31 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 470

VÊ ESTAS CHAGAS... ESTE SANGUE...

Lê-se na vida de Santa Catarina de Gênova que, um dia, lhe apareceu Jesus Cristo todo coberto de chagas e com a cruz ás costas, como no caminho do Calvário.
E Jesus chamou-lhe a atenção dizendo:
— Olha as chagas que sofri por ti! Vê o sangue que por ti derramei !
A Santa sentiu na alma uma dor imensa, e exclamou:
— Não, meu Amor, não quero mais pecar! Não, nunca mais!

30 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mártir


Parte 9/9

A dor suprema de uma mãe é quando tem diante o cadáver do filho. Aquele filho, pedaço do seu coração, acaba de exalar o último suspiro.
A mãe delirante toma entre as suas mãos o rosto ainda quente de seu filho. Dá-lhe beijos apaixonados, como se quisesse com o amor daqueles beijos infundir-lhe de novo a vida. Repete uma e mil vezes a palavra "filho" e os lábios do filho permanecem imóveis, e o rosto permanece sem expressão e imutável. 
A dor abafa-lhe o coração. As lágrimas correm em abundância.
Sente-se impotente; e a queixa contra Deus quer subir do coração aos lábios. 
Porque é que a morte lhe arrebatou o filho? Porque lho levou Deus?
Mãe das Dores da terra, abafa essas queixas no teu coração e olha para o monte Calvário.
Porque morre o filho da Virgem Maria?
Não quer Deus a sua Mãe? Mãe das Dores da terra, ninguém no mundo te pode consolar. Ninguém, só a Mãe das Dores do Calvário.
Chora, sim, que o teu coração abafa; e as lágrimas são o desabafo do coração.
Chora, que Jesus Cristo também chorou ante o sepulcro do seu amigo Lázaro.
Chora, que também Maria chorou junto a cruz.
Chora, mas não te entregues ao desespero.
Chora, resignada com a vontade divina, como chorou a Virgem Maria.
Chora em companhia de Nossa Senhora das Dores.
Une as tuas lágrimas as suas.
Assim tens de viver, como a Virgem Mártir: sempre ao pé da cruz, sempre a sombra da cruz.
Não tens em tua casa um crucifixo? Não olhas para ele? Não o beijas? Não o sabes regar com as tuas lágrimas?
Não tens uma  imagem de Nossa Senhora das dores? 
Quando os teus olhos choram, não se cruzam com os olhos chorosos da Virgem Santíssima? Quando o teu coração sofre, não vês o coração da Virgem Santíssima atravessado por uma espada?
Se não sabes isto, desconheces o único calmante eficaz para o sofrimento.
Oferece a tua dor em união com a dor da Virgem Maria e dos sofrimentos de Jesus Cristo para que seja redentora como a sua.

29 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 469

POR QUE DETESTAVA OS PECADOS

Um menino bonzinho (chamava-se Guido de Fontgalland) preparava-se para a primeira confissão. Sua própria mãe o preparava com muita dedicação; e, para que sentisse bastante dor dos pecados, falava-lhe do inferno, do purgatório, do céu...
Um dia. o Guidinho interrompe as explicações da senhora sua mãe, e diz:
— Mamãe, não me fale senão do Menino Jesus crucificado e de sua Mãe que chorava ao pé da Cruz, no Calvário.
— Por que, meu filhinho, hei de falar somente deles?
— Porque isso é que me faz aborrecer e detestar meus pecados. Ver meu Jesus, que sofre e morre por mim na Cruz; ver Nossa Senhora, que chora ao lado dele... isso é que me dói.
— E por que, filhinho?...
— Porque eu amo muito a Jesus e Maria!...

28 de março de 2018

Sermão para o 3º Domingo da Quaresma – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] A Doçura no seio da família



Em nome do Pai…
Ave Maria…
Caros Católicos, São Paulo nos fala hoje que devemos ser imitadores de Cristo e que devemos andar no amor, como Cristo nos amou. O apóstolo fala aqui do amor a Deus e do amor ao próximo. É sobretudo desse amor ao próximo que quero falar hoje, em particular no seio da família, entre marido e esposa e entre pais e filhos. Esse amor ao próximo decorre necessariamente do amor a Deus e é uma boa medida dele. Claro, estamos aqui falando do amor ao próximo que ordena todas as coisas em conformidade com a vontade de Deus, de acordo com os mandamentos e as virtudes.
Esse amor ao próximo no seio da família é importantíssimo e tão mal praticado, infelizmente. Existem muitas pessoas, mesmo devotas, que rezam, que levam a sério a santa religião católica e que nas relações sociais com estranhos são muito afáveis, bondosas, humildes, indulgentes, mas que, no seio da família, são ásperas, orgulhosas, de pouca consideração. Com esse comportamento dentro de casa tornam-se a cruz e o tormento para os familiares. Com a conduta áspera dentro de casa, contradizem toda essa bondade que apresentam diante dos outros publicamente. Nesse momento, marido já está pensando: minha esposa é assim. A esposa já está pensando: meu marido é assim. E os mesmos pensamentos entre pais e filhos. Esqueçam um pouco o outro e pensem em si mesmos. Todos nós padecemos desse mal, em maior intensidade ou menor. Olhe para si mesmo em primeiro lugar. Marido, olhe para si mesmo. Esposa, olhe para si mesma. Pais, olhem para si mesmos. Filhos, olhem para si mesmos.
Desse tipo de pessoa, São Francisco de Sales diz que são anjos na rua e demônios em casa. É preciso, então, pedir a Deus e trabalhar para que se tenha a mansidão, a doçura dentro de casa. E que não seja uma doçura meramente exterior e ocasional, mas que ela seja constante, sincera, fruto da humildade e da caridade. É preciso ser bom, afável, com todos, mas principalmente com os da própria família. Que triste é ver, em um lar, o deplorável espetáculo da frieza, da desconsideração, das palavras injuriosas ou grosseiras. Que triste ver, em um lar, o deplorável espetáculo dos arrebatamentos de ira e de orgulho. Que triste ver germinar a semente da falta de afeto e da desarmonia entre as pessoas que mais deveriam se amar, que mais deveriam se ajudar nas coisas espirituais e nas coisas temporais. Ao contrário, quão consolador é ver, em um lar, uma santa cordialidade e afabilidade entre os membros da família. Assim deve ser cada um no seio de sua família: bom, cordial, afável, ainda que os outros membros da família não o amem, e seria preciso sacrificar-se nessa bondade, nessa doçura por amor a Deus e ao próximo. São Francisco de Sales dava um conselho que ele mesmo praticava: honrai a vossa devoção, revesti-la de grande amabilidade para com todos os que vos conhecem, e em especial para com os da vossa família. Grande amabilidade para com todos os que vos conhecem, em especial com os de vossa família. Creio que podemos fazer, todos nós, imensos progressos nessa virtude. Maridos, esposas, filhos, padres… Devo ter essa resolução de proceder com grande bondade, doçura e afabilidade com todos os de minha família. Pedir a graça de Deus para isso e pedi-la com grande confiança. Ser anjo fora de casa e também dentro dela, principalmente dentro dela, para com meus familiares.
É preciso, caros católicos, que entre os membros da família, haja a demonstração de afeto, de afabilidade. Não se sustenta um amor que não se demonstra. É evidente que esse amor se demonstra, em primeiro lugar pelas obras, pelo ordenado e afável cumprimento dos deveres de estado. Mas ele se demonstra e se nutre também de forma simples. Quantas vezes os membros da família se esquecem de demonstrar esse afeto também por pequenas coisas e pequenos agrados, por pequenos presentes e por palavras, que, às vezes, entre os casados, abundaram na época de namoro e que agora sumiram depois do matrimônio. Não deveria ser assim. Deveriam abundar durante o casamento e serem moderados antes dele. Essas coisas são um sinal do amor na família e favorecem esse amor, e são coisas importantes, ainda que estejam longe de ser o principal, como é evidente. Muitas vezes as pessoas pensam: agora eu ajo pela razão e não pelos sentimentos. E se tornam secas, áridas, duras. Ora, a razão manda que o bom amor seja demonstrado de forma ordenada, que haja manifestações legítimas de afeto. Não se trata de sentimentalismo. E esse afeto e essa união podem se manifestar mesmo em coisas mais excelentes. Por exemplo, em uma ação de graças, ainda que breve, feita conjuntamente pelo casal após a Missa, com as mãos dadas, discretamente, mas demostrando assim, para si mesmos, a profunda união. O quanto faria bem essa ação de graças do casal, pedindo as virtudes de que precisam, pedindo essa doçura no seio da família, pedindo a mútua compreensão, pedindo a união dos corações, pedindo pelos filhos. As crianças, talvez, não deixarão que essa ação de graças se prolongue tanto, mas, ainda que ela seja breve, dará frutos. Essa pequena oração do casal na Igreja ajudará muitíssimo. Peço aos casais que procurem fazer isso hoje após a Missa e após cada Missa, em particular pedindo a graça da doçura no seio da família. Procure o casal fazer essa ação de graças após cada Missa.
Faço essa homilia de Quaresma bem curta e simples, mas para que fique bem gravada na alma de vocês e que possa servir como ponto decisivo para a vida familiar. Fique bem gravada na alma a doçura no seio da família, a afabilidade, a cordialidade, a condescendência que faz que nos acomodemos ao gosto e à vontade do outro, desde que não seja contra a lei de Deus. Dessa condescendência falaremos em outra ocasião. Que fique bem gravada na alma de cada um essa necessária demonstração do amor e do afeto também nas coisas simples. Que fique bem gravada essa ação de graças feita pelo casal após a Missa.
Em nome do Pai…

27 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 468

VÁ MAIS ESTE CONTO
Um menino muito travesso (deve ter sido algum coroinha), por ordem do sr. vigário, fora apanhar, jabuticabas de uma jabuticabeira da casa paroquial. Mas, muito glutão, mais eram as frutas que iam para o estômago do que as que entravam na cesta. Algum tempo depois, ali pela tardinha, era a confissão dos meninos. O nosso travesso aproximou-se também do confessionário muito compungido e choroso.
— Você tem muita dor de seus pecados? perguntou-lhe o padre.
— Sim, padre; tenho muita dor.
— Bem, meu caro, bem; mas é no coração que lhe dói?
— Não, padre; é aqui na barriga... e apontava com a mão.
— Ah! — disse o padre confessor — essa dor provém das jabuticabas... Você sabe que tal dor não vale para a confissão.

26 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mártir


Parte 8/9

Todos os homens tem que sofrer; porém quero dirigir-me de uma maneira especial aos esposos, aos pais, e mais ainda às mães mártires também, para que acompanhem a Rainha dos mártires.
Esposos, tendes que sofrer. Ainda que muito vos ameis, sereis cruz um para o outro. Far-vos-eis sofrer mutuamente. A diferença de caráter. A diferença de educação. Os momentos de tristeza e mau humor que tem todas as almas. Tendes que tolerar-vos mutuamente. É preciso saber aguentar, saber calar, saber perdoar, saber sorrir exteriormente, quando no interior chorar o coração.
Pais, tendes que sofrer.
São cruz, e cruz pesada, os filhos; sabei-lo por experiência. Essa cruz torna-se cada dia mais pesada a medida que aumenta o número de filhos e esses filhos vão crescendo. Tanto, tanto pesa essa cruz, que alguns pais não a querem. Não os imiteis. Olhai para Jesus Cristo, carregado com a cruz a caminho do Calvário; cai uma vez e outra; porém não larga a cruz, levanta-se e volta a abraçá-la. Quanto mais avança mais lhe pesa, e mais se sente esgotado; mas continua com a cruz até ao cimo do Calvário.
E atrás de Jesus, vai sua Mãe Santíssima com outra cruz sobre o coração. A medida que aumenta o peso da cruz de seu filho, aumenta o da sua também. Mas também não retrocede; acompanha-o até ao Calvário; ia Jesus oprimido com o peso da cruz e ninguém queria ajudá-lo a levar-lha. Levar a cruz de um condenado era custoso e afrontoso. Tiveram que obrigar um camponês que vinha do seu campo.
Pobre mãe carregada com a cruz! que só te encontras muitas vezes!
Os teus filhos vão-se afastando, e vão-se emancipando pouco a pouco de ti. Formaram o seu lar. Tem uma esposa e filhos e o amor e a preocupação com eles vai afastando a lembrança da mãe. O marido talvez não compreenda a mágoa que ela sente. Os parentes já tem bastante com levar a própria cruz que lhes parece a mais pesada de todas. Que duro é sofrer, e sofrer sozinha e sofrer sem ser compreendida e sofrer calada!
Que sós, e que incompreendidos e calados vão a Mãe e o Filho a caminho do Calvário! Ia Jesus carregado com a cruz e longe de o aliviarem, escarneciam-no, insultavam-no e blasfemavam contra ele. A Mãe não insultavam, mas os insultos que dirigiam ao Filho sentia-os o coração da Mãe.
Pobre mãe cheia de filhos! No caminho da vida por onde vai carregada com a cruz, encontra muitas jovens esposas como ela, que não quiseram a cruz dos filhos e gozam e divertem-se, e ao vê-la passar, riem-se e insultam-na: é uma tola, uma antiquada, não sabe gozar a vida. Que difícil é seguir com a cruz no caminho da vida!
Para que o possa fazer, Deus deu à mãe uma energia natural muito poderosa: o amor. Nada há tão forte como o amor, nem há amor tão forte como o que Deus pôs no coração da mãe. Porém a cruz pode ser tão pesada, que essa força tão poderosa chegue a ser impotente; faz falta uma força sobrenatural, divina. Essa força encontrá-la-ás no monte Calvário.
Ali estão Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima animando-te com o seu exemplo. Sobe ao monte Calvário, põe-te ao lado da Virgem Santíssima e escuta as palavras que Jesus diz da cruz:
- "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".
Também tu terás de perdoar; a quem? Talvez mesmo ao teu marido. Não sabe o que faz quando despedaça o teu coração com as suas infidelidades. Talvez a teus filhos. Não sabem o que te atormentam com os seus desvarios. Consideram como uma tirania o que é o cumprimento do teu dever.
Jesus e Maria perdoaram; porém eles não tinham que pedir perdão a ninguém, porque não tinham feito mal a ninguém.
Tu terás que perdoar; mas também terão de te perdoar a ti.
Jesus disse a sua Mãe:
- "Mãe, aí tens o teu filho". 
E também to diz a ti. Quando um novo filho bate a porta do teu lar, pensa que to envia Jesus Cristo e confia que ele te dará o que necessitas para o educares.
A solidão que Jesus sente fá-lo exclamar: "Meu Pai, porque me abandonaste?".  Pode dizer-se que a única que não o abandonou foi sua Mãe.
Pobre mãe! Que só te encontras algumas vezes! Sem ninguém que te alivie, que te ajude, que te compreenda, sente-se desolada. Também a ti não te abandona essa Mãe Dolorosa, como não abandonou seu Filho Jesus.
Jesus Cristo tem sede! 
Que sede é essa? De almas. E di-lo a ti. Tem sede da tua alma, que não se lhe entrega por completo. Da alma de teu marido, que se vai afastando de Deus. Da alma de teus filhos, que vão abandonando a igreja, e tu deves encaminhar essas almas para Jesus.
Tudo esta terminado. No meio das suas dores e tristezas Jesus sente uma grande paz, uma consolação imensa. Cumpriu até o fim o destino que lhe marcou o seu Eterno Pai, ainda que tivesse sido custoso.
O mesmo pode dizer sua Mãe Santíssima; cumpriu a vontade de Deus.
O mesmo deves dizer tu na hora da morte. Mãe, o teu destino é glorioso mas custoso. Ditosa se puderes exclamar no momento de morrer: Tudo cumpri como Deus queria.

25 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 467

UM EXAME QUE DEU RESULTADO

Esse exemplo não passa de um conto, mas pode ser verdadeiro.
Certo pedreiro (outros dizem que era o sacristão) não queria confessar-se, nem pela Páscoa, afirmando que não tinha pecados. Vendo o vigário que todas as exortações e admoestações eram inúteis, mandou chamá-lo um dia para consertar o nicho de um santo. O pedreiro colocou uma escada comprida e subiu ao nicho para começar o trabalho. A essa altura o vigário, que tivera uma ideia feliz, retirou a escada, chamou muitas pessoas conhecidas e anunciou-lhes esta boa nova:
— Temos mais um santo: é fulano de tal, que, como sempre afirma, não ter pecados. Vede-o ali no altar.
Ah! como eles lhe facilitaram o exame de consciência!
— Senhor vigário — dizia uma mulher — ele é pior, que Caim.
— É a língua mais danada — dizia outro.
— Não tem escrúpulos de pegar o que não lhe pertence.
— É um beberrão, que todas as noites volta para casa embriagado —. dizia a própria esposa.
— Já vês — disse o vigário ao novo santo — já vês como te facilitaram o exame de consciência; já não terás nenhum receio de ir confessar-te...
E dizem que foi mesmo confessar-se e daí em diante tornou-se um cristão exemplar. A lição valeu!

Programação da Semana Santa 2018 - Capela do Hospital Militar de Curitiba

Importante:
Não esquecer de levar ramos verdes para a bênção e Procissão de Ramos no dia 25/03 - Domingo de Ramos. Observar que a cerimônia de Ramos iniciará às 09:30 horas e não 10:00 horas como de costume.
Observar que as missas de segunda, terça e quarta-feira da Semana Santa tiveram o seu horário alterado (apenas para a Semana Santa) de 07:30 horas para 19:00 horas.
Dentro do possível, procure antecipar a sua confissão, não deixando para última hora. Precisando de um exame de consciência, favor acessar o link a seguir:
Exame de Consciência


Local:
Capelania Militar Nossa Senhora das Vitórias – Capelania Militar do Exército
Endereço: 

Rua Francisco Rocha, nº 740 - Batel - Curitiba - Pr.
Referências:

Hospital Geral de Curitiba (Hospital Militar) e Colégio Estadual Julia Wanderley

Mapa Capela

24 de março de 2018

Sermão para o Domingo da Quinquagésima – Pe Daniel P Pinheiro

[Sermão] Quaresma: Combate ao defeito dominante


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave-Maria…
 “Se não tiver a caridade, nada sou.” (I Cor, 13)
Caros católicos, três dias somente nos separam do começo da Quaresma. A Santa Igreja continua a nos preparar e a nos dispor, pela Sagrada Liturgia, a uma Quaresma que possa dar frutos eternos. Para tanto, a Igreja nos apresenta o sublime elogio da caridade na Epístola de São Paulo e nos apresenta, no Evangelho, o anúncio da paixão e a cura de um cego. Mas como essas três coisas nos preparam de maneira perfeita para a Quaresma, pois não parece haver muita conexão entre elas?
Para compreender o que a Igreja quer nos ensinar, devemos, antes de tudo, considerar bem a finalidade da Quaresma. A Quaresma são quarenta dias de conversão, quarenta dias para que possamos morrer para o pecado com Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de ressuscitar com Ele para a vida da graça. Para fazer isso, precisamos da penitência, pela qual, com verdadeira dor e detestação de nossos pecados, satisfazemos pelas ofensas feitas a Deus. Todavia, a penitência sozinha não serve para nada, se ela não é inspirada pela caridade, quer dizer, ela não serve para nada se ela não é feita em união com Deus ou tendo em vista essa união com Deus, essa amizade com Deus. E isso porque a melhor das ações não tem valor algum para a salvação, se ela não é acompanhada da caridade ou se ela não tem por fim a caridade. Além disso, como somos fracos e inconstantes, e como sem Deus nada podemos fazer, devemos pedir a Deus, pela oração, que nossas penitências acompanhadas da caridade sejam agradáveis aos seus olhos.
Dessa forma, caros católicos, podemos compreender porque a Igreja escolheu estas passagens da Sagrada Escritura para o Domingo que precede a Quaresma. A Igreja anuncia a Cruz, para que satisfaçamos pelos nossos inumeráveis pecados pela penitência. Ela faz o elogio da caridade porque sem a caridade nada tem valor, dado que só a caridade ordena tudo a Deus. E, finalmente, ela nos apresenta a cura do cego, na qual encontramos um modelo de oração: “Filho de David, tende piedade de mim.” Assim, não podemos fazer uma penitência sincera sem ter por finalidade a união com Deus. E, ao mesmo tempo, não podemos estar verdadeiramente unidos a Deus se recusamos carregar a nossa própria cruz, quer dizer, se recusamos fazer penitência. A cruz e a caridade são inseparáveis nessa Terra. Todavia, nem a caridade nem a cruz podem existir sem a oração, pois sem Deus nada podemos fazer. É preciso fazer penitência não para se orgulhar, não para se mostrar aos outros, mas para recobrar ou aumentar a nossa amizade com Deus, pedindo-lhe, pela oração, essa amizade. Durante a Quaresma, a união da penitência, da oração e da caridade é indispensável, e mesmo durante a vida inteira. Uma Quaresma sem um desses três elementos seria uma Quaresma infrutífera, que não conduziria a uma união profunda e duradoura com Deus, união que é, justamente, o objetivo da Quaresma. É por isso que, tradicionalmente, a Igreja recomenda esforços nesses três campos durante a Quaresma: oração, penitência e caridade. 1) Oração. Podemos pensar em algumas práticas concretas. Por exemplo, rezar o terço todos os dias (se ainda não faço), ou fazer uma boa leitura espiritual sólida e segura (se ainda não faço), ou fazer meditação católica todos os dias, tirando alguns minutos para pensar nas verdades eternas (se ainda não faço), ou rezar a via-sacra alguns dias da semana (definir os dias), ou rezar a coroa das dores de Nossa Senhora. 2) Penitência. Por exemplo, pode ser algo relacionado à comida, mas pode ser também com relação à internet, a redes sociais, a whatsapp, todas essas coisas que, de modo geral, nos atrapalham bastante na vida espiritual, se não são muito bem reguladas, o que é bem difícil de fazer. Pode ser também com relação a assistir futebol (esporte em geral) ou ver notícias disso para os homens, o que faz perder um tempo imenso com futilidade. Para as mulheres, deixar, por exemplo, de buscar informações fúteis sobre outras pessoas na internet e fora dela. E são coisas que podem durar depois da Quaresma e mesmo devem durar depois da Quaresma. 3) A caridade para com o próximo. Sobretudo no seio da família. Fazer algum bem material ou espiritual ao próximo, ter mais paciência com o próximo (marido com esposa e vice-versa, os pais com os filhos e assim por diante), evitar falar mal do próximo, rezar por pessoas específicas e com maior intensidade, rezar por quem nos fez algum mal.
Não devemos escolher várias coisas em cada campo, pois terminaremos fazendo mal feito ou não fazendo. Devemos escolher algo bem determinado e concreto em cada uma dessas frentes. E combater seriamente todo pecado, sobretudo o que mais nos atrapalha na união com Deus.
E que se façam os propósitos por amor a Deus, para avançar na santidade, na virtude e também em reparação pelos nossos pecados. O melhor seria escolher práticas que possam nos ajudar de maneira mais duradoura no caminho da santidade. Que não sejam práticas com consequências que durem somente os poucos dias da Quaresma.  Assim, receberemos graças abundantes na Quaresma, na Páscoa e ao longo da vida. Lembrando, porém, que as resoluções de Quaresma não obrigam, por si, sob pena de pecado.
Gostaria, porém, de dar uma sugestão, caros católicos, de resolução para essa Quaresma. Sugestão de uma resolução que une muito bem esses três elementos de que acabamos de falar. Trata-se do combate de cada um contra seu defeito dominante. Não pode haver melhor resolução que essa. Penitência, oração e caridade devem se unir no combate ao nosso defeito dominante.
O demônio, inimigo do homem, é como um leão que ruge ao nosso redor, procurando nos devorar. Com muita inteligência, ele busca, precisamente, nos atacar em nosso ponto fraco. Assim, ele faz a ronda para examinar todas as nossas virtudes teologais, cardeais e morais, e é no ponto em que nos encontra mais fraco que ele nos ataca e tenta nos abater. Como um bom chefe de guerra, ele sabe que uma vez tomado o ponto mais fraco de nossa alma, o menos virtuoso, ele vai se tornar o mestre de todo o resto. Esse ponto mais desprovido de virtude, o mais arruinado pelas nossas más inclinações é justamente o nosso defeito dominante, que é também a raiz, a causa de muitos outros pecados que cometemos. Esse defeito dominante pode ser muito diverso segundo cada pessoa: o orgulho, a vaidade, o medo do sofrimento, a sensualidade, a impureza, o apego ao que nos agrada, a falta de modéstia, o respeito humano, o apego aos bens desse mundo, o apego às honras ou à glória desse mundo. Ele pode ser a loquacidade, que é o falar muito ou o falar sem pensar; pode ser a preguiça (que pode levar à dificuldade para cumprir horários), a preguiça espiritual (que leva a omitir as orações, por exemplo), a falta de espírito sobrenatural, a falta de esperança, a inconstância, o espírito mundano, a ira, etc. Alguém dirá: “Padre, não tenho nem um só desses defeitos.” Ao que se responde: “Seu defeito é o orgulho ou a falta de conhecimento de si.” Outro dirá: “Padre, tenho muitos desses defeitos ou todos esses defeitos.” Ao que se responde: “Certo, mas é preciso descobrir qual é o dominante, aquele que é a raiz dos outros.” Muitas vezes, nosso combate não dá fruto porque combatemos apenas os defeitos superficiais mais aparentes e não a o defeito que causa os outros. Passamos anos e anos sem progredir muito porque não combatemos o inimigo principal a ser combatido. Às vezes, por ignorância. Às vezes por que nos recusamos a querer combater realmente aquele pecado, que no fundo é nosso pecado de estimação. É como tratar somente os sintomas de uma doença grave sem tratar a causa da doença. Esse tratamento dos sintomas sem tratar a doença nos levará à morte. Não combater o defeito dominante nos levará, quase certamente à morte espiritual.
É fácil ver a importância de combater nosso defeito dominante. E isso por duas razões principais. Primeiramente, porque é do defeito dominante que nos vêm os maiores perigos para a nossa alma e as mais graves ocasiões de pecado para nós. Como dissemos, ele é a raiz para vários outros pecados. Segundo, podemos ver a importância de combater o defeito dominante pelo fato de que, uma vez vencido o inimigo mais terrível, os inimigos mais fracos serão facilmente derrotados por nossa alma, que se tornou mais forte em razão da primeira vitória contra o mais temível inimigo. Devemos agir como o rei da Síria na guerra contra Israel. A Sagrada Escritura nos conta que esse rei ordenou aos seus soldados que combatessem unicamente contra o rei de Israel, prometendo que a morte do rei inimigo daria uma vitória fácil sobre o resto do exército israelita. Foi exatamente o que aconteceu: tendo morrido o rei de Israel, todo o exército cedeu e a guerra terminou imediatamente. De maneira semelhante, será muito mais fácil vencer nossos outros defeitos quando tivermos vencido o nosso defeito dominante.
Para que sejamos vitoriosos nesse combate, é preciso, todavia, seguir o conselho da Igreja. A vitória sobre o nosso defeito dominante não ocorre sem os sofrimentos, sem as cruzes, sem as privações. É impossível vencê-lo sem a mortificação. A Igreja fala da paixão e da cruz no Evangelho de hoje, para nós lembrar disso.  Do mesmo modo, sem a oração – sem muita oração – é igualmente impossível vencê-lo e até mesmo começar o combate, pois é Deus que nos dá a força para combater e é Deus que nos dá, em última instância, a vitória. Sem Deus, mais uma vez, nada podemos fazer. A Igreja dá o exemplo da súplica do cego na liturgia de hoje. Finalmente, é a caridade, a vontade de servir Deus, infinitamente bom e amável, que deve nos animar e nos dispor ao combate. A Igreja nos fala na liturgia de hoje da caridade. São a cruz e a oração simples – mas eficaz – do cego que nos são lembradas pelo Evangelho. É a caridade – absolutamente necessária – que nos lembra São Paulo no sublime elogio da caridade. Mas para não se enganar a respeito de seu próprio defeito dominante, é necessário pedir o auxílio de Deus, para que Ele mostre qual é esse defeito. Convém muitíssimo nesse propósito pedir o auxílio de Nossa Senhora das Dores, pois sob esse título Ela revela os corações dos homens. Convém também pedir conselho a um Padre que conheça mais profundamente a sua alma.
Se, conseguirmos vencer, caros católicos, ou ao menos começar uma batalha séria contra nosso vício dominante, o caminho da santidade estará bem traçado, pois dessa forma cortamos o mal pela raiz, cortamos o mal em sua causa e evitaremos muitos frutos ruins, que são os pecados. Com essa má árvore cortada, poderemos praticar com facilidade e alegria a virtude e o bem, avançando no caminho da perfeição. Não devemos nos iludir para não desanimarmos nesse combate contra o nosso defeito dominante. Não venceremos nosso defeito em quarenta dias. Defeito que é, muitas vezes, decorrente do nosso temperamento e reforçado pelas nossas ações ao longo de tantos anos. Para vencê-lo será preciso a graça, muito esforço e um bom tempo. Tomemos como exemplo São Francisco de Sales, de quem se diz que passou praticamente toda a sua vida combatendo o pecado da ira. Combatamos, portanto, firmemente e Deus nos dará a vitória.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

23 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 466

O EXAME DE SANTA TERESINHA

S. Teresinha do Menino Jesus, quase criança ainda, todos os dias fazia a sua oração da noite com muita devoção. Fazia, então, o seu exame de consciência, perguntando a mamãe:
— Mamãe, fui boa hoje? Está Deus contente comigo? Voarão os anjinhos ao redor de mim?
Só dormia tranquila, quando a resposta era afirmativa; do contrário teria passado a noite chorando.

22 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mártir


Parte 7/9

Chegou a hora do enterro
Que fúnebre cortejo tão simples e tão solene! 
Os discípulos seguram de novo o cadáver de Jesus e caminham a frente. Atrás vão as piedosas mulheres e, no meio delas, Maria. E assim vão os cinquenta passos que separam a cruz do sepulcro. Legiões de anjos invisíveis assistem ao enterro do seu Deus. A seguir, a unção do sagrado corpo a entrada do sepulcro. As faixas que envolvem os seus membros. O lençol branco para o cobrir todo. Por fim o sudário para cobrir o rosto. Este último obséquio reclama-o para si a Mãe. O último beijo... O último olhar... e o branco linho cai sobre o rosto do filho. A pesada pedra redonda roda cobrindo a porta do sepulcro.
Tudo esta terminado.
No meio do Calvário fica erguida a cruz, suavemente iluminada pelos débeis fulgores de um sol que se esconde. Patíbulo infame, que desde esse dia fica convertido no símbolo mais glorioso. A triste comitiva passa diante dela e volta para Jerusalém. Que noite tão sombria começa a cair sobre a alma da Virgem Santíssima!
Abraão subiu ao monte Mória com a alma despedaçada pela dor; pois sabia que lá o cimo tinha que oferecer a Deus o sacrifício do seu único filho, único, pois tinha perdido a esperança de mais descendência. Porém Deus contentou-se com a prova da sua fidelidade; e pouco depois, descia o monte, radiante de alegria acompanhado de seu filho.
Triste subiu Maria o monte Calvário acompanhando seu filho, sentenciado à morte. No cimo do monte presenciou o sacrifício. E agora desce só, com a tristeza na alma e sem o filho, que deixou morto e sepultado.
Na cidade deicida uma calma impressionante sucede a febril agitação da Parasceve. As ruas estão desertas, as casas fechadas; tudo parece sepultado no sono da morte. Aquela hora as famílias judias estão celebrando na intimidade do lar o aniversário da saída do Egito; porém a verdadeira libertação do povo de Deus acaba de realizar-se no alto do Calvário.
E Maria, para onde encaminha os seus passos? Sem pais, sem marido, sem lar, sem filho... para onde a queiram receber por misericórdia.
Que só fica Maria! 
Que faz na terra essa alma que parece arrancada do céu?
Se a razão da sua existência era Jesus: cuidar de Jesus, preparar Jesus para o sacrifício, e Jesus morreu, porque não morreu ela também e não esta sepultada com ele?
"Quomodo sedet sola civitas plena populo!"
Que deserta a cidade antes tão concorrida!
Que desolada ficou a mais feliz das criaturas quando tinha o seu filho!
Dolorosos desdéns da noite de Belém. Ansiedades da fugida para o Egito. Solidão e pobreza do desterro. Éreis dolorosas; porém estáveis compensadas com uma consolação inefável: estava com Jesus, tinha a Jesus. Angústias dos dias de Páscoa; éreis atormenta horas; porém estáveis mitigadas com uma doce esperança: Jesus perdeu-se mas pude encontrá-lo. Agonias mortais do Calvário, com toda a vossa crueza tínheis junto algum alívio: Jesus, embora sofrendo, estava presente.
Noite de sexta-feira Santa. Não há solidão como a tua, pois na alma de Maria reuniam-se todas as soledades. Com razão o povo cristão ao contemplar essa Virgem enlutada, com os olhos banhados de lágrimas, e com o coração atravessado por sete espadas, lhe chamou: a Soledade.

21 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 465

“PERDI MEUS PECADOS!”

Um aluno das escolas de S. João Bosco preparava-se para fazer confissão geral. Para melhor lembrar-se de seus pecados, escreveu-os e depois perdeu a folha de papel. Chorando foi a procura de D. Bosco e disse-lhe:
— Padre, perdi meus pecados..
O Santo, que pouco antes encontrara o papel, replicou-lhe sorrindo:
— Você é feliz! Como já não tem pecados, irá para o céu. O rapaz, julgando que D. Bosco não entendera, acrescentou:
— Não é isso; o que perdi foi o papel em que os havia escrito, quando fiz o exame de consciência.
Consolou-o D. Bosco e entregou-lhe o escrito.
É bom saber que não há obrigação de escrever os pecados.

20 de março de 2018

Sermão para o Domingo da Sexagésima – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Sentido Espiritual das Cerimônias da Missa – Parte 15: O Cânon Romano VIII – Nobis Quoque peccatoribus e doxologia


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Nesse domingo da Sexagésima, continuemos a tratar do sentido espiritual das cerimônias da Missa no Rito Romano Tradicional. Chegamos agora ao final do Cânon Romano, esse profundíssimo tesouro da tradição católica, expressão perfeita da fé católica e obra sublime de espiritualidade católica. O padre, tendo pedido pelos fiéis defuntos no Memento dos mortos, volta-se agora para si mesmo e para os fiéis, para pedir a misericórdia de Deus, mostrando mais uma vez que a Santa Missa, de fato, nos obtém a misericórdia divina.
O sacerdote reza, então, o Nobis quoque peccatoribus. Assim começa a oração: A nós também, pecadores, vossos servos, esperando na multidão de vossas misericórdias, dignai-vos conceder alguma parte e sociedade com vossos santos apóstolos e mártires. As três palavras, Nobis quoque pecatoribus (A nós também, pecadores), o padre diz elevando um pouco a voz. São as únicas palavras do Cânon Romano ditas em voz um pouco mais alta, todo o resto sendo dito em voz baixa. Portanto, as únicas palavras do Cânon ditas em voz alta são para reconhecer que somos pecadores. O Padre reconhece em primeiro lugar os seus próprios pecados. E,1 junto com seus pecados pessoais, reconhece também o pecado dos fiéis.
Devemos assinalar aqui essa consciência do pecado que permeia todo a Santa Missa no Rito Romano Tradicional. Com muita frequência o padre reconhece os seus pecados e os pecados do povo. E, ao fazer isso, invoca a misericórdia de Deus, pedindo perdão pelas suas faltas e de todos os fiéis. Essa consciência do pecado muito bem expressa e manifesta no Rito Tradicional da Missa é algo muito importante para a nossa vida espiritual. Aquele que diz não ter pecados é mentiroso, nos diz São João. É importante para a vida espiritual porque o primeiro passo para nos convertemos a Deus é que reconheçamos os nossos pecados, para podermos evitá-los, deixá-los completamente. O Rito Tradicional da Missa reconhece muito bem que somos pecadores. Para citar alguns exemplos desse reconhecimento. No início da Missa, o padre diz o seu confiteor primeiro e sozinho para reconhecer os seus pecados veniais. Os fiéis recitam o confiteor em seguida. O Padre implora o perdão de seus pecados nas duas orações que faz em silêncio ao subir ao altar após as orações ao pé do altar. O Padre invoca nove vezes a misericórdia da Santíssima Trindade no Kyrie. No ofertório da hóstia, o padre reconhece que é um servo indigno e oferece o sacrifício pelos inumeráveis pecados, ofensas e negligências. Implora a clemência de Deus no ofertório do cálice. Essas três palavras ditas em voz alta no Cânon Nobis quoque peccatoribus. Antes da comunhão, os fiéis recitam novamente o confiteor e três vezes o Domine non sum dignus. Portanto, reconhecemos abundantemente os nossos pecados na Missa Tridentina. Reconhecemos para pedir perdão a deus e com o propósito de abandoná-los efetivamente. Infelizmente, no rito novo da Missa, várias dessas orações desapareceram ou foram bem atenuadas. No rito novo, tem-se apenas um confiteor no início da Missa (quando se tem o confiteor no ato penitencial), há apenas seis vezes o Kyrie. As orações que o padre recita subindo ao altar não existem mais. As orações do ofertório foram completamente alteradas. O Nobis quoque peccatoribus só está presente na oração eucarística I do rito novo, que é raramente utilizada e fica diluída porque todas as orações são ditas em voz alta. O Domine non sum dignus é dito apenas uma vez. Isso apenas para citar alguns pontos. O rito romano tradicional nos traz essa consciência do pecado acompanhada do pedido de misericórdia. Seríamos levados ao desespero se reconhecêssemos nossos pecados e não invocássemos a misericórdia de Deus. Seríamos levados à presunção de nos salvarmos sem abandonar os nossos pecados, se invocássemos a misericórdia de Deus sem reconhecer nossas faltas.
Com um pouco de bom senso, podemos perceber que vivemos em uma sociedade que não tem mais a mínima consciência do pecado, é a cultura da indiferença ao pecado. Não há mais certo e errado, virtude e vício, pecado e boas obras. Essa cultura da indiferença quanto ao pecado vem do fato de que o rito dominante em nossa sociedade não exprime mais tão bem o fato de que somos pecadores. O rito novo da Missa, infelizmente, atenuou muito essa consciência do pecado, influenciando assim a nossa cultura. Lembremo-nos que cultura vem do latim cultus, pois a cultura de uma sociedade é formada principalmente a partir do culto dominante na sociedade. Se o culto, se a Missa diminui muito a expressão do fato de que somos pecadores, a cultura será de indiferença ao pecado. E assim vivemos nessa cultura já faz praticamente 50 anos.
Consideremos, caros católicos, como essa oração do Nobis quoque peccatoribus é também humilde. O Padre ousa pedir somente alguma parte e sociedade com os santos e mártires. Reconhecendo-se pecador, mas confiando na abundância da misericórdia, pede ao menos alguma parte, ainda que ocupe a menor posição entre os santos.
A oração do Nobis quoque peccatoribus continua citando 15 mártires, 8 homens e 7 mulheres. Todos esses mártires eram objeto de grande devoção em Roma. O João aqui mencionado é São João Batista. Em seguida, Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir propriamente dito. Matias é o escolhido para substituir Judas Iscariotes, o traidor. São Barnabé, companheiro de São Paulo no apostolado. Santo Inácio de Antioquia, discípulo de São João e segundo sucessor de São Pedro na Sé de Antioquia. Santo Alexandre I, papa e mártir. São Marcelino, padre e São Pedro, exorcista, martirizados sob Diocleciano. Santa Felicidade e Santa Perpétua, mártires de Cartago. Santa Ágata e Santa Cecília, mártires da Sicília. Santa Inês, muito jovem mártir romana, bem como Santa Cecília, que converteu seu marido e seu cunhado a Cristo. Santa Anastásia, viúva e mártir romana.
E conclui a oração pedindo que Deus nos admita no consórcio na comunhão desses santos e de todos os santos não considerando os nossos méritos, mas a sua indulgência. Belíssima oração a do Nobis quoque peccatoribus que se conclui com as palavras “por Cristo, Senhor Nosso” sem o amém.
Em seguida o Padre lembra que é por Cristo que Deus cria todas as coisas, as santifica, vivifica e abençoa para a nossa utilidade. A oração pode ter um caráter geral, mas especificamente se refereàs espécies consagradas. Ela se refere ao pão e ao vinho, criaturas de Deus, e que se transformaram no corpo e no sangue de Cristo em virtude sua obra de redenção. O sinal da cruz é feito três vezes, para nos lembrar que é pela cruz de Cristo que temos a Missa, que é pela cruz de Cristo que o pão e o vinho se transformaram em seu corpo e em seu sangue durante a Missa. Nosso Senhor Santifica o pão e o vinho usados na Missa separando-os do uso profano. Ele os vivifica pela consagração, fazendo deles Seu Corpo e seu Sangue, que têm a vida, que são fonte da vida sobrenatural. Ele os abençoa, pois uma vez que foram transubstanciados no corpo e sangue de Cristo são fonte de toda a bênção celeste. Assim, a santificação significa a preparação do sacrifício da Missa pela separação do pão e do vinho. A vivificação é a transubstanciação que ocorre na consagração. A bênção é a abundância de bênção que deriva do Corpo e do Sangue de Cristo.
Finalmente, chegamos à conclusão do Cânon Romano, com a doxologia. Por Ele, com Ele e nEle, a Vós, Deus Pai onipotente, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória. Por Ele: devemos sempre passar por Cristo, é Ele o único caminho. Devemos, então, fazer tudo por Cristo. Todavia, não basta fazer as coisas por meio de Cristo, é preciso fazer com Ele, em união profunda com Nosso Senhor, sendo nós membros de seu Corpo Místico.  E devemos ir além fazendo tudo nEle, nos identificando a Ele em um mesmo querer e em um mesmo não querer, de forma que já seja Cristo que viva em nós, como diz São Paulo. Essas palavras nos mostram que podemos dar honra e glória a Deus somente por meio de Cristo, unidos a Ele. Não há outro caminho possível para agradar a Deus.
Ao dizer per ipsum, et cum ipso et in ipso, o padre faz três vezes o sinal da cruz com a hóstia sobre o cálice, quase unindo o Corpo e o sangue de Cristo, pois se fala dEle aqui. Ao citar Deus Pai e o Espírito Santo, o padre faz duas vezes o sinal da cruz fora do cálice, entre o cálice e o seu próprio corpo. Finalmente, faz a pequena elevação, elevando um pouco sobre o altar a hóstia e o cálice, mostrando que é Cristo que é oferecido à Deus, que é Cristo que dá toda honra e toda glória a Deus.
O Padre conclui em voz alta com as palavras: per omnia saecula saeculorum, por todos os séculos dos séculos. De fato, a honra e a glória que Cristo dá a Deus é eterna, sem fim. A glória que todo homem deu, dá ou dará a Deus, é por Cristo, com Cristo e em Cristo. O Padre fala essas palavras em voz alta, assinalando a conclusão do Cânon Romano e para que os fiéis possam dar a sua adesão a tudo o que ocorreu respondendo “Amém”. É a confissão de fé em tudo o que acabou de acontecer sobre o altar, ou seja, os fiéis reconhecem efetivamente que o sacrifício de Cristo foi renovado sobre o altar. É a adesão de alma a todas as orações recitadas pelo padre. É a manifestação do desejo de se oferecer a si mesmo com Cristo.
Caros católicos, tenhamos um grande amor pelo Cânon Romano, formado por Cristo nos primeiros séculos de sua Igreja. O Cânon tão venerável, com praticamente 1500 anos. Quantos santos assim se santificaram, com essas orações que exalam a sã doutrina da Igreja de Cristo e perfeita espiritualidade católica. Unamo-nos com toda nossa alma a essas orações do Cânon quando o padre as recita durante a Santa Missa.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

19 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 464

EXEMPLO DE MARIA ANTONIETA

Maria Antonieta, esposa do rei Luís XVI, foi condenada a guilhotina e não permitiram que lhe chamassem um confessor.. Com as mãos atadas era conduzida à morte. Levantando os olhos viu numa janela o seu confessor, que dali mesmo lhe daria a absolvição. Inclinou, pois, três vezes a cabeça em sinal de arrependimento, e o sacerdote absolveu-a do lugar onde estava. Assim a desditosa rainha pode subir alegremente as escadas do patíbulo.

18 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora mártir


Parte 6/9

A tarde avança.
A multidão afasta-se do Calvário, como uma manada de feras depois de terem devorado a presa.
Quem se lembrará do cadáver do seu filho? Terá que ficar ali pregado na cruz a servir de pasto às aves e às feras? Não, a Mãe não sofrerá tal profanação. Ficará ali junto da cruz, dias e noites, como velou o sono de seu filho na casinha de Nazaré, ainda que desfaleça de cansaço, de frio e de tristeza.
A sua confiança em Deus sustenta-na.
O Eterno Pai, que velou pelo seu Filho e por ela na noite de Belém e nos dias angustiosos da fugida para o Egito, velará também por eles nesta tarde horrível de desamparo. Se até agora os discípulos foram covardes, nem todos se esqueceram completamente do Mestre. Dois deles, José de Arimateia e Nicodemus, conseguiram de Pilatos autorização para sepultar o cadáver. Se foram covardes para defenderem a Jesus, quando o prenderam e julgaram, depois de morto querem prestar-lhe esse tributo do seu amor. O Eterno Pai, que vela por seu Filho, moveu-lhes o coração.
Chegaram ao Calvário e com a alma magoada põem ao serviço da Mãe quanto podem. E ela, a Rainha e Senhora dos céus e da terra, aceita com infinito agradecimento esta esmola dos homens. Seu filho terá um sudário branco e limpo para ser amortalhado, terá perfumes e mirra e aloés para ser embalsamado; terá um sepulcro novo cavado na rocha viva onde será enterrado.
Árvore santa da cruz, inclina já esses ramos que se dobram com o fruto precioso que esta pendente deles. Braços duros da cruz, que tão asperamente tratastes essa vitima inocente, soltai esse corpo martirizado para que descanse nos braços carinhosos e macios de sua Mãe que o estão esperando.
Despregam o cadáver de Jesus, e colocam-no no regaço de sua Mãe. Ela recebe o sagrado corpo, relicário da divindade. Quantas vezes o teve em seus braços, porém que mudado esta! A sua imaginação quer dar vida aquele rosto desfigurado, aqueles membros inertes, aquele coração rasgado. Acaricia aquela fronte divina, e sente que esta ferida pelos espinhos. Pega naquelas mãos sagradas e vê-as atravessadas pelos cravos. Olha para aquele rosto que sempre lhe sorria e agora fica impassível, lívido, com a marca profunda que a dor gravou nele. Fixa o seu olhar naqueles olhos que eram para ela cheios de amor e ternura e vê-os imóveis, vítreos e apagados. Aproxima os seus lábios dos ouvidos do filho, e chama-o por aquele nome tão doce, que recebeu do céu: Jesus. E Jesus não responde. É a primeira vez que o filho obedientíssimo não obedece a voz de sua Mãe. Quer dar um beijo naquele rosto divino e encontra-o cheio de sangue. A Mãe chorosa beija o rosto ensanguentado do filho; e o sangue do filho, mistura-se as lágrimas da Mãe; e  lágrimas de sangue caem sobre a terra amaldiçoada por Deus para que fique santificada.
Em silêncio respeitoso contemplam a cena comovedora os discípulos de Jesus e as mulheres piedosas. Madalena chora abraçada aos pés do Mestre. 
Aí, aos pés de Jesus, refúgio das almas pecadoras, devemos ajoelhar também nós.
Maria, nossa Mãe, levanta o rosto, olha-nos com seus olhos turvados de lágrimas, e mostra-nos o cadáver de Jesus: "Olha, é o cadáver de teu irmão. Tu foste o Caim que mataste este Abel inocente. Os teus pecados crucificaram-no. Olha-o bem. Olha também os tormentos do meu coração e não voltes a pecar".

17 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 463

O EXEMPLO DO MÉDICO DESCURET

O célebre médico Descuret assistia a um enfermo, cujo estado era desesperador. Médico do corpo, mas também interessado pela saúde da alma, avisou a família da gravidade da doença, a fim de que o doente pudesse receber os Sacramentos. Ao receber a primeira comunicação de sua própria esposa, o doente atirou-lhe na cabeça uma tigela e feriu-a. Descuret curou aquele ferimento, mas deixou de saudar o doente.
— Doutor, o sr. não me saúda?
— Não o mereces; é assim que se trata a uma esposa?
— Mas o sr. sabe o que ela me disse?
— O que é que disse?
— Que eu devia confessar-me!
— Pois ela não fez mais que cumprir o seu dever.
— Mas se dissessem isso ao sr., que faria?
— Não preciso que mo digam, porque eu o faço espontaneamente.
— Como! o sr. se confessa? o sr. que estudou tanto?
— Sim; precisamente por isso me confesso.
— Bem; chamem depressa um padre, que eu também quero confessar-me!
E confessou-se com o vigário da igreja de S. Tiago; e entregou-lhe publicamente um punhal com que havia assassinado a mais de uma dúzia de padres, e com que tencionava matar o que viesse para confessá-lo na última hora. Mas a graça foi mais poderosa, e ele morreu bem.

16 de março de 2018

Sermão para a Oitava de Natal – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] O significado das cerimônias do Rito do Batismo


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…

A oitava de Natal é o dia da circuncisão do Senhor. Nosso Senhor, obedecendo à lei mosaica submeteu-se a esse rito que havia sido dado por Deus a Abraão e que devia ser observado por todos os seus descendentes do sexo masculino no oitavo dia de seu nascimento. Nesse momento, se dava também o nome ao menino, como vemos no breve Evangelho da festa de hoje. A circuncisão foi dada por Deus a Abraão como sinal de fé na promessa que havia sido feita ao Santo Patriarca, promessa que de sua descendência viria o Messias, o Salvador. Ela era, portanto, um ato de fé na promessa divina, além de ser um símbolo da consagração a Deus e do reconhecimento de sua soberania, e também um sinal de reconhecimento do pecado e da satisfação que é devida pelo pecado. A circuncisão era a ocasião para que Deus purificasse a alma do menino do pecado original, dando a sua graça. A circuncisão era prefiguração do batismo, com a diferença que o batismo não é mera ocasião para que Deus dê a Sua graça. O batismo, como sacramento, dá efetivamente a graça de Deus.
Aproveitemos a ocasião para tratar um pouco do Batismo no Rito Romano tradicional. Não insistiremos sobre a necessidade do batismo para a salvação. Sabemos que é o sacramento mais necessário. Não insistiremos sobre o fato de que deve ser conferido o quanto antes à crianças, não devendo passar de um mês, o que já seria negligência grave dos pais com a salvação da alma dos filhos.
Lembremos que o batismo, sendo um dos sete sacramentos, é algo sobrenatural. O batismo não é um evento social. O batismo é um sacramento. É o primeiro sacramento a ser recebido. Ele vai apagar a mancha do pecado original, vai dar a graça de Deus, vai tornar a pessoa filha de Deus e vai fazer dela membro do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja Católica Apostólica Romana. O Batismo marca a alma da pessoa com um selo espiritual e indelével, isto é, que não pode ser apagado. É o selo da filiação divina. Além disso, o batismo vai dar a graça para que a pessoa possa viver bem como filha de Deus e membro da Igreja. Tudo isso ocorre em um instante, no momento em que, realizando a essência do sacramento, o sacerdote derrama a água sobre a criança, dizendo: eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Todavia, o rito do Batismo não se reduz a essa parte essencial. O batismo é composto de várias outras cerimônias antes e depois. A Igreja quis que a essência dos sacramentos fosse acompanhada de outros ritos. Assim ocorre com o batismo e com todos os outros sacramentos. Por exemplo, na Missa, a consagração é acompanhada de várias cerimônias antes e depois. A Igreja colocou essas cerimônias em torno dos sacramentos por três motivos.
Primeiro, para favorecer a devoção, a reverência, o respeito devido ao sacramento. Se os sacramentos se reduzissem à sua essência, pensaríamos que é algo banal, sem muita importância. Em 30 segundos, o sacramento seria realizado. Não daríamos importância alguma. Algo importante deve ser preparado e anunciado com cuidado e deve ser seguido também de uma certa solenidade. A essência do sacramento é precedida de cerimônias, isto é, de orações e gestos, e é seguida também de cerimônias. Assim, em primeiro lugar, essas cerimônias dos sacramentos favorecem a devoção e o respeito.
Em segundo lugar, essas cerimônias servem para instruir os fiéis. Se o sacramento se reduzisse à sua essência, compreenderíamos mal o que ele realiza. Nossa inteligência teria que compreender em um instante tudo o que ocorre. E, como dissemos, o que ocorre é algo sobrenatural. Nossa inteligência compreenderia muito superficialmente os sacramentos se não existissem essas outras cerimônias em torno da essência dele. Essas cerimônias, antes e depois, nos explicam, então, tudo o que ocorre no instante em que o sacramento é conferido. Elas nos instruem muito bem e nos dispõem a receber melhor o sacramento.
Em terceiro lugar, essas cerimônias, com suas orações e gestos, alcançam graça diante de Deus, dispondo melhor a nossa alma para receber o sacramento.
Podemos ver, caros católicos, que o rito de um sacramento tem uma grande importância. Pode ser um rito que nos inspire um grande respeito pelo sacramento, pode ser um rito que nos instrua claramente, pode ser um rito que, pela perfeição de suas cerimônias, nos alcança muitas graças e nos disponha muito bem para receber as graças do sacramento. Ou pode ser um rito que não faça tudo isso muito bem. O rito em torno do sacramento tem uma importância grande, sobretudo quando se trata da Missa. As cerimônias em torno da consagração fazem grande diferença para a nossa alma. Esse um dos mais importantes motivos para o nosso combate pelo rito tradicional na Missa e nos outros sacramentos.
Voltemos ao rito do batismo. O Rito do Batismo tradicional é uma das mais antigas cerimônias da Igreja. São resquícios de algo se realizava ao longo de toda a quaresma visando o batismo no Sábado Santo. Isso explica, em parte, a repetição de algumas cerimônias ao longo do rito, como por exemplo, os reiterados exorcismos, que visam também mostrar a perda do poder do demônio e o senhorio de Deus sobre a alma prestes a ser batizada.
O Rito
O primeiro pedido da criança, pela boca dos padrinhos, no batismo é esse: A fé e a vida eterna que se alcança pela prática dos mandamentos. É a finalidade para qual cada homem foi criado: conhecer a Deus pela fé, amá-lo e servi-lo pela prática dos mandamentos a fim de alcançar a felicidade eterna no céu. Estamos claramente aqui na ordem sobrenatural: a fé e a vida eterna.
O batismo começa, porém, fora da Igreja, para manifestar que está ainda sob a escravidão do pecado original e que ela ainda não é membro da Igreja. A estola é roxa, manifestando a tristeza da Igreja pelo estado de pecado em que se encontra a alma antes do batismo.
Ao longo do rito, são feitos vários exorcismos. Eles têm por objetivo expelir o demônio. Lá onde está o pecado, lá está o demônio como senhor. E essa alma antes do batismo está em pecado original. Os exorcismos têm por objetivo rebater e anular sua força do demônio pela qual ele tenta impedir o batismo. O primeiro é feito com três sopros em homenagem à Santíssima Trindade e na cabeça, que representa a parte mais nobre do homem e lembra que N. Sr. destrói o ímpio com o sopro de sua boca (II Tessalonicenses, 2,8).
No batismo, são feitos também inúmeros sinais da cruz: eles têm por objetivo primeiro mostrar qual é o distintivo do cristão: a cruz de Cristo, sem a qual ninguém pode salvar-se. O sinal da cruz é feito principalmente na testa e no peito: a testa é a inteligência que deve se submeter à doutrina de Cristo pela fé, enquanto o peito é a vontade para fazer a vontade de Deus, cumprindo seus mandamentos pela caridade. O sinal da cruz é reiterado na testa, como selo inviolável do domínio soberano de Deus sobre aquela alma.
É colocado sal na boca do batizando. O sal tem uma dupla função. Primeiro, conserva os alimentos da podridão. Assim, pela doutrina da fé e pelas boas obras o cristão deve conservar-se da corrupção do pecado. Em segundo lugar, o sal dá gosto aos alimentos, significando o gosto que deve ter o Cristão pelas coisas celestes, gosto pelas coisas celestes que é a verdadeira sabedoria indispensável para alcançar a vida eterna. O Cristão é o sal da terra.
A imposição das mãos sobre a cabeça da criança se repete também algumas vezes. Ela significa a invocação das bênçãos divinas sobre aquela alma e também o domínio de Deus sobre a alma. Quando coloco a minha mão sobre algo, é para indicar que tenho a posse daquilo. Assim, pelo batismo a alma deixará a escravidão do demônio para submeter-se a Deus, que será o Senhor dessa alma.
Aproximando-se o batismo, entra-se na Igreja. Ao entrar na Igreja, coloca-se a parte esquerda da estola sobre a cabeça da criança. Essa entrada da criança na Igreja sob a estola roxa manifesta também como ela pertencerá à Igreja e estará submissa a seus ministros. Para salvar-se é preciso estar sob a estola, isto é, reconhecer a hierarquia da Igreja e submeter-se a ela em suas ordens legítimas.
O Padre recita o Credo e o Pai-Nosso com os padrinhos. O credo contém em resumo tudo o que se deve crer e os pais e padrinhos devem ensinar. O Pai-Nosso contém em resumo tudo o que se deve desejar. Os padrinhos têm a função de ajudar na instrução católica do afilhado.
Depois disso, vem o rito de insalivação: o mesmo gesto feito por N. Sr. para curar um surdo-mudo. O padre coloca um pouquinho de saliva nos ouvidos e nas narinas da criança. A Igreja quer aqui abrir os ouvidos da criança apara fé (a fé vem pelos ouvidos, como diz S. Paulo) e apurar o seu olfato para que reconheça e siga o bom odor de Cristo e da santidade.
Renuncia-se claramente a satanás pela boca dos padrinhos e faz a unção com óleo dos catecúmenos: no peito e nas costas para significar a força necessária para os combates futuros, como os lutadores da antiguidade que colocavam óleo no corpo a fim de poder lutar mais livremente e também para curar as feridas. Esta unção é sinal da força dada por Cristo para resistir às tentações do demônio e a todas as outras dificuldades na prática da virtude. É para mais facilmente lutar no combate espiritual.
O padre coloca agora a estola branca, pouco antes do batismo, manifestando a alegria da Igreja em poder ter mais um filho e herdeiro das promessas divinas. E faz-se a profissão de fé.
Chegamos, finalmente, à essência do batismo. O Batismo é feito com água, com três infusões e invocação à Santíssima Trindade: a água, que lava e purifica todas as coisas, significa e realiza o desaparecimento da mancha do pecado original e o começo da vida da graça. Três infusões em sinal da cruz: três infusões em referência à Santíssima Trindade com os sinais da cruz para nos dizer de onde vieram os méritos para tão sublime milagre: da cruz. É a Santíssima Trindade que opera essa maravilha na alma: não mais um pecador, mas um filho e amigo de Deus.
Com a criança já batizada, faz-se a unção com o Santo Crisma: essa criança é agora cristã, quer dizer, ela pertence a Cristo que significa ungido. Ela faz parte do corpo místico de Cristo e está consagrada inteiramente a Deus. Esta unção se faz na cabeça porque agora esta alma deve reinar com Cristo sobre o pecado e suas paixões desordenadas.
Impõe-se a veste branca na cabeça da criança para significa ra pureza da alma, agora limpa de todo o pecado e feita templo do Deus altíssimo. Essa pureza deve perdurar até o fim da vida. Mas significa também que ela deve revestir-se de Cristo em todas as coisas, quer dizer, ter as mesma disposições de alma dEle.
A vela acesa: essa alma agora pertence a Cristo, que é a luz do mundo. Ela deve guardar essa luz acesa e propagá-la durante toda a sua vida. Guardar a vida da graça e levá-la aos outros. Ela deve ser como as virgens prudentes do Evangelho que guardaram as velas acesas, pelas boas-obras, até a vinda do esposo, que é Cristo.
Vemos, assim, como todas essas cerimônias explicitam tão bem o que ocorre no momento essencial do batismo. Elas mostram como o demônio é afastado, como se renuncia ao pecado e como Deus se torna o Senhor e o Pai dessa alma. E isso o batizado deve lembrar-se sempre: pelo batismo e pelas promessas feitas nele, estamos obrigados a renunciar ao demônio, às suas obras e às suas seduções para sermos e vivermos como filhos de Deus. Toda a nossa vida deve ser uma aplicação disso.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

15 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 462

CONFESSAVA-SE COM FREQUÊNCIA

D. João da Áustria, educado religiosamente por Dona Madalena Ulloa, durante toda a sua vida conservou o costume de confessar-se duas vezes por mês. Além disso, "jamais empreendia feitos sublimes ou conquistas gloriosas, sem que antes, com não menos generoso que humilde coração, tivesse manifestado como réu seus pecados no sagrado Tribunal da Penitência”. E é de notar que, naquela época, não se facilitava como hoje o uso da Comunhão frequente.

VI Congresso São Pio V - Palestra "A Consagração à Santíssima Virgem" - Seminarista Eryc Santos

Prezados Leitores do blog São Pio V, Salve Maria!

Estamos disponibilizando a sexta palestra do VI Congresso São Pio V, "A Consagração à Santíssima Virgem", a qual foi proferida pelo Seminarista Eryc Santos. Salientamos que o congresso faz parte do apostolado do IBP no Brasil, o qual tem o apoio da Associação Civil São Pio V e da Associação da Vila Militar. Assistam e divulguem a publicação!

Um grande abraço em Cristo Nosso Senhor!

Blog São Pio V
6ª Palestra - "A Consagração à Santíssima Virgem" - Seminarista Eryc Santos

5ª Palestra - "A Imaculada contra os inimigos da Igreja" - Padre Marcos Mattke

4ª Palestra - "A importância de Nossa Senhora no Apostolado" - Padre Ivan Chudzik


3ª Palestra - "Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil" - Padre José Zucchi

2ª Palestra - "Nossa Senhora de Fátima e sua mensagem" - Padre Thiago Bonifácio

1ª Palestra - "A Esperança em Nossa Senhora de Fátima" - Padre Renato A. Coelho