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16 de maio de 2015

Comungai Bem. Padre Luiz Chiavarino.

HAVERÁ AINDA OUTROS?

D. — Escute, Padre, haverá ainda outros cristãos que não tenham o pecado da impureza, e que comunguem mal?
M. — Sim há, mas é mais difícil, pois quem evita o pecado da impureza, geralmente falando, não comete outros pecados mortais, e se chega a cometê-los não vai comungar sem confessar-se antes; pelo contrário, encontram-se muitos desonestos que pretendem conciliar o pecado com a comunhão, Jesus com o demônio.
Infelizmente existem outros também que prejudicam o próximo em seus haveres, que denigrem ou diminuem a estima e a boa fama do próximo; há muitos que escandalizam seus irmãos com modas indecentes e conversações obsenas e libertinas; frequentadores de companhias perigosas e lugares suspeitos, etc.
Todos os que sabem que uma coisa e má e pecaminosa e fazem sem nenhum escrúpulo pecam e é coisa sabida que com a alma em pecado não se pode comungar. Bem entendido, quando se trata de pecados mortais certos.
D. — E se alguém ignora os seus pecados ou não tem certeza de os ter cometido?
M. — Neste caso, consulte o confessor e submeta-se ao seu juízo.
D. — E se o confessor errar?
M. — Se o confessor errar, que se arranje com Deus. O penitente obedecendo-o nunca erra. Tome por base o fato seguinte:
* * *

Conta o Padre Suarez que, estando para morrer um religioso já muito velho, e que por muitos anos tivera como ofício administrar os bens do convento, lhe apareceu o demônio que fazendo escarninhos dele, disse:
— Muito bem, meu amigo! É fato que você sempre obedeceu cegamente a seu confessor. Saiba, porém, que ele está no inferno e você irá fazer-lhe companhia.
O pobre velho, ao ouvir isso, pôs-se a chorar amargamente e apertando fortemente o crucifixo exclamou: — Oh! Meu Jesus! Meu querido Jesus: se me enganei, tende misericórdia de mim.
Ao pronunciar estas palavras sentiu uma voz interior que lhe dizia: — Coragem, meu filho! É certo que teu confessor se enganou, mas ele que se arrume: Tu obedeceste, e por isso tua obediência será recompensada. — Quem assim falava era Jesus Cristo a fim de tranquilizá-lo; logo após o velho morria santamente.
D. — Será mesmo assim, Padre?
M. — Certamente, porque Jesus Cristo, ao conferir aos sacerdotes o poder e o mandamento de confessar disse-lhes categoricamente: "Tudo o que perdoardes, será perdoado; tudo o que retiverdes será retido". Portanto, se o confessor disser ao penitente: "Vai comungar" ele deve ir sem medo e fará bem; se invés lhe disser: "Não comungue", ele não deve comungar.
* * *
D. — O que o senhor acaba de dizer sobre a obediência ao confessor, relativamente à Comunhão, é coisa tão simples que até as crianças o compreendem.
M. — É coisa simplíssima que até as criancinhas entendem, porém há gente que não quer compreender isso, que não quer dar ouvidos ao confessor e aferrados como estão em seus juízos, formam uma consciência falsa, se enganam a si mesmos, e reprimindo os remorsos da alma se atrevem a comungar sacrilegamente por um simples respeito humano, egoísmo ou outras razões.
D. — Também o respeito humano, o capricho, o egoísmo e coisas congêneres entram nisso?
M. — Oh! Se entram. Há quem diga: se eu não for comungar hoje, que dirão de mim? E por este que dirão vão comungar sem preparação e muitas vezes com alma em pecado.
Outros dizem: se comungo serei considerado boa pessoa, homem honrado, fiar-se-ão em mim, serei adulado, em suma, sairei lucrando do contrário serei prejudicado. E, assim frequentam a comunhão, embora não estejam dispostos.
Outros ainda (e estes são os piores, felizmente são poucos), dizem consigo mesmos: O confessor proibiu-me de comungar, não me deixou ir... todavia eu vou. E vão só para contrariar o confessor.
D. — Desgraçados.
M. — Mais que desgraçados e infelizes, pode chamá-los de... pobres loucos.
D. — Ouça Padre. Certa vez um meu colega disse-me: "Para que confessar-me? Acaso a comunhão não é mais poderosa do que o pecado? Pois então, comungando, cedo ou tarde me afastarei do pecado". Pensava bem ele?
M. — Pensava como um ignorante ou como um maligno.
D. — Como maligno não, porque ele era muito simples.
M. — Se voluntariamente não pensava mal, então agia por ignorância. É verdade que a comunhão é Jesus Cristo e Jesus Cristo sabemos que sempre venceu, porém,entenda-mo-nos bem: Jesus Cristo vence, sempre que de nossa parte fizermos o que nos compete: arrependimento de nossos pecados, fuga das ocasiões, boa confissão, comunhão fervorosa...
Nestes casos Jesus Cristo sempre vencerá e a comunhão bem feita nos libertará dos maus costumes e dos mais graves pecados; do contrário, não.
Se a comunhão for mal feita, servirá de veneno tóxico e não de remédio; cada comunhão será um precipitar-se de abismo em abismo, de ruína em ruína; será um contínuo emaranhamento da consciência, um labirinto de confusão por causa dos sacrilégios cometidos. Os que assim procedem se assemelham às raposas quando caem no laço.
D. — Diga-me, Padre, por quê?
M. — O laço que arma para pegar as raposas consiste em um nó ao contrário. Elas, como é sabido, são astutas e quando se veem presas, correm rapidamente para trás, com o fim de se libertarem e fazem outro nó; dão mais outra volta e tornam a fazer mais outro nó e assim por diante. Pensando que se vão libertar, ao invés, se amarram cada vez mais até o ponto de não poderem mais dar um passo e assim ficam seguras.
D. — Coitadas!
M. — Mais infelizes são ainda os que se habituam a comungar mal, convencidos de que se libertarão dos defeitos, dos pecados e dos remorsos. São tantos os que se enganam a si mesmos.
* * *
Contam os geólogos que numa ilha do Pacífico existe uma areia amarela e brilhante, tão parecida com o ouro, que facilmente ilude. Os inexperientes recolhem aquela areia pensando fazer fortuna, porém, quanto mais avançam, mais afundam, e atolando até os joelhos, até à cintura, chegam ao ponto de não poder retroceder ficando presos na areia, vítimas miseráveis de sua ganância.
Assim sucede aos que voluntariamente comungam nem que estejam preparados: inadvertidamente, de tal maneira que chegam a atolar-se no mal que não encontram mais saída, tornando-se vítimas de sua temeridade.
D. — Quanto melhor seria não acostumar-se a comungar mal!

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