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13 de janeiro de 2018

Sermão para a Festa da Sagrada Família – Padre Daniel Pinheiro, IBP




[Sermão] Precisamos de famílias católicas, crucificadas com Cristo



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Prezados católicos, a Festa da Sagrada Família é de instituição recente, e bem recente quando se trata da Igreja. Foi instituída pelo Papa Leão XIII no final do século XIX. Depois, com as pequenas mudanças litúrgicas feitas por São Pio X essa festa desapareceu, voltando logo em seguida durante o período da Primeira Guerra e no pós-guerra com o Papa Bento XV. Como podemos ver, então, dada a instituição dessa festa, os ataques à família já existem há um certo tempo. E muito se fala, desde aquela época e sobretudo hoje, do fracasso da família. Todavia, a instituição familiar é, enquanto tal, divina. Por isso, nunca poderá propriamente fracassar, nem deixar de existir ou ser completamente destruída na constituição que lhe foi dada pelo criador e, consequentemente, na nossa natureza. Em meio às ameaças à estabilidade da família e à sua santidade, resplandece a Sagrada Família de Nazaré e essa festa que nós comemoramos hoje.
A principal ameaça à família, porém, caros católicos, não é uma ameaça externa. A principal ameaça é uma ameaça interna, que está, infelizmente, na má formação dos cônjuges. Quando falamos de má formação, não nos referimos nem mesmo à uma formação intelectual. Não há muita dificuldade em compreender que aqueles que casam se colocam em uma união entre um só homem e uma só mulher por toda a vida e para a geração dos filhos. Isso todo mundo consegue compreender. O que falta é formação espiritual. Falta espírito de sacrifício, espírito de negação do amor próprio, de negação de si mesmo. Enfim, falta o amor à cruz que Cristo nos dá. Falta o espírito de união à Cristo crucificado. O problema no fundo, no matrimônio é no mais das vezes, de ordem espiritual. Não se trata dessa ou daquela virtude que falta, dessa ou daquela prática que deveria ser feita, mas de união e conformidade com Cristo crucificado. Não existe outro caminho a não ser o do sacrifício e o da negação de si mesmo, para que o casamento dê certo. É esse o único caminho para o bom matrimônio. E o que dizemos? Na verdade, não há outro caminho para ser cristão a não ser o caminho do sacrifício e da negação de si mesmo. Não há outro caminho para a salvação eterna.
Sem esse espírito de sacrifício e de renúncia, tudo se torna insuportável dentro do matrimônio. Fugindo da cruz, ela se tornará ainda mais pesada. No fundo, o que ocorre, é que ninguém quer ter esse espírito de sacrifício e de negação de si mesmo. Ou se o quer, o quer somente de maneira superficial. Na primeira contrariedade que lhe faz o cônjuge, ou que lhe oferece a circunstância do matrimônio, nessa primeira contrariedade já se irrita, se desespera, ou simplesmente perde o controle pela ira. No matrimônio – em que há evidentemente muitas alegrias – é preciso ter esse espírito de sacrifício sempre, constantemente. A cada dia e instante. Sem ele, já se pode renunciar a viver um bom matrimônio e, na verdade, a viver uma boa vida cristã. Sem esse espírito de sacrifício, já podemos renunciar ao Céu.
Em meio às dificuldades no matrimônio, muitos já pensam em separação. Essa praga que destrói as famílias e a sociedade. No mais das vezes, o que leva a isso são pequenas coisas, pequenos desentendimentos mal resolvidos, que se acumulam e vão ganhando em proporção. Na verdade, as pessoas não fazem ideia de quanto uma separação traz outros sofrimentos e tormentos imensamente maiores, sobretudo, se é feita sem causa grave. Sofrimentos para os cônjuges em primeiro lugar, e para os filhos, de maneira particular. É preciso dizer, caros católicos, que muitos de nós não temos ideia do que é realmente sofrer. Somos como crianças que berram porque ralaram um pouco o joelho quando caíram no chão. Fazemos das contrariedades corriqueiras um grande sofrimento que não existe. Somos nós, muitas vezes, que fazemos da nossa vida já aqui na terra um inferno, por fugir das cruzes.
Vejamos, então, as virtudes de que fala São Paulo na epístola de hoje, e virtudes tão necessárias para o matrimônio. A primeira delas a que fazemos menção é a benignidade para com o outro, a bondade para com o outro, querer efetivamente o bem do outro. Em seguida, fala também São Paulo da humildade. Não querer impor sempre a própria opinião, não querer ter sempre razão, ainda que às vezes nossa opinião possa parecer melhor que do outro. Ter paciência com os defeitos do próximo. Essa paciência que é a quintessência da caridade, da caridade fraterna. Paciência, como já dissemos em outras ocasiões, que não se confunde com a aprovação dos defeitos alheios, mas que é simplesmente esperar ou encontrar o melhor meio para fazer avançar as coisas. Finalmente, São Paulo nos diz também que devemos sofrer uns aos outros, suportar uns aos outros. Isso é preciso fazer de modo particular dentro do matrimônio. Suportar, como já dissemos, os defeitos uns dos outros, para apoiar uns aos outros, tendo em vista sempre essa finalidade última do matrimônio que é a santificação dos cônjuges e da prole. Finalmente, perdoar um ao outro, como pedimos no Pai Nosso, para que Deus nos perdoe, como perdoamos aqueles que são os nossos devedores. Devemos então, procurar perdoar aos outros, como Nosso Senhor Jesus Cristo nos perdoa se estamos verdadeiramente arrependidos, sem alimentar ressentimentos, sem alimentar espírito de vingança. O que são todas essas virtudes, senão o espírito de sacrifício e renúncia de si mesmo?
Faço aqui minha exortação de coração de pai e de pastor. Sacrifiquem-se pelas suas famílias. Não deixem o demônio vencer. Não deixem o amor próprio vencer. Vejam a Família de Nazaré. É uma luta e uma cruz constantes e cotidianas. Vale mais lutar, e vencer e abraçar a cruz do que fugir dela e sofrer, assim, bem mais fugindo da cruz que Deus nos deu. Quem foge da cruz sempre sofre mais do que aquele que a abraça. Precisamos efetivamente de famílias católicas. Famílias católicas com esse espírito de sacrifício. Famílias crucificadas com Cristo em seus sofrimentos cotidianos.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.













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