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11 de agosto de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S J

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Alma da Virgem Santíssima


Parte 4/7

A Santíssima Virgem, ao ser concebida, estava destinada para Mãe de Deus. Que graça correspondia à dignidade deste destino?
A sentença mais moderada - digamos assim - contenta-se com dizer: a Virgem Santíssima no primeiro instante da sua existência teve maior graça que qualquer santo no primeiro momento da sua santificação, quer dizer, no momento em que desapareceu da sua alma o pecado original.
Teve maior graça que qualquer santo ao receber o batismo. Mais que São João Batista ao ser santificado no ventre de sua mãe. Mais que São José quando lhe foi tirado o pecado original.
Que missão estavam destinados a desempenhar estes santos?
Ser apóstolos, ser fundadores de uma ordem religiosa, ser o precursor do Messias. Todas estas dignidades não se podem comparar com a de Mãe de Deus. Nem sequer a de São José.
E se Deus dá a graça que requer a dignidade da missão a desempenhar, à Santíssima Virgem teve que a dar maior que a todos os santos. Contentarmo-nos com isto seria tornar pequena a Mãe de Deus.
Nenhum teólogo duvida de que a Santíssima Virgem no começo da sua existência teve maior graça que qualquer santo no fim da sua vida.
A ela se aplicaram aquelas palavras da Escritura: " Fundamenta eius in montibus altis ".
A base desta montanha esta sobre o cume dos montes mais elevados. Porém bastantes teólogos, e não de pouca autoridade, se atrevem a dizer mais ainda, não obstante outros vacilarem em o afirmar. Dizem esses teólogos mais entusiastas das glórias da Virgem Maria que ela teve no começo da sua existência maior graça, que todos os anjos e todos os santos; e não separadamente mas juntos.
 Nós, que diremos perante esta opinião?
Diremos o mesmo que o grande devoto da Santíssima Virgem, Santo Afonso Maria de Ligório: 
"Quando uma opinião é de qualquer maneira honrosa para a Santíssima Virgem e não esta desprovida de fundamento; e por outro lado não repugna nem a fé, nem aos decretos da Igreja, nem à verdade, não a seguir ou contradizê-la com o pretexto de que a opinião contrária pode ser também verdadeira, é mostrar pouca devoção à Mãe de Deus. E eu não quero ser desses devotos tão reservados."
E esta opinião certamente não esta desprovida de fundamento. Deus dá a graça conforme com a dignidade do estado ou ministério para o qual destina uma pessoa. Ora bem, a dignidade dos destinos mais gloriosos dos homens, nem isoladamente nem em conjunto chegou à dignidade da Mãe de Deus.
Esta dignidade esta num plano superior à de todos os seres criados. Esta num plano intermédio entre Deus e os homens. E em certa forma, a sua dignidade pertence à ordem hipostática; por isso à Santíssima Virgem se deve um culto inferior a Deus, é verdade, porém superior ao de todos os anjos e ao de todos os santos. 
Por isso Pio IX na Bula " Ineffabilis " afirma: " Deus a encheu maravilhosamente de todos os dons celestiais mais que a todos os espíritos angélicos e a todos os santos ".
Em que grau?
" De maneira que possuísse aquela plenitude de inocência e de santidade, que depois de Deus não se pode conceber maior ".
Ora, juntando a graça de todos os anjos e de todos os santos, a inteligência ainda pode conceber uma plenitude de graça superior antes de chegar à de Deus que é infinita. E essa plenitude superior foi a da Santíssima Virgem. Existem ainda mais razões. Quanto mais te aproximas do fogo, mais sentes o seu calor. Quanto mais te aproximas de um foco, mais aproveitas da sua luz. Fonte e foco da graça santificante é a divindade e nenhum anjo nem nenhum santo, nem separados nem juntos, se aproximaram tanto da divindade como Maria, pois já desde o primeiro instante estava destinada ao parentesco mais intimo com Deus.
O Pai considerá-la-ia a filha mais querida de todas; o Espírito Santo escolhê-la-ia ´para esposa e o Filho de Deus para Mãe. Será consanguínea do Filho de Deus: o mesmo sangue circulará nas veias de ambos.
Finalmente, a graça é fruto do amor de Deus para com os homens.
Deus manifesta o seu amor aos homens, concedendo-lhes não riquezas nem honras, mas dando-lhes graça santificante. E se Deus concede este dom na medida do amor que professa às almas, teve que dar a Maria um caudal de graça maior que a todos os santos juntos, pois amou-a mais que a todos eles.
Na alma da Santíssima Virgem, Deus depositou ao criá-la, como numa arca preciosa, uma graça maior que a de toda a multidão de predestinados. Se no prato de uma balança se pusesse a graça de todos os bem aventurados, e no outro a da alma da Santíssima Virgem, a balança inclinar-se-ia para o lado da Mãe de Deus.

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