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30 de maio de 2015

Comungai Bem - Padre Luiz Chiavarino.

GENEROSIDADE

M. — Já leu, meu querido Discípulo, o trecho evangélico que nos fala de Zaqueu descendo da árvore em que havia subido, a fim de honrar a Jesus?
D. — Parece-me que sim. Porém queira repetir-mo mais uma vez.
M. — Le-se no Evangelho, que Zaqueu, um usurário, isto é, avarento e ladrão, tendo ouvido dizer que Jesus ia passar perto da sua casa, sentiu grande desejo de O conhecer.
Sendo, porém, pequeno de estatura e também por uma pontinha de respeito humano e vergonha, subiu a uma árvore, e ali, oculto entre as folhas, esperou o momento oportuno. O Salvador, porém, ciente do estratagema de Zaqueu, ao passar perto da árvore, levantou os olhos e olhando-o fixamente lhe disse: Zaqueu, desce depressa, pois que hoje mesmo quero ir comer em tua casa.

O Salvador disse-lhe: Zaqueu, desce depressa...
Zaqueu, todo confuso por ver-se descoberto, e ao mesmo tempo desconcertado com as palavras de Jesus, desceu imediatamente da árvore e foi correndo para a casa e lá, todo alegre, conta aos seus familiares o encontro que tivera com o Divino Mestre e o modo pelo qual ele mesmo se oferecera para ir comer em sua casa. E imediatamente ordenou que preparassem um grande banquete, pois que com o Mestre viriam também os seus apóstolos.
A notícia inundou de alegria todos os corações: põem-se todos a preparar o banquete, e quando o Mestre chega já está tudo pronto.
Sentam-se à mesa em meio da maior cordialidade; dir-se-ia que são amigos há muito tempo. Zaqueu e a família não se cansam de ouvir as palavras de Jesus. Todos estão entusiasmados e muito admirados.
E pouco antes de acabar a refeição, Zaqueu dirigindo-se a Jesus diz:
— Mestre, quero acabar com essa vida avarenta que levei até agora, portanto, a todos que defraudei até agora, darei o quádruplo.
Todos ficaram admirados por essa resolução tão generosa. Jesus, visivelmente comovido, lhe apertou fortemente a mão, dizendo:
— Bravo! Assim é que me apraz.
D. — Que quadro magnífico. Zaqueu, usurário e, por conseguinte, avarento, prepara um banquete para Jesus e sua comitiva... Zaqueu, usurário e ladrão, arrepende-se e propõe restituir o quádruplo do que roubara... Milagre estupendo!
M. — Sim. De fato um milagre da bondade e misericórdia de Jesus para com os pobres pecadores. Jesus Cristo operou esse milagre, em vista da generosidade de Zaqueu para com Ele e, sobretudo vendo a boa vontade que ele tinha para beneficiar os pobres e infelizes. Jesus Cristo muitas vezes muda o coração daqueles que são generosos para com Ele, para com a sua Igreja e para com os pobres, suscitando em seus corações bons sentimentos, santos propósitos e dando-lhes ânimo e coragem para empreenderem grandes obras.
A vida de São José Cotolengo, São João Bosco e de muitos outros santos são testemunho patente de como Jesus Cristo abençoa e multiplica as obras de caridade daqueles que são generosos com Ele.
Jesus ama os corações generosos e aborrece as almas mesquinhas e avarentas.
D. — Padre, como fazer para demonstrarmos essa generosidade para com Deus?
M. — Podemos manifestá-la com a Comunhão frequente.
Assim como Jesus disse a Zaqueu: "Hoje mesmo irei comer em tua casa", da mesma forma também Ele todos os dias nos repete: "Tomai e comei", pois isso significam aquelas palavras: "Hoje mesmo irei comer em tua casa". É o mesmo que dizer: quero unir-me a ti, quero ser teu para que tu sejas meu.
Jesus todos os dias nos repete: "Tomai e comei"
Não sejamos, pois do número dos descuidados e nem dos empedernidos, mas bem pelo contrário imitemos Zaqueu, aquiescendo com prontidão, alegria e decisão ao convite divino. Nem que nos custe sacrifícios tenhamos sempre e a toda hora a mesa preparada, ou seja, vivamos sempre com a alma preparada para receber dignamente a Nosso Senhor.

* * *
Na festa do padroeiro em uma pequena paróquia dos Alpes, o Vigário organizou uma comunhão geral. Sucedeu, porém que outros organizaram para a mesma hora um baile público. Para lugarejo tão pequeno não havia lugar para as duas coisas. Ou Comunhão, ou baile. O vigário, após muito pensar e a fim de não perder a afluência à Comunhão, resolveu reunir as jovens da Ação Católica e as benjaminas, e fazer-lhes um apelo para que ao menos elas não faltassem à Comunhão, e que fizessem o possível para trazer também as outras.
Seu apelo foi tão sentido e tão ardoroso que no dia aprazado nenhuma das 114 moças deixou de comparecer e com elas todos os fiéis do lugarejo. De sorte que ao baile não foram mais do que alguns forasteiros e algumas solteironas impenitentes.
A Comunhão daquele dia foi toda especial não só pelo fervor mas, sobretudo, pela manifestação de fé e amor, tanto de fazer o Vigário e os fiéis derramarem lágrimas de alegria.
* * *
Em outra paróquia haviam organizado um passeio de trem para visitar um santuário distante 50 quilômetros da cidade. E como o trem chegava ao santuário um pouco antes do meio-dia, haviam combinado de assistirem à missa e comungar lá. Todos prontos, os cento e cinquenta jovens da Ação Católica com o Vigário à frente esperavam na estação a chegada do trem. Mas, em dado momento chega um telegrama anunciando estar o trem com uma hora de atraso.
O Vigário, ao participar tão triste notícia aos jovens, disse: — Queridos jovens: Deus quer provar a vossa generosidade. O trem está atrasado de uma hora. Por isso não posso ir para celebrar a Missa, pois chegaremos muito depois do meio-dia. De outra parte se voltardes para assistir à missa e comungar em nossa matriz, perdereis o trem. Portanto escolhei: ou renunciar ao passeio, ou renunciar à comunhão.
— Renunciamos ao passeio! Queremos comungar! — gritaram todos juntos aqueles denodados jovens. E imediatamente voltaram para a Igreja onde contente e felizes assistiram a Santa Missa e receberam a Comunhão.
Esses sim são exemplos de verdadeira generosidade, muitíssimo agradáveis a Deus. Oh! como seria de almejar que se multiplicassem tais exemplos.
Voltaram para a Igreja onde contente e felizes receberam a Comunhão.

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