31 de dezembro de 2021

O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA

31 de Dezembro

“Te Deum Laudamus”

Mais um ano que se passa. Mais um passo de gigante deu minha vida para a Eternidade! Fui feliz? Fui desgraçado? Só Vós, ó meu Deus, sabeis se tantas horas amargas, se tantos golpes que me dilaceraram o coração nestes 365 dias, foram para minha desgraça ou para minha felicidade!

Te Deum laudamus! Deo gratias! Alleluia!

Quantos benefícios me concedeu a Vossa Misericórdia, Senhor! Eu Vos agradeço. E minhas dores e lágrimas, todas as chagas que os dias sombrios deste ano me abriram no coração, aceitai-os unidos ao mérito de Vossas Chagas da Cruz, em expiação de meus inumeráveis pecados. Senhor, Deus dos humildes, dos pobres, dos infelizes, dos que choram, tende misericórdia de meu pobre coração, tão louco e tão seduzido pelas belezas criadas, de meu coração que aspira a uma Felicidade, a uma Paz verdadeira e nunca pode encontrá-la fora de Vós, vivendo, entretanto, como louca mariposa, a debater-se e queimar as asas na falsa luz das belezas criadas.

Senhor, dai-me um coração todo Vosso. Deus! Ó meu Deus, Solução de todos os problemas e meu Ideal! Ó Deus, povoai as solidões mais devastadas, consolai as dores mais pungentes, enchei os vácuos mais profundos, aquecei os corações mais frios. Ó Vós, Senhor, que compreendeis todas as aspirações, protegeis todas as liberdades, respeitais todos os sentimentos, restaurais todas as ruínas e secundais todos os esforços. Senhor, acalmai as paixões, fortificai as vontades, sustentai os fracos, dilatai os corações. Dai-nos a paz! Deus da Misericórdia e da Verdade, meu Deus e meu Tudo! – Deus meus et omnia!

Mᴏɴs. Asᴄᴀ‌ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ‌ᴏ

30 de dezembro de 2021

O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA

30 de Dezembro

Reparação!

Conheceis a palavra de Pascal, impressionante e profundamente verdadeira:

“Jesus Cristo estará agonizante até o fim do mundo. Não se pode dormir durante esse tempo!”?

“Dormir – comenta o Pe. Plus (1) – como pensar em tal quando o Mestre está aí suspenso, a padecer, para muitos, infelizmente em vão?”

– “Pois que – dizia Urias a Davi – o meu general Joab dorme numa tenda de campanha e eu havia de ir descansar num palácio! Não, não aceito este privilégio triste!”

À vista do Crucificado perde-se a vontade de viver sem cruz.

Os santos, com o Apóstolo das Gentes, sofrem todos a sublime loucura da cruz. Sofrem, porque não sofrem ainda mais. É a sede de Amor e essa sede só se pode satisfazer, aqui no exílio, de cruz, de sofrimento, e martírios. São Felipe Néri estava à morte, esgotado, sem forças. O médico mandou-lhe que tomasse um caldo. Trazendo-lhe, começa a tomá-lo. Para de repente e exclama:

“Ah! meu Jesus! Que diferença entre nós! Fostes cravado no duro madeiro da cruz e eu descanso num leito tão cômodo! Deram-vos a beber fel e vinagre e a mim enchem-me de carinhos. Em torno de Vós havia inimigos, que vos insultavam, e junto de mim só há amigos, que se esforçam por me consolar!”

E o santo se pôs a chorar. Oh! Como Nosso Senhor Crucificado apaixona os santos! Saibamos sofrer em espírito de reparação pelos nossos pecados, e olhemos com mais fé, com mais amor, o nosso crucifixo!

Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ

29 de dezembro de 2021

O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA

29 de Dezembro

O sofrimento é fecundo

“O sofrimento – escreve a admirável Elizabeth Leseur (1) – o sofrimento atua de um modo impetuoso em nós, primeiro, por uma espécie de renovamento íntimo, em outros também, talvez muito longe e sem que saibamos neste mundo o trabalho que fazemos por eles. O sofrimento é um ato. Cristo fez mais na cruz pela humanidade do que falando e trabalhando na Galileia ou em Jerusalém. O sofrimento faz a vida: ele transforma tudo o que toca e tudo o que atinge”.

“O sofrimento é um ato”.

Que fórmula impressionante! Convém guardá-la. Trabalha, quem sofre bem. Pode salvar almas como o apóstolo da palavra, como o sacerdote missionário mais ativo e ardente. A grande missionária dos últimos tempos, o Anjo do Carmelo de Lisieux, pode dizer e experimentou o valor do sofrimento pela salvação das almas.

“Pelo sofrimento e a perseguição – disse ela (2) – muito mais que por brilhantes pregações, Deus quer firmar o Seu Reino nas almas…”.

Nossos sacrifícios, nossos esforços e os mais obscuros de nossos atos não estão perdidos, é minha opinião absoluta: todos têm repercussão longínqua e profunda. Este pensamento não dá lugar ao desânimo e não permite a covardia.

“Somos pobres jornaleiros da vida”. Assim concluiu Elizabeth. Semeemos e Deus fará surgir a colheita.

Semeemos o bem na dor e na alegria, no Tabor e no Calvário, no “Fiat” do Getsêmani e nos Aleluias da Ressurreição.Porém, é mais fecundo o bem semeado na dor, no sofrimento, enfim, porque o sofrimento é um ato.

Mᴏɴs. Asᴄᴀ‌ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ‌ᴏ

28 de dezembro de 2021

O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA

28 de Dezembro

Tormento do Infinito

Um ser é feliz quando tem aquilo para que foi feita a sua natureza. Ora, o homem foi criado por Deus e para Deus. Logo, o que lhe falta aqui é e será sempre… Deus. Sim, queira ou não, creia ou não creia, pense nEle ou dEle se esqueça, o homem precisa de Deus para ser feliz. E, quanto mais nobre é uma alma, mais vasto o coração e mais bela a inteligência, mais se faz sentir e atormenta essa necessidade imperiosa do Infinito, do Eterno, do Amor e da Verdade.

“As almas fracas e pouco elevadas – escreveu Lacordaire (1) – acham na terra um elemento que basta à sua inteligência e sacia o seu amor. Não percebem elas o vácuo imenso das coisas visíveis, porque são incapazes de o sondar muito além. Porém, uma alma a quem Deus, na criação, fez mais aproximada do Infinito, sente, e bem depressa, o limite estreito que a encerra. Tem ela tristezas misteriosas, de que procura a causa e julga que um certo concurso de circunstâncias lhe perturba, talvez, a vida. Engana-se, porém. Essa perturbação vem de mais alto! É o tormento de Infinito, de que falava o poeta” (2)

Compreendem os espíritos vulgares esse gênero de sofrimento? Os corações nobres não padecem só a imensa dor e a nostalgia penosa do Infinito. Um sofrimento ainda maior os atormenta: a incompreensão, a ignorância, a indiferença com que o mundo passa ao lado dessas dores secretas.

Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ

27 de dezembro de 2021

O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA

 27 de Dezembro

A Virtude dos Heróis

A paciência é uma virtude heroica. A Escritura diz que é melhor o homem paciente do que o guerreiro conquistador de cidades e que mais vale o homem paciente do que o forte – Melior est patiens viro forti. Et qui dominatur animo suo expugnatores urbium.

Os teólogos classificam as virtudes e as dividem em grupos caracterizados pelas virtudes cardeais. A paciência deveria estar no grupo das virtudes da Temperança. E não está. Foi classificada como Fortaleza e como parte desta virtude. De fato, o homem paciente é o verdadeiro forte. A paciência é uma virtude oculta, silenciosa, sem brilho. Há virtudes brilhantes e virtudes da obscuridade. Há virtudes que todos veem e admiram, aclamam, recompensam, e virtudes ignoradas como a violeta e que só se percebem pelo suave e divino perfume que exalam. As grandes virtudes, as que aparecem aos olhos humanos, são mais fáceis e atraentes. As virtudes ocultas, porém, são tão difíceis e pesadas! Sofrer sem que ninguém o saiba, ter um sorriso na adversidade, um olhar de doçura para o inimigo ou para quem nos maltrata e persegue, procurar, em tudo, o mais perfeito e com mais sacrifício. Oh! Meu Deus, só uma fonte inesgotável de paciência! Também chamam a isso longanimidade. Realmente, só uma grande alma pode resistir e perseverar nessa luta. E eis porque a paciência é a virtude dos heróis!

Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ

26 de dezembro de 2021

O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA

26 de Dezembro

Exemplo de Paciência

O grande São Remígio, arcebispo de Rheims, mostrou-se, numa desgraça, modelo de heroica paciência. Ameaçava o país uma crise terrível, e a fome seria fatal. O santo, previdente, juntou para os seus pobres grande quantidade de trigo. Uns malfeitores invejosos correram a lançar fogo em todos os celeiros. O santo, mal teve disso notícia, montou a cavalo e sem demora se precipitou para ver se continha ainda os criminosos e salvar o trigo dos pobrezinhos. Mas ai! Era já tarde. As chamas se levantavam, devorando tudo. Que fazer? O homem de Deus parou o cavalo, contemplou uns instantes aquele espetáculo tão desolador, apeou e adiantou-se para o fogo. Era um dia de inverno. Começou a esfregar as mãos e foi aquecer-se tranquilamente ao calor das chamas. E, ao verem-no tão calmo, admiraram-se todos. –

“Meus amigos – disse todo afável e sorridente o Arcebispo –, afinal de contas, sempre é o calor uma coisa muito boa!”

Belo exemplo de paciência! Se caiu sobre nós uma desgraça irremediável, que fazer? Aproveitar o que tenha ela de bom. E… Paciência, abandono à Santíssima Vontade de Deus! É inútil perder a paz. “Há males que vêm para o bem”, diz o povo. E de grandes calamidades saíram grandes santos. Portanto, quando as chamas de todas as calamidades vierem devorar a pobre casinha de nossos sonhos, tenhamos paciência! Há de haver aí fogo de algum bem. E que esse nos aqueça o pobre coração!

Mᴏɴs. Asᴄᴀ‌ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ‌ᴏ

25 de dezembro de 2021

O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA

25 de Dezembro

“Gloria in Excelsis Deo!”

Os anjos cantaram no presépio de Belém:

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” – Gloria in excelsis Deo et in terra pax hominibus bonae voluntatis.

Jesus baixou à terra. O Príncipe da paz veio estabelecer o seu reino de Amor e de Misericórdia. E nos dirá:

“Eu vos dou minha paz!”

A paz de Deus não é como a dos homens. Os homens procuram a paz nos tratados, nos discursos, mas guardam no coração tanto ódio e tanta maldade!

A Vossa paz, doce menino do Presépio, ó adorável Menino Jesus, é a paz inalterável e doce que penetra nas profundezas do coração. Ó doce paz do Senhor, como és boa para os que te conhecem! Mas a paz se encontra na luta contra nossa ingrata e pobre natureza, rebelde à Graça. E só quem, cheio de boa vontade, abraçou a cruz de Jesus Cristo e aceitou o combate, só esse goza a verdadeira paz dos filhos de Deus. Vem daí a felicidade incomparável dos santos. Agora, mais do que nunca, o mundo tem necessidade de santos, porque o mundo tem necessidade de paz! Santos, isto é, homens de boa vontade! Precisamos de santos que preguem o amor, como São Francisco de Assis ou Santa Catarina de Sena, que assim bradava:

“Paz! Paz! Paz!… Nada triunfa no coração do homem como a Paz. O ódio do próximo é uma ofensa contra Deus. Devemos odiar o ódio”

Venha a paz sobre o mundo, ó Menino Jesus do Presépio, venha a Paz aos nossos corações!

Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ

24 de dezembro de 2021

O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA

24 de Dezembro

É bom Sofrer para ser Bom

“Quando se deseja saber o que vale uma alma – escreveu Lacordaire –, é mister tocá-la. E, se ela não dá o som do sacrifício, esteja ela coberta de púrpura, passai, passai! Não é uma alma!”

A dor é escola das almas, e não parece ter alma quem não sabe sofrer e se imolar.

O sofrimento revela-nos as profundezas de nossa alma com toda a sua complexidade e mil delicadezas, e com isso nos revela também as profundezas de alma de nossos semelhantes.

Saber sofrer é necessário, ao menos para se não fazer sofrer os outros.

Somos todos para com os outros uma fonte de aborrecimentos e pesares. A dor santifica-nos, ensinando-nos a doçura, a caridade suave para com o próximo. O sofrimento é a escola da bondade.

Uma alma vulgar é incapaz de perceber e nem pode suspeitar o que se passa num coração nobre e nas almas delicadas. E certos espíritos grosseiros passam indiferentes, como os viajantes do caminho de Jericó, ante as dores secretas e as chagas doloridas desse pobre samaritano atirado à beira do caminho.

O sofrimento repugna, é verdade, aterroriza a nossa fraqueza, mas é tão belo, tão luminoso! Quando não nos preparasse uma coroa de glória no Céu, bastava cultivasse ele em nós a flor da bondade!

Como é bom sofrer para ser bom!

Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ

22 de dezembro de 2021

Transmissão dos Horários das missas no Apostolado IBP Curitiba

Na Capela São José de Chambéry:

⛪️ Domingo, 19/12
IV Domingo do Advento
08h30, Missa Rezada
10h00, Missa Cantada

Na Capela Militar Nossa Senhora das Vitórias

⛪️ Domingo, 19/12
IV Domingo do Advento
19h00, Missa Rezada
————————————————-

Na Casa do Padre: Olavo Bilac, 76

⛪️ 2ª feira, 20/12
07h30, Missa Rezada

⛪️ 3ª feira, 21/12
07h30, Missa Rezada

⛪️ 4ª feira, 22/12
07h30, Missa Rezada
——————————————————

Na Capela São José de Chambéry

⛪️ 5ª feira, 23/12
18h30, Exposição do Santíssimo
19h30, Missa Rezada

⛪️ 6ª feira, 24/12
Vigília do Santo Natal
08h30, Missa Rezada
………………………………..
23h30: Recitação do terço (seguido da missa do galo)

⛪️ Sábado, 25/12
Santo Natal do Salvador
00h00, Missa cantada do Galo
08h30, Missa Rezada da Aurora
10h00, Missa Cantada do Dia de Natal

⛪️ Domingo, 26/12
Domingo na Oitava do Natal

08h30, Missa Rezada
10h00, Missa Cantada

Na Capela Militar Nossa Sra das Vitórias

⛪️ Domingo, 26/12
Domingo na Oitava do Natal
19h00, Missa Rezada

Deus abençoe!
Pe. Thiago, IBP

21 de dezembro de 2021

ABAIXO-ASSINADO PELA MANUTENÇÃO DO APOSTOLADO DO INSTITUTO BOM PASTOR EM CURITIBA-PR

ABAIXO-ASSINADO PELA MANUTENÇÃO DO APOSTOLADO DO INSTITUTO BOM PASTOR EM CURITIBA-PR 

 

NÓS ABAIXO-ASSINADOS, brasileiros, que confessamos a Fé Católica Apostólica Romana, participantes regulares das Missas e Sacramentos, ROGAMOS a Vossa Excelência Reverendíssima Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo da Arquidiocese de Curitiba, a preservação e a manutenção do Apostolado do IBP para as almas daquela região.

Considerando nossa posição própria de leigos, vemo-nos no direito e no dever de nos manifestar primeiramente em caráter privado, rogando por um real zelo das almas, e suplementarmente em caráter público, denunciando qualquer ato de abuso da autoridade eclesiástica — o clericalismo denunciado pelo Papa Francisco — que venha a nos privar da forma de espiritualidade católica quase bimilenar a que nos conduz nossa livre consciência, fundamentada em firmes princípios católicos, recorrendo ao que dispõe o Catecismo da Igreja Católica no Parágrafo 907:

“Os fiéis, segundo a ciência, a competência e a proeminência de que desfrutam, têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos pastores, e tendo em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas.”


Manifestamos respeitosamente nossa consternação pela perspectiva dos fiéis católicos de Curitiba já não serem mais atendidos pelo Apostolado do Instituto Bom Pastor, em especial pelo Padre Thiago Bonifácio, nesta Cidade e Arquidiocese. É de justiça notar que, desde que Pe. Thiago se instalou em Curitiba como sacerdote do IBP, nada fez senão assistir aos fiéis em suas inúmeras necessidades espirituais, numa vida totalmente dedicada à Santa Missa, ao ministério dos Sacramentos e à direção espiritual dos fieis; vida de simplicidade, prontidão e sacrifício, nunca regida por interesses pessoais, sobrecarregada de deveres, sem que da boca do padre jamais algum de nós tenha ouvido qualquer murmúrio, pelo que é possível atestar sua honestidade e integridade de princípios. Ressaltamos ainda que, nesse período, a conduta do padre sempre se caracterizou por um espírito de sincera obediência e paz para com a Hierarquia da Igreja, chegando a reprimir — por vezes duramente, em espírito paternal — quaisquer iniciativas de leigos que promovessem o espírito de discórdia ou desrespeito contra essa mesma Hierarquia.

Quando da Pandemia de COVID-19, sua conduta, em consonância com a orientação da Arquidiocese e das autoridades civis, bem como de seus superiores do IBP, foi exemplar no cumprimento às restrições sanitárias. Ele orientou e apaziguou o seu rebanho no difícil período em que chegou a ficar sem missas públicas. Portanto, o ministério sacerdotal do Pe. Thiago na Arquidiocese sempre foi exercido em vista do bem das almas, sem espírito de polêmica inútil e com caridade na verdade. O sacerdote sempre mostrou atos concretos de comunhão na obediência a ordens legítimas, na demanda das autorizações devidas, na busca da boa convivência com seus pares no sacerdócio, com a profissão clara da fé católica. Não se pode, em hipótese alguma, reduzir a comunhão eclesial à concelebração, que sequer é obrigatória, nos termos do Cânone 902 do Código de Direito Canônico.

Cumpre observar, ainda, que a autorização formal expedida pela Arquidiocese de
Curitiba para o início do apostolado do IBP foi dada com pleno conhecimento do carisma exclusivo do Instituto no que concerne à celebração da Santa Missa e demais Sacramentos segundo a liturgia romana tradicional da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, e, desde a sua instalação, nada mudou por parte do IBP. De fato, a Missa no Rito Romano Tradicional jamais foi ab-rogada nem poderia sê-lo, mesmo pelo Papa, em razão da própria natureza da Igreja e das limitações do poder papal. Essa liturgia expressa, sem dúvida, a eclesiologia católica, que não pode mudar em sua essência.

Contudo, muito embora gratos e reconhecidos pela mencionada autorização concedida pela Arquidiocese de Curitiba, nós, católicos, constatamos com tristeza a decisão de retirada tácita do Instituto Bom Pastor da referida cidade.

Por essas e outras razões, causa-nos verdadeira perplexidade a notícia da possibilidade de que, por alguma razão que não se chega a compreender, possa-se impor ao padre Thiago Bonifácio algum impedimento, da parte da Arquidiocese, para sua permanência no atendimento aos fiéis de Curitiba e região.

Assim, rogamos sejam removidos quaisquer obstáculos, restrições ou proibições à permanência do apostolado do IBP, na pessoa do Pe. Thiago, em Curitiba, tendo em vista que tal proibição não só iria contra a Justiça — e seria, por isso mesmo, inválida —, dada a conduta sempre honrada do padre, mas também tendo em vista que esse apostolado atende a uma grande quantidade de fiéis, não somente com a Santa Missa dominical, mas com os demais Sacramentos e Direção Espiritual — e toda uma vida espiritual e social católica. Trata-se de uma comunidade que conta hoje com a frequência estável de grande número de crianças, jovens, adultos e idosos, de famílias numerosas, que convivem em laços de caridade, amizade e unidade — unidade de fé e de amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e à Santa Igreja —, comunidade que, mesmo em meio às fragilidades da vida humana, coloca seus membros em meio ao mundo de modo que esse possa exclamar: "Vede como eles se amam!

Rogamos, ainda, seja dada plena liberdade ao Rito Romano Tradicional, rito sempre
vivo que não pertence ao passado nem é moda saudosista, mas rito de "ontem, hoje e sempre", que expressa à perfeição a Fé Católica e nos leva eficazmente a uma vida de amor com nosso Redentor, em um mundo onde é tão fácil de nos distanciarmos desse Amor.


Nós, abaixo-assinados, brasileiros e fiéis católicos em apoio ao Apostolado do Instituto Bom Pastor da cidade de Curitiba, Paraná, Brasil.

 

2 de dezembro de 2021

A Humilde Santa Bernadette - Colette Yver

No presente ano de 1934, o curral de Bernadette não está mudado. Dir-se-ia uma capela, aí no alto da escarpa, à direita, beirando o caminho de Lourdes a Bartrés sob os carvalhos que o protegem ainda.
Só a coberta de colmo desapareceu substituída por folhas de zinco. Destarte ficarão preservados do desmoronamento os seixos do precioso monumento, que desempenhou papel primordial na infância da jovem Santa e parece conservar ainda de modo singular, o vestígio nela feito pela misteriosa menina.
• • •
Abrigado o rebanho, cercada dos pulos e dos ganidos do cão, Bernadette volta à quinta para cear.
A grande casa branca era já, quanto ao exterior, o que aparenta hoje embora tenham reconstruído o interior, destruído pelo fogo.
Há na casa, do tempo de Bernadette, dois cômodos separados por um corredor. Um com chaminé grande, é a cozinha. Ali se acham duas camas.
O outro cômodo é quarto de dormir, que tem três camas. Atrás da cozinha, um desvão, onde dorme o criado.
É ali que a menina entra à noite.
" Come-se, diz João Barbet, massa branca com leite ".
Se o pai Lagües parece, segundo seus contemporâneos, ter sido bastante obtuso, nunca tendo podido aprender a ler, e, de mais, notavelmente avarento; sua mulher, Maria Aravant, que havia amamentado desde os seis meses a menina Bernadette, cuja mãe se achava novamente grávida, parece-nos criatura bastante simpática.
Bernadette senta-se pois, à mesa deles, onde os pais comem pão alvo, mas as crianças e os criados, pão misturado, metade trigo, metade milho. Ela escuta os ditos das pessoas grandes, sem intervir, já se entende. Come com bom apetite, mas a fadiga do dia pesa-lhe na cabeça. É esta, aliás, a hora da noite em que o coração se comove com as reminiscências afetivas. Ela pensa na pobre morada de Lourdes, onde sua irmã e seus irmãos adormecem naquele momento debaixo da asa materna; aqui, ela é apenas uma criada. São os outros, os seus, lá longe, que lhe parecem os verdadeiros ricos...

1 de dezembro de 2021

A Humilde Santa Bernadette - Colette Yver

A VIDA EM BARTRÉS

Quanto mais suave corre a vida em Bartrés para a menina! O sítio Lagües é extenso e farto. A dona, que amamentara Bernadette, outrora, no tempo em que os Soubirous eram remediados, não a trata como a pastorinha vulgar. Aliás, a menina que é fraquinha, aproveita-se da abundância campesina.
Pela manhã a antiga ama põe-lhe na cesta um naco de toucinho com uma tigela de sopa e pirão de milho. Ei-la partindo, ao alvorecer, com seu cão Pegu, ajuizada, compenetrada da responsabilidade do ofício, com sua varinha que lhe serve de emblema.
A trezentos metros da casa, debaixo de um capão de grandes carvalhos, a meia encosta da rampa que corre ao longo da estrada de Lourdes, está o curral das ovelhas. É uma pequena abegoaria ou granja, abrigada por aquele capão que a esconde.
Seu lindo teto de colmo apertado e quente parece pender do lado oposto ao caminho e descer até o chão. Mas é a terra que surge a pruma naquele ponto e toca no teto, tão abrupta é a ladeira. O pezinho da pastorita, tão seguro quanto o de seus cordeiros, galga-a dançando. Fica, porém, levemente esfalfada
porque é asmática.
Puxa a porta feita de poucas tábuas. Uma baforada quente dá-lhe no rosto, e na escura nave onde penetrou um raio de luz, percebe a menina que as garupas rosadas fazem meia volta num movimento giratório e que o povinho por ela governado vira para sua pessoa uns dez ou doze rostos oblongos, olhos esquisitos, toucados de orelhas compridas, oblíquas e pendentes por um topete de lã muito fofa.
Um gesto da chibata e o redil se esvazia;  soltando seu concerto de balidos de tons vários, as alimárias se espalham pelo capinzal. Trava-se sem dúvida, conversas entre elas e sua princesazinha.
Entendem-lhe a fala dialetal e Bernadette lhes conhece todas as vontades, e não troca as caras delas, que a nós parecem todas iguais com seu olhar um tanto bobo e sua expressão, mitológica. Os carneiros adultos e as ovelhas, que são as mães de família, inspiram-lhe certa discrição. Mas está muito à vontade
com os cordeirinhos. Apraz-lhe enfiar as mãozinhas na lã densa, segurá-los pelas juntas rígidas e longas
e sentá-los sobre os joelhos.
E não eram de papelão como os vossos, ó filhos de pais ricos!
Não há motivo de enfastiar-se. O pastorear faz-se ora aqui, ora acolá. " Os Lagües, escreve João Barbet, possuem vastas terras em vários lugares ".
Mas a paisagem é sempre a mesma nas colinas que cercam Bartrés, e os Pireneus azulados sempre surgem ao longe. Quando toca o meio-dia, Bernadette ajoelha-se para rezar o Angelus, depois tira a tampa da cestinha e vai estendendo o toucinho sobre o pão de centeio. Os dentes dos carneiros não param desde cedinho. Mas ela também está com fome. Pegu látelhe à roda. Bernadette, rindo-se, atira-lhe bocados de polenta que o cão abocanha no ar.
Quando a tarde fica parecendo longa, Bernadette esgaravata o chão à cata de pedrinhas. Logo que conseguiu juntar um bom montezinho delas, sai à procura de um local plano para aí construir um altarzinho à Virgem: trabalho de paciência, pois, falta o cimento. Mas Bernadette é habilidosa. Uma cruz feita de dois gravetos encima a construção.
Só falta encontrar flores para orná-la. Puxa então do bolso o terço, que vai desfiando conta após conta, diante do altarzinho mal seguro.
É assim que durante seus dias de solidão vai procurando uma companheira divina com quem possa comunicar seus pensamentos infantis.
Mas eis que o cordeirinho mais querido, o benjamim, ciumento dessa desatenção, vem correndo num galope desajeitado.
- " Dize-nos, Bernadette, por que é que preferes esse, que a nós nos parece igual aos demais?
- " É porque é o mais pequeno e eu gosto de tudo o que é pequeno ". Recomeça a brincadeira. Bernadette provoca o cordeirinho com a chibata: este ergue-se nas patas trazeiras com a testa para a frente. Bernadette dá-lhe um empurrão soltando uma gargalhada. Renova-se o ataque; desta feita o cordeiro, à fula, investe contra o altar e o desmancha.
Lá vai perdido todo o paciente trabalho.
" Eu não o castigava, confessará mais tarde a menina evocando as recordações de Bartrés. Não só isto, mas ainda eu lhe dava de comer na mão pão e sal de que gostava tanto! "
Na hora solar, que lhe é muito familiar, Bernadette levanta-se e com um gesticulado da chibata dá o sinal do regresso. Pegu fica alertado; rodeia e tange o rebanho. A menina vai à testa do cortejo e reconduz seu povinho ao curral. Ainda alguns beijos no focinho rosado do cordeirinho preferido, umas carícias aqui e acolá, pois Bernadette é menina meiga, e a porta fica fechada com cadeia e cadeado.