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7 de janeiro de 2018

Sermão para o 3° Domingo do Advento – Domingo Gaudéte 17-12-2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] As três ordens de São Paulo para a alegria



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Caros católicos, estamos hoje, então, no Domingo Gaudete, no Domingo em rosa, no Domingo da alegria. São Paulo, na sua Epístola, que é retomada em grande parte no Introito, nos dá três ordens. A primeira ordem é a ordem do fim a ser buscado: a alegria. O apóstolo nos manda, então, a alegria e reitera “Íterum dico, gaudéte. Digo de novo, alegrai-vos.” Não se trata, é claro, de uma alegria sentimental, mas de uma alegria espiritual, que deriva da compreensão da verdade pela inteligência, e que deriva do amor ao bem na vontade. É essa, então, a primeira ordem, sermos alegres dessa alegria espiritual, gaudéte.
A segunda ordem, “Nihil sollíciti sitis. Não vos preocupeis com nada.” A solicitude excessiva vem do apego desordenado aos bens terrenos, a alguma criatura, a nós mesmos, à nossa vontade. Para cumprir essa ordem de São Paulo, “não vos preocupeis com nada”, devemos nos lembrar daquilo que nos fala Santo Inácio no início dos seus Exercícios Espirituais, da indiferença, então, que devemos ter diante daquilo que é apenas um meio não necessário para que possamos servir a Deus. Ser rico ou pobre, ser estimados pelos outros ou desprezado por eles, ter saúde ou doença, ter vida longa ou curta. Tudo isso e tantas outras coisas são indiferentes para servir a Deus. Claro, devemos procurar a cura legítima de uma doença. Pode-se procurar uma boa situação econômica para a família, mas sem solicitude excessiva e sempre nos conformando à vontade de Deus, se apesar de fazer a nossa parte não alcançamos essas coisas. Essa boa indiferença é meio para alcançar a verdadeira alegria. Pois com essa indiferença, sabemos que a única alegria está em conhecer, amar e servir a Deus. E que é isso que interessa em qualquer situação. E sendo assim, usaremos dos bens desse mundo, como os santos sempre usaram deles, unicamente como meio para melhor servir a Deus.
A terceira ordem que nos dá São Paulo é que apresentemos nossas preces, súplicas e pedidos, sempre junto com a ação de graças. Essa ação de graças que mostra a conformidade de nossa vontade com a vontade de Deus. Que mostra a compreensão de que Deus governa tudo, executando a sua providência perfeitíssima. Devo, então, agradecer a Deus mesmo nas cruzes. Mais, devo agradecer mesmo pelas cruzes. Essa ação de graças, assim como essa ausência de solicitude excessiva, essa ação de graças é meio para alcançar a verdadeira alegria. Como dissemos, a primeira ordem de São Paulo é o fim, a alegria. Sermos alegres espiritualmente. Alegria que vem da compreensão da verdade e da união com o sumo bem, que é Deus. A segunda e a terceira ordens que nos são dadas por São Paulo são meios para alcançar, para cumprir a primeira ordem. A verdadeira alegria, caros católicos, vem, então, da conformidade com a vontade de Deus, vem da união com Ele. Se tivermos compreendido isso e procurarmos efetivamente colocar isso em prática, em todas as circunstâncias, encontraremos essa alegria espiritual que vai nos trazer a paz, da qual nos fala também São Paulo. Essa alegria, que, reiteremos, não é uma alegria sentimental, aquela alegria de sempre estarmos sorrindo, como diz uma música ruim, popular, muito cantada hoje na igreja. Não, é uma alegria profunda de alma, de servi-lO mesmo nas cruzes, com boa disposição, com generosidade, compreendendo o que a divina providência quer de nós. E ela quer que nos conformemos à vontade dEle que é sempre perfeitíssima.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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