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14 de março de 2021

Histórias das Cruzadas - Livro Primeiro - Origem e Progresso do Espírito das Cruzadas 6

À necessidade de visitar o túmulo de Jesus Cristo juntava-se o desejo de obter relíquias, procuradas então com ansiedade pela devoção dos fiéis. Todos os que vinham do Oriente, punham sua glória em levar para sua pátria algum resto precioso da antiguidade cristã e principalmente ossos de seus mártires, destinados a constituir o ornamento e a riqueza das igrejas ; os príncipes e os reis juravam sobre as relíquias respeitar a verdade e a justiça. Os produtos da Ásia atraíam também a atenção da Europa.

Lemos em Gregório de Tours que o vinho de Gaza era célebre na França sob o reinado de Gontran, que as sedas e as pedras preciosas do Oriente eram os adornos dos grandes reinos e que Santo Eloi, na corte de Dagoberto, não desdenhava vestir-se com os ricos panos da Ásia. Os reis da França tinham junto de si um negociante judeu, encarregado de fazer todos os anos uma viagem ao Oriente para lhes comprar produtos de além-mar. As crônicas nos afirmam que, na multidão dos cristãos europeus que chegavam ao Egito ou à Síria, havia um grande número deles, que eram levados pelas especulações do comércio.

Os venezianos, os pisanos, os genovezes, os negociantes de Amalfi, de Marselha, tinham escritórios em Alexandria, nas cidades marítimas da Fenícia e na Cidade Santa. Havia um mercado diante da Igreja de Santa Maria Latina em Jerusalém; todo negociante que ali se queria estabelecer era obrigado a pagar ao mosteiro latino duas peças de ouro por ano. Já dissemos de uma grande feira, que havia todos os anos em Jerusalém no dia 15 de setembro.

Não havia crime que não pudesse ser expiado pela peregrinação a Jerusalém e pelos atos de devoção junto do santo sepulcro de Jesus Cristo. Uma velha crônica conservada por um monge de Redon, nos diz que em 868 um senhor poderoso do ducado da Bretanha, de nome Frotmond, assassino de seu tio e do mais moço de seus irmãos, apresentou-se em vestes de penitente diante do Rei da França e de uma assembleia de bispos. O monarca e os prelados depois de tê-lo feito amarrar fortemente com cadeias de ferro, ordenaram--lhe, em expiação do sangue que ele havia derramado, que partisse para o Oriente e percorresse os santos lugares, com a fronte marcada de cinzas e o corpo cingido por um cilício. Frotmond acompanhado por seus servos e pelos cúmplices do seu crime partiu para a Palestina. Depois de ter passado algum tempo em Jerusalém atravessou o deserto e dirigiu-se para as margens do Nilo, percorreu uma parte da África, foi até Cartago e voltou a Roma, onde o Papa Bento III aconselhou-o a fazer nova peregrinação para terminar sua penitência e obter inteira remissão dos seus pecados. Frotmond voltou pela segunda vez à Palestina, chegou até o Mar Vermelho, passou três anos no monte Sinai e veio à Armênia visitar o monte onde tinha parado a arca de Noé, depois do dilúvio. De volta à sua pátria, foi recebido como um santo, entrou para o mosteiro de Redon e morreu chorado pelos cenobitas que ele tinha edificado com a descrição de suas peregrinações.

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