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12 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mártir


Parte 3/9

O seu filho estava na plenitude da vida, o mais formoso dos filhos dos homens, e de repente levam-lho os seus inimigos aos tribunais e lho condenam à morte.
O apóstolo São João traz-lhe a notícia.
- "Senhora, vosso filho e meu Mestre foi condenado à morte e vai a caminho do suplício".
A mãe não espera um instante. Aquelas palavras do apóstolo são um chamamento que lhe faz Jesus. Atravessa as ruas de Jerusalém em companhia de João e espera numa encruzilhada que passe a comitiva.
Essa rua do encontro de Maria com seu Filho chamar-se-á a Rua da Amargura, porque não haverá no mundo rua que tenha sido teatro de amargura tão funda como a de Maria.
Ouve primeiro longínquas e confusas as vozes da plebe. Entre elas os assobios insultuosos que vêm cravar-se como flechas no seu coração. O rumor confuso aproxima-se. Não são as aclamações que naquelas mesmas ruas dias antes faziam a Jesus. São insultos, ameaças, blasfêmias.
Começa o desfile da comitiva.
Primeiro, o centurião romano a cavalo, em traje de campanha. O capacete, as couraças, e a lança brilham batidos pelo sol oriental do meio dia.
Depois, um pelotão de soldados romanos a pé, em traje de campanha também. No meio deles três réus com as suas respectivas cruzes. Um deles, é seu filho. Custa-lhe a reconhecê-lo. Vai esmagado com o peso da cruz, dessangrado pelo suor do horto, pelos açoites e pelos espinhos; o seu andar é lento e vacilante, as pernas vergam-se-lhe, o chão esta coberto de pedras, o sangue que lhe corre pelo rosto cega-o e não permite ver onde põe os pés. O seu aspecto é tão lastimoso que umas mulheres naturalmente compassivas ao vê-lo, começam a chorar. Tão esgotado esta, que os verdugos temem que morra no caminho. Assim o encontrou sua Mãe. Ao passar diante dela, Jesus detém-se um instante; levanta a cabeça e contempla-a através de um véu de sangue. A Mãe dirige o olhar para o seu Filho e olha-o através de um véu de lágrimas. Não podem falar-se com a língua. Nem lho permitem os soldados, nem podem pela emoção. Falam com o olhar. Também as almas assomam aos olhos e falam pelo olhar. Que olhar o de Jesus e de Maria na rua da Amargura, a caminho do Calvário! Que dizem? O Filho diz à Mãe:
- "Minha Mãe, já sabes para onde vou. Disse-to muitas vezes nas horas felizes da casinha de Nazaré. Acabei de dizer-to ao despedir-me de ti no cenáculo. Vim ao mundo para remir os homens com os meus sofrimentos e com a minha morte. Chegou a hora do sacrifício. Quero que me acompanhes nele. Quero que unas os teus sofrimentos aos meus. Eu vou para o Calvário com esta cruz pesada sobre os ombros. Segue-me com a cruz da tua amargura sobre o coração. Tens de estar comigo no altar da expiação: eu, oferecendo o sacrifício da minha vida, tu, oferecendo o sacrifício do teu coração".
Maria entende claramente o que seu filho lhe diz com o olhar; e com o seu repete o "Fiat" que pronunciou ao aceitar a maternidade, e que renovou toda a vida: "que se cumpra em mim a vontade de Deus".
Jesus começa a caminhar de novo. Maria vai atrás dele, silenciosa, com a alma desfeita, porém com a força de rainha dos mártires. Que mãe se atreveu a presenciar a execução do seu próprio filho!

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