Leia: Parte 0/4
Advento, que significa vinda, é uma preparação para a vinda do Salvador, e, como tal, é um período de purificação e penitência.
1581. A Igreja nos convida a meditar sobre a tripla vinda de Cristo: o Seu advento sobre a terra pela Encarnação, a Sua entrada nas almas dos homens pela graça, e o Seu aparecimento no fim dos tempos para julgar toda a humanidade. É predominantemente sobre a primeira vinda que a Igreja concentra a nossa atenção: ela nos lembra os anseios dos Patriarcas e Profetas, para fazer-nos ansiar com eles pela vinda do prometido Redentor e o estabelecimento ou fortalecimento do Seu Reino nas nossas almas. Esse é, pois, um tempo de santos desejos e ardentes súplicas, um tempo em que pedimos que Deus derrame sobre nós o orvalho da graça, e, sobre tudo, o próprio Redentor: "Orvalhai, ó céus, de cima, e que as nuvens chovam o justo!". Essa oração toma o caráter de anseio ainda mais profundo nas grandes antífonas, O Emmanuel, Rei da Glória, etc... que, lembrando os gloriosos títulos dados pelos Profetas ao Pessoas e às características principais da Sua missão, fazem-nos suspirar pela vinda do único que pode aliviar nossa miséria.
1582. Mas o Advento também é um período de penitência. É então que a Igreja nos lembra do Último Juízo para o qual devemos preparar-nos pela expiação dos nossos pecados; a oração de São João Batista nos convida a fazer penitência e, assim, preparar o caminho para o Salvador: "Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas" (Lc III 4). Antigamente, os cristãos jejuavam três dias por semana, uma prática ainda mantida por algumas Ordens Religiosas, e, se a Igreja não mais obriga os seus filhos a esse jejum, ela os estimula a conformar-se a ele por outras práticas de mortificação. Para lembrar-nos do nosso dever de penitência, ela faz os seus sacerdotes celebrarem as Missas do Advento em vestes roxas, a cor do luto.
Esses santos desejos e práticas penitenciais evidentemente tendem a purificar a alma e, assim, prepará-la para o reino de Cristo.
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8 de julho de 2010
5 de julho de 2010
As três vias e o ciclo litúrgico [0/4]
1579. Após ter um panorama das Três Vias, ou três estágios, que conduzem à perfeição, não será sem proveito ver como, a cada ano, a Santa Madre Igreja nos convida, através da sua liturgia, a começar de novo e aperfeiçoar o trabalho da nossa santificação, com os seus três degraus de purificação, iluminação e união com Deus. A vida espiritual é, na verdade, uma série contínua de novos começos, e o ciclo litúrgico vem a cada ano inspirar-nos novos esforços.
Tudo na liturgia gira em torno do Verbo Encarnado, nosso Mediador e Redentor, apresentado a nós não apenas como modelo para imitação, mas também como a Cabeça de um corpo místico, Que vem viver em Seus membros de modo a capacitá-los a praticar as virtudes de que Ele lhes deu o exemplo. Cada festa, cada período litúrgico nos lembra uma ou outra das virtudes de Jesus, e traz-nos as graças que Ele mereceu e que nos capacitam, com a Sua cooperação, a reproduzir essas virtudes em nós mesmos.
1580. O ano litúrgico, que corresponde às quatro estações do ano, também simboliza as quatro principais fases da vida espiritual¹. O Advento corresponde à via purgativa; o Tempo do Natal e a Epifania, à via iluminativa, na qual seguimos Jesus pela imitação das Suas virtudes; o período da Septuagésima e a estação da Quarsema trazem uma segunda purificação da alma, mais profunda que a primeira; o Tempo da Páscoa tipifica a via unitiva, a união com o Cristo Ressuscitado, uma união aperfeiçoada pela Ascensão e a Descida do Espírito Santo. Ajuntamos uma breve explicação desse ano litúrgico.
* Dom Guéranger, The Liturgical Year; Pio XII, ecicl. "Mediator Dei", 20/11/1947; Bouyer, The Pascal Mystery; Marmion, Christ in his mysteries. Puis Pansch, The Church's year of grace; Sermons on the liturgy.
¹: Embora apenas três vias são distinguíveis na vida espiritual, há uma diferença tão grande entre a purificação passiva e a doce contemplação, que uma divisão da via unitiva em dois estágios é bem justificada.
TANQUEREY, Compêndio de Teologia Ascética e Mística.
Tudo na liturgia gira em torno do Verbo Encarnado, nosso Mediador e Redentor, apresentado a nós não apenas como modelo para imitação, mas também como a Cabeça de um corpo místico, Que vem viver em Seus membros de modo a capacitá-los a praticar as virtudes de que Ele lhes deu o exemplo. Cada festa, cada período litúrgico nos lembra uma ou outra das virtudes de Jesus, e traz-nos as graças que Ele mereceu e que nos capacitam, com a Sua cooperação, a reproduzir essas virtudes em nós mesmos.
1580. O ano litúrgico, que corresponde às quatro estações do ano, também simboliza as quatro principais fases da vida espiritual¹. O Advento corresponde à via purgativa; o Tempo do Natal e a Epifania, à via iluminativa, na qual seguimos Jesus pela imitação das Suas virtudes; o período da Septuagésima e a estação da Quarsema trazem uma segunda purificação da alma, mais profunda que a primeira; o Tempo da Páscoa tipifica a via unitiva, a união com o Cristo Ressuscitado, uma união aperfeiçoada pela Ascensão e a Descida do Espírito Santo. Ajuntamos uma breve explicação desse ano litúrgico.
* Dom Guéranger, The Liturgical Year; Pio XII, ecicl. "Mediator Dei", 20/11/1947; Bouyer, The Pascal Mystery; Marmion, Christ in his mysteries. Puis Pansch, The Church's year of grace; Sermons on the liturgy.
¹: Embora apenas três vias são distinguíveis na vida espiritual, há uma diferença tão grande entre a purificação passiva e a doce contemplação, que uma divisão da via unitiva em dois estágios é bem justificada.
TANQUEREY, Compêndio de Teologia Ascética e Mística.
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