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25 de setembro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

EM DEUS NOS ENCONTRAREMOS

Se por um instante pudesse penetrar o íntimo de meu pobre coração e presenciar a luta horrível que experimento ao deixar os seres que idolatro, terias compaixão de mim. Mas Deus o quer, e ainda que fosse necessário atravessar o fogo, não retrocederia.
Lucho muito querido, falo-te de coração a coração. Quero-te como nunca te amei. Poucos irmãos existirão tão unidos como nós dois. Contudo, digo-te adeus. Sim, Lucho de minha alma; é preciso que te diga esta palavra tão cruel por um lado, porém não é, quando consideramos o sentido do que dizemos: até Deus! Lucho querido, ali viveremos sempre unidos. Em Deus nos encontraremos.
Quem pode fazer-me mais feliz do que Deus? Nele encontro tudo. Agora, diga-me, que abismo mais insondável haverá do que entre Deus e a criatura? E ele não desdenha descer até ela para unir-se a ela e divinizá-la. E eu, hei de desdenhar a mão do Todo­-poderoso? Lucho, se eu me tivesse enamorado por um jovem com quem pensasse ser feliz e não fosse do teu agrado, eu não teria duvidado um momento em sacrificar por ti a minha felicidade, porque te considero muito. Porém, não se trata de um homem, mas de Deus, e não posso voltar atrás. Peço-te, perdoa-me toda a mágoa que te causei com minha determinação. Tu me conheces e podes compreender melhor do que ninguém como é grande o meu sofrimento, e tanto maior quanto mais vejo que sou eu a causa do sofrimento dos seres que tanto amo.
Além disso, quem colocou em minha alma o germe da vocação foi a SS. Virgem. E foste tu que me ensinaste a amar a esta terna Mãe que jamais foi invocada em vão por seus filhos. Ela me amou, e não encontrando outro tesouro maior para dar-me em prova de sua singular proteção, deu-me o fruto bendito de suas entranhas, o seu Divino Filho. Que mais me poderia dar? Lucho, antes de partir, deixo-te como sinal de nossa perpétua fraternidade a estátua da SS. Virgem que tem. sido minha companheira
inseparável. Ela tem sido minha íntima confidente desde os mais tenros anos de minha vida. Ela ouviu a relação de minhas alegrias e tristezas, confortou meu coração tantas vezes abatido pelo sofrimento. Lucho querido, ela vai me substituir junto a ti. Fala-lhe como fazes comigo, de coração a coração. Quando te sentires só, como eu me senti muitas vezes, olha-a e verás que, sorrindo, te diz: "Tua Mãe jamais te deixa só". Quando, triste e desolado, não encontrares com quem desabafar-te, corre à sua presença e fixa o olhar lacrimejante de tua Mãe que te diz "não há dor semelhante à minha dor", pondo em tua alma a gota de consolação que cai de seu dolorido Coração (a seu irmão Luís; Santiago, abril
de 1919).

QUERO SER SANTA CARMELITA

Só me faltam 17 dias para encontrar, atrás das grades do meu Carmelo, horizontes sem limites, horizontes divinos que o mundo não compreende.
Porém não vou em busca do Tabor, e sim do Calvário. Pela graça de Deus, compreendi que a vida da carmelita é uma abnegação contínua, não só do corpo, mas da vontade e do julgamento.
Antes parecia-me que Deus daria às almas que se entregam a ele os gozos e doçuras da oração, e só para senti-las seria o caso de se fecharem no convento. Porém, hoje compreendo que isto não é buscar a Deus, mas a si mesma; e preparo-me, não para regalos, mas para securas e abandonos; numa palavra, para cumprir a vontade de Deus.
Não sei o que daria para pregar ao mundo inteiro o abandono cego nas mãos de Deus. Creia que o experimentei em meus assuntos, porque não tenho pedido nada, senão o que ele quiser e nada mais... Quero ser uma santa carmelita. Seria uma loucura se, depois de sacrificar tudo, eu não fosse uma carmelita segundo o ideal de minha Madre Sta. Teresa; que meu Jesus não possa dizer que eu sou totalmente dele.
Minha sobrinha Luz está muito bem. É encantadora. Eu a amo muitíssimo e me encanta tê-la nos braços (Santiago, 20-4-1919).

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