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17 de setembro de 2021

Teresa de Los Andes - Deus, Alegria Infinita - Diário e Cartas

EM TODA PARTE VIVO FELIZ

Ontem cheguei à fazenda. A única coisa que me faz sofrer é que minha mamãezinha não veio, pois J. L. Dominguez está muito mal. Pobre menino! Se Deus o leva, vai descansar de sofrer, pois toda a sua vida foi um sofrimento continuo. Feliz ele que soube suportar com uma paciência admirável! Creio que irá direto para o céu.
Depois que chegamos, fomos andando até o rio Maule, que apresenta um espetáculo encantador e está muito perto das casas.
Tudo aqui é pitoresco. Há paisagens ideais.
Em Santiago vivi regiamente. Fomos à fazenda das Salas-González, onde nos divertimos. Dou graças a Deus por viver tão bem em toda parte, pois onde me levam fico feliz. O que não acontece com todas as meninas que em toda parte se aborrecem.
Gozei com as proezas do Jaime. Que menino de sorte! Porém estou sentida com ele porque não foi capaz de ir em casa nem por um segundo (São Paulo, 15-1-1919).

ORAÇÃO CONTÍNUA

Rogo-lhe que quando me escrever não ponha o Del Solar porque o "Del" chama a atenção deles. Nosso sobrenome é assim, mas nunca o escrevemos desse modo.
Aqui não tenho missa. Já faz 15 dias que não comungo.
Imagine a fome que tenho; porém, abandono-me à vontade de meu Deus. É esse o alimento de minha alma, por enquanto.
Muitas vezes não posso nem fazer oração. Nisto consiste meu maior sofrimento pois me comunico constantemente com todos e não me deixam um momento. Porém minha vida, posso dizer, é uma oração continuada, pois tudo que faço é por amor ao meu Jesus; e noto que, desde que estive aí, estou muito mais recolhida.
Não sei como agradecer-lhe o nome que me deu. Sou demasiado indigna de chamar-me como minha Madre; muito pequena para um nome tão grande: Teresa de Jesus, carmelita. Que desejo tenho de o ser logo! (São Paulo, 22-1-1919).

NECESSIDADE PREMENTE DE ORAR

Minha alma sente cada dia mais a necessidade mais premente de orar, de unir-se a Deus, de tal maneira que agora fico constantemente em oração. Adoro no fundo de minha alma ao meu Jesus, e tudo que faço é com ele e por seu amor.
Minha oração consiste quase sempre numa íntima conversação com Nosso Senhor. Imagino que estou como Madalena a seus pés escutando-o. Ele me diz o que devo fazer para lhe ser mais agradável.
Às vezes diz-me coisas que eu não sei. Outras vezes diz-me coisas que não aconteceram e depois sucedem; porém isto é muito raro. Disse-me que serei carmelita e irei em maio de 1919.
Outras vezes fico num recolhimento profundo, como se estivesse abismada em Deus, completamente absorta, contemplando as perfeições infínitas de Deus. A noite, como às vezes não fazia oração de dia por estar ocupada, recolhia-me e ficava em oração um quarto de hora. Uma noite, Nosso Senhor deu-me a entender sua grandeza e, ao mesmo tempo, o meu nada. Desde então principiei a ter desejos de morrer, ser reduzida a nada para não ofender a Deus e não continuar sendo-lhe infiel. As vezes desejo sofrer as penas do inferno, contanto que assim eu lhe mostre o meu amor e corresponda de algum modo aos seus favores. Isto eu sinto quando tenho favor e sofro com isto.
Outro dia principiei a sentir tanto amor de Deus que, embora fazendo outras coisas, tinha o pensamento preso nele. E era tanta a força do amor que me sentia desfalecida, sem forças. Algo como se eu não estivesse em mim (São Paulo, 23-1 e 3-2-1919).

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