XXV - Como se deve desejar fazer fortuna.
Há duas espécies de avarentos: o avarento do céu, e o avarento da terra. O avarento da terra não leva o seu pensamento além do tempo; nunca tem bastante riquezas; entesoura... entesoura... sempre. Mas quando chegar o momento da morte, não terá nada. Repetidas vezes vos tenho dito: é exatamente como esses que fazem grandíssimas provisões para o inverno; quando a colheita seguinte chega, eles não sabem mais que fazer delas; isso só serve para atrapalhá-los. Do mesmo modo, quando à morte vem, os bens só servem para atrapalhar. Não levamos nada, deixamos tudo.
Que diríeis de uma pessoa que juntasse em casa provisões que seria obrigada a deitar fora porque apodreceriam, e que deixasse pedras preciosas, ouro, diamantes que poderia conservar, levar consigo a toda parte onde fosse, e que lhe fariam a fortuna?... Pois bem, meus filhos, nós fazemos entretanto assim; apegamo-nos a matéria, ao que deve acabar, e não pensamos em adquirir o céu, o único tesouro verdadeiro !...
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