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7 de março de 2015

Confessai-vos Bem - Padre Luiz Chiavarino.

Modo prático de se confessar
Exame

D. — Padre, depois dessas coisas tão bonitas que me disse até agora sobre a
confissão, tenha a bondade de acrescentar algumas palavras sobre o modo de se confessar.
Tenho medo de não ser capaz e de me confessar bem.
M. — E por que esse medo? "A confissão, como a definiu o suavíssimo Papa Pio X,
é a descoberta mais oportuna que Jesus soube fornecer à enfermidade humana". Isso quer
dizer que é o Sacramento mais fácil de se receber, ao alcance de todos, e que não requer
condições difíceis, de modo que, todos os que têm boa vontade para fazer uma boa confissão,
sempre o conseguem. Aqueles então que têm muito medo de se confessarem mal, são os que
se confessam melhor, justamente por causa do medo.
D. — Devemos também rezar antes da confissão?
M. — Sendo uma verdade de fé que, sem o auxílio da graça, não nos podemos
confessar bem, devemos pedir esse auxílio com a oração:
1) Avivando a fé nesse Sacramento, que é o principal meio de santificação.
2) Agradecendo a Jesus que quis dar-nos tão valioso presente à custa da sua paixão e
morte.
3) Recomendando-nos à nossa querida mãe. Maria Santíssima, refúgio dos
pecadores, ao nosso Anjo da Guarda, às Almas do Purgatório.
Depois disso fazemos o exame de consciência.
D. — Ah, Padre, aqui começam as minhas inquietações. Eu não sou capaz de fazer o
exame de consciência: ou não me lembro dos pecados, ou então me esqueço deles quando
chego ao confessionário.
M. — Vá devagar, meu caro, não turvemos a água com a aflição. Com o medo não se
faz nada direito, mas, se nos aplicarmos com calma e confiança em Deus venceremos na
certa.
Façamos o que nos for possível, e o Senhor suprirá ao resto; muitas vezes, é
justamente quando estamos menos satisfeitos com nós mesmos que a sua satisfação é maior.
D. — Todos são obrigados a fazer o exame?
M. — Eu já vou dizendo que, se para uns o exame é obrigatório, para outros pode ser
nocivo.
D. —. É obrigatório para quem?
M. — Um exame sério e diligente é obrigatório:
1) Para os que cometem pecados mortais.
2) Para os que se confessam raramente.
3) Para os que, há algum tempo, não se confessam bem.
Todos esses, devendo acusar faltas graves, as circunstâncias que transformam a
espécie, e também o número das mesmas, é claro que devem fazer um exame sério e
cuidadoso.
D. — O quê se deve fazer para um bom exame?
M. — Para fazer um bom exame, devemos passar em revista diante da nossa
consciência os mandamentos de Deus e da Igreja, juntamente com os deveres do próprio
estado. Devemos examinar-nos sobre cada um deles para saber se pecamos por pensamentos,
palavras, obras e omissões, tendo em mira principalmente a paixão predominante e as causas
geradoras das faltas costumeiras.
Portanto, no que diz respeito ao primeiro mandamento, devemos observar se não
tivemos fé em qualquer verdade de nossa religião se tomamos parte em conversas contra a
religião, ou, se prestamos atenção a elas; se lemos livros ou jornais contra a religião; se
cometemos sacrilégios, fazendo más Confissões ou más Comunhões, ou desprezando coisas
ou pessoas sagradas; se cometemos práticas supersticiosas, ou se participamos de alguma
sessão espírita.
Quanto ao segundo mandamento, observemos se blasfemamos o nome de Deus, da
Virgem ou dos Santos, ou se fizemos juramentos ilícitos.
Quanto ao terceiro mandamento, observemos se não assistimos à Missa nos dias
santos de guarda, ou se não assistimos à ela com a devida atenção; se, propositadamente,
faltamos ao catecismo, ou ao sermão; se fizemos trabalhos manuais ou obras servis, ou então
se passamos o dia de festa em divertimentos, pagodes, botequins.
Quanto ao quarto mandamento, vejamos se não respeitamos nossos pais e superiores,
faltando-lhes ao respeito com palavras, obras ou insultos; ou se os fizemos chorar com o
nosso mau procedimento.
Quanto ao quinto mandamento vejamos se golpeamos gravemente, ou se ferimos
alguém; se nutrimos no coração ódio a alguma pessoa; se pensamos em vingança; se
lançamos imprecações ou maldições; se demos escândalo, isto é, se com palavras ou ações
excitamos outros ao pecado.
Quanto ao sexto e nono mandamentos, examinemos se tivemos pensamentos ou
desejos contrários à castidade, se consentimos neles ou se fomos negligentes em afastá-los;
se tomamos parte em conversas escandalosas, ou se lhes prestamos atenção; se lemos livros
obscenos; se cometemos atos impuros, e se os cometemos sozinhos ou com outros e de que
condição eram esses outros, desde que essas circunstâncias mudam a malícia do pecado; e se
repetimos esses atos; se freqüentamos bailes ou espetáculos desonestos.
Quanto ao sétimo e décimo mandamentos examinemos se não roubamos alguma
soma ou coisa de valor, seja em casa, seja de outras pessoas; se causamos danos; se tivemos
pensamentos ou desejos de nos apropriarmos das coisas dos outros injustamente.
Chegando o oitavo mandamento vejamos se proferimos injúrias graves ou danosas;
se murmuramos ou caluniamos gravemente; se causamos prejuízos à estima ou à honra de
alguém.
Passando aos preceitos da Igreja, basta observar se violamos dias proibidos; ou se
sendo obrigados a jejuar não o fizemos: finalmente se omitimos a Confissão e Comunhão
bem feita no tempo da Páscoa.
Acrescentemos a esse exame sobre os mandamentos de Deus e da Igreja, um pequeno
exame sobre os vícios capitais, considerando se cometemos pecados graves de soberba, de
gula, de ira, de inveja; e para terminar deitemos um olhar para as obrigações do próprio
estado.
D. — Para as obrigações do próprio estado também?
M. — Certamente! Um pai ou uma mãe, um marido ou uma mulher, um professor,
um superior qualquer, podem muito bem observar todos os mandamentos, e ao mesmo
tempo faltar gravemente aos deveres do próprio estado; o mesmo se dá com as crianças.
Portanto, o exame de consciência sobre os deveres do próprio estado é de suma
importância, quando se quer fazer uma boa Confissão. A anedota seguinte é histórica.
O Imperador Carlos V, estava em viagem e, passando por um convento, quis
confessar-se. Um religioso, cheio de caridade, ouviu a confissão do imperador e depois
acrescentou:
"Confessus es peccata Caroli... nunc confitere peccata Caesaris... — Confessaste-me
os pecados de Carlos, isto é, como se não fosse imperador; confessa-me agora os pecados
que cometeste no desempenho do teu cargo".
E, com muita habilidade e simplicidade, interrogou-o sobre o modo como governava
o seu povo. O imperador ficou tão comovido que, mais tarde, quando contou o fato, disse:
"Finalmente encontrei quem me iluminou sobre certos argumentos, e deu à minha
consciência paz completa!"
D. — Padre, será que todos são capazes de fazer "um exame tão diligente?"
M. — Os que não forem capazes, apresentem-se ao confessor, prontos para declarar
todos os fatos de que se lembram, para responder sinceramente às perguntas que ele lhes
fizer: é quanto basta.
D. — E se o confessor não fizer perguntas e se o penitente esquecer dos pecados
mortais?
M. — Os pecados, mesmo os mortais, quando não são propositadamente esquecidos,
são perdoados como os que se confessar, ficando o penitente obrigado e declará-los, se se
lembrar deles, nas confissões seguintes.
D. — Enquanto isso podemos ir para a Comunhão com a consciência tranqüila?
M. — Sim, podemos ir para a Comunhão com a consciência tranqüila mesmo em
ponto de morte.
D. — Padre, o senhor disse que nos devemos examinar sobre pensamentos e desejos?
M. — Certamente, porque, quando maus, os pensamentos e desejos também são
pecados.
— Mamãe, perguntou um menininho, se, como a senhora me ensinou, nada no
mundo se perde, aonde vão parar os pensamentos e desejos?
— Meu filho, respondeu gravemente a mãe; vão morar na memória de Deus, e ali
ficam para sempre.
— Para sempre! exclamou o menino surpreendido. Pensou um pouco, de cabeça
baixa, e depois, abraçando a mãe bem apertado, murmurou baixinho:
— Eu tenho medo!
E pensando bem, quem é que não se sente compelido a dar o mesmo grito: eu tenho
medo!...
E se certos pensamentos nos causam medo, por que não devemos examiná-los e
detestá-los?
D. — Os maus pensamentos são sempre pecado?
M. — Não, meu filho, algumas vezes não são pecado; outras vezes são pecado
venial; mas podem também ser pecado mortal. Ouça esta comparação: Uma fagulha que cai
sobre um vestido branco e é logo retirada não deixa mancha.
Se a deixarmos ali, alguns instantes, deixa uma mancha chamuscada.
Se a deixarmos ali, para ver o resultado, ela acaba queimando o vestido.
Assim acontece com os maus pensamentos. Se os expulsarmos logo, não são pecado
nenhum; se consentirmos neles por alguns instantes são pecado venial; se ficarmos a seguir o
curso, até ao fim, com plena consciência do que estamos fazendo e com prazer, nesse caso
são pecado mortal.
D. — Quais são os que não são obrigados a fazer um longo exame?
M. — As almas que tem temor de Deus e que se confessam sempre não são
obrigados a um exame demorado, porque, segundo o célebre Frassinetti ou não cometem
pecados mortais, ou então, na hipótese de cometerem algum, não se esqueceriam dele.
D. — Então, Padre, fazem mal os que ficam angustiados e se agitam porque não
acham pecados?
M. — Certamente! 'Não é de estranhar, diz ainda Frassinetti, se, não cometendo
pecados, não os encontrais. Agradecei a Deus, e continuai a ficar deles afastados com o
auxílio dos Sacramentos".
Lembro-me de um menino que indo para a confissão chorava como uma videira
recém-cortada.
— Por que, pequeno, eu perguntei, por quê você chora tanto?
— Porque eu não encontro pecados!
— Você não os cometeu?
— Não, Padre, pecados eu nunca cometi.
D. — Diga-me enfim, Padre: para quem pode o exame ser nocivo?
M. — Pode ser nocivo para as almas confusas, agitadas, irritadiças, escrupulosas, as
quais, por terem a convicção de que devem fazer as contas como se se tratasse de
matemática, não acabam nunca de se examinar para chegar sempre a zero, com despeito e
desânimo sempre crescentes. Em tais casos, o Confessor proíbe o exame, e elas devem
obedecer.
D. — Agradecido por tudo, Padre; eu nunca me esquecerei disso.

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