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22 de maio de 2015

Comungai Bem. Padre Luiz Chiavarino.

É SEMPRE PRECISO CONFESSAR-SE ANTES DE COMUNGAR?

D. — Diga-me, Padre, será preciso confessar-se toda vez que vamos comungar?
M. — Para quem se acha em pecado mortal é claro que a confissão é necessária.
D. —E se hoje por exemplo não tenho tempo ou não consigo confessar-me e digo: "Bom, amanhã me confessarei; no entanto hoje vou comungar", faço mal?
M. — Se você sabe que está em pecado mortal, cometerá um sacrilégio.
D. Então, não há exceção nem pretextos que valham?
M. — Absolutamente não. Nem razões, nem pretextos, nem desculpas; nada. Se alguém não pode ou não quer confessar-se, também não comunguem. Deixando a comunhão não fará nenhum pecado; invés, se comungar em pecado mortal, perpetrará sempre um sacrilégio. São Paulo e Santo Tomás dizem terminantemente: Examine-se antes o homem... Antes de comungar, entre cada um em sua consciência e veja se cometeu algum pecado mortal; se verdadeiramente certificar-se disso, deixe a comunhão, não vá receber a própria condenação.
D. — Então, Padre, não basta arrepender-se dos pecados e fazer o propósito? É preciso também a confissão?
M. — Certamente que em tais casos é necessária a confissão, pois para comungar é preciso estar em graça de Deus, isto é, com a alma livre de pecados mortais, e sem a confissão não se obtém o perdão dos pecados.
Que lhe diria o rei se você fosse à sua presença com as mãos sujas, dizendo-lhe: perdão, majestade, depois irei lavá-las?
D. — Na certa expulsar-me-ia de sua presença.
M. — Então quer que Deus proceda de outro modo?
D. — Mas Deus vê o interior, conhece todos os pensamentos e as intenções.
M. — Assim é de fato. Mas isso não é razão suficiente para que se lhe falte ao respeito. Lembrete daquele sujeito que não tinha o traje nupcial... Além disso, se a Igreja, por meio de seus doutores e Concílios prescreveu essa norma, com que autoridade quer você corrigi-la? Em matéria religiosa a Igreja é mestra única e infalível.
D. — Quanto a mim estou de acordo. Porém, há outros que desejariam as coisas diversamente.
M. — Esses outros pensam assim ou porque são ignorantes ou porque são malvados. Quem se confessa fica perdoado, quem não se confessa não fica perdoado e basta!
Conta a História Sagrada, que Naamão, generalíssimo do rei da Síria, um dia foi procurar o profeta Eliseu pedindo-lhe que o curasse da lepra.
O profeta como remédio mandou-o lavar-se sete vezes no rio Jordão. Ele, porém, levou a mal a ordem do profeta, e respondeu:
— Para que isto? Acaso na Síria não haverá rios mais caudalosos que o Jordão? E ainda mais: por que sete vezes? Não basta uma?
E voltando para os que o acompanhavam: Vamos, vamos embora! Este homem não vale nada.
Mas os da comitiva puseram-se a insistir:
— General, o remédio é tão simples. Experimente, não custa nada e pode ser que seja eficaz.
Naamão, diante dessas razões, deu-se por vencido. Foi ao Jordão, lavou-se sete vezes e ficou completamente curado. Se não tivesse seguido o conselho não teria obtido a cura.
O mesmo sucede em nosso caso: a lepra representa o pecado; a ordem de Cristo é que nos lavemos por meio da Confissão. Quem obedece fica purificado e poderá comungar; quem não obedece, continuará sempre imundo e por consequência lógica não poderá comungar.
D. — E se o confessor negar a absolvição?
M. — Quando o confessor por motivos graves nega a absolvição, não se pode ir comungar.
D. — E no caso em que o confessor der a absolvição, mas proibir de comungar?
M. — É bem possível que às vezes e por justos motivos o confessor proceda assim, e diga ao penitente: Absolvo-te de teus pecados, porém, até segunda ordem ficas proibido de receber a comunhão. Pois bem, em tais casos é preciso obedecer cegamente, sem discutir nem apresentar desculpas.
Em se tratando de sacramentos o confessor é juiz responsável por seus atos, e não o penitente.
D. — E em se tratando de pessoas que vão casar-se?
M. — Nem neste caso, se o confessor proibir não poderão comungar.
D. — E em perigo de morte?
M. — Em perigo de morte, se estiver em pecado grave, ninguém poderá comungar se antes não se tiver confessado, exceto no caso de absoluta impossibilidade. O exemplo do rei Saul poderá servir-nos de tremenda lição.
D. — Conte-o, Padre.
* * *
M. — Samuel havia ordenado a Saul que não oferecesse nenhum sacrifício antes que ele chegasse; mas, Saul, soberbo e orgulhoso, cansado de esperar com o fim de acalmar o povo, disse:
— Que nos importa Samuel? Eu mesmo vou oferecer o sacrifício. Acaso não sou rei de Israel?
E dito isto ofereceu o sacrifício. Mas nesse ínterim chegou o profeta. Com palavras severas condenou o ato de Saul, dizendo:
— Hoje mesmo vais ser castigado por teres desobedecido a ordem do Senhor. Teu nome já foi riscado da lista dos reis de Israel e a coroa de Israel já foi destinada a um outro mais digno do que tu.
D. — Portanto, quem se atreve a desobedecer a ordem do confessor, torna-se um sacrílego e inimigo de Deus?
M. — Certamente.

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