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1 de março de 2015

Confessai-vos Bem - Padre Luiz Chiavarino.

Outros efeitos admiráveis

D. — Padre, todas as belíssimas coisas que o Sr. disse até agora acerca da confissão,
tratam só dos que estão sujeitos a cometer pecados mortais, mas quem comete só faltas
veniais pode dispensar a confissão?
M. — A confissão, meu caro, é muitíssimo útil, também para aqueles que só
cometem culpas veniais, porque, mesmo quando ela não é indispensável para obter o perdão,
é sempre o melhor meio para apagar as faltas.
D. — Desculpe, Padre, mas há muitos outros meios para cancelar os pecados veniais:
as orações, as esmolas, a água benta por exemplo.
M. — É verdade; e estes remédios chamam-se "sacramentais", mas operam só ex
opere operantis, ou seja, na medida, quase sempre bem diminuta, da devoção de quem os
recebe, enquanto que, a confissão opera, ex opere operato, isto é, por si mesma, em virtude
dos méritos de Jesus Cristo, por essa razão remite todas as faltas de modo mais seguro.
D. — Então, também no que diz respeito aos pecados veniais, que são no entanto
matéria livre, isto é, que se podem ou não confessar, a confissão é a melhor cura e a mais
certa?
M. — Justamente. E não é só isso: a confissão não só remite os pecados e nos dá a
vida eterna, como também nos remite toda, ou parte da pena temporal que pode ainda restar.
D. — Deveras?
M. — Isso é verdade de fé, por conseguinte devemos acreditá-lo sem duvidar. Sim, a
confissão remite cada vez uma, duas, três e quem sabe lá quantas páginas da pena temporal,
que pode, dessa maneira, ser completamente esgotada; é justamente o que nos ensina Santo
Tomás doutor da Igreja: "Quanto mais nos confessamos, tanto maior é a porção da pena
temporal remetida..." razão pela qual pode acontecer que, à força de nos confessarmos, nos
seja remetida toda e qualquer pena.
D. — Mas esta Padre, é a indulgência das indulgências...
M. — Assim mesmo, esta é a indulgência das indulgências para nós que não
gostamos de penitências e que, por isso, corremos o risco de chegarmos à morte ainda com
toda, ou quase toda a pena temporal por descontar nas chamas terríveis do purgatório. Acertemos
pois nossas contas com a Justiça Divina enquanto ainda é tempo, mediante a confissão
freqüente.
Conta-se que duas religiosas, muito devotas das almas do purgatório, tinham
prometido uma à outra, que a sobrevivente faria abundantes orações para a que morresse
antes. Depois da morte de uma delas a outra, fiel à promessa, deu-se toda a oração,
penitências e jejuns pela alma da companheira. Mas qual não foi a sua surpresa quando, logo
no terceiro dia depois do enterro, a morta, com o semblante calmo e delicioso, toda
sorridente, apareceu para lhe dizer:
— Não se aflija por mim; eu já descontei tudo!
— De quê modo?
— Com as confissões freqüentes e sinceras feitas durante a vida.
Conta-se também o fato de um religioso que, tendo morrido de repente, quase de
improviso, deixou os seus irmãos muito apreensivos, com muito medo pelo que podia
acontecer à sua alma.
O superior deu logo ordens para que se fizessem por ele grandes sufrágios e se
celebrassem muitas Missas. Depois de poucos dias apareceu ele a um irmão e disse:
— Irmão Bernardo, Irmão Bernardo, diga ao Padre que agora chega, eu mesmo,
durante a vida, pensei no resto com muitas lágrimas derramadas frequentemente aos pés do
confessor.
D. — Mas o senhor sabe, Padre, que estas coisas me convencem e aumentam o meu
amor à confissão freqüente?
M. — Se assim fosse com você e com os outros!... A confissão é ainda um tesouro
muito escondido para muitos, e um benefício por demais ignorado. Até aqui, porém, só
consideramos uma parte dos benefícios enormes que a confissão traz consigo. Há muitos outros
ainda, inegavelmente superiores em número e beleza.
D. — Oh, continuemos a explorar essa mina de ouro e de pedras preciosas, que eu
antes não conhecia.
M. — A confissão é o Sacramento Milagre, o maior remédio; pois bem, esse
remédio, não só destrói o pecado e livra a alma da enfermidade, como traz também as
maiores vantagens. Antes de tudo restitui os bens perdidos com o pecado mortal.
D. — O que perde um cristão quando comete um pecado mortal?
M. — Quando um cristão comete um pecado mortal, dissipa um patrimônio cuja
importância não há cifra que exprima. Perde "a graça de Deus". Essa alma cai morta, como
uma pomba, ferida pelo caçador. Perde "os méritos adquiridos para o Paraíso". Fica como
uma vinha abatida e devastada pela tempestade. Perde "a capacidade de merecer para a vida
eterna". Fica como um mísero mutilado, incapaz de ganhar seu pão.
D. — E com a confissão, entramos de novo em posse de todos esses bens?
M. — Sim, mediante a absolvição sacramental, tornamos a entrar em posse de tudo: e
para que aqueles que, por não ter pecados mortais, não venham a "lamentar essas perdas", a
mesma absolvição aumenta muito o valor e o número dos méritos e das riquezas de que a
alma já é possuidora.
D. — Sabe, Padre, isto consola-me e me enche o coração de esperança!
M. — Oh! sim! Abri o coração à esperança, vós todas, pobres almas que vos debateis
no barro de vossas culpas de todos os gêneros e gemeis, ao vos lembrardes do vosso passado.
Levantai bem alto o coração, porque mediante essa cura sacramental, vos prometem que
podeis recuperar a ‘‘beleza e integridade do batismo”.
É digno de nota o que se conta sobre um noviço dominicano. Uma noite, tendo
adormecido ao pé do altar, ouviu uma voz que lhe disse: "Vai e raspa de novo com dor a tua
cabeça". Quando o jovem acordou, pensando no sonho teve a idéia de que Deus queria aludir
à confissão. Correu logo aos pés de São Domingos, e fez uma dolorosa confissão de todas as
suas culpas.
Pouco depois, quando foi descansar, viu descer do céu um anjo que trazia numa das
mãos uma túnica muito alva e na outra uma coroa cravejada de pedras preciosas, e que,
dirigindo o vôo para ele o adornou com a veste e lhe cingiu a fronte com a coroa.
Ainda muito mais admirável é o que se lê na biografia de Santa Margarida de
Cortona. Depois de convertida de grande pecadora em ferventissima penitente, Jesus
principiou a amá-la de um amor singularíssimo, tanto que costumava aparecer-lhe
frequentemente para a instruir, amparar e encher de alegria. Durante essas belas aparições,
Ele costumava chamá-la com o nome de "pobrezinha". Um dia, a santa levada pela confiança
perguntou-lhe:
— Senhor, porque me chamais sempre "pobrezinha?" Quando será que eu ouvirei
chamar-me com o nome de "filha?"
— Quando tiveres feito de novo uma boa confissão, geral e dolorosa, de todas as tuas
culpas.
Bem podemos imaginar que Margarida não tardou em satisfazer a Jesus. Preparou-se
logo com um devoto retiro, e um exame diligente; mortificou-se e fez a sua confissão com
muitas lágrimas; depois da Comunhão viu aparecer-lhe Jesus que a cobriu com um véu mais
cândido que a neve, e lhe repetiu muitas vezes: minha filha! minha filha!
Assim o Senhor demonstra quanto lhe é agradável a confissão e como realmente Ele
reveste com "a estola da graça batismal" aqueles que se tornam dignos.
D. — Agradecido, Padre: sendo assim, de agora em diante mergulharei
frequentemente neste banho salutar do sangue de Jesus, sem prestar atenção aos incômodos e
ao respeito humano, para que a minha alma retome o primitivo candor!
M. — Muito bem! Faça isso por sua conta, e não cesse de inculcar nos outros, o amor
que cada um deve ter, não só pela sua própria alma, mas ainda pela salvação dos outros.
Jesus recompensá-lo-á nesta vida e na outra.

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