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11 de agosto de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

I

ATÉ MINHA PRIMEIRA COMUNHÃO

1900-1910

Em 1906 Jesus principiou a tomar o meu coração para si. Durante um ano preparei-me para fazer minha primeira comunhão. A Virgem ajudou-me a limpar meu coração de toda imperfeição.
Na Eucaristia está a vida de nossa alma. É o momento do céu no nosso desterro. Suspiremos por ela! (c 114).
Para uma carmelita, a Eucaristia é um céu; e deveria ser para toda alma que crê. E pensar que comungamos sem um mínimo afeto de amor! Jesus aproxima-se repleto de infinito amor e nós o recebemos friamente e só procuramos fazer-lhe pedidos, sem o adorar, sem chorar de agradecimentos aos seus divinos pés! (c 151).
A comunhão é um céu na terra para a alma que se compenetra do ato que faz. Tiremos Jesus da sua fria prisão e abriguemo-lo no nosso coração, tão pobre, tão cheio de amor! (c 128).

1910-1914

A Primeira Comunhão causou em Juanita um impacto que durou toda a sua vida.
Desde esse primeiro encontro, Jesus a reclama para si. E ela responde com generosidade. Sua humildade talvez a faça exagerar inconscientemente quando diz que, em 1913 "não fazia caso da voz" do Senhor que a chamava.
Se, de fato, houve alguma reserva nesse período na sua entrega, a enfermidade de apendicite e a operação a obrigaram a reagir e a colocar-se incondicionalmente nas mãos do Senhor.

FALAVA-ME O SENHOR

Todos os dias comungava e falava com Jesus longo tempo.
Desde que fiz minha primeira comunhão, Nosso Senhor me falava depois da comunhão. Dizia-me coisas que eu não suspeitava, e ainda quando eu perguntava, dizia coisas que iam acontecer, e aconteciam. Porém eu continuava pensando que acontecia o mesmo a todas as pessoas que comungavam, e uma vez contei a minha mãe. Ela respondeu-me que dissesse isto ao Pe. Coloro; porém eu tinha vergonha (Santiago, 24 de abril de 1919).
Minha devoção especial era a Virgem. Contava-lhe tudo. Desde esse dia a terra, para mim, não tinha atrativo. Eu queria morrer e pedia a Jesus que me levasse no dia 8 de dezembro.
Todos os anos ficava doente no dia 8 de dezembro. Aos doze anos tive difteria. Em 8 de dezembro estive à morte. Minha mãe pensou que eu estivesse morrendo, porque uma tia minha morreu disso e o meu estado era pior que o dela. Morreu aos doze anos.
Era uma santa desde pequena. Porém eu não me parecia com ela.
Ainda não merecia o céu e Nosso Senhor não me levou.

NÃO FAZIA CASO DE SUA VOZ

Em 1913 tive uma febre espantosa. Nesse tempo Nosso Senhor me chamava para si, porém eu não fazia caso de sua voz. Então, aos catorze anos, enviou-me apendicite, o que me fez ouvir sua voz querida, que me chamava para fazer-me esposa mais tarde no Carmelo.
Meu mal de apendicite agravou-se e me tiraram do colégio, o que me deu muita alegria.
Com a enfermidade, fiquei tão mimada que não podia estar só. Lucita estava doente e Elisea - uma empregada - foi fazer-lhe companhia. Então tive inveja e comecei a chorar. Nosso Se­nhor me falou e me deu a entender quão abandonado e só estava no Tabernáculo. Disse-me que o acompanhasse. Então deu-me a vo­cação, pois disse-me que queria meu coração; é para ele, e que fosse carmelita. Desde esse momento passava o dia inteiro numa íntima conversa com Nosso Senhor, e sentia-me feliz por ficar só.
Eu, nesse tempo, não vivia em mim. Era Jesus quem vivia em mim. Levantava-me às sete. Tinha horário para todo o dia. Tudo fazia com Jesus e por Jesus.
Nosso Senhor mostrou-me como fim a santidade. Eu a alcançaria fazendo tudo o melhor possível.

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