Busca no Blog

6 de março de 2015

Confessai-vos Bem - Padre Luiz Chiavarino.

Obediência ao confessor, respeito e gratidão

D. — Padre, e da obediência ao Confessor o senhor não diz nada?
M. — A obediência ao confessor é virtude tão necessária ao proveito da alma, que se
ela faltar ou for defeituosa, todos os esforços serão inúteis. Ela, diz o Beato Cafasso, não
conhece nem inferno, nem purgatório, mas só o Paraíso.
D. — Em quê consiste essa obediência?
M. — Consiste em estar-se sinceramente disposto a fazer, omitir tudo e logo, o que o
Confessor mandar.
D. — Dizer é fácil! Mas quando não se consegue?
M. — Quanto a conseguir, isto é questão de tempo e depende da graça de Deus, o
qual dará o seu auxílio em proporção aos esforços e à obediência de cada um. Ninguém fica
santo em um dia! O Confessor sabe disso, e não perde a coragem, apesar das caídas
repetidas, certo de que dentro de um tempo - mais ou menos breve — ele e o penitente serão
consolados pelo êxito mais satisfatório. Você se lembra que São Felipe Néri trabalhou
durante mais de um ano ás voltas com a alma daquele rapaz, sujeito a pecados de impureza, e
conseguiu curá-lo inteiramente e fazer dele um anjo de pureza, só com a imposição de voltar
á confissão a cada recaída?
D. — Lembro-me muito bem! De modo que, Padre, não convém ficar desgostoso
nem desanimar quando não se consegue logo essa obediência?
M. — Pelo contrário; convém humilhar-se sempre mais e renovar confiante os bons
propósitos. Esta é a história de quase todos os santos célebres que afinal eram feitos de carne
e osso como nós e sujeitos ás mesmas misérias.
D. — Padre, encontram-se almas dóceis como crianças para com o confessor?
M. — Encontram-se e não poucas, elas desejariam que a sua consciência fosse como
um livro sempre aberto e um espelho sempre terso nas mãos do Confessor, afim de que ele
pudesse ter e ver nelas claramente. Longe de temerem que as conheça demais, tem medo,
pelo contrário, de não saberem revelar-se quanto é necessário, mas fazem isso sem
inquietações nem escrúpulos. Com estas almas basta um sim ou um não, uma única palavra,
e elas se fiam no que ele julga, sempre prontas para acreditá-lo e obedecer-lhe em tudo.
D. — Qual não será o prazer do pobre Confessor quando encontra essas almas dóceis
e obedientes; não é Padre?!
M. — Elas são como místicos oásis no meio do seu trabalho duro e monótono, sem
as quais, dizia o Santo Cura de Ars, ele não poderia suportar a sua vida quase que
exclusivamente devotada ao confessionário.
D. — Mas esses resultados requerem um tempo muito longo?
M. — Para as almas constantes e de boa vontade bastam poucos meses e mesmo
poucas semanas. O contrário se dá com as almas que, mesmo sendo boas e bem
intencionadas são cegadas pelo amor próprio, e teimosas nos seus ideais. Com essas obtém-se
o mesmo resultado que o professor, quando tem que repetir todos os dias as mesmíssimas
coisas aos alunos, sem nenhum proveito.
D. — Quais são essas almas tão pouco afortunadas?
M. — São as que, mesmo se capazes de se abrirem ao Confessor, não o fazem
candidamente como dissemos. São as que discutem frequentemente com ele para desviar o
curso da conversa. São as que exigem argumentações mais persuasivas, sermõezinhos
elegantes para acabarem concluindo como bem lhes parece. Eis aqui uma amostra de certos
diálogos, não muito raros por infelicidade, durante os quais o confessor é posto a provas bem
duras:
Uma senhora acusava-se de ser um tanto arrogante e soberba com o marido, de
discutir frequentemente com ele, de não procurar agradá-lo, e mesmo de responder-lhe com
maus modos etc.
O Confessor procurava persuadi-la de que a esposa deve ser humilde, paciente, dócil,
submissa porque, dizia ele:
— O homem afinal é o pai da família.
E ela respondia prontamente:
— Está bem, eu compreendo, mas a mulher é a mãe.
— O homem deve ser o rei.
— Sim, Padre, mas a mulher deve ser a rainha.
— O homem deve ser a "coroa"
— Sim, Padre, mas a mulher deve ser a cruz, que fica sobre a coroa.
M. — Agora, diga-me, o que é que se pode obter de tais penitentes?
D. — Mas, Padre, essa mulher ou é louca ou então bem arrogante.
M. —Do mesmo modo arrogantes e presunçosos são os que prosseguem nos
diálogos, para continuar a namorar, a freqüentar bailes, etc.. .
D. — Obrigado, já entendi plenamente. E é só o que tem a dizer a respeito do
confessor?
M. — Ao confessor devemos ainda três coisas importantíssimas: respeito, caridade e
gratidão. E, antes de tudo, respeito e caridade, seja quanto ao segredo da confissão, seja
quanto ao modo de nos comportarmos com ele, seja quanto às nossas preces pelo seu
ministério.
D. — O quê vem a ser respeito e caridade, quanto ao segredo da confissão?
M. — Quer dizer que, assim como o Confessor está ligado ao mais inviolável
silêncio em torno dos segredos que lhes são confiados, o penitente por sua vez deve uma
certa correspondência. Tudo quanto se passa entre o confessor e penitente forma um todo
sacramental com o Sacramento da Penitência, e tudo o que diz respeito à confissão merece
estima, respeito e veneração. Trata-se aqui de íntima relação com o representante de Jesus
Cristo, e o abaixamento dessas relações ao nível das relações humanas, é verdadeira
profanação.
D. — Então, Padre, não fica bem e não se pode falar das coisas ouvidas no
confessionário?
M. — Não, não fica bem e não se pode! Tudo que um confessor diz a uma alma em
seguida às suas acusações e manifestações, é um alimento e um remédio preparado grão a
grão, gota a gota para ela, e não é lícito dissipá-lo e fazer dele matéria de conversações. O
Confessor nunca abre a boca sobre aquilo que lhe é confiado na confissão, nem sobre as
respostas que dá aos penitentes, estes por sua vez, não devem falar do que eles próprios
dizem ao Confessor, nem do que ele lhes diz.
D. — O hábito de falar de tais coisas pode trazer conseqüências?
M. — Pode trazer conseqüências funestíssimas:
1) Pode ser causa de mal entendidos, isto é, fazer crer que o Confessor disse o que ele
nunca pensou em dizer.
2) Pode criar para ele embaraços na direção das almas, devendo ele ocupar-se um por
um, dos penitentes, sem se preocupar com outras pessoas.
3) Pode faltar à caridade para com ele, que não tem em mira senão a maior glória de
Deus, e a saúde das almas.
4) Pode ser nocivo ao próprio proveito e ao dos outros, criando rivalidades, invejas, e
antipatias, pode mesmo fazer nascer suspeitas sem fundamento na mente de alguns, que
tendo o coração cheio de lama, não sabem avaliar as coisas santas. Oh, quantos, pela
leviandade de suas línguas comprometem o respeito devido ao Sacerdote e ao Sacramento.
Eles repetem as palavras, os avisos, as interrogações do Confessor, mas, separando do resto
da conversa aquelas palavras e despindo-as das circunstâncias que as tornavam necessárias,
lhes dão um sentido inteiramente diferente do que tinham na confissão, tornam-se falsos e
mentirosos. Que responsabilidade diante de Deus... Adotemos, portanto a regra inflexível de
não falar, nem pouco nem muito, das coisas da confissão. Se você soubesse quantos
desgostos e quantas humilhações causaram ao Santo Cura de Ars umas devotas de falsa
consciência e de falsa piedade!...
D. — E os que falam de seu confessor, ou para criticá-lo ou para elogiá-lo?
M. — Esses também fazem mal. Devemos deixá-lo velado no seu confessionário,
onde Jesus Cristo o escondeu. Se o julgarem como um verdadeiro Pai Espiritual, aceitem os
seus conselhos e pratiquem-nos; se pelo contrário acharem que ele não possua todos os dotes
que desejariam encontrar nele, não só podem, mas devem abandoná-lo para procurar outro,
mais de acordo com os seus ideais sublimes.
D. — O quê me diz, Padre, dos que trocam frequentemente de confessor, no intento
de acharem um melhor?
M. — Digo que tais pessoas são o martírio dos pobres Confessores. Chegam a
impacientá-los todos um por um, continuando sempre na prática da própria vontade e dos
próprios hábitos e defeitos.
Podemos aplicar-lhes a palavras do Arcebispo de Paris, falando de uma abadessa que
acabou abandonando o convento, tornando-se jansenista: "Era o tipo mais completo dessas
virgens, as quais, sendo puras como anjos, ficam orgulhosas como demônios".
Essas pessoas fazem como certos tipos briguentos que, à procura de um advogado
que lhes dê razão, causam a própria ruína, ou como muitos doentes crônicos incuráveis que
procuram um médico que, piedosamente os engane.
D. — Padre, o senhor disse que devemos gratidão ao Confessor; de quê modo?
M. — Francamente, se há quem mereça todo o nosso reconhecimento pela qualidade
e o número de benefícios que nos traz, essa pessoa é o Confessor, o qual, pelo puro dever do
seu ministério sagrado, gratuitamente, sacrifica suas comodidades, os próprios interesses,
todo o seu ser em benefício e proveito de nossas almas. Porém, a recompensa, ele a espera de
Deus, as únicas coisas que pede a nós são a correspondência ao bem da alma e as nossas
preces para ele, seja durante a sua vida, seja depois da morte. Ele leva sempre no coração
apreensivo o temor de que, depois de ter salvo os outros, possa ele próprio encontrar-se entre
os réprobos.
D. — Portanto, todo o nosso reconhecimento, mas nada de agarramento, não é
Padre?
M. — Justamente, obediência, respeito, gratidão, mas, nenhum agarramento. Pelo
contrário devemos pôr de lado tudo o que pode haver, mesmo só de imperfeito, nas relações
humanas. As partes sobrenaturais nada têm de comum com a landes mundanas da terra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário