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4 de março de 2015

Sermão para o 1º Domingo da Quaresma – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Jesus, Filho de Deus: amemos a Jesus Cristo, Ele é Deus.

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Estamos no início desse tempo de misericórdia que é a Quaresma. A santa Igreja nos traz, nesse primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho da tentação de Cristo, para nos dar o exemplo de luta contra o pecado, contra as ciladas do demônio. Tratamos disso especificamente em sermão passado (ver link acima). Na Quaresma, como falamos, e como em todas as coisas da nossa vida, devemos buscar avançar no amor a Jesus Cristo. Para isso, devemos combater nossos pecados e defeitos, mas também crescer no conhecimento de Jesus Cristo. Só podemos amar aquilo que conhecemos. Hoje e nos próximos domingos, consideremos justamente um pouco melhor alguns aspectos de Nosso Senhor Jesus Cristo, para poder conhecê-lo melhor e amá-lo mais profundamente.
Jesus Cristo, caros católicos, é o Filho de Deus. No Evangelho de hoje, o demônio, na primeira tentação, ao se dirigir a Jesus Cristo, diz: “Se és o Filho de Deus…” O demônio não sabia ao certo quem era Jesus Cristo. Tinha já indícios de que Jesus era o Messias e o Filho de Deus, mas não tinha certeza e continuou ainda sem essa certeza por certo tempo. Nosso Senhor é verdadeiramente o Filho de Deus e assim Ele se apresentou diante dos homens. Filho de Deus, é esse o título mais glorioso de Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual se fundam todos os outros. Foi por ser Filho de Deus que Nosso Senhor conquistou tantos discípulos ao longo da história e tantos inimigos. Ele é Filho de Deus não no sentido de uma filiação adotiva, mas Ele é Filho de Deus no sentido natural. Jesus é Deus. Jesus é Deus Filho encarnado, Deus Filho feito homem.
Na Sagrada Escritura, nós vemos o título de Filho de Deus aplicado a outras pessoas. Os anjos são chamados em algumas oportunidades filhos de Deus (Salmo 28, 1; Daniel 3, 92). Nosso Senhor chama os pacíficos de filhos de Deus no sermão da montanha (Mateus 5, 45). São João (Prólogo) diz que aos que recebem Jesus é dado o poder de se tornarem filhos de Deus. Aqui, porém, se fala da filiação divina pela graça, pela união com Deus em virtude da fé e da caridade. É uma filiação adotiva. Participamos da natureza divina, mas não adquirimos a natureza divina. Com Jesus Cristo é bem diferente. Umas trinta vezes “filho de Deus” se encontra no Evangelho para designar Jesus Cristo. Em muitas dessas trinta vezes “filho de Deus” aparece simplesmente como sinônimo de Messias. Todavia, em algumas delas, “filho de Deus” significa realmente a filiação divina de Cristo por natureza. Citemos apenas duas nos Evenglhos Sinóticos (Mateus, Marcos, Lucas). (1) Quando Jesus é preso, o Sumo Sacerdote lhe pergunta se ele é o Filho de Deus. Nosso Senhor confirma e o sumo sacerdote rasga as vestes dizendo que o Salvador blasfemou, pois se fez Deus. (2) Já depois de ressuscitado, Nosso Senhor manda os seus discípulos batizarem em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. O Filho de Deus, que é Cristo, é também Deus, como o Pai e o Espírito Santo. No Evangelho de São João, isso é ainda mais claro. A finalidade maior do Evangelho de São João é afirmar e mostrar claramente a divindade de Cristo. O Evangelista nos diz, já no final de seu Evangelho (20, 31): “todas essas coisas foram escritas para que acrediteis que Jesus é o Cristo, Filho de Deus.” Abunda em São João o uso por Cristo do título de Filho de Deus para significar a sua divindade, a sua igualdade de natureza com o Pai. “Eu e o Pai somos um.” (10, 30). E é sobretudo na última ceia, pouco antes de sua paixão e morte, que Nosso Senhor fala ainda mais claramente aos apóstolos, aos quais foi confiada a Missão de ensinar tudo o que Jesus falou. Nessa ocasião, Nosso Senhor diz: “E, agora, Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com aquela glória que tive em ti, antes que o mundo fosse” (17, 5) Continua Jesus dizendo que todas as coisas do Filho são do Pai e que todas as coisas do Pai são do Filho (17, 10).
Além do próprio título de “filho de Deus” todo o Evangelho abunda para mostrar que Cristo é realmente Deus, como o Pai. Sua preexistência: antes que Abraão fosse, eu sou; São João Batista diz que Cristo vem depois dele, mas que existe antes dele, sendo que Cristo nasceu depois de são João Batista. Ele é o Verbo de Deus pelo qual foram feitas todas as coisas, como nos diz o Prólogo de São João. Ele afirma ter todo o poder na terra e no céu, como está no final do Evangelho de São Mateus. Só Deus tem todo o poder. Ele se diz o senhor do sábado, superior à Lei Mosaica, que era a lei dada por Deus. Apenas Deus pode ser maior que a lei dada por Deus. Ele se diz maior que todos os profetas e patriarcas. A missão transcendental de Jesus Cristo, as relações que o unem ao Pai de uma maneira única demonstram também a sua divindade. Os milagres e as profecias, que confirmam a veracidade dos ensinamentos de Cristo, confirmam de modo particular o seu ensinamento de que Ele é uma pessoa divina.  O demônio não pode absolutamente nada contra Ele, como nos mostra também o Evangelho de hoje. Nosso Senhor está absolutamente livre do pecado. Mais do que isso, Ele perdoa os pecados, para escândalo dos fariseus que sabem que só Deus pode perdoar os pecados. Eles compreendem que Cristo ao perdoar os pecados em seu próprio nome se faz Deus. E Ele transmite aos apóstolos o poder de perdoar os pecados em seu nome. Ele se chama “luz do mundo”, “caminho, verdade e vida”. Ninguém pode se chamar assim se não é Deus. Ele se coloca como objeto de amor superior ao pai e à mãe de cada um. Ele deve ocupar o primeiro lugar na hierarquia do nosso amor: “se alguém ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim; o que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim.” A sublimidade da doutrina dogmática e moral de Nosso Senhor também indica a sua divindade. Claro, santos e profetas ensinaram coisas elevadas e divinas, mas Nosso Senhor ensina um sistema total, orgânico, plenamente harmônico de doutrina. E Ele ensina em nome próprio, como Mestre que age por conta própria, exercendo as funções que recebeu do Pai e falando de tudo o que vê no seio do Pai. Nosso Senhor funda uma sociedade religiosa, que é a Igreja Católica, e o faz sobre um pescador, tornando-o uma rocha firmíssima. Promete a assistência à sua igreja até a consumação dos séculos. Funda essa sociedade sem nenhum temor de que algo possa dar errado, ao contrário dos homens temerosos diante das adversidades em suas empresas. Os adversários de Jesus reconhecem que Ele se afirma “Filho de Deus” no sentido natural e sabem que os milagres e seus ensinamentos confirmam que Ele é Deus e que Ele vai acabar arrastando todo o povo consigo. É por isso que querem matá-lo: porque Cristo se fez igual a Deus. Em um desses momentos os judeus dizem: “Não é por causa de nenhuma obra boa que te apedrejamos, mas pela blasfêmia, e porque Tu, sendo homem, te fazes Deus.” E Jesus escapou das mãos deles nos diz o Evangelho. Aos escapar tão simplesmente das mãos deles, essa e outras vezes, ao escapar tão simplesmente de pessoas cheias de ódio e já com pedras na mão, Nosso Senhor mostra também que tinha domínio completo sobre todas as coisas, Ele é Deus. Todo o Evangelho nos mostra a divindade de Cristo.
Aquele que nós ofendemos pelos nossos pecados, aqueles que nós pregamos na cruz pelos nossos pecados é Deus. Não é simplesmente um homem muito unido a Deus, um homem muito perfeito. Não, Ele é Deus feito homem para nos salvar, caros católicos. Consideremos tudo o que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, fez por nós, pobres pecadores para nos salvar. Deus que veio à terra, viver entre os homens miseráveis, para salvar os homens.
Com nossas lágrimas e penitências nesse tempo da Quaresma, queremos, Senhor abandonar as nossas iniquidades e voltar-nos a Vós. É grande o nosso pecado, Senhor, mas perdoai-nos, pois nos confessamos culpados. Dai remédio para os nossos males, concedei-nos a graça do perdão. Dai-nos fazer boa confissão. Queremos, Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, amar-Vos com toda a nossa alma, com todas as nossas forças. Como nos diz São Paulo na Epístola: Deus está pronto para ouvir no tempo aceitável e nos ajudar no dia da salvação. É agora o tempo aceitável. É agora o tempo da salvação. Não tardemos em amar Jesus Cristo.

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