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18 de abril de 2014

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

06 - 26   Pensamentos consoladores nas tentações.

Ignorais que não estamos no mundo para gozar, mas para padecer? É no céu que se goza a paz, e não nesta vida, onde convém padecer, e aquele que cá não tivesse paixão, não sofreria, mas gozaria o que não é possível, porque, enquanto vivermos teremos paixões e só delas seremos livres depois da morte; segundo a opinião dos doutores e da Igreja. Mas porque nos afligiremos, se o nosso triunfo nasce do combate das nossas idéias e paixões? A agitação no mar transtorna por tal forma os humores, que os que navegam não conhecem o incomodo senão passado algum tempo, pelas convulsões e vômitos que provoca. É um dos grandes proveitos da aflição fazer-nos conhecer o nosso nada, fazendo-o sobrenadar às nossas inclinações.
Estes grandes assaltos e tentações tão fortes não são permitidos por Deus senão contra as almas que Ele quer elevar ao seu puro e santo amor.
Crê-me, minha filha; os doces geram vermes nas crianças e em mim que não sou criança; aí tens a razão porque o nosso Salvador mistura as consolações com amarguras...
Reclamemos o seu socorro; não é senão para isso que Ele permite que estas ilusões nos atormentem...
Ontem de tarde houve aqui grandes trovões e relâmpagos e eu estava tão contente em ver o meu irmão e nosso Groisi, que multiplicavam os sinais da cruz e o nome de Jesus!...Ah!...sem isto não teríamos invocado  tanto a Nosso Senhor. Estas rebeliões do apetite sensual, tanto de ira como a inveja, ficaram em nós para nosso exercício, afim de praticarmos o valor espiritual resistindo-lhe. É o Filisteu que os Israelitas devem combater sem nunca o poderem derrubar.
Quando os soldados não estão em batalha ou na guerra, pode-se dizer deles: In pace leones, in bello cervi. Mas Nosso Senhor não quer destes soldados no seu exército; quer combatentes e vencedores e não imbecis e fracalhões. Pois se ele quis ser tentado e oprimido, foi para nos dar o exemplo de resistência à tentação.
Se Nosso Senhor permite estas cruéis revoltas no homem, nem sempre é para punir de algum pecado, mas apenas para manifestar a força e virtude da assistência divina.

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