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7 de dezembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Desposada

Parte 4/8

Quando o anjo tranquilizou José, diz a Sagrada Escritura que este levou Maria para sua casa. Quer dizer, celebrou-se o ato solene da condução da esposa à casa do esposo.
Esta cerimônia punha em alvoroço toda a povoação e ainda toda a região. Todos se achavam no direito de tomar parte na alegria da festa. Os esposos recebiam como que honras reais. Por uns momentos sentiam-se reis, assim se lhes chamava: o rei Salomão e a rainha Ester.
Era uma manhã de primavera. As mulheres nazarenas comentavam ruidosamente o sucedido. Todas estão alegres. Maria e José são queridos na povoação, e toda ela vai participar na festa.
- Dizem que Isabel veio de Ain Karin para se encarregar de vestir sua prima.
- Parece que foi Maria quem a chamou. Não querem que a vistam as amigas. Maria foi sempre muito recatada.
- Ainda que não lhe tivesse pedido, Isabel teria vindo, sempre se estimaram muito.
- Era pelo menos o que podia fazer para agradecer a Maria os meses que esteve em sua casa.
- Dizem também que a noiva não quer levar adornos demais. Para já, não quer que lhe pintem as faces, nem os lábios, nem as unhas, nem os cabelos, nem que lhe deem colírio para os olhos.
Alguma mais vaidosa replica:
- Pois eu não a louvo por isso, devia fazer como as outras.
- Pois eu não acho mal - replicaria outra - para mais não o necessita. É suficientemente formosa e talvez as pinturas a prejudicassem.
- E quanto tempo vão durar as festas do casamento?
- São de posição modesta e não as poderão prolongar pelos sete dias.
- Contentar-se-ão em ficar bem com todos; para mais, Maria é órfão de pai e mãe. Sentirá a falta deles nesse dia.
Os grupos de mulheres separam-se com a ideia de irem todas à festa.
Pela tarde, ao pôr do sol, teve lugar a cerimônia.
Maria estava vestida com uma túnica grande, e sobre ela um amplo manto. Na cabeça uma coroa. Não quis pôr outros adornos. Estava em sua casa acompanhada das suas amigas, que tinham lâmpadas acesas na mão, para iluminar o caminho que a comitiva seguirá. Esperavam a chegada do noivo.
José estava em sua casa acompanhado dos seus amigos. Como era de posição humilde, não foi a casa de Maria a cavalo, como outros costumavam fazer. Leva também uma coroa na cabeça.
Ao chegar a comitiva a casa de Maria, as jovens companheiras romperam em aclamações. Em seguida organiza-se o cortejo nupcial, que percorre todas as ruas da povoação. Os archotes iluminam o caminho. A música das flautas e pandeiros é acompanhada com o bater das mãos, os gritos jubilosos e as aclamações. 
Os que encontram o cortejo incorporam-se nele e dançam na frente dos esposos.
A casa de José está adornada com murta e loureiro.
Para os noivos está levantado um trono com dossel. Quando subiram para ele, colocam sobre a cabeça de ambos o taleth ou a fita da oração. E começa a cerimônia. O rosto de Maria cobre-se de leve tristeza. Ali devia estar seu pai para presidir a cerimônia. Para fazer as suas vezes, talvez tivesse vindo de Ain Karin, Zacarias, acompanhado de sua esposa Isabel.
Zacarias segura a mão direita de Maria, e junta-a com a esquerda de José e pronuncia a oração ritual: "Que o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob seja convosco e vos una; que vos dê a sua bênção e vos deixe ver os vossos filhos e os filhos de vossos filhos até a quarta geração". Os esposos bebem do mesmo copo e ouvem a leitura do contrato matrimonial.
A seguir celebra-se o banquete nupcial, esse banquete que repetidas vezes Jesus compara com o reino dos céus.

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