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24 de maio de 2015

Comungai Bem. Padre Luiz Chiavarino

DEVE-SE SABER O QUE SE VAI RECEBER E PENSAR NISSO

D. — Padre, para bem comungar requer-se algo mais do que o estado de graça?
M. — É claro, pois é coisa sabida que para bem comungar são necessárias três coisas, a saber:
1º. - Estado de graça;
2º. - Saber o que se vai receber e pensar nisso;
3º. - Estar em jejum desde a meia-noite até o momento da comunhão. A primeira condição já foi explicada. Falemos agora sobre as outras duas.
D. — Poderá haver comunhões mal feitas por falta da segunda disposição?
M. — Sim. Principalmente por ocasião da Páscoa e outras grandes festas sucede que muitos cristãos vão comungar sem saber e nem pensar em quem vão receber. Quantas não são as mulheres que se acostumaram a receber diariamente a Comunhão, somente para imitar o que outras fazem. Caro amigo, você deve saber que há muita ignorância religiosa entre o povo, sobretudo a respeito da Sagrada Comunhão.
Muitos, muitíssimos são os cristãos modernos que são "tábua rasa" no que se refere à presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, isso porque não tiveram uma instrução catequética adequada. Ora, tais pessoas vão comungar como se fossem beijar uma relíquia ou cumprir qualquer ato de religião.
Muitos cristãos há em nossos dias que ainda não aprenderam bem o que seja a Comunhão e ignoram a essência e substância de tão grande Sacramento. Existem também muitos outros que ignoram completamente os efeitos admiráveis que a comunhão produz e as disposições necessárias para bem recebê-la. Se lhes perguntarmos sobre isso, respondem como criancinhas que se preparam para a Primeira Comunhão: sabem o que aprenderam no colo materno e nada mais. Com uma instrução assim deficiente será possível comungar bem?
D. — Impossível, Padre.
M. — Calcule, pois, quantas não serão as comunhões mal feitas!
D. — Número impressionante. Esses tais não deveriam comungar.
M. — Infelizmente dá-se bem o contrário: nem se abstem, nem se instruem. Pois estão convencidos que já sabem tudo, e que são dignos de comungar como os outros.
D. — E então?
M. — Então é preciso pregar, instruir o povo, levantar a voz bem alto contra os abusivos, vigiar constantemente e sobretudo examiná-los com prudência e rigor.
D. — Tudo quanto o senhor disse até agora está bem quanto ao saber o que se vai receber; mas diga-me também alguma coisa sobre o pensar no que vamos receber.
M. — Com muito prazer. Diz o catecismo que é preciso pensar, refletir no que vamos receber, por isso fazem mal os que vão comungar distraidamente, isto é, sem fé e devoção.
D. — Na Igreja vejo muitas vezes alguns, mormente meninos, que brincam, falam e ficam distraídos durante a Missa e no momento da comunhão vão comungar sem nenhuma preparação.
M. — Fazem mal, muito mal. Sendo crianças ainda têm desculpas, pois Deus terá em consideração a pouca idade e juízo; mas se forem adultos não terão nenhuma desculpa.
D. — E as senhoras e moças que enquanto vão comungar viram a cabeça para todos os lados, rindo e fazendo graças com o fim de se exibirem e mostrarem a todos, seus vestidos elegantes e pouco decentes?
M. — Fazem muito mal. Todas elas fazem mal a comunhão.
D. — E são coisas sérias?
M. — Muito sérias, pois se trata nada mais nada menos que desprezar o mais augusto dos Sacramentos. São pobres desgraçados, almas sem fé.
D. — Que fazer para acabar com tais abusos?
M. — Vigiá-las, corrigi-las, reprovar-lhes o procedimento e se não for suficiente, proibi-las de comungar.
D. — E o povo não estranhará?
M. — Quando se acostumarem a ver os indignos afastados da Santa Comunhão ninguém mais haverá de estranhar e não só, até hão de aprovar tal procedimento que visa impedir o desrespeito à pessoa adorável de Jesus Cristo realmente presente na Eucaristia.
D. — Mas, com isso não haverá perigo de que muitos se afastem da mesa da comunhão?
M. — Mão importa. Antes de tudo deve-se ter em vista o respeito e a adoração devidas ao Santíssimo Sacramento. Diminuirão de muito as comunhões, não há dúvida. Porém diminuirão também os sacrilégios e os que comungam mal aprenderão a comungar dignamente.
Esta é uma doença como as outras; se não lhe for aplicado um remédio progredirá cada vez mais.
"Fora com os cães" gritava S. Agostinho. Nós também gritemos "Fora os cães" e procuremos expulsá-los verdadeiramente. Agindo assim e somente assim as bênçãos divinas descerão com mais abundância sobre as cidades e povoados.

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