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18 de março de 2014

Preparação para a Morte

PONTO III

“Irá o homem à casa de sua eternidade” (Ecl 12,5) disse o profeta...
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“Irá”, para significar que cada qual há de ir à mo-rada que quiser.
Não será levado, mas irá por sua própria e livre vontade. Deus quer certamente que nos salvemos todos; mas não quer salvar-nos à força.
Põe diante de nós a vida e a morte (Ecl 15,18) e ser-nos-á dado o que escolhermos (Ecl 15,18). Jeremias disse também que o Senhor nos deu dois caminhos, o da glória e o do inferno (Jr 21,8). A nós cabe escolher. Mas quem se empenha em andar pela sen-da do inferno, como poderá chegar à glória? É de admirar que, ainda que todos os pecadores queiram salvar-se, eles mesmos se condenam ao inferno, dizendo: espero salvar-me. Mas quem será tão louco — disse Santo Agostinho — que tome veneno moral com esperança de curar-se?... No entanto, quantos insensatos se dão a morte a si próprios, pecando, e dizem: “mais tarde pensarei no remédio...” Ó deplorá-vel ilusão, que a tantos tem arrastado ao inferno! Não sejamos tão imprevidentes; consideremos que se trata da eternidade.
Se tanto trabalho se dá o homem para adquirir uma casa cômoda, espaçosa, saudável e bem situa-da, como se tivesse certeza de que a poderia habitar durante toda a vida, por que se mostra tão descuida-do quando se trata da casa que deve ocupar eterna-mente? — disse Santo Euquério1. — Não se trata de uma morada mais ou menos cômoda ou 46 espaçosa, mas de viver em um lugar cheio de delícias, entre os amigos de Deus, ou num abismo de todos os tormentos, entre a turba infame dos celerados, hereges e idólatras... E isto por quanto tempo?... Não por vinte nem por quarenta anos, senão por toda a eternidade. Grande negócio, sem dúvida! Não é coisa de momen-to, mas de suma importância.
Quando São Tomás More foi condenado à morte por Henrique VIII, Luísa, sua esposa, procurou per-suadi-lo a consentir no que o rei queria.
Tomás lhe replicou: Dize-me, Luísa, vês que já sou velho. Quanto tempo ainda poderei viver? — Poderás viver ainda vinte anos — disse a esposa. — Oh! triste negócio! — exclamou então Tomás. — Por vinte anos de vida na terra, querias que perdesse uma eternidade de ventura e que me condenasse à eterna desdita?” Iluminai-nos, ó Deus! Se a doutrina da eternidade fosse duvidosa, se não passasse de opinião provável, ainda assim deveríamos procurar com empenho viver bem para não nos expormos, caso essa opinião fosse verdadeira, a ser eternamente infelizes. Mas essa doutrina não é duvidosa, senão certa; não é mera opinião, senão verdade de fé: “Irá o homem à casa da eternidade...” (Ecl 12,5). “É a falta de fé — diz Santa Teresa — a causa de tantos peca-dos e da condenação de tantos cristãos!...
Reavivemos, pois, nossa fé, dizendo: “Creio na vida eterna!” Creio que depois desta vida há outra que não acaba nunca. Tendo sempre presente este pensamento, lancemos mãos dos meios convenientes para assegurar a salvação. Freqüentemos os sacramentos, façamos meditação diária, pensemos em nossa salvação e fujamos das ocasiões perigosas. E se for preciso, fujamos do mundo, porque nenhuma precaução é demais para nos assegurar a eterna salvação. “Não há cautela que seja excessiva quando periga a eternidade” — diz São Bernardo.

AFETOS E SÚPLICAS

Não há, pois, meu Deus, termo médio: ou ser sempre feliz, ou para sempre desgraçado; ou hei de lançar-me num mar de venturas, ou num pélago de tormentos; ou convosco na glória, ou eternamente no inferno separado de vós. Sei com certeza que muitas vezes mereci o inferno, mas também sei com certeza que perdoais ao que se arrepende e livrais de eterna condenação ao que espera em vós. Dissestes: “Clamará a mim... e eu o livrarei e glorificarei” (Sl 90,15). Perdoai-me, pois, meu Senhor, e livrai-me do inferno. Pesa-me, ó Sumo Bem, sobre todas as coisas de vos ter ofendido. Restabelecei-me na vossa graça e dai-me vosso santo amor. Se já estivesse no inferno, não poderia amar-vos, mas vos odiaria eternamente... E, no entanto, que mal fizestes para que vos odiasse?... Amastes-me até ao extremo de morrer por mim; sois digno de infinito amor. Não permitais, Senhor, que me aparte de vós; amo-vos e quero amar-vos sempre. “Quem me separará do amor de Cristo?” (Rm 13,35). Ah, meu Jesus, só o pecado me pode separar de vós. Não o permitais, eu vo-lo exoro, pelo sangue que derramastes por mim. Dai-me antes a morte...
Ó Rainha e minha Mãe! Assisti-me com vossas orações; fazei que morra mil vezes, antes que me separe do amor do vosso divino Filho!

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