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13 de abril de 2014

DOMINGO DE RAMOS.

Jesus Cristo é Deus

Que página admirável o Evangelho nos apresenta hoje, no dia dos Ramos.

Há nesta cena tanta grandeza e tanta simplicidade unidas, que involuntariamente levantamos os olhos para o céu e exclamamos: — Este Jesus é verdadeiramente Deus.

Jesus, montado numa jumenta, fazendo a sua entrada solene em Jerusalém no meio das aclamações de um povo entusiasta.

Os caminhos são alcatifados com ramos, flores das árvores e os mantos dos homens, enquanto longas filas de homens, de mulheres e de crianças cantam: Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana ao Filho de Davi!

E Jesus, calmo, bondoso, mas majestoso, de olhos baixos, percorre as ruas da cidade, mostrando pela sua majestade, que é Deus, e pela sua humildade que é homem também.

Lancemos hoje um olhar atento sobre esta bela e doce fisionomia de Jesus, contemplando:

1. A elevação de seu espírito.

2. A fecundidade das suas palavras.

São apenas dois aspectos, ou duas belezas da doce fisionomia de Jesus, mas que constituem já dois traços característicos do Deus-Homem.

I. A elevação de seu espírito

A fisionomia de Jesus é a transpiração da alma através da poeira do corpo. É a alma saindo de seu esconderijo, iluminando o semblante com uma espécie de irradiação espiritual, que não é deste mundo.

O gênio, a virtude, o amor, acendem raios no olhar, no sorriso e parecem iluminar a fronte de quem os possui.

Ora, o espírito estava em Jesus em sua mais alta expressão. Nele tudo é luminoso... Ele se estende livremente em elevação, em profundeza, em fecundidade, em todas as direções.

A sua conversação, ao mesmo tempo suave e penetrante, contém relâmpagos e raios.

Ele sobe, de repente, aos mais sublimes cumes da grandeza e eleva os que O escutam, sem esforço e sem fadiga.

E como o seu olhar é divinamente penetrante! Numa intuição incomparável Ele penetra nos corações e recolhe o pensamento mais secreto.

Com quanta segurança Ele lança no fundo da alma uma palavra incompreendida no momento, mas que desabrochará depois em luz e em generosidade.

Vê-se que Ele conhece os destinos dos povos, como conhece os segredos dos corações.

O porvir de Jerusalém esta tão claro diante de seus olhos, como o porvir de Pedro e de Judas.

Esta grande revolução que vai operar a sua doutrina... Este mundo novo que deve nascer ao pé da sua Cruz... Esta Cruz que atrairá tudo a si... Estes humildes Apóstolos, que ensinarão todas as nações... Os povos que se converterão... Este único rebanho sob a guarda do único Pastor. Ele vê tudo isso com uma certeza imediata, absoluta.

O espírito imenso de Jesus não é limitado, nem pelo tempo, nem pelo espaço. A ciência do futuro nada contém que o impressione, perturbe, ou surpreenda, porque este espírito luminoso encerra todos os tempos.

II. A fecundidade das suas palavras

À esta elevação do espírito, devemos juntar a fecundidade das suas palavras. É um segundo traço da sua admirável fisionomia.

Cada palavra é um raio e uma semente.

Ele abre sementeiras no porvir, como Ele semeia no presente.

Bem-aventurados os pobres de espírito!
Bem-aventurados os que choram!
Bem-aventurados os puros!
Bem-aventurados os que sofrem perseguições.

Eis sementes maravilhosas!... Quem dirá as colheitas que saíram delas!?

Todos os Apóstolos ali estão! Todas as virgens! Todos os mártires! Todos os benfeitores da humanidade!

Ele diz: Dai a César o que é de César! E lá está a base da distinção dos dois poderes: o religioso e o civil.

Ele diz: Pai nosso, que estais no céu! E eis a base da fraternidade universal.

Cada palavra é um gérmen de vida, de progresso, de civilização, de felicidade, de santidade!

E notem a linguagem de Jesus: Nunca pensamentos mais sublimes foram expressos em palavras tão curtas. As próprias palavras parecem idealizadas e transfiguradas pela idéia. Tais palavras são verdadeiramente espírito e vida.

O menos de matéria possível... palavras curtas... transparentes, deixando ver o espírito que as anima.

A ciência achou o meio de concentrar, no menor volume, as mais altas energias medicinais.

Assim fez Jesus Cristo. Em três palavras distintas, claras, luminosas, Ele encerra as leis eternas das coisas, os princípios fundamentais da família e da sociedade, as causas e os remédios da decadência dos povos, sobretudo as leis divinas das almas.

E tudo isso sob uma forma tão simples, que é ao mesmo tempo, leite para as crianças e vinho para a velhice.

III. Conclusão

Em Jesus Cristo, a divindade transparece em cada um de seus gestos, em cada palavra em cada olhar, em cada irradiação de seu espírito.

Ele é homem perfeito... Ele é também Deus perfeito. Como conclusão reproduzamos uma curta página do grande Lacordaire, a águia dos pensamentos e da expressão sublimes.

“Há um homem, exclamou ele um dia do alto do púlpito de Notre Dame de Paris, há um homem de quem o amor guarda o túmulo; há um homem, cujo sepulcro não é somente glorioso, como o disse um Profeta, mas que é amado.

Há um homem cuja cinza depois de 18 séculos não se resfriou.

Há um homem cujo pensamento renasce no espírito de uma multidão incauculável de homens, que é visitado em seu berço pelos pastores e pelos reis, levando-lhe à porfia, o ouro, o incenso e a mirra!...

Há um homem do qual parte considerável da humanidade segue as pisadas, sem jamais cansar e que apenas desaparecido se vê seguido em todos os lugares da sua antiga peregrinaçao, sobre os joelhos da sua Mãe, à beira dos lagos, no alto dos montes, nos atalhos dos vales, na sombra das oliveiras, no segredo dos desertos!

Há um homem morto e sepultado, de quem se espreita o sono e o despertar, de quem cada palavra que pronunciou vibra ainda e produz mais do que o amor, pois produz virtudes produtivas no amor.

Há um homem pregado há séculos a um patíbulo e a este homem milhões de adoradores descem-no cada dia do trono de seu suplício, prostram-se de joelhos, o mais baixo possível, sem respeito humano, e ali, por terra, beijam-Lhe os pés sangrentos com indizível ardor.

Há um homem açoitado, assassinado, crucificado, que uma paixão inenarrável ressuscita da morte e do desprezo, para colocá-Lo na glória de um amor que não desfalece e n'Ele encontra a paz, a honra, a alegria até ao êxtase.

Há um homem perseguido em seu suplício e em seu túmulo por um ódio inextinguível, e que, pedindo apóstolos e mártires a cada posteridade que se levanta, encontra apóstolos e mártires no seio de todas as gerações.

Há um homem enfim, e o único, que fundou o seu amor sobre a terra, e este homem sois vós, ó Jesusl Vós, que quisestes cingir-me, sagrar-me pelo vosso amor e cujo nome neste momento abre as minhas entranhas e delas arranca este acento que me perturba a mim mesmo e que não conhecia.” (Lacordaire)

Eis Jesus Cristo, verdadeiro Deus, na sublimidade de seu espírito e na fecundidade da sua palavra.

Parece-me impossível dizer mais e dizer melhor.

EXEMPLOS

1. Eloquentes sem língua

Nas perseguições de Hunerico, rei dos Vândalos, 300 católicos confessaram a divindade de Jesus Cristo, e tiveram como castigo, de terem a sua língua cortada até a raiz.

Depois do suplício, todos continuaram a falar com uma facilidade maravilhosa e a confessar a divindade de Cristo em alta e forte voz

Este milagre teve muitos testemunhos, entre os quais o Imperador Justiniano, que viu e ouviu em Constantinopla diversos destes generosos confessores.

É mais uma prova da divindade de Jesus Cristo.

2. Argumento de Alamundaro

Os hereges Eutychianos pretendiam que em Jesus Cristo havia apenas a natureza divina, sob as aparências de um corpo humano, donde concluíram que a natureza divina havia sofrido e morrido sobre a cruz.

O rei dos Sarracenos, Alamundaro, tendo-se convertido à religião católica, respondeu de um modo engenhoso aos Eutychianos que procuravam ganhá-lo para a sua heresia.

Fingiu um dia ter recebido uma carta anunciando a morte do Arcanjo S. Miguel e perguntou-lhes o que pensavam de tal notícia.

Responderam-lhe que era impossível e absurda tal notícia, pois os anjos eram imortais.

- Mas então, retorquiu o rei, se um anjo não pode nem sofrer, nem morrer, como é que Jesus Cristo pode ter morrido na cruz, se possui apenas a natureza divina, que é necessariamente impassível e imortal. Jesus Cristo é, pois, ao mesmo tempo, Deus e homem.

3. O general de Vouges

O general de Vouges, um dos heróis de Reishoffen, disse aos governantes que queriam reorganizar o exército: — Não chegarão ao termo desta reorganização se não colocarem Jesus Cristo no coração de cada soldado!

Tudo na humanidade se estreita, se resvala e se degrada, quando ela se afasta de Jesus Cristo que faz toda a sua grandeza.

(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 157 – 163)

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