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10 de setembro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

ASSISTI AO TEATRO

Nosso Senhor me livra dos passeios e festas milagrosamente . . . Assisti ao teatro. Fomos com mamãe à ópera. Era a primeira vez que eu ia. Que impressão causou-me! Que grande indecência! Como sofri ao ver que essas mulheres são tão sem pudor! Como se ofende a Deus ali! Minha alma permaneceu unida a ele.
De outras vezes assisti peças boas. Não sabia como agradecer ao meu Jesus.
Fui duas vezes ao teatro com D. Júlia Freire. Vi AÍDA, porém não me agradou tanto quanto "Lúcia de Lamermour", peça que foi apresentada por Maria Barrientos, uma das melhores atrizes do mundo. Tem voz maravilhosa: É verdadeiramente um rouxinol. Lembrava-me de você, paizinho, que gosta tanto de música e ficava encantado quando ia ao teatro (Santiago, 18-9-19 18) .
Quantas tentações tive para não flertar! Não posso negá-lo: encanta-me flertar por diversão. Porém, vejo que não o posso fazer, pois seria uma ingratidão para com o meu Jesus.

HÁ UMA VAGUINHA?

Madre, agora vou suplicar-lhe que me admita nesse "pombalzinho". Sei que sou muito indigna deste favor tão grande. Creia-me que trabalharei toda a minha vida para ser uma grande santa. Sta. Teresa diz que não é orgulho ter grandes desejos; antes, ao contrário, isto levanta a alma para coisas mais elevadas.
Sei que sou muito imperfeita, porém espero, com o auxílio de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem, honrar o hábito de carmelita. Entretanto esperei, preparo-me o melhor que posso. Assim é que peço, por favor, diga-me se há uma vaguinha.
Mantenho-me o mais possível unida a Nosso Senhor dentro da casinha de minha alma. Essa é minha celinha, por enquanto. Quer caminhe pelas ruas ou vá ao teatro ou passeios, digo a Nosso Senhor: "Jesus meu, aqui talvez ninguém pense em ti. Porém aqui tens um coração que te pertence inteiramente" (Santiago, 1 7-9-1918) .

A MAIS FELIZ NOTÍCIA

Não imagina quanto bem me proporciona com suas cartas e a alegria com que as recebo, sobretudo esta última na qual me diz que há vaga nesse "pombalzinho" tão querido. Quanto agradeci ao meu Senhor do fundo de minha alma, quando lia essas linhas que me traziam a mais feliz notícia!
Acredite que me sinto desterrada aqui no mundo, em meio a tantos perigos, e tenho ânsias de ver-me já nesse conventinho, prisioneira para sempre de Nosso Senhor. Ainda que seja o último lugar, e ainda que tenha de servir a todas as minhas irmãs, eu o prefiro a viver com as comodidades do mundo, pois creio que ali hei de encontrar a felicidade mais completa desta vida.
Pergunto-me por que o Senhor me protege e me guarda para si, quando sou tão miserável. E nele mesmo encontro a resposta: tem um coração de Deus, cheio portanto de amor infinito, e esse fogo de amor abrasa quanto encontra à sua passagem, contanto que nos deixemos consumir (Santiago, 1 8-9-19 18).

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