29 de maio de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

OS QUATRO GRAUS DO AMOR
D. — Senhor Padre, queira dizer-me mais alguma coisa sobre esse amor que devemos a Jesus Cristo e o modo pelo qual devemos manifestá-lo.
M. — Esse amor, para ser perfeito, precisa manifestar-se de quatro modos:
1º. - Com a presença do Amado:
2º. - Entregando-se ao Amado:
3º. - Unindo-se à pessoa amada:
4º. - Sacrificando-se pela pessoa amada.

Dos lábios de pessoas que se amam intimamente é comum ouvir-se expressões como estas: "Quisera estar sempre em tua companhia", "ser sempre tua", "fazer sempre o que tu queres", "morrer por ti", etc.
Pois bem, o amor de Jesus Cristo não se satisfaz somente com tais expressões; faz mais; realiza-as plenamente na Santíssima Eucaristia.
Vejamos só o que Ele fez e continua, a fazer na Eucaristia:
Primeiro: Permanece conosco noite e dia encerrado nos Sacrários.
Segundo: Entrega-se completamente a nós: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Ele quer ser todo nosso e está sempre à nossa disposição.
Terceiro: Une-se intimamente a nós, e pela Comunhão torna-se uma coisa só conosco.
Por último, renova todos os dias na Santa Missa, o Sacrifício que Ele ofereceu por nós no monte Calvário. Assim é que Jesus completa e aperfeiçoa o seu amor para conosco.
D. — Se Jesus Cristo fez e faz todos os dias isso por nosso amor, nós também devemos fazer outro tanto, por Ele, não é Padre?
M. — Certo que sim: Antes de tudo devemos desejar ardentemente sua companhia e depois tornarmo-nos deveras seus companheiros ficando o maior tempo possível na Igreja, de onde Ele nos chama e onde nos espera com verdadeira ansiedade: "Vinde a mim todos, porque minhas maiores delícias consistem em estar com os filhos dos homens".
São João Batista Vianney, cura de Ars, certo dia notou que um pobre camponês passava longas horas na Igreja com o olhar fixo no Sacrário. Dirigiu-se a ele e perguntou:
— Que fazes aí tanto tempo?
O camponês, com a maior simplicidade respondeu:
— Olho para Jesus e Ele olha para mim, e ficamos ambos satisfeitos.

Ditosos de nós, se chegarmos a satisfazer a Jesus, que exige nossa correspondência ao seu amor infinito. Dar-lhe prazer passando as horas de nossa vida em sua companhia a olhá-Lo somente, sem nenhuma outra preocupação... Oh! Se assim fizermos Ele nos contemplará satisfeito com nosso amor.
D. — Se nossa preparação para a Comunhão e a ação de graças consistissem nisso, não seria bom, Padre?
M. — Certamente. Seria ótimo, pois esse é o melhor meio para nos santificarmos.
O camponês respondeu: Olho para Jesus e Ele olha para mim
* * *
O Venerável servo de Deus André Beltrami, sacerdote salesiano, após uma grave doença que lhe esgotou completamente as forças, foi coagido a um longo repouso, a fim de restabelecer-se. Impetrou, então, dos Superiores, um quarto cuja janela olhasse para a capela e ali passava longas horas, dia e noite, olhando para Jesus, conversando com Ele, fazendo guarda de honra. E Jesus em troca lhe dava as forças necessárias para suportar pacientemente os sofrimentos e dores, sofrer e cantar e até sentir-se feliz com a própria sorte, apesar de sua contínua imolação e incessante martírio.
D. — E santificou-se?
M. — Sim. E talvez daqui há poucos anos será elevado às honras dos altares.
Em segundo lugar devemos corresponder mutuamente ao dom inefável de Si mesmo que Jesus Cristo nos fez e continuamente faz. Portanto, toda vez que o vamos receber na santa Comunhão ofereçamos-lhe nossas mentes, nossos corações, nossas alegrias e tristezas, nossas boas obras e todo o nosso ser, demonstrando isso também com ofertas materiais tais como: flores, velas e esmolas para a manutenção do culto. Assim faziam os primeiros cristãos e fazem-no também agora os verdadeiros amigos de Jesus.
* * *
O S. Evangelho nos fala dos pastores que ofereceram cordeirinhos ao Menino Jesus; dos Reis Magos que lhe ofereceram ouro, incenso, e mirra; de Maria Madalena e das piedosas mulheres que embalsamaram o corpo de Jesus com essências aromáticas, e é de notar principalmente como Jesus agradecia e ficava satisfeito com esses presentes e até um dia repreendeu severamente a Judas porque não via bem tais a tos de gentileza.
D. — Padre, será verdade, que Deus apesar de infinitamente sábio e poderoso não pode e nem pode legar-nos um dom mais precioso do que a SSma. Eucaristia?
M. — É um fato, meu amigo. A Eucaristia é tudo, pois é Deus conosco.
Perguntaram um dia ao Padre Segneri, qual teria o presente mais precioso que Jesus poderia fazer a sua Mãe Santíssima, e ele prontamente respondeu: — Nenhum presente mais formoso e querido Ele poderia dar à sua mãe do que uma pequena hóstia, isto é a Eucaristia, a Comunhão.
Toda vez que vamos comungar, do íntimo de nosso coração digamos a Jesus: — Oh! Jesus em troca de Vosso amor ofereço-Vos minha mente; em troca de Vosso amor ofereço-Vos todas as minhas forças; em troca de Vosso amor aceitai todas as minhas boas obras; em troca de Vosso amor ofereço-Vos tudo o que sou. Oh! Jesus, em troca de Vosso amor ofereço-Vos minha vida.
Em terceiro lugar, Jesus Cristo deseja ardentemente unir-se a nós e realiza esse anelo por meio da Santa Comunhão, que efetivamente é o encontro, a união mútua da alma com Deus. Meu querido discípulo, já pensou algumas vezes no que acontece realmente quando vamos comungar? Pois bem, na Comunhão, o Senhor dos Céus se une intimamente a nós, com uma união, a mais perfeita possível.
E Jesus Cristo, realiza por nós esse ato heroico de amor, à custa de horrendas ofensas e profanações que lhe são inferidas pelos sacrílegos.
D. — Oh! Como Jesus é bom!
M. — Boníssimo! Nós é que somos uns perversos não dando importância à honra que Jesus Cristo nos fez por meio da Eucaristia. Permanecemos, indiferentes, indolentes, diante de tanto amor.
* * *
Na vida do Padre Turneff, fundador da congregação do Sagrado Coração, lê-se que durante sua longa enfermidade, não fazia outra coisa senão suspirar por essa união com Deus. De manhã a primeira coisa que fazia era exclamar: — Dai-me Jesus, dai-me Jesus! Não posso viver sem Ele. — Certa manhã, como não pudesse reter nada no estômago, acharam conveniente não lhe dar a Comunhão. Ao saber disso o enfermo pôs-se a gritar: Por que não me trazeis Jesus? E nesse desejo ardente de unir-se ao Divino Amigo, entregou sua bela alma ao Criador.
D. — Oh! Padre, diante de tanto amor, sinto-me envergonhado por ter deixado tantas comunhões, e isso só por negligência e ignorância.
M. — Ainda há tempo. Supra essas omissões comungando o mais frequentemente possível. E para que sejam mais fervorosas procure repetir em todas elas as seguintes invocações:
Unir-me-ei a Vós, ó Jesus, com uma fé mais viva.

Unir-me-ei a Vós, ó Jesus, com uma esperança mais firme.
Unir-me-ei a Vós, ó Jesus, com maior caridade.
Unir-me-ei a Vós, ó Jesus, o mais frequentemente possível.
Todos os dias ó Jesus hei de unir-me a Vós. Nem que seja a custa de grandes sacrifícios, ó Jesus, hei de unir-me a vós.
Enfim em quarto lugar, por meio da Santa Missa e da Sagrada Comunhão procuremos agradecer a Jesus Cristo pelo sacrifício que Ele todos os dias oferece por nós, na Santa Missa, em reparação dos nossos pecados.
* * *
Lê-se na História Romana que Agripa tendo sido prisioneiro de Tibério durante seis meses, foi posto em liberdade pelo sucessor deste, que ao dar-lhe a liberdade, o presenteou com uma corrente de ouro tão pesada como a corrente de ferro com que havia sido acorrentado na prisão. Com isso demonstrou querer elevá-lo tanto quanto havia sido humilhado por Tibério.
Precisamente, a mesma coisa nos faz Jesus na Santa Comunhão: liberta-nos das correntes de ferro com que o demônio nos aprisionara, e nos ata com as correntes do seu amor.
Agora você bem poderá compreender por que devemos corresponder a tanta generosidade.
D. — Diga-me, Padre, um que assiste a Missa sem comungar, poderá desfrutar também esses privilégios?
M. — Não. Quem assiste à Missa e não comunga, é como aquele que só presencia a Paixão e Morte de Jesus Cristo: recebe somente uma parte dos frutos; em vez quem comunga se une ao mesmo sacrifício de Jesus e, portanto desfruta inteiramente aquele tesouro.
D. — Sendo assim, procurarei com o maior empenho possível assistir todos os dias a Santa Missa e comungar também afim de participar e desfrutar completamente de tão grande tesouro.
M. — Agradeça ao Senhor estes bons propósitos e renove-os com as seguintes jaculatórias.
Por Vós, Jesus, sacrificarei o prazer dos sentidos.
Por Vós, ó Jesus sacrificarei os prazeres do mundo.
Por Vós, ó Jesus, sacrificarei o meu amor próprio.
Por Vós, ó Jesus, sacrificarei as comodidades e o orgulho desta vida.
Por Vós, ó Jesus, sacrificarei tudo quanto seja pecado.
Por Vós, ó Jesus, mortificarei tudo quanto me induza a pecar.

Um comentário:

  1. Salve Maria!
    Essas leituras são riquíssimas. Nossa Senhora lhes recompense!

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