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21 de março de 2014

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

17/25  -  Prática da conformidade com a vontade de Deus.

Lançai os olhos a vontade geral de Deus, pela qual quer todas as obras da misericórdia e justiça no céu, na terra, debaixo da terra, e com humildade profunda aprovai, louvai e amai esta vontade soberana toda santidade, justiça e beleza; demorai-vos algum tempo neste assunto, considerando a variedade das consolações, mas sobretudo das tribulações que os bons sofrem; e depois com grande humildade aprovai, louvai e amai esta vontade.  Considerai esta vontade na vossa pessoa e em tudo o que vos sucede, bem ou mal, e tudo o que vos possa suceder fora o pecado; depois louvai e amai tudo isto, protestando querer sempre honrar e adorar esta vontade soberana, expondo a seu gosto e entregando-lhe a vossa  pessoa e a todos os vossos. Enfim acabai por ter uma grande confiança nesta vontade, que fará todo o bem por nós e para nossa felicidade. Oh! que felicidade para nós se estivéssemos acostumados a receber tudo da mão paternal de Deus, que, abrindo-se enche com a sua benção tudo o que é animado! Que unção adoçaria os nossos trabalhos! quanto mel atrairíamos das pedras e quanto óleo dos mais duros rochedos! Quanta moderação nos acompanharia na prosperidade, pois que Deus não nos envia a adversidade senão para dele tirar glória para Ele e salvação para nós! Pensemos bem nesta verdade e não vejamos senão a Deus em todos os sucessos. Devemos saber que abandonar a nossa vontade deixar-nos a nós mesmos, não é senão desfazer-nos da nossa vontade para a darmos a Deus; porque de nada serviria renunciar-nos e deixar-nos se não fosse para nos unirmos perfeitamente à vontade divina. Mas acontece que alguns que entram no serviço de Deus lhe dizem: "Senhor, coloco nas vossas mãos o meu espírito, mas com a condição de me dardes sempre consolações e nunca sofrimentos e que também me deis superiores que sejam do meu agrado e em nada contrariem a minha vontade". Ah! que fazeis? não vedes que isto não é entregar o espírito nas mãos de Deus, como diz Nosso Senhor? Não sabeis que  é destas reservas que pensamos que nascem as dúvidas, desordens e outras imperfeições? Quando as coisas não  acontecem segundo nós esperamos, eis que de súbito se apodera desânimo dos nossos espíritos. E donde vem isto senão de não nos colocarmos sem reserva nas mãos de Deus? Oh! quão felizes seríamos se praticássemos fielmente esta virtude! Sem dúvida chegaríamos à alta perfeição de Santa Catarina de Sena, de Santa Francisca, de Santa Angela de Fuligno e de muitos outros. Considerai que o Filho eterno de Deus nos veio em pessoa ensinar a submissão e reverência devidas à vontade suprema, dizendo que não veio fazer sua vontade, mas a de seu Pai : "Pai ! se é possível, passai de mim este cálice mas faça-se a vossa vontade e não a minha". E este Mestre divino ensinou-nos a pedirmos todos os dias que se faça a vontade de Deus, assim na terra como no Céu e enfim concluiu a carreira da sua vida vida mortal pela remissão de si mesmo à vontade e disposição do eterno Pai: "Meu Pai, em vossas mãos deponho o meu espírito". Sede pois assim e dizei com o mesmo Nosso Senhor em tudo : "Meu Deus, ponho o meu espírito, absolutamente e sem reservas, nas vossas mãos". Quereis que esteja triste ou consolado? Que seja contrariado e tenha repugnâncias e dificuldade? Que seja amado ou não? Ponho nas vossas o meu espírito. Não desejem os que se empregam nos exercícios da vida ativa sair deles para se entregarem à meditação enquanto Deus o não ordenar; guardemos silêncio quando assim convier, e falemos quando for necessário, e se assim fizermos dizer à hora da morte, à imitação do nosso Divino Salvador: "Consummatum est". Meu Deus, tudo está consumado: cumpri tudo o que era da vossa divina vontade e passei por todas as provações que me estavam destinadas pela vossa Providência; que me resta agora senão colocar nas vossas mãos o meu espírito, no fim e ao declinar da vida, como o tinha colocado no princípio e no progredir dela? Oh! Meu Deus! conduzi-me à vossa vontade, fazei-me passar pelo frio, pelo calor, pela luz, pelas trevas, pelo trabalho, pelo repouso; quando me levardes às portas da morte, nada temerei, estando sob a Vossa vontade. Sim, meu Pai celeste; seja feita a vossa vontade na terra onde as consolações são raras e os trabalhos inumeráveis. Toma por prática quotidiana, ó alma minha, quando qualquer coisa te incomode, dizer: "Não se faça a minha vontade, mas sim a de Deus".

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