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19 de março de 2014

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

16/25  -  Da conformidade com a vontade de Deus.

Os teólogos distinguem em Deus duas vontades: a vontade expressa e a vontade de gosto ou desejo. A vontade expressa compreende os mandamentos da lei de Deus e da Igreja, os conselhos, as inspirações, as regras e constituições. Não se pode ser salvo sem obedecer aos mandamentos da lei de Deus e da Igreja porque Deus quer que os observemos para chegar ao céu. Enquanto aos conselhos, Deus quer que os observemos, não como preceitos, mas só a maneira de desejo e não da ordem. A vontade de Deus manifesta-se-nos também pelas inspirações; não quer contudo que por nós mesmos as discernamos, mas que em caso de importância recorramos aos que estabeleceu em hierarquia superior a nossa, para  nos guiar e para que sejamos totalmente submissos aos seus conselhos e opinião. As regras manifestam-nos também as suas vontades, como outros tantos meios próprios para conduzir-nos à perfeição. Além desta vontade há também em Deus a vontade de gosto, a qual devemos considerar em todos os acontecimentos, quero dizer em tudo o que nos sucede, próspero ou adverso, na doença ou na saúde, na consolação ou na aflição, na morte e na vida, em tudo o que não é previsto, contanto que não sejam contra a vontade de Deus expressa, porque esta deve vir antes de tudo. Ora devemos estar sempre prestes à vontade expressa. Não olheis por forma alguma para a substância das coisas que fazeis, mas à honra que tem, embora diminuta, de serem queridas de Deus, de estarem na ordem de sua providência e serem dispostas pela sua sabedoria. A pureza de coração consiste em estimar tudo pelo peso da vontade de Deus; não ameis pois nada ardentemente, nem ainda as virtudes, porque perde-se ordinariamente ao passar os limites da moderação. O nosso centro é a vontade de Deus. Deus quer que eu agora faça isto; Deus quer isto de mim; que mais é preciso? Enquanto faço isto, não sou obrigado a fazer outra coisa. Oh! Deus! faça-se a vossa vontade, não só no cumprimento dos vossos mandamentos, conselhos e inspirações, a que devemos obedecer, mas também nos sofrimentos e aflições que nos sobrevenham: faça a vossa vontade de nós, por nós e em nós tudo o que quiser. O coração verdadeiramente amante ama o desejo divino, não só nas consolações, como também nas aflições, ama-o ainda mais nas dores, nas penas e trabalhos, porque a principal virtude do amor, é fazer sofrer o amante pelo objeto amado. E como não sofreríamos nós a mão do Senhor, igualmente amável, que nos distribue as consolações com as aflições? Oh! é ótimo não viver senão por Deus, não trabalhar senão por Deus, não nos regozijarmos senão em Deus! Oh! se a santa vontade de Deus reinasse em nós, como seríamos felizes! Não cometeríamos nunca nenhum pecado, e teríamos cuidado de não viver segundo os nossos gostos e vontades desordenadas, porque a vontade de Deus é a regra de toda a bondade e santidade. Enfim, é esta vontade própria, como diz São Bernardo que arderá sempre no inferno, e é certo que arruína e estraga tudo onde se encontra. Se ela esta no céu, põe-na fora; porque os anjos não foram dele expulsos senão porque tinham vontade própria e queriam ser semelhantes a Deus, e por isso foram precipitados no inferno. Se existe no mundo, faz perder ao homem a graça e sujeita-o à morte, como fez aos nossos primeiros pais no paraíso terrestre. Em breve não trará senão males, e portanto, quando encontrarmos em nós alguma coisa que não seja conforme com a vontade de Deus, devemos prostrar-nos diante dele e dizer-lhe que detestamos e renunciamos à nossa vontade própria, e a tudo o que em nós haja que lhe possa desagradar e seja contrário ao seu santo amor, prometendo-lhe nunca mais querer senão o que for de seu gosto. Abramos os braços de nossa vontade; abracemos amorosamente a cruz, acomodemo-nos à santa vontade de Deus, cantando-lhe o hino de alegria: "Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu".

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