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10 de agosto de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

MODIFIQUEI MEU CARÁTER

Em 1907 entramos no colégio.
Meu caráter tornou-se violento, eu era presa de raivas fero­zes; porém raras. Foi conosco a Chacabuco uma prima de mamãe, que não gostava de mim. Só mimava Rebeca. Com isso eu sofria como não é possível imaginar. Eu era terrível com ela; não suportava nada. A senhora pode saber, Madre, quanto a incomo­dávamos com nosso caráter. Minha mamãe contava-lhe as brigas que tínhamos com nossos irmãos. Custava-me obedecer. Sobretudo quando me mandavam, por preguiça demorava para ir.
Foi nesta época que Nosso Senhor mostrou-me o sofrimento.
Meu papai perdeu uma parte da fortuna, tivemos de viver mais modestamente.
Aos sete anos me confessei. As monjas nos prepararam.
Eu, cada dia, pedia permissão a mamãe para fazer minha primeira comunhão. Até que consentiu em 1910. E começou minha preparação. Parecia-me que esse dia não chegaria e chorava de desejos de receber Nosso Senhor. Um ano preparei-me para fazê-lo.
A Virgem ajudou-me a limpar meu coração de toda imperfeição.
No mês do Sagrado Coração, modifiquei meu caráter por completo.
Não brigava com os meninos. Às vezes mordia os lábios e apressava-me em vestir-me. Fazia atos que anotava numa caderneta. Ninguém me fazia perder a paciência. Os meninos, meus irmãos, o faziam de propósito; diziam muitíssimas coisas para me enraivecer; eu, porém, continuava, como se não os ouvisse.
Minha mãe estava feliz por me ver preparar-me tão bem para minha primeira comunhão.

PERDÃO PELOS RESMUNGOS

E do dia 10 de setembro de 1910 a primeira carta que se conserva de Juanita. Nela diz a seu pai: Obrigada por todas as bondades que recebi de vocês e por me terem colocado neste colégio. Aqui me ensinam a ser boa e piedosa e sobretudo me preparam para fazer minha Primeira Co­munhão. Agora só me falta pedir-lhes perdão pelas desobediências, resmungos que cometi. Espero não voltar mais a cometer essas faltas.
Sua filhinha que tanto os ama, Juana.
A tarde, pedi perdão. Lembro-me da impressão de meu paizinho.
Fui pedir-lhe perdão. Caíram-lhe lágrimas, levantou-me e me beijava dizendo que não havia por que pedir-lhe perdão, pois nunca o havia desgostado e que estava muito contente vendo-me tão boa. Sim, paizinho, porque era demasiado indulgente e bondoso comigo. Pedi perdão a minha mãe, que chorava. A todos os meus irmãos e, por último, a minha ama e empregadas. Todos me respondiam comovidos.

DIA SEM NUVENS

O dia de minha primeira comunhão foi um dia sem nuvens para mim. O dia 11 de setembro de 1910, ano do centenário de minha pátria, ano de felicidade e da recordação mais pura que terei em toda a minha vida. Foi um dia formoso também para a natureza. O sol difundia seus raios enchendo minha alma de felicidade e de ação de graças ao Criador.
Despertei cedo. Minha mãe vestiu-me, penteou-me. Tudo foi feito por ela. Eu não pensava em nada. Estava indiferente a tudo com exceção de minha alma para Deus. Chegou, por fim, o momento.
D. Jara nos disse palavras tão ternas e formosas que cho­rávamos todas. Aproximamo-nos do altar enquanto cantavam esse formoso canto: "Alma feliz", que jamis esquecerei.
Não é para se escrever o que se passou entre minha alma e Jesus. Pedi-lhe mil vezes que me levasse e ouvia sua voz querida, pela primeira vez. Pedi por todos, e a Virgem eu a sentia perto de mim. Pela primeira vez sentia uma paz deliciosa.
Depois fomos ao pátio distribuir coisas aos pobres e abraçar a família. Meu paizinho me beijava e me levantava nos braços, feliz.
Nesse dia foram muitíssimas meninas a minha casa. Para não dizer nada dos presentes que ganhei: a cômoda e minha cama estavam cheios.
Passou esse dia tão feliz, que será único em minha vida.
Mudamos de casa pouco tempo depois.

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