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22 de abril de 2014

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

08/26  -  Desconfiança e confiança nas tentações.

A desconfiança nas nossas forças não é uma falta de resolução, mas reconhecimento verdadeiro das nossas misérias. É melhor desconfiar de poder resistir às tentações do que termo-nos por mui seguros e fortes, com tanto que, desconfiando das nossas forças, não desconfiemos da graça de Deus.
De forma que muitos que com grande consolação prometeram obrar maravilhas por Deus, quando chegou a ocasião faltaram; e outros, desconfiando das suas forças, e temendo faltar na ocasião, obraram maravilhas, porque o grande sentimento de sua fraqueza os impelia procurarem socorro e o auxílio de Deus, e a vigiarem, orarem e humilharem-se, para não caírem em tentação.
Embora não sintamos em nós força nem coragem alguma para resistir à tentação, se agora viesse, contanto que desejemos resistir-lhe e confiemos em que, se ela vier, Deus nos ajudará e lhe peçamos auxílio, nada nos deve entristecer; porque não é necessário sentir sempre força e coragem; basta desejar tê-la no tempo próprio, e também não é preciso sentir a manifestação dessa força, mas basta confiar no auxílio de Deus.
Sansão, cognominado o Forte, não sentia as forças sobrenaturais com que Deus o ajudara senão nas ocasiões; e por isto se diz que, quando encontrava os leões ou os inimigos, o espírito de Deus o impelia matá-lo, e Deus, que nada emprega em vão, não nos dá a força e coragem senão quando delas precisamos, e nas ocasiões nunca nos falta; convém portanto esperar que nos ajudara sempre que reclamemos o seu auxílio.
Devemos servir-nos sempre das palavras de Davi: "Porque te entristeces, minha alma? Porque te perturbas? Confia no Senhor"; e da oração de que ele usava: "Quando minhas forças enfraquecerem, não me abandoneis, Senhor". Se desejais ser toda de Deus, por que temeis a vossa fraqueza, quando nela nada podeis confiar? Não esperais em Deus? O que nela espera será confundido? Não, nunca. Peço-vos pois que sossegueis todas as dúvidas, que possam amontoar em vosso espírito, às quais basta responder que desejais ser fiel em tudo e esperais que Deus vô-lo concederá, sem ser necessário estar a considerar se o concede ou não; porque estes espíritos são enganadores e só são valentes na ausência do inimigo, quando outros pelo contrário temem antes do combate; mas dá-lhes coragem o perigo presente; nada pois de temer muito.
Caminhai, portanto, sempre à vista de Deus, porque  a sombra é mais salutar do que o sol.
Não é mau tremer algumas vezes diante daquele em cuja presença tremem os anjos, quando o contemplam em sua majestade; contanto que o santo amor que predomina em tudo também aqui predomine no princípio e fim de vossas considerações.
Quem teme o Espírito divino, nenhum outro espírito deve temer; estais abaixo de suas asas como um pintinho; que temeis? 

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