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13 de agosto de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

PARECIAM-ME AÇOUGUEIROS

Em 8 de dezembro, senti que ia morrer. Desde esse dia caí de cama para levantar-me operada. Levaram-me ao pensionato de São Vicente, na 2ª-feira, 28. Só Deus sabe o que sofri. Ter de morrer fora de casa me atormentava. Por outra parte sentia grande repugnância de dormir em camas onde outros doentes haviam estado.
Comunguei às cinco da manhã. Que comunhão! Acreditava que era a última. Pedi a Nosso Senhor com toda minha alma que me desse coragem e serenidade. Que teria sido de mim sem o auxílio de Jesus?
Chegaram as meninas para ver-me. Joguei baralho com elas tranqüilamente; depois veio o doutor. Colocaram em mim uma quantidade de relíquias e subi para a maca. Tomei minha Virgem, abracei-me ao Crucifixo, beijei-o e disse-lhe: "Logo vos contemplarei face a face. Adeus".
Os médicos saíram. Pus-me a conversar tranquilamente, po­rém pareciam-me açougueiros. Mas Jesus venceu por mim.
Quando despertei, não sabia onde estava. Pensava que vinha do outro mundo, de tal modo que a cada pessoa que via, punha me a chorar. A dor era terrível e o clorofórmio causou-me terríveis efeitos. Porém, assim lembrava-me de oferecê-los a Nosso Se­nhor. Só um instante e nunca mais, me desesperei; imediatamente me arrependi.

1915-1916

Vai se apoderando de Juanita o desejo de ser esposa de Jesus.
Quer ficar cada dia mais bonita para ele. Fascina-a a ideia de com ele colaborar na tarefa da salvação do mundo. Sente-se feliz porque Jesus é seu único amor. Chama-o "meu Noivo". Dia 8 de dezembro de 1915 faz com enlevo, pela primeira vez, o voto de castidade.
Este ideal a faz passar sem contratempos a difícil fase da vida em que se encontra. E quando inevitavelmente paga o tributo à instabilidade e insegurança de seus quinze anos - raivazinhas, "vontade louca de chorar", tirará proveito de sua debilidade. Aceitando sua limitação, comprovará que necessita apoiar-se mais em Cristo para realizar suas aspirações.
Este- ideal lhe. dará também forças para adaptar-se à vida de interna, tão contrária a seu temperamento afetuoso e mimado. Chegou a chama-la de calabouço o internato.

CONTAR UMA RAIVAZINHA

Logo depois fomos a Chacabuco, que meu pai havia vendido.
Eu não podia andar a cavalo, o que me causava um sofrimento muito grande, pois Não há nada que eu aprecie tanto como cavalgar.
Ficamos lá muito tempo. Tivemos missa frequente e senti-me feliz.
Para maior humilhação, contarei uma raivazinha que tive. Foi tão grande que parecia que eu estava louca. Minha irmã e minha prima não quiseram tomar banho de mar conosco porque éramos muito pequenas. Desgostei-me porque me chamaram de criança e não queria ir, mas me obrigaram. Quando estávamos nos vestindo, chegaram as meninas para apressar-nos, porém respondi que não me vestiria enquanto elas não fossem embora. Elas não quiseram sair e minha mãe disse para me vestir e eu, teimosa, não quis.
Mamãe até me bateu. . . tudo inútil. Eu chorava. E era tanta a raiva que tinha, que queria voltar ao banho. Minha mãezinha começou a me vestir, e eu continuava furiosa. Quando fiquei pronta, me arrependi e fui pedir perdão a minha mãe, que estava muito triste por me ver assim e dizia que ia embora para Santiago. Não ia ficar com uma menina tão raivosa. Ela não quis me perdoar, e eu chorava, inconsolável. Mandou-me sair de seu quarto e fui me esconder para chorar livremente. Chegou a hora de tomar lanche e eu não queria ver ninguém, pois tinha dado muito mau exemplo. Não sei quantas vezes pedi perdão, até que minha mãe disse-me que observaria qual a minha conduta daí por diante.
Creio que deste pecado tive contrição perfeita, pois o tenho chorado não sei quantas vezes. E cada vez que me lembro, me en­tristeço de ter sido tão ingrata com Nosso Senhor que acabava de me dar a vida.
Sua mãe explica esta cólera pelo "grande nervosismo que lhe provocou o clorofórmio".

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