31 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 445

TRAÇOU NA PAREDE A FIGURA DE CRISTO

A um pintor, já muito velho, foi administrado o santo Viático em seu leito de morte. Um pequeno acólito, segundo o costume do tempo, levava o turíbulo ou incensório para o ato solene.
O pintor, depois de receber a santa Comunhão, tomou um carvão do incensório e foi traçando com ele na parede a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O menino, que o contemplava com interesse e até com inveja, atreveu-se afinal a dizer-lhe:
— Senhor, eu também gostaria de pintar a face de Deus.
— Olha, meu filho — respondeu o pintor — se queres pintar bem a face de Jesus, conserva sempre a Jesus Cristo em teu coração e não o apagues com o pecado mortal.
Aquele menino foi o famoso Bartolomeu Murillo, que, se soube pintar a Jesus como bem poucos, foi, sem dúvida, porque o soube também amar.

30 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 444

VENDERAM-NO POR TRINTA DINHEIROS

Quando os Reis Católicos (Fernando e Isabel) a 31 de março de 1492 deram decreto de expulsão dos judeus de toda a Espanha, estes, para se livrarem da expulsão, ofereceram aos Reis uma quantia de dinheiro que lhes era então muito necessária. Informado disso, o inquisidor Torquemada apresentou-se um dia no palácio real com um grande crucifixo na mão e disse aos Reis: “Por trinta dinheiros, foi Este (Jesus) vendido aos judeus; vejam Vossas Altezas se não estão no caso de vendê-lo também por trinta maravedís”.
Não foram necessárias outras palavras. Isabel a Católica, em lugar de aceitar o ouro dos judeus, preferiu vender as joias de sua estimação para pagar as naus de Colombo, o descobridor da América.

29 de janeiro de 2018

Programação de Missas Tridentinas - Padre Thiago - IBP - Janeiro 2018

Missas Tridentinas

Imagem relacionada

Janeiro 2018

01/01 - Segunda-feira   09:30h
                                      10:00 h

02/01 - Terça-feira        07:30 h

03/01 - Quarta-feira      07:30 h

04/01 - Quinta-feira      19:00 h

05/01 - Sexta-feira        18:30 h - Bênção da Água da Epifania

                                      19:00 h - Missa

06/01 - Sábado              09:00 h - Missa Solene

07/01 - Domingo          09:30 h - Oração santo Terço

                                      10:00 h - Missa Solenidade da Epifania

08/01 - Segunda-feira   07:30 h

09/01 - Terça-feira        07:30 h

10/01 - Quarta-feira      07:30 h

11/01 - Quinta-feira      19:00 h

12/01 - Sexta-feira        19:00 h

13/01 - Sábado              09:00 h

14/01 - Domingo           09:30 h - Oração santo Terço

                                       10:00 h - Missa

15/01 - Segunda-feira    07:30 h

16/01 - Terça-feira         07:30 h

17/01 - Quarta-feira       07:30 h

18/01 - Quinta-feira       19:00 h

19/01 - Sexta-feira         19:00 h
20/01 - Sábado               09:00 h

21/01 - Domingo           09:30 h - Oração Santo Terço

                                       10:00 h - Missa

22/01 - Segunda-feira    07:30 h

23/01 - Terça-feira         07:30 h

24/01 - Quarta-feira       07:30 h

25/01 - Quinta-feira       19:00 h

26/01 - Sexta-feira         19:00 h

27/01 - Sábado               09:00 h

28/01 - Domingo           09:30 h - Oração santo Terço

                                       10:00 h - Missa

29/01 - Segunda-feira    07:30 h

30/01 - Terça-feira         07:30 h
31/01 - Quarta-feira       07:30 h


Local: Capelania Militar Nossa Senhora das Vitórias – Capelania Militar do Exército
Endereço: Rua Francisco Rocha, nº 740 - Batel - Curitiba - Pr.
Referências: Hospital Geral de Curitiba (Hospital Militar) e Colégio Estadual Julia Wanderley



Mapa Capela

Tesouro de Exemplos - Parte 443

CHORO A MORTE DE TUA ALMA

A Beata Madalena Albrizzi recebeu certo dia a visita de um parente seu que levava vida escandalosa. Logo que o viu, a serva de Deus começou a chorar. Aquele senhor, à vista da inesperada recepção, perguntou-lhe por que chorava.
— Choro a tua morte — respondeu ela.
— Não estou morto; estou muito vivo e muito são; e não creio ter inimigos que me procurem matar.
A Beata Madalena continuava, porém, a soluçar, dando como simples resposta:
— Choro a morte de tua alma.

28 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 442

UM SONHO DE D. BOSCO

Sonhou D. Bosco que se encontrava na sacristia a ouvir confissões. De repente entrou ali um bode, que começou a dar saltos e a brincar com os meninos que se preparavam para a confissão, afastando-os pouco a pouco. Aproximou-se, também de D. Bosco, insinuando-lhe que deixasse de ouvir confissões. Enfastiado, o Santo descarregou sobre o bode um murro tremendo e quebrou-lhe um chifre, obrigando-o a fugir. Quando terminou as confissões, revestiu-se dos paramentos para celebrar a missa e foi para o altar. A hora da Comunhão, viu que muitos bodes tinham entrado ali e, metidos entre os bancos, distraíam os que iam comungar. Alguns meninos, dos que se tinham levantado para ir à mesa da comunhão e mesmo alguns que já se achavam nela, incitados por aqueles animais, voltavam para seus lugares sem comungar. O Santo compreendeu logo que aqueles bodes eram demônios, que, com suas tentações e afetos desordenados, afastavam os meninos dos santos Sacramentos.
Cuidado, pois, crianças! Não vos deixeis enganar pelo demônio.

27 de janeiro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem-Mãe

Parte 6/9

Maria, mulher perfeita, foi ainda na ordem física mãe perfeita também.
Com o voto de virgindade, tinha renunciado à maternidade, mas um anjo disse-lhe, da parte de Deus, que podia ser mãe, sem deixar de ser virgem.
Essa é a vontade divina. Maria sente então que a tendência maternal revive no seu ser. Esquece-se de si mesma, para pensar no seu Filho, e tudo o que vê, o que ouve e o que lê, relaciona com ele. Ela também pergunta: "Que será o meu filho"?
A Maria o anjo descobriu o mistério do futuro. Disse-lhe o que seria o seu Filho: "Teu Filho é o Filho do Altíssimo, é o Filho de Deus".
Se é o Filho de Deus, é a obra-prima da criação, é o modelo que Deus tinha diante ao fazer as coisas que existem. Toda a criação é uma cópia imperfeita de seu filho. Desde então Maria contempla a criação, como nunca tinha contemplado; toda ela lhe diz como será seu filho. Os astros dizem-lhe: Mais brilhantes do que nós serão os olhos de teu filho. As paisagens, os montes, os vales, as flores, dizem-lhe: Mais formoso do que nós será o corpo de teu filho. As aves com seus trinados dizem-lhe: Mais melodiosa será a voz de teu filho.
Se teu filho é Filho de Deus, também é Deus como seu Pai; e a Virgem quer saber quem é Deus, para saber o que será o seu filho. Ela conhece muito bem a Deus, porque o teve sempre dentro da alma: o Senhor é convosco.
Ela teve com Deus grandes comunicações; porém sabe também que todas as belezas da criação são como um raio de luz que brotou de Deus, fonte de toda a formusura. Pergunta a criação como é Deus; porque assim saberá como será seu filho. E a criação responde-lhe com mais eloquência do que os maiores místicos. Responde-lhe quando olha para as montanhas que rodeiam Nazaré e quando sai para a planície de Esdrelón ou quando se dirige aos montes de Judá para visitar sua prima Isabel.
Todos os campos lhe dizem:

Mil graças derramando
Passou por estes soutos com presteza;
E enquanto os ia olhando,
Só com sua esbelteza
Vestidos os deixou de grã beleza.

                               São João da Cruz 

Se nos seres da criação deixou Deus as pegadas das suas perfeições, alguma coisa lhe dizem da formosura, do poder e da sabedoria e bondade de Deus, e alguma coisa lhe dizem de seu filho.
Maria não estava ainda satisfeita; queria conhecer melhor o seu filho. O anjo disse-lhe que seu Filho seria o Messias esperado, e Maria sabe que todas as Escrituras são uma profecia do Messias. Com que avidez lê desde então os livros Sagrados e os relaciona todos eles com seu filho. Lê o Cântico dos Cânticos e ali encontra o seu retrato:
"É branco e rosado - e escolhido entre milhares - A sua cabeça é ouro puro - Seus olhos como pombas brancas pousadas na margem de uma corrente de água. - Suas faces são como botões de rosa - Seus lábios como lírios que destilam abundantemente mirra - Seus braços são cilindros de ouro guarnecidos de pedras de Társis. - Seu corpo como o marfim coberto de safiras - Seu porte majestoso como os cedros do Líbano - A sua boca é a própria doçura - Todo ele, o próprio encanto".
Ao ler estas páginas, a alma de Maria enchia-se de doçura. Porém continuava folheando a Escritura com avidez.  E lia:
Nascerá de uma Virgem. ( Essa virgem era ela ). Será da casa de David e sentar-se-á no trono de seu Pai.
O anjo também tinha-lhe repetido isto mesmo. Maria continua a ler os salmos e os profetas e ali encontra um duplo retrato de seu Filho. O retrato do Messias glorioso, e o retrato do Messias paciente.
O Messias glorioso enche-a de prazer.
Seu filho terá nomes simbólicos e gloriosos. Será chamado Emanuel, Deus conosco, Conselheiro admirável, Deus forte, Pai do século futuro, Príncipe da paz. Sobre Ele descansará o Espirito divino e lhe comunicará dons de sabedoria, de conselho, e de fortaleza. Será Rei. Estabelecerá um reino de Paz e de Justiça. Nesse reino reunirá não só os israelitas que se convertam sinceramente ao verdadeiro Deus, como todas as nações, e todas as almas desejosas de guardar a lei divina e de sair das trevas do pecado. E será também sacerdote.
Estabelecerá uma nova aliança, perfeita, eterna, íntima, escrita não em tábuas de pedra, mas sim nos corações dos homens; em virtude da qual os membros dela serão para sempre o povo de Deus. Mas depois deste retrato glorioso, encontrava Maria o retrato do Messias paciente que lhe dilacerava o coração de dor.
O Messias tomará sobre si as iniquidades do seu povo, será humilhado, injuriado, ultrajado e desprezado. Um tribunal iníquo o condenará sem que apareça alguém em sua defesa; e será conduzido à morte, como um ímpio e um malfeitor.
Ao ler estas profecias, o seu coração de Mãe sentia-se oprimido, despedaçado de dor.
Esse será o seu Filho.
Desde então o coração de Maria, como o de todas as mães, vive agitado por essa corrente que agitará ainda mais a profecia de Simeão, mistura de alegria e de dores.

26 de janeiro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem-Mãe

Parte 5/9

E chega um momento na vida em que a grandeza da mãe adquire maior relevo ainda.
É o momento da separação.
Quando o filho, procurando a felicidade, diz a sua mãe que, para a encontrar, tem de separar-se dela.
Deus chama-o para a vida do matrimônio, para que forme outro lar, e viva feliz na companhia de sua esposa e dos filhos que Deus lhe der.
Outra mulher lhe surgiu no caminho da vida e prendeu-lhe o coração.
Deus aprova aquela união e diz ao jovem: "para viveres com tua esposa, deixarás teu pai e tua mãe".
E o filho obedece à voz divina e à inclinação que Deus deu à natureza do homem.
A mãe crê, e com razão, que ninguém mais do que ela tem direito a possuir o coração de seu filho, porque ninguém lhe deu mais amor e mais sacrifícios do que ela.
Contudo a felicidade do filho exige a separação, e a verdadeira mãe, num ato sublime de heroísmo, abraça-o e diz: "Meu filho, sê feliz no teu lar e eu ficarei sozinha.".
Um consolo lhe resta, que os filhos de seu filho venham um dia a alegrar os últimos anos da sua vida.
Porém as vezes sucede ter de renunciar também a esta consolação.
Quem lhe chama o filho é o próprio Deus e a separação será tão completa que vivam na terra como se não existissem. A mãe  contenta-se com saber que o seu filho vive, é feliz servindo a Deus, e leva com alegria a solidão, pois sabe que com ela comprou a felicidade de seu filho.
Isto é que é uma verdadeira mãe. Esta é realmente a grandeza da maternidade.
Esta é a mãe que merece o respeito, a veneração, e o amor do filho em todos os dias da sua existência.

25 de janeiro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem-Mãe

Parte 4/9

Pequena seria a grandeza de uma mãe se o esquecimento de si mesma ficasse no mundo dos pensamentos.
Daí passa ao terreno das realidades.
Uma mãe dá a seu filho tudo o que pode dar, com o maior sacrifício próprio. Fisicamente, pode-se dizer que quase tudo o que o filho é, deve-o a sua mãe.
Trouxe-o nove meses no seu seio. Mais do que dois seres diferentes, diria-se  que eram um só.
Proporcionou-lhe quase todos os elementos que formam o seu corpo.
Comunicando-lhe o seu próprio sangue, por meio dele proporcionou-lhe alimentos para o seu desenvolvimento, oxigênio para a sua respiração.
E tudo isso a custa de muitos sofrimentos. Não falando no perigo de morte, que ainda que não seja muito frequente, algum existe.
Quantos incômodos! Quanta sujeição!
Que sacrifícios tão custosos para uma mulher!
A elegância, a esbeltez, a flexibilidade do corpo.
As excursões, as diversões, a vida de sociedade.
Tudo pelo filho que traz no seu seio.
E chega o momento de o dar à luz.
Momento que espera com ansiedade uma mãe.
Momento em que começa a rasgar-se o véu do porvir, e saberá então como é o seu filho.
Esta satisfação tem de a comprar à custa de muitos sacrifícios.
O perigo da vida, ainda que distante, sempre se apresenta ameaçador.
E mesmo que não exista, sofre dores e angústias mortais.
Tudo para que seu filho viva. Assim entram os homens no mundo: fazendo chorar e fazendo sofres as suas mães. Porém ainda não termina aqui a entrega que faz de si mesma uma mãe, para o bem de seu filho.
Se é uma verdadeira mãe, continuará alimentando-o, continuará a dar-lhe parte do seu ser.
Dar-lho-á à custa de incômodos, de servidões, de renúncias a diversões, de sacrifícios dos encantos físicos.
Depois preparar-lhe-á outros alimentos, arranjar-lhe-á roupas e tudo aquilo que necessite; e para isso ficará recolhida em casa.
Nisto trabalhará todas as horas do dia; e, se não chegarem ainda, rouba-las-á à noite.
Chega um momento de angústia indescritível para uma mãe. aquele filho que tanto lhe custou, esta doente e a morte quer arrebatar-lho. a entrega de uma mãe pelo bem do seu filho chega então ao heroísmo. A mãe quereria poder dizer à morte e fazer com ela um pacto: " Morte, leva-me a mim e deixa que viva o meu filho". E como a morte não aceita a troca, a mãe luta como uma heroína para defender o seu filho.
Esquece o seu alimento, esquece o seu descanso, esquece tudo o que lhe diga respeito.
O amor e a esperança sustentam-na milagrosamente. Muito dá uma mãe a um filho, fisicamente e muitíssimo moralmente.
O coração é o que o homem tem de mais belo, e a mãe é quem principalmente molda o coração de seu filho.

24 de janeiro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem-Mãe

Parte 3/9

O que é uma mãe? Dissemos que é uma mulher que se esquece de si mesma para cuidar dos seus filhos.
antes de casar, a mulher corre o perigo de ser egoísta, de pensar unicamente em si, de procurar unicamente o que lhe é útil e agradável.
A maternidade faz uma mudança radical no modo de ser da mulher.
Antes os seus pensamentos giravam sempre em volta de si mesma: o que via, o que ouvia, tudo relacionava com ela.
Desde que pressente que vai ser mãe, deixa de pensar tanto em si, para pensar no seu filho.
O que vê, o que ouve, tudo o relaciona com ele.
Que tropel de pensamentos lhe acodem à mente!
São uma mistura de esperanças e de temores.
Como será o seu filho? O que será o seu filho?
Se pudesse desvendar o mistério do porvir!
Porém o futuro é um enigma.
E ante esse silêncio indecifrável, dá liberdade à imaginação, para voar por regiões inexploráveis.
Quando vê homens de valor, passa pela sua imaginação um turbilhão de grandezas.
O seu filho chegará a ser um desses homens de valor? Será um herói, será um sábio, será um santo? O futuro nada lhe responde para que a imaginação guarde todas as ilusões.
Quando a futura mãe vê seres desgraçados, desfila pela sua imaginação a série imensa de todas as desgraças.
Que será o meu filho? Será um mendigo? Será um vicioso? Será um criminoso? Será um condenado?
Pobre mãe!
O seu coração é um barco jogado pelo fluxo e refluxo de sentimentos desencontrados. Assim começa a maternidade, e assim continuará toda a vida.
Lutando entre o temor e a esperança. Esquecendo-se de si mesma para pensar no seu filho.

23 de janeiro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOR DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem-Mãe

Parte 2/9

Comecemos por esclarecer o conceito de maternidade. 
Sua Santidade Pio XII diz: " O fim da mulher, o seu instinto, a sua inclinação inata é a maternidade. Toda a mulher esta destinada a ser mãe, no sentido físico da palavra, ou mãe, num significado mais espiritual e elevado mas não menos real. Para este fim ordenou o criador todo o ser próprio da mulher: o seu organismo, mais ainda o seu espírito e sobretudo a sua requintada sensibilidade". (Disc. 21/10/1945).
Entenderemos estas palavras do Papa se soubermos em que consiste o instinto da maternidade.
Esse instinto não é a inclinação para os prazeres grosseiros do corpo.
Se fosse isso, Maria não teria tido esse instinto maternal, não teria sido uma mãe perfeita e, contudo, foi-o. O instinto da maternidade é uma qualidade preciosa da mulher, a mais bela de todas, é uma tendência a esquecer-se de si mesma para pensar nos mais; a sacrificar-se para fazer felizes os outros.
Esta tendência têm-na todas as mulheres; ainda que a orientem em sentido diverso.
Umas dizem: Casar-me-ei, esquecer-me-ei de mim para cuidar dos meus filhos, sacrificar-me-ei por eles.
É a mãe no sentido físico da palavra.
Outras dizem: Não me caso, ficarei virgem, mas nem por isso deixarei de ser mãe. Esquecer-me-ei de mim para dar o meu amor e os meus cuidados a tantos desgraçados que não têm quem os ame e cuide deles na terra: crianças abandonadas por seus pais, velhos abandonados por seus filhos, doentes e pobres.
Esta é a mãe num sentido não menos real que a outra, porque a essência da maternidade é essa: esquecer-se de si mesma para cuidar dos outros, sacrificar-se pelo bem dos mais. E é mãe num sentido mais elevado, e tanto mais quanto o espírito se eleva acima do corpo.
É mãe espiritual. E além de ser mãe num sentido real e mais elevado, continua a ser virgem. Por isso é a que mais se aproxima de Maria, a Virgem Mãe. A que mais se aproxima, porque igualá-la não pode nenhuma mulher.
A Santíssima Virgem é a única que pode cingir sobre a fronte a coroa de uma tríplice maternidade:
Maternidade física.
Maternidade virginal.
Maternidade divina.
Ao fazer hoje o retrato da Virgem Mãe referi-mo-nos à sua maternidade física, que é ao mesmo tempo virginal.

22 de janeiro de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem-Mãe

Parte 1/9

Que linda é uma árvore de fruta, rescendente de flores na primavera!
E que linda é essa árvore carregada de frutos no outono!
Porém a flor teve de murchar para aparecer o fruto. Que belo seria, se pudesse existir simultaneamente a flor e o fruto!
Há uma árvore que nos oferece essa vista maravilhosa.
A laranjeira, em algumas épocas do ano apresenta o fruto dourado entre as flores brancas.
Que espetáculo tão formoso é o de uma alma virgem vestida de branco, de joelhos ante o altar!
E que espetáculo tão belo também o de uma mãe com seu filho pequenino nos braços!
Porém a flor da virgindade teve de murchar para aparecer o fruto da maternidade. Se pudesse existir juntamente a virgindade e a maternidade!
Se pudesse existir uma mãe virgem! Para um incrédulo, para um herege, essa proposição é absurda.
Essas duas palavras - mãe e virgem - não podem aplicar-se juntamente a uma pessoa.
A maternidade exclui a virgindade. No entanto nós, católicos, sabemos que esse milagre existiu.
Houve uma mulher, única no mundo, que reuniu em si os encantos da virgindade e da maternidade.
Maria com o Menino Jesus nos braços, eis uma Mãe Virgem.
Podemos pois fazer o retrato de Maria Mãe, ainda que tenhamos feito o de Maria Virgem.

21 de janeiro de 2018

Sermão para o 2º Domingo depois da Epifania 14.01.2018 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Conselho aos jovens que querem casar (2ª versão)



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Acabamos de ouvir no Evangelho de hoje o milagre feito por Nosso Senhor Jesus Cristo a pedido de sua Mãe nas bodas de Caná. Nosso Senhor, com sua presença santificava, o casamento, Ele santificava a família. Mais tarde, Ele elevaria o casamento a sacramento. A união exclusiva de um homem e de uma mulher para toda a vida em vista da procriação e do auxílio mútuo é algo santo. Sem o matrimônio, sem a família assim constituída, a sociedade desmorona por completo. Mais de uma vez já falamos da importância da família, que é a base da sociedade. E não se pode insistir suficientemente sobre o assunto. Falamos da família e de sua importância capital para o Estado e para a Igreja. Está claro, falamos da família: pai, mãe e filhos. É preciso, para o bem da sociedade e da Igreja, que haja famílias profundamente católicas. Famílias com uma fé profunda, com uma grande generosidade para ser uma família numerosa, se assim Deus o permitir, com uma vida de oração familiar, com o cuidado da educação dos filhos. Os pais participam da obra da criação ao gerar os filhos e devem participar da obra da redenção, educando os filhos para Deus. E a redenção se faz com sofrimento. A educação dos filhos se faz a base de sofrimentos, de abnegação, de sacrifícios. Tudo isso junto com grandes alegrias, e a primeira dessas alegrias é a de poder formar Cristo em uma alma.
Todavia, a ordem normal das coisas é que um casamento santo, que uma família profundamente católica tenha se formado a partir de um bom namoro, de um namoro católico em todos os seus aspectos. Um bom casamento começa por um bom namoro. Um casamento que começa por um mal namoro, terminará mal ou terminará bem com muito sofrimento que poderia ter sido evitado com certa facilidade. Bastam ao casamento as cruzes que já lhe pertencem naturalmente. Não devem aqueles que vão casar acrescentar ainda outras cruzes ao matrimônio porque se deixaram levar, no tempo do namoro, pelos sentimentos e não pela razão iluminada pela fé. Os jovens devem ter todo o cuidado com o namoro para não prejudicarem a si mesmos, ao próximo e ao futuro matrimônio. Os já casados superem as cruzes do matrimônio com paciência, fé e caridade, e saibam instruir os filhos com relação a isso. É preciso conhecer o que ensina a sabedoria da Igreja a respeito desse tempo de preparação para o matrimônio. Um dos motivos pelos quais não temos famílias profundamente católicas é porque não temos bons namoros. Todavia, as famílias formadas a partir de um namoro inadequado, muitas vezes fruto da ignorância, não devem nem podem se desencorajar. Pela graça de Deus e com esforço, é plenamente possível remediar isso e formar uma família profundamente católica.

A primeira coisa que o jovem deve fazer é tomar a decisão de seu estado de vida, considerando em que estado de vida pode, concretamente, servir melhor a Deus e salvar a sua alma: sacerdócio (para os homens), vida religiosa, matrimônio. Aqueles que decidirem pelo sacramento do matrimônio, via comum da vida cristã e de santificação, devem seguir a sabedoria da Igreja quanto à preparação para esse sacramento. O casamento se prepara pelo namoro. É dele e de algumas coisas conexas que iremos tratar aqui. Não poderemos abordar de forma completa todos os aspectos do namoro, mas daremos algumas indicações. Quando falamos aqui de namoro, falamos de todo o tempo e de todo e processo que antecedem o matrimônio, incluindo, portanto, namoro e noivado.
O namoro tem por objetivo o conhecimento mútuo entre o rapaz e a moça, para saber se é razoável que os dois se unam até a morte. Esse conhecimento mútuo no tempo do namoro não é do corpo, mas das qualidades e defeitos morais, do temperamento, da história do outro. O namoro deve durar tempo suficiente para que ocorra esse conhecimento mútuo, mas não pode se prolongar ao ponto de começar a criar familiaridades indevidas. O namoro deve durar, então, entre um e dois anos. Menos do que isso seria imprudente, pois seria casar com quem não se conhece. Seria apostar na loteria e, quase certamente, perder. Mais do que dois anos seria casar sem respeitar profundamente o outro, em virtude das familiaridades que surgem em namoros longos. Essa falta de respeito prejudica bastante o futuro matrimônio.
Assim, é lícito começar a namorar somente quando se prevê realmente ter condições de casar dentro de um ou dois anos. Não se trata de uma previsão meramente hipotética, como por exemplo: daqui a dois anos terei terminado a faculdade e terei talvez um emprego. Na prática, o melhor é não fazer previsões. É começar a namorar já tendo a condição de casar, já tendo maturidade, já tendo emprego…
Para começar a namorar, é preciso ter maturidade. Maturidade para poder educar os filhos que serão gerados e para que prestem o devido auxílio mútuo. Maturidade, no homem, para ser um chefe de família e cuidar do bem espiritual da esposa e dos filhos. Maturidade, na mulher, para ser o coração do lar e sacrificar-se nas pequenas coisas. É preciso, então, que, antes de começar a namorar, o jovem e a jovem se perguntem: Assumo as minhas responsabilidades? Tenho as condições para ser pai? Sou um homem ou um garotão? Tenho um emprego para sustentar a minha futura família? Ou ainda não? Estou pronto para uma vida de renúncia e sacrifícios? Tenho condições para ser mãe, cuidar da saúde do lar e da família? Ou fico sonhando com as princesas de castelã encantado, achando que a vida será sem sofrimentos e sacrifícios tremendos? Rapaz e moça devem, ainda, se perguntar: Vou saber como educar meus filhos? Vendo aproximar-se a hora de começar um namoro, tenho procurado me instruir sobre o que é o matrimônio, seus direitos e deveres? Estou bem consciente da fidelidade e da indissolubilidade do matrimônio e que, uma vez casado, continuarei casado até a morte, aconteça o que acontecer? Tenho procurado me instruir em como educar bem os filhos? Li sobre as cruzes do matrimônio e como evitá-las ou resolvê-las? Tenho uma vida espiritual sólida? Vivo, em geral, seriamente, buscando o céu e praticando as virtudes? Além disso, qual é a minha condição material? Tenho o mínimo para começar uma família mais ou menos em acordo com minha condição social? Estou pronto para os sacrifícios que serão necessários na vida comum? Essas são algumas das perguntas que se devem fazer antes de começar a pensar em namorar… E não estamos falando de um ideal inatingível, mas do mínimo necessário. Se o jovem ou a jovem pensam que o amor sentimental irá superar todos os obstáculos, é o sinal mais claro de que não estão preparados para namorar.
O namoro entre um rapaz e uma moça deve começar quando se tem esperança fundada de que possa dar certo. Não se começa a namorar uma pessoa desconhecida, simplesmente porque nasceu um sentimento de uma hora para outra ou simplesmente porque os dois são católicos. O namoro deve começar porque já existe um certo conhecimento entre o rapaz e a moça e porque já existe uma certa estima e simpatia mútuas. O normal é que já se conheçam de um ambiente saudável e não de ambientes mundanos. Essa estima para se começar o namoro deve ser baseada nas virtudes que o outro tem e não em simples sentimentos e essa simpatia deve ser a alegria de estar na presença do outro, mas alegria que decorre da estima, das virtudes do outro. O sentimento pode estar presente, sim, e não é ruim, mas não pode ser o fundamento do relacionamento. Não basta, então, os dois serem católicos para começar a namorar. É preciso que haja compatibilidade dos temperamentos, e é preciso que haja já esse início de estima e de simpatia.
Está claro, assim, que não se deve começar nem continuar um namoro já começado, quando não se tem estima pelo outro ou quando se tem antipatia pelo outro. Nem se deve começar nem continuar um namoro já começado, quando o outro tem um defeito moral grave. Muito comum a pessoa começar o namoro esperando que o outro se corrija desse defeito. Ou casar esperando que, depois do casamento, a pessoa se corrija desse defeito grave. É uma grande ilusão e imprudência, causa de grandes sofrimentos. Não se deve tampouco continuar um namoro em que a confiança mútua não é profunda. Não se deve continuar um namoro que tem brigas constantes e que não diminuem, apesar dos esforços. Ainda menos se deve começar um namoro com pessoa de outra religião. A Igreja nunca favoreceu o matrimônio de uma parte católica com outra não católica. A Igreja apenas tolera esse casamento, pois ele representa um grande perigo para a fé do católico e para a educação católica dos futuros filhos. Além disso, como esperar que sejam felizes um homem e uma mulher que no principal da vida – a religião – têm concepções completamente distintas? Haverá paz nesse casamento? E as diversas questões morais no matrimônio? A parte não católica as aceitará? Por exemplo, evitar os contraceptivos, os procedimentos esterilizantes, aceitar todos os filhos que Deus enviar? É prudente unir-se profundamente com alguém que tem uma visão distinta no principal da vida? É claro que não…
No namoro que é lícito, quer dizer, em que já existe a maturidade e em que se prevê seriamente a possibilidade de casamento em dois anos no máximo, e em que vai se desenvolvendo a estima e simpatia mútuas bem como a confiança e o acordo quanto ao sentido católico da vida e do matrimônio, nesse namoro plenamente lícito, será preciso guardar também a castidade, para que ele seja perfeito. A castidade no namoro (e antes do casamento como um todo) se guarda porque Deus nos deu a faculdade reprodutiva para ser usada para a geração e educação dos filhos e essa educação se faz devidamente dentro do matrimônio, com pai e mãe unidos por um laço indissolúvel. A castidade se guarda no namoro também para que as paixões não prejudiquem o julgamento que se deve fazer do outro, sobre suas qualidades e defeitos, para saber se é possível viver o resto da vida com aquela pessoa. Os pecados contra a pureza levam os namorados a pensar que a paixão vai superar todos os obstáculos e todos os defeitos do outro. A paixão logo será superada, os problemas permanecerão. E o sofrimento será grande. A família não estará solidamente fundada e o respeito mútuo ficará bem prejudicado.
Para guardar a castidade, é preciso muita vigilância e oração. A vigilância consiste em que os namorados guardem entre eles, sempre e onde quer que estejam, uma certa reserva, uma certa modéstia, um verdadeiro pudor. Isso não somente no contato físico, mas também nos olhares, nas palavras, nos gestos. No contato físico, não passar de dar a mão e com moderação. Lembrar que o beijo apaixonado já é um pecado mortal. Precisam estabelecer limites claros, com franqueza um para com o outro. Os namorados em nenhuma hipótese podem se isolar das outras pessoas. Estejam sempre em companhia de outras pessoas de boa consciência. Podem, claro, conversar sem ser ouvidos por outros, mas jamais sozinhos, isolados. Não andem, por exemplo, sozinhos no carro. Se o fizerem, a queda virá, mais cedo ou mais tarde. E cada vez mais grave. Estejam sempre com outra pessoa no carro. Jamais devem viajar juntos ou ficar sozinhos em um aposento. É um suicídio espiritual. Se já caíram em certas situações, não podem se colocar novamente nelas. Devem ser extremamente cuidadosos nas despedidas, sempre também na presença de outras pessoas com boa consciência. A despedida é um momento crítico muitas vezes. Estejam sempre em ambientes saudáveis para a alma, evitando, então, os divertimentos que provocam em demasia os sentidos: cinema, festas mundanas, shows, a falta de moderação na bebida, locais com mais barulho e efeitos de luzes etc. O local de encontro entre os namorados deveria ser o meio familiar, até mesmo porque é vendo como o outro se comporta com a família dele que se pode conhecê-lo melhor e como ele se comportará com a família que formará. Todavia, nem sempre os familiares têm uma boa consciência e aqui a presença na casa de familiares pode ser um problema sério. É também em ambiente no meio de famílias católicas que os jovens deveriam conversar e ir se conhecendo melhor quando vai se aproximando a idade de começar um namoro legítimo. Aqui são alguns poucos exemplos do que é necessário para manter a castidade, mas que já dão um norte. Não é exagero do Padre. A experiência mostra que as coisas funcionam assim. E não se iludam os jovens achando que o amor que nutrem pelo outro é tão puro que jamais cairão em pecados contra a pureza. É o primeiro passo para cair. O amor puro vigia, evita as ocasiões de pecado para salvaguardar a honra do próximo e a própria.
O bom namoro não deve ser um namorico, muito pegajoso ou grudento, como se vê muito comumente entre jovens sem consciência nos anos escolares. Devem, então, evitar essas atitudes de namorico, mas devem mostrar, pelo comportamento, a seriedade do namoro, o que não impede uma justa delicadeza e atenção, que são devidas. Como dissemos, os namorados devem guardar entre eles, sempre e onde quer que estejam, uma certa reserva, uma certa modéstia, um verdadeiro pudor. Isso vale também para fotos. É muito comum, atualmente, as pessoas publicarem fotos de tudo o que ocorre em suas vidas, expondo-se, exibindo-se, muitas vezes por orgulho ou vanglória. E os namorados vão publicando fotos e mais fotos juntos e mesmo em situações inconvenientes: muito juntos, muito colados um no outro, etc. É preciso ter muito cuidado com esse excesso de fotos, que pode mostrar um apego muito sentimental e infantil ou mesmo impuro. E não basta evitar as fotos em situações inconvenientes. É preciso evitar as situações inconvenientes. O mesmo vale para fotos em que a pessoa está sozinha. Muito comum a pessoa ir colocando fotos e começar a querer chamar a atenção, a querer ser elogiada, fazer poses e coisas do gênero. É preciso ter muita vigilância nessas questões, uma enorme moderação.
É preciso que os namorados moderem bem a frequência e duração dos encontros. Se as tentações vão crescendo, é preciso diminuir a frequência e a duração deles. Quanto mais próximo o casamento, maiores serão as tentações e menos frequentes, portanto, devem ser os encontros. As conversas por telefone ou outros meios devem ser bem breves. Aos namorados não cabe fazer tudo juntos sempre. Muitas vezes, devem fazer as coisas realmente separados.
Se os namorados percebem ao longo do namoro que um futuro casamento não é possível porque falta a estima mútua, a simpatia, a confiança ou o acordo sobre a visão católica do mundo e do matrimônio, ou porque as personalidades simplesmente não dão certo, é preciso terminar o namoro. Será preciso terminar também quando não conseguem guardar a castidade. Antecipar um casamento por não conseguir guardar a castidade, não é, em geral, uma boa solução. E nada mais natural do que terminar um namoro quando necessário. O que não pode ocorrer é engatar um namoro atrás do outro, ainda mais quando é no mesmo ambiente, destruindo amizades. Quando a pessoa engata um namoro atrás do outro, isso demonstra a falta de seriedade e de critério para começar a namorar. Esses namoros em sequência prejudicam o respeito mútuo e prejudicarão o amor conjugal quando a pessoa vier a se casar. Quando se termina um namoro, deve-se dar um tempo razoável para a reflexão, para a oração e para evitar os mesmos erros no futuro. É preciso também acabar um namoro quando se percebe que o namoro vai durar muito mais tempo que o previsto. Nesse caso, podem terminar o namoro para reatá-lo, eventualmente, no tempo oportuno.
É preciso que os jovens se preparem para o casamento antes mesmo de começar a namorar. Como dissemos, aproximando-se a idade de começar um namoro legítimo, para casar em um ou dois anos, devem os jovens começar a se instruir sobre o matrimônio, sobre seus deveres e direitos, sobre a educação dos filhos. Devem também instruir-se sobre como deve ser um bom namoro. Além disso, é preciso que se preparem mantendo relações adequadas com as pessoas do sexo oposto, mantendo sobretudo o devido respeito. Muito comum hoje ver os rapazes e moças que já não se respeitam mutuamente, fazendo brincadeiras desrespeitosas, provocando uns aos outros à ira, fazendo piadas indevidas uns com os outros, conversando sobre o que não devem. Quando digo brincadeiras, piadas ou conversas indevidas não me refiro simplesmente a coisas contra a pureza, mas a coisas que levam a perder o respeito pelo rapaz ou pela moça ou que demonstram falta de estima. Muito comum entre jovens provocar o outro fazendo brincadeiras sem graça para chamar a atenção. Fazer provocações assim como suposto sinal de afeto leva à falta de respeito e não é digno de alguém sério. E esse respeito fará muita falta em um namoro e, principalmente, em um casamento. Esse respeito é a base sólida para a estima, simpatia e confiança mútuas entre namorados e, sobretudo, entre casados. É muito difícil manter esse respeito quando os jovens de sexo oposto se encontram completamente sozinhos entre eles sem adultos de boa consciência por perto.
Antes de começar o namoro é preciso que rapazes e moças evitem também alguns erros. Um erro comum é a pessoa começar a se desesperar porque não encontra uma boa namorada ou um bom namorado. E com o desespero ela começa a se expor cada vez mais, querendo chamar para si a atenção. Esse desespero leva muitas vezes a pessoa a casar com qualquer um. Essa ansiedade para casar logo é mais comum nas moças, mas pode também acontecer com os rapazes. É preciso ter muito claro que mais vale ficar sozinho ou sozinha do que casar com qualquer um e ter um casamento extremamente infeliz e conturbado. Vale mais ficar só do que ter um casamento com cruzes que poderiam ter sido evitadas com certa facilidade. Não se precipitar, portanto. O tempo do namoro é o tempo de ser muito exigente, de escolher bem. Depois do casamento, será o tempo da paciência. É claro que não se deve esperar o homem perfeito nem a mulher perfeita (que não existem), mas é preciso ter o mínimo de condições para um bom casamento: maturidade de ambas as partes, estima baseada nas virtudes, simpatia, confiança mútua, acordo profundo quanto à visão de mundo católica. Os jovens, sobretudo as moças, não devem, então, se precipitar. Mas os jovens devem também evitar o erro oposto, sobretudo os rapazes devem evitar o erro oposto. O erro oposto ao da precipitação é o de não amadurecer. Muitos já atingiram a idade de começar a namorar fisicamente, mas não amadureceram psicologicamente, socialmente e espiritualmente. É preciso buscar o amadurecimento, assumir responsabilidades, se instruir, levar a salvação realmente a sério. A imaturidade, mais ou menos voluntária, é uma desordem mais própria dos rapazes e muitas vezes perdura mesmo no matrimônio.
Tivemos, caros católicos, que descer a alguns detalhes práticos porque já não basta apontar somente os princípios gerais. Em outros tempos, talvez bastasse dar os princípios e cada um tiraria as conclusões. Atualmente, em nossa sociedade moderna, lenta na reflexão e formada pela televisão e redes sociais, é preciso mostrar também as conclusões mais práticas. Vocês, jovens, têm a oportunidade de ouvir essas coisas que muitos aqui não ouviram e que desejariam, talvez, ter ouvido no momento oportuno. Vocês têm a graça de poder fazer as coisas bem feitas. Vocês têm a graça de poder fazer uma boa preparação para o matrimônio. Coloquem a mão na consciência. Não desconsiderem o que diz a sabedoria da Igreja e um pai. É para o bem de vocês. Não se deixem levar pela superficialidade ou pela pressão do que todos fazem em nossa sociedade e ao nosso redor. Façam o que é certo. Não se deixem levar pelo sentimento. Sejam conduzidos pela razão e pela fé. E sejam alegres e generosos, como é próprio dos jovens, mas com uma generosidade ordenada pela caridade e com uma alegria não pueril ou infantil, mas católica.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

20 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 441

FOI ALI QUE ENCONTREI A PAZ

Pregava S. Francisco de Assis em São Severino e descrevia magistralmente a fealdade da alma pecadora e a beleza da alma justa. Entre os ouvintes encontrava-se Guilherme Divini, famoso trovador que fora coroado Rei do verso rio Capitólio. As palavras do humilde e seráfico S. Francisco calaram profundamente no coração do poeta. Após o sermão, Guilherme foi prostrar-se aos pés de São Francisco, e dirigiu-lhe este pedido: “Frade santo, conduz-me para longe dos homens e consagra-me a Deus. Tira-me as vestes do mundo e cobre-me com as vestes do paraíso!”
Pouco tempo depois o Santo vestia o trovador com o hábito pobre da Ordem Franciscana e dava-lhe o nome de “Frei Pacífico”, porque havia, finalmente, encontrado a paz que tanto desejava.
É na confissão que o pecador, pela absolvição do confessor, despe as vestes imundas do pecado e cobre-se com a veste cândida da graça divina. E só então encontra a verdadeira paz.

19 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 440

A PROPÓSITO DA DIFAMAÇÃO

Conta-se que um discípulo do sábio Sócrates, querendo contar-lhe um fato que ouvira numa roda de conhecidos, começou assim :
— Ouve, mestre, o que se diz de um teu amigo...
— Para! para! — interrompeu-o o filósofo. — Já passaste por três peneiras o que me vais contar.?
— Por três peneiras!? — exclamou o discípulo, admirado.
— Sim, meu amigo, por três peneiras. Vejamos se o que me desejas contar pode passar por elas. A primeira é a verdade. Tens plena certeza do fato? Examinaste seriamente se é verdade?
— Não examinei, mas ouvi falar e...
— Bem — atalhou Sócrates — pois que não passa pela primeira, estás certo de que passará pela segunda peneira? Se o que me queres contar, se bem que duvidoso, é ao menos alguma coisa boa?
— Boa, propriamente, não é. Compromete...
— Ora — interrompeu novamente o mestre — se é duvidoso e mau o que me vens contar, vejamos se consegue salvar-se na última peneira. Tens motivos graves para contar o que ouviste? Será necessário que eu seja informado?
— Necessário, propriamente, não, mas...
Sorriu então, o filósofo e continuou sua lição, dizendo:
— Se o que me desejas contar é duvidoso, não é coisa boa, nem precisa ser conhecido por outros, melhor será não contá-lo.
A difamação é um pecado como a calúnia e a maledicência. Quem comete essa injustiça tem obrigação de reparar o dano causado ao próximo.

18 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 439

O QUE LUCRARAM OS OPERÁRIOS

Segundo noticiaram os jornais, num comício comunista, tendo Trotsky permitido aos operários o uso da palavra, o camarada Efimoff subiu à tribuna munido de um bastão.
— Este bastão — disse — é o símbolo da revolução russa. Tem o punho de ferro, a haste e a ponta. Antes da revolução o punho de ferro representava a aristocracia, a haste os trabalhadores, a ponta os exploradores.
Efimoff calou-se. Depois, com solenidade, virou o bastão, ficando o punho em baixo e a ponta para cima.
— Senhores — disse então — eis a revolução. Os aristocratas ficaram em baixo, os exploradores no alto, e os operários? Não mudaram de lugar. Antes oprimia-os o punho, agora oprime-os a ponta.
Efimoff foi fuzilado; mas a sua palavra corajosa continua a ecoar., mostrando ao mundo que a pretensa compaixão dos comunistas pelo povo não passa de uma refinada mentira.

17 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 438

O CALOR DE JESUS EUCARÍSTICO

Pio XI, o grande papa das missões, pediu a alguns religiosos de certa Congregação que se dispusessem a partir como missionários para a Groenlândia, a terra do gelo eterno. Os generosos soldados de Cristo aceitaram a incumbência, mas queriam que o Santo Padre lhes concedesse um privilégio.
— Qual? — perguntou o Papa.
— Que possamos trazer sobre o coração uma Hóstia consagrada; assim, o calor de Jesus Eucarístico conservará em nós sempre viva a chama da vida que o gelo seria capaz de apagar.
A nós não nos será permitido trazer conosco dia e noite a Hóstia consagrada. Temos, porém, se queremos, a felicidade de transformar nosso coração em tabernáculo vivo; e, recebendo-o com frequência, conservaremos viva e ativa a chama da vida espiritual.

16 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 437

SEGUIRÁS A CRISTO OU AO DEMÔNIO?

Certa vez o demônio apareceu a um jovem penitente que vivia no deserto e disse-lhe:
— Meu amigo, que fazes aqui? Desperdiçar neste deserto a tua mocidade!... Vem comigo, e eu te mostrarei as belezas da terra, os sorrisos encantadores, os espetáculos deslumbrantes e as alegrias da vida. Vem, eu te darei prazeres, amores, sonhos, delicias...
O jovem, indeciso, hesitante, pergunta:
— Dar-me-ás tudo isso?
— Tudo.
— Por quanto tempo?
— Vinte anos.
— Apenas o tempo que eu vivi até agora?...
— Bem; eu redobrarei os anos.
— É pouco! Não aceito!
— Sabes o que são quarenta anos de felicidade?
— Sei, sim! Um minuto que passou, deixando a mais amarga das ilusões.
Tão pronta e acertada resposta obrigou o demônio a retirar.-se. Estava vencido.
Ao mesmo jovem aparece outra visão: é Jesus que lhe diz:
— Meu filho, queres seguir-me?
— Jesus, que me dareis?
— Tribulações e dores, perseguições e lutas, sacrifícios e sangue.
— Por quanto tempo?
— Por todo o tempo da tua vida.
— E depois?
— Depois, se perseverares, serás para sempre feliz no meu reino.
O jovem abaixa a cabeça... Quando ergue os olhos, não hesita mais, e diz resolutamente:
. — Sim, Jesus, eu vos seguirei; porque, na verdade, os sacrifícios desta vida efêmera não se podem comparar com a recompensa eterna que me espera no céu.

15 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 436

NOS SOFRIMENTOS PENSEMOS NO CÉU

O sr. Miguel de Marillac, avó de S. Luisa de Marillac e ilustre homem de Estado, por sua fidelidade a rainha Maria de Médicis, caíra no desagrado do poderoso ministro Richelieu. Preso em 1630 por ordem desse ministro, Miguel foi metido no cárcere, perdendo todo o conforto, glória e estima de que gozara antes.
Na sua prisão, em vez de lastimar-se, consolava-se com o pensamento, com a lembrança do céu. Dizia: “Um só raio de luz sobre os bens da vida futura é mais que suficiente não só para tornar suportáveis as aflições da terra, como também para no-las fazer esquecer completamente”.
Quando o médico lhe comunicou que seu fim estava próximo, exclamou: “Louvado seja Deus! Noticia melhor não podia eu receber... Vou logo para a casa de meu Pai”.
Oh! se em nossas dores e infortúnios pensássemos um pouco mais no céu, até as nossas tristezas se converteriam em verdadeira e sincera alegria.

14 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 435

O DIA MAIS FELIZ
Numa cidadezinha da Áustria, que foi sempre um país católico, o professor mandou que os alunos respondessem por escrito a esta pergunta: “Qual foi o dia mais feliz de minha vida?” Um orfãozinho respondeu: “Enquanto minha mãe era viva, todos os meus dias eram os mais felizes”. ,
Outro aluno, que pensava mais na Mãe do céu, escreveu: “O dia mais feliz" foi quando visitei Nossa Senhora, no seu santuário de Mariazell”.
Ainda outro, que queria muito bem a Jesus, deu esta resposta: “O dia mais feliz de minha vida foi o da minha Primeira Comunhão: nesse dia Jesus visitou-me e cumulou-me de graças”.
Belo tema escolar! ótimas respostas!

13 de janeiro de 2018

Sermão para a Festa da Sagrada Família – Padre Daniel Pinheiro, IBP




[Sermão] Precisamos de famílias católicas, crucificadas com Cristo



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Prezados católicos, a Festa da Sagrada Família é de instituição recente, e bem recente quando se trata da Igreja. Foi instituída pelo Papa Leão XIII no final do século XIX. Depois, com as pequenas mudanças litúrgicas feitas por São Pio X essa festa desapareceu, voltando logo em seguida durante o período da Primeira Guerra e no pós-guerra com o Papa Bento XV. Como podemos ver, então, dada a instituição dessa festa, os ataques à família já existem há um certo tempo. E muito se fala, desde aquela época e sobretudo hoje, do fracasso da família. Todavia, a instituição familiar é, enquanto tal, divina. Por isso, nunca poderá propriamente fracassar, nem deixar de existir ou ser completamente destruída na constituição que lhe foi dada pelo criador e, consequentemente, na nossa natureza. Em meio às ameaças à estabilidade da família e à sua santidade, resplandece a Sagrada Família de Nazaré e essa festa que nós comemoramos hoje.
A principal ameaça à família, porém, caros católicos, não é uma ameaça externa. A principal ameaça é uma ameaça interna, que está, infelizmente, na má formação dos cônjuges. Quando falamos de má formação, não nos referimos nem mesmo à uma formação intelectual. Não há muita dificuldade em compreender que aqueles que casam se colocam em uma união entre um só homem e uma só mulher por toda a vida e para a geração dos filhos. Isso todo mundo consegue compreender. O que falta é formação espiritual. Falta espírito de sacrifício, espírito de negação do amor próprio, de negação de si mesmo. Enfim, falta o amor à cruz que Cristo nos dá. Falta o espírito de união à Cristo crucificado. O problema no fundo, no matrimônio é no mais das vezes, de ordem espiritual. Não se trata dessa ou daquela virtude que falta, dessa ou daquela prática que deveria ser feita, mas de união e conformidade com Cristo crucificado. Não existe outro caminho a não ser o do sacrifício e o da negação de si mesmo, para que o casamento dê certo. É esse o único caminho para o bom matrimônio. E o que dizemos? Na verdade, não há outro caminho para ser cristão a não ser o caminho do sacrifício e da negação de si mesmo. Não há outro caminho para a salvação eterna.
Sem esse espírito de sacrifício e de renúncia, tudo se torna insuportável dentro do matrimônio. Fugindo da cruz, ela se tornará ainda mais pesada. No fundo, o que ocorre, é que ninguém quer ter esse espírito de sacrifício e de negação de si mesmo. Ou se o quer, o quer somente de maneira superficial. Na primeira contrariedade que lhe faz o cônjuge, ou que lhe oferece a circunstância do matrimônio, nessa primeira contrariedade já se irrita, se desespera, ou simplesmente perde o controle pela ira. No matrimônio – em que há evidentemente muitas alegrias – é preciso ter esse espírito de sacrifício sempre, constantemente. A cada dia e instante. Sem ele, já se pode renunciar a viver um bom matrimônio e, na verdade, a viver uma boa vida cristã. Sem esse espírito de sacrifício, já podemos renunciar ao Céu.
Em meio às dificuldades no matrimônio, muitos já pensam em separação. Essa praga que destrói as famílias e a sociedade. No mais das vezes, o que leva a isso são pequenas coisas, pequenos desentendimentos mal resolvidos, que se acumulam e vão ganhando em proporção. Na verdade, as pessoas não fazem ideia de quanto uma separação traz outros sofrimentos e tormentos imensamente maiores, sobretudo, se é feita sem causa grave. Sofrimentos para os cônjuges em primeiro lugar, e para os filhos, de maneira particular. É preciso dizer, caros católicos, que muitos de nós não temos ideia do que é realmente sofrer. Somos como crianças que berram porque ralaram um pouco o joelho quando caíram no chão. Fazemos das contrariedades corriqueiras um grande sofrimento que não existe. Somos nós, muitas vezes, que fazemos da nossa vida já aqui na terra um inferno, por fugir das cruzes.
Vejamos, então, as virtudes de que fala São Paulo na epístola de hoje, e virtudes tão necessárias para o matrimônio. A primeira delas a que fazemos menção é a benignidade para com o outro, a bondade para com o outro, querer efetivamente o bem do outro. Em seguida, fala também São Paulo da humildade. Não querer impor sempre a própria opinião, não querer ter sempre razão, ainda que às vezes nossa opinião possa parecer melhor que do outro. Ter paciência com os defeitos do próximo. Essa paciência que é a quintessência da caridade, da caridade fraterna. Paciência, como já dissemos em outras ocasiões, que não se confunde com a aprovação dos defeitos alheios, mas que é simplesmente esperar ou encontrar o melhor meio para fazer avançar as coisas. Finalmente, São Paulo nos diz também que devemos sofrer uns aos outros, suportar uns aos outros. Isso é preciso fazer de modo particular dentro do matrimônio. Suportar, como já dissemos, os defeitos uns dos outros, para apoiar uns aos outros, tendo em vista sempre essa finalidade última do matrimônio que é a santificação dos cônjuges e da prole. Finalmente, perdoar um ao outro, como pedimos no Pai Nosso, para que Deus nos perdoe, como perdoamos aqueles que são os nossos devedores. Devemos então, procurar perdoar aos outros, como Nosso Senhor Jesus Cristo nos perdoa se estamos verdadeiramente arrependidos, sem alimentar ressentimentos, sem alimentar espírito de vingança. O que são todas essas virtudes, senão o espírito de sacrifício e renúncia de si mesmo?
Faço aqui minha exortação de coração de pai e de pastor. Sacrifiquem-se pelas suas famílias. Não deixem o demônio vencer. Não deixem o amor próprio vencer. Vejam a Família de Nazaré. É uma luta e uma cruz constantes e cotidianas. Vale mais lutar, e vencer e abraçar a cruz do que fugir dela e sofrer, assim, bem mais fugindo da cruz que Deus nos deu. Quem foge da cruz sempre sofre mais do que aquele que a abraça. Precisamos efetivamente de famílias católicas. Famílias católicas com esse espírito de sacrifício. Famílias crucificadas com Cristo em seus sofrimentos cotidianos.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.













12 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 434

ONDE ESTAVA JESUS CRISTO ANTES DE LUTERO?

O Dr. B. M. B., que de modo especial se dedicava aos convertidos, conta o seguinte: Eu estava no meu escritório. De repente batem à porta. Apenas disse “entre!” e uma jovem desconhecida estava em pé diante de mim. Sem apresentação alguma foi dizendo:
— O Senhor teria a bondade de responder-me a uma pergunta?
— Mas posso saber, primeiro, com quem tenho a honra de falar?
— Isso lhe direi depois. Primeiro peço-lhe o obséquio de responder a minha pergunta.
Embora admirado daquela insistência, respondi:
— Se estiver em mim...
— Pois bem, a pergunta é esta: Onde estava Cristo antes de Lutero? Eu sou protestante e li na Bíblia a palavra de Cristo: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo”. Portanto, antes de Lutero onde estava Cristo?
— Sua pergunta está logo respondida: Ele estava ai, onde está até hoje, isto é, na Igreja Católica, pois outra Igreja não houve antes de Lutero.
— Muito agradecida. Foi isso mesmo que eu pensei. — Eu sou Margarida K., e o sr. ainda ouvirá falar de mim.
Passaram-se duas semanas. Batem a minha porta. Era Margarida. Depois de cumprimentar-me, disse:
— Falei a minha mãe da visita, que, há poucos dias, fiz ao senhor. Então ela me disse que mandaria convidar ao pastor protestante para responder a minha pergunta. E ele veio à nossa casa. Quando me perguntou o que queria, dirigi-lhe a mesma pergunta que fizera ao sr. A principio ficou estupefato; depois, furioso, disse que eu estava possessa do demônio e na iminência de perder a fé; que eu não era digna de pertencer à Igreja de Lutero, o homem de Deus, e portanto devia tornar-me logo católica.
Respondi-lhe com toda a calma que apenas fizera uma pergunta, que, ao 1er a Bíblia, fizera a mim mesma e queria saber se ele podia responder-me. Levantou-se, então, inopinadamente e exclamou:
— De gente possessa do demônio não quero saber nada!
E saiu apressadamente.
— Ah! foi assim que ele a tratou?
— Sim; e agora estou aqui e quero, se for possível, fazer-me católica. Quero estar na Igreja, onde está Cristo.
Seis meses mais tarde — no Natal — tive a felicidade de ver à mesa da comunhão uma grande neo-comungante, que, com lágrimas nos olhos, oferecia seu coração para servir de berço ao Salvador. Agora ela sabia e experimentava onde está Jesus Cristo.
Oxalá tenha muitos imitadores!

11 de janeiro de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 433

POR QUE REZAVA ELA TANTOS TERÇOS?

Narra “A Sentinela”, de Basiléia, que bem poucas senhoras nobres terão sido tão profundamente católicas e tão sinceramente piedosas, como a condessa S. Acaba de falecer aos 85 anos de idade após uma vida toda consagrada ao trabalho e à oração, tendo dado à Pátria e à Igreja quinze filhos.
Até o fim da vida rezava diariamente todo o rosário, isto é, três terços. Certa vez disse-lhe um dos filhos, o general S.: “Mãe, a senhora não precisaria rezar tantos rosários. Eu acho que um pouco menos bastaria”. A resposta foi pronta. “Meu filho, — disse ela — a gente precisa rezar muito pelos filhos, a fim de resguardá-los para Deus. Por isso, eu rezo, diariamente, os mistérios gloriosos por meus cinco filhos .que já partiram deste mundo; os mistérios gozosos pelos cinco que abraçaram o estado eclesiástico e, finalmente, os mistérios dolorosos pelos cinco que vivem neste mundo”.
Oh! se todas as mães pensassem e fizessem assim!

10 de janeiro de 2018

Sermão para o Domingo dentro da Oitava de Natal – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Retrospectiva 2017


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Estamos no último dia do ano de 2017. Foi mais um ano de provações, como sempre. Estamos aqui nessa terra, que é um vale de lágrimas. Claro, repleto também de verdadeiras alegrias. A situação na Santa Igreja Católica, infelizmente, continua preocupante. Colhemos, cada vez mais, os frutos do modernismo, que se baseia nos princípios da filosofia moderna subjetivista. O modernismo tem a intenção de adaptar a Igreja à mentalidade dos homens da época, como se o homem fosse o centro de tudo. Nós vivemos a época do culto do homem, da divinização do homem. Tudo deve ser feito para agradar à sensibilidade do homem e à sua mentalidade atual. Assim, alguns dizem que também a Igreja deve ter esse culto do homem e se adaptar a ao homem, para não ficar ultrapassada. Deve adaptar sua doutrina, sua moral, sua liturgia, de forma que que o homem seja o centro em tudo. Infelizmente, podemos perceber claramente em muitas coisas essa reviravolta, mesmo dentro da Igreja nas mentalidades dos homens da Igreja.
Deve ser, porém, o contrário. São a inteligência e a vontade dos homens que devem se submeter à verdade imutável ensinada sempre pela Igreja. Nem sempre a verdade agrada a sensibilidade. E daí? Não somos animais que buscam sempre o que agrada sensivelmente. Somos seres dotados de inteligência e de vontade que devem buscar a verdade e o bem, ainda que desagradem em certas circunstâncias. Encontraremos na verdade, no bem e no belo espiritual não algo que agrada momentaneamente a sensibilidade, mas encontraremos algo que nos traz a verdadeira felicidade. Deus é a Verdade e causa de toda verdade. Deus é o Bem e causa de todo bem. Deus é o Belo e causa de todo belo. Deus não muda. Sua Revelação não muda. A doutrina católica não muda. A moral católica não muda. A liturgia católica não pode mudar, a não ser de modo orgânico e para melhor exprimir a doutrina católica. Deus é o centro. Não é o homem. A Igreja guardará a sua juventude e vigor na medida em que permanece como uma rocha na doutrina e na moral de Cristo. Na medida em que utiliza meios semelhantes aos meios que tanto funcionaram ao longo dos séculos para converter as almas. Hoje se buscam tantos e tantos meios de evangelização e se esquece do principal: se esquece de pregar a doutrina de Cristo tal como Ele a ensinou para os apóstolos e tal como a Igreja sempre nos transmitiu. A fórmula para reenvagelizar os povos é simples: pregar o Evangelho. Sem mutilações. Sem adaptações. Sem acréscimos. Sem atenuações. Sem querer conciliar Cristo e o mundo. Pregar o Evangelho, isto é, a doutrina da Igreja.
Lembremos também que jamais devemos confundir misericórdia com o relaxamento da lei de Cristo e da Igreja. Isso seria afastar-se inteiramente do Evangelho. Contrapor justiça e misericórdia é igualmente um grande erro. Em Deus, as duas coisas estão perfeitamente harmonizadas. Deus é Misericórdia e é Justiça. O pecado continua, sim, a existir. A moral da Igreja, que é a moral de Cristo, continua a mesma de sempre. O casamento continua indissolúvel, e entre um só homem e uma só mulher. A comunhão não pode ser dada a quem se encontra em estado de pecado mortal (como os divorciados recasados) e os atos contrários à natureza humana (no campo da castidade) continuam sendo gravemente desordenados.
Devemos, em meio a essa crise que atinge todos os níveis hierárquicos da Igreja, guardar bem todos os princípios católicos. Esse ano de 2017 foi o quinto centenário da Revolução Protestante. Aproveitamos isso para mostrar como Lutero é uma das principais causas da mentalidade moderna, que gera a decadência de nossa sociedade e que tanto se opõe à doutrina de Cristo. Aproveitamos para começar uma série de sermões sobre as heresias, para mostrar como elas se repetem ao longo dos séculos, sobretudo a heresia da gnose, que serpenteia ao longo da história e que pretende fazer do homem Deus. Vemos isso, infelizmente, em filosofia e filósofos que se pretendem católicos. Vimos como não há conciliação possível entre a Igreja e os princípios filosóficos da modernidade. Claro, falamos da busca pela perfeição. Assim, falamos do papel da graça em nossas vidas, falamos da meditação, da caridade para com o próximo, do combate ao respeito humano. Falamos da paciência para com os defeitos do próximo, falamos da constância na prática do bem, tratamos da pureza no falar e da paz da alma contra a inquietação. Continuamos a falar ainda do sentido das cerimônias da Missa no Rito Romano Tradicional.
Foi o ano em que continuamos a apontar três erros muito em voga entre os católicos mais sérios: (1) O primeiro erro é a redução dos problemas somente ao problema político ou colocar a solução dos problemas na esfera política. Tem o messianismo do conservadorismo ou do monarquismo, por exemplo. Soluções eivadas de erros, quando as vemos tão como se apresentam a nós. Lembremo-nos sempre do que dizia o Cardeal Pie, grande defensor, no século XIX, da realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele afirmava que a “questão social será resolvida pela questão religiosa, e a questão religiosa diz respeito sobretudo à questão do culto.” Podemos acrescentar: a questão do culto diz respeito sobretudo à questão da Missa. Dentro disso, muitos reduzem o problema ao comunismo e socialismo ou à teologia da libertação, como se fossem os únicos males do mundo, como se o esquerdismo não encontrasse a sua causa no liberalismo ou como se não tivesse como causa os princípios da filosofia moderna. Dentro dessa questão toda, apontamos os graves erros do conservadorismo que se desenvolve no Brasil e no mundo, às vezes, com uma capa de catolicismo. Uma direita eivada de liberalismo, já condenado pela Igreja, mesmo o liberalismo econômico. Um conservadorismo, muitas vezes, com fundo esotérico. Um conservadorismo próximo da maçonaria e elogioso da maçonaria, inimiga jurada da Igreja. E os católicos seguindo esses conservadores filósofos, historiadores, educadores. Um conservadorismo que dissemina sutilmente seus erros com fachada de catolicismo e que muitos católicos, com os olhos embaçados, não percebem. Um conservadorismo que, sob pretexto de alta cultura e política, destrói uma verdadeira restauração de todas as coisas em Cristo. São Pio X (Editae Saepe)  diz que os inimigos da Igreja têm sobre os lábios o grito de cultura e de civilização, porque com esse nomes grandiosos podem mais facilmente esconder a malícia de seus intentos. Leão XIII (Humanum Genus) menciona também o pretexto da cultura como desculpa para que os inimigos da Igreja disseminem seus erros. Hoje, vemos com frequência o grito da alta cultura se propagar em detrimento da doutrina de Cristo. Espalha-se nesse meios conservadores também o gravíssimo erro do perenialismo, que afirma que todas as religiões são a expressão de uma única religião, que chamam de religião perene, sabedoria perene ou filosofia perene (esse último termo às vezes usado também para designar a filosofia aristotélico-tomista), como se a religião católica não fosse a única verdadeira, e como se não estivesse em contradição com as outras. Um conservadorismo que se baseia em autores que se fundamentam em filosofias modernas revolucionárias e que propagam a revolução de modo light como fizeram na revolução inglesa. Esse conservadorismo que surge tem, nas suas variadas vertentes, algum ou alguns desses erros. Direita, esquerda e centro sempre se uniram contra a Igreja na política moderna. Monsenhor Jouin, elogiado por São Pio X, dizia que as coisas iriam melhorar quando os católicos não mais recuassem de suas convicções, quando os católicos retomassem a coragem mediante a prática das virtudes, quando retomassem a via do sacrifício para seguir o Messias pobre e sofredor, quando parassem de mendigar a salvação à direita e à esquerda e quando formassem o partido de Deus de que falava o Papa (São Pio X, na Encíclica E Supremi Apostolatus). Partido de Deus que não é, em primeiro lugar, um partido político.
(2) O segundo erro é o erro do aparicionismo, que é o apego a aparições que não são devidamente aprovadas pela Igreja ou o apego desordenado mesmo àquelas aprovadas pela Igreja, baseando toda a vida espiritual em aparições, muitas vezes com interpretações puramente pessoais delas. Chamamos a atenção também para grupos que sob a aparência de promoção à devoção a Nossa Senhora, em particular a Nossa Senhora de Fátima, tiram proveito da boa-fé e da boa vontade das pessoas para conseguir dinheiro. É preciso, claro, levar a sério as aparições aprovadas pela Igreja, mas sem fazer delas o fundamento de tudo.
(3) O terceiro erro é o do culto de personalidade, que consiste em tornar uma pessoa a referência única para a solução de todos os problemas, em substituição à Igreja, à hierarquia, e ter uma reverência desordenada a essa pessoa. Muitas vezes, isso vem aliado ao fato de impedir as vocações sacerdotais e religiosas de florescerem e famílias católicas de se formarem por enfurnar rapazes em uma casa para defender uma causa sem qualquer tutela da Igreja.
Continuamos as provações em nosso país com a crise moral, com a crise na sociedade, de modo geral. Cada vez maiores dificuldades para a prática de nossa santa religião. Uma oposição cada vez mais ferrenha à lei natural e também à lei divina, com consequências cada vez piores em virtude da difusão da ideologia de gênero, por exemplo. Uma sociedade em que a vida do próximo não tem praticamente valor, em que se mata por um nada ou por algum punhado de dinheiro. Uma sociedade em que querem matar os mais indefesos, as crianças não nascidas. O Supremo Tribunal Federal continua, infelizmente, caminhando no sentido de aprovar e promover todas as ideologias absurdas anticristãs, contrárias à lei natural e mesmo ao simples bom-senso. Não conseguem aprovar no Congresso essas medidas, dado que a maioria da população é contra, passam, então, a legislar maliciosamente pelos tribunais. Os inimigos de Cristo encontram e desenvolvem meios sutis para tirar Cristo da sociedade. Os países, tendo abandonado a fé católica e tendo aderido ao laicismo, já não podem resistir à própria decadência moral e social advinda do liberalismo de todo os matizes. Muitos já não podem também resistir ao islã. Precisamos rezar pelo nosso país e pelo mundo. Precisamos fazer a nossa parte, começando por santificar a nós mesmos e as nossas famílias e buscando que a lei de Cristo seja observada em toda a sociedade. As dificuldades, as provações são também meios que Deus nos dá para exercer a virtude, para suportar os males com paciência, para vencê-los com a virtude contrária e, sobretudo, com o amor a Deus.
Essas provações, permitidas por Deus, devemos aproveitá-las para a nossa santificação. Tudo cooperará, efetivamente para o bem do justo (Rom. VIII, 28), que, nos bens e nos males, sabe encontrar meios para sua santificação e para estender o reino de Cristo na sua alma e na sociedade.
Reafirmemos, caros católicos: devemos começar pelo cuidado das nossas famílias, combater o bom combate e guardar a fé e a caridade. De pouco adianta ser um paladino da Missa no Rito Romano Tradicional e da moral católica, se, com os nossos pecados mortais não combatidos seriamente, cooperamos para o reino do demônio. Não é suficiente louvar a Cristo com a boca, se o crucificamos com nossos pecados. É preciso amar, defender e propagar a liturgia tradicional, bem como defender e propagar, na sociedade, a doutrina e a moral católicas, sobretudo guardando a fé e observando os mandamentos de Cristo. Devemos nutrir a nossa fé e a nossa alma não com redes sociais, nem com grupos de whatsapp, nem com fotos de internet com uma frase atribuída a alguém ou com mera informação, mas com os tesouros da espiritualidade e da fé católicas: os bons livros, que são nossos melhores amigos.
Procuraremos continuar combatendo o bom combate e pregando o Evangelho de modo oportuno ou importuno, como diz São Paulo. Não devemos ser, porém, pessimistas desesperados. Nem otimistas ingênuos. Devemos ser realistas com esperança sobrenatural.
Assim, tivemos nesse ano grandes alegrias, é evidente. Começando pelo nosso singelo apostolado. Muitas crianças nasceram no apostolado, e 19 batizados foram realizados. 19 pessoas nasceram para a vida da graça! Fizemos a devoção das 40 horas em reparação pelos pecados do carnaval. Tivemos uma belíssima Semana Santa na Capela, digna do céu, enquanto isso é possível. 6 crianças receberam a primeira comunhão. Uma magnífica cerimônia de Crisma com o Bispo Auxiliar de Brasília, Dom José Aparecido, com 18 crismados entre crianças e adultos. O Catecismo de Adultos esteve cheio como nunca. Duas Missas públicas diárias. Três Missas no domingo, o que foi possível pela chegada dos Padres Marcos e Luiz Fernando Pasquotto. A Providência tem ajudado muito. Nosso Cardeal Arcebispo também sempre nos ajudou e ajuda bastante. Continuamos a favorecer a devoção das primeiras sextas-feiras e dos primeiros sábados em reparação ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, respectivamente. Entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares de muitas famílias, aguardando aquelas que ainda não a fizeram. Nossa Senhora honrada no dia da Festa de suas Dores com bela Missa Solene. Terço com formação doutrinária e espiritual para pais e mães de família. Grupo para as meninas e para os meninos, a fim de se nutrirem, desde a mais tenra idade, com doutrina e ambiente católicos e de formarem o caráter e as virtudes. No total, mais ou menos 60 crianças presentes regularmente nesses grupos, o Grupo de Moças da Capela N. Sra. das Dores e a Sociedade da Alegria de Dom Bosco, Maior e Minor. Aulas de história da Igreja, que muito ajudam a responder aos ataques contra a Igreja. E, como disse, o Cardeal Newmann, conhecer profundamente a história é deixar de ser protestante, ou seja, é tornar-se católico. Tivemos formações sobre a Liturgia, importantes para compreender bem o Rito Romano Tradicional. Tivemos a continuação das Conferências sobre a vida dos Santos, que nos mostra concretamente a prática da virtude. Tivemos as excelentes Conferências de Quaresma sobre Nossa Senhora de Fátima, as Conferências de Advento e as conferências de férias em julho. Nesse ano, continuamos com os retiros para homens e para mulheres. Dois para cada. Tivemos também duas jornadas para casais, passeios para as jovens e para os jovens. Continuamos as importantíssimas formações para as jovens mulheres e para os jovens homens. Insistimos, em particular, sobre a necessária maturidade espiritual e humana, sobre esperar o momento certo (em todos os aspectos) para começar um namoro, sobre a prudência necessária em um namoro para guardar a pureza. Tivemos também os bons momentos com nossas tradicionais confraternizações após festas importantes. Tivemos a Festa de São João, a Festa dos Santos. Tivemos ainda a excelente jornada de Nossa Senhora de Fátima no dia 13/05 em honra dos 100 anos das aparições. Tivemos a extraordinária Jornada de Nossa Senhora Aparecida em honra dos 300 anos do encontro da imagem. Essa Jornada será institucionalizada para os próximos anos. Tivemos duas peregrinações imensamente frutuosas: a peregrinação nacional do IBP a Aparecida em julho e a peregrinação de nossa Capela a Trindade, para honrar Nossa Senhora e a Santíssima Trindade. Foram momentos de inúmeras graças em virtudes das caminhadas e de um excelente convívio, com orações e as já tradicionais cantorias. Quanta alegria! Em Aparecida, tivemos a imensa satisfação da presença de Dom Fernando Guimarães para a Missa Pontifical. Tivemos a alegria de sua presença também na Festa de São Pio V, para comemorar os 10 anos do Motu Proprio Summorum Pontificum. Tivemos a visita do Cardeal Raymond Burke, na mais bela Missa que eu já vi. E já vi um certo número na vida. Foi um ano em que Deus e Nossa Senhora das Dores nos permitiram manter e incrementar muitas coisas úteis para o progresso de cada um e das famílias. Se estamos ainda aquém do ideal, já demos, com a graça divina, alguns passos. É preciso que aproveitem tudo isso, caros fiéis, o máximo que puderem. Minha viva exortação para que participem das atividades aqui da Capela e se deixem formar pela doutrina e pela espiritualidade católicas.
O mundo precisa de famílias católicas. Precisa, ainda mais, de bons padres. E, como insistimos algumas vezes, as duas coisas caminham conjuntamente: a família católica e o sacerdócio católico. Não pode haver restauração de tudo em Cristo sem as duas coisas trabalhando em união.
A expansão, ainda que pouco a pouco e com obstáculos, da Missa Tradicional é inegável. E com a propagação da Missa Tradicional, propaga-se também a fé católica com todo seu vigor, com toda a sua clareza. E com a fé católica vêm todos os bens, naturais e sobrenaturais. A Missa é o centro de tudo, já que é a renovação nos altares do sacrifício de Cristo no calvário.
Nesse último dia do ano, é bom pararmos e refletirmos, caros católicos. Como anda a minha alma? O que fiz nesse ano para santificá-la? Aproveitei essa liturgia imemorial, esse tesouro da fé e da piedade para aproximar-me de Deus? Aproveitei os meios que tenho à disposição para me santificar e santificar a minha família? Procurei formar-me bom católico? Procurei cumprir bem os meus deveres de estado? Como jovem homem ou mulher, procuro me preparar espiritualmente, humanamente e profissionalmente para o matrimônio ou para a vocação religiosa? Procuro atingir a maturidade espiritual e humana? Tenho cumprido meus deveres de estudante? De filho? Como pai de família, tenho assumido a responsabilidade pelo bem espiritual de minha família, tenho buscado agir para o bem da família e não o meu próprio? Tenho feito o que devo para a educação dos filhos? Estou consciente de que a santificação da família depende em grande parte de minha santificação? Tenho me esforçado para garantir também o sustento material de minha família? Como mãe de família, tenho sido generosa diante dos necessários sacrifícios quotidianos e muitas vezes escondidos ou tenho murmurado? Tenho me preocupado com a educação dos filhos? Tenho me preocupado com a saúde do lar? E como cristão, tenho me acomodado? Aproveitei os sacramentos e sacramentais? Comunguei com boas disposições, com fervor? Procurei a confissão com boa disposição e com frequência? Rezei o Santo Terço diariamente? Tive uma devoção real e não meramente sentimental a Nossa Senhora? Procurei pensar nas coisas do alto? Fiz as orações diárias? Da manhã? Da noite? A meditação? A leitura espiritual?
Aproveitemos esse próximo ano que se inicia e peçamos a Deus a fidelidade à sua graça. Peçamos a Deus a docilidade diante dos ensinamentos de sempre da Santa Igreja. Peçamos a Deus a graça de receber bem e com frequência os sacramentos. Peçamos a graça de fortalecer a nossa fé diante das tormentas. Peçamos a perseverança nos bons propósitos. Peçamos a Ele a santificação de nossas famílias, dos cônjuges e das crianças. Peçamos a Ele, com toda a força da nossa alma, a graça de sermos verdadeiramente santos.
Agradeçamos a Deus pelo ano que passou, também pelas cruzes. A todos, um santo ano de 2018.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.