus.
Podem aqueles belos tempos voltar e o meio para isso é a caridade, é a esmola, é a guerra à avareza e ao egoismo individual.

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