CAPÍTULO LXIII
Milagre que sucedeu em Beja, cidade de Portugal, a um devoto de São Francisco e Santo Antônio
Na cidade de Beja, em Portugal, vivia um homem de nome Pedro, poderoso e rico. Tanta devoção ele tomara pela Ordem dos Frades Menores, que deu o campo para na cidade se fundar convento e ainda largas esmolas que ajudaram a construção da obra.
Ora sucedeu que veio o devoto Pedro a adoecer de enfermidade muito grave. E, uma noite, velavam o enfermo quatro frades com outras muitas pessoas de sua obrigação, e a todo o instante esperavam seu passamento. E o enfermo tinha sobre si, por devoção, o hábito dos Frades Menores para com ele, depois, ser enterrado.
E eis que apareceram ali, de repente, mais dois frades à roda da cama, e um deles foi postar-se à sua mão direita e o outro à esquerda. E perguntou-lhe o primeiro:
— Ó Pedro, tu conheces-nos?
E ele que respondeu:
— Vejo que sois Frades Menores; agora as pessoas não vos conheço.
E então o frade esclareceu:
— Pois saberás que eu sou São Francisco e este meu companheiro é Santo Antônio; e viemos aqui para te consolar e sarar desta enfermidade pela devoção que sempre por nós houveste e pelos benefícios com que favoreces os frades aqui do convento.
E o enfermo pediu a São Francisco que lhe benzesse o hábito que tinha sobre a cama.
E, benzido o hábito, ambos os frades desapareceram; e Pedro tão rapidamente convalesceu que todos os presentes se maravilharam.
Viveu ainda doze anos, e nunca mais trouxe consigo as chaves de nenhum outro tesouro, senão só as da sua arca onde guardava o hábito que São Francisco benzera. E com ele morreu e foi a enterrar.
Em louvor e glória de Deus Nosso Senhor e de seus fiéis servos São Francisco e Santo Antônio, per infinita saecula saeculorum.
Amém.
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