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19 de janeiro de 2010

O Céu da Eucaristia - São Pedro Julião Eymard

Subindo ao Céu no dia da Ascensão, Jesus Crito vai tomar posse de Sua glória e perparar-nos um lugar. Com Jesus Cristo, a humanidade remida entra no céu: sabemos que este não mais nos está fechado, e vivemos na expectativa do dia em que as suas portas se abrirão diante de nós. Essa esperança nos ampara e nos dá coragem. A rigor, poderia bastar para levarmos uma vida cristã e, para não perder tal esperança, sofreríamos todas as tristezas da vida. Entretanto, Nosso Senhor, para cnoservar em nós e tornar mais eficaz a esperança do Céu, para fazer com que esperemos pacientemente o céu da glória e conduzir-nos a ele, criou o belo céu da Eucaristia. Pois a Eucaristia é um belo céu, o céu antecipado. Não é Jesus glorioso, vindo do Céu à terra, e trazendo o Céu consigo? O Céu não está em toda parte onde se encontra Nosso Senhor? Seu estado, embora velado a nossos sentidos, ali está glorioso, triunfante, bem-aventurado: nada mais tem das misérias da vida e, quando comungamos, recebemos o Céu, pois recebemos Jesus, Que constitui toda a felicidade e toda a glória do paraíso. Que glória para um súdito receber o seu rei! Nós também, glorifiquemo-nos: recebemos o Rei do Céu! Jesus vem a nós para que não esqueçamos a nossa verdadeira pátria, ou então para que, nela pensando, não morramos de desejo e tédio. Ele vem e permanece corporalmente em nossos corações enquanto dura o Sacramento; depois, destruídas as espécies, sobe de novo ao Céu, mas permanece em nós por Sua graça e por Sua presença de amor. Por que não permanece muito tempo? Porque a condição de Sua presença corporal é a integridade das santas espécies.
Jesus, vindo a nós, traz os frutos e as flores do paraíso. Quais são? Não sei; não se os vê, mas sente-se-lhes o perfume. Ele nos traz os méritos glorificados, Sua espada vitoriosa de Satanás; traz-nos as Suas armas para que as utilizemos; Seus méritos, para que lhes acrescentemos os nossos, fazendo com que frutifiquem. A Eucaristia é a escada, não de Jacó, mas de Jesus, Que por nós sobe ao Céu e dele desce continuamente. Ele Se acha num movimento incessante para nós.
Mas vejamos quais são os bens celestes que Jesus especialmente nos traz, quando O recebemos.
Primeiro, a glória. É verdade que a glória dos santos e bem-aventurados é uma flor que só desabrocha ao sol do paraíso e sob o olhar de Deus; essa glória refulgente, não a podemos ter sobre a terra; adorar-nos-iam! Mas recebemos o seu germe oculto, que a contém interia, como a semente encerra a espiga. A Eucaristia deposita em nós o fermento da ressurreição, em consideração a uma glória especial e mais brilhante, e, semeada na carne corruptível, refulgirá em nosso corpo ressuscitado e imortal.
Em seguida, a felicidade. Nossa alma, entrando no Céu, vê-se na posse da felicidade de Deus, sem receio de perdê-la ou de vê-la diminuída. Mas, na Comunhão, não recebeis algumas parcelas dessa verdadeira felicidade? Não nos é dada inteira, para que não deixemos de pensar no Céu; mas de que paz, de que suave alegria não sois inundados após a Comunhão! Quanto mais desapegada a alma das afeições terrestres, mais goza dessa felicidade, e há almas tão felizes após a Comunhão que os seus próprios corpos se ressentem.
Enfim, os bem-aventurados participam do poder de Deus. Ora, aquele que comunga com um grande desejo de unir-se a Jesus, não experimenta mais que um soberano desprezo por tudo quanto não é digno de suas afeições. Domina tudo quanto é terrestre: é o verdadeiro poder. É então que a Comunhão faz subir a alma para Deus. Define-se a oração: uma ascensão de nossa alma para Deus. Mas que é a prece comparada à Comunhão? Como essa ascensão de pensamentos, de desejos, acha-se distante da ascensão sacramental em que Jesus nos eleva com Ele até o seio de Deus!
A águia, para habituar seus filhotes a voar nas mais altas regiões, apresenta-lhes o alimento, mantendo-se muito acima deles e, subindo cada vez mais à medida que se aproximam, faz com que subam insensivelmente até os astros.
Assim Jesus, Águia divina, vem a nós, traz-nos o alimento de que necessitamos, depois sobe e convida-nos a segui-lo. Cumula-nos de doçuras, para nos fazer desejar a felicidade do Céu; familiariza-nos com o pensamento do Céu.
Não reparais que, ao possuir Jesus no coração, desejais o paraíso e desprezais todo o resto? Desejaríeis morrer imediatamente a fim de estar mais depressa unido a Deus para sempre. Quem comunga raras vezes, não pode desejar ardentemente a Deus, e tem medo da morte. No fundo, este pensamento não é mau; mas se pudéssemos ter a certeza de ir imediatamente ao Céu, ah! não quereríeis permanecer um quarto de hora mais sobre a terra! Em um quarto de hora no Céu, testemunhareis a Deus mais amor e mais o glorificareis que durante a mais longa vida.
Assim, pois, a Comunhão nos prepara para o Céu. Que graça morrer após ter recebido o santo Viático! Sei que a contrição perfeita nos justifica e nos dá direito ao Céu; mas como deve ser bem melhor ir em companhia de Jesus, e ser julgado por Seu amor, unido ainda, por assim dizer, a Seu Sacramento de amor! Assim, a Igreja quer que seus sacerdotes administrem o santo Viático, até no último momento, ao penitente disposto, ainda que já houvesse perdido o uso dos sentidos; tanta questão faz essa boa Mãe de que os seus filhos partam bem providos para essa terrível viagem!
Peçamos muitas vezes a graça de receber o santo Viático antes de morrer: será o penhor de nossa eterna felicidade; e assegura São Crisóstomo, no livro do Sacerdócio, que os anjos esperam, à saída do corpo, as almas dos que acabam de comungar, em atenção ao divino Sacramento, eles as rodeiam e acompanham como satélites até o trono de Deus.

18 de janeiro de 2010

A Eucaristia, nosso caminho - São Pedro Julião Eymard

Eu sou o caminho, a verdade e a vida. (Jo 14, 6)

Nosso Senhor disse essas palavras quando Se achava entre os homens. Mas elas se estendem além da vida humana do Salvador. São ternas e podem ser repetidas, com a mesma verdade, em relação ao Santíssimo Sacramento. Há caminhos fictícios, atalhos na vida espiritual, e caminhos que se podem seguir por algum tempo, deixando-os depois. Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento é o caminho estável. É o meio, é o modelo; pois de pouco serviria conhecer o caminho, se Ele não nos ensinasse, com o Seu exemplo, a segui-lo. (Continua)

Não se vai ao Céu senão pela participação na vida de Nosso Senhor. Esta vida nos é dada em germe pelo batismo; os Sacramentos a fortalecem; mas consiste principalmente na prática e imitação das virtudes do Salvador. Temos necessidade de ver Nosso Senhor em ação para imitar as suas virtudes; de segui-l'O em todos os detalhes dos sacrifícios, dos trabalhos que elas exigem para reinar em nós.
Suas virtudes são a aplicação de Suas palavras, são os Seus preceitos em ação. Para chegar à perfeição, é preciso detalhar, pois só é perfeito o que é particular - Non est perfectum nisi particulare. O Verbo Eterno, Que queria reconduzir-nos ao Pai e não podia praticar no Céu as virtudes humanas, que implicam, todas, uma ideia de combate e sacrifício, fez-Se homem; tomou os instrumentos do homem e trabalhou sob os seus olhos.
E como no Céu, aonde subiu glorioso, não pode mais praticar as nossas virtudes de paciência, de pobreza, de humildade, fez-Se Sacramento para continuar a ser nosso modelo. Essas virtudes não procedem mais da liberdade, Ele não faz mais os atos meritórios: delas faz o Seu estado, delas Se revestiu. Outrora, Ele praticava os atos; hoje, revestiu exteriormente o estado. Na terra, ele foi humilde e humilhado; hoje, reina glorioso, mas sob um estado, uma aparência de humildade no Santíssimo Sacramento. Uniu a Si o estado das virtudes, de uma amneira inseparável: contemplando-O, vemos as Suas virtudes e sabemos como devemos praticar os Seus atos. Suprimi-Lhe a pobreza; seguido de um cortejo magnífico, seremos aniquilados diante de Sua majestade, não haverá mais amor; o amor só se testemunha descendo.
A paciência, o perdão das injúrias, Ele os pratica mais ainda que no Calvário. Lá, os Seus carrascos não O conheciam; aqui, conhecem-n'O e insultam-n'O. Ele ora por tantas cidades deicidas, donde é proscrito. Sem esse grito de perdão, não haveria mais Sacramento de amor, mas a justiça cercaria e protegeria o Seu trono insultado. O ato da virtude, Ele não o pratica mais, tem o seu estado: somos nós que devemos fazer os atos e assim completá-lo. Desta forma, constitui uma só pessoa moral conosco. Somos os Seus membros operantes, o Seu corpo, cuja cabeça e coração Ele é; de modo que Ele pode dizer: Vivo ainda. Nós O completamos, perpetuamo-l'O.
Portanto, no Santíssimo Sacramento, Jesus nos oferece o modelo de todas as virtudes; estudaremos detalhadamente algumas. Nada tão belo quanto a Eucaristia!
Mas só as almas piedosas que comungam, que refletem, podem compreendê-lo. As outras nada compreendem. Há poucas pessoas que pensam nas virtudes, na vida, no estado de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Tratam-n'O como uma estátua; julgam que está ali apenas para nos perduar e receber as nossas orações. É falso. Nosso Senhor vive e age: contemplai-O, estudai-O, imitai-O. Os que não o fazem, são obrigados a remontar a dezoito séculos atrás, a ler o Evangelho, a completá-lo quanto aos detalhes íntimos; privam-se da doçura desta palavra atual e presente: Eu sou o vosso caminho, hoje; Eu sou o vosso caminho!
Sem dúvida, a verdade não declina e o Evangelho é um livro sempre vivo. Mas enfim, que labor voltar sempre para trás! E não é mais que uma representação que exige trabalho e causa fadiga. É mais especulativa e dá imenso amparo à virtude. As virtudes só se adquirem e conservam facilmente na Eucaristia.
Lembremo-nos, pois, que Nosso Senhor não está no Sacramento só como dispensador de Suas graças; mas também, e sobretudo, como nosso caminho e nosso modelo.
A educação se faz pela presença, por uma correspondência secreta que existe entre o coração da mãe e o do filho. Os estranhos nada conseguem, enquanto a voz da mãe faz vibrar o coração de seu filho. Só teremos em nós a vida de Nosso Senhor se vivermos sob a Sua inspiração, se Ele mesmo nos educar. Podem indicar-vos o caminho das virtudes, mas dar-vos as virtudes, fazer a vossa educação íntima, ninguém o pode senão Nosso Senhor.
Moisés e Josué conduziam o povo, mas eles próprios eram conduzidos pela coluna de fogo. Da mesma forma, um diretor apenas vos repete as ordens de Nosso Senhor; ele O consulta, procuar Nosso Senhor em vós, a graça e o atrativo particular que depositou em vossa alma. Para conhecer-vos, procuar conhecer Nosso Senhor em vós, e vos conduz segundo a vossa graça dominante que desenvolveu e aplica em vossa vida, sob a direção do soberano Diretor das almas. Não tem mais que repetir-vos as Suas ordens.
Pois bem, Nosso Senhor está no Santíssimo Sacramento para todos e não somente para os diretores de almas: ali, todos podem vê-l'O e consultá-l'O. Considerai-O praticando as virtudes, e sabereis o que tendes a fazer. Se ledes o Evangelho, transportai-o à Eucaristia, e da Eucaristia para vós. Tendes então um poder bem maior. O Evangelho se ilumina, e tendes diante dos olhos, e na realidade, a continuação do que ledes. Pois Nosso Senhor, Que é modelo, é também a luz que nos manifesta o modelo, que nos descobre as Suas belezas.
Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento é a Sua própria luz, o Seu próprio conhecimento, como o sol é a prova de si mesmo; Ele Se mostra e Se dá a conhecer. Não há necessidade de raciocínios para isso. Uma criança não raciocina para reconhecer os seus pais. Assim Se manifesta Nosso Senhor, por Sua presença, por Sua realidade. Mas, à medida que conehcemos melhor a Sua voz, que nosso coração se torna mais vazio e mais acessível, Nosso Senhor Se manifesta sob um aspecto mais luminoso e de uma maneira íntima que só conhecem aqueles que amam. Ele dá então à alma uma convicção divina que eclipsa toda luz da razão natural.
Considerai Madalena: uma só palavra de Jesus, e ela O reconheceu! Assim, no Santíssimo Sacramento, Ele diz uam só palavra, mas que repercute em nosso coração: Sou Eu!... E sente-se a Sua Pessoa, e acredita-se com mais vigor do que vendo-O com os próprios olhos.
Essa manifestação Eucarística deve ser o ponto de partida para todos os atos da vida. É preciso que todas as virtudes partam da Eucaristia. Quereis praticar a humildade: vede como Jesus a pratica no Sacramento. Parti desse conhecimento, dessa luz, e ide ao Presépio, se quiserdes, ou ao Calvário. E ireis mais facilmente, porque é da natureza de nossa inteligência proceder do conhecido para o desconhecido. Tendes no Sacramento a humildade de Nosso Senhor diante dos olhos.
Desta forma, ser-vos-á bem mais fácil supor qual terá sido a circunstância. Fazei assim para com todas as virtudes. Então se compreende melhor o Evangelho. Nosso Senhor fala por Seu estado: Ele pode, melhor que ninguém, explicar e dar a compreensão de Suas palavras e de Seus mistérios. Ademais, Ele nos dá a unção para saboreá-los ao mesmo tempo que os compreendemos. Não se procura mais a mina: nela se está, explorando-a.
Portanto, só pela Eucaristia é possível sentir toda a força atual das palavars do Salvador: Eu sou o caminho - Ego sum via.

17 de janeiro de 2010

Amemos o Santíssimo Sacramento - São Pedro Julião Eymard

Quando for elevado da terra, atrairei tudo a mim. Primeiro, foi do alto da Cruz que Nosso Senhor atraiu a Si todas as almas, resgatando-as. Mas decerto, ao pronunciar essas palavras, Nosso Senhor tinha também em vista o Seu trono Eucarístico, ao pé do qual quer atrair todas as almas para ligá-las pelas cadeias de Seu amor.
Nosso Senhor quer estabelecer em nós um amor apaixonado por Ele.
Toda virtude, todo pensamento que não se termina em uma paixão, que não acaba por tornar-se uma paixão, nada de grande produzirá jamais. (Continua)

Não é amor a afeição de uma criança: ela ama por instinto e porque se sente amada; ela se ama naqueles que lhes fazem bem.
O amor só triunfa quando é em nós uma paixão vital. Sem isso, podem produzir-se atos isolados de amor, mais ou menos frequentes; a vida não é tomada, não é dada.
Ora, enquanto não tivermos por Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento um amor apaixonado, nada teremos feito.
Nosso Senhor, decerto, n'Esse santo Sacramento, ama-nos com paixão, ama-nos cegamente, sem pensar em Si, devotando-Se inteiramente por nós: é preciso corresponder-Lhe.
Nosso amor, para ser uma paixão, deve sofrer as leis das paixões humanas. Falo das paixões honestas, naturalmente boas; pois as paixões são indiferentes em si mesmas; nós as tornamos más quando as dirigimos para o al, mas só de nós depende utilizá-las para o bem.
Ora, a paixão que domina um indivíduo, concentra-o.
Tal homem quer chegar a uma determinada posição honrosa e elevada. Só para isso trabalhará: dez, vinte anos, não importa. Chegarei, diz ele; faz unidade: tudo se acha reduzido a servir esse pensamento, esse desejo, deixa de lado tudo quanto não o conduzisse a seu objetivo.
Eis como se chega no mundo ao que se deseja; essas paixões podem tornar-se más, e ai! muitas vezes não são mais que um crime contínuo; mas enfim podem ser e são ainda honoríficas.
Sem uma paixão, nada se alcança: a vida carece de objetivo; arrasta-se uma vida inútil.
Pois bem, na ordem da salvação, é preciso ter também uma paixão que nos domine a vida e a faça produzir, para a glória de Deus, todos os frutos que o Senhor espera.
Amai tal virtude, tal verdade, tal mistério apaixonadamente. Devota-lhe a vossa vida, consagrai-lhe os vossos pensamentos e trabalhos; sem isso, nada alcançareis jamais, sereis apenas um assalariado, jamais um herói!
Tende um amor apaixonado pela Eucaristia. Amai Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento com todo o ardor com que se ama no mundo, mas por motivos sobrenaturais.
Para consegui-lo, começareis por colocar o vosso espírito sob a influência dessa paixão. Alimentai em vós o espírito de fé; persuadi-vos invencivelmente da verdade da Eucaristia, da verdade do amor que Nosso Senhor nela vos testemunha.
Tende uma grande ideia, uma contemplação arrebatada do amor e da presença de Nosso Senhor; assim dareis a vosso amor um foco que lhe alimentará a chama; o vosso amor será então constante.
Um homem de gênio concebe uma obra-prima; abrange-a com o olhar da alma, acha-se arrebatado; há de realizá-la por todos os meios possíveis, à custa de todos os sacrifícios; não se fatigará, não se desgostará; sua obra-prima o domina; ele a vê e dela não pode desviar o pensamento.
Pois bem, vede Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, vede o Seu amor; que esse pensamento vos domine, vos arrebate. O quê! é possível que Nosso Senhor ame ao ponto de sempre Se dar, sem jamais Se fatigar?
Então, vosso espírito se fixa em Nosso Senhor, todos os vossos pensamentos vão procurá-l'O, estudá-l'O; quereis aprofundar as razões de seu amor; caíos na admiração, no arrebatamento, e vosso coração deixa fugir este grito: Como corresponder a tanto amor?
E eis a formar-se o amor do coração. Só se ama verdadeiramente o que verdadeiramente se conhece.
E o coração se precipita para o Santíssimo Sacramento!
Jesus Cristo me ama! Ele me ama em Seu Sacramento!
O coração despedaçaria se pudesse o seu invólucro de carne, para unir-se mais estreitamente a Nosso Senhor.
Considerai os santos; seu amor os transporta, abrasa, faz sofrer; é um fogo que os consome, gasta as suas forças e acaba por lhes causar a morte.
Morte feliz!
Mas, se não chegamos todos a esse ponto, ao menos podemos amar apaixonadamente a Nosso Senhor, deixar que nos domine o Seu amor.
Há pessoas que amam até a loucura os pais, os amigos, e não sabem amar o bom Deus! Mas o que se faz com a criatura, é o que se deve fazer com Deus: somente ao bom Deus é preciso amá-l'O sem medida, e cada vez mais.
Uma alma que ama assim, só tem uma força, uma vida: Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento! Ele está ali!... Ela vive sob o impulso desse pensamento. Ele está ali!... Há, então, correspondência, há sociedade de vida.
Ah! por que não chegar a esse ponto? Volta-se mais de dezoito séculos atrás para procurar exemplos de virtude na vida mortal de Nosso Senhor!
Mas Nosso Senhor poderia dizer-nos: Vós me amastes no Calvário, porque ali apago os vossos pecados; vós me amastes na Manjedoura, porque ali sou doce e amável; por que não me amastes no Santíssimo Sacramento, onde estou sempre convosco? Bastava que viésseis. Eu ali estava, a vosso lado!
Ah! no juízo, não serão tanto os nossos pecados que nos aterrorizarão e nos serão censurados; estão irrevogavelmente perdoados. Mas Nosso Senhor nos censurará por Seu amor!
Vos Me amastes menos que às criaturas! Vós não fizestes de Mim a felicidade de vossa vida! Vós Me amastes bastante para não Me ofender mortalmente; mas não para viver de Mim!
Mas poderíamos dizer: Somos então obrigados a amar assim?
Bem sei que o preceito de amar assim não se acha escrito; não há necessidade! Nada o diz, tudo o clama: a lei está em nosso coração.
Sim, o que me aterroriza é que os cristãos pensarão de boa vontade e seriamente em todos os mistérios, devotar-se-ão ao culto de algum santo; e a Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, não!
Mas por quê, por quê? Ah! é porque não se pode considerar atentamente o Santíssimo Sacramento sem dizer: É preciso que eu O ame, que vá visitá-l'O, não posso deixá-l'O sozinho; Ele me ama demais!
...
Quanto ao mais, é longínquo, é história: não conquista assim o coração; admira-se principalmente; mas aqui, é preciso dar-se, é preciso permanecer, é preciso viver em Nosso Senhor!
A Eucaristia é a mais nobre aspiração de nosso coração: amemo-l'A, pois, apaixonadamente.
Dizem: Mas é exagero tudo isso.
Mas que é o amor, senão exagero? Exagerar é ultrapassar a lei; pois bem, o amor deve exagerar!
O amor que nos testemunha Nosso Senhor permanecendo conosco sem honras, sem servidores, não é também exagerado?
Quem se limita ao que é absolutamente do seu dever, não ama. Só se ama quando se sente interiormente a paixão do amor.
E tereis a paixão da Eucaristia quando Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento for o vosso pensamento habitual; a vossa felicidade, a de achar-se a Seus pés; e vosso constante desejo, o de Lhe causar prazer.
Vamos! entremos em Nosso Senhor! Amemo-l'O um pouco por Ele; saibamos esquecer-nos e dar-nos a Esse bom Salvador! Imolemo-nos um puoco! Considerai estes círios, esta lâmpada, que se consomem sem deixar vestígios, sem nada reservar.
Por que não seríamos, para Nosso Senhor, um holocausto de que nada restasse?
Não, não vivamos mais; que só Jesus-Hóstia viva em nós! Ele nos ama tanto!

16 de janeiro de 2010

O Santíssimo Sacramento não é amado - São Pedro Julião Eymard

Ai de nós! É uma grande verdade, Nosso Senhor no Santísismo Sacramento não é amado!
Priemiro, por esses milhões de pagãos, por esses milhões de infiéis, por esses milhões de cismáticos e de heréticos que não conhecem ou conhecem mal a Eucaristia.
Oh! entre tantos milhares de criaturas em quem Deus colocou um coração capaz de amar, quantas amariam o Santíssimo Sacramento se O conhecessem como eu!
Não devo, ao menos, esforçar-me em amá-l'O por elas em seu lugar?
Entre os católicos, são puocos, muito poucos os que amam a Jesus no Santíssimo Sacramento: quantos pensam n'Ele frequentemente? n'Ele falam? vão adorá-l'O, recebê-l'O? (Continua)

Por que esse esquecimento, essa frieza? Oh! é que jamais provaram a Eucaristia, a Sua suavidade, as delícias do Seu amor!
É que jamais conheceram Jesus em Sua bondade. É que não suspeitam a extensão de Seu amor no Santíssimo Sacramento.
Alguns têm a fé em Jesus Cristo, mas uma fé inativa, uma fé tão superficial que não chega ao coração, limitando-se ao que exigem rigorosamente a consciência, a salvação. E mesmo esses últimos são relativamente puoco numerosos entre tantos outros católicos que vivem como verdadeiros pagãos, como se jamais houvessem ouvido falar da Eucaristia.
Por que é Nosso Senhor tão pouco amado na Eucaristia?
Porque não se fala bastante, porque se recomenda apenas a fé na presença de Jesus Cristo, em vez de falar em Sua vida, em Seu amor no Santíssimo Sacramento, em vez de ressaltar os sacrifícios que Lhe impõe o seu amor, em uma palavra, em vez de mostrar Jesus-Eucaristia amando a cada um de nós pessoalmente, particularmente.
Outra causa é o nosso proceder que em nós denota pouco amor: quando se nos vê orar, adorar, frequentar a igreja, não se compreende a presença de Jesus Cristo.
Quantos entre os melhores, não fazem jamais uma visita de devoção ao Santíssimo Sacramento, para falar-Lhe de coração, para dizer-Lhe de seu amor! Não amam, pois, a Nosso Senhor na Eucaristia, porque não O conhecem bastante.
Mas se O conhecem no Seu amor, nos sacrifícios, nos desejos de Seu Coração, e, apesar disso, não O amam, que injúria!
Sim, uma injúria!
Pois é dizer a Jesus Cristo que Ele não é bastante belo, bastante bom, bastante amável para ser preferido ao que lhes agrada.
Que ingratidão!
Após tantas graças recebidas desse bom Salvador, após tantas promessas de amá-l'O, tantas ofertas de si mesmo ao Seu serviço, é zombar de Seu amor tratá-l'O assim.
Que covardia!
Pois se não se quer conhecê-l'O demais, vê-l'O de perto, recebê-l'O, falar-Lhe intimamente, é por medo de ser conquistado por Seu amor! Tem-se medo de se ver obrigado a render-se e a sacrificar-Lhe sem reserva o coração, sem condição o espírito e a vida!
Tem-se medo do amor de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, e dele se foge!
Sente-se a perturbação diante d'Ele, tem-se o receio de ceder! A exemplo de Pilatos e Herodes, foge-se de Sua presença!
Não se ama Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, porque se ignoram ou não se examinam suficientemente os sacrifícios que Seu amor aí faz por nós. Sacrifícios tão surpreendentes que, só ao pensar neles, sinto o coração opresso e os olhos rasos de lágrimas!
A instituição da Eucaristia custava o preço de toda a Paixão do Salvador. Como assim? Eis a razão: A Eucaristia é o sacrifício da nova Lei; ora, não há sacrifício sem vítima; a imolação exige a morte da vítima e, para participar dos méritos do sacrifício, é preciso participar da vítima pela manducação. Ora, tudo isso se encontra na Eucaristia.
Ela é o sacrifício incruento porque a vítima morreu uma só vez e, por esta única morte, reparou e mereceu toda justificação; mas perpetua-Se em Seu estado de vítima, para aplicar-Se os méritos do sacrifício cruento da Cruz, que deve durar e ser representado a Deus até o fim do mundo. Devemos comer a nossa parte da vítima; mas se ela não possuísse esse estado de morte, teríamos excessiva repugnância em comê-l'A: não se come senão o que está morto para a sua vida própria.
De modo que a Eucaristia custava o preço da agonia no Jardim das Oliveiras, das humilhações sofridas diante dos tribunais de Caifás e de Pilatos, da morte no Calvário! A vítima teria de passar por todas essas imolações para chegar até o estado sacramental e até nós.
Instituindo o Seu Sacramento, Jesus perpetuava os sacrifícios de sua Paixão: condenava-Se a sofrer:
- Um abandono tão doloroso quanto o que padeceu no Jardim das Oliveiras;
- A traição de seus amigos, de seus discípulos, tornando-se cismáticos, heréticos, renegados, que venderiam a santa hóstia aos judeus, aos mágicos;
- Ele perpetuava as engações que O afligiriam em casa de Anás;
- Os furores sacrílegos de Caifás;
- Os desprezos de Herodes;
- A covardia de Pilatos;
- A vergonha de Se ver preterido por uma paixão, um ídolo de carne, como se vira preterido por Barrabás;
- A crucificação sacramental no corpo e na alma do comungante sacrílego.
Pois bem, Nosso Senhor sabia tudo isso antecipadamente, conhecia todos os novos Judas, contava-os entre os Seus, entre os Seus filhos bem-amados; tudo isso não O deteve, Ele quis que Seu amor ultrapassasse a ingratidão e a malícia do homem; quis sobreviver à sua malícia sacrílega.
Conhecia antecipadamente a tibieza dos Seus, a minha; o pouco fruto que se haveria de tirar da Comunhão. Quis amar assim mesmo, amar mais do que era amado, mais do que o homem poderia reconhecer.
Mais o quê? Esse estado de morte, enquanto ele possui a plenitude da vida e de uma vida sobrenatural e gloriosa; ser tratado como um morto, considerado um morto, não é nada? Esse estado de morte diz que Jesus está sem beleza, sem movimento, sem defesa, envolto nas santas espécies como num sudário, e no Tabernáculo como num túmulo; entretanto Ele ali está, vendo tudo, tudo ouvindo. Tudo sofre como se fora morto. Seu amor Lhe velou o poder, a glória, as mãos, os pés, o belo semblante, a sagrada boca, tudo enfim. Não Lhe deixou senão o coração para amar e o estado de vítima para interceder em nosso favor.
À vista de tanto amor de Jesus Cristo pelo homem, tão pouco reconhecido, parece que o demônio triunfa e insulta a Jesus. Eu, diz ele, não dou ao homem nada de verdadeiro, de belo, de bom; não sofri por ele, e sou mais amado, mais obedecido, mais bem servido que Vós.
Ai de nós! é por demais uma veradde, e a nossa frieza, a nossa ingratidão, são o triunfo de Satanás contra Deus.
Oh! como podemos esquecer o amor de Nosso Senhor, um amor que tanto Lhe custou e ao qual Ele nada recusou?
É verdade também que o mundo faz todos os seus esforços para impedir que se ame a Jesus no Santíssimo Sacramento com um amor verdadeiro e prático, para impedir que se O visite, para paralisar os efeitos desse amor.
Absorve, liga, aprisiona as almas nas ocupações, nas boas obras exteriores, para afastá-las de aplicar por muito tempo os pensamentos no amor de Jesus.
Combate até diretamente esse amor prático e o apresenta como não necessário, como possível, quanto muito, em um claustro.
E o demônio trava uma guerra de todos os instantes ao nosso amor para com Jesus no Santíssimo Sacramento.
Sabe que Jesus ali está vivo, substancial, atraindo e possuindo diretamente as almas por Si mesmo: apaga em nós o pensamento, a boa impressão da Eucaristia. Para ele, é decisivo.
E, no entanto, Deus é todo amor.
E Esse doce Salvador nos clama da Sua hóstia:
Amai-Me como Eu vos amei; permanecei no Meu amor! Vim trazer à terra o fogo do amor, e o Meu mais ardente desejo é que abrase os vossos corações.
Oh! na hora da morte, após a morte, que se deverá pensar da Eucaristia, ao vê-l'A, ao conhecer-Lhe toda a bondade, todo o amor, todas as riquezas!

15 de janeiro de 2010

A Maravilha de Deus - São Pedro Julião Eymard

Se a Eucaristia é a obra de um amor imenso, esse amor teve a seu serviço um poder infinito: a onipotência de Deus.
Santo Tomás chama a Eucaristia, a maravilha das maravilhas - maximum miraculorum.
Para convencer-se, basta meditar o que a fé da Igreja nos ensina sobre Este mistério.
A primeira das maravilhas que se operam na Eucaristia, é a transubstanciação: Jesus primeiro, depois os sacerdotes, por sua ordem e instituição, tomam pão e vinho, pronunciam sobre essa matéria as palavras da consagração, e imediatamente desaparece toda a substância do pão, toda a substância do vinho, acha-se mudada no Corpo Sagrado e no Sangue adorável de Jesus Cristo!
Sob a espécie do pão como sob a do vinho, acha-Se verdadeira, real e substancialmente o Corpo glorioso do Salvador.
Do pão, do vinho, restam somente as aparências: cor, sabor, peso; para os sentidos, é pão, é vinho. A fé nos diz que é o Corpo e o Sangue de Jesus velados sob os acidentes que só por um milagre subsistem. Milagre que só o Onipotente pode operar, pois é contra as leis ordinárias existirem as qualidades dos corpos sem os corpos que as sustentam. Eis a obra de Deus; Sua vintade é a razão de ser dessa obra, como a razão de nossa existência. Deus pode tudo quanto quer: isto não Lhe exige mais esforço que aquilo.
Eis a primeira maravilha da Eucaristia.
Outra maravilha, que se contém na primeira, é que esse milagra se renova à simples palavra de um homem, do Sacerdote, e tantas vezes quantas ele o queira. Tal é o poder que Deus lhe comunicou; quer que Deus esteja sobre este altar, e Deus está! O Sacerdote faz absolutamente a mesma maravilha que Jesus Cristo operou na Ceia Eucarística, e é de Jesus Cristo que recebe o poder, e em Seu Nome que age.
Nosso Senhor jamais resistiu à palavra de Seu Sacerdote.
Milagre do poder de Deus: a criatura fraca, mortal, encarna Jesus sacramentado!
Jesus tomou cinco pães no deserto: abençoou-os e os Apóstolos tiveram com que alimentar cinco mil homens: pálida imagem dessa outra maravilha da Eucaristia, o milagre da multiplicação.
Jesus ama todos os homens; quer dar-Se todo inteiro e pessoalmente a cada um; cada um terá a sua parte no maná da vida: é, pois, necessário que Se multiplique tantas vezes quantos são os comungantes que querem recebê-l'O, e cada vez que o quiserem; é necessário, de certo modo, que a Mesa Eucarística recubra o mundo. É o que se realiza por Seu poder: todos O recebem todo inteiro, com tudo o Que Ele é, cada hóstia consagrada O contém. Dividi Essa santa hóstia em tantas partes quanto quiserdes, Jesus acha-se todo inteiro em cada uma das partes; em vez de dividi-l'O, a fração da hóstia O multiplica.
Quem poderá dizer o número de hóstias que Jesus, desde o Cenáculo, colocou à disposição de Seus filhos!
Mas Jesus não somente Se multiplica com as santas parcelas; por uma maravilha conexa, acha-se ao mesmo tempo em um número infinito de lugares.
Nos dias de Sua vida mortal, Jesus estava em um só lugar, havitaav uma só casa: poucos ouvintes privilegiados podiam gozar de Sua presença e de Sua palavra.
Hoje, no Santíssimo Sacramento, acha-Se por toda parte, por assim dizer. Sua humanidade participa, de certo modo, da imensidade divina que tudo enche. Jesus acha-Se todo inteiro em um número infinito de templos e em cada um. É que, sendo todos os cristãos, espalhados pela superfície da terra, os membros do corpo místico de Jesus Cristo, é bem necessário que Ele, Sua alma, esteja por toda parte, espalhado em todo o corpo, dando a vida e conservando-a em cada um de Seus membros.

"Os soberanos desta terra nem sempre, nem com facilidade concedem audiência; mas o Rei do Céu, ao contrário, escondido debaixo dos véus Eucarísticos, está pronto a receber a qualquer um..." (Santo Afonso Maria de Ligório)

14 de janeiro de 2010

A instituição da Eucaristia - São Pedro Julião Eymard

Como é bom o Senhor Jesus! Como é amoroso! Não satisfeito de fazer-se nosso irmão pela Encarnação, nosso Salvador pela Paixão, não contente de entragar-se por nós, quer levar o amor ao ponto de tornar-se nosso Sacramento de vida!
Com que alegria preparou Ele Esse grande e supremo Dom de Sua dileção!
Com que felicidade instituiu a Eucaristia e no-l'A deixou em testamento!
Acompanhemos a divina Sabedoria na preparação da Eucaristia. Adoremos Seu poder, exaurindo-Se Ela própria nesse ato de amor.
Jesus revela a Eucaristia com grande antecedência.
Nasce em Belém, a casa do pão - domus panis. Ali, acha-Se deitado sobre a palha, que parece então suportar a espiga do verdadeiro trigo.
Em Caná e no deserto, ao multiplicar os pães, é a Eucaristia Que Ele revela; ali também, Jesus promete a Eucaristia. É uma promessa pública, formal.
Ele afirma, com juramento, que dará a Sua carne por comida e o Seu sangue por bebida.
É a preparação remota. Chega depois o momento de preparar mais imediatamente a Eucaristia. Neste caso, Jesus mesmo quer preparar tudo. O amor não transfere a ninguém as suas obrigações; tudo faz por si mesmo. É a sua glória.
Ora, Jesus designa a cidade: Jerusalém, a cidade do sacrifício da antiga Lei.
Designa a casa: o Cenáculo.
Escolhe os ministros dessa obra: Pedro e João. Pedro: o discípulo da fé, e João: o discípulo do amor.
Indica a hora: a última de Sua vida, da qual poderá dispor livremente.
Enfim, dirige-Se de Betânia ao Cenáculo: está alegre; ativa o passo; tarda-Lhe chegar. O amor voa ao encontro do sacrifício.
Mas eis a instituição do augusto Sacramento. Que momento! Soou a hora do amor; vai consumar-se a Páscoa mosaica; o Cordeiro verdadeiro vai substituir a figura; o Pão de vida, o Pão vivo, o Pão do Céu, substitui o maná do deserto... Tudo está pronto; os Apóstolos estão puros: Jesus acaba de lavar-lhes os pés. Jesus senta-se modestamente à mesa: é necessário comer a nova Páscoa assentado, no repouso de Deus.
Faz-se grande silêncio: os Apóstolos acham-se atentos e olham.
Jesus recolhe-Se em Si mesmo; toma o pão em Suas santas e veneráveis mãos, ergue os olhos ao Céu, rende graças a Seu Pai por esta hora tão desejada, estende a mão, abençoa o pão...
E enquanto os Apóstolos, penetrados de respeito, não ousam perguntar o significado desses símbolos tão misteriosos, Jesus pronuncia as arrebatadoras palavars, tão poderosas quanto a palavra criadora:
Tomai e comei, Isto é o Meu Corpo. Tomai e bebei, Isto é o Meu Sangue.
Está consumado o mistériodo amor. Jesus cumpriu a Sua promessa. Nada mais tem a dar, senão Sua vida mortal na Cruz; Ele a dará e ressuscitará para tornar-Se nossa Hóstia perpétua de propiciação, Hóstia de comunhão, Hóstia de adoração.
O Céu acha-se arrebatado à vista d'Esse mistério. A Santíssima Trindade O contempla com amor. Os anjos O adoram, tomados de admiração.
E de que estremecimentos de raiva não são tomados os demônios nos infernos!...
Sim, Senhor Jesus, tudo está consumado! Nada mais tendes para dar ao homem, para provar-lhe o Vosso amor. Agora podeis morrer; não nos deixareis, nem pela morte. Vosso amor acha-se eternizado sobre a terra; voltai ao Céu de Vossa glória, a Eucaristia será o Céu de Vosso amor.
Ai de nós! Se o amor de Jesus no Santíssimo Sacramento não nos conquistar o coração, Jesus estará vencido. Nossa ingratidão será maior que Sua bondade; nossa malícia mais poderosa que Sua caridade! Oh! não, meu bom Salvador, Vossa caridade me oprime, me atormenta, me constrange.