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22 de março de 2021

Histórias das Cruzadas - Livro Primeiro - Origem e Progresso do Espírito das Cruzadas 14

Um grande número de peregrinos ia a Palestina, chegavam a Jerusalém pela porta de Efraim, onde pagavam tributo aos sarracenos. Depois de se terem preparado com jejum e oração, apresentavam-se na igreja do Santo Sepulcro, cobertos de um pano mortuário que conservavam com cuidado toda sua vida e no qual eram envolvidos para a sepultura, depois de mortos. Percorriam com santo respeito as montanhas de Sion, o monte das Oliveiras, o vale de ]osafá, deixavam Jerusalém para visitar Belém, onde nasceu o Salvador do mundo, o monte Tabor, onde Ele se transfigurou e todos os lugares que haviam sido testemunhas de seus milagres. Os peregrinos iam depois banhar-se nas águas do Jordão e colhiam no território de Jericó, palmeiras que traziam para o Ocidente. Tal era a devoção e o espírito dos séculos X e XI que a maior parte dos cristãos ter-se-ia julgado réu de uma indiferença culpável, para com a religião, se não tivesse tomado parte nalguma peregrinação. Aquele que havia escapado de algum perigo ou triunfado sobre seus inimigos, tomava o bordão de peregrino e se punha a caminho, para os santos lugares.

O que tinha obtido por suas orações a vida de um pai ou de um filho, ia agradecer essa graça longe de seu lar, nos lugares consagrados pelas tradições religiosas. Muitas vezes um pai fazia votos de peregrinação ao filho mais novo e o primeiro dever de um filho, quando deixava a infância, era cumprir os votos dos pais.

Mais de uma vez um sonho, uma aparição durante o sono, impunha a um cristão o dever de fazer uma pereginação. Assim, a ideia dessas piedosas viagens não se restringia a meros sentimentos religiosos, mas misturava-se a todas as virtudes, como a todas as fraquezas do coração do homem, a todas as tristezas, como a todas as alegrias da terra. Os peregrinos eram recebidos em toda parte e por paga da hospitalidade só lhes pediam suas orações: era na verdade muitas vezes somente esse o tesouro que eles haviam levado consigo. Um deles, desejando embarcar em Alexandria, para a Palestina, apresentou-se num navio, com seu bordão e sua sacola, e para pagar a passagem ofereceu um Livro do Evangelho. Os peregrinos em seu caminho não tinham outra defesa contra os ataques dos maus que a cruz de Jesus Cristo e outro guia, que seus anjos, aos quais Deus disse que velassem pelas crianças e as guiassem por todos os caminhos.

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