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7 de março de 2014

Primeira Sexta-feira de Março.

Meio de nos unirmos ao Sagrado Coração: a boa intenção.

Oculi eius sine intermissione inspicientes in viis eorum — “Os seus olhos se aplicam sem intermissão a considerar os seus caminhos” (Ecclus. 17, 16).

Sumário. A boa intenção é tão agradável a Jesus Cristo, que tem o poder de nos introduzir no seu Coração. Feliz aquele que se serve dela para ir habitar nesta morada de amor! Todas as obras exteriores que não procedem do coração e não são acompanhadas de boa intenção não têm valor algum diante de Deus. Toda a glória de uma alma consiste em ser inteiramente unida pelo coração ao Coração de Jesus.

I. A boa intenção é tão agradável a Jesus Cristo, que tem poder de nos introduzir no seu Coração. Feliz aquele que se serve dela para ir habitar nesta morada de amor! Quando Deus criou os nossos primeiros pais, Adão e Eva, não pôs os olhos sobre as suas mãos, mas sobre os seus corações, diz o Eclesiástico: Posuit oculum suum super corda illorum (1). Porque todas as obras exteriores que não procedem do coração e não são acompanhadas de boa intenção não têm valor algum diante de Deus. Toda a glória de uma alma consiste em ser inteiramente unida pelo coração ao Coração de Jesus.

A nossa intenção nos atos de virtude pode ser boa de três maneiras. A primeira, quando os fazemos para obter de Deus os bens temporais; esta intenção é boa, contanto que seja acompanhada de resignação à vontade de Deus; mas é pouco perfeita, porque o seu objecto não passa a terra. A segunda, quando os fazemos para satisfazer à justiça divina e diminuir as penas que merecem as nossas faltas, ou para obtermos de Deus os bens espirituais, como as virtudes, os merecimentos, a maior glória no paraíso; esta intenção é muito melhor do que a primeira. A terceira é a mais perfeita: é quando, em nossas ações, só temos em vista o beneplácito de Deus e o cumprimento da sua santa vontade. Esta intenção é também a mais meritória; porque, quanto mais nos esquecemos no bem que fazemos, mais o Senhor se lembrará de nós e nos encherá de graças, como disse um dia a Santa Catarina de Sena: Minha filha, pensa em mim e eu pensarei em ti. Estas palavras significam: pensa unicamente em me agradar e eu cuidarei dos teus progressos na virtude, da tua perfeição e da tua glória no céu. Eis aqui justamente o que dizia a Esposa sagrada: Eu sou para o meu amado, e o seu coração se volta para mim (2). 

II. Pela boa intenção, imitamos o amor dos Bem-aventurados, cuja felicidade consiste toda em agradar a Deus, porque eles se regozijam mais da felicidade de Deus que da deles próprios, e assim entram na alegria do seu Senhor (3) como se lê na Escritura.— A nossa intenção nos introduza, pois, no Coração de Jesus; aí é que iremos achar a alegria mais verdadeira que se pode gozar neste mundo. O olhar que fere o Coração do Esposo divino (4) e o inflama de amor, não é senão a intenção de agradar a Deus em tudo o que se faz.

Meu Deus, eu sou a árvore estéril de que fala o Evangelho; desde muito tempo mereço ouvir a sentença pronunciada contra ela: Cortai esta planta, lançai-a no fogo; para que deixá-la ocupar inutilmente o lugar? (5). Desgraçado de mim! Há tantos anos que me favoreceis com graças imensas para me santificar, e até ao presente, Senhor, que frutos recebestes de mim? Mas Vós não quereis que eu desespere, que eu cesse de ter confiança no vosso Coração infinitamente misericordioso. Não dissestes: Pedi e recebereis? Pois sim! Como quereis que Vos peça graças, a primeira que solicito é o perdão de todas as minhas faltas; delas me arrependo do fundo da alma, vendo que feri o vosso Coração tão amante e benfazejo, por tantas ofensas e ingratidões. A segunda graça que peço, é o dom do vosso amor; possa eu Vos amar d'ora em diante, não com a frieza que Vos testemunhei no passado, mas de todo o meu coração, evitando dar-Vos o menor desgosto, e fazendo tudo o que Vos for agradável. Vós me quereis todo para Vós, para poderdes me estreitar mais ternamente sobre o vosso Coração: eis-me aqui pronto para Vos pertencer. Ó Coração de meu Jesus, tão cheio de generosidade e ternura, eu sou vosso e espero que sereis a minha recompensa durante toda a eternidade. — Ó Maria, minha Mãe, uni-me ao Coração de vosso divino Filho, e obtende-me a graça de O amar sempre.

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1. Ecclus. 17, 7.
2. Cant. 7, 10.
3. Matth. 25, 21.
4. Cant. 4, 9.
5. Luc 13, 7.

(Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 465-467.)

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